As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Devemos usar instrumentos musicais na adoração?



https://youtu.be/mMCFJFcwvoU

Para compreender, não somente o assunto acerca de instrumentos musicais, como também a respeito do dízimo e de outros temas de igual importância, é necessário que você entenda o que é o Antigo Testamento, e o que é o Novo Testamento. É necessário compreender o que é o povo terrenal de Deus (Israel) e o que é o povo celestial de Deus (Igreja). Se isto não for compreendido, haverá uma grande confusão com respeito à Palavra de Deus. Aliás, creio que não haveria tantas divisões entre o povo de Deus se estas diferenças fossem compreendidas.

Deus tem um povo ao qual foram feitas revelações e promessas: o povo judeu. A este povo foi dada a Lei por intermédio de Moisés e Deus irá cumprir todas as promessas que lhe dizem respeito. Aquele povo tinha uma promessa terrena: uma terra prometida, abundância de colheitas, saúde, prosperidade, muitos filhos, etc. Tenho certeza de que não preciso citar os versículos do Antigo Testamento que contém essas promessas pois você será capaz de encontrar vários deles. Não havia para eles, porém, nenhuma referência ao Céu; nenhuma promessa celestial. O culto daquele povo era um culto terreno e exterior.

Eles não tinham o Espírito Santo habitando neles, embora estivesse com ele, pois o crente, como habitação do Espírito Santo, é algo que somente encontramos após a formação da Igreja no dia de Pentecostes. Se ler atentamente Hebreus, perceberá do que estou tratando. Havia o judaísmo, com seu templo terreno, seus sacerdotes instituídos de uma determinada tribo, seus sacrifícios de animais, seus corais com cantores (que eram da tribo de Levi, cf. 1 Crônicas 15) usando roupas especiais, etc.

Mas, como poderá perceber em Hebreus, com a formação da Igreja Deus trouxe algo melhor do que o judaísmo; algo que estivera oculto em mistério (Ef.3) para ser revelado no tempo apropriado. A Igreja nada mais tem a ver com o Judaísmo. Eles possuíam um templo feito de pedras, somente um, que estava em Jerusalém; hoje, nós que cremos somos templos, tanto o nosso corpo é templo de Deus (1 Co 6.19) como, coletivamente (1 Co. 3.16).

Somos, coletivamente, "Casa de Deus", Igreja do Deus vivo (1 Timoteo 3.15), não mais feita de pedras mortas como era o templo em Jerusalém, mas construída com pedras vivas (1 Pd 2.5). Que imenso contraste do judaísmo! Os judeus eram homens oferecendo um culto exterior a Deus e necessitavam de todo um aparato magnífico, porém exterior. Nós temos o Espírito Santo de Deus habitando em nós. O cântico espiritual que sai de nosso coração (Cl 3.16) já é um produto do Espírito que habita em nós e que faz com que nossos louvores sejam elevados a Deus.

Se você compreendeu que não somos judeus, mas igreja de Deus, irá perceber que devemos buscar as doutrinas da Igreja nas cartas dos apóstolos. Sim, pois era assim que os primeiros cristãos faziam (Atos 2.42). Não temos doutrinas para a Igreja no Antigo Testamento, pois a Igreja ainda não tinha sido formada. As ordenanças do Antigo Testamento eram dirigidas aos judeus. Se formos adotar as ordenanças do Antigo Testamento, teremos que deixar de comer carne de porco, teremos que viajar para Jerusalém para adorar (pois não poderia haver outro templo), teremos que nos fazer circuncidar, e tudo aquilo que encontramos que era dirigido aos judeus.

A grande confusão que existe hoje é que alguns cristãos escolhem algumas doutrinas do Antigo Testamento enquanto outros escolhem outras doutrinas, cada um procurando aquelas que mais se adaptam a si mesmos. Há, assim, confusão e divisão.

Para o cristão, o Antigo Testamento continua sendo a Palavra de Deus, assim como o Novo Testamento, mas pertence a uma velha ordem de coisas; uma velha maneira de Deus tratar com o homem. O que vemos lá serve para nos ensinar, trazendo‑nos consolação (Rm 15.4), porém nada mais são do que sombras (Hb 8.5 e 10.1) das coisas que haviam de vir. Se vejo a sombra de alguém que amo chegando na porta de minha casa, me alegro. Mas assim que a própria pessoa chega, não vou mais me ocupar com sua sombra; tenho algo mais concreto e completo para me ocupar.

Cabe aqui lembrar que os 4 evangelhos estão incluídos em uma época de transição entre o judaísmo e o cristianismo. Você encontrará pouca coisa concernente à Igreja nos evangelhos (estou me referindo às doutrinas, e não ao ensino do Senhor). Há ainda que se ter cuidado em discernir nos Evangelhos o que é dirigido ao remanescente judeu que participará do Reino.

Você poderá perceber que era uma época de transição, mas ainda sujeita às coisas do judaísmo pois o Senhor ainda não havia completado Sua obra, pelo simples fato de o Senhor exortar os Seus discípulos a fazerem o que os fariseus ensinavam (embora não devessem fazer o que eles faziam). Ele os exortava também a dar a didracma, que era o imposto para o templo (de Jerusalém). Ora, se fôssemos obedecer isso hoje, teríamos que nos dirigir a Israel, procurar os fariseus e pedir que nos ensinassem o que devemos fazer. Além disso, teríamos que entregar a eles nosso dinheiro para a manutenção do Templo (que não existe mais).

Infelizmente a grande maioria da cristandade não entende a diferença e procuram adaptar as coisas concernentes à antiga dispensação, adotando costumes e práticas do judaísmo. Se você não aceita que judaísmo e cristianismo são coisas diferentes, deixará de aprender muitas coisas que dependem do entendimento deste ponto de grande importância.

Tratando agora diretamente do assunto relativo à música, uma vez que compreendemos que não estamos mais no judaísmo, não devemos buscar no Antigo Testamento como devemos proceder com respeito ao assunto. Se verificar no Novo Testamento, Rm 15.9; 1 Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Hb 2.12; Tg 5.13, verá que que estas passagens que falam de música não fazem qualquer referência a instrumentos musicais. Você não encontrará qualquer referência a corais, conjuntos e coisas desse tipo no Novo Testamento. Ali você encontra a doutrina dos Apóstolos e não foi deixada nenhuma indicação para que formássemos orquestras para adorar a Deus. Tenho certeza que você concorda que Deus aceita a adoração do mais humilde dos Seus filhos, mesmo que cante desafinado e sem voz bonita.

Desde que venha do coração e seja dirigido ao Senhor (Ef 5.19; Cl 3.16), eu e você podemos ter certeza de que será um cântico aceito e mais agradável a Deus do que o cântico dos levitas em 2 Crônicas 5.12‑14. Se Deus se agradasse de todo aquele aparato exterior, Ele teria mantido tudo igual. Mas não, Deus quis trazer "vinho novo" e os odres velhos não podem conter tal vinho. Tenho certeza que um simples cântico entoado de coração e para o Senhor deixa muito menos lugar para a carne do que conjuntos, corais e orquestras ensaiados cuja maior preocupação é agradar o público que os está ouvindo.

Cabe aqui fazer um parênteses. Tudo o que estou escrevendo diz respeito à adoração coletiva, quando os crentes se reúnem como igreja ou assembléia para louvar e adorar a Deus. Ali, na presença do Senhor, entoamos nossos louvores de coração, usando o instrumento melhor que nos deu, que é a nossa voz. Não há necessidade de mais nada; nosso louvor será aceito. Em nossos lares, porém, nada impede que toquemos instrumentos musicais, mesmo em companhia de outros irmãos, ou que tenhamos discos com cantores e orquestras de música cristã para nos entreter. É um costume bastante salutar ocupar nossos momentos com boa música cristã.

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