As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Um cristão pode dançar?



https://youtu.be/ce8d2J_CV20

Sua dúvida é se o crente pode dançar ou não. Antes é preciso saber o que é um crente. Será que é alguém que se filia a uma denominação evangélica, põe uma Bíblia debaixo do braço e uma gravata no pescoço, ou, se for mulher, não corta o cabelo e não raspa a perna? Algumas pessoas pensam que ser crente é adotar tais costumes.

Em João 3:16 lemos:"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". O que diz aí? "...para que todo aquele que não dança não pereça? Certamente que não é assim que está. Diz apenas "para que todo o que nele (em Cristo) CRÊ"! O apóstolo Paulo escreveu uma carta aos crentes da Galácia, os quais afirmavam que para ser salvo era necessário não apenas crer em Cristo, mas também guardar a Lei, ou seja, praticar determindas obras. A eles Paulo responde: " Ó insensatos gálatas... Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?" Gl. 4:9,10.

Só Cristo pode nos salvar pois morreu na cruz sendo castigado por Deus Pai no lugar do pecador. Todo aquele que nele crê tem a vida eterna, está salvo eternamente. E isso não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que Cristo fez; "e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef. 2:8). Portanto, a nossa salvação depende EXCLUSIVAMENTE de Cristo e de Sua obra; não depende de nós pois se dependesse de nós, a glória seria nossa. Mas, graças a Deus, não depende de nós que somos pecadores e sempre propensos a pecar.

Quando um pecador vem a Cristo, arrependido de seu estado pecaminoso, isto só acontece por obra do Espírito Santo em seu coraçãio, pois é o Espírito Quem nos convence do pecado (João 16:8). Então, pela fé, o pecador crê que Cristo tomou o seu lugar na cruz carregando o seu pecado (do pecador). Quando o pecador assim crê, Deus lhe dá a salvação que é completa; Deus lhe dá o perdão que também é completo e essa pessoa nunca mais perderá a salvação, pois é um dom de Deus (Ef. 2:8) e nunca lhe será tirada por Deus "porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm. 11:29).

Deus não "tira" a salvação do crente, e ninguém mais pode fazê-lo "porque estou bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm. 8:38,39)

Agora vem o outro lado da questão, ou seja, depois que alguém já tem assegurada a sua salvação. Será este o seu caso? Será que você já se decidiu a aceitar a Cristo como Seu Salvador? Se já fez isto, então irá querer viver uma vida para agradá-Lo, não é mesmo?

Havia um leilão de escravos (no tempo da escravidão), onde escravos eram vendidos a vários preços, dependendo da idade, saúde, força para o trabalho, etc. Quando foi apresentado um escravo velho, fraco e doente, ninguém se interessou, mas todos se surpreenderam quando ouviram um fazendeiro gritar um lance num valor tão alto que daria para comprar todos os escravos que estavam sendo vendidos naquele dia. Obviamente ele acabou comprando aquele escravo fraco e doente, diante do espanto de todos, inclusive do próprio escravo que foi chegando perto do seu novo dono trêmulo de medo.

- Vá embora - disse o fazendeiro. - Você está livre!
O escravo tremeu mais ainda e perguntou:
- Mas o senhor pagou aquele alto preço para me mandar embora, livre?
- Isso mesmo. Eu paguei um preço altíssimo porque tive pena de você e queria ter certeza de que ninguém ofereceria uma soma maior. Eu comprei a sua liberdade; pode ir embora para onde quiser. A partir de hoje você é um homem livre!

O escravo, caindo aos pés do seu libertador, levantou seu rosto e, com os olhos banhados em lágrimas, falou com voz forte e resoluta: - Senhor, por causa do que o senhor fez, eu irei, POR AMOR, servi-lo até o fim dos meus dias!

Esta história ilustra bem a situação de um salvo. Cristo nos salvou do pecado e da morte, para a liberdade (1º Coríntios 7.23). Não fez isto porque éramos justos, mas pecadores (Romanos 5.8). Não nos salvou para sermos novamente escravos de ordenanças (Colossenses 2.20-23). O cristão, salvo por Cristo, pode fazer tudo o que desejar (1 Coríntios 6.12) mas não se deixará dominar pelas coisas que desejar. O seu desejo principal será usar o seu corpo para glorificar a Deus (1 Coríntios 6.20) e não sei como alguém poderá glorificar a Deus em um baile.

Assim como o escravo da história, que estava totalmente livre para fazer o que bem entendesse, uma pessoa verdadeiramente convertida a Cristo também está livre, porém vai desejar fazer somente aquilo que agrade ao Seu Senhor que sofreu tanto por sua salvação. O verdadeiro cristão não procura andar em santidade de vida porque isto vai garantir sua salvação. Ele procura fazer a vontade do Senhor para agradá-lo em tudo, expressando a sua gratidão por tão grande salvação. Fomos chamados à liberdade, mas não para dar ocasião à carne (Gálatas 5.13).

Falando especificamente da dança, você acredita que irá glorificar a Cristo fazendo isso? Seria interessante avaliar o ambiente onde pretende fazê-lo e ponderar se é um lugar adequado para um cristão. Acho que você vai precisar orar a respeito. Espero que com isto tenha esclarecido suas dúvidas. Lembre-se que o que o cristão deve ter sempre em mente não são pensamentos do tipo: "O que posso fazer para agradar os meus desejos", mas sim "O que posso fazer para agradar ao Senhor".

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