As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que significa a Rosa de Sarom?

"Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales. Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amada entre as filhas. Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; com grande gozo sentei-me à sua sombra; e o seu fruto era doce ao meu paladar. Levou-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor". Cantares 2:1-4

Você tem razão quanto à "rosa de Sarom". É a noiva, a Sulamita (Ct 6:13), que chama a si mesma de "rosa de Sarom". Embora a noiva desse cântico possa ser vista como uma figura da Igreja, a aplicação mais direta e correta do texto é para Israel, pois o Antigo Testamento não fala da Igreja. A Igreja era ainda um mistério que só viria a ser revelado a Paulo (Ef 3.3‑11), embora o Senhor Jesus tenha mencionado a Igreja nos Evangelhos sem ser, contudo, compreendido pelos Seus discípulos.

Assim como acontece com hinos que falam da "rosa de Sarom" como se fosse o Senhor, há muitos hinos que trazem erros. É o caso de um hino chamado Cem Ovelhas, onde uma estrofe diz "As noventa e nove, deixou no aprisco". Porém se você procurar a passagem no Evangelho verá que o Pastor deixa as 99 no deserto, e não no aprisco.

Há outro hino que diz "Manda fogo, Senhor, que eu quero sentir o Teu poder". Ainda bem que o Senhor não faz o que pedem os que cantam assim, pois na Bíblia o fogo está sempre conectado com juízo. Isso ocorre por um erro de interpretação de Atos 2, onde as línguas são "como de fogo", e de Mateus 3, onde o fogo ali é erroneamente interpretado como o batismo do Espírito Santo ocorrido no Dia de Pentecostes.

Se você observar atentamente o texto de Mateus 3, verá que João Batista está se dirigindo alternadamente tanto a salvos como a perdidos, falando também alternadamente de salvação e juízo (o fogo representa o juízo de Deus). Acrescentei as palavras [entre chaves] para você entender essa alternância:

"Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento [os salvos]... E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto [os perdidos], é cortada e lançada no fogo [o juízo]. Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; Ele vos batizará no Espírito Santo [os salvos], e em fogo [os perdidos]. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo [os salvos] ao celeiro, mas queimará a palha [os perdidos] em fogo inextinguível".

Outro uso errôneo da expressão "Rosa de Sarom" é feito por alguns pregadores que aconselham seus seguidores a colocarem um botão de rosa no lugar mais alto da casa como uma espécie de canal de bênção. Evidentemente em alguns lugares essa "rosa especial" é vendida aos fiéis juntamente com outros itens como sabonetes santos, azeite de Israel, água do Rio Jordão, lenços consagrados, e por aí vai. Isso nada mais é do que apelar para a crendice e superstição popular, que precisa enxergar alguma coisa material para crer, o oposto da fé que é crer sem ver.

No caso da rosa, há dois erros aí. O primeiro é que esses pregadores falam da rosa de Sarom como representando o Senhor, e não é. Na passagem de Cantares 2 ela representa a Sulamita, que está cantando um diálogo com seu Noivo (este sim, o Senhor). Se acompanhar a partir do final do capítulo 1 verá que se trata de um cântico cantado a dois:
  • [Sulamita] O meu amado é para mim como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi.
  • [Amado] Eis que és formosa, ó amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como pombas.
  • [Sulamita] Eis que és formoso, ó amado meu, como amável és também; o nosso leito é viçoso. As traves da nossa casa são de cedro, e os caibros de cipreste. Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.
  • [Amado] Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amada entre as filhas.
  • [Sulamita] Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; com grande gozo sentei-me à sua sombra; e o seu fruto era doce ao meu paladar. Levou-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor".

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