As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Um cristão pode tirar e ter retratos ou imagens de pessoas?



https://youtu.be/jMFPlegaivY

Li seus comentários sobre o assunto das esculturas e imagens e creio que, da maneira como coloca o assunto, a compreensão do segundo mandamento poderia tornar‑se algo extremamente polêmico, gerando as mais diversas interpretações.

Para falar de forma mais prática, se tomarmos o segundo mandamento de uma forma genérica, ou seja, considerando que as imagens de ali são faladas incluem toda e qualquer forma de imagem gerada pelo homem, então viveríamos em um dilema pois, a começar pela nossa sombra na parede, estamos continuamente gerando imagens de nós mesmos ou de parte de nosso corpo, como as impressões digitais para documentos ou mesmo as radiografias, ultrasonografia, fotografias para documentos, etc., coisas esta que seria uma loucura se as tomássemos como objetos de idolatria. Indo mais além, nossa consciências sentir‑se‑ia culpada todas as vezes que utilizássemos banheiros públicos ou outros serviços que são identificados por símbolos iconográficos.

O mesmo problema teríamos, como você citou, ao comprar qualquer produto que trouxesse alguma imagem do que há no céu, na terra ou nas águas debaixo da terra. O próprio fato de termos tais embalagens em nossos lares poderia deixar nossas consciências intranqüilas.

Ampliando um pouco mais este raciocínio, chegaríamos ao ponto de rejeitar, por exemplo, a Palavra de Deus se a mesma viesse escrita em japonês que, como todos sabem, é um idioma cuja escrita é formada por ideogramas, ou seja, imagens que transmitem uma idéia. Alguém que compreenda o japonês poderá lhe explicar que cada letrinha daquelas, tão complicadas para nós, é um conjunto de imagens. Lembro‑me apenas de uma palavra, se não me engano, "lar", cujo ideograma mostra claramente uma casinha com um hominho dentro.

Como pode perceber, a vida neste mundo atual viria a se tornar impraticável para um crente sincero que acreditasse que o segundo mandamento seja aplicado a imagens de uma forma generalizada (pois até o dinheiro que usamos tem imagens). Isso iria gerar, obviamente, um sem número de divisões entre os cristãos (como se já não as houvesse por outros motivos) como aqueles que excluiriam das restrições as radiografias, ou aqueles que não aceitariam apenas as embalagens, etc., etc.

A aplicação do segundo mandamento fora do seu contexto iria gerar confusões lamentáveis e lançaria muitos crentes em um mar de dúvidas e sentimentos de culpa, como tem feito uma seita existente no Brasil, cujos membros só aceitam fotografias para serem utilizadas em documentos. Muitos de nossos folhetos evangelísticos são recusados por pessoas de tal seita por conterem capas com fotografias. Essa seita já se dividiu em duas alas, uma que usa roupas de cores diferentes ou tecidos misturados e outra que não.

O contexto do mandamento indica claramente a confecção, posse e uso de imagens, de maneira geral, com fins de idolatria (não nego que uma foto possa ser usada para este fim). Se não fosse assim, por que Deus iria mandar o Seu povo fazer imagens ou esculturas como Ele mandou? É o caso de Êx 25.19,34; 26.31, ou das imagens que adornavam o Templo ao qual Deus deu a Sua aprovação, como vemos em 1 Rs 6.32,35; 7.20,22,25,29.

Até no futuro Templo, cuja descrição Deus revelou a Ezequiel, você encontrará imagens ordenadas por Deus, como querubins, palmeiras, leões e até um rosto de homem (Ez 41.19). Isso seria uma contradição da parte de Deus se não entendêssemos o verdadeiro significado do segundo mandamento. A mente espiritual não terá dificuldade em compreender que uma imagem e uma imagem usada em idolatria são coisas completamente distintas. Deus mandou fazer uma imagem de uma serpente de bronze, figura de Cristo (Nm 21.8; Jo 3.14), mas registrou nas Escrituras a destruição da mesma quando passou a ser utilizada como objeto de idolatria (2 Rs 18.4).

Uma imagem, qualquer que seja, quando tem por objetivo, ou mesmo quando traz o perigo, de idolatria deve ser rejeitada pelo cristão. Está bem claro que o anticristo fará bom uso das imagens, especialmente da imagem da besta, para enganar. Hoje milhões de pessoas são enganadas pelas imagens da TV e há muitos que estão imersos na idolatria moderna, buscando fotos de cantores ou artistas. A idolatria não é apenas a adoração de esculturas ou imagens, mas a colocação de qualquer coisa como objeto de nossa veneração, pois até coisas simples como o comer, beber e divertir‑se podem se tornar idolatria, como aconteceu com Israel (veja 1 Co 10.7). Mas nem por isso vamos deixar de comer.

Devemos, portanto, ser sábios em nosso andar neste mundo, não nos fazendo presa de uma interpretação errônea e não‑contextual da Palavra de Deus e nem nos deixando levar pelo espírito deste mundo que nos leva a adorar o que vemos. Há muitos cristãos que estão caindo em uma crassa idolatria e nem estão dando‑se conta do perigo. Refiro‑me à imensa multidão que vive em busca de sinais e maravilhas, coisas que possam ver, esquecendo‑se que o "justo viverá da fé" que é "a prova das coisas que se não vêem" (Rm 1.17; Hb 11.1). "Porque andamos por fé e não por vista" (2 Co 5.7).

O absurdo de se andar "baseando‑se em visões" (Cl 2.18 V.Almeida Atualiz.) tem levado muitos a crerem em pessoas que dizem terem sido levadas ao inferno pelo diabo e descrevem, diante de seus eletrizados auditórios, tudo o que o diabo teria mostrado ali. Basta um pouco de conhecimento da Palavra para sabermos que o único que tem a chave do inferno é o Senhor Jesus, e não o diabo (Ap 1.18) e que se o diabo nos mostrar alguma coisa podemos estar certo de que é mentira (Jo 8.44; 2 Co 2.9). Esperando que esta possa lhe dar uma visão mais contextual da Palavra de Deus, despeço‑me ficando ao seu dispor para qualquer dúvida, ou mesmo qualquer coisa que eu tenha escrito que não tenha achado de acordo com a Palavra de Deus.

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