As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que você acha da idéia de monges e monastérios?



https://youtu.be/BZ3ea6pQm4M

A ideia de monge é estranha à Bíblia. É egoísta e centrada no eu, algo do tipo, o resto que se dane que vou tratar de minha elevação espiritual, ainda que no processo eu ajude os outros. Só que esse ajudar é, na verdade, egoísta também, pois existe uma segunda intenção. Tem muito de espiritualismo nisso e de espiritismo, onde aliviar o sofrimento alheio tem um propósito real de aliviar meu próprio sofrimento.

O cristão nascido de novo não pertence ao mundo (o sistema de coisas), mas está no mundo e acaba fazendo diferença. Não tenta salvar o mundo, que não tem solução, mas as pessoas do mundo, assim como ninguém se preocupa em salvar o navio do naufrágio, mas as pessoas do navio. Porque chega um momento em que o próprio navio se torna no ambiente de danação das pessoas que estão nele, e o jeito é convidá-las a sair o mais rápido possível.

Outra idéia relacionada a esse isolamento monástico é a de que o cristão deva ser necessariamente pobre e ignorante. Na Bíblia não diz que o dinheiro seja a raiz de todos os males, mas que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Também não diz que é preciso ser ignorante para ser cristão, mas que a sabedoria deste mundo não ajuda em nada neste sentido. Porém, para viver isso não é preciso se esconder numa caverna ou se retirar para um monastério (há um livro, muito bom, por sinal, dentro do que ensina sobre liderança, O Monge e o Executivo, que está fazendo sucesso e, uma das razões, é a idéia romântica que as pessoas têm da vida monástica).

O apóstolo Paulo dá uma lição sobre isso, já que ele era um homem culto, que tivera riquezas, mas que mostrava não dar valor a isso e nem precisava se isolar para viver uma vida cristã. Ele vinha de uma linhagem nobre entre os judeus, teve um dos maiores mestres da antiguidade como tutor, vinha de família nobre e tudo mais, mas considerou tudo como esterco em comparação com o conhecimento de Cristo, cujos discípulos ele conhecia.

Desse apogeu de cultura e nobreza, ele foi ao ponto de experimentar extrema pobreza e perseguição, embora tivesse uma profissão boa para a época e trabalhasse nela (era fabricante de tendas). Em uma de suas cartas, aquele que experimentou tanto a riqueza como pobreza, escreveu:

Filipenses 4:
11 Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
12 Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade.


É este o segredo, contentar-se com o que você tem, seja fartura ou necessidade. Buscar a pobreza como símbolo de espiritualidade torna essa pobreza algo mais caro do que a riqueza, o que acaba sendo a mesma coisa. Ao invés do apego à pobreza, acaba existindo um apego à pobreza. Conheci um rapaz que tinha idéias parecidas e quando eu perguntei se Deus quisesse que ele fosse rico, o que ele faria. Ele respondeu que nem se Deus quisesse ele seria. O deus dele era ele mesmo, quem decidia o que ele devia ser. Isso me faz lembrar uma lenda:

Morava na longínqua Índia um abastado marajá, vestido de ouro e adornado de diamantes. Seu castelo era sua vida. E ali vivia regaladamente.

Todos os dias o marajá sofria a visita de um guru, homem pobre e piedoso, cujo único bem nesta vida era sua tanga, que usava apenas em ocasiões especiais. O resto do tempo ele andava nu, para mostrar como estava despojado das influências e desejos deste mundo material e egoísta. Odiava — odiava? — ser o alvo das atenções.

O guru vivia dando lições de moral no marajá, mostrando como ele estava errado por ser rico, gastar tanto, ser apegado, querer aparecer com todas aquelas jóias, e todo aquele papo de guru despojado. Até que um dia, em meio ao sermão, um incêndio irrompeu no castelo. Foi tudo tão rápido que todos saíram correndo, inclusive o guru e o marajá, sem poder levar nada.

Do lado de fora, o marajá assistia calmamente toda sua fortuna sendo reduzida a cinzas, enquanto o guru dava ordens desesperadamente aos servos do castelo para buscarem água e acabarem com o incêndio. Estava eufórico, neurótico, desfigurado, estressado, irreconhecível.

— Ó, nobre guru — dirigiu-lhe a palavra, o agora pobre marajá. — Estou a perder (o marajá aprendeu português em Portugal) todos os meus bens e riquezas, e acato isso como meu destino, sem me preocupar. A partir de hoje serei um mendigo sem riquezas ou prazeres. Podes responder a razão de tamanha ansiedade e desespero em apagar o fogo, já que nenhuma de minhas vis riquezas poderia ser salva?
MINHA TANGA!!! ESQUECI MINHA TANGA NO PALÁCIO!

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