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Deus é autor do mal?

Isaías 45.7 ‑ A palavra "mal" na versão Almeida é "ra" no original hebraico, e tem o significado de tristeza, miséria, adversidade, aflição, mas nunca significa "pecado". Deus cria o mal, ou seja, Ele traz miséria, aflição ou tristeza quando assim julga necessário para cumprir os seus justos desígnios. O mal que Deus terá que trazer sobre o pecador que não crê em Cristo é um exemplo disto.

Um juiz que é justo ao condenar um transgressor trará, evidente, mal à vida do transgressor, prendendo‑o numa cadeia por um determinado tempo. A justiça inclui a aplicação de uma pena ao transgressor. Por esta razão Deus trouxe o dilúvio sobre a terra, eliminando aqueles que estavam cansados de receber um testemunho acerca do Deus verdadeiro mas teimavam em viver em iniquidade e idolatria. (leia Gênesis 6.1‑8). Ao longo de todo o Antigo Testamento você encontrará Deus julgando os homens por meio de catástrofes ou por guerras.

Romanos 9.6‑33 ‑ Aqui vemos a soberania de Deus e que Sua vontade está acima de tudo. Nem sempre seremos capazes de compreender a Sua vontade, mas podemos ter certeza de que é a melhor. Em Êx 4.19, Deus diz a Moisés: "eu SEI, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir". Aqui Deus sabia o que havia no coração de Faraó. No primeiro encontro, em Êx 5, Faraó diz "Quem é o Senhor?" e "Não conheço o Senhor", não deixando o povo ir. O coração do homem é igual, pois Moisés diz em 6.12: "Eis que os filhos de Israel me não têm ouvido; como pois me ouvirá Faraó?", ou seja, o homem é inimigo de Deus em qualquer lado que esteja. Mas Deus tinha o propósito de salvar aquele povo e condenar o Egito.

Assim é a graça de Deus. Ambos os povos eram pecadores culpados e não queriam escutar a voz do Senhor, portanto Ele podia simplesmente esquecê‑los e destiná‑los ao juízo. Mas Deus, na Sua graça, queria salvar um povo e escolheu os israelitas para serem este povo. Alguns perguntariam: "Por que Ele não salvou os dois povos?", mas eu pergunto "Por que Ele, ainda assim, salvou os israelitas, uma vez que estes eram tão indignos quanto os egípcios?" A resposta é que Ele quis salvar. Se há duas pessoas se afogando e alguém que passa na beira do rio escolhe salvar uma, não podemos dizer que ele seja culpado da morte da outra pessoa. Ele poderia muito bem não ter se arriscado e deixar que as duas morressem. Ele não tinha nada a ver com a falta de juízo daqueles que tinham escolhido nadar em águas profundas. Mas se ele, ainda assim, salva uma, deve ser reconhecido por seu feito.

Mas creio que Faraó ainda podia se converter, pois Deus estava Se revelando a Ele. (Lembre‑se do que aconteceu em Nínive, quando Jonas pregou e, ao contrário do que Jonas esperava, o rei e toda a cidade se arrependeram.) Assim, é somente no capítulo 7.3 que Deus vai endurecer o coração de Faraó, acabando assim suas chances de se converter.

Provérbios 16.4 ‑ Este é o mesmo caso de Faraó. Deus o criou, sabendo que ele seria tão ímpio quanto qualquer outro israelita. Mas Deus criou a ambos, que nasceram ímpios por causa do pecado e não de Deus, e decidiu salvar o ímpio israelita, permanecendo o ímpio Faraó na condenação e ainda servindo de instrumento para que Deus concluísse os Seus desígnios. Mas em tudo isso Deus permanece justo. João 1.3 mostra que Cristo e que sem Ele nada do que foi feito se fez, portanto isto inclui tudo. Você foi criado por Deus, por intermédio de Cristo, assim como eu. E nós, embora tenhamos sido salvos pela fé em Jesus, nascemos tão ímpios quanto Faraó ou o mais vil assassino que exista na penitenciária. Se Deus justifica o ímpio (Rm 4.5) que crê e condena o ímpio que permanece nos seus pecados, não podemos dizer que Deus é injusto em condenar o segundo ou mesmo de utilizá‑lo para cumprir Seus justos desígnios. Mas podemos louvá‑lo por salvar o primeiro, ou seja, o ímpio que crê em Jesus.

É possível congregar com desprendimento denominacional?

Você falou em congregar com "desprendimento denominacional" e eu acrescentaria que não existe uma desprendimento denominacional na prática se não houver uma separação do sistema denominacional para se estar reunido SOMENTE ao nome do Senhor Jesus Cristo, o Nome tão digno ao Pai que é, infelizmente, muitas vezes, considerado por nós de somenos importância.

Quantas vezes estamos prontos a alterar nosso rumo um pouquinho a fim de não sofrermos por causa deste Nome tão maravilhoso. E então caímos, como a grande maioria de nossos irmãos espalhados pelas divisões, na tentação de nos identificarmos por mais algum nome, esquecendo do valor que Seu bendito Nome tem para Deus, esquecendo‑nos que "Jesus Cristo" é, segundo o propósito de Deus, Aquele "do qual toda a família nos céus e na terra toma o Nome" (Ef 3.15). Mas por que tanta importância deve ser dada ao Seu nome? Porque Deus faz assim e porque disto depende o testemunho da unidade da Igreja sobre a terra, testemunho este apresentado aos homens (João 17.23) e aos anjos (Ef 10.3).

Infelizmente vemos o Nome de Cristo sendo considerado algo secundário e os cristãos passam a dar mais valor à união dos crentes do que à unidade do um só corpo, comprometendo assim o testemunho desta unidade e passando por cima da verdade. Existe uma diferença entre união, no sentido em que estou mostrando aqui, e unidade. Unidade é aquilo que já temos. Deus fez a igreja UM SÓ CORPO (Ef 4.4), e isto independente de nós. Foi Ele quem a fez assim. Cabe agora a nós darmos testemunho desta unidade que é tão preciosa aos olhos de Deus. Ninguém pode destruir a UNIDADE do Corpo de Cristo, mas os homens conseguiram arruinar o TESTEMUNHO desta unidade, ou seja, aquilo que é visível aos homens e aos anjos e que coube aos homens preservar ("Rogo‑vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer... Está Cristo dividido?" 1 Co 1.10,13).

Quanto à UNIÃO dos crentes, ela deve existir (Fp 2.2 diz, na versão atualizada, para sermos unidos de alma), mas nunca deve comprometer a verdade. Os homens dizem: "Não importa que doutrina você professe ou que denominação tenha; o importante é estarmos unidos." Isto é uma mentira. Deus nunca coloca o Seu selo em algo que não é segundo a verdade. As doze tribos de Israel foram divididas, tendo dez tribos seguido a Jeroboão, que fez altares para que o povo adorasse fora de Jerusalém, e duas tribos ficado com Roboão, adorando em Jerusalém. Deus permitiu tal divisão pois ela expressava o coração do povo, mas, embora Deus considerasse como Seu povo as doze tribos, reconhecia apenas Judá e Benjamim como estando no lugar que Ele havia escolhido para por o Seu Nome (Dt 12; 2 Cr 10.1‑19). Embora as dez tribos estivessem no lugar errado, adorando de maneira errada, Deus não permitiu que Judá e Benjamim lutassem contra seus irmãos das dez tribos, mesmo que tal luta fosse para reuní‑los novamente em um só Israel (2 Cr 11.1‑4). Mesmo no lugar errado, continuavam a ser o povo de Deus.

Mas vemos um alerta em 2 Crônicas 11.13‑16 que mostra, por um lado, a bênção de se estar onde Deus colocou o Seu Nome (no caso era Jerusalém ‑ o "UM LUGAR" de Dt 12) e o declínio, por outro lado, entre aqueles que se conectaram com o erro. Jeroboão lançou fora os verdadeiros sacerdotes do Senhor, pois não queria que eles ministrassem entre o povo, e elegeu para si mesmo sacerdotes, do mais baixo do povo, que não eram da tribo de Levi (1 Rs 12.31). Assim é o homem: escolhe para si aquilo que lhe agrada, passando por cima do que Deus determinou. Isso acabou em grassa idolatria como sabemos muito bem. Por outro lado, "aqueles de todas as tribos de Israel, OS QUE DERAM O SEU CORAÇÃO A BUSCAREM AO SENHOR DEUS DE ISRAEL, vieram a Jerusalém para oferecerem sacrifícios ao Senhor Deus de seus pais".

Mesmo em meio à ruína, sempre haverá aqueles que desejarão fazer as coisas conforme a vontade do Senhor, negando a sua própria vontade. Não duvido que tenha sido difícil para muitos terem tomado tal decisão. Se pensarmos que a grande maioria do povo não adorava no lugar estabelecido por Deus (dez tribos contra apenas duas), o mais fácil para qualquer israelita era adorar mais próximo de casa. Mas existiram aqueles, e Deus os recompensará por sua fidelidade, que saíam de suas casas, talvez escondidos dos guardas de Jeroboão, e iam até Jerusalém para adorar a Deus no lugar e da maneira que Ele havia instituido. Quão preciosa cena devia ser, aos olhos de Deus, um israelita fiel enfrentar os perigos e cansaços da viagem para fazer a Sua vontade! Com certeza isto ficou registrado no coração de Deus.

Mais adiante encontramos um rei temente a Deus, Josafá, reinando sobre Judá e Benjamim (2 Cr 17). Seu reino foi forte pois Deus o abençoou grandemente. Ele não apenas estava no lugar de testemunho estabelecido por Deus, mas procurava andar segundo a Sua Palavra (17.4‑9). Mas ele errou ao se aparentar com Acabe, rei de Israel (as dez tribos), indo se encontrar com ele em Samaria. Isto é procurar união fora dos princípios de Deus e fora do lugar que Ele estabeleceu. Evidentemente Josafá foi bem recebido e nós também somos bem recebidos quando nos afastamos daquilo que Deus nos ordena.

Mas isto somente no começo. Há sempre uma cilada escondida por trás dos presentes e das lisonjas que possamos ganhar e você verá que Acabe preparou uma armadilha para que Josafá fosse morto em seu lugar durante a batalha (2 Cr 18). Uma outra característica daquele que deixou o lugar que Deus havia estabelecido, associando‑se com aqueles que, embora seus irmãos, não estavam num lugar de obediência, foi sua incapacidade de julgar e discernir a vontade de Deus. Como se diz na linguagem popular, Josafá passou a "engolir" tudo sem nenhum julgamento. Tanto é que quando escuta um verdadeiro profeta declarar a verdade, se faz de surdo e segue adiante como se nada tivesse acontecido. Ele nem mesmo intercedeu pelo profeta quando este foi trancafiado, e preferiu seguir adiante dando ouvidos àqueles que diziam "coisas aprazíveis" (Is 30.10), tendo que colher frutos amargos de sua desobediência.

Enquanto em Roboão vemos que Deus não permitiu que LUTASSE contra aqueles que estavam fora do lugar, em Josafá vemos que Deus não queria que se UNISSE com aqueles que estavam fora do lugar. Eram irmãos, povo de Deus, e portanto não deviam ser combatidos. Mas estavam fora do lugar estabelecido por Deus e da forma que Este havia dado para adorarem. Portanto não deveriam ir a eles. Em um tempo de maior desvio da verdade, encontramos o profeta Jeremias sentando‑se, e sentindo‑se, solitário (Jeremias 15.17) por causa da impiedade que se espalhava por toda a parte. E qual foi a admoestação que Deus lhe deu? "Portanto assim diz o Senhor: Se tu voltares, então te trarei, e estarás diante da minha face; e se apartares o precioso do vil, serás como a minha boca; TORNEM‑SE ELES PARA TI, MAS NÃO VOLTES TU PARA ELES". (Jr 15.19).

Mas o que tem tudo isso que aconteceu a Israel a ver conosco que somos cristãos? "Porque TUDO que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Rm 15.4). São lições claras para nós e seremos néscios se não as atendermos. Na história de Israel as dez tribos foram logo dispersas, a ponto de nunca mais poderem ser consideradas um testemunho do povo de Deus: "Assim andaram os filhos de Israel em todos os pecados que Jeroboão tinha feito: nunca se apartaram deles. Até que o Senhor tirou a Israel (as dez tribos) de diante da sua presença, como falara pelo ministério de todos os seus servos, os profetas: assim foi Israel (as dez tribos) transportado da sua terra à Assíria até ao dia de hoje. E o rei da Assíria trouxe gente de Babel, e de Cuta... e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel" (2 Rs 17.22‑24).

As dez tribos foram dispersas e se misturaram com as nações e hoje homem algum poderá identificar um israelita dessas tribos. Eles serão somente recongregados quando o Senhor vier para reinar no milênio. No lugar deles, na terra de Samaria, foram colocados gentios que aprenderam os costumes de Israel e tornaram‑se nos samaritanos que encontramos no Novo Testamento. Restou apenas Judá e Benjamim, que embora tenham sido levados cativos mais tarde, foram, por Deus, trazidos de volta a Jerusalém (um pequeno remanescente) em Esdras/Neemias, para que houvesse sempre um testemunho naquele lugar. E não devemos nos esquecer de que mesmo no exílio os judeus oravam voltados para Jerusalém pois consideravam o lugar que Deus havia estabelecido (Dn 6.10).

Assim, embora Deus nunca tenha deixado de considerar as dez tribos como Seu povo (e as trará de volta no final), Ele colocou o seu selo sobre Judá/Benjamim para que fossem Seu testemunho na terra até a formação da Igreja, e também depois que a Igreja for arrebatada. Seriam os de Judá/Benjamim melhores israelitas do que os outros? Não! Eles eram iguais. Mas guardaram a Palavra do Senhor e não negaram o Seu Nome que estava sobre Jerusalém, o único lugar que tinha o selo de Deus para que os israelitas fossem ali adorar.

Há lições para nós? Muitas! Hoje Deus tem um povo: todos os seus filhos nascidos de novo; lavados pelo precioso sangue do Cordeiro e destinados ao céu. Mas, assim como Israel falhou em guardar a unidade, este povo de Deus, que é a Igreja, falhou igualmente. Deus não tem mais um lugar no sentido terreno, como era Jerusalém, mas continua tendo um lugar: "ONDE estiverem dois ou três reunidos em meu nome, AÍ, estou EU no meio deles" (Mt 18.20). Somente este lugar, onde Cristo é reconhecido, Sua Palavra TODA é aceita e o Seu Nome é o ÚNICO em evidência, é o lugar que Deus coloca o Seu selo como sendo o Seu testemunho sobre a terra. Embora nem todos os israelitas adorassem em Jerusalém, TODOS eram ali representados como testemunho. Embora nem todos os cristãos do mundo se reúnam ao nome do Senhor somente, todos estão ali representados no único pão. E é dado, assim, testemunho da unidade, e Deus é glorificado nisso.

Mas o que devemos fazer com respeito aos nossos amados irmãos que se encontram fora do bendito lugar de reunião estabelecido por Deus? O que fazer com aqueles que não consideram o Nome de Cristo como suficiente para identificá‑los, adotando diferentes denominações? O que fazer com aqueles que, embora nossos irmãos amados, não se sujeitam a Cristo como Cabeça na assembléia, colocando homens para dirigi‑los e tolhendo, assim, a liberdade do Espírito? O que fazer com relação àqueles que vão estar junto conosco no céu, mas que aqui na terra se organizam em diferentes denominações que não existirão no céu?

Uma resposta já temos: devemos amá‑los e considerá‑los como irmãos, ou seja, não fazer guerra contra eles (como Roboão). E outra coisa que devemos fazer é não irmos a eles e nem nos associarmos com eles em suas denominações e organizações. "O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte‑se da iniquidade" (2 Tm 2.19). Se entendemos a gravidade que é alguém dividir os filhos de Deus por diferentes nome; se entendemos a desonra que é para o Senhor nos identificarmos com algum outro nome além do dEle; se entendermos o desprezo à Sua bendita Pessoa que é colocar algum homem dirigindo‑nos em adoração; e se entendermos o dano que tudo isso causou ao testemunho da unidade do corpo de Cristo, nos manteremos afastados das denominações, dos seus sistemas humanos e dos seus cultos.

Mas, se não entendermos que tudo isso é "iniquidade", nossos sentidos estarão embotados e já teremos sido seduzidos pelas "oportunidades" que poderão se nos apresentar no meio denominacional. "Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." (2 Tm 4.3,4).

Faz algum tempo um pastor que conheci numa cidade próxima daqui, convidou‑me para falar em sua igreja. Com todo o cuidado para não ofendê‑lo, expliquei a ele como me reunia, e atenderia ao seu convite se fosse para falar, por exemplo, em sua própria casa. Mas, expliquei, minha consciência não me permitiria reunir em um lugar que estivesse sob a placa de uma denominação que divide os crentes. Na oportunidade dei de presente a ele alguma literatura.

A última notícia que tive dele, dada por duas pessoas diferentes, membros de sua denominação, foi que ele, no púlpito, pregou contra a literatura que ganhara, dizendo que tratava‑se de algo produzido por uma organização com o objetivo de destruir as denominações. Na ocasião ele chamou no púlpito irmãos e irmãs que receberam literatura semelhante, para que se comprometessem a trazer a ele toda literatura para ser queimada. Isso demonstrou o que há no coração daquele líder eclesiástico. Deus, em toda a Sua Palavra, exalta a Cristo como Cabeça sobre a Sua Igreja. E não deveríamos nós também exaltá‑Lo assim? Não importa quanta oposição iremos receber (e sempre haverá oposição), devemos nos firmar na Verdade, custe o que custar. "Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada" (Mt 15.13).

A Bíblia proíbe transfusão de sangue?

Não há nada na Bíblia que proíba a transfusão de sangue, ao contrário do que prega a seita chamada "testemunhas de Jeová". No Antigo Testamento era vedado comer sangue, pois o sangue é a vida do corpo e, ao comer o sangue, você estaria se alimentando da vida de outro ser. E era o sangue de algum ser que havia sido morto, o que não acontece em uma transfusão.

A mesma ordem foi dada aos cristãos, não como lei, mas como uma ordenança que fazemos bem em cumprir (Atos 15.20). Sendo assim, o cristão não deve comer alimentos como carnes ao molho pardo (molho feito com o sangue do animal morto) ou chouriço (espécie de linguiça feita com sangue). Devemos evitar tais alimentos.

Mas não há nada na Palavra de Deus que impeça alguém de receber uma transfusão de sangue. É comum hoje pessoas que, precisando passar por uma cirurgia sem urgência, começam a estocar seu próprio sangue em um banco de sangue, o qual é colocado de volta por ocasião da cirurgia. É uma transfusão na qual a pessoa recebe seu próprio sangue.

Jesus tinha irmãos?

Temos o costume de colocar em dúvida o que lemos na Bíblia, que está muitas vezes tão claro, só porque alguém traz alguma teoria de que não seja assim. O que lemos na Bíblia?

"Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele." Marcos 6:3

Lemos que Sua mãe e Seus irmãos procuraram por Ele numa certa ocasião. E lemos expressões como "o irmão do Senhor". Como tudo está no plural, tudo leva a crer que Maria teve pelo menos mais quatro filhos após o Senhor. Seriam, ao todo e no mínimo, três homens e duas mulheres, ou mais.

A Palavra deixa claro que a concepção do Senhor foi sobrenatural, não o Seu nascimento. Ele nasceu como um bebê qualquer nasce, pois convinha que em tudo fosse semelhante a nós, porém sem pecado (Hebreus 2.17; 4.15). Para isso, Ele não veio como semente de Adão, mas foi concebido pelo Espírito. Embora tenha herdado a natureza humana por meio de seu nascimento, não herdou o pecado de Adão. O Senhor nunca pecou e jamais poderia pecar, pois não tinha a natureza pecaminosa com que nós nascemos. Se tivesse, não serviria para morrer por nossos pecados; não seria o Cordeiro sem mancha e sem mácula, mas necessitaria, Ele próprio, de um Salvador.

Após haver sido concebido, nenhuma importância teria a condição de Maria. Se ela teve mais filhos ou não, isso não tem influência nenhuma na questão que é a principal: Jesus nasceu sem pecado e não poderia nunca pecar. A doutrina católica tenta honrar Maria dizendo que ela continuou virgem, como se o ato sexual fosse pecado. Mesmo que ela continuasse virgem, em nada isso mudaria sua condição de uma pecadora necessitada de salvação.

Baseado nisso, Deus deve ter tido uma razão para não permitir que em alguma Bíblia, inclusive na versão católica, usassem a palavra "primos" para os irmãos do Senhor. Portanto, leia e creia no que lê. E volte a escrever sempre que desejar.

Como um cristão deve se vestir?

Pelo que escreveu, você está sendo obrigada a vestir calças compridas em seu novo trabalho, por ser mais adequado às atividades que exerce. Sua dúvida, creio eu, vem de uma aplicação errada das Escrituras. Assim como você, concordo que a mulher não deve se vestir com roupas de homens, mas isto evidentemente não é uma lei para o crente, mesmo porque está condicionada aos costumes do país. Saia é roupa de homem? Na Escócia é.

Se o trabalho que você executa exige uma proteção para as pernas, é melhor que você coloque calça comprida para trabalhar, evitando assim ferir seu corpo que é o templo do Espírito Santo de Deus. Para mim está bem claro que é um caso de necessidade e não de moda ou de querer se vestir como homens (no tempo em que aquele versículo foi escrito os homens usavam saias).

Devemos procurar nos vestir com modéstia e bom senso, e isto inclui entendermos a época e o país em que vivemos. No oriente médio os homens usam vestidos, como nos tempos dos primeiros cristãos, e lá não é nenhum escândalo um cristão usar um vestido. Colocar regras e modêlos de roupas para os crentes, como fazem alguns, é excluir irmãos e irmãs fiéis que moram em lugares como a África ou a Índia e que se vestem diferente de nós, ou aqueles que por necessidade de trabalho precisam de uma proteção maior para o corpo.

Vou dar um exemplo de sabedoria no vestir. Hudson Taylor foi um dos maiores missionários do século passado e por meio dele e da Missão Para o Interior da China que ele fundou, milhares de pessoas naquele país receberam o evangelho e foram salvas. Quando ele chegou à China, os missionários ingleses viviam apenas em algumas poucas cidades do litoral e ninguém se atrevia a entrar pelo interior. Também quase não havia fruto do trabalho e os chineses achavam estranhos aqueles homens vestidos de maneira engraçada.

Quando Hudson Taylor viu que ao pregar, os chineses prestavam mais atenção na sua roupa do que na mensagem, decidiu vestir‑se como os chineses. Passou a usar sapatilhas, calças e blusões largos de cetim, e até mesmo tingiu seu cabelo de preto e colou tranças postiças em sua cabeça, usando ainda um chapéu no formato de um cone. Foi expulso da missão a qual estava ligado e os outros missionários passaram a criticá‑lo e perseguí‑lo por não se vestir de terno e gravata, como era o costume dos cristãos inglêses. Mas a partir daí os chineses não reparavam mais nas roupas de Hudson Taylor e começaram a ouvir sua mensagem. Deus começou a salvar aquelas almas e Hudson iniciou a Missão Para o Interior, na qual todos os missionário vindos da Inglaterra se vestiam como chineses.

É possível ver Deus?

João 1.18 (e 1 Jo 4.12) deixa claro que ninguém jamais viu a Deus, nem mesmo Moisés. O que Moisés pôde contemplar foi a glória de Deus, mas não a Sua face. Creio que não poderemos ver a Deus mesmo depois de nossa partida deste mundo. Vamos ver a Cristo, Deus feito homem, mas nunca poderemos contemplar a face de Deus fora de Cristo. Deus se manifestou, na Pessoa de Cristo, fazendo‑se homem. Jesus Cristo é Deus e nEle habita a plenitude da divindade. A Ele sim, poderemos ver como Ele é.

No Antigo Testamento, quando é dito que o Senhor aparecia a alguém (como apareceu a Abraão junto com dois anjos, antes da destruição de Sodoma), é sempre a Pessoa do Filho eterno, o Senhor Jesus Cristo, numa forma humana. Ele ainda não se fizera carne, como aconteceu no Novo Testamento, mas assumia uma forma humana visível assim como faziam os anjos. Mas Deus, na Sua essência, nunca foi visto por ninguém e jamais será. Mesmo depois de salvos e levados para o céu, Deus continuará sendo por demais sublime e elevado para nós. Evidentemente Ele nos satisfará em Cristo, em Quem todos os Seus atributos divinos estão. Mas a essência de Deus continuará inacessível ao homem, mesmo ao redimido. Ele habita, e continuará habitando, na luz inacessível (1 Tm 6.16), o céu onde homem ou anjo algum tem acesso.

Há vários céus que são mencionados na Bíblia. Há o céu que vemos, onde os pássaros voam, onde os relâmpagos brilham e de onde a chuva cai (Gn 7.23; Dt 11.11; Dn 4.21; Lc 17.24). Este céu passará (2 Pd 3.10,12). Há o céu no sentido de firmamento, ou expansão, onde estão o sol, a lua e as estrelas (Gn 1.14,15,17). Há ainda o céu onde se encontra o trono de Deus (Sl 2.4; 11.4; Mt 5.34), de onde o Senhor desceu e ao qual Ele subiu, onde também foi visto por Estevão (Mc 16.19; At 7.55; 1 Co 15.47. Talvez seja este o céu (terceiro céu) para onde Paulo foi arrebatado (2 Co 12.2) e onde os anjos, tanto os puros como os caídos, e Satanás estão (Jó 1.6; 2.1; Ap 12.7‑9). O acesso que Satanás e seus anjos têm a Deus é limitado. Satanás ainda não foi expulso do céu onde se encontra, mas logo o será. Mas a Bíblia fala ainda dos "céus dos céus" (Dt 10.14; 1 Rs 7.27) e que haverá "novos céus" (2 Pd 3.13). Mas creio que o lugar inacessível a nós é onde Cristo subiu, "acima de TODOS os céus" (Ef 4.10).

O que significa a palavra Igreja?

Na Bíblia a palavra "igreja" nunca se refere a um edifício. Não existe tal idéia na Bíblia. Igreja significa simplesmente assembléia ou a reunião das pessoas. Aí está o fato de não nos entendermos, pois você considera o significado da palavra igreja como sendo duas coisas: um edifício ou uma denominação. Tanto um significado como outro são estranhos à Palavra de Deus. Os homens os usam, mas não foram dados por Deus, uma vez que Ele não indicou aos cristãos que construíssem qualquer edifício (além daquele que é a própria casa de Deus, que é construído com pedras vivas ‑ Ef. 2:20‑22), e Ele tampouco criou alguma denominação; muito pelo contrário, o apóstolo Paulo denuncia como carnalidade levar qualquer outro nome além do nome do Senhor Jesus (I Cor. 3:4).

Os cristãos devem, evidentemente, se reunir ao nome do Senhor Jesus (Mt. 18:20), para orarem, celebrarem a Ceia do Senhor lembrando a Sua morte, aprenderem da doutrina dos apóstolos e terem comunhão uns com os outros (At. 2:42). Isso pode ser feito numa casa, ou num edifício ou salão destinado ou não exclusivamente para este fim. É importante entender que o edifício onde tal reunião ocorre nada é. Não tem o mesmo caráter do tabernáculo no deserto, do templo de Salomão ou das sinagogas dos judeus. Estamos numa nova aliança e nada temos a ver com o Antigo Testamento na sua forma de adorar.

No Antigo Testamento os homens não tinham o Espírito Santo com nós temos, habitando em nós. Cristo não havia sido morto e glorificado. Toda a adoração era exterior. Tudo mudou (leia João 4). O tabernáculo foi mandado construir pelo próprio Deus, que deu até mesmo as medidas, o mesmo ocorrendo com o templo. As sinagogas eram uma iniciativa dos judeus para ser apenas um lugar de leitura, e não tinham o caráter de um lugar de adoração (o qual estava em Jerusalém e em nenhum outro lugar ‑ Veja Deut. 12).

Hoje temos um tabernáculo, um lugar para entrarmos e adorarmos a Deus. Mas qualquer cristão que considerar um edifício de pedra ou tijolo (um lugar físico, enfim) como sendo o lugar de adoração, está desprezando o que diz a Palavra de Deus; está até mesmo rebaixando o lugar de adoração. "Ora a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, ministro do santuário, o qual o Senhor fundou, e não o homem... Tendo pois, irmãos ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é pela sua carne" (Hb. 8:1,2; 10:19,20).

Portanto, nosso santuário, nosso tabernáculo, o edifício santo onde podemos entrar para adorar está no céu! Não se encontra mais sobre esta terra, como no tempo da antiga dispensação. Não é mais feito por mãos de homens e não tem mais sacerdotes pecadores e falhos. Não, nosso lugar de adoração está no céu, tendo o próprio Senhor Jesus Cristo como nosso Sumo Sacerdote. Qualquer coisa menos do que isso é voltar ao judaísmo; é ficar "nas sombras" e deixar de usufruir o cumprimento da Palavra de Deus (Hb 8:4,5).

Espero que entenda que o cristianismo que você vê ao redor é uma mistura de judaísmo. Isso foi estabelecido pelo catolicismo romano, com seus templos consagrados, sacerdotes, altares, rituais, roupas especiais e todo o aparato para uma adoração exterior, como era no tempo do Antigo Testamento. Isso foi adotado em muitos pontos pelo protestantismo, que preservou a idéia de templos, sacerdotes (algumas denominações usam este termo para o pastor, como também chamam de altar o local onde está o púlpito) e rituais. Tudo isso tem a ver com o judaísmo e nós não estamos no judaísmo.

Tudo isso tende a uma adoração terrena, dentro de um sistema humano de ritos e lugares santificados. Cristo sofreu fora do arraial que representava todo o sistema judaico, e por isso a Palavra nos exorta a sairmos a Cristo ou para estarmos com Cristo, fora do arraial (o sistema religioso judaico), levando o Seu vitupério ou Sua rejeição "porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hebreus 13:10‑15).

Se temos que sair a Cristo, é porque Ele está fora de todo o sistema judaico. E a mesma situação você encontrará em Laodicéia, que representa os últimos dias da Igreja antes do arrebatamento: Cristo encontra‑se do lado de fora, à porta, batendo e esperando ser atendido por aqueles que ouvirem a Sua voz (Ap. 3:20). Embora esta passagem seja muito usada em evangelismo, dirigindo‑se ao pecador sem Cristo, no seu contexto está conectada à Laodicéia, ou seja, a cristãos. "...ouvir a minha voz" se refere à escutar a Palavra do Senhor, conforme é revelada nas Escrituras, e não ser levado pelos costumes dos homens.

O que significa o remendo novo e o odre novo?

Você perguntou sobre Marcos 2.21,22. Um remendo de um pano novo e resistente sobre um tecido já enfraquecido, fatalmente causará um rombo maior. Odres são peles (de porco, carneiro ou outro animal) confeccionadas na forma de um saco para reter líquidos. Ainda hoje é usado de diferentes maneiras em diversas regiões do mundo. Por exemplo, há lugares na China onde é usado para fazer manteiga, enchendo‑o de nata e jogando‑o no chão continuamente até que a nata fique bem batida e se transforme em manteiga.

Quando, na antiguidade, se fazia vinho, era comum colocar o suco de uva em um odre novo. À medida em que o suco fermentava, liberava gás que, por não ter por onde escapar, ia enchendo o odre e, com a pressão, esticando o couro. Não é preciso dizer que ao fim do processo o odre estava maior. Porém não poderia ser usado novamente da mesma forma pois a elasticidade do couro teria chegado ao limite. Se fosse colocado ali suco de uva ou vinho novo ainda em fase de fermentação, fatalmente o odre se rasgaria com a pressão.

O Senhor fazia menção ao fato de que as novas coisas, referente ao Reino, que estava ensinando aos judeus não poderiam ser armazenadas nos velhos costumes deles (para compreender melhor o Reino leia Parábolas de Mateus 13 ‑ creio que você já tem este livreto). Numa aplicação mais prática, posso dizer que é impossível alguém receber as coisas de Deus a menos que tenha nascido de novo, que seja uma nova criatura. Tentar absorver as coisas de Deus e tentar aplicá‑las à velha natureza ou ao velho homem só resultará em um rombo maior ou em desperdício.

Noé realmente se embriagou?

Quanto à sua dúvida em Gênesis 9.20‑29, o que aconteceu realmente foi o que está registrado na Bíblia. Noé se embriagou, numa clara indicação de que o novo começo que Deus havia permitido já começava indicando que iria acabar em ruína. Aquele que havia achado graça aos olhos de Deus, Noé, foi o primeiro a proceder mal na nova ordem de coisas.

Deus provou o homem de diversas maneiras na antiguidade. No Éden, com o homem estando ainda na inocência. Ele caiu. Deus provou o homem então na consciência, no conhecimento do bem e do mal que o homem adquiriu com a queda. Novo fracasso já é visto no assassinato de Abel. É necessário destruir tudo e provar o homem de nova maneira. É o que é feito com Noé, ao qual agora é dado o governo sobre a terra: quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado. Deus delegava ao homem poderes de juiz e aplicador da sentença sobre seu semelhante. Vemos o fracasso no primeiro que recebeu o governo. Deus escolhe um homem, Abraão, e lhe dá uma promessa, provando o homem sob uma nova ordem de coisas. Abraão falha, não esperando em Deus por diversas vezes, embora Deus vá cumprir cabalmente a promessa feita a ele. Então Deus prova o homem sob a lei que foi dada ao povo judeu. Não é preciso dizer que fracassaram. Ficava evidente a incapacidade do homem em andar segundo a vontade de Deus. O que fazer então? Deus entra em cena, fazendo‑se Homem na Pessoa de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e toma o nosso lugar na condenação, criando um novo homem, agora feito conforme a justiça e com uma nova vida em si.

Quando uma criança pequena insiste em carregar uma mala que sabemos ser demais para ela, qual a melhor maneira de lhe provar isto? Deixando que ela experimente carregar! Foi o que Deus fez. No princípio Ele deixou claro que o homem dependeria dEle para tudo. O homem não quis que fosse assim. Deus então provou o homem de diversas maneiras para mostrar sua incapacidade e como ele era dependente do seu Criador. É por isso que só podemos ser salvos por graça. Qualquer tentativa de se fazer algo para "trocar" pela salvação é afirmar‑se que temos algo de bom em nós mesmos, quando o inverso é que é verdadeiro. Não temos nada de bom em nós. É preciso nascer de novo para entrar no Reino de Deus. Um nascimento do alto, de Deus.

Noé, na sua falha, foi ridicularizado por seu filho Cão, o qual foi chamar seus dois irmãos. Estes, agindo com sensatez e respeito pelo pai, cobriram sua nudez evitando olhar. Noé, ao saber disto, amaldiçoa Canaã, filho de Cão, para que fosse servo dos servos. Parece estranho que Noé não tenha amaldiçoado Cão, que lhe havia faltado com o respeito. Mas sem dúvida foi Deus Quem fez com que assim viesse a suceder. Deus já havia abençoado Cão juntamente com Noé e havia feito um concerto com ele, não podendo agora ser amaldiçoado (Vers. 1 ao 8). Além do mais, não vemos que todos os filhos de Cão tenham sido servos, mas apenas sobre Canaã caiu a maldição. Isto é tudo o que compreendo da passagem. Quando vemos Deus trazendo maldição sobre alguém, isto nos causa um forte impacto e até podemos pensar que Deus age com muita dureza. Mas quando imaginamos o que deve ter sido para o Senhor Jesus ter suportado os nossos pecados, então vemos o que é verdadeiro impacto: o Filho de Deus, sem mancha e sem mácula morrendo por causa de nossos horrendos pecados. Como terá Ele Se sentido? Podemos estar certos de que Ele sofreu como ninguém jamais sofreu e nem sofrerá. Sentimo‑nos mal quando uma pessoa com as mãos visivelmente imundas nos toca. Imagine o Senhor sendo carregado com toda a nossa imundícia.

Que significado tem o sábado para o cristão?

A primeira vez em que o Sábado é especificamente mencionado nas Escrituras é em Êxodo 16:23, depois que o maná foi dado dos céus; mas fica evidente que o Sábado teve sua origem na santificação e bênção do sétimo dia após os seis dias de trabalho da criação. Aparentemente existia uma divisão semanal de dias até a época do dilúvio, pois isto é mencionado em conexão com Noé. Também vemos em Marcos 2:27 que o Sábado foi feito para o homem. Era uma instituição que expressava a misericordiosa consideração de Deus para com o homem.

As palavras "descanso" e Sábado na passagem em Êxodo não possuem artigo, por isso a sentença pode ser traduzida "Amanhã é descanso, Sábado santo para o Senhor". Assim, nos versículos 25 e 26 não existe artigo, o que acontece no versículo 29. Posteriormente o Sábado foi definitivamente incluído nos dez mandamentos, capítulo 20:8‑11 de Êxodo, e ali é feita referência ao fato de Deus haver descansado no sétimo dia após a obra de criação, sendo esta a base da instituição.

O Sábado tinha um lugar peculiar em relação com Israel, e assim em Levítico 23, nas festas de Jeová, nas santas convocações, o Sábado de Jeová é mencionado primeiramente como mostra da grandiosa intenção de Deus. Deus havia libertado Israel da escravidão do Egito e, portanto, ordenou que guardassem o sábado (Deut. 5:15). O Sábado era o sinal da aliança de Deus para com eles e pode ser que o Senhor Jesus, ao ofender várias vezes aos judeus por não guardar o Sábado (do ponto de vista deles) por atos de misericórdia que Ele praticava prenunciava a aproximação da dissolução da aliança da lei (Êxodo 31:13,17; Ezequiel 20:12,20).

O Sábado era um prenúncio do descanso ao qual deveria entrar o povo de Deus, mas por causa do pecado daquels que se dirigiam para a terra prometida, e a desprezavam, Deus jurou em Sua ira que não entrariam no Seu descanso (Salmo 95:11). Deus tem o propósito de introduzir o Seu povo (Israel) no Seu descanso, para o qual permanece ainda a guarda do Sábado (Hebreus 4:9).

O Sábado nunca foi dado às nações da mesma forma que o foi para Israel, e dentre os pecados citados contra os gentios, nunca é mencionada a transgressão do Sábado. No entanto, parece ser um princípio do governo de Deus sobre a terra que homens e animais devessem ter um dia em sete para o descanso do trabalho, pois todos o necessitam fisicamente.

O Sábado cristão é designado como sendo o dia do Senhor, e é tão distinto do Sábado legal judaico como a abertura, ou primeiro dia, de uma nova semana é distinta do término ou encerramento da semana que passou. O Senhor jazia na morte no Sábado judaico; os cristãos têm, no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição.

O "Dia do Senhor" é uma expressão que aparece apenas em Apocalipse 1:10, quando João estava no Espírito no dia do Senhor. Era o dia da semana no qual o Senhor ressuscitou ‑ trata‑se do dia da ressurreição que marca enfaticamente o Sábado para o cristão. É o primeiro dia da semana, o que sugere o início de uma nova ordem de coisas, totalmente distinta daquela conectada com o Sábado da Lei.

No dia do Senhor os discípulos costumavam se reunir com o expresso propósito de partirem o pão (Atos 20:7) e, embora não haja nenhum preceito legalista a respeito, trata‑se de um dia especialmente considerado pelos cristãos. Trata‑se, literalmente, do "dia dominical", uma palavra que aparece somente em conexão com a "ceia do Senhor" em 1 Coríntios 11:20 e não deve ser confundida com "o dia do Senhor", no sentido que aparece em 2 Pedro 3:10 e outras passagens.

(Traduzido de Concise Bible Dictionary).'

Um cristão pode dançar?

Sua dúvida é se o crente pode dançar ou não. Antes é preciso saber o que é um crente. Será que é alguém que se filia a uma denominação evangélica, põe uma Bíblia debaixo do braço e uma gravata no pescoço, ou, se for mulher, não corta o cabelo e não raspa a perna? Algumas pessoas pensam que ser crente é adotar tais costumes.

Em João 3:16 lemos:"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". O que diz aí? "...para que todo aquele que não dança não pereça? Certamente que não é assim que está. Diz apenas "para que todo o que nele (em Cristo) CRÊ"! O apóstolo Paulo escreveu uma carta aos crentes da Galácia, os quais afirmavam que para ser salvo era necessário não apenas crer em Cristo, mas também guardar a Lei, ou seja, praticar determindas obras. A eles Paulo responde: " Ó insensatos gálatas... Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?" Gl. 4:9,10.

Só Cristo pode nos salvar pois morreu na cruz sendo castigado por Deus Pai no lugar do pecador. Todo aquele que nele crê tem a vida eterna, está salvo eternamente. E isso não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que Cristo fez; "e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef. 2:8). Portanto, a nossa salvação depende EXCLUSIVAMENTE de Cristo e de Sua obra; não depende de nós pois se dependesse de nós, a glória seria nossa. Mas, graças a Deus, não depende de nós que somos pecadores e sempre propensos a pecar.

Quando um pecador vem a Cristo, arrependido de seu estado pecaminoso, isto só acontece por obra do Espírito Santo em seu coraçãio, pois é o Espírito Quem nos convence do pecado (João 16:8). Então, pela fé, o pecador crê que Cristo tomou o seu lugar na cruz carregando o seu pecado (do pecador). Quando o pecador assim crê, Deus lhe dá a salvação que é completa; Deus lhe dá o perdão que também é completo e essa pessoa nunca mais perderá a salvação, pois é um dom de Deus (Ef. 2:8) e nunca lhe será tirada por Deus "porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm. 11:29).

Deus não "tira" a salvação do crente, e ninguém mais pode fazê-lo "porque estou bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm. 8:38,39)

Agora vem o outro lado da questão, ou seja, depois que alguém já tem assegurada a sua salvação. Será este o seu caso? Será que você já se decidiu a aceitar a Cristo como Seu Salvador? Se já fez isto, então irá querer viver uma vida para agradá-Lo, não é mesmo?

Havia um leilão de escravos (no tempo da escravidão), onde escravos eram vendidos a vários preços, dependendo da idade, saúde, força para o trabalho, etc. Quando foi apresentado um escravo velho, fraco e doente, ninguém se interessou, mas todos se surpreenderam quando ouviram um fazendeiro gritar um lance num valor tão alto que daria para comprar todos os escravos que estavam sendo vendidos naquele dia. Obviamente ele acabou comprando aquele escravo fraco e doente, diante do espanto de todos, inclusive do próprio escravo que foi chegando perto do seu novo dono trêmulo de medo.

- Vá embora - disse o fazendeiro. - Você está livre!
O escravo tremeu mais ainda e perguntou:
- Mas o senhor pagou aquele alto preço para me mandar embora, livre?
- Isso mesmo. Eu paguei um preço altíssimo porque tive pena de você e queria ter certeza de que ninguém ofereceria uma soma maior. Eu comprei a sua liberdade; pode ir embora para onde quiser. A partir de hoje você é um homem livre!

O escravo, caindo aos pés do seu libertador, levantou seu rosto e, com os olhos banhados em lágrimas, falou com voz forte e resoluta: - Senhor, por causa do que o senhor fez, eu irei, POR AMOR, servi-lo até o fim dos meus dias!

Esta história ilustra bem a situação de um salvo. Cristo nos salvou do pecado e da morte, para a liberdade (1º Coríntios 7.23). Não fez isto porque éramos justos, mas pecadores (Romanos 5.8). Não nos salvou para sermos novamente escravos de ordenanças (Colossenses 2.20-23). O cristão, salvo por Cristo, pode fazer tudo o que desejar (1 Coríntios 6.12) mas não se deixará dominar pelas coisas que desejar. O seu desejo principal será usar o seu corpo para glorificar a Deus (1 Coríntios 6.20) e não sei como alguém poderá glorificar a Deus em um baile.

Assim como o escravo da história, que estava totalmente livre para fazer o que bem entendesse, uma pessoa verdadeiramente convertida a Cristo também está livre, porém vai desejar fazer somente aquilo que agrade ao Seu Senhor que sofreu tanto por sua salvação. O verdadeiro cristão não procura andar em santidade de vida porque isto vai garantir sua salvação. Ele procura fazer a vontade do Senhor para agradá-lo em tudo, expressando a sua gratidão por tão grande salvação. Fomos chamados à liberdade, mas não para dar ocasião à carne (Gálatas 5.13).

Falando especificamente da dança, você acredita que irá glorificar a Cristo fazendo isso? Seria interessante avaliar o ambiente onde pretende fazê-lo e ponderar se é um lugar adequado para um cristão. Acho que você vai precisar orar a respeito. Espero que com isto tenha esclarecido suas dúvidas. Lembre-se que o que o cristão deve ter sempre em mente não são pensamentos do tipo: "O que posso fazer para agradar os meus desejos", mas sim "O que posso fazer para agradar ao Senhor".

Qual sua opinião sobre folhetos evangelísticos?

Os folhetos são instrumentos maravilhosos principalmente em nossa época quando muitos não dispõe de tempo para parar e ouvir uma pregação. O folheto vai junto com a pessoa até que ela terá que esperar por algo como ônibus, médico, etc, e se lembrará do folheto em seu bolso. Ali Deus poderá falar com a pessoa.
Creio que isto é um grande auxílio para a dificuldade que você tem de conversar com as pessoas ou mesmo de pregar em público.

É um erro pensarmos que todos os cristãos devem pregar em público. Muitos têm o dom de evangelista, mas isto não significa que têm facilidade em pregar para muitas pessoas. O dom de evangelismo é para evangelizar e a forma mais eficaz de fazê‑lo é pelo contato pessoal. Falar de Cristo a uma só pessoa, no Espírito, é mais eficaz do que pregar carnalmente a uma grande multidão. Há muitos políticos hábeis com os discursos e com palavras persuasivas, mas nem por isso são instrumentos de Deus.

Não se preocupe em pregar em público se acha que não tem tal habilidade. Para falar em público é necessário que se tenha a habilidade ou talento de um orador, o que muitos não têm. Alguns líderes denominacionais obrigam seus discípulos a pregarem em praça pública. O resultado disto eu pude presenciar quando vi um homem com problemas graves de fala (ele era fanhoso) pregando em uma praça pública. Era impossível entender o que dizia e servia apenas como motivo de gozação para os que passavam. Isto não é para a glória de Deus.

Tenho certeza de que ele seria muito mais bem sucedido se reconhecesse o seu problema com a fala e passasse a divulgar o evangelho por meio de folhetos ou de cartas escritas à seus amigos e conhecidos.
Portanto, irmão, procure fazer a obra com as ferramentas que dispõe. Se tem uma boa oratória, use‑a. Se não, procure outros meios. Há muitas maneiras de se divulgar o evangelho e tenho certeza de que você encontrará aquela que Deus quer para você.

Apenas uma observação quanto ao uso de folhetos. Hoje muitas cidades proíbem a prática da panfletagem nas ruas e há leis e multas para isso. Uma distribuição indiscriminada, como se faz com propaganda, irá sujar as ruas e não estará de acordo com a lei. O melhor mesmo é entregar um folheto pessoalmente a alguém, acompanhado de uma palavra amiga. Não é o número de folhetos distribuídos que deve contar, mas a qualidade da distribuição.

O que significa dispensação?

A palavra grega significa literalmente "administração de uma casa", e "economia" sendo, portanto, uma certa maneira de Deus tratar com o homem, na administração variada dos Seus desígnios em diferentes épocas. Ao revermos as diferentes administrações de Deus para com o homem, podemos notar o estado de inocência no Éden, embora isto não se enquadre bem no caráter de uma dispensação. Uma lei apenas foi dada a Adão e Eva, e exigia‑se obediência, tendo sido anunciada uma pena para o caso de falharem.

Isso foi seguido por um longo período de aproximadamente 1.600 anos até o dilúvio ‑‑ uma época de ausência de um tratar definido de Deus para com o homem, durante cujo período os homens corromperam os seus caminhos, e a terra se encheu de violência. O mundo foi então avisado por Deus por intermédio de Noé que foi um pregador da justiça; e Deus esperou, em benignidade, que houvesse arrependimento, enquanto era preparada a arca (1 Pd 3.20; 2 Pd 2.5). Eles não se arrependeram e o velho mundo foi destruído.

No mundo pós‑diluviano Deus estabeleceu o governo humano para com o próximo, ao mesmo tempo em que um conhecimento de Deus, como um Deus que julga o mal, foi espalhado pelos descendentes de Noé, o que faz com que tradições acerca do Dilúvio sejam encontradas hoje por todo o mundo. Esse foi um testemunho adicional para Deus. Seguiu‑se, então, a divisão da terra em várias nações e tribos, de acordo com suas famílias e línguas. Em meio a isso prevaleceu a ignorância acerca de Deus, apesar do testemunho do poder e divindade de Deus, e da admoestação da consciência, da qual é falado em Romanos 1 e 2.

Cerca de 360 anos após o dilúvio, teve início a era dos patriarcas com o chamado de Abraão, uma nova e soberana maneira de Deus tratar com o homem. Porém isto ficou restrito a Abraão e seus descendentes.
A dispensação da Lei veio em seguida, estritamente falando, o primeiro sistema publicamente estabelecido de Deus tratar com o homem, havendo sido administrado por anjos. Os oráculos de Deus foram dados a uma nação, a única nação sobre a terra que Deus reconheceu dessa forma (Am 3.2). Essa foi a dispensação do "Faça isso e viverá e será abençoado; desobedeça e será amaldiçoado". Essa dispensação teve três fases distintas: 1.) Cerca de 400 anos sob os Juízes, quando Deus deveria ser o Rei para o povo, mas quando na realidade cada um fazia aquilo que era justo aos seus próprios olhos. 2.) 500 anos como um reino sob uma linhagem real. 3.) 600 anos do cativeiro até a vinda de Cristo. Conectado a isso havia o testemunho profético: a lei e os profetas que foram até João (Lc 16.16).

Durante a "Dispensação da Lei" os tempos dos gentios tiveram início na supremacia política de Nabucodonosor, a cabeça de ouro e reis dos reis (Dn 2.37,38). Esses "tempos do gentios" continuam a ter ser curso, e continuarão até que o Senhor Jesus dê início ao Seu reino.

A Dispensação da graça e verdade teve início após a pregação de João Batista, pelo advento de Cristo. Durante esta dispensação o evangelho é pregado a toda criatura debaixo do céu, e acontece o chamado da Igreja, extendendo‑se como um parênteses, do dia de Pentecostes até o arrebatamento dos santos (At 2.1‑4; 1 Ts 4.13‑18). Paulo tinha uma "dispensação" especial a ele comissionada por Deus, tanto com respeito ao evangelho como ao cumprimento da palavra de Deus pela doutrina da igreja sendo o corpo de Cristo (1 Co 9.17; Ef 3.2,3; Cl 1.25,26).

A dispensação do Reino de Cristo sobre a terra durante o milênio é também chamada de dispensação da plenitude dos tempos (Ef 1.10; Ap 20.1‑6).

Sob estas variadas administrações, a bondade e fidelidade de Deus brilhou, e a ruína do homem fez‑se manifesta em todo lugar." (Concise Bible Dictionary).

O que significa 'reunir-se ao nome do Senhor'?

Espero conseguir esclarecer sua dúvida quanto ao fato de eu e outros cristãos não estarmos ligados a qualquer grupo denominacional, ao modo como nos reunimos, se possuímos casas de reunião, se não possuímos organização hierárquica, etc.

Não creio que seria proveitoso descrever como são as reuniões sem dar a você uma visão clara da base ou fundamento sobre o qual nos reunimos. Quando nos referimos a estar reunidos fora do sistema religioso, não estamos negando a salvação dos milhões de irmãos que continuam dentro do sistema. Pelo contrário, estamos testemunhando que somos um só corpo com todos esses irmãos. Não poderíamos testemunhar que somos um com todos se adotássemos o nome de um dos grupos de cristãos existentes no sistema. Também não se trata de tentar "restaurar" a Igreja, mesmo porque não há nada para ser restaurado na Igreja. Efésios nos mostra a Igreja aos olhos de Deus, e ela é perfeita, sem mácula e sem ruga, assim como cada um de nós individualmente. Neste aspecto não há, portanto, o que ser "restaurado".

Porém, no que diz respeito ao testemunho da Igreja que foi deixado nas mãos dos homens, como sempre tornou‑se em ruína. E para isto não há restauração possível pois é claro que em tempos de fim (leia 2 Tm, a última carta do apóstolo Paulo), quando há abandono generalizado deve‑se chorar e procurar guardar, dentro de muros edificados com a espada na mão e no único lugar de adoração estabelecido por Deus, o testemunho de que há um só corpo; que no único pão que partimos podemos ver toda a Igreja, o corpo de Cristo. Tudo isso nos foi ensinado em figuras pelos livros de Esdras e Neemias, um manual prático de como agir em tempo de ruína. Edificar os muros com a espada na mão (manter‑se protegido, com a Palavra, contra a contaminação e ataques externos), recusar qualquer ajuda dos que são de fora (o mundo, seus sistemas e modelos de associação, culto e adoração instituidos por homens), adorar no único lugar reconhecido por Deus (em nosso caso, somente ao nome do Senhor Jesus), e expressar na prática a unidade do povo de Deus. Este exemplo encontramos em 1 Rs 18.31 quando Elias, em um tempo de ruína, divisão e abandono da verdade, toma 12 pedras para erguer o altar, mostrando de uma forma prática a unidade do povo de Deus, ainda que disperso.

Reunir‑se ao nome do Senhor também não significa uma posição ecumenista como pensam alguns. Nem tampouco trata‑se do outro extremo, ou seja, de se afirmar "eu sou de Cristo" como se os outros não o fossem. O ecumenismo visa unir aquilo que Deus não ordenou que fossem criadas, ou seja, as denominações e organizações cristãs. Por outro lado, formar algum grupo com características próprias, ainda que sem nome, sem reconhecer a unidade e amplitude do corpo de Cristo é sectarismo. Como já disse, reunir‑se ao nome do Senhor Jesus somente não significa uma carreira em busca da restauração da Igreja ou do seu testemunho sobre a terra pois se esperarmos que ainda ocorra alguma restauração não estaremos aguardando o Senhor para o próximo piscar de olhos. Reunir‑se ao nome do Senhor Jesus Cristo também não significa meramente adotar certas doutrinas, ainda que bíblicas, ou deixar de ter lideranças humanas como são os pastores e sacerdotes instituídos pela cristandade.Reunir‑se ao nome do Senhor significa sair de todo o sistema, mas sair PARA CRISTO, para estar onde Ele está, tendo a Ele como centro ou polo de reunião.

Deixe‑me explicar melhor o que entendo por centro ou polo de reunião. Por exemplo, o que identifica um batista, ou melhor, o que os faz serem batistas? Talvez um ferrenho defensor da denominação diga que é Cristo somente, mas uma análise mais imparcial irá concluir que batistas são aqueles que concordam acerca de uma determinada doutrina de batismo. Resumindo, ainda que de uma forma grosseira, o que os identifica, o elemento catalisador para que estejam unidos é uma doutrina específica. O mesmo ocorre, por exemplo, com os presbiterianos onde tudo gira em torno de uma forma de governo eclesiástico. Ou com os pentecostais cuja ênfase é colocada na experiência e em sinais. Isto fica claro neste ultimo caso quando vemos que um pentecostal, de passagem por uma localidade onde não existe a sua denominação, irá procurar outra que seja pentecostal. O polo de atração, neste caso, são as doutrinas específicas que as diversas denominações pentecostais compartilham.

Reunir‑se ao nome do Senhor é ter somente a Ele como polo de atração. Estar reunido unicamente porque Ele prometeu estar onde dois ou três estão reunidos ao Seu nome (somente). Não é reunir‑se por ser simpatizante desta ou daquela doutrina ou costume. É simplesmente deixar tudo o que os homens estabeleceram e voltar àquilo que Deus estabeleceu: Cristo, o centro! Como isto é caro ao coração de Deus. Aquele que teve sua atenção voltada para o único Homem perfeito que pisou neste mundo; que foi obrigado a voltar sua face quando, pendurado entre o céu e a terra, o Senhor agonizava sob o peso de nossos pecados; que não o deixou na morte, mas aprovou plenamente o Seu sacrifício, ressuscitando‑O para recebê‑Lo à Sua destra! Acaso não deve ser Este, e somente Este o motivo de estarmos reunidos? Não é a Sua excelsa Pessoa presente no meio a motivação suficiente para deixarmos tudo aquilo que é contrário à vontade de Deus e, saindo dos sistemas humanos, voltarmos à simplicidade que havia no princípio da Igreja? É evidente que sim! Aquele que é tão precioso ao coração de Deus, deve sê‑lo também aos nossos corações.

Este é o motivo principal de nos reunirmos: Cristo Jesus, o Senhor. Evidentemente, ao darmos este passo, voltando ao que era no princípio e amparados somente por Sua Palavra, estaremos capacitados a testemunhar de forma prática que há um só corpo. Um cristão denominacional pode testemunhar do evangelho da graça de Deus. Pode, até mesmo, professar com seus lábios que faz parte do corpo de Cristo, que o corpo de Cristo é um, etc. Mas não poderá testemunhar isto na prática pois participa de uma facção. A adoção de um nome que o identifique é uma desonra ao nome de Cristo, o qual é suficiente para identificar qualquer um dos que nEle crêem. Mas, mesmo que não haja um nome, se não estão reunidos PARA O SENHOR, ou seja, se o motivo pelo qual se reunem é alguma doutrina específica ou algo "mais" do que Cristo, trata‑se de uma seita. Há ainda uma terceira possibilidade que é a de desejar me reunir somente ao nome do Senhor Jesus, sem qualquer nome, tendo a Ele como único centro, mas desejar ser original, ou seja, me recusar a fazê‑lo em comunhão com irmãos que já ocupavam tal terreno de reunião antes. Estarei sendo tão sectário quanto aquele que cria uma denominação com placa e tudo mais.

Não sei se o que estou escrevendo lhe está sendo útil para que compreenda melhor sobre que base eu e outros irmãos, com os quais estou em comunhão, nos reunimos. O certo é que não se pode compreender plenamente o que é estar reunido somente ao nome do Senhor até que se tenha dado o passo decisivo de se separar e estar reunido lembrando o Senhor na Sua morte. É mais ou menos como a salvação. É impossível compreender‑se o que significa ser salvo até que se tome a decisão de crer em Cristo como Salvador. Por favor, entenda que isto é apenas uma comparação. Não quero com isto dizer que alguém passa por alguma transformação quando passa a se reunir ao nome do Senhor, ou que fique "mais salvo" do que aqueles que não estão em comunhão. TODOS os que crêem no Senhor Jesus como Salvador estão salvos, seja denominacional ou não. O exemplo é apenas no sentido de que a pessoa passa a enxergar as coisas sob um outro prisma. Não existem mais dogmas ou vícios doutrinários adquiridos nas seitas e fica‑se aberto para receber da Palavra de Deus aquilo que diz respeito a Cristo e à Igreja. Pois como pode alguém compreender plenamente a unidade do corpo de Cristo sendo membro de algo que claramente quebra a expressão desta unidade?

Devo fazer um parênteses aqui para explicar que Verdades Vivas nada tem a ver com a verdade de reunir‑se somente ao nome do Senhor. Verdades Vivas não é uma denominação ou uma organização que tenha membros. Verdades Vivas é simplesmente uma Editora voltada à divulgação do evangelho através de literatura. A particularidade que existe é que esta editora não é ligada ou sustentada por alguma denominação. As pessoas que nela trabalham, assim como eu, não estão ligadas a qualquer denominação, mas são crentes que se reúnem regularmente com outros irmãos (que não estão ligados à editora Verdades Vivas) congregados somente ao nome do Senhor Jesus Cristo. Existem outras editoras e obras semelhantes cuidadas por irmãos em comunhão conosco em diversos países do mundo.

O que faz um evangelista?

Evangelização não é a atividade da igreja. Deixe‑me explicar melhor antes que você me entenda mal. O fato da igreja estar no mundo evidentemente leva os homens a conhecerem a conhecerem o Evangelho e faz até mesmo com que os anjos conheçam a multiforme sabedoria de Deus. Porém o trabalho de pregar o evangelho é dos crentes individualmente. Cada cristão é responsável por testemunhar de Cristo e esta responsabilidade é dada numa medida especial àqueles que receberam o dom de evangelista.

Vemos a ordem dos dons claramente indicada em Atos 11 onde os evangelistas pregam o evangelho (vers.19‑20), pessoas crêem (vers. 21), recebem um irmão com o dom de pastor (vers. 22‑24) que os reúne como faz o pastor às ovelhas, cuidando delas e exortando‑as a permanecerem unidas ao Pastor que é Cristo. Vêm então a necessidade de alimento mais sólido para aquelas almas e Paulo (além do próprio Barnabé) vêm exercer o dom de mestres ou doutores (vers. 25‑26) ensinando‑os.

Quando um evangelista sai, ele vai levar o evangelho. Quando um evangelista reúne seus irmãos e convida incrédulos, ele está pregando o evangelho. Mas isto é bem diferente da igreja se reunir, não para os incrédulos, mas para Deus; para se ocupar com Cristo. Vemos ser esta a atividade da igreja, quando se reúne, em Atos 2.42. Ali não encontramos evangelismo. Perseveravam na doutrina dos apóstolos (que hoje temos nas epístolas), na comunhão (com o Senhor e uns com os outros), no partir do pão (na ceia do Senhor, lembrando a Sua morte) e nas orações. Veja você que são todas atividades exclusivas daqueles que crêem.

Embora em reuniões assim possam haver incrédulos, não são eles o alvo da reunião. O alvo é o Senhor que deve estar ocupando a posição de destaque. Dessa forma vemos que numa reunião de ensino (perseveravam na doutrina dos apóstolos) não é um que dirige ou que faz tudo. Em 1 Coríntios 14.26‑40 vemos a descrição de uma reunião assim. "Falem dois ou três profetas e os outros julguem"; "Porque todos podereis profetizar"; "As mulheres estejam caladas"; "as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor", etc. São ordens claras de como deve ser uma reunião ao nome do Senhor, tendo apenas o Espírito Santo a dirigir e usar quem Ele quiser.

O mesmo sucede na Ceia do Senhor, embora ali não seja o lugar apropriado para o ensino ou admoestação. O ponto alto é a lembrança do Senhor morto e o pão que "nós" partimos (1 Co 10.16) deixa claro que não se trata de um pão que "os líderes" partem. Qualquer cristão tem o privilégio de se levantar e agradecer pelo pão e pelo vinho, assim como qualquer cristão tem o direito de trazer uma oração de louvor ou sugerir um hino a ser cantado. O mesmo sucede quando os crentes se reunem em igreja ou assembléia para oração.

Como os dons se manifestam na igreja?

Você tem conhecimento de que Deus distribuiu dons aos membros da Igreja que é o Corpo de Cristo (1 Co 12.28), mas cada membro não possui TODOS os dons (1 Co 12.4,7‑11, 28,29) e no mesmo capítulo encontramos várias indicações de que os membros do Corpo de Cristo precisam uns dos outros. Os dons são utilizados pelo Espírito Santo na edificação do Corpo de Cristo, e de uma maneira especial quando os crentes se reúnem (Ef 4.11‑16; 1 Co 14.26‑40).

Quando os cristãos são congregados pelo Espírito Santo para o nome do Senhor Jesus, Ele se encontra no meio (Mt 18.20) e todos podem ser edificados e aprender pelo Espírito que habita na assembléia ou igreja (1 Co 14.3,12,25). Aí então há crescimento no conhecimento da Palavra de Deus pois o Espírito usa quem Lhe apraz para ensinar, exortar ou consolar, a fim de que todos sejam edificados. Esta foi a ordem instituída em 1 Co 14.26‑40 para uma reunião de crentes no Senhor Jesus Cristo, ordem esta dada como mandamento do Senhor (1 Co 14.37).

Mas o que vemos em nossos dias? Se entramos em uma reunião de crentes, dificilmente iremos encontrar liberdade para o Espírito Santo agir (2 Co 3:17) pois a cristandade adotou o sistema romano ao colocar um homem à frente da congregação para dirigir a reunião. Em 1 Co 14.26‑40 encontramos os procedimentos para uma típica reunião da assembléia, e ali não encontramos homem algum a dirigir, mas o Espírito usando quem Ele deseja. Mas hoje vemos homens tomando o lugar do Espírito Santo e dando ordens tais como quem deve orar, quem deve cantar um louvor, quem deve ler as Escrituras, quem deve explicá‑las, etc. E geralmente é este mesmo homem que tem sobre si o encargo de dia após dia ministrar para aquela congregação.

Em outros lugares, onde dizem existir liberdade do Espírito, encontramos, isto sim, liberdade para a carne se expressar em manifestações que lembram mais uma histeria coletiva, sem ordem alguma e servindo de escândalo até mesmo para incrédulos (1 Co 14.23,40; 10.32).

Como seria uma congregação reunida nos moldes de 1 Co 14.26‑40? Óbviamente haveria um grupo de pessoas com diversos dons, que seriam usadas pelo Espírito, sem que fosse elaborado antecipadamente qualquer programa. O mesmo Espírito, conhecedor das necessidades daquela assembléia, iria levantar o servo com o dom mais apropriado para aquele momento, preparando também o coração dos demais irmãos para receber a Palavra. Este, então, iria trazer aquilo que o Espírito lhe colocasse no coração, sempre de acordo com as Escrituras e sendo julgado pelos demais (1 Co 14.29). Se fosse necessário uma palavra de doutrina, o Espírito levantaria um com o dom de ensinar; caso fosse preciso uma palavra de consolo ou exortação, Ele levantaria o dom respectivo.

Mas hoje vemos todo esse encargo sendo colocado sobre um só homem, que é incumbido de ensinar, exortar, consolar, pastorear, etc., mesmo que não possua todos os dons, o que certamente acontece. Assim, se aquela assembléia possui um dirigente cujo dom é ensinar, ficarão a receber doutrina dia após dia sem nenhuma palavra de consolo. Em breve se tornará uma assembléia fria e com grandes possibilidades de se ensoberbecer devido à bagagem doutrinária que recebe (1 Co 8.1). Por outro lado, se o dirigente tiver o dom de pastor, nunca haverá um embasamento doutrinário pois todos estarão a receber continuamente cuidado, proteção, consolo, etc, que parecem ser atributos mais condizentes com este dom.

Pode ainda acontecer o caso do dirigente ter o dom de um evangelista e neste caso ele nem deveria estar dirigindo continuamente a Palavra a uma assembléia de salvos, mas deveria estar fora, buscando os perdidos. Tal assembléia não seria edificada em doutrina e seu conhecimento da Palavra não iria além do evangelho. Este é o caso mais comum pois encontramos milhares de congregações com dirigentes cujo ministério não vai além de pregar o evangelho e convidar os incrédulos presentes a se converterem. É claro que o evangelho deve ser pregado, e mesmo os salvos devem ouví‑lo, recebendo a mais bela de todas as mensagens, que expressa a extensão do amor de Deus.

Mas o ponto que desejo frisar é que uma congregação de salvos por Cristo tem muito mais a receber do que o leite. Há deliciosos manjares dados por Deus para que os crentes possam estar "cheios do conhecimento da Sua vontade" (Cl 1.9‑12) e cheguem ao "pleno conhecimento da verdade" (2 Tm 3.7; 1 Tm 2.4). Deus deseja que tomemos mais do que o leite (Hb 5.11‑14), porém em 1 Co 3.1‑4 o apóstolo Paulo dizia não poder dar algo além do leite, pois eles estavam se mostrando carnais ao expressarem um sentimento sectário. Era necessário que reconhecessem que não devia haver divisões na igreja (1 Co 12.25); que não estivessem separados por nomes (1 Co 1.10‑13): que reconhecessem a existência de um só Corpo, do qual todos os crentes são membros (1 Co 10.16,17); que se reunissem com liberdade para serem dirigidos pelo Espírito para edificação, exortação e consolação (1 Co 14.3); sem um dirigente humano ou alguém que exercesse a primazia (1 Co 14.31; 3 Jo 9).

Como se pode ver, poucos há que aceitam se sujeitar, coletivamente como assembléia, à direção do Espírito, e são por isso privados de conhecer mais da Palavra de Deus através dos dons que Ele colocou na igreja. Você poderá aprender das Escrituras pois o Espírito Santo habita em você, se realmente crê em Jesus Cristo como o seu Salvador. Porém, de uma forma coletiva, como uma assembléia, você dificilmente será plenamente edificado se onde você se congrega não estiver sendo expressada, na prática, a verdade de que há um só Corpo de Cristo e que TODOS os crentes fazem parte da igreja. Qualquer "igreja" da qual não façam parte TODOS os crentes é uma seita e está negando a verdade de que há um só Corpo. Além disso, haverá pouco aprendizado da Palavra de Deus e, consequentemente, pouco crescimento, se houver uma pessoa dirigindo as reuniões, tolhendo assim a liberdade que deve ser somente do Espírito Santo.

Um terceiro impedimento ao conhecimento será a existência de uma linha doutrinária previamente estabelecida, que não possa ser questionada nem mesmo pela própria Palavra de Deus (Mt 15.6). E não podemos deixar de acrescentar que se houver um nome identificando a "igreja" onde se reúne, de modo a torná‑la distinta do Corpo de Cristo, isto será, na verdade, a expressão prática da negação de que há um só Corpo e de que todos os crentes são UM, além de considerar o nome do Senhor Jesus Cristo como insuficiente para identificar um crente.

Ao homem natural é impossível entender ou aceitar tal coisa pois a mente humana é propensa a pensar que deve sempre haver alguém para dirigir, organizar, enfim, alguém que seja visível, como acontece em todo grupamento humano (1 Co 2.14). Da mesma forma os israelitas pediam um rei como tinham todas as nações ao redor, rejeitando assim a suficiência do Senhor dos Exércitos (1 Sm 10.17‑19). Mas o homem espiritual tem a mente de Cristo e deve se deixar guiar por Ele que é suficiente em todas as coisas. A sabedoria de Deus, também no que diz respeito à reunião dos crentes, não pode ser compreendida naturalmente.

"Essa vereda a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela" (Jó 28.7,8).

Qual o verdadeiro lugar de adoração?

Vivemos hoje o dia do homem, onde a vontade humana é que manda. É mais ou menos como na época de juízes, um dos livros mais tristes da Bíblia: "Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (Jz 21.9). Como chegamos a tal ponto? Deixando a sujeição à autoridade do Senhor e assumindo as rédeas do testemunho de Cristo na Terra. O resultado é ruína.

Quer ver como é a vontade do homem que prevalece? Se você perguntar a alguém onde você deve se reunir, a resposta pronta será: Procure uma igreja onde Cristo seja honrado e a Palavra de Deus seja pregada. Se você bater à porta do primeiro local de reuniões que encontrar e perguntar às pessoas se ali Cristo é honrado e a Palavra de Deus é pregada, se achará uma pessoa de sorte, pois já achou o lugar na primeira tentativa. Obviamente as pessoas dirão que fazem assim ali, mesmo que sejam espíritas, mórmons ou testemunhas de Jeová. Ninguém irá dizer a você que Cristo é desonrado ali.

Todavia, se uma reunião, que tenha o objetivo de ser uma reunião de cristãos ao nome do Senhor, for dirigida por um homem, posso afirmar sem medo de errar que não está honrando o Senhor e muito menos obedecendo à sua Palavra. Se você ler atentamente 1 Coríntios 14, não encontrará ali nenhum dirigente além do Espírito Santo. Pelo contrário, todos os membros do corpo são exercitados e o Espírito tem liberdade de ação.

Embora a idéia dos cristãos hoje seja de que o crente pode adorar onde julgar melhor, encontramos na Palavra de Deus certas direções específicas quanto ao lugar de adoração, ou onde se reunir. Encontramos tanto em forma de figuras, no Antigo Testamento, como em istruções diretas no Novo Testamento. Em Gn 22.5 Abraão, quando em obediência a Deus leva seu filho para oferecer sacrifício, ele diz para o seu moço: "Ficai aqui que eu e o moço iremos ali. E havendo adorado tornaremos a vós". Entendo isto como adoração a Deus.. E em um lugar (aqu era o Monte) por Ele determinado.

Sim, Deus ordena a ele um local específico. "Sobre uma das montanhas que eu te direi" Gn 22.2. Não servia outra pois em nenhuma outra montanha haveria um carneiro preso por seus chifres no espinheiro. Somente no lugar que o Senhor indicasse. Se você comparar com Deuteronômio 12, verá que Deus estabeleceu um lugar, um só lugar, onde o povo deveria adorar. "Guarda‑te, que não ofereças os teus holocaustos em todo o lugar que vires, mas no lugar que o Senhor escolher" (v. 13,14). "Um lugar que escolherá o Senhor vosso Deus para ali fazer habitar o Seu nome" (v. 11).

Esse lugar, como sabemos, foi Jerusalém, onde posteriormente seria construído o Templo. Todo judeu deveria se dirigir para lá para adorar ou mesmo para orar (Daniel, no exílio, orava diante de uma janela voltada para Jerusalém - Dn 6.10). Em João 4, porém, uma nova ordem de coisas está para ser estabelecida. Na adoração individual, o sacerdote entrava (também pelo povo) no Santo dos Santos de um santuário terreno. O crente em Jesus entra no Santo dos Santos de um santuário celestial (Hb 8.2; 10.19). Na adoração coletiva os judeus se dirigiam ao lugar onde Deus havia colocado o Seu nome, Jerusalém. Os crentes, adoradores que adoram a Deus em espírito e verdade, O adoram no lugar onde o Senhor Jesus colocou o Seu nome: Onde estiverem dois ou três reunidos no (ou para) Seu nome.

Entendo que reunir ao nome de Jesus significa automaticamente a aceitação de que este nome é suficiente, excluindo‑se qualquer outro nome (Ap 3.8b). E que a direção do Espírito e a autoridade do Senhor sejam suficientes, excluindo-se assim qualquer direção e autoridade humana. Resumindo tudo, o lugar de adoração individual do crente é no Céu, na presença de Deus, onde ele tem acesso pelo sangue do Senhor Jesus. O lugar de adoração coletiva dos crentes nesta terra é onde o Senhor coloca o Seu nome, ou seja, onde dois ou três estão reunidos ao nome do Senhor Jesus.

Em João 4, Jesus deixa bem claro à mulher Samaritana que o lugar de adoração não seria mais Jerusalém (e nem o monte de Samaria, onde os samaritanos pensavam ser o lugar). Não haveria mais um lugar no sentido físico, como é um monte. Mas o caráter de Deus no sentido de se existir um lugar continua. Isto Ele deixa claro ao estabelecer que estaria onde dois ou três estivessem reunidos em Seu nome. O lugar não é físico mas, digamos, de ordem moral e espiritual. Equivale dizer que é onde o Seu nome e autoridade são reconhecidos.

A mesa do Senhor define hoje o lugar onde participamos do pão e do vinho (onde de uma forma simbólica estamos oferecendo Cristo a Deus, em adoração, como um Cordeiro morto), em contraposição com a mesa dos demônios. Portanto, assim como existe um lugar onde NÃO devemos adorar (a mesa dos demônios, ou aquilo que está conectado com os demônios), existe um lugar onde adoramos, que continua a ser onde o Senhor coloca o Seu nome.

Para adorarmos alguém, temos que adorá‑lo onde ele se encontra. Para adorarmos a Deus podemos entrar individualmente na Sua própria presença (temos esse privilegiado acesso pelo sangue de Jesus), ou nos reunirmos, adorando coletivamente, onde o próprio Senhor Jesus se encontra no meio. Para isto há de se cumprir a exigência de que estejamos reunidos em Seu nome. Não é onde estão corações quebrantados, o lugar de adoração, mas onde Deus estabeleceu. Quando adoramos, não temos diante de nós os nossos corações; temos diante de nós a Cristo. Os nossos olhares não são atraídos pelo nosso quebrantamento ou pela nossa humildade, mas sim pelo Cordeiro de Deus. É na Sua própria presença que adoramos, seja individualmente, seja coletivamente.

Devemos obedecer a Deus e à Sua Palavra. A sinceridade de propósito que milhões de cristãos têm ao se dirigir às suas denominações é algo que deixo com Deus. Não cabe a mim julgar a sinceridade de meus irmãos. Porém a mim é claro que devo obedecer à Palavra de Deus e em Sua Palavra vejo claramente que as denominações são contrárias à Sua vontade, por terem substituído o Nome de Cristo por outro nome (ou acrescido de outro nome), por terem adotado dirigentes humanos em suas reuniões, por estarem restringindo a liberdade do Espírito em cultos preensaiados e às vezes com roteiro até impresso em gráfica, por serem sectárias ao identificar os seus membros com um nome que não possa ser compartilhado com outros filhos de Deus pertencentes ao mesmo Corpo de Cristo.

Não estou dizendo que os crentes que pertencem às denominações sejam piores do que os que não pertencem a nenhuma organização eclesiástica. Pelo contrário, conheço irmãos denominacionais que me fazem corar de vergonha por seu zelo e comunhão com Deus. Apenas estou dizendo que os sistemas criados pelos homens, desonram o nome de Cristo (por adotarem outros nomes), dividem os cristãos (por os fazerem distintos uns dos outros), torcem a Palavra (por a limitarem àquilo que conheciam quando a denominação foi fundada e seus estatutos estabelecidos), restringem a liberdade do Espírito Santo (por colocar dirigentes nas reuniões, impedindo que o Espírito escolha aquele que Ele desejar), não dão testemunho da unidade do corpo de Cristo (por mostrarem claramente que são células distintas de outros cristãos) e tornam‑se um impecilho a muitas almas ansiosas de salvação (que ficam pensando que ser crente é ter que se associar a alguma organização religiosa). Muitos outros motivos poderia acrescentar, mas creio que estes deixam clara a minha posição.

Deus tem uma Igreja, que é aquela que o Seu Filho comprou com o próprio sangue. A ela pertencem TODOS os salvos. Suponhamos que você pertença à Igreja Batista. Acaso TODOS os salvos pertencem à Igreja Batista? A Igreja à qual pertencem TODOS os salvos é aquela que Deus estabeleceu. Qualquer outra foi criada por homens e, embora possa ter muitos salvos em seu meio, não foi estabelecida por Deus. Não pode, portanto, ser reconhecida como um lugar de adoração estabelecido por Deus.

Se eu fosse um judeu vivendo na época do Antigo Testamento e, digamos, resolvesse construir um templo em Belém, ou qualquer outra cidade, ele não seria reconhecido por Deus. Abraão, se escolhesse um outro monte que não fosse aquele que Deus havia escolhido, nunca iria encontrar o carneiro (figura de Cristo). Da mesma forma, se o Senhor pediu para nos reunirmos AO SEU NOME, como irá Ele reconhecer um lugar de reunião que é identificado pelo nome "batista", "presbiteriano", "pentecostal", ou qualquer outro nome? Se o nome do Senhor Jesus é suficiente, por que adotarmos qualquer outro?

Alguns alegam que é para nos identificarmos, mostrando que tipo de doutrina ou costumes temos. Mas quem disse que os cristãos devem se identificar como existissem vários "corpos" de Cristo. Somos UM e devemos mostrar que somos um para que o mundo creia. Como posso mostrar que sou um com os outros cristãos, se adoto um nome que outros cristãos não possuem?

Quem deve liderar nas reuniões da igreja?

Uma das coisas que mais intrigam aqueles com quem converso acerca de reunir‑se somente ao nome do Senhor é o fato das Escrituras não apresentarem nada parecido com o que encontramos hoje, ou seja, um homem liderando uma congregação e dando a ela ensino, exortação, consolo, além de determinar a ordem das reuniões.

A razão do espanto de alguns é que muitas vezes acreditamos que aquilo que é normalmente praticado é o correto. Mas você poderá procurar no texto da Palavra de Deus (no que se refere à Igreja, e não a Israel) e verá que não havia um líder dirigindo uma congregação. Vemos isto em nossos dias, mas não é assim que ensina a Palavra. Você encontrará pastores, presbíteros, bispos ou anciãos (veja Atos 20.17,28), e sempre no plural.

Havia os bispos ou anciãos em Éfeso, Corinto, etc. Nunca havia um único homem à frente de uma congregação como encontramos em muitos lugares nos nossos dias. E, de qualquer modo, aqueles que tinham a responsabilidade de pastorear o rebanho não eram "dirigentes" do rebanho, no sentido de exercer domínio sobre as ovelhas. Porém as apascentavam; tinham cuidado delas, procurando servir de exemplo (1 Pd 5).

Mas esse cuidado se limitava à assembléia como um todo e nunca era exercido no sentido de dirigir uma reunião. Na reunião da assembléia o Espírito Santo tem a direção e pode usar quem Ele desejar (você encontra algum homem dirigindo a reunião descrita em 1 Coríntios 14.26‑40?).

Quanto ao sacerdócio, no Antigo Testamento havia apenas um que poderia entrar no Santo dos Santos, que era o sacerdote. Hoje todo crente tem acesso livre ao Santo Lugar, além do véu, no verdadeiro santuário, graças ao sangue de Jesus (Hb 8.1‑3; 10.19‑22). Somos todos IGUALMENTE sacerdotes diante de Deus.

A idéia de que exista um clero (composto de sacerdotes humanamente instituídos) é uma idéia católica romana, que foi adotada por muitos protestantes. Mas não é algo bíblico. No Antigo Testamento somente os sacerdotes poderiam ministrar, ou trazer oferendas, no Santuário. No Novo Testamento isto continua valendo, com a diferença de que cada crente verdadeiro é um sacerdote.

A Ceia do Senhor é um memorial do sacrifício de Cristo, quando cumprimos o mandamento do Senhor e oferecemos a Deus sacrifícios de louvor. Na Ceia não há lugar para a manifestação de dons como evangelistas, pastores ou mestres. É a adoração e a memória de Cristo que estão em evidência. E quem pode lembrar Cristo? Quem pode trazer uma oração de ação de graças pelo Cordeiro de Deus? Quem pode elevar sua voz em louvor àquele que deu Seu sangue para nos salvar? Será que somente uma classe privilegiada de homens pode fazer isto?

Concordo que nem todo crente tem o dom para ministrar a Palavra de Deus, ou evangelizar, ou pastorear ou ensinar. Mas todo aquele que foi redimido tem o direito e o privilégio de agradecer Àquele que morreu para nos redimir. Portanto, qualquer salvo por Cristo tem o direito, e por que não dizer, a ousadia, de se levantar na Ceia e, dando graças, partir o pão e entregar o vinho para que sejam passados por todos os que estão em comunhão à mesa do Senhor.

Para compreender a ordem dada à igreja no Novo Testamento, é necessário que se esqueça o que se vê nas denominações e se adote somente com o que é encontrado na Palavra de Deus. Caso contrário nunca se terá o privilégio de desfrutar de muitas das coisas que Deus tem preparado para os Seus.

Lembre‑se de que os pensamentos de Deus não são os pensamentos dos homens. Israel tinha a Deus como seu Rei, mas quiseram um rei "como as outras nações". Eles queriam ser iguais aos outros pois, pensavam, como poderiam ter ordem sem um rei humano? Deus, a muito contragosto, lhes dá Saul. Muitos não podem compreender como pode ser uma reunião dirigida pelo Espírito de Deus, pois onde se reunem há um dirigente humano.

Mas posso testemunhar a você que, reunindo‑me somente ao nome do Senhor, sem denominação ou dirigente humano, desfruto juntamente com os irmãos, a cada semana, e várias vêzes por semana, da direção do Espírito nas reuniões. Tudo com ordem e decência. Um irmão sente em seu coração que deve sugerir um hino, outro levanta‑se e traz uma oração, outro convida os irmãos a abrirem suas Bíblias e traz uma palavra de exortação, outro ministra palavras consoladoras e outro é usado pelo Espírito para edificar. Tudo em perfeita ordem e decência, com começo, meio e fim.

E isso é experimentado por mim e por muitos irmãos no mundo todo que se reúnem regularmente somente ao nome do Senhor, sem nenhum outro nome além do nome do Senhor, sem nenhum outro líder além do Espírito Santo e sem nenhum dogma ou estatuto além da Palavra de Deus. Você acredita que Deus é suficiente para isto?

Devemos usar instrumentos musicais na adoração?

Para compreender, não somente o assunto acerca de instrumentos musicais, como também a respeito do dízimo e de outros temas de igual importância, é necessário que você entenda o que é o Antigo Testamento, e o que é o Novo Testamento. É necessário compreender o que é o povo terrenal de Deus (Israel) e o que é o povo celestial de Deus (Igreja). Se isto não for compreendido, haverá uma grande confusão com respeito à Palavra de Deus. Aliás, creio que não haveria tantas divisões entre o povo de Deus se estas diferenças fossem compreendidas.

Deus tem um povo ao qual foram feitas revelações e promessas: o povo judeu. A este povo foi dada a Lei por intermédio de Moisés e Deus irá cumprir todas as promessas que lhe dizem respeito. Aquele povo tinha uma promessa terrena: uma terra prometida, abundância de colheitas, saúde, prosperidade, muitos filhos, etc. Tenho certeza de que não preciso citar os versículos do Antigo Testamento que contém essas promessas pois você será capaz de encontrar vários deles. Não havia para eles, porém, nenhuma referência ao Céu; nenhuma promessa celestial. O culto daquele povo era um culto terreno e exterior.

Eles não tinham o Espírito Santo habitando neles, embora estivesse com ele, pois o crente, como habitação do Espírito Santo, é algo que somente encontramos após a formação da Igreja no dia de Pentecostes. Se ler atentamente Hebreus, perceberá do que estou tratando. Havia o judaísmo, com seu templo terreno, seus sacerdotes instituídos de uma determinada tribo, seus sacrifícios de animais, seus corais com cantores (que eram da tribo de Levi, cf. 1 Crônicas 15) usando roupas especiais, etc.

Mas, como poderá perceber em Hebreus, com a formação da Igreja Deus trouxe algo melhor do que o judaísmo; algo que estivera oculto em mistério (Ef.3) para ser revelado no tempo apropriado. A Igreja nada mais tem a ver com o Judaísmo. Eles possuíam um templo feito de pedras, somente um, que estava em Jerusalém; hoje, nós que cremos somos templos, tanto o nosso corpo é templo de Deus (1 Co 6.19) como, coletivamente (1 Co. 3.16).

Somos, coletivamente, "Casa de Deus", Igreja do Deus vivo (1 Timoteo 3.15), não mais feita de pedras mortas como era o templo em Jerusalém, mas construída com pedras vivas (1 Pd 2.5). Que imenso contraste do judaísmo! Os judeus eram homens oferecendo um culto exterior a Deus e necessitavam de todo um aparato magnífico, porém exterior. Nós temos o Espírito Santo de Deus habitando em nós. O cântico espiritual que sai de nosso coração (Cl 3.16) já é um produto do Espírito que habita em nós e que faz com que nossos louvores sejam elevados a Deus.

Se você compreendeu que não somos judeus, mas igreja de Deus, irá perceber que devemos buscar as doutrinas da Igreja nas cartas dos apóstolos. Sim, pois era assim que os primeiros cristãos faziam (Atos 2.42). Não temos doutrinas para a Igreja no Antigo Testamento, pois a Igreja ainda não tinha sido formada. As ordenanças do Antigo Testamento eram dirigidas aos judeus. Se formos adotar as ordenanças do Antigo Testamento, teremos que deixar de comer carne de porco, teremos que viajar para Jerusalém para adorar (pois não poderia haver outro templo), teremos que nos fazer circuncidar, e tudo aquilo que encontramos que era dirigido aos judeus.

A grande confusão que existe hoje é que alguns cristãos escolhem algumas doutrinas do Antigo Testamento enquanto outros escolhem outras doutrinas, cada um procurando aquelas que mais se adaptam a si mesmos. Há, assim, confusão e divisão.

Para o cristão, o Antigo Testamento continua sendo a Palavra de Deus, assim como o Novo Testamento, mas pertence a uma velha ordem de coisas; uma velha maneira de Deus tratar com o homem. O que vemos lá serve para nos ensinar, trazendo‑nos consolação (Rm 15.4), porém nada mais são do que sombras (Hb 8.5 e 10.1) das coisas que haviam de vir. Se vejo a sombra de alguém que amo chegando na porta de minha casa, me alegro. Mas assim que a própria pessoa chega, não vou mais me ocupar com sua sombra; tenho algo mais concreto e completo para me ocupar.

Cabe aqui lembrar que os 4 evangelhos estão incluídos em uma época de transição entre o judaísmo e o cristianismo. Você encontrará pouca coisa concernente à Igreja nos evangelhos (estou me referindo às doutrinas, e não ao ensino do Senhor). Há ainda que se ter cuidado em discernir nos Evangelhos o que é dirigido ao remanescente judeu que participará do Reino.

Você poderá perceber que era uma época de transição, mas ainda sujeita às coisas do judaísmo pois o Senhor ainda não havia completado Sua obra, pelo simples fato de o Senhor exortar os Seus discípulos a fazerem o que os fariseus ensinavam (embora não devessem fazer o que eles faziam). Ele os exortava também a dar a didracma, que era o imposto para o templo (de Jerusalém). Ora, se fôssemos obedecer isso hoje, teríamos que nos dirigir a Israel, procurar os fariseus e pedir que nos ensinassem o que devemos fazer. Além disso, teríamos que entregar a eles nosso dinheiro para a manutenção do Templo (que não existe mais).

Infelizmente a grande maioria da cristandade não entende a diferença e procuram adaptar as coisas concernentes à antiga dispensação, adotando costumes e práticas do judaísmo. Se você não aceita que judaísmo e cristianismo são coisas diferentes, deixará de aprender muitas coisas que dependem do entendimento deste ponto de grande importância.

Tratando agora diretamente do assunto relativo à música, uma vez que compreendemos que não estamos mais no judaísmo, não devemos buscar no Antigo Testamento como devemos proceder com respeito ao assunto. Se verificar no Novo Testamento, Rm 15.9; 1 Co 14.15; Ef 5.19; Cl 3.16; Hb 2.12; Tg 5.13, verá que que estas passagens que falam de música não fazem qualquer referência a instrumentos musicais. Você não encontrará qualquer referência a corais, conjuntos e coisas desse tipo no Novo Testamento. Ali você encontra a doutrina dos Apóstolos e não foi deixada nenhuma indicação para que formássemos orquestras para adorar a Deus. Tenho certeza que você concorda que Deus aceita a adoração do mais humilde dos Seus filhos, mesmo que cante desafinado e sem voz bonita.

Desde que venha do coração e seja dirigido ao Senhor (Ef 5.19; Cl 3.16), eu e você podemos ter certeza de que será um cântico aceito e mais agradável a Deus do que o cântico dos levitas em 2 Crônicas 5.12‑14. Se Deus se agradasse de todo aquele aparato exterior, Ele teria mantido tudo igual. Mas não, Deus quis trazer "vinho novo" e os odres velhos não podem conter tal vinho. Tenho certeza que um simples cântico entoado de coração e para o Senhor deixa muito menos lugar para a carne do que conjuntos, corais e orquestras ensaiados cuja maior preocupação é agradar o público que os está ouvindo.

Cabe aqui fazer um parênteses. Tudo o que estou escrevendo diz respeito à adoração coletiva, quando os crentes se reúnem como igreja ou assembléia para louvar e adorar a Deus. Ali, na presença do Senhor, entoamos nossos louvores de coração, usando o instrumento melhor que nos deu, que é a nossa voz. Não há necessidade de mais nada; nosso louvor será aceito. Em nossos lares, porém, nada impede que toquemos instrumentos musicais, mesmo em companhia de outros irmãos, ou que tenhamos discos com cantores e orquestras de música cristã para nos entreter. É um costume bastante salutar ocupar nossos momentos com boa música cristã.

Como posso servir mais ao Senhor?

Vejo que o seu desejo é de conhecer ao Senhor Jesus para melhor serví‑lo. A melhor escola para isso é ficar aos Seus pés. Não pense também que trabalhar para o Senhor é o mais importante. Marta estava trabalhando muito para servir o Senhor, e Ele chamou sua atenção por estar ocupada COM O TRABALHO, enquanto elogiou Maria que estava ocupada COM SUA PESSOA.

Estou me referindo a Lucas 10:38 quando o Senhor visitou a casa de Marta, irmã de Lázaro e de Maria. Vemos Marta ocupada com muitas coisas e Maria assentada aos pés do Senhor ouvindo Sua Palavra. Quando Marta reclamou da situação, o Senhor a repreendeu mostrando que Maria havia escolhido a boa parte e esta não lhe seria tirada. Vemos que o serviço de Marta, embora feito com boa intenção, estava fora de lugar pois ela se ocupava com tudo, menos com a Pessoa do Senhor.

Encontramos Marta em outra ocasião. O Senhor havia ressuscitado a Lázaro e Marta passou a ter um conhecimento real de quem era o Senhor. Que mudança aconteceu! Vemos Marta, então, no capítulo 12 de João, mas ali ela não está preocupada com o serviço e sim com o Senhor. Em João 12:2 e 3 podemos contemplar o quadro completo e harmonioso para a vida de um cristão. Não há nenhum motivo para repreensão por parte do Senhor pois Lázaro conhece o Senhor que lhe restituiu a vida; Marta sabe que o objetivo do seu serviço é o Senhor e Maria continua em sua atitude de adoração aos pés daquEle que é Digno.

Que exemplo maravilhoso para nós: Lázaro à mesa, demonstrando COMUNHÃO com o Senhor; Marta mostrando o SERVIÇO no seu devido lugar e Maria oferecendo sua ADORAÇÃO e se deliciando com Suas palavras. É disto que precisamos para uma vida cheia de gozo. Comunhão, Serviço e Adoração. Mas tudo em perfeito e harmonioso equilíbrio, tendo sempre o Senhor como objetivo.

Para que possamos aprender mais da Palavra de Deus, é preciso que deixemos de lado muitas coisas às quais estamos habituados. Talvez você esteja pensando em vícios ou coisas desse tipo, mas estou me referindo a tudo aquilo, pequeno ou grande, que não seja exatamente da forma que o Senhor ensinou. Em João 7:17, na versão atualizada da Bíblia traduzida por Almeida, lemos: "Se alguém quiser fazer a vontade d'Ele (do Pai) conhecerá a respeito da doutrina".

Este é um princípio extremamente importante e Paulo apresenta outro aspecto quando diz: "Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo" (Gálatas 1:10). Se o seu desejo é fazer a vontade de Deus, fique certo de que muitos homens não se agradarão disso, e poderá encontrar oposição até dentre os irmãos.

Você já pertenceu a alguma denominação?

Eu me converti quando estava imerso em filosofias orientais, tendo escutado o puro evangelho de um colega de faculdade. Como nosso contato ficou interrompido e eu nada sabia sobre igrejas ou denominações, voltei ao catolicismo (origem de todo bom brasileiro) e me apliquei ao estudo da Bíblia e da doutrina católica.

Em menos de um ano já começava a perceber que havia algo de errado, não com a Bíblia, mas com o catolicismo. Nessa época eu morava em Alto Paraíso de Goiás, um vilarejo onde trabalhava como professor e para o qual fui levado pelo ideal de fazer alguma diferença neste mundo.

A princípio frequentava a igreja católica, mas na ausência do padre que viajou, passei a me reunir em uma pequena congregação batista composta por apenas uma família e duas viúvas, pessoas que me são queridas até hoje. Aprendi muito com aqueles irmãos .

Pela falta de um pastor, logo eu estava pregando o evangelho junto com o outro irmão. Enquanto aguardava pelo batismo que, segundo a denominação, teria que ser feito por um pastor, o Senhor começou a me despertar para a questão do corpo de Cristo.

O batismo foi adiado por duas vezes, primeiro por causa de um ataque cardíaco no primeiro pastor que viajaria até lá, e depois por um acidente de automóvel envolvendo o segundo pastor. Nesse meio tempo eu brigava, com cartas e palavras, com irmãos que havia conhecido e que se reuniam somente ao nome do Senhor, que reconheciam que a igreja é formada por TODOS os salvos, e que procuravam se reunir separados de todo sistema que de algum modo diminua esta verdade. Eu resistia àquelas idéias.

Mas não existe nada como o toque do Espírito em nosso coração para nos ensinar a Sua Palavra. A tradução Almeida Atualizada diz: "Se alguém QUISER fazer a vontade dEle, CONHECERÁ a respeito da doutrina" (João 7.17). A ordem é sempre esta, e não o inverso. A um coração desejoso de fazer a Sua vontade, o Senhor mostrará que vontade é essa.

Tenho certeza de que você concordará com isto, pois sendo um salvo já experimentou isto em sua vida. Quando fechamos a torneira de nossos argumentos, de nossa sabedoria e de nossa vontade própria, aí estamos prontos para que Ele possa nos falar. E Ele sempre o faz.

Convencido de que não deveria defender o denominacionalismo, e que deveria ser "apenas" um cristão, e não um batista, faltava o Senhor me mostrar que deveria me separar fisicamente do sistema, já que meu pobre e viciado entendimento acreditava haver maior proveito para a obra de Deus se continuasse pregando naquela congregação, que agora tinha sempre "a casa cheia" com meus alunos. Orei por algum tempo até receber a resposta.

Escrevi minha própria experiência sem saber se servirá para alguma coisa. Atrevo-me apenas a deixar a você o que aprendi em Atos 20, quando Paulo antevia um futuro de dificuldades para o rebanho (Atos 20.28-32). Ali os anciãos ou presbíteros já não são vistos como eleitos por homens por indicação dos apóstolos, como era feito no princípio, mas constituídos pelo Espírito Santo, a única condição fidedigna em tempos de ruína.

A distância de Paulo e de sua doutrina, que basicamente trata do mistério da Igreja, o Corpo de Cristo (Efésios 3), um mistério revelado pela primeira vez a Paulo, daria oportunidade à entrada dos lobos cruéis, pessoas de fora interessadas na destruição do rebanho. E não somente isto, mas dentre eles mesmos, homens salvos, se levantariam falando coisas perversas, ou melhor traduzindo, pervertidas ou distorcidas, com uma só finalidade: serem seguidos pelo rebanho.

Em um tal estado de coisas, Paulo os entrega, não a um Papa, a um sistema, a uma convenção ou junta de homens, mas a Deus e à Palavra da Sua graça. Isso é tudo o que necessitamos em um tempo de abandono e ruína como este em que vivemos.

Veja mais sobre o assunto nestes links:

Os primeiros são respostas a cartas e e-mails (você pode ver o assunto no próprio link). Os outros são textos de terceiros, alguns escritos no século 19:

Por que há tantas denominações?
Em que templo devo adorar?
O que significa a mesa do Senhor?
Como celebrar a ceia do Senhor?
Onde celebrar a ceia do Senhor?
O que significa a palavra Igreja?
O que significa reunir-se ao nome do Senhor?
Qual o verdadeiro lugar de adoração?
Quem deve liderar nas reuniões da igreja?
Devemos usar instrumentos musicais na adoração?
Você já pertenceu a alguma denominação?
É possível congregar com desprendimento denominacional?
Qual é a hierarquia na igreja?
Devemos obedecer aos pastores?
O que significa o arraial de Hebreus 13?
Como deve ser o clero na igreja?

Textos de terceiros:
Que denominação é esta?
Princípios fundamentais sobre os quais a igreja é edificada?
Por que nos reunimos assim?
Você parte o pão? Onde?
Doze cartas a um novo convertido
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