Devemos usar a Bíblia para ferir?

Ocorre-me um verso em Êxodo 23.19: "Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe". Será que Deus estava interessado só em cabritos?

Creio que temos um principio para nos aqui. O leite foi criado para dar vida e jamais poderia ser usado como instrumento de morte. Deus quis que a Sua Palavra fosse o instrumento para nos comunicar vida ("de novo gerados... pela Palavra de Deus" 1 Pd 1.23).


Nunca deveríamos usá-la para ferir alguém. Nossa luta não é contra a carne ou sangue (pessoas), mas contra as potestades nos lugares celestiais (lutamos de joelhos) - Efésios 6.12.
Creio que o bom uso da espada, que é a Palavra de Deus, é uma das características do cristão que busca a maturidade. Crianças não devem usar instrumentos cortantes, todos sabemos. E a Palavra é mais cortante, e pode, se mal utilizada, fazer mais estragos do que uma arma moderna.

Quem é o Espírito Santo?

O Espírito Santo é uma Pessoa divina, assim como o Pai e o Filho. Deus é um, mas em três pessoas. Não podemos entender isto, apenas crer. Se entendêssemos a essência de Deus seríamos como Ele é. Todavia fomos feitos à imagem e semelhança dEle, e somos também tripartidos, ou seja, Espírito, Alma e Corpo. No nosso caso o corpo é a parte sólida, a alma é o abrigo das emoções, anseios, etc., e o espírito é a nossa essência que pode ter comunhão com Deus. Animais têm alma e corpo apenas. Tem emoções, amam, etc., mas cessam de existir com a morte.

Voltando à questão do Espírito Santo, embora seja Deus, assim como o Pai e o Filho (um Deus, três Pessoas), em nenhum lugar na Bíblia vemos que Ele (o Espírito Santo) deve ser adorado, receber orações ou qualquer atenção. Sua função hoje é apontar para Cristo. Ele convence o pecador do pecado e da justiça ou juízo (João 16:9,10), guia-nos a Cristo que é a Verdade (João 16:13), consola o cristão (João 14:16), antes do sacrifício de Cristo (até o dia de Pentecostes) habitava COM o crente, passando depois a habitar NO crente (João 14:17; 1 Coríntios 6:19), batizou todos os cristãos em um só corpo no dia de Pentecostes (Atos 2), e é o penhor do Cristão, sua garantia de que subirá para o Céu (Efésios 1:13,14).

Muito mais poderia ser dito, mas por enquanto acho que é suficiente. Em resumo, é Cristo, Deus feito homem, o alvo de todas as coisas tanto no Céu como na Terra. O Espírito Santo trabalha, por assim dizer, nos bastidores e não quer chamar atenção para Si. A festa do Divino transformou o Espírito Santo em objeto de culto, o que não tem respaldo bíblico.

O pentecostalismo protestante e o movimento carismático católico colocaram o Espírito Santo em evidência, o que também não é certo. Devemos entender a Sua ação, porém respeitar a ordem que Deus estabeleceu. Hoje o Pai e o Filho estão no céu, sendo que o Filho está no céu como Homem glorificado, em carne e ossos, assim como estarão os salvos (não, não dá para entender). O Espírito está na Terra, habitando individualmente no crente, corporalmente na Igreja (todos os que crêem) e influindo no mundo como um todo e restringindo a disseminação completa do mal.

Jesus era rico?

Não, o Senhor era pobre. Pelo menos é o que diz a Palavra de Deus quando se refere a Ele:

(2CO 8:9) - "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis."

É claro que o significado exato dessa passagem não é exatamente material, mas espiritual, já que as riquezas das quais os que crêem puderam usufruir são (EF 1:3) - "todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo", as mesmas que Cristo têm e de Quem somos co-herdeiros.

Mas em termos materiais Ela não foi rico quando caminhou aqui, ao contrário dos absurdos que ouvi outro dia em um programa evangélico. A mulher que pregava — se não estou enganada, esposa de um ex-profissional de marketing que fundou uma igreja milionária — tentava de todas as formas convencer o público de que o Senhor era muito rico.

Disse que Ele andava de Rolls Royce, já que jumentos tinham esse status na época porque eram transporte de reis. Bobagem. Reis, quando não eram carregados em liteiras por escravos ou viajavam em carros puxados por cavalos, como fazia o nobre mordomo da rainha de Candace quando abordado por Filipe na estrada que vinha de Jerusalém.

"E levantou-se, e foi; e eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros, e tinha ido a Jerusalém para adoração, Regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías." (At 8:27:28)

Este sim, era o Rolls Royce da época, que permitia viajar, ler e tinha até espaço para Filipe ter sido convidado para sentar. E se ainda permaneciam os costumes do Antigo Testamento, é interessante lembrar que os ricos não cavalgavam jumentos, mas mulas. E quando Isaías escreve profeticamente sobre aqueles que transportarão o remanescente fiel a Jerusalém no futuro, são mencionados os melhores meios de transporte da época, e o jumento não está entre eles:

(IS 66:20) - E trarão a todos os vossos irmãos, dentre todas as nações, por oferta ao SENHOR, sobre cavalos, e em carros, e em liteiras, e sobre mulas, e sobre dromedários, trarão ao meu santo monte, a Jerusalém, diz o SENHOR; como quando os filhos de Israel trazem as suas ofertas em vasos limpos à casa do SENHOR.

Portanto, andar de jumento na época em que o Senhor viveu aqui não era sinal de riqueza. E se nos lembrarmos de que o jumento que Ele monta para entrar em Jerusalém era emprestado, o assunto se encerra aqui.

Mas a pregadora não parecia querer encerrar o assunto no jumento e continuou insistindo que carpinteiros eram ricos — tentando avaliar o status de uma profissão há dois mil anos comparando-a ao status atual. Não há subsídios para isso e você encontra carpinteiros ricos e pobres ainda hoje.

Tentou também dizer que suas roupas eram caras — só faltou dizer que eram de griffe — quando se referiu aos soldados que dividiram suas vestes em quatro partes. Segundo ela, eram tão boas que os soldados nem se importavam de ficar com apenas um pedaço delas. O que faltou dizer foi que era só o que tinha. As vestes e a túnica. Essas eram suas posses materiais quando morreu, muito menos do que pessoas consideradas pobres hoje possuem.

Enfim, a mulher fazia um esforço hercúleo, mas dava para perceber que não era tanto para provar que o Senhor era rico, como era para justificar a riqueza dos líderes religiosos que professam a teologia da prosperidade. Foi assim mesmo que o movimento começou nos EUA em medos do século 20, quando muitos pregadores começaram a enriquecer e acharam um jeito de mudar o discurso. Se eram ricos era porque eram abençoados por Deus. O resto da história a gente já conhece.

Ao lançar perguntas no ar, algo mais ou menos assim, "Se um dono de revistas pornográficas tem o direito de ter jato particular para aliciar suas garotas, os cristãos não podem ter esse direito?", ela queria dizer que podemos reivindicar as mesmas regalias de um dono da Playboy, por exemplo. Deu outros exemplos, de outras atividades do mesmo nível, das riquezas que usufruem. Baixou o nível. Antes que desse vontade de vomitar, achei melhor mudar de canal.

A mulher não tem nem idéia do lugar do cristão neste mundo. Um estrangeiro, a caminho de sua pátria celestial, peregrino como foi seu Senhor cujo reino não era deste mundo. Poderia citar muitas passagens, mas uma ou duas bastam para entendermos como devemos ser e viver em relação às riquezas materiais:

(MT 6:25) - Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

(1TM 6:8) - Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.
Sim, vamos encontrar cristãos ricos e pobres. A alguns Deus deu mais para poderem compartilhar com os outros. Mas não é esse o foco e a fonte de nosso contentamento.

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