As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que acha do Evangelho de Judas?



https://youtu.be/A7L7ZifHAo8

Valendo-me da antiga piada, diria que "não li e não gostei". Novidades sempre nos atraem e não poderia ser diferente com "O Evangelho Segundo Judas", tema que virou capa de revistas e fez alguns mais apressados concluírem que toda a história da fé cristã precisa ser reescrita. Até aqui eu e milhões de outros cristãos aprendemos sobre Jesus, Sua vida e obra, através dos quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os quatro são unânimes em afirmar que Judas foi um traidor, não um mártir que tenha morrido por uma causa que só ele e seu Mestre conheciam até ali.


Tudo o que sabemos de história é o que alguém registrou. Não há como voltar ao passado para constatar se foi assim ou não. Nós nos baseamos em registros que outros deixaram. Podemos, isso sim, contestar os registros quando temos outros mais fidedignos. Temos quatro evangelhos que nos falam de fatos acerca de Jesus, além de um grande número de cartas dos primeiros discípulos. Então aparece um suposto evangelho de Judas e será que devemos desconsiderar todos os outros documentos? Vamos observar um pouco o que já temos, ou seja, os quatro evangelhos.

Mateus escreveu em Aramaico, o idioma hebraico usual da época e restrito aos judeus. Lucas escreveu em grego, a língua universal da época e comum a todo o mundo ocidental de então (era o inglês do momento).

Se descer aos detalhes, verá que Mateus traz um volume enorme de citações das Escrituras do Velho Testamento, bem conhecidas dos Judeus. Há vários acontecimentos narrados "como disse o profeta fulano". Tudo indica que ele estava falando de um Jesus previsto na cultura judaica, e mostrando que esse havia chegado. É insistente também em procurar provar que Jesus é o rei há muito prometido para os judeus.

Mateus revela em Mt 10:4 quem seria o traidor, porém é no Antigo Testamento, mais especificamente no livro de Salmos, que são proféticos e em grande parte revelam os sentimentos de Cristo, que vamos encontrar qual seria o verdadeiro caráter de Judas:

Salmos 55:13: "Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Consultávamos juntos suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus."Salmo 41:9 "Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar".

Oras, se devemos considerar que esse "novo evangelho" supostamente acerca de Judas seja digno de confiança, devemos deixar de lado os outros quatro evangelhos, especialmente o de João, que escreveu usando a mesma expressão "levantar o calcanhar":

João 13:18; "Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar."

Li certa vez de um velhinho que citava a Bíblia para dar respaldo a suas suposições. Só que o que ele citava não era a Bíblia. Inventava pensamentos, colocava em linguagem arcaica, e acrescentava, "Como diz o livro de Ezequiel, capítulo 18, versículo 15..." e saía dizendo seus próprios pensamentos.

Como os ouvintes nunca tinham lido Ezequiel, acabavam caindo. Li um artigo sobre como dar palestras que dizia, de brincadeira, que quando você quiser fazer uma citação, e não se lembrar de quem disse aquilo, diga que foi Benjamin Franklin. Ele disse muita coisa, e é possível que tenha dito aquilo também.

A maioria das pessoas seduzidas por esses novos evangelhos pouco leu a Bíblia ou os quatro evangelhos. Como tudo o que é novo atrai, era de se esperar que a notícia de um manuscrito que se denomina evangelho de Judas atraísse multidões.

O momento também é propício. Existe a febre do Código Da Vinci, com livro e filme atraindo multidões para uma história cheia de erros grosseiros e invenções, mas que levanta um tema digno da imprensa marrom:

"Teria Jesus deixado descendentes?" A resposta é que sim, e eu, pela fé, sou um deles, mas não da maneira como Dan Brown gostaria que fosse. Os canais de documentários se aproveitaram da febre e lançam vários programas colocando em dúvida o que se sabia até aqui ou questionando a fé cristã. Faz parte de uma época para a qual a própria Bíblia já alertava:

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." 1 Tm 4:1; 2 Tm 4:3

Era de se esperar que muitos "cientistas" e "estudiosos" engrossassem as fileiras da crítica à Bíblia, mas é bom entender que geralmente quem critica a Bíblia não conhece seu Autor. Não é possível querer analisar a Bíblia do ponto de vista científico, pois ela nunca foi escrita para ser um compêndio científico. Ela foi escrita para mostrar aos homens o caminho da salvação eterna. Deus quis falar aos homens de coisas mais importantes do que as visíveis, palpáveis e experimentáveis. (2CO 4:18) "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas."

Há quem alegue que é impossível ter certeza dos textos da Bíblia, já que as traduções que hoje temos não foram feitas dos originais, mas de cópias existentes às vezes alguns séculos após a data em que os originais teriam sido escritos. Realmente, hoje não existe um manuscrito original daquilo que conhecemos como os livros que compõem a Bíblia. Apenas cópias segundas, terceiras, décimas, etc. Quanto mais longe a cópia estiver do original, mais sujeita a erros.

Veja, por exemplo, o livro de Isaías que temos hoje no Antigo Testamento da Bíblia que todo o mundo cristão e hebreu utiliza. Ele vem de um manuscrito bem posterior a Isaías, e até a Cristo (Isaías viveu 700 anos antes de Cristo). Porém, entre os manuscritos descobertos em 1947 em uma caverna ao lado do Mar Morto, havia um de Isaías, muitíssimo mais antigo do que o usado para nossas Bíblias. Adivinha? Sim, é idêntico. O cuidado na cópia era tanto, que hoje há manuscritos que trazem uma mancha de tinta na margem, que é repetida nas cópias seguintes.

Geralmente quem diz que a Bíblia que temos hoje foi alterada, não mostra a anterior. Sim, porque para você dizer que algo foi adulterado é preciso ter o original, ou uma cópia anterior. Já viu alguém mostrar isso? Esses defensores da originalidade, que descobriram isso, deveriam trazer a público a cópia mais fiel que certamente possuem, para benefício de todos, não? O grito geral é de que o Vaticano tenha trancado a verdade -- em parte é a tese também do Dan Brown no Código Da Vinci -- em seus cofres e só entregou uma versão de acordo com seus próprios interesses. Dizer isso é não conhecer o volume de material existente por aí, com o qual seria possível publicar uma Bíblia sem precisar usar os manuscritos que se encontram em poder do Vaticano.


Só para você ter uma idéia, veja alguns dos manuscritos mais importantes, fora dos muros de Roma:

  • Manuscrito de John Ryland (ano 130 DC)- Biblioteca John Ryland, Manchester, Inglaterra.
  • Papiro Chester Beatty (200 DC) - Museu C. Beatty, Dublin em sociedade com a Universidade de Michigan
  • Papiro Bodmer II (150-200 DC) - Biblioteca Bodmer de Literatura MundialCodice Sinaitico (350 DC) Museu Britanico
  • Codice Alexandrino (400 DC) Museu Britanico (contem quase toda a Biblia em grego. Escrito no Egito)
  • Codice Efraimico (400 DC) Biblioteca Nacional, Paris.
  • Codice Beza (450 DC) Biblioteca de Cambridge
  • Codice Washingtoniano ou Freericano (450-550 DC) Washington, EUA.
Quanto aos apócrifos, como o recente Evangelho de Judas e outros já conhecidos há séculos, o critério de sua exclusão do cânone é simples: incoerência com o volume todo dos livros mais conhecidos e com maiores provas de originalidade. Já leu algum apócrifo? Experimente. Li um evangelho de João apócrifo que ensinava a fazer lavagem intestinal. Quando você lê um apócrifo percebe claramente seu caráter.

Mas o problema não está com os apócrifos, que podem ter sido escritos por pessoas que acreditavam piamente no que escreviam ou eram os ficcionistas de sua época. O problema está com os críticos da Bíblia e isso porque não conseguem entendê-la. Só há um meio de se entender a Bíblia, e não é com a mente natural do homem. É preciso dar download em um "plugin" muito especial, senão não vai funcionar:

(1CO 2:14) "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."

Tudo começa com o recebimento do Espírito Santo quando alguém crê em Cristo como Salvador. Se uma pessoa não crê no Autor da Bíblia, não crerá nela, e vice-versa. Tampouco crerá na vida e obra de Jesus, e muito menos em Seus milagres e Sua ressurreição. A falta de um elemento - a fé e o Espírito Santo - compromete o entendimento em todo o resto.

Se eu dissesse a uma pessoa, há cem anos, que o oxigênio (combustível usado nos foguetes) levanta centenas de toneladas e as leva para o espaço, essa pessoa acreditaria? Ou, há uns mil anos, que carvão, enxofre e salitre (composição da pólvora) teriam o poder de desmontar uma montanha?

Explique a um índio que você consegue levantar toda a aldeia usando o ar que eles respiram. Irá entender? São elementos simples, porém usados hoje em foguetes, bombas e sistemas hidráulicos. Há um barril de conhecimento associado a eles para poderem funcionar. Não queira julgar a fé pela ótica de quem tenta usá-la para ganhar na loteria, ou para fazer um bom negócio. A fé de que a Bíblia fala é aquela que tem Deus virando a manivela nos bastidores.

Alguns têm dificuldade em crer que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Se não for, deve ser rejeitada completamente, pois então não existe um livro mais pernicioso do que aquele que afirme ser a Palavra de Deus e não é. Tem uma Bíblia em sua casa? Se ela não é a Palavra de Deus, tire-a agora mesmo de perto de sua família. É perniciosa. É mentirosa. É vil. Pior que qualquer outra invenção humana, pois está enganando as pessoas. Mas se ela for a Palavra de Deus, renda-se a ela.

Uma referência para você encontrar comentários sobre os apócrifos é o site de um frade católico que pesquisa o assunto em
http://www.bibliaeapocrifos.com.br/

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