O que acha do Evangelho de Judas?

Valendo-me da antiga piada, diria que "não li e não gostei". Novidades sempre nos atraem e não poderia ser diferente com "O Evangelho Segundo Judas", tema que virou capa de revistas e fez alguns mais apressados concluírem que toda a história da fé cristã precisa ser reescrita. Até aqui eu e milhões de outros cristãos aprendemos sobre Jesus, Sua vida e obra, através dos quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os quatro são unânimes em afirmar que Judas foi um traidor, não um mártir que tenha morrido por uma causa que só ele e seu Mestre conheciam até ali.

Tudo o que sabemos de história é o que alguém registrou. Não há como voltar ao passado para constatar se foi assim ou não. Nós nos baseamos em registros que outros deixaram. Podemos, isso sim, contestar os registros quando temos outros mais fidedignos. Temos quatro evangelhos que nos falam de fatos acerca de Jesus, além de um grande número de cartas dos primeiros discípulos. Então aparece um suposto evangelho de Judas e será que devemos desconsiderar todos os outros documentos? Vamos observar um pouco o que já temos, ou seja, os quatro evangelhos.

Mateus escreveu em Aramaico, o idioma hebraico usual da época e restrito aos judeus. Lucas escreveu em grego, a língua universal da época e comum a todo o mundo ocidental de então (era o inglês do momento).

Se descer aos detalhes, verá que Mateus traz um volume enorme de citações das Escrituras do Velho Testamento, bem conhecidas dos Judeus. Há vários acontecimentos narrados "como disse o profeta fulano". Tudo indica que ele estava falando de um Jesus previsto na cultura judaica, e mostrando que esse havia chegado. É insistente também em procurar provar que Jesus é o rei há muito prometido para os judeus.

Mateus revela em Mt 10:4 quem seria o traidor, porém é no Antigo Testamento, mais especificamente no livro de Salmos, que são proféticos e em grande parte revelam os sentimentos de Cristo, que vamos encontrar qual seria o verdadeiro caráter de Judas:

Salmos 55:13: "Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Consultávamos juntos suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus."Salmo 41:9 "Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar".

Oras, se devemos considerar que esse "novo evangelho" supostamente acerca de Judas seja digno de confiança, devemos deixar de lado os outros quatro evangelhos, especialmente o de João, que escreveu usando a mesma expressão "levantar o calcanhar":

João 13:18; "Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar."

Li certa vez de um velhinho que citava a Bíblia para dar respaldo a suas suposições. Só que o que ele citava não era a Bíblia. Inventava pensamentos, colocava em linguagem arcaica, e acrescentava, "Como diz o livro de Ezequiel, capítulo 18, versículo 15..." e saía dizendo seus próprios pensamentos.

Como os ouvintes nunca tinham lido Ezequiel, acabavam caindo. Li um artigo sobre como dar palestras que dizia, de brincadeira, que quando você quiser fazer uma citação, e não se lembrar de quem disse aquilo, diga que foi Benjamin Franklin. Ele disse muita coisa, e é possível que tenha dito aquilo também.

A maioria das pessoas seduzidas por esses novos evangelhos pouco leu a Bíblia ou os quatro evangelhos. Como tudo o que é novo atrai, era de se esperar que a notícia de um manuscrito que se denomina evangelho de Judas atraísse multidões.

O momento também é propício. Existe a febre do Código Da Vinci, com livro e filme atraindo multidões para uma história cheia de erros grosseiros e invenções, mas que levanta um tema digno da imprensa marrom:

"Teria Jesus deixado descendentes?" A resposta é que sim, e eu, pela fé, sou um deles, mas não da maneira como Dan Brown gostaria que fosse. Os canais de documentários se aproveitaram da febre e lançam vários programas colocando em dúvida o que se sabia até aqui ou questionando a fé cristã. Faz parte de uma época para a qual a própria Bíblia já alertava:

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." 1 Tm 4:1; 2 Tm 4:3

Era de se esperar que muitos "cientistas" e "estudiosos" engrossassem as fileiras da crítica à Bíblia, mas é bom entender que geralmente quem critica a Bíblia não conhece seu Autor. Não é possível querer analisar a Bíblia do ponto de vista científico, pois ela nunca foi escrita para ser um compêndio científico. Ela foi escrita para mostrar aos homens o caminho da salvação eterna. Deus quis falar aos homens de coisas mais importantes do que as visíveis, palpáveis e experimentáveis. (2CO 4:18) "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas."

Há quem alegue que é impossível ter certeza dos textos da Bíblia, já que as traduções que hoje temos não foram feitas dos originais, mas de cópias existentes às vezes alguns séculos após a data em que os originais teriam sido escritos. Realmente, hoje não existe um manuscrito original daquilo que conhecemos como os livros que compõem a Bíblia. Apenas cópias segundas, terceiras, décimas, etc. Quanto mais longe a cópia estiver do original, mais sujeita a erros.

Veja, por exemplo, o livro de Isaías que temos hoje no Antigo Testamento da Bíblia que todo o mundo cristão e hebreu utiliza. Ele vem de um manuscrito bem posterior a Isaías, e até a Cristo (Isaías viveu 700 anos antes de Cristo). Porém, entre os manuscritos descobertos em 1947 em uma caverna ao lado do Mar Morto, havia um de Isaías, muitíssimo mais antigo do que o usado para nossas Bíblias. Adivinha? Sim, é idêntico. O cuidado na cópia era tanto, que hoje há manuscritos que trazem uma mancha de tinta na margem, que é repetida nas cópias seguintes.

Geralmente quem diz que a Bíblia que temos hoje foi alterada, não mostra a anterior. Sim, porque para você dizer que algo foi adulterado é preciso ter o original, ou uma cópia anterior. Já viu alguém mostrar isso? Esses defensores da originalidade, que descobriram isso, deveriam trazer a público a cópia mais fiel que certamente possuem, para benefício de todos, não? O grito geral é de que o Vaticano tenha trancado a verdade -- em parte é a tese também do Dan Brown no Código Da Vinci -- em seus cofres e só entregou uma versão de acordo com seus próprios interesses. Dizer isso é não conhecer o volume de material existente por aí, com o qual seria possível publicar uma Bíblia sem precisar usar os manuscritos que se encontram em poder do Vaticano.


Só para você ter uma idéia, veja alguns dos manuscritos mais importantes, fora dos muros de Roma:

  • Manuscrito de John Ryland (ano 130 DC)- Biblioteca John Ryland, Manchester, Inglaterra.
  • Papiro Chester Beatty (200 DC) - Museu C. Beatty, Dublin em sociedade com a Universidade de Michigan
  • Papiro Bodmer II (150-200 DC) - Biblioteca Bodmer de Literatura MundialCodice Sinaitico (350 DC) Museu Britanico
  • Codice Alexandrino (400 DC) Museu Britanico (contem quase toda a Biblia em grego. Escrito no Egito)
  • Codice Efraimico (400 DC) Biblioteca Nacional, Paris.
  • Codice Beza (450 DC) Biblioteca de Cambridge
  • Codice Washingtoniano ou Freericano (450-550 DC) Washington, EUA.
Quanto aos apócrifos, como o recente Evangelho de Judas e outros já conhecidos há séculos, o critério de sua exclusão do cânone é simples: incoerência com o volume todo dos livros mais conhecidos e com maiores provas de originalidade. Já leu algum apócrifo? Experimente. Li um evangelho de João apócrifo que ensinava a fazer lavagem intestinal. Quando você lê um apócrifo percebe claramente seu caráter.

Mas o problema não está com os apócrifos, que podem ter sido escritos por pessoas que acreditavam piamente no que escreviam ou eram os ficcionistas de sua época. O problema está com os críticos da Bíblia e isso porque não conseguem entendê-la. Só há um meio de se entender a Bíblia, e não é com a mente natural do homem. É preciso dar download em um "plugin" muito especial, senão não vai funcionar:

(1CO 2:14) "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."

Tudo começa com o recebimento do Espírito Santo quando alguém crê em Cristo como Salvador. Se uma pessoa não crê no Autor da Bíblia, não crerá nela, e vice-versa. Tampouco crerá na vida e obra de Jesus, e muito menos em Seus milagres e Sua ressurreição. A falta de um elemento - a fé e o Espírito Santo - compromete o entendimento em todo o resto.

Se eu dissesse a uma pessoa, há cem anos, que o oxigênio (combustível usado nos foguetes) levanta centenas de toneladas e as leva para o espaço, essa pessoa acreditaria? Ou, há uns mil anos, que carvão, enxofre e salitre (composição da pólvora) teriam o poder de desmontar uma montanha?

Explique a um índio que você consegue levantar toda a aldeia usando o ar que eles respiram. Irá entender? São elementos simples, porém usados hoje em foguetes, bombas e sistemas hidráulicos. Há um barril de conhecimento associado a eles para poderem funcionar. Não queira julgar a fé pela ótica de quem tenta usá-la para ganhar na loteria, ou para fazer um bom negócio. A fé de que a Bíblia fala é aquela que tem Deus virando a manivela nos bastidores.

Alguns têm dificuldade em crer que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Se não for, deve ser rejeitada completamente, pois então não existe um livro mais pernicioso do que aquele que afirme ser a Palavra de Deus e não é. Tem uma Bíblia em sua casa? Se ela não é a Palavra de Deus, tire-a agora mesmo de perto de sua família. É perniciosa. É mentirosa. É vil. Pior que qualquer outra invenção humana, pois está enganando as pessoas. Mas se ela for a Palavra de Deus, renda-se a ela.

Uma referência para você encontrar comentários sobre os apócrifos é o site de um frade católico que pesquisa o assunto em
http://www.bibliaeapocrifos.com.br/

O que você pensa dos judeus?

O povo que hoje chamamos de "judeus" é, em sua maior parte, descendente das duas últimas tribos de Israel - Judá e Benjamim - que restaram após as outras dez tribos terem sido dispersas entre as nações há vários séculos.

Agora vou deixar você com a pulga atrás da orelha. Você sabia que os israelitas são o pior povo que já existiu? Calma, não sou anti-semita ou coisa do gênero. Aliás, creio que Israel é um povo escolhido por Deus.
Acompanhe meu raciocínio. Em várias partes do Antigo Testamento Deus diz que escolheu o menor de todos os povos, um que nem era povo. Jacó lutou com Deus e saiu mancando. Era um homem teimoso em extremo. Dele vêm as tribos de Israel, com irmãos se degladiando (os irmãos venderam José, lembra?).

Quem lê o Antigo Testamento fica abismado. Como os judeus puderam deixar publicar todos os podres do povo (é, ali não fica nada escondido e é essa uma das provas de que é a Palavra de Deus, não a história dos hebreus, porque história nós alteramos, escondemos os podres).

Voltando ao raciocínio, Deus escolheu o povo mais teimoso, mais complicado, o pior que encontrou, para fazer dele um povo Seu. Por que fez assim? Para que toda a glória ficasse com Deus. Porque se Ele tivesse escolhido um povo nota dez, a glória ficaria com o povo.

Se lembrar da história de Israel, verá que eles sempre se meteram em encrencas enormes e foram milagrosamente libertados. A passagem pelo mar, um Davizinho derrotando um gigante, muralhas caindo... sempre Alguém cuidando de um povo que se comportava como uma criança de dois anos. Agora? Bem, vai continuar complicado e vai complicar mais... O melhor vai ficar para o futuro, mas ainda faltam algumas boas palmadas na criança.

Os palestinos podem brigar o quanto quiserem, mas a terra será dos judeus. Depois dos israelitas, pois as dez tribos perdidas serão achadas (você, que se identificou como judeu, deve ser de Judá ou Benjamim, os judeus de hoje são dessas duas tribos)

Aliás, os palestinos são uma pedra no sapato dos judeus, que desobedeceram a Deus há séculos. Quando deviam ter resolvido o problema dos filisteus como Deus ordenara (estamos falando aqui de outro tempo, outro lugar, portanto não tome isso como uma mentalidade de exterminador), casaram-se com suas mulheres. Os filisteus do passado foram ancestrais dos palestinos do presente.

Há uns dez anos traduzi um livro, "Acontecimentos Proféticos", sobre os acontecimentos do futuro, baseados nos profetas do Antigo Testamento, nos Salmos. O livro traz os mapas da movimentação dos exércitos nas batalhas finais que ainda irão acontecer na Palestina. Os poderes de hoje estão se realinhando da mesma forma como estiveram no passado (Império Romano = Europa Unida).

No final, Israel ficará na terra, Egito será abençoado com Israel e com os Ismaelitas (árabes), Edom desaparecerá (Jordânia), o mesmo com Babilônia (Iraque), embora Pérsia (Irã) permaneça. É interessante conhecer história passada. Porém, mais interessante ainda é conhecer história futura! A Bíblia mostra isso.

É correto dizer que a igreja ensina?

Não creio que seja uma expressão correta, pois a igreja não ensina e nem deveria ensinar, especialmente por ser um tipo da noiva ou esposa de Cristo (1Ti 2:12 "Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio".)

Quando falo de "igreja", refiro-me aos únicos significados que a Bíblia apresenta: o corpo de Cristo, composto por todos os salvos, e a manifestação local deste corpo, onde estão dois ou três reunidos para o nome do Senhor. Em nenhum momento a Bíblia apresenta a igreja como uma organização ou denominação religiosa. Aliás, assim como há um exército brasileiro, representado por quartéis locais (do mesmo exército), existe um corpo de Cristo, representado por manifestações locais que, todavia, jamais deveriam trazer qualquer identificação diversa.

Há um mal entendido quando dizemos que "a igreja me mostrou" ou "a igreja ensina". Isto é um costume que adquirimos com o catolicismo, onde a igreja, como organização, ensina. Na Bíblia, a igreja é a reunião das pessoas, o conjunto, e ela não ensina, mas aprende dos dons (mestres, evangelistas, etc).

Temos a Bíblia, e mais especificamente as cartas que trazem a doutrina dos apóstolos, para nos ensinar como devem ser as reuniões dos santos, e temos os que ministram nessas reuniões, dos quais podemos aprender, sempre conferindo seu ensino com o que a Bíblia diz. A autoridade final é sempre da Palavra de Deus, por mais bonito ou eloquente que possa ser o que alguém prega.

Onde está meu filho que morreu?

Seu filho, que faleceu aos 6 anos, está com Cristo, o que é muitíssimo melhor. (FP 1:23) "Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." (LC 18:16) "Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus."

Quando você diz que preferia ter morrido no lugar dele, você conhece na pele o que é o desejo de morrer para que outro que você ama viva. Foi o que Cristo fez por mim e por você. Você não teve escolha e precisou sofrer ao ver seu filho partir. Mas Jesus teve o poder de ocupar o seu e o meu lugar na morte e no juízo (castigo) que era devido ao pecado. Agora, quem crê nEle tem a vida eterna.

Crianças são automaticamente beneficiadas pelos resultados do sacrifício de Cristo pois não têm consciência de seu pecado. Mas a partir da consciência, precisamos reconhecer e aceitar tal obra para nós. Certamente você irá voltar a ver seu filho, se tão somente crer na obra que outro Pai fez, ao entregar Seu Filho para morrer.

Vejo que ainda está pensando que deve fazer alguma coisa para Deus, algo para merecer a salvação. Acho que você não está se lembrando do que conversamos sobre dádiva. Deus não está pedindo nada a você além de seu coração. Se algum dia leu a história de Caim e Abel, saberá que ambos quiseram oferecer algo a Deus. Caim ofereceu o fruto de seu trabalho, sua colheita da terra que um pouco antes Deus tinha amaldiçoado por causa do pecado. É um tipo do homem querendo oferecer alguma obra para Deus.

Abel ofereceu um cordeiro morto em sacrifício. Nenhum trabalho dele, já que o cordeiro foi criado por Deus e Abel nada mais fez do que derramar seu sangue. Era já uma figura de Cristo, o inocente morrendo no lugar do culpado. Foi a oferta de Abel que agradou a Deus.

Ao longo de toda a Bíblia você encontrará homens tentando oferecer algum trabalho a Deus, mas tudo o que Ele quer é o reconhecimento daquilo que Ele deu: Seu Filho em sacrifício por nós.

Vou lhe dar uma lição de casa. :) Leia o trecho em Gênesis 22 (irá encontrar em sua Bíblia) e veja alguns paralelos: O Pai entregando o Filho, que sobe o monte com a madeira às costas e é imolado (neste caso em princípio, já que um carneiro o substitui). Era já Deus anunciando como seria entregar Seu Filho.

Voltando a falar de obras, (EF 2:8) "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom [dádiva] de Deus." (EF 2:9) "Não vem das obras, para que ninguém se glorie;"

Quando um homem desesperado perguntou o que devia "FAZER", a resposta foi:

(AT 16:30) "E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?"(AT 16:31) "E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa."

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