Devo dar o dízimo?

Creio que devemos interpretar o texto da Palavra de Deus pelo texto da Palavra de Deus. Como? Por exemplo, o "fermento" aparece na própria Palavra, desde o Antigo Testamento, interpretado como pecado, má doutrina, contaminação, etc. Por que podemos chegar a esta conclusão? Porque outros textos da mesma Palavra explicam assim.

O Senhor fez isto com as parábolas. Algumas Ele explicou, mostrando o que cada elemento queria dizer. O mesmo devemos fazer com a profecia. Não creio em interpretações da profecia que tentam ver tanques de guerra, helicópteros e coisas do tipo em, por exemplo, gafanhotos. Isto é usar conceitos externos à Palavra para explicá-la.

Quanto ao dízimo, encontro duas coisas diferentes: Uma doutrina dada a Israel e outra dada à Igreja. Tentei explicar que o dízimo pertencia à economia judaica, havendo uma forma diferente de contribuição na doutrina para a Igreja. O mesmo acontece com o sábado, o qual não foi substituído pelo domingo na doutrina dada à Igreja. Não existe nenhum mandamento quanto ao primeiro dia da semana. Sei da ressurreição, sei da ceia que celebravam no primeiro dia, mas nada especifico como foi o sábado para o judeu. Se devo aceitar o dízimo, então preciso aceitar também o sábado, o templo em Jerusalém, a ordem sacerdotal e muitas outras coisas.

Veja como é bela a ordem dada por Deus para a Igreja. Nada de lei. "Porque se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer TEM, e não segundo o que NÃO TEM" (2 Co 8.12) No judaísmo, não importa se a pessoa tinha ou não, ela devia os 10%. Era a lei. O que o cristão dá vem do coração e não de uma imposição legal. Veja como é bela a ordem dada à igreja, em contraste ao jugo da lei do dizimo. O que o cristão dá é:

Para expressar comunhão com os outros membros do corpo de Cristo (2 Co 8.4)
Para se tornar em algo abundante (2 Co 8.7)
Para demonstrar a realidade do amor cristão (2 Co 8.8,24)
Para imitar nosso Senhor Jesus (2 Co 8.9)
Para ajudar nas necessidades dos outros (2 Co 8.13-15)
Para experimentarmos que Deus também nos dá abundantemente (2 Co 9.8-10)
Para gerar nos outros ações de graças a Deus (2. Co 9.11-15)
Para termos abundante fruto em nossa conta (Fp 4.17)

Encontramos isto no que era exigido de Israel? Talvez você fale de Malaquias 3.10. Oras, a "casa do tesouro" era no Templo em Jerusalém. E Malaquias começa: "Peso da Palavra do Senhor contra ISRAEL". O engraçado é que, quando tratamos de doutrinas especificas para a Igreja, precedidas de "como em todas as igrejas dos santos", logo aparecem pessoas dizendo que aquilo era especificamente para aquela igreja ou para uma determinada época.

Mas quando o assunto é o dízimo em Malaquias, que vem precedido de ordens claras para Israel no Antigo Testamento, ninguém diz que aquilo era especificamente para os judeus e para aquela época, mas logo aparecem explicações dizendo aquilo vale também para a Igreja. Começo achar que existe uma regra utilizada pela maior parte da cristandade hoje para compreendermos as Escrituras: Inverter o que está escrito!

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P.S. Resposta a comentário de leitor:

A primeira vez que o dízimo aparece na Palavra é quando Abraão o dá a Melquisedeque, tipo de Cristo:

"E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo." Gn 14:19, 20.

Atente para um detalhe: Isso foi antes da Lei dada a Moisés e isso foi uma iniciativa própria de Abraão (Deus não ordenou que desse), o que não coloca esta oferta no mesmo nível daquela ordenada na Lei, mas dá a ela um caráter muito semelhante ao que vemos nas epístolas, que é de contribuir segundo o seu coração. Foi o que Abraão fez, foi espontâneo, do coração, já que ninguém ordenou que fizesse. Embora seja 10% do que tinha, não é o mesmo dízimo que você encontra na Lei.

Mesmo assim é importante lembrar que Abraão não faz parte da Igreja, um mistério que só seria revelado a Paulo séculos depois e cuja doutrina (da Igreja) seria também dada por intermédio do mesmo Paulo. Não encontramos a doutrina dada à Igreja em nenhum outro lugar, nem mesmo nos evangelhos, pois ainda era um "mistério" não revelado na ocasião. (leia Efésios 3)

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Respondendo ao anônimo acima, devo concordar que Deus não muda, mas o modo como Ele trata com sua criação muda. Com Adão Deus tratou de um homem no estado de inocência; com a geração após Noé, tratou com pessoas com responsabilidade de se sujeitarem a um governo humano; com Abraão e seus descendentes Deus tratou tendo em vista as promessas feitas a ele; com Moisés e o povo de Israel Deus tratou segundo a Lei que lhes havia dado. Mas com a Igreja Deus trata segundo a dispensação da graça. Deus é o mesmo, mas tem tratado o homem de modos diferentes ao longo do tempo.

A Sua Palavra também não muda e permanece para sempre, mas as pessoas às quais Ele dirige sua Palavra mudam e se, nos Salmos, encontramos calorosos pedidos de vingança contra os inimigos, no Novo Testamento vemos que Deus deseja dos cristãos que amem seus inimigos e orem por eles. Por isso hoje não apedrejamos adúlteros e nem nos guardamos de caminhar uma distância maior do que aquela estabelecida por Deus no Antigo Testamento. O mesmo Deus que cobrou algo de um povo, espera um modo de agir diferente de outro.

A grande confusão em relação ao dízimo é que muitos cristãos ainda não entenderam que Deus tem dois povos, Israel, que foi temporariamente deixado de lado, e Igreja, que é o povo que hoje representa Deus na Terra. Quando a Igreja for arrebatada, Deus voltará a tratar com Israel dentro daquilo que Ele estabeleceu para aquele povo.

É por isso que o Senhor disse aos judeus em Mateus 24, pensando nos judeus após o arrebatamento: "orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado". Os judeus com os quais Deus tratará então darão o dízimo e guardarão o sábado, coisas que não são encontradas na doutrina dos apóstolos dada à Igreja, a qual é encontrada apenas nas epístolas, em especial nas do apóstolo Paulo.

A escola dominical é uma reunião de assembléia ou igreja?

Acho que estamos tendo um problema de conceitos. Você perguntou se as crianças da escola dominical não constituem uma reunião de assembléia ou da igreja. Deixe ver se consigo esclarecer.

Uma reunião de assembléia ou igreja é algo solene. Dois ou três reunidos ao nome do Senhor não são dois ou três irmãos que se encontram na casa de alguém ou no trabalho para falar de Cristo ou ler a Palavra. Se me reúno com a família para lermos a Palavra à noite, se oramos, trocamos idéias, rimos, atendemos ao telefone (sempre toca nessa hora!), não é uma reunião de assembléia, embora existam mais de dois reunidos.

Um exemplo: Dois ou três funcionários de uma empresa estão no corredor tomando cafezinho e resolvendo todos os problemas da empresa, segundo a idéia de cada um. De repente passa alguém e avisa: O presidente da empresa convocou uma reunião de assembléia para daqui a dez minutos. Eles correm, dão uma arrumada na roupa, penteiam o cabelo, pegam os documentos que interessam e entram na sala de reuniões. O presidente dá por iniciada a reunião.

Será que algum daqueles funcionários, que lá fora sabia resolver tudo, abre a boca agora? Não. Eles esperam o presidente dar a palavra. E quando este o faz, o funcionário escolhe muito bem o que vai dizer. Se não tem certeza, não diz. O presidente está dirigindo tudo, existe uma formalidade, existe ata e tudo mais. Todos estão atentos ao que está sendo dito e se estiver em desacordo com os interesses da empresa, o que fala será interrompido.

Entendemos que houve uma mudança da reunião informal no corredor, para uma reunião solene na presença do presidente? Então entendemos a diferença entre bater papo ou estudar alguma passagem, e o momento quando entramos na presença do próprio Senhor, reconhecendo a Sua autoridade no meio, e estando sujeitos a Ele para dirigir tudo por Seu Espírito. Isto é uma reunião de assembléia (igreja).

O Senhor prometeu: "Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ai estou Eu no meio deles" Mt 18.20. Alguns detalhes importantes:

- "ONDE" - Deus estabelece o lugar, não o homem. Foi assim com os Judeus Dt 12.14: "No LUGAR que o Senhor escolher". Foi assim com a ceia. Lc 22.9: "Eles Lhe perguntaram: ONDE queres que a preparemos".

- "ESTIVEREM" - Deus nos traz juntos. Não existe no homem o poder de congregar, a não ser que ofereça algo de interesse comum para atrair.

- "DOIS OU TRÊS" - Isto nos fala de um testemunho perfeito, cf. varias passagens.

- "REUNIDOS" - O "estar reunido" é algo que vai junto. Laranjas não ficam juntas se não existir algo que as reúna, no caso a cesta. Creio que deve ser o Espírito santo "a cesta" a reunir os cristãos, e não alguma doutrina, denominação, costume ou interesses comuns. Hoje se fala de existirem varias denominações diferentes para que cada um ache a que lhe agrada. Seria isto ser dirigido pelo Espírito ou ser guiado pela própria vontade?

- "EM MEU NOME" - Meu filho poderia tirar meu sobrenome do seu, e isto me seria desonroso. Mas não seria menos desonroso ele considerar meu sobrenome suficiente para identificá-lo e decidir acrescentar algo como "da Silva" ou "Pereira" no final. O nome que está acima de todo nome deveria nos bastar, para servir de identificação. Por que não basta? Responda no seu coração. Mas vejo que só existe UM NOME autorizado a identificar uma reunião de cristãos, nenhum mais.

Existe outra coisa ligada ao nome e é a autoridade. Fazermos algo em nome de alguém significa fazermos com a autoridade que essa pessoa nos delegou. E estarmos reunidos em (ou ao) nome do Senhor é estarmos reunidos com a autoridade recebida dEle, e reconhecendo que só Ele é autoridade nessa reunião.

- "AÍ ESTOU EU" - Creio na presença pessoal de Cristo na reunião dos santos. Portanto vou às reuniões não para ver alguém pregar, cantar ou orar, nem mesmo para eu fazer tudo isso, mas vou porque o Senhor está lá no meio. Ele prometeu (crê nisto?). Não posso vê-Lo com os olhos da carne, mas Ele está lá. Ele é o que nos motiva a estar lá. E mesmo que nenhum irmão traga um hino, ninguém ore, ninguém se sinta motivado a trazer uma palavra, o fato de Ele estar lá é o que importa. É suficiente.

- "NO MEIO DELES" - Apos a ressurreição o Senhor se pos no meio dos discípulos. Está Ele no meio? É Ele o centro da reunião? Estão as coisas sendo feitas por Ele e para Ele? Existe liberdade para Ele ministrar por Seu Espírito a quem quiser? Deixo para que você na Palavra de Deus se está, não apenas enxergando isto, mas vivendo isto.

A que vinda de Cristo se refere Mateus 24:27?

Trata-se de sua manifestação publica quando todo olho O verá. Não é o encontro com a noiva, que acontece em caráter privativo como deve ser o encontro com uma noiva. Quando o Senhor subiu, entre nuvens, apenas Seus discípulos O viram. Os anjos disseram que eles O veriam descer do mesmo modo, e creio que Ele virá primeiro para um encontro secreto com os Seus nos ares. A ressurreição do Senhor foi oculta. Somente os panos foram encontrados. Assim creio que nossas roupas serão encontradas, nada mais. Ele apareceu ressurreto apenas aos Seus e creio que nossa ressurreição não será um espetáculo visível ao mundo.

Nossa vinda com Ele em glória, esta sim. Mas para virmos em glória, é preciso antes termos um tempo com Ele. Há coisas que devem ser acertadas como em qualquer encontro. Ficamos muito tempo longe, temos muito para conversar. A questão de nossas obras, muitas delas más, precisam ser resolvidas e tudo isso não será feito na frente de incrédulos.

E digo mais, o encontro do Senhor com o Seu povo terrenal, Israel, também terá um caráter secreto. Embora Ele venha manifestado publicamente, Ele terá um encontro secreto com Seu povo terreno. Isto pode ser visto em tipo em José e seus irmãos. Antes de se manifestar a eles, ele clama: "Fazei sair daqui a todo o varão; e ninguém ficou com ele, quando José se deu a conhecer a seus irmãos" (Gn 45.1).

Não vou entrar em detalhes aqui para não alongar esta mensagem, mas Ele Se encontrará primeiro com Judá e Benjamim, que são hoje os reconhecidos judeus. As outras tribos terão um encontro posterior. Serão elas que perguntarão: "Que feridas são essas nas Tuas mãos?" E Ele responderá: "São as feridas com que fui ferido em casa de meus amigos" (Zc 13.6) Os judeus são os responsáveis diretos pela crucificação. Os outros não estavam lá naquele dia.

Onde ficará Israel, e onde ficará a Igreja no final?

Mesmo que não queiramos admitir que exista um numero determinado de dispensacões ou maneiras de Deus tratar com o homem, é certo que encontramos certas características recorrentes na Palavra, como se fosse um padrão. Você saberá reconhecer que Deus sempre começa uma obra, entrega sua responsabilidade nas mãos dos homens, estes falham, Deus intervém com juízo e libertação e traz algo novo. Pense em um gráfico onde a linha começa lá em cima e depois vai descendo cada vez mais acentuada até chegar na base, então sobe reta até o topo e começa a cair de novo.

A tribulação é o juízo do período em que Deus tratou com a Igreja. A falsa Igreja, sim, esta passará pela tribulação. Trata-se da grande meretriz de Ap17. João, quando a viu, diz "E vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração" Ap 17.6 ("fiquei profundamente admirado" em outra versão). Por que razão João se admirou? Provavelmente porque ele conhecia aquela mulher. O que via era a expressão exterior da Igreja, o testemunho dado aos homens. Aquele que havia vivido numa época em que "havia muitas luzes no cenáculo" (Atos 20.8), se depara com uma grotesca caricatura daquela que deveria ser a Noiva, mas é prostituta.

Apesar de eu haver insistido no fato de que a Igreja sobe no cap. 4.1, a sua expressão exterior -- a cristandade meramente professa -- permanece para receber juízo. A profecia tem sempre a ver com Israel, e isso não muda em Apocalipse. Todavia Apocalipse é um livro escrito para cristãos, portanto apesar de mostrar um pouco do remanescente judeu que passará pela tribulação, o enfoque é colocado sobre a falsa Igreja, a cristandade apóstata. Você não encontra o mesmo nos Salmos ou nos profetas do Antigo Testamento, que tratam especificamente das profecias em relação aos judeus.

Não creio, como alguns, que o Papa seja a besta de Apocalipse, ou que 666 seja algum código escrito no seu chapéu. Acredito que a grande meretriz seja uma união da cristandade, obviamente encabeçada por Roma, com poder religioso. Mas seu poder só irá durar um tempo. Vemos a Mulher (poder religioso/cristandade) montada sobre a besta (poder político), mas depois vemos a besta destruindo a mulher. Termina assim o juízo da cristandade apóstata, a falsa noiva do Cordeiro "Estou assentada como rainha, não sou viúva, e não verei o pranto" (Ap 18.7).

Mas ainda não cheguei no que perguntou. Começa tudo de novo com o Reino milenial de Cristo. Um povo em carne na Terra, outro povo já ressuscitado no céu. Depois dos mil anos sem Satanás, o homem é provado mais uma vez e mostra que não mudou nada. Satanás é solto para provar os habitantes da terra, não do céu, e consegue um grande exercito para combater contra "o arraial dos santos e a cidade amada" Ap 20.9 (Jerusalém terrena). Desce fogo do céu e destrói a todos e Satanás é lançado no lago de fogo.

Creio que aqui acontece o derretimento dos céus e da terra que agora existem. "Os céus são obra das Tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneceras" Sl 102.25,26... "e como um manto os enrolaras, como um vestido se mudarão" (Hb 1.12) "Mas o dia do Senhor (lembra-se de Ts 2?) virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão" (2 Pd 3.10). Aqui termina todo império, potestade e forca e o Senhor entrega o Reino ao Pai (1 Co 15.24).

Provavelmente aqui se encaixe a segunda ressurreição, a "ressurreição da condenação" (Jo 5.29) ou dos ímpios (At 24.15). Todos os que não foram salvos são ressuscitados para serem julgados diante do grande trono branco. Os anjos caídos, que ficaram em cadeias, são tirados do abismo e julgados. "Naquele dia o Senhor visitará os "exércitos do alto na altura" (anjos) e os "reis da terra sobre a terra" (homens)" Is 24.21. A ordem dos eventos parece ser esta, mas não sabemos ao certo quanto aos detalhes. Nós ajudaremos a julgar os anjos (1 Co 6.3).

Agora vem sua pergunta: Onde ficará Israel, e onde ficará a Igreja no final? O Senhor cria novos céus e nova terra onde habita justiça. Hoje a justiça sofre, não a vemos neste mundo. No milênio ela reinará, pois haverá justiça a cada manhã. Mas no estado eterno ela habitará.

Aqui não encontro judeus e igreja. Embora exista uma divisão (céus e terra), creio que estarão perfeitamente associadas. Deus estará habitando com os homens. Ali não existira mais homem ou mulher, governo, dor ou pranto. Tudo será perfeito eternamente. Não haverá mal de nenhuma sorte. Ap 21.1-8 descreve esse tempo. É o "séculos dos séculos" que encontramos nas Escrituras. E aqui vai uma bomba: creio que haverá mais pessoas nesse estado eterno, salvas eternamente, do que no lago de fogo, para que em tudo Cristo tenha a preeminência (Cl 1.18). Antes de fazer qualquer juízo errado, pense nas miríades de crianças que foram salvas por Cristo sem terem mesmo chegado a nascer, ou que morreram antes de poderem compreender que deviam crer. Encontraremos todas elas lá.

Haverá mais de uma ressurreição?

Sim, haverá mais de uma ressurreição, além daquelas que aconteceram nos evangelhos, mas que não eram definitivas. Das que ainda virão, a primeira, em Ap 20.4-6, é a ressurreição da vida (Jo 5.29) e ressurreição do justo (Lc 14.14). É uma ressurreição "de entre os mortos" (Fp 3.11; Cl 1.18 etc. favor ver na Versão Almeida Revisada Fiel), ou seja, mostra que são tirados de entre outros mortos. Isto porque os mortos não ressuscitarão todos ao mesmo tempo, mas uns (os "justos") são tirados de entre os "ímpios".

Mas esta primeira ressurreição vem em 3 partes: Primeiro Cristo, que é "as primícias", ou mostrando como será com os outros. Depois os que são de Cristo na Sua vinda (1 Ts 4.15-18; 1 Co 15.23) e por fim os martirizados durante a tribulação (Ap 14.13).

A segunda ressurreição pode ser chamada de ressurreição para condenação (Jo 5.29) ou dos injustos (At 24.15), ou seja, dos condenados. Vão ressuscitar após os mil anos do reino de Cristo (Ap 20.7,11-15). TODOS os que ressuscitarem nesta ocasião terão que enfrentar o trono branco e serão julgados. TODOS estes serão condenados (Ap 20.11-15). Não lemos nada de salvação para os que ressuscitam nesta parte.

Você faz palestra de espiritualidade na empresa?

Não falo de religião ou fé em minhas palestras de temas empresariais e não faço palestras sobre o tema "Espiritualidade na Empresa". Pelo menos não da forma como o tema é normalmente tratado.

Por que? Eu não conseguiria ser imparcial ou genérico falando de espiritualidade, porque me converti a Jesus em 1978, e as empresas não iriam contratar um palestrante para falar do evangelho.Se mesmo assim você desejar que eu fale de Jesus para sua equipe, terei prazer em fazê-lo como cortesia, sem cobrar honorários, apenas os custos de viagem e hospedagem.

A condição? Não falo em eventos religiosos ou promovidos por denominações, igrejas ou organizações religiosas, porque eu mesmo não pertenço a nenhuma.

Clique aqui para saber o que costumo falar e aqui para verificar disponibilidade em minha agenda. Se quiser entender melhor minha posição sobre o assunto, leia o texto abaixo.

Espiritualidade na empresa


Recebi mais um e-mail perguntando. Este é um assunto em voga nos meios empresariais e, comercialmente falando, seria lucrativo colocá-lo em minha "cesta de produtos". Devo? A resposta é não, pelo menos da forma como o assunto costuma ser tratado pela maioria.

Alguns colegas costumam me indicar como palestrante do tema, provavelmente por saberem que sou leitor assíduo da Bíblia e que passei por uma experiência marcante de conversão há quase trinta anos. Outra razão é por manter, desde 1997, um site bilíngüe sobre temas bíblicos que recebe mais de 50 mil visitantes mensais.

Um currículo assim me qualificaria para dar palestras sobre espiritualidade na empresa? Ao contrário. Minha convicção na Bíblia é tamanha que dificilmente conseguiria ser imparcial se falasse sobre vida espiritual. Afinal, "a boca fala daquilo que está cheio o coração" Lc 6:45. E como aquilo que as empresas buscam como "espiritualidade" não é uma convicção, mas um genérico sem marca, um cristão convertido e convicto não é o mais indicado para a tarefa.
Deus, a quem chamo de Pai, e Jesus, por meio de quem cheguei ao Pai, são realidades por demais atuantes em minha vida para eu reduzi-las ao mínimo denominador comum do "espiritualmente correto". Seria obrigado a diluir minhas convicções para evitar ferir os sentimentos de pessoas com diferentes crenças.

O cliente não iria querer pagar para ouvir sobre minha fé cristã ou me contratar para pregar o evangelho no meio de uma palestra ou seminário. É por isso que separo muito bem o assunto e evito falar nisso durante minhas palestras, pois não foi para isso que fui contratado. E se o cliente especificamente buscasse alguém para falar de coisas espirituais, provavelmente iria preferir algo mais genérico, intelectual e racional, o que é impossível de ser feito com a fé cristã. Esta só se apreende espiritualmente, como escreveu o apóstolo Paulo, "o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." 1 Co 2:14

Por esta razão procuro deixar bem clara a linha que separa fé pessoal e trabalho. A primeira tem implicações e conseqüências eternas. O segundo, só dura uma vida, ou nem isso. Esta mesma convicção também me leva a não fazer palestras, mesmo que seja para falar de negócios, em eventos promovidos por igrejas ou organizações religiosas, ou a participar de entrevistas em programas ou publicações de caráter religioso. A imensa salada de crenças em que o mundo religioso se transformou tornou impossível analisar cada situação para eu ter certeza de não estar ajudando a promover algo que contrarie minhas convicções.

Outra razão desse meu cuidado, que pode até parecer exagerado para alguns, é que existe hoje uma linha religiosa voltada para a prosperidade que agrada bastante alguns segmentos empresariais. Uma nova leva de gurus e curandeiros modernos propaga essa corrente em "congressos" travestidos de "empresariais" que se propõem a ajudar as pessoas a tirarem o pé da lama e viver prosperamente, com direito a carro importado, título de "empresário" e uma cornucópia de benesses de dar água na boca. Um prometido céu virtual num mundo de desigualdades e problemas reais.

Por mais sedutores que sejam esses apelos, a doutrina do Novo Testamento não diz nada a respeito. Ali diz que ter o suficiente para comer e vestir já pode ser motivo de contentamento. Por isso desconfio de quem faz uso da Bíblia como um livro mágico de prosperidade terrena, já que o Homem mais espiritual que já pisou neste mundo não tinha onde reclinar a cabeça, viajava em barcos ou jumentos emprestados e em seu inventário não sobrou mais que suas vestes e uma única túnica. E quem fez dEle fonte de lucro não se deu bem no final da história. Afinal, que valor têm 30 moedas de prata?

Como já deve ter percebido, considero espiritualidade um tema tão importante que "caminho sobre ovos" quando o assunto vem à tona e não desejo transformá-lo em mais um produto de minha vitrine. Falo de comunicação, marketing, negociação, vendas, empreendedorismo, administração do tempo, qualidade de vida no trabalho, gestão de carreira etc., mas não de religião. É claro que, em particular, tenho imenso prazer em conversar sobre o assunto. É uma questão de princípios, não aqueles pasteurizados pelos compêndios acadêmicos, mas de convicções profundamente arraigadas em meu coração.

Procuro conversar com quem solicita o tema, pois às vezes existe alguma confusão quanto ao termo "espiritualidade". Alguns chamam de "espiritualidade" na empresa uma mudança de atitude com a adoção de princípios como amar os colegas, respeitar a diversidade, viver em harmonia com o ambiente e coisas do tipo. Mas isso não é espiritualidade, embora sejam estes princípios existentes em muitas crenças. Muitos céticos, que não acreditam em qualquer esfera espiritual, vivem e praticam muito bem esses princípios que poderiam ser resumidos como princípios éticos, de boa educação, honestidade, integridade e cidadania.

Quem pode ser chamado de "bispo"?

É importante discernirmos a evolução da apostasia que tem tomado conta do testemunho cristão. Em nenhum lugar do livro sagrado encontramos algum bispo (no singular) liderando ou exercendo domínio sobre uma congregação ou igreja.

No livro de Atos 20:28 Paulo chama os bispos sem nem mesmo fazer referência a terem sido escolhidos pela igreja daquela localidade (de Éfeso). Ele diz que foram escolhidos pelo Espírito Santo (At 20:28). Paulo diz isso antes de entregá-los a Deus e à Palavra (vers. 32) quando viessem tempos de lobos (incrédulos) tentando destruir o rebanho e de crentes (sectários) tentando arrastar discípulos após si. Este é o germe da divisão: compartimentarão dos crentes em torno de um ou mais homens.

É importante notar que os bispos (e em nenhum lugar na Bíblia encontramos "bispas") eram cargos de responsabilidade (sempre mais de um, sempre no plural) e pastores eram dons. Um não tinha que ser necessariamente revestido do outro. Os bispos (sempre no plural, como em Filipenses 1:1) estavam sujeitos a certas condições para poderem exercer seu oficio (não dom), como serem casados com uma só mulher, etc. Os bispos (sempre no plural) tinham sua atuação local. Mesmo tendo sido chamados a Mileto (At 20:17), eles eram bispos ou anciãos de Éfeso.

O pastor é um dom (como evangelista e doutor) dado à igreja. Um pastor não está limitado a uma igreja local. Seu ministério é correr atrás e visitar as ovelhas para curar, consolar, etc e não exatamente ficar atrás de um púlpito como a versão moderna do termo usado nas religiões tenta nos fazer acreditar.

Já o evangelista tem seu campo no mundo, entre os incrédulos, para buscar almas para Cristo, consciente que seu trabalho é entre os que ainda não crêem, proporcionando a "água" da Palavra nescessária ao renascer, ou nascer de novo ou do alto, de uma alma. O doutor (ou "mestre") tem seu campo na igreja como um todo para ensinar. Os anciãos ou bispos nem precisavam pregar. Eram zeladores do rebanho local. Pelo menos é o que encontro na Palavra de Deus. O que não estiver lá é invenção humana.

A atuação dos dons dados à Igreja como um todo fica muito clara em Atos 11:19s

  1. O Evangelista leva o Evangelho aos incrédulos: "E havia entre eles alguns varões... os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos anunciando o Senhor Jesus... e grande numero creu e se converteu ao Senhor" vers. 20,21
  2. O Pastor reúne as ovelhas e as anima: "Barnabé... quando chegou... exortou a todos a que permanecessem no Senhor com propósito de coração" vers. 23.
  3. O Doutor ou Mestre traz o ensino: "E partiu Barnabé... a buscar Saulo... e sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente" vers. 26.

Aqui vemos um dom reconhecendo sua limitação e buscando outro que o complete. Juntos eles ensinam e exortam os novos convertidos.

Além desses dons e ofícios, ainda existiam, apóstolos e profetas, utilizados para o alicerce da casa, do qual Cristo era a pedra angular. Na época os cristãos não tinham a Palavra de Deus como a temos hoje. A revelação era direta, como vemos Ágabo ou os Apóstolos fazendo. Como ninguém poderia naquela época convidar os irmãos a abrirem o Novo Testamento em tal livro, capítulo e versículo, porque isso ainda não existia, Deus usava esses dons -- apóstolos e profetas -- para trazer a Palavra diretamente de Deus. No sentido em que os encontramos no Novo Testamento eles já não existem. (sobre profetas, leia mais aqui).

À medida que a apostasia (desvio da Palavra de Deus) cresce, vamos vendo um número cada vez maior de "bispos" que se elegem a si mesmo como tais, fundam "igrejas" e organizações sobre as quais exercem poder absoluto. Isso acontece hoje no chamado meio evangélico assim como aconteceu no passado no catolicismo, que hoje segue o chamado "bispo de Roma", ou papa. No santo livro o bispo não aparece de modo algum na forma como é visto hoje na grande casa em que se transformou a cristandade, onde há vasos de honra e vasos de desonra.


Como saber se um "apóstolo" é genuíno?

Fico espantado de ver quantos cristãos hoje defendem posições, títulos ou idéias que nada mais são do que tradições que os próprios homens criaram. A idéia de um Papa é uma delas, outra é a de homens com poderes especiais para servirem de intermediários entre Deus e os homens, sejam eles católicos ou protestantes. O certo seria não perdermos tempo e energia tentando proteger e manter o "status quo" da cristandade que vemos ao nosso redor... a menos que tivéssemos algum interesse escuso nisso.

Muito do que vemos na cristandade ao nosso redor foi edificado sobre idéias humanas e não passam de tradições de homens. Aliás, a maioria dos erros na cristandade se apóiam nestes pontos: Tradição, Direção Humana e Sabedoria Humana. Quer saber o que penso sinceramente? É muita pretensão alguém adotar para si o título de apóstolo. Por que? Oras, porque na Bíblia encontro algumas condições ou características para alguém ter sido um apóstolo:
  • Viu o Senhor. 1 Co 9.1; 2 Co 12.22.
  • Foi escolhido e enviado pelo Senhor Lc 6.13; Jo 6.70; At 9.15; 22.213.
  • Testemunhou Sua ressurreição At 1.22; 1 Co 15.8,15
  • Lançaram e formaram o alicerce da Igreja, da qual Jesus é a Pedra angular 1 Co 3.10; Ef 2.20

  • Qualquer pessoa que não cumpra tais requisitos não é um apóstolo; é um impostor. Ap 2.2; 2 Co 11.13-15; 2 Tm 3.13

    Enquanto não entendermos que os sistemas ou "igrejas" criadas pelo homem (e que, por conseguinte, exaltam o homem) estão em franca desobediência à Palavra de Deus, deixaremos de entender e desfrutar de muitas outras coisas que o Senhor nos quer ensinar.

    Não me refiro aqui à fé pessoal de cada um dentro desses sistemas ou "igrejas", sejam seus reverendos, pastores, missionários ou, como estes gostam de chamar os demais, "membros" (leigos). Muitos são cristãos piedosos que renasceram de Deus e para Deus, mas que podem estar enganados acreditando firmemente que estão ali agradando o Senhor. Somente Ele poderá julgar seus corações, eu não.

    Mas quanto a mim, quando encontro coisas tão contraditórias ao ensino simples das Escrituras, passo a ser responsável por julgar, não as pessoas, mas suas práticas, ensinos, doutrinas etc., e me apartar de toda iniqüidade que possa identificar e me reunir fora do sistema, "com os que, com um coração puro, invocam o Senhor" (2 Tm 2.22)

    Como saber se uma igreja reconhece o senhorio de Cristo?

    Atuar sob o senhorio de Cristo é funcionar sob as diretrizes que Ele, como Senhor, estabeleceu. E creio sinceramente que nos desviamos, e muito, da simplicidade que encontramos na Palavra de Deus. O que aconteceu com o cristianismo é o que acontece com muitas coisas com o passar do tempo: afastou-se do projeto original. As coisas se corrompem com o tempo e podem acabar se transformando exatamente no contrário daquilo que eram no princípio.

    Alguns exemplos? Se quiser saber se o lugar onde você se congrega reconhece o senhorio de Cristo (ou mantém uma prática corrompida do que foi no original), sugiro que faça a si mesmo algumas perguntas e peça para o Senhor abrir seus olhos para enxergar claramente as respostas (estas perguntas eu traduzi e adaptei do livro "God's Order for Christians Meeting Together for Worship and Ministry", por Bruce Anstey):

    • Com que autoridade bíblica "denominamos" assembléias de cristãos, chamando-as de "igrejas"? (Sei que você entende que os únicos nomes dados no NT eram de cidades ou localidades). As divisões são claramente combatidas no NT. (1 Co 1:10, 3:3, 11:18-19)
    • Com que autoridade bíblica "escolhemos" estes nomes (ex. batista, presbiteriano, pentecostal, etc)? Na Bíblia, os seguidores de Cristo eram chamados simplesmente de cristãos (pelos de fora) ou "irmãos" por si próprios e pelo Senhor. (Mt 18:20)
    • Com que autoridade bíblica colocamos nomes de homens nestes grupos (Martinho Lutero - Luterana, John Wesley - Wesleyana, Menno Simons - Menonita etc.)? (1 Co 1:12-13, 3:3-9)
    • Com que autoridade bíblica estabelecemos essas igrejas segundo diferenças nacionais? (ex. Igreja Grega Ortodoxa, Igreja Cristo Pentecostal do Brasil etc.) Não existem distinções nacionais na igreja de Deus na Bíblia. (Cl 3:11)
    • Com que autoridade decoramos os lugares de adoração como se fosse o tabernáculo ou o templo do Antigo Testamento, com altar, objetos de ouro e prata, além de elementos arquitetônicos pagãos como torres?
    • Com que autoridade bíblica chamamos edifícios de "igrejas" quando esta palavra (eclesia) significa simplesmente reunião ou ajuntamento de pessoas? (At 11:22, 15:14, 20:28, Rm 16:5, 1 Co 1:2, Ef 5:25)
    • Com que autoridade bíblica chamamos esses edifícios de "templos" quando sabemos que Deus só reconheceu o templo de Jerusalém, e hoje o templo somos nós, pessoas, individual e coletivamente? (2 Co 6:16-17)
    • Com que autoridade bíblica temos cultos de adoração previamente ensaiados, ate mesmo com programas impressos, se encontramos em 1 Co 14 total liberdade do Espírito para escolher a quem Ele quer para o que Ele determinar?
    • Que autoridade bíblica (lembre-se, estamos no NT.) temos para ter o louvor efetuado por um coral, e não por toda a congregação, e para a introdução de bandas, conjuntos, cantores profissionais fazendo da reunião mais um espetáculo para a platéia? (At 17:24, 25)
    • Que autoridade bíblica temos para designar vestes especiais para os que cantam, para os que pregam, etc.?
    • Que autoridade bíblia temos para fazer orações decoradas, impressas ou ditadas? (Mt 6:6-8, Tg 5:16, Sl 62:8)
    • Que autoridade bíblica temos para as irmãs participarem das orações com a cabeça descoberta? (1 Co 11:1-16)
    • Que autoridade bíblica temos para mulheres falarem nas reuniões da igreja? (1 Co 14:37)
    • Que autoridade bíblica temos para reuniões dirigidas por um só homem? (Fp 3:3, Jo 4:24, 16:13-15)
    • Que autoridade bíblica temos para homens ordenarem homens, e se temos, por quem foram os primeiros ordenados? (Ef 4:11)
    • Que autoridade bíblica temos para denominar pessoas como "Reverendo", "Pastor", "Presbítero" nos mesmos moldes do "Dr." que usamos hoje, ou seja, transformar dons ou ofícios em títulos honoríficos como "Reverendo" ou "Padre"? (Na Bíblia inglesa versão King James encontro: "Reverend is His name" Salmo 111:9 e em Mateus 23:8-10 o Senhor ensinou a não chamar alguém de "Pai" (ou "Padre") no sentido religioso, além de Deus).
    • Que autoridade bíblica temos para designar um pastor para uma assembléia local quando o dom de pastor é um dom dado universalmente à Igreja? (Ef 4:11)
    • Que autoridade bíblica temos para, como Igreja, observar dias "santos" ou especiais, como páscoa, natal, sexta-feira santa, dias de "santos", etc.? (Gl 4:10, Cl 2:16)
    • Que autoridade bíblica temos, na doutrina dada à Igreja (as epístolas), para a prática do dízimo? (Lv 27:32, 34, Nm 18:21-24)
    • Que autoridade bíblica temos para solicitar contribuições de visitantes e pessoas não salvas? (3 Jo 7)
    • Que autoridade bíblica temos para instituir diplomas e certificados de pastores, ou mesmo dar títulos como "D.D. - Doutor em Divindade" a irmãos que deveriam ser iguais aos outros? (Jó 32:21-22, Mt 23:7-12)
    • Que autoridade bíblica temos para considerar a Igreja como uma instituição que ensina. Costumamos ouvir "Nossa Igreja ensina isto ou aquilo"? (At 11:26, Rm 12:7, Ap 2:7, 11, 17, 29, 3:6, 13, 22, 1 Ts 5:27)

    Talvez você ou as pessoas com as quais se reúne não se enquadrem em nenhuma destas características, mas acaso não é isto o que encontramos na Cristandade como um todo? E será que com tudo isso podemos nos gabar de estarmos fazendo as coisas com a autoridade da Palavra de Deus? Será que estamos reconhecendo o Senhorio de Cristo nestas coisas, buscando na Sua Palavra os detalhes para cada proceder?

    Prosperidade: Não sou filha legítima de Deus?

    Este é um dos e-mails tristes que costumo receber, vindos de pessoas que descobriram que foram iludidas por lobos em pele de cordeiro:

    Gostaria de saber o que você pensa acerca do que está escrito em João 10:10, pois a teologia da prosperidade tem tentado me ensinar que eu, para me sentir filha de DEUS, e que ELE me ame, tenho de ter uma vida próspera. Se ainda não a tenho, é porque não sou filha legítima do meu DEUS. O que você tem a me dizer? (João 10:10 - "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância".)

    Vejo que você foi vítima dos lobos vestidos de ovelhas, ou pior ainda, de pastores, que vivem por aí desafiando a Deus. O Senhor Jesus falou de pessoas que profetizariam em Seu nome, fariam milagres em Seu nome, expulsariam demônios em Seu nome, mas dos quais Ele diria: "Nunca vos conheci" (Mt. 7:23). Quem seriam essas pessoas?

    Certamente não seriam ateus, espíritas, muçulmanos, budistas ou coisa do tipo. São pessoas que usam o nome do Senhor Jesus para seu próprio proveito. E a melhor isca para atrair multidões é dizer que ficarão ricas, o que de certa forma é coerente com o próprio modo de vida que levam. Afinal, esses pastores ficaram ricos, não ficaram? Então a maioria das pessoas os seguem cegamente pensando: "Vai funcionar comigo também".

    Historicamente a doutrina da prosperidade teve início nos Estados Unidos como uma decorrência do enriquecimento dos pastores e pregadores de lá. Com a evidente evolução de seu padrão de vida graças ao crescimento do número de fiéis, a antiga teologia fundamentalista de simplicidade e contentamento pregada por décadas passou a criar um problema de imagem. Alguma coisa precisava ser mudada e fazer crer que a fidelidade a Deus enriquecia financeiramente foi o melhor argumento. A partir de então, pastores prósperos eram sinônimo de fidelidade e comunhão com Deus e isso atraía mais gente que os tornava ainda mais prósperos.

    A vida em abundância que o Senhor promete é a própria vida dEle naqueles que crêem. Não é vida com abundância de bens. Não consigo entender como o diabo consegue cegar tantas pessoas nos dias de hoje, que estão buscando a Cristo como um talismã de boa sorte, e não como Salvador de pecadores. É muito fácil desmascarar essa doutrina.

    O Senhor Jesus foi rico? Não, não tinha onde reclinar a cabeça, e os poucos pertences que tinha foram divididos pelos soldados. Os apóstolos foram ricos e saudáveis? Não, viviam presos, perseguidos, precisando se ajudar uns aos outros, e até doentes. Então com base em quê todas essas promessas de prosperidade? Com base no Antigo Testamento, quando Deus fez promessas terrenas a um povo que nunca recebeu promessas celestiais: a eles foi prometido terra, colheitas, saúde, filhos etc, tudo em abundância, mesmo porque a perspectiva que tinham era de morar na terra prometida, Israel.

    O que foi prometido ao cristão enquanto é peregrino neste mundo? O céu. E aqui no mundo? "No mundo tereis tribulações" João 16:33. Mas e quanto a bens materiais, devo me contentar com o que Deus me deu até aqui? "Tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes". 1 Timóteo 6:8 Seria pedir muito que aceitássemos este conselho como sendo a mais pura Palavra de Deus?

    Não se deixe levar pelo engano do diabo que quer colocar nossos olhos neste mundo, e não no céu. Colossenses diz para pensarmos nas coisas que são do alto: "Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra", Colossenses 3:2. Timóteo diz que os que querem ficar ricos caem em engano: "Os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição" I Timóteo 6:9. Obviamente há cristãos ricos porque Deus quis assim, mas não deve ser este o sonho ou a meta de um cristão. A mensagem da Palavra de Deus é clara demais, mas é a concupiscência de nosso coração que não quer enxergar isso.

    Aceite a simplicidade de que o Senhor Jesus veio ao mundo para salvar você de seus pecados e do juízo. Não veio aqui para lhe dar uma empresa, casa em Miami, fazendas e meia dúzia de carros importados. Se aqui estiver tudo 100%, você iria querer se mudar para o céu? É claro que não. Iria querer ficar no mundo, no mesmo mundo onde o Senhor foi crucificado, o mesmo mundo que terá tudo queimado com fogo no final.

    Ainda que o SENHOR CRISTO JESUS seja, verdadeiramente, o meu Pastor, eu sou uma pessoa muito competitiva, mas sem visão alguma, e por isso, estou sem qualquer sinal de prosperidade em minha vida. O que acho uma tremenda incongruência.

    Que tal olhar para Cristo e não para sua vida? Existe uma doutrina, chamada do Domínio, que acredita que a Igreja seja a substituição de Israel. Tal doutrina leva a crer que as bênçãos do Antigo Testamento, dadas aos judeus, seriam agora para a Igreja que teria ocupado seu lugar. Trata-se de uma usurpação e uma tentativa de se fundamentar a doutrina da prosperidade material para o cristão.

    O judeu continua no coração de Deus e um remanescente judeu será restaurado na tribulação. Aliás, muito do que encontramos nos Salmos nos fala desse remanescente e de seus exercícios. Principalmente do 42 ao 49, 79 ao 87. Hoje o judeu convertido a Cristo faz parte da Igreja. Não é mais, aos olhos de Deus, judeu.

    Houve uma época quando havia na terra só gentios. Depois você encontrava gentios e judeus. Hoje há gentios, judeus e Igreja (1 Co 10.32). Logo (talvez hoje!) a Igreja será tirada e ficarão gentios e judeus, continuando assim no Milênio. Então virá o estado eterno, quando Deus terá só um povo. Então o tabernáculo (a presença) de Deus habitará com os homens.

    Veja por exemplo 2 Timóteo, a ultima carta de Paulo, que trata dos últimos dias (1 Timóteo fala dos últimos tempos - 1 Tm 4:1), ou seja, quando não falta mais nada e o Senhor está à porta. O cap. 3 fala da degradação do testemunho cristão (ali não são pagãos os homens amantes de si mesmos, mas cristãos professos). Eles levam cativas mulheres néscias, "levadas de varias concupiscências" (desejos ardentes por coisas diversas). Seriam pessoas que querem ter tudo?

    Esses lobos que pregam prosperidade material e cura física, inventando sabonetes santos, águas bentas do rio Jordão, azeites de Israel, portais disso, fogueiras daquilo e outras coisas, enchem suas igrejas com a sua contraparte: pessoas levadas pelas mesmas concupiscências das coisas materiais que eles prometem. Trata-se, a meu ver, de um acordo de ambas as partes.

    Você promete o que eu quero e eu pago para ouvir essas promessas esperando ser sorteado com a benção, desde que mantenha suas contribuições em dia. Obviamente não são todos, mas a grande maioria não está ali em busca de salvação eterna, mas de conforto temporal. Uns enganam deliberadamente e outros são deliberadamente enganados. E todo mundo sai feliz. Menos alguns que, como você, saem cheios de dúvidas.

    Portanto não é o verdadeiro evangelho que corre nesses lugares, mas a promessa de suprir as concupiscências que todos os homens têm de uma vida confortável neste mundo. Se eu gritar na praça "QUEM QUER FICAR RICO?", quantas pessoas acha que virão me ouvir? O uso da Bíblia nesses lugares dá apenas o toque de legitimidade para aplacar as consciências. Naquele dia o Senhor dirá, tanto dos que guiam assim, como dos que são guiados: "Nunca vos conheci". É triste, mas é a realidade.

    O fato de alguém se converter, de se tornar crente no Evangelho, não significa que tenha de ficar bobo e jogar fora seu desconfiômetro. Ninguém deve aceitar como vindo de Deus tudo o que tem o selo "evangélico". A Palavra de Deus é nosso parâmetro sempre e nela estamos seguros. É claro que existe outro elemento aí, que é o terrorismo praticado por alguns desses líderes, que fazem ameaças de danação eterna a qualquer um que duvide do que prometem ou abandone suas "igrejas". Para isso apelam a passagens do tipo "Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas". Hebreus 13:17. Bem, digamos que há aqueles que velam pelas almas... Mas e os lobos declarados?

    "Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão rebanho... Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores... amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder... sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade... estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Afasta- te também desses... Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas". Mateus 10:16Atos 20:29 Mateus 7:15 2 Timóteo 3:2-5

    O Evangelho da prosperidade que pregam não é o que encontro na Palavra de Deus. O verdadeiro evangelho precisa dar a solução para o pecado, não para a conta bancaria, a falência da empresa, o cônjuge abandonado ou a pressão alta. O verdadeiro evangelho precisa ter morte, sangue e ressurreição. O que apela para as necessidades naturais do ser humano -- concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida -- é um falso evangelho dirigido ao ventre.

    "O EVANGELHO que vos tenho anunciado... pelo qual tambem sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se nao e' que crestes em vao. Porque primeiramente vos entreguei o que tambem recebi: QUE CRISTO MORREU POR NOSSOS PECADOS, segundo as escrituras, E QUE FOI SEPULTADO, E QUE RESSUSCITOU ao terceiro dia, segundo as Escrituras." 1 Co 15:1-3

    Agora, cá entre nós, será que não somos capazes de detectar um vigarista quando encontramos um? As roupas, as palavras, o tom da voz, as promessas, a sedução... Se não estivermos hipnotizados pela ganância, certamente conseguiremos. E é aí que mora o perigo: embora salvo, o cristão ainta carrega em si sua carne, sua velha natureza, e ela sempre dá ouvidos às coisas que apelam para suas concupiscências. Prosperidade material é uma delas.
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