A Bíblia tem resposta para tudo?

Não, você não encontrará todas as respostas na Bíblia. Por exemplo, se quiser saber como instalar o Windows em seu computador, é melhor ir procurar em outro lugar. Mas se quiser saber qual a vontade de Deus para você, então deve procurar na Bíblia.

O problema é que às vezes não estamos procurando uma resposta na Bíblia, mas sim a resposta positiva para algum pensamento ou prática que não queremos deixar. Recebo vários comentários e e-mails dos leitores deste blog, mas mantenho um diálogo até o momento em que meu interlocutor se mostra satisfeito com as respostas que aponto para ele na Bíblia ou quando vejo que não é isso que ele procura.

Obviamente a Palavra de Deus não é um livro de curiosidades, mas de Verdade e se alguém deseja realmente conhecer a Verdade mostrará disposição para isso. Quando alguém se mostra deliberadamente contrário à vontade de Deus, então sua procura por respostas passa a ser mais uma curiosidade do que uma necessidade real.

Certa vez uma pessoa me disse que sabia que aquilo que tinha encontrado na Bíblia era a Verdade, mas não era "essa" Verdade que ela queria encontrar. Entendi logo que seu prazer não estava na procura, não na Pessoa de Cristo.

A Bíblia tem todas as respostas que precisamos para sermos salvos e termos uma vida de comunhão com Deus. Obviamente nem todas elas nos agradarão, e se alguém começa desde o início selecionando o que lhe agrada e descartando o que não lhe agrada, então está se julgando mais sábio do que Deus, pois está fazendo uma revisão da Sua Palavra.

"Se alguém QUISER fazer a vontade dEle, CONHECERÁ a respeito da doutrina" (João 7.17). A ordem é sempre esta, e não o inverso. A um coração desejoso de fazer a Sua vontade, o Senhor mostrará que vontade é essa. Ou seja, a resposta dependerá primeiro de uma disposição para aceitar e fazer a vontade de Deus, doutra sorte a Bíblia parecerá sempre um mistério incompreensível.

“Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor. Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos. Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:12, 15-17)

É possível ter certeza de ir para o ceu?

É frequente eu receber cartas de pessoas que parecem não desfrutar de uma segurança firme com respeito à sua salvação. Se este for o seu caso, saiba que tal situação persistirá enquanto você estiver associando salvação com bem‑estar emocional.

A salvação não é apenas uma solução para nossas angústias e tristezas. A salvação que Deus nos dá através de Cristo é a solução definitiva para a questão do pecado, que nos separa de Deus. Como pecadores, merecemos a condenação, a menos que aceitemos a Cristo como Salvador. É só então que estaremos totalmente seguros de nosso destino eterno, que será junto a Deus, no céu.

A certeza dessa salvação é que irá proporcionar descanso e paz aos nossos corações. Mas a paz em nossos corações será apenas um fruto da paz que temos com Deus, quando passamos da posição de inimigos para a de filhos amados, co‑herdeiros com Cristo de todas as bênçãos celestiais.

Muitos pensam ser impossível termos, agora mesmo, a certeza da salvação eterna e de um destino assegurado no céu. No entanto, aquele que verdadeiramente crê em Cristo pode ter com suas, agora mesmo, todas as promessas da vida vindoura.

Para entender uma tal salvação, imagine que você foi vítima de um naufrágio, e se encontra no meio do oceano, sózinho na escuridão, tentando nadar para sobreviver. Suas forças começam a se acabar e aos poucos você percebe que está prestes a morrer, sem esperança de ser encontrado. De repente você ouve alguém gritar: "Segure a corda!" Em meio à escuridão você não vê ninguém, mas percebe que há uma corda ao seu lado. Você a agarra desesperadamente e em poucos minutos encontra‑se são e salvo em um grande e seguro navio, a caminho do porto. A hora que você se vê no navio, é bem provável que não duvidará mais da sua salvação. Você estava perecendo no mar escuro e agora está em um seguro navio, com comida e sob cuidados médicos.

Assim é a salvação de nossa alma. Todos nós somos pecadores, imersos na escuridão e afundando lentamente em direção ao lago de fogo, com um destino de horrível separação de Deus. De repente alguém diz: "Crê no Senhor Jesus e serás salva!" (Atos 16:31). Sabendo que não tem forças para se salvar a si próprio, você se segura em Cristo, crendo que Ele morreu na cruz para pagar o seu pecado. Imediatamente você recebe de Deus o perdão de todos os seus pecados, pois "o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (I João 1:7), e recebe a promessa de que está livre do juízo de Deus, pois "quem crê nele não é condenado" (João 3:18). Você poderá crer que já está salvo, se assim fizer?

É claro que sim! Pois embora continue neste mundo, terá a promessa de Deus, contida na Sua Palavra que é a Bíblia, de que está salvo do juízo, porque Cristo foi julgado e castigado no seu lugar. Assim como você estaria salvo no navio, mesmo estando ele no mar, você pode estar salvo em Cristo, mesmo que ainda esteja neste mundo.

Quando cremos em Cristo, ficamos livres do juízo e da condenação que cairá sobre o pecador. Então será horrível, pois não haverá chance de ser salvo. A Bíblia fala, em Apocalipse 20:15 que "aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo". Para ter seu nome escrito no livro da vida, é necessário que você creia em Cristo enquanto ainda vive neste mundo. Com a morte, ou com a vinda de Cristo, acabam‑se todas as chances de salvação.

O que significa "ir para o ceu"?

Evidentemente não encontro uma afirmação do tipo "ir para o céu", mas encontro, a respeito dos que estão salvos, daqueles que crêem em Cristo, que: "a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas" (Fp. 3:20,21), e encontro também que os que creem serão "arrebatados... a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (Tess. 4:17).

Encontro também que o crente já está, posicionalmente falando, assentado nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef. 2:6), sendo "concidadãos dos Santos" (habitantes da mesma cidade) (Ef. 2:19). Cristo foi preparar um lugar para os Seus, para que estejam onde Ele estiver (Jo. 14:1‑3), e Ele está no céu. (Jo. 17:24).

Na Bíblia é bem evidente que a esperança do cristão é celestial, nunca terrenal como acontecia com os santos do Antigo Testamento. No Antigo Testamento, quando o povo escolhido por Deus era Israel, todas as promessas são terrenas: abundância de colheitas, paz terrena, etc. No Novo Testamento, as promessas são celestiais. Aqui importa que o crente em Cristo sofra tribulações (Jo.16:33), mas sua herança está nos lugares celestiais (Ef. 1:3).

Vamos reconhecer as pessoas no ceu?

Recebi sua carta contendo uma dúvida acerca de nossa vida depois que sairmos desta terra. Creio que iremos nos conhecer e serei conhecido e talvez possamos aplicar 1 Co 13.12 neste sentido. Embora iremos ser transformados, não perderemos nossa identidade. Receberemos, isto sim, um novo nome (diferente do nome que temo agora e secreto) escrito numa pedra branca, o que significa que teremos uma identidade (nome) como indivíduos. Pedra nos fala de indivíduos separadamente (1 Pedro 2.5).

Mesmo antes de recebermos nossos corpos glorificados, se for o caso de morrermos antes do arrebatamento, continuaremos a ter nossa individualidade, ou seja, seremos reconhecidos como indivíduos, pessoas, com certas características. Assim, tanto o rico como Lázaro, em Lucas 16.19‑31, são reconhecidos após a morte, com a diferença de que apenas Lázaro é chamado pelo seu nome. Em João 11, o Senhor chama Lázaro pelo nome, para que saísse do túmulo. Ora, se Lázaro tivesse perdido sua identidade após haver morrido, ele não seria mais alguém a quem o Senhor poderia se dirigir da maneira como era conhecido aqui.

Em Mateus 17, Moisés (que havia morrido) e Elias (que fora arrebatado) aparecem com o Senhor e continuam sendo Moisés e Elias, reconhecidos inclusive pelos discípulos. Assim também, os discípulos reconhecem o Senhor depois de haver ressuscitado, exceto quando seus sentimentos ainda estavam fechados, como aconteceu com os discípulos no caminho para Emaús (Lc 24.16,31).

Portanto, irmão, será um grande gozo vermos o Senhor quando partirmos daqui. E será também motivo de muita alegria podermos reencontrar aqueles queridos que partiram antes de nós para a glória.

Como saber se irei para o ceu?

Você escreveu: "Não posso afirmar se ficarei no céu, mas sendo pecadora não posso ser eu a juíza das obras que aqui deixei". Se fôssemos salvos por nossas obras, então nenhum ser humano seria salvo. Mas acontece que NÃO SOMOS SALVOS POR NOSSAS OBRAS! É o que diz a Palavra de Deus: "Pela GRAÇA sois salvos, por meio da FÉ, e isto NÃO VEM DE VÓS, é DOM de Deus. NÃO VEM DAS OBRAS, para que ninguém se glorie" (Efésios 2.8,9). Este versículo é bastante claro.

A salvação é por GRAÇA. O que é graça? É recebermos algo que não compramos, que não pagamos, que não fizemos nada em troca, que nem mesmo merecemos. A salvação é pela FÉ. O que é fé? "Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hebreus 11.1). Ou seja, você crê no que Deus disse e tem isso por alicerce firme. Você não viu Cristo morrer na cruz levando os seus pecados, você não viu Ele ressuscitar; você não viu Ele subir ao céu e ser aceito por Deus; você não viu a eficácia de Seu sacrifício na cruz; você não O viu substituindo você no juízo divino. Você não viu nada disso, porém você crê naquilo que Deus diz acerca de tudo isso e a fé é então levada em conta.

Fica valendo para você tudo o que Cristo é e tudo o que Ele fez, e Deus perdoa todos os seus pecados e a leva para o céu. Fé é crer naquilo que não se vê, mas confiando que Aquele que falou é fiel.

A salvação não vem de nós. Tudo o que precisava ser feito para nos salvar, Cristo fez. Quando você aceita a Cristo como seu Salvador, você é salva pro Ele, e não por seus próprios esforços. Ele é o SALVADOR. Você já ouviu falar de algum salva‑vidas que precise da ajuda do que está se afogando para poder tirá‑lo da água? É claro que não. Os salva‑vidas até preferem que o afogado esteja desmaiado pois fica muito mais fácil tirá‑lo do que ter que lutar com um homem desesperado que não sabe o que está fazendo. Assim é o Salvador: Ele salva aqueles que se rendem a Ele; aqueles que reconhecem que não tem mais forças; aqueles que simplesmente DEIXAM Ele salvar.

A salvação é DOM de Deus, ou seja, é uma dádiva, um presente. Para se ganhar uma dádiva só há uma condição: aceitá‑la. A salvação não vem das obras. A única obra necessária para nossa salvação já foi feita há dois mil anos. Ao pecador cabe agora apenas e tão somente aceitá‑la para si. As obras não salvam e nem pode ajudar a salvar.

Teremos cicatrizes no ceu?

Só um terá cicatrizes no céu.: Nosso bendito Senhor Jesus! As mesmas marcas que nos fizemos nas suas mãos, pés e no Seu lado, nos as veremos como os discípulos as viram apos a ressurreição. Mas nenhum daqueles que foram salvos por Ele terá cicatrizes. Todos estarão devidamente ressuscitados ou transformados em um corpo glorioso, sem qualquer ligação com seu passado na Terra.

É interessante que o Cordeiro visto em Apocalipse é um "como que foi morto". A marca da morte estará eternamente associada ao Cordeiro que morreu para nos resgatar. E desfrutaremos mais do conhecimento dessa tremenda obra que Ele cumpriu se entendermos que ela foi feita primeiramente para Deus. Somos beneficiados por ela, mas a glória de Deus foi a razão primeira da morte do Cordeiro. Ele é o Cordeiro que tira "o pecado" (singular) do mundo antes de ser o que leva "os pecados" (plural) dos salvos.

Penso assim por causa da cena quando o Senhor apareceu para os discípulos, já com Seu corpo ressuscitado. "E dizendo-lhes isto, mostrou-lhes as Suas mãos e o lado... Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e mete-a no meu lado" João 20.21-27

As marcas do Senhor estavam lá. Um dia Deus colocou o primeiro Adão em um profundo sono, "...e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar" (Gn 2.21). Da ferida do seu lado Deus tirou uma esposa para Adão. Com o "último Adão" Deus fez o mesmo: de Seu lado ferido tirou-Lhe uma esposa, a Igreja.

Creio haver uma referência profética das feridas do Senhor em Zacarias 13.1-6, figura do Senhor quando Se encontrar com Seu povo terrenal: "E se alguém lhe disser: Que feridas são essas nas Tuas mãos? Dirá ele: São as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos".
Não tarda o momento (talvez hoje!) quando veremos Suas feridas, Suas marcas do amor. E nunca, jamais, nos cansaremos de contemplar Aquele que morreu na cruz por nos. Eternamente.

O que significa Reino dos Ceus?

Para entender o termo "Reino dos Céus", é preciso entender que trata‑se de um aspecto de algo mais amplo. O Reino de Deus é um termo genérico e inclui todos os outros aspectos do Reino, a saber, Reino dos Céus, Reino do Filho do Homem e Reino do Pai.
  • Reino de Deus ‑ nos fala da manifestação de Cristo para os Seus (Mt. 12:28). Quando questionado sobre quando viria o Reino de Deus, Cristo respondeu: "o Reino de Deus está entre vós" (Lc. 17:21). Por Ele ter vindo para estar entre os Seus, o Reino de Deus era vindo (Mt. 12:28).
  • Reino dos Céus ‑ é a presente forma do Reino. O Rei foi rejeitado, crucificado e, então, recebido nos céus. O Reino dos Céus inclui todos os que professam o cristianismo (mesmo falsamente). Todos, tanto os verdadeiros como os falsos convivem lado a lado no Reino dos Céus (Mt. 13).
  • Reino do Filho do Homem e Reino do Pai ‑ À medida que termina o tempo do Reino dos Céus, o Reino torna‑se tanto o Reino do Pai (nos céus) como o Reino do Filho do Homem (na terra). O Reino do Filho do Homem virá em poder e glória (Mt. 25:31 e 24:30), e Cristo reinará na terra por 1000 anos. O Reino do Pai (nos céus) diz respeito àqueles que verdadeiramente creram durante a época do Reino dos Céus e foram reconhidos ao celeiro no céu como a boa semente (Mt. 13:30), devendo brilhar como o sol no Reino do Pai (Mt. 13:43). O Reino do Filho (sobre a terra) acontece simultaneamente com o Reino do Pai (nos céus). Quando o Reino do Filho do Homem terminar, o Filho do Homem entregará o Reino a Seu Pai (I Co. 15:24), fazendo com que o Reino seja o Reino do Pai para toda a eternidade.

Como confiar num livro que contém erros grosseiros?

Primeiro porque geralmente quem critica a Bíblia não conhece seu Autor. Segundo, porque não se pode querer analisar a Bíblia do ponto de vista científico, pois ela nunca foi escrita para ser um compêndio científico. Ela foi escrita para mostrar aos homens o caminho da salvação eterna. Deus quis falar aos homens de coisas mais importantes do que as visíveis, palpáveis e experimentáveis. (2CO 4:18) "Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas."

Você afirma que não podemos acreditar em um livro que se originou de manuscritos antigos e que, ao longo do tempo, teve cortes e acréscimos em seu texto original. Eu pergunto: se você tivesse acesso ao original será que iria considerá-lo confiável em suas afirmações? Bem, infelizmente isso não é possível pois hoje não existe um manuscrito original e acredito que Deus tenha permitido isso para que os manuscritos não se transformassem em objetos de culto, como fazem com o pseudo-sudário. Temos hoje apenas cópias segundas, terceiras, décimas, etc. Quanto mais longe a cópia estiver do original, mais sujeita a erros. Pelo menos é assim que deveria acontecer com um texto qualquer. Será que ocorreu o mesmo com os textos bíblicos?

Bem, o livro de Isaías que temos hoje vem de um manuscrito bem posterior a Isaías, e até a Cristo (Isaías viveu 700 anos antes de Cristo). Entre os manuscritos descobertos em uma caverna em Quam Ram (acho que escreve assim), havia um de Isaías, muitíssimo mais antigo que o usado hoje para compor nossas Bíblias. Adivinha? Sim, é idêntico. O cuidado na cópia era tanto, que hoje há manuscritos que trazem uma mancha de tinta na margem, que é repetida nas cópias seguintes.

Geralmente quem diz que a Bíblia que temos hoje foi alterada, não é capaz de mostrar a anterior, a original. Sim, porque para você dizer que algo foi adulterado é preciso ter o original, ou uma cópia anterior. Já viu alguém mostrar isso? Esses defensores da originalidade, que supostamente descobriram tantas alterações, deveriam trazer a público a cópia mais fiel que certamente possuem, para benefício de todos, não?

Quanto aos apócrifos, que você mencionou, e a razão de não fazerem parte do cânon, o critério é simples. Incoerência com o volume todo dos livros mais conhecidos e com maiores provas de originalidade. Já leu algum apócrifo? Experimente. Li um evangelho apócrifo que ensinava a fazer lavagem intestinal.

Você pergunta como é possível crer que um livro foi inspirado por Deus quando há tantas interpretações para ele. Você sabe quantas listas de discussão há na Internet? Milhares. E não apenas sobre a Bíblia. Sobre tudo. História, Ciência, Astronomia, Geologia, Educação, etc. Porque o homem é um interpretador nato. Porque opiniões existem às pencas. Porque cada um quer colocar sua colher no mingau. Isso prova que a História está errada, que a Ciência está errada, que a Geologia está errada, que não devemos mais acreditar na Educação ou qualquer outra coisa? O fato de um grupo de cegos não chegar a um acordo sobre a existência da luz não faz dela menos real.

Você tem razão quando diz que a Bíblia parece ter sido escrita em código para que apenas alguns inspirados possam entendê-la. Só há um meio de se entender a Bíblia, e não é com a mente natural do homem. É preciso dar download em um "plugin" divino, senão não vai funcionar. (1CO 2:14) "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente."

Você não concorda que os cristãos afirmem que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas não são os cristãos que fazem tal afirmação. É a própria Bíblia. Ou é, ou não é. Se não for, deve ser rejeitada completamente, pois não existe um livro mais pernicioso do que aquele que afirme ser a Palavra de Deus e não é. Tem uma Bíblia em sua casa? Se ela não é a Palavra de Deus, tire-a agora mesmo de perto de sua família. É perniciosa. É mentirosa. É vil. Pior que qualquer outra invenção humana, pois está enganando as pessoas. Mas se ela for a Palavra de Deus, renda-se a ela.

Por que os 4 evangelhos não coincidem?

Quando lemos os evangelhos estamos falando de história. Tudo o que sabemos de história é o que alguém registrou, apesar que, no caso dos evangelhos, estamos falando de um registro histórico e inspirado por Deus. Mas tratando apenas do aspecto histórico, não há como voltar ao passado para constatar se foi assim ou não, por isso nos baseamos em registros. Podemos, isso sim, contestar os registros quando temos outros mais fidedignos. Temos quatro evangelhos que nos falam de fatos acerca de Jesus. Há outros documentos históricos também, mas vamos nos ater a estes.

> Mas os quatro autores não contaram a mesma história...

E não poderia ter sido diferente. Senão teríamos um evangelho e três cópias. Quantos livros você acha que existem falando da vida de Kennedy? Napoleão? Einstein? Nada de estranho até aqui, considerando que quatro homens têm quatro formas de narrar as coisas. Se usarmos este raciocínio, então temos que admitir que Kennedy não foi presidente, Napoleão não existiu, e Einstein é uma fábula. Isto porque seus biógrafos omitem uns fatos e outros não.

>A árvore genealógica de Jesus contada em Mateus e Lucas são totalmente diferentes.

Se observar com mais cuidado, verá que Mateus escreveu em Aramaico, o idioma hebraico usual da época e restrito aos judeus. Lucas escreveu em grego, a língua universal da época e comum a todo o mundo ocidental de então (era o inglês do momento).

Se descer aos detalhes, verá que Mateus traz um volume enorme de citações das Escrituras do Velho Testamento, bem conhecidas dos Judeus. Há vários acontecimentos narrados "como disse o profeta fulano". Tudo indica que ele estava falando de um Jesus previsto na cultura judaica, e mostrando que esse havia chegado. É insistente também em procurar provar que Jesus é o rei há muito prometido para os judeus.

Não é de se estranhar, portanto, que a genealogia apresentada inclua apenas a ascendência real do Senhor, que começa com Abraão, a quem Deus havia dado as promessas às quais todos os israelitas se agarravam, passando por Davi, o rei amado de Israel, e apresentando José como pai de Jesus, mesmo porque José era legalmente o pai. Tenho um filho adotivo cuja certidão de nascimento diz que eu sou o pai e que meus pais são os avós. Ninguém pode contestar o que está em cartório.

Lucas (escrito em grego para os homens em geral), é característico por apresentar a humanidade de Cristo (não a sua realeza, trabalho dado a Mateus). Portanto sua genealogia é para mostrar que Jesus era um homem, vindo desde Adão. Portanto nada de estranho até aqui, se entender que cada evangelista procurava mostrar um aspecto diferente de Cristo.
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