Os costumes citados em Coríntios valem para hoje?

Sua dúvida foi especificamente no caso do versículo seguinte: "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar" (I Co. 14:34). Você se valeu de fatores históricos para opinar, escrevendo:

"O texto acima significa que as mulheres da época, quando Paulo se referia à elas, quando judias, já tinham a educação desde criança de que não participassem dos ensinos nas sinagogas e etc, somente os meninos a partir dos 12 anos. A preocupação de Paulo era com as mulheres gentias que traziam muitas fábulas e supertições no meio da igreja de Corinto, dessa forma esse ensino era somente para as mulheres da época. Hoje as mulheres podem e devem falar nos cultos a Deus."

A dificuldade com esse tipo de interpretação é que ela busca informações extra-bíblicas para explicar um texto bíblico, e há um risco aí. Aqui o tema é se a mulher pode ou não falar na igreja (ou seja, quando eles se reuniam para orar, partir o pão, louvar a Deus e serem instruídos na Palavra de Deus), e sua opinião é que devemos recorrer a uma comparação entre a época de então e os costumes da época em que vivemos. Vamos fazer um teste:

O mesmo apóstolo exorta em outras passagens para que os cristãos não pratiquem fornicação, que é basicamente relações sexuais fora do casamento. Porém hoje é perfeitamente normal pessoas terem relações sexuais antes do casamento. Isso é bem aceito nas novelas, nos filmes e namorados costumam viajar juntos com a aprovação dos pais. Usando o mesmo raciocínio poderíamos considerar que aquela exortação devia ser apenas para os costumes daquela época, e não deveriam mais ser seguidos na sociedade moderna e liberal de nossos dias.

Também hoje é considerado politica e socialmente correto o homossexualismo e as leis de alguns países já dão status de casamento civil à união entre duas pessoas do mesmo sexo. Seguindo sua linha de raciocínio teríamos de admitir que as exortações feitas por Paulo no livro de Romanos contra o homossexualismo seriam válidas somente para aquela época ou, talvez, exclusivamente para os cristãos em Roma.

O aborto já é legalizado em alguns países mais desenvolvidos, o que nos faria pensar que a proibição da prática poderia fazer sentido na igreja primitiva, mas não hoje, numa sociedade tão avançada quanto a que vivemos. Será assim? Não, ou a Palavra de Deus não seria mais de Deus, mas dependeria de uma aprovação cultural, algo como um selo da "opinião pública".

As modas mudam, os costumes mudam, mas a Palavra de Deus permanece. Obviamente há coisas que não são taxativas na Bíblia. Não existe, por exemplo, alguma proibição para usar computador, mas outras coisas são muito claras. Também é preciso discernir o que foi ordenado aos isralelitas, ainda sob a lei mosaica, e o que é a 'doutrina dos apóstolos', dada pelo Espírito Santo à igreja, ou vamos sair por aí apedrejando pessoas, guardando o sábado e matando cordeiros como sacrifício.

Todavia, naquilo que diz respeito à doutrina dada à igreja (as epístolas), entendo que, se pudermos abrir mão do ensino que ela nos traz, e particularmente neste caso de 1 Coríntios 14, tentando nos basear nos costumes atuais, podemos abrir mão também de tudo o mais com base na mesma autoridade dos costumes e da opinião pública.

E se ainda existir alguma dúvida a respeito, creio que as palavras com as quais o apóstolo Paulo encerra a questão em 1 Coríntios 14 (ele devia estar prevendo objeções) servem para eliminar qualquer idéia de que o que ele estava dizendo até ali eram meras opiniões pessoais ou baseadas na cultura da época e do lugar:

"Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor."

É errado usar a palavra 'ídolo' e 'adorar'?

Você menciona o que escrevi em uma de minhas crônicas: "...O banal virou motivo de júbilo e, na falta de ídolos confiáveis, adotamos o piloto como herói. ...". Sua dúvida é se não estou contrariando a Palavra de Deus no que diz respeito à idolatria.

Obviamente não estou falando de idolatria, mas de heróis. Se eu digo que meu ídolo é o Roberto Carlos, estou usando o sentido que os dicionários dão como "pessoa ou coisa muito admirada". Ou será que alguém poderia achar que tenho em casa um altar com uma imagem do Roberto Carlos, diante da qual me curvo e faço minhas orações? Certamente não, mas tudo é possível, depois que descobri que existe até uma igreja que adora o Maradona!

De qualquer maneira, uso a palavra apenas no sentido de admiração, e tenho certeza de que 99% de meus leitores devem ter entendido assim. Nosso vocabulário é cheio de nuances que às vezes podem causar dificuldades de acordo com a carga cultural que uma pessoa recebe.

É comum recém convertidos se apegarem com muita força a questões de vocabulários, ou por um zelo excessivo que é comum à conversão, quando às vezes sem querer acabamos "cozinhando o cabrito no leite da mãe", (Dt 14:21), ou seja, usando algo que foi designado para alimentar como instrumento de morte, que é o que às vezes fazemos batendo com a Bíblia na cabeça das pessoas (não literalmente, claro).

É comum também alguns pregadores se apegarem a detalhes dos meios de comunicação para fazerem alarde sobre isso, como aconteceu no tempo do He-Man e das comparações que alguns pregadores faziam com a Bíblia. Acontece também com alguns que vivem encontrando coisas nos desenhos animados da Disney e, de repente, ajudam a fazer muitos cristãos correrem para as locadoras e pegar o dvd só para conferir. A Disney devia dar comissão a esses pregadores.

Uma ocupação excessiva com o mal (há pregadores que ficam supostamente entrevistando o diabo em suas reuniões) certamente não é de Deus. O mesmo cuidado (excesso) deve ser tomado quando a questão é o vocabulário, pois este muda seu significado dependendo do tempo e lugar.

Por exemplo, eu posso perfeitamente dizer que adoro jaca e ninguém de sã consciência iria pensar que faço peregrinações a plantações dessa fruta para pagar promessas. Também adoramos pessoas no sentido de amar, o que não tem nada de errado porque o contexto claro é de afeição. Se eu disser que adoro sol, fica claro que gosto de praia, mas se disser que adoro "o Sol", aí pode desconfiar que sou descendente de algum faraó egípcio.

Portanto quem interpreta uma expressão deve interpretar também o contexto para não ser purista demais. Conheço um rapaz que não diz "obrigado", só diz "agradecido", porque ele acha que dizer "obrigado" está errado, porque o outro que fez algo digno de agradecimento não fez por obrigação ou "obrigado". Aí ele perde boa parte de seu tempo tentando corrigir pessoas que dizem obrigado a ele e que, dez minutos depois, já estão arrependidas de terem agradecido.

Veja, por exemplo, a palavra "igreja". Hoje todo mundo entende como um templo feito de tijolos quando você diz que vai à igreja. A palavra acabou assim, deturpada, mas foi o que restou dela. Mas o seu sentido "bíblico" também é uma deturpação do sentido original grego de eclésia ou eklesia. No sentido bíblico comumente aceito ela quer dizer a reunião de todos os cristãos ou de um grupo local de cristãos, como era a igreja que estava em Corinto. Ou quer dizer a união total dos salvos, o corpo de Cristo.

Mas no original a expressão queria dizer qualquer agrupamento de pessoas. Você encontra a palavra em Atos (no original grego) falando de ajuntamento de pessoas que não tinham nada de cristãos, como é o caso de Atos 19:32, 29 e 41. Assim, há dois mil anos se você ouvisse um grego dizer que ia à igreja, ele podia estar se referindo a um motim, a uma reunião do sindicato, a uma reunião de uma quadrilha de bandidos ou a qualquer coisa. Daí a importância de entendermos o contexto em que cada palavra é falada.

A Bíblia condena a doação e transplante de orgãos?

Não encontro na Bíblia qualquer referência ao assunto (mesmo porque isso não existia). No Novo Testamento o Senhor ensina justamente o desprendimento para com a própria vida (e corpo), ao ponto de Ele próprio ter dado sua vida para nos salvar. Ou seja, sabemos que nossa vida não se limita a este corpo, e se for preciso até mesmo que um cristão morra para salvar seu semelhante, isso é visto como um ato de amor, não de desprezo para consigo mesmo.

"Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos." João 15:13

As idéias das Testemunhas de Jeová que tentam associar doação de sangue à proibição bíblica que proíbe beber sangue é pura bobagem. Ninguém bebe o sangue quando recebe uma transfusão. Aparentemente os membros dessa religião podem aceitar transplantes desde que a cirurgia seja sem transfusão. Oras, já viu algum órgão sem sangue? O fígado é praticamente uma esponja embebida de sangue. A proibição bíblia foi no sentido de se beber sangue de animais, prática comum entre povos pagãos, por isso não é correto para o cristão comer alguns alimentos em cuja preparação é usado o sangue.

Boa parte de nosso corpo está sendo "doada" o tempo todo, consumida por bactérias ou tros microorganismos. Nossa pele está sendo comida o tempo todo por milhões de ácaros. Nossos cabelos vão ficando por aí, nossas unhas também, e pele então, nem precisa falar. Cada célula de nosso corpo vai sendo substituída ao longo da vida por outra nova e, no fim, acabamos servindo de antepasto para os vermes. Acho que se, antes disso, usarmos nosso corpo para beneficiar alguém, estaríamos agindo conforme o sentido do amor ensinado pelo Senhor.

"Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber." Atos 20:35

A preocupação com a ressurreição faz com que alguns evitem doar ou receber órgãos. Digamos que eu receba o coração de alguém que morreu e aí vem a ressurreição. Com quem fica aquele coração? Bem, o corpo que temos agora não vai entrar no céu, mas será transformado em um corpo novo. De uma forma ou de outra, ele vai desaparecer neste estado atual, seja pela morte e deterioração, seja pela ressurreição. Assim, um amputado ressuscitará com um corpo perfeito e completo.

Alguém que nasceu sem seus membros ressuscitará completo também. De onde vieram aqueles membros que ele não tinha? Aplique a mesma idéia para quem doou seus membros. Até mesmo alguém que tenha sido pulverizado por uma explosão atômica, de cujo corpo só restou uma sombra impressa na parede (como aconteceu com muitos em Hiroshima e Nagasaki), receberá um novo corpo, os salvos, para entrarem com ele no céu, e os perdidos, para entrarem com ele no lago de fogo.

Obviamente, como tudo mais, por não se tratar de algo explicitamente determinado na Palavra de Deus como certo ou errado, o cristão deve ter um exercício de buscar saber qual a vontade do Senhor para sua situação específica e pedir por sabedoria para decidir. A Bíblia não é um livro de regras (como foi para o judeu o Antigo Testamento) do tipo faça isso, não faça aquilo. Se fosse, o cristão não precisaria do Espírito Santo e do discernimento que ele dá. Por exemplo, eu nunca vou encontrar na Bíblia a resposta para saber se posso ou não obturar um dente, usar computadores ou viajar de avião.

"E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente." Tiago 1:5

Já não fomos curados pelas chagas de Jesus?

Para mim está muito claro em 1 Pedro 2:24 que o apóstolo está se referindo à cura dos pecados, e não de doenças físicas. O versículo não fala de feridas ou chagas de doenças, mas das que foram resultado da morte do Senhor na cruz, com o explícito propósito de nos salvar. Interpretar "por suas chagas, fostes sarados" da passagem como cura do corpo físico é tirar as palavras do contexto e limitar a obra expiatória de Cristo na cruz às necessidades momentâneas desta vida.

O que tem valor eterno na obra de Cristo, as curas de enfermidades físicas que ele praticou aqui em pessoas que depois acabaram morrendo, ou a cura do pecado? Experimente ler todo o contexto, sem isolar o "por suas chagas, fostes sarados":

"Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas Suas feridas fostes sarados PORQUE éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas". 1 Pedro 2:24

O "porque" aqui é a motivo de terem sido sarados: eram como ovelhas desgarradas, mas agora (depois de terem sido sarados) voltaram ao Pastor e Bispo de suas almas. Lembre-se de que Ele está se dirigindo primeiramente aos judeus dispersos, que tinham as promessas de um Salvador incorporadas em sua própria cultura como judeus que eram: "PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia...". O apóstolo lhes faz lembrar que Cristo é a consumação das promessas que antes foram feitas.

Você escreveu: "Estou vivendo e pesquisando a Palavra de Deus há 25 anos, especialmente no que diz respeito a cura".

Existe uma grande margem para o engano quando estudamos a Palavra de Deus com um objetivo apenas em mente, como você diz estar fazendo. Ao decidir ler a Palavra para procurar nela tudo o que diz respeito a cura, é muito provável que acabe enxergando o assunto até onde ele não existe. Muitas heresias foram criadas por pessoas que fizeram o caminho de marcha à ré na leitura da Palavra, quero dizer, partiram de uma idéia pré-concebida e foram à Bíblia procurar versículos que dessem sustentação à sua idéia.

Há cristãos que querem guardar a lei mosaica, porque encontraram os dez mandamentos na Bíblia, outros que constituem um clero de sacerdotes com vestes longas, porque também acharam isso na Bíblia, e há até religiões ditas cristãs cujos membros se reúnem para manusear serpentes venenosas com as mãos, porque encontraram isso também na Bíblia.

O fato de algo estar na Bíblia não torna isso automaticamente verdade, a menos que seja enxergado dentro de seu contexto e sob a luz do Espírito Santo. Enxergar dentro do contexto é ver o que foi dito antes, o que foi dito depois, para quem aquilo foi inicialmente falado, em que época, em que lugar, em que condições e, principalmente, se sua aplicação agora glorifica a Cristo (ou satisfaz os desejos da carne e exalta o homem).

Por exemplo, no tempo de minha incredulidade lia muita coisa ligada ao esoterismo, ocultismo e temas fantásticos. Lia livros de autores que encontravam discos voadores por toda a Bíblia e a usavam para justificar suas idéias. Isso porque eles liam querendo encontrar discos voadores ali, então, como diz o ditado, "para o martelo, tudo o que vê é prego".

Você escreveu: "Nosso exemplo é Jesus, será que ele teve doenças?"

É claro que não, porque Ele não tinha pecado, nasceu sem pecado, viveu sem pecado e era impossível a Ele pecar. "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer- se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado". Hebreus 4:15 (outra tradução diz "but tempted in all things in like manner, sin apart".) Devemos nos lembrar também das palavras do anjo a Maria:

"E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus". Lucas 1:35

Ao nos comparar com o Senhor (ou o Senhor conosco) querendo inferir que, se Ele não tinha doenças, nós também não devemos ter, fico a pensar se você realmente sabe de quem está falando quando fala de Jesus. Embora na forma humana, existe uma distância infinita entre Ele e Sua criatura arruinada pelo pecado. Enquanto Ele, que é chamado de "o Santo" e "Filho de Deus", veio a este mundo concebido pelo Espírito Santo e nascido de uma virgem, o ser humano nasceu pecador e traz em si a corrupção de sua carne. Por isso adoecemos e, finalmente, morremos, algo que nunca teria acontecido com o Senhor Jesus se Ele não tivesse dado Sua vida.
O Senhor não apenas não tinha doenças, como também não tinha o princípio da morte ativo nele. Ele não estava sujeito à morte, isto é, ninguém poderia matá-lo, fossem doenças, acidentes ou homens. Obviamente não é o seu caso e nem o meu, que vivemos por um fio. Se Ele morreu, foi porque entregou Sua vida.

Veja que existe uma diferença entre morrer e entregar a vida. Nenhum de nós consegue evitar a morte (a menos que Cristo volte antes) por mais saúde que tenha. Somente depois, com um corpo ressuscitado, é que estaremos imunes à doença e à morte. Antes disso, não. Ou você acredita que vai ser curada indefinidamente e jamais experimentar os estertores da morte se o Senhor não voltar antes disso?

Cristo, por não ter em Si a natureza pecaminosa que temos, era totalmente imune à doença e à morte. Como morreu então? Entregou Sua vida, algo que não podemos jamais fazer porque não temos poder para tanto.

"Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." João 10:18

Nem eu, nem você, podemos decidir morrer, dizer "agora vou morrer", e simplesmente entregar a vida, deixar de viver, só porque decidimos isso (obviamente não estou falando aqui do suicídio que é alguém aplicar sobre si mesmo uma ação externa de matar). Cristo podia fazer isso, tinha autoridade para dar a vida e retomá-la quando quisesse. Mas mesmo assim, Ele não a retomou de Sua própria vontade, mas Deus O ressuscitou. Ele não fazia coisa alguma por sua própria vontade quando esteve aqui.

Houve um momento na cruz em que Cristo simplesmente entregou Sua vida, deixou de viver, algo que não imaginamos como pode ser feito. Assim foi Sua morte. "Entregou o espírito". Quando o soldado furou seu lado com a lança, furou o corpo de um morto, e foi do corpo de um Cristo morto (e não enquanto estava vivo) que saiu o sangue da expiação dos pecados.

Você escreveu: "Muitos cristãos evangélicos estão enfermos por diferentes causas, só alguns exemplos: mágoa, raiva, ressentimentos... inveja... maldições que carregam de antepassados (doenças hereditárias), não conhecem sobre como os demônios enganam com doenças, enfermidades, não tem fé para ser protegidos dos trabalhos de macumba e outros ataques do reino das trevas, não conhecem o Poder e Autoridade que o Senhor Jesus nos tem entregue..."

A relação de males que você relacionou me fez lembrar o cardápio desses programas de pastores na TV repreendendo doenças e demônios a seu bel prazer, alguns chegando ao ponto de entrevistarem demônios e zombar deles, ao vivo e em cores. Essas pessoas me fazem lembrar do que o apóstolo Judas escreveu sobre o modo como alguns tratavam as potestades (sim, os demônios são, apesar de tudo, anjos, portanto superiores aos homens na hierarquia que Deus estabeleceu):

"Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém (os 'falsos mestres' que 'rejeitam toda autoridade e blasfemam das dignidades') dizem mal do que não sabem". Judas 1:8,9

Você escreveu: "Como você vai viver como um verdadeiro filho de Deus com o poder , autoridade, domínio ,soberania que Deus nos entregou se você não tem certeza disso e não sabe a magnitude e ilimitado Poder e Autoridade que nós filhos de Deus temos".

O cristão não tem poder algum, não tem autoridade alguma, nem domínio ou soberania. Todo o poder e autoridade pertencem a Cristo e a primeira coisa que o cristão precisa aprender é a não abusar disso e só se valer dessa autoridade pela vontade de Deus e para Sua glória, não para satisfazer seus desejos pessoais. Multidões enchem templos hoje em dia correndo atrás de dinheiro, romance e saúde, e isso é alardeado em todos os canais de rádio e TV porque é isso que todo ser humano quer. Então promete-se poder para conseguir tudo isso e, evidentemente, fica muito claro que o nome de Cristo está sendo usado indevidamente.

Um policial tem autoridade delegada a ele pelo governo de seu país, mas ele deve estar bem ciente de como usar essa autoridade. É claro que ele pode prender quem ele bem entender, e o cidadão precisará se sujeitar a essa autoridade que a farda lhe concede, mas depois o policial terá de dar conta do abuso de autoridade que cometeu. Assim também, há muitos que hoje abusam da autoridade de Cristo, alguns que nem mesmo pertencem a Ele (Judas Iscariotes deve ter praticado curas e milagres também fazendo uso da autoridade de Deus).

Nunca se esqueça de que há um grupo de pessoas que serão repreendidas por Cristo, e não são pagãos ou feiticeiros, mas cristãos nominais que usaram o nome de Cristo sem nunca O terem conhecido. O Senhor chamou de "iniqüidade" o uso indevido de Seu nome e poder:

"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramemnte: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade". João 7:22,23

Conhecer a Cristo em função daquilo que Ele fez (e evidentemente pode fazer) por nossa vida aqui é colocá-Lo em um patamar muito baixo, é desejá-Lo apenas como um amuleto para resolver nossos problemas passageiros. Ele mesmo nunca confiou nas pessoas que O buscavam com essa intenção:

"E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome. Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia". João 1:23,24; 6:26

A ocupação do cristão deve ser com um Cristo vivo, no céu, com a eficácia do Seu sacrifício por nossos pecados, com Sua formosura, Sua aceitação diante de Deus, com todas a Sua Pessoa, e não com as dificuldades passageiras desta vida. Evidentemente devemos orar a Deus pelas nossas dificuldades, mas fazer delas o centro de nossa atenção e devoção é perder de vista o fato de que este corpo fatalmente irá se deteriorar dia após dia e que não é nele ou aqui nesta vida que teremos realizadas todas as promessas de Deus para nós, mas quando estivermos transformados, ressucitados em um corpo à semelhança daquele que Ele hoje tem.

"Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas". Filipenses 3:18-21

Finalmente, lembre-se de que Deus usa até mesmo as enfermidades para nosso aprendizado, e você encontra na Bíblia enfermos que nunca foram curados, como Paulo e Timóteo. Se Deus permitir que um cristão seja enfermo enquanto viver aqui, o que fazer?

Tenho um filho portador de paralisia cerebral, cego, que não fala e nem anda. Deveria me atribular por achar que isso se deve a falta de fé dele ou minha? Pelo contrário. O que importa é que Deus seja glorificado em tudo, na saúde ou na doença, porque tenho certeza de que aqui não é o lugar e nem a condição adequada ao cristão.

Se vivermos só por vista, passaremos a vida angustiados, querendo ver sinais e maravilhas, só encontrar pessoas saudáveis, ricas e felizes, como prometem os pregadores da prosperidade. Porém, para o cristão que vive pela fé, Cristo é suficiente e a Sua vontade, que pode inclusive incluir que alguém testemunhe dele no leito de enfermidade, será sempre aceita como a melhor. O cristão não vive com seus olhos aqui, onde Satanás e o pecado prevalecem, mas lá, onde Cristo está.

"Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas". 2 Coríntios 4:16, 17, 18
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