O cristianismo não é uma religião?

Será que entendi que você é católico? Quando me converti a Cristo voltei para o catolicismo onde havia sido criado. Durante um ano fui assíduo frequentador das missas e ajudava o padre, tendo formado um grupo de jovens para estudar a Bíblia. Enquanto isso devorava os livros de doutrina católica e a Bíblia, até perceber que havia várias discrepâncias (a primeira foi a sensação de ter sido ludibriado quando descobri que os dez mandamentos haviam sido reduzidos a 9 e o último dividido em dois para continuarem dez). Você deve ter lido minha história em www.stories.org.br/angels.html/ Há uma continuação em "O que aconteceu após sua conversão?"

Na escola podemos aprender que o cristianismo é uma religião, como tantas outras. Mas não é tão simples assim. Ao contrário do que aconteceu com o judaísmo, a única religião no verdadeiro sentido da palavra que foi dada por Deus aos homens, o cristianismo não é nem a continuação do judaísmo e nem uma nova religião. Sim, você está certo ao falar de religião com sua conotação de "religare", mas o cristianismo não é capaz disso. Foi uma Pessoa que Deus deu para religar o homem a Deus e, em um certo sentido, nem é mais religar, mas criar de novo, porque Deus não reforma a ruína em que se tornou o homem com a queda. Deus cria um novo homem em Cristo. Trata-se de uma nova criação (a tradução mais adequada para "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" 2 Co 5:17).

O judaísmo, sim, era uma religião, com seus rituais, suas práticas, seus dogmas, seus sacerdotes, e tantas coisas que acabaram só servindo para reforçar a realidade de que é impossível o homem se salvar ou se "religar" a Deus por suas próprias práticas.

Você escreveu que nem toda a verdade está na Bíblia, mas a pergunta óbvia para isso é "O que é a verdade?". Pilatos fez a mesma pergunta: "Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? E dito isto, de novo saiu a ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum". Jo 18:38. Pilatos nem ao menos deu tempo para a resposta pois imediatamente voltou-se para os judeus. A verdade estava na frente dele.

Sim, a Verdade é Cristo e a Bíblia contém toda a Verdade, porque é de Cristo que ela se ocupa. Ele é o princípio e o fim da Bíblia tanto quanto da Criação em Gênesis ("No princípio era o Verbo....) quanto das últimas palavras de Apocalipse ("Ora, vem, Senhor Jesus"). Cristo é o cerne e espírito de tudo o que Deus quis revelar ali, pois "o testemunho de Jesus é o espírito da profecia". Ap 19:10

É claro que seria impossível toda a verdade acerca de Jesus, a Verdade em Pessoa, caber em um livro. É por isso que, quando a Bíblia apresenta em maior profundidade Seu caráter de Deus, ela o faz através do evangelho de João, um livro que, de suas primeiras às suas últimas palavras, não tem começo ("No princípio...") e não tem fim ("E ainda muitas outras coisas há que Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, creio que nem ainda no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem".)

Pensar em "erros" na transmissão da Palavra de Deus é pensar que não exista um Deus cuidando disso e que nós, meros humanos, poderíamos por tudo a perder. De fato pusemos tudo a perder no sentido do testemunho que foi deixado aos homens (veja a bagunça em que se transformou a cristandade), mas no que ficou para Deus resolver, Ele cuidou direitinho para que eu e você pudéssemos ter acesso à Sua Palavra. Antes de Gutemberg ela era copiada à mão ou guardada na memória. É um engano pensar que apenas Roma teve acesso aos manuscritos (que são, na verdade, cópias de cópias). O volume de manuscritos existentes fora dos muros de Roma é maior do que os existentes lá.

Havia imperfeições na transmissão? Possivelmente, mas sabendo que nada acontece se não existir uma ação do Espírito Santo na alma antes até da pessoa receber a Palavra de Deus, podemos ficar sossegados que Ele deu um jeito de salvar pessoas todo esse tempo, apesar das imperfeições dos homens. A idéia de sucessores dos apóstolos é equivocada, já que apóstolos não tiveram sucessores (não há apóstolos hoje), por terem sido pedras do alicerce do qual Cristo foi a pedra angular. (Falo mais sobre isso aqui.

Sei que muitos católicos arrepiam quando trato deste assunto, mas Pedro não foi a "pedra" sobre a qual Cristo disse que edificaria Sua igreja, pois decidi perguntar isso a Pedro e ele respondeu dizendo quem era essa "pedra" à qual Cristo se referia. Veja aqui.

Quanto às pessoas às quais você se referiu, que viveram santamente, se elas creram em Jesus estão salvas, no céu. Minha mãe, que já está lá porque creu no Salvador, costumava dizer às suas amigas católicas, tendo ela mesma sido católica por muitos anos antes de entender o evangelho mais claramente: "De quem São Fulano, Santa Cicrana e São Beltrano eram devotos? Leia a história deles e você verá que todos eram devotos de Jesus. Faça o mesmo você."

Já sobre as referências que fez a Lourdes e Aparecida, obviamente falando das aparições e dos chamados "milagres" que se seguiram, tenho minha opinião a respeito. Deus jamais quis exaltar qualquer um de seus santos do Novo Testamento e, por mais que Maria, mãe de Jesus, tenha sido bem-aventurada e mulher escolhida para o Espírito Santo gerar nela a humanidade do Salvador, é diante de Cristo que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que é Senhor. Jesus, que é Deus, não pode ter sua glória e majestade dividida com Maria, e nem posso crer que Aquele que disse claramente "Vinde a mim" iria querer que eu fosse a algum preposto para poder chegar a Ele.

A religião "mariana" nada mais é do que uma adaptação que o catolicismo fez dos antigos ritos pagãos que veneravam o elemento feminino como símbolo da fertilidade. O fato de alguém enxergar uma aparição e sinais decorrentes disso não é suficiente para se colocar a chancela de algo vindo de Deus. Paranóia e manifestações demoníacas são apenas duas das explicações para a maioria dos chamados "milagres" que vemos por aí que não fazem outra coisa senão desviar o olhar dos incautos, tirando-o de Cristo e colocando-o em alguma imagem de barro ou representação de alguma criatura. "Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível" Rm 1:22,23 Escrevi mais sobre isso em "Devemos exaltar Nossa Senhora?"

Espero que estas linhas possam lhe dar uma visão melhor do que penso a respeito de religião. Sugiro a leitura de "Qual religião pode me salvar?", também em meu blog com respostas a cartas e e-mails de correspondentes aqui.

Devemos seguir o Antigo Testamento?

Quando lemos o Antigo Testamento é importante discernir que aquilo foi primeiramente escrito para o povo terreno de Deus, o isralelita, escolhido desde a fundação do mundo. Tecnicamente, o Antigo Testamento vai até Atos, em Pentecostes, que é quando começa a Igreja, para a qual foram escritas as epístolas com a doutrina dos apóstolos. A Igreja não aparece em nenhum lugar do AT, porque era um mistério (Paulo fala disso em Efésios e que coube a ele revelar esse mistério).

Portanto, tudo o que encontra no AT não se aplica diretamente à Igreja, mas pode ser aplicado na forma de princípios ou sombras de coisas que viriam.

Uma pessoa no AT dificilmente teria certeza de sua salvação, pois só conhecia até a lei, os mandamentos. A graça é revelada na sua plenitude em Cristo. Graça é Deus dando o que não merecemos e misericórdia é Ele deixando de dar o que merecemos.

No sentido do AT, creio que dizia mesmo de pesar, embora a lei só servisse para condenar e a pessoa, em última instância, acabava salva mesmo era pela fé, pela graça e misericórdia de Deus. Não fosse assim... que personagem do AT você encontra que não tenha pecado coisas horrendas? Alguns é possível citar, mas os famosos, Davi, Salomão... ai! Felizmente eles foram justificados pela fé, independente das obras (Romanos 4)

Quanto ao crente hoje, ele é salvo por graça para andar nas obras que Deus preparou. Se não andar? Bem, será salvo, mas como que pelo fogo, ou seja, entrará no céu de mãos abanando.

O cristão não entrará em juízo (João 5) no sentido de um julgamento criminal, como acontece nos tribunais. Mas ele entrará num julgamento no sentido de um concurso de obras de arte, para receber prêmio (galardão). É disto que fala 1 Coríntios 3:

"Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo".

O que acha da "Congregação Cristã no Brasil"?

É difícil explicar para você o que acho, já que você está sob uma carga muito grande de uma concepção de fé associada a uma religião. A fé da qual lhe falo é aquela que existe independente de existirem cristãos no mundo (ou igrejas, ou congregações, ou denominações...). É a fé em Cristo, não em cristãos. Por isso achei apropriada a história de José e Maria, que seguiam os irmãos pensando que com isso estavam onde Cristo estaria, mas acabaram perdendo o menino Jesus de vista e foram obrigados a voltar a Jerusalém para procurá-lo.

Não tentaria explicar isso para algum novo convertido da Congregação Cristã no Brasil, porque isso poderia abalar sua fé, mas você é uma pessoa esclarecida. Não deixe o cérebro do lado de fora da porta quando vai se congregar. Deus nos dá discernimento para compreender a Sua Palavra através do Seu Espírito Santo, e não devemos aceitar cegamente o que alguém diz ser a Palavra de Deus, só porque a pessoa fala com voz solene e diz estar falando em nome do Senhor. É algo sério alguém dizer que está recebendo uma mensagem de Deus.

Lembro-me de um sujeito que, ao final de um treinamento de vendas que dei numa empresa, identificou-se como cristão e me deu a maior bronca, dizendo que tinha uma mensagem de Deus para mim porque em nenhum momento do treinamento de vendas eu tinha falado do evangelho.
E nem poderia. As horas que passo em treinamento estão sendo pagas pelo cliente para ensinar sua equipe a vender, e seria anti-ético eu gastar esse tempo com outro objetivo e estaria, em um certo sentido, roubando meu cliente. Há outras ocasiões propícias e devemos aproveitá-las, mas ali certamente não era o caso. Minha resposta ao sujeito foi que, ao chegar com aquela história de que tinha uma mensagem de Deus para mim, ele não deixava margem para contestação. Como discutir com alguém que está afirmando ser a boca de Deus para uma comunicação específica?

"Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá". Dt 18:20

A única referência que temos hoje para saber se alguém está falando algo de acordo com a Palavra de Deus é a própria, e não a presunção do que se diz profeta em afirmar que o faz com tal autoridade. Como eu já disse, os varões de Beréia foram chamados de mais nobres porque compararam o que ouviram com as Escrituras. Isso você deveria fazer. Não confie em seus sentimentos, porque os sentimentos são uma manifestação das emoções que podem ter sua origem na carne. Ficamos profundamente tocados por um filme, mas isso não tem nada de real.

"Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus... para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre". 1 Pd 4:11

O fundamento de sua fé deve ser Cristo, não os cristãos ou uma "congregação" ou organização cristã. Você diz que a igreja ensina isso e ensina aquilo. Não existe algo como uma igreja que ensine na Palavra de Deus. Isso é um erro importado do romanismo, já que contraria até mesmo a ordem estabelecida por Deus de que as mulheres não devem ensinar. E a igreja é, em tipo, uma mulher, a noiva.

É o Espírito Santo quem ensina, fazendo com que compreendamos Sua Palavra. Há aqueles que ministram a Palavra, que "profetizam", mas não no sentido usado por muitas denominações como se a pessoa estivesse sendo canal direto da voz de Deus sem possibilidade de contestação. Os que profetizam em 1 Coríntios 14 devem ser julgados naquilo que dizem: "E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem." 1 Co 14:29

Ninguém hoje pode falar com a mesma autoridade que tinham os apóstolos ou profetas (como Ágabo) do novo testamento. Os apóstolos e profetas foram dados para estabelecer o fundamento do qual Cristo é a Pedra principal, mas hoje não há mais apóstolos e profetas no sentido dos doze ou de Paulo. Quem profetiza hoje é quem fala do que está na Bíblia, não quem diz receber alguma revelação "inédita".

"Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas" Ef 3:4,5

"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito". Ef 2:19-22

A Igreja (não uma denominação, mas o Corpo formado por todos os lavados pelo sangue do Cordeiro, todos os que verdadeiramente crêem em Cristo) está sendo edificada com as pedras que são os salvos sobre um alicerce que foi construído há 2 mil anos e é formado pelos apóstolos e profetas do Novo Testamento e pelo próprio Cristo. Ninguém coloca pedras do alicerce nas paredes.

Se alguém hoje se declara ter a autoridade dos apóstolos e profetas do alicerce, vai ter que explicar isso direitinho para o Senhor quando chegar a hora. É um usurpador de uma autoridade que Deus não deu a ninguém. Profetizar hoje não é no sentido de trazer uma revelação inédita, mas apenas de "proferir" o que os apóstolos e profetas já disseram no N.T.

Preocupei-me quando você disse que segue a Congregação Cristã no Brasil. Há uma diferença enorme entre seguir uma denominação religiosa e seguir a Cristo. Na primeira, você tem um compromisso com algo que os homens criaram, ainda que tenham criado dizendo-se dirigidos por Deus, que ouviram uma voz, que tiveram uma revelação etc.

A maioria das religiões e denominações que estão por aí dizem que começaram assim e você nunca estará segura se seguir esse tipo de "revelação" sem conferir tim-tim por tim-tim na Palavra de Deus. O número de "igrejas" por aí dizendo serem "a única verdadeira" e que foram criadas por uma revelação recebida por alguém só deve ser menor do que o número de pessoas nos sanatórios que se dizem ser Napoleão. O orgulho e a vanglória de querer ser Napoleão ou um novo profeta de Deus não são coisas muito diferentes. Deus não criou nenhuma religião ou denominação religiosa, pois se tivesse feito isso estaria dividindo os crentes por denominações, títulos ou líderes, o que a Bíblia diz ser carnalidade:

"Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo. Será que Cristo está dividido?... Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?" 1 Co 1:11-13 ; 3:3,4

Uma vez um judeu me disse que se Cristo fosse realmente o Messias, os mestres de sua religião teriam ensinado assim. Mas como os tais mestres não ensinavam assim, ele continuava no judaísmo. Como se a única responsabilidade recaísse sobre os tais mestres (esses têm responsabilidade maior), mas a responsabilidade por crer é individual. É a alma individual que está em jogo.

É complicado explicar a você em quê eu creio, porque você está bastante condicionada a associar fé com um lugar, um templo, uma congregação. Eu continuaria crendo igual mesmo que fosse o único cristão na face da terra, porque o fato de me reunir com outros cristãos é só isso, uma reunião de comunhão e adoração, não uma associação que crie ou mantenha um dogma para ser crido por todos sob seu teto.

Tanto é que na maioria dos lugares onde os irmãos com os quais tenho comunhão se reúnem somente ao nome do Senhor, o fazem na casa de alguém, numa escola ou (como acontece numa localidade no Egito, onde reuniões cristãs são proibidas) num barco no meio do Nilo. Não existe uma organização, apenas pessoas que se reúnem num lugar, portanto não enxergue isso como uma religião que eu siga ou uma igreja da qual eu seja membro.

Há pessoas que acreditam que apenas uma religião leva a Deus, porque o que acreditam na verdade não é no poder do sangue derramado na cruz, mas na capacidade do homem em obedecer a uma lista de leis e regras (que diferem entre as religiões). O raciocínio é simples. Se a religião "X" tem a lista de regras mais correta, obviamente essa é a religião de Deus e só será salvo quem estiver ali, já que entre as regras listadas está a regra de estar ali. Parece familiar a você?

Fazer isso é um terrível pecado, é usurpar a Deus o direito de salvar com base na suficiência completa do sacrifício de Seu Filho na cruz. É dizer que Cristo não seria suficiente para salvar se não existisse a religião tal. É também dar ao ser humano uma participação no crédito de sua própria salvação. Se fui eu quem segui direitinho as regras, então uma salva de palmas para mim... e algumas para Cristo.

Acreditar que somente na "Congregação Cristã do Brasil" que você freqüenta é possível ter a salvação é negar que nossa natureza seja tão vil que ainda poderíamos encontrar algo nela capaz de seguir regras e mandamentos. É dividir a glória de Deus com os homens e, o que é mais perverso, fechar o caminho a Cristo para alguém que não tem acesso a essa congregação.

Você é cúmplice de um pensamento assim? Uma religião que estabeleça algum fundamento de salvação além do próprio Cristo - seja esse fundamento uma lista de regras ou a necessidade de ser membro da tal religião - não é de Deus. "Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que JÁ ESTÁ POSTO, o qual é Jesus Cristo". 1 Co 3:11

Quando foi posto o fundamento sobre o qual você alicerçou sua fé? Se foi há 2 mil anos, é o mesmo sobre o qual cristãos convertidos ao longo dos séculos colocaram sua fé. Se é um que teve uma data de fundação posterior, não é um fundamento colocado por Deus, porque NINGUÉM pode estabelecer outro.

Em João 3:16 lemos: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". O que diz aí? "...para que todo aquele que não faz tal e tal coisa, ou que pertença a determinada congregação, não pereça? Certamente que não é assim que está. Diz apenas "para que todo o que nele (em Cristo) CRÊ"!

O apóstolo Paulo escreveu uma carta aos crentes da Galácia, os quais afirmavam que para ser salvo era necessário não apenas crer em Cristo, mas também guardar a Lei, ou seja, praticar determinadas obras. A eles Paulo responde: "Ó insensatos gálatas... Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?" Gl. 4:9,10. Paulo compara o seguir regras ou a Lei para ser salvo como carnalidade.

Só Cristo pode nos salvar pois morreu na cruz sendo castigado por Deus Pai no lugar do pecador. Todo aquele que nele crê tem a vida eterna, está salvo eternamente. E isso não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que Cristo fez; "e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef. 2:8). Portanto, a nossa salvação depende EXCLUSIVAMENTE de Cristo e de Sua obra; não depende de nós pois se dependesse de nós, a glória seria nossa. Mas, graças a Deus, não depende de nós que somos pecadores e sempre propensos a pecar.

Quando um pecador vem a Cristo, arrependido de seu estado pecaminoso, isto só acontece por obra do Espírito Santo em seu coração, pois é o Espírito Quem nos convence do pecado (João 16:8). Então, pela fé, o pecador crê que Cristo tomou o seu lugar na cruz carregando o seu pecado (do pecador).

Quando o pecador assim crê, Deus lhe dá a salvação que é completa; Deus lhe dá o perdão que também é completo e esta pessoa nunca mais perderá a salvação, pois é um dom de Deus (Ef. 2:8) e nunca lhe será tirada por Deus "porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm. 11:29). Deus não "tira" a salvação do crente, e ninguém mais pode fazê lo "porque estou bem certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor!" (Rm. 8:38,39)

Bom, acho que escrevi demais. Minha preocupação é sincera, creia-me. E pondere isso à luz da Palavra de Deus (não à luz do que eu ou outra pessoa disser), pedindo que Deus mesmo esclareça a você. Outra vez, não deixe o cérebro na porta. Deus ordenou que o que for falado seja julgado e o padrão que temos para tal julgamento é a Palavra de Deus e Seu Santo Espírito que habita no crente.

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O que significa "a letra mata"?

A frase é tirada de uma passagem de 2 Coríntios 3 e é muito usada por pessoas que argumentam que não devemos seguir o que está escrito na Bíblia. Aponte para alguém um versículo com o qual essa pessoa não concorda e ela logo rebaterá dizendo que "a letra mata", ou seja, não podemos tomar a Bíblia literalmente.

É evidente que devemos sempre olhar o contexto quando algo está escrito na Bíblia. É preciso saber o que vem antes, o que vem depois, quando aquilo foi escrito, por quem foi escrito, para quem foi escrito etc. Isolar qualquer porção da Bíblia é sempre perigoso. Há por exemplo o versículo que diz que "Não há Deus", mas antes vem "Diz o ímpio em seu coração: Não há Deus". Sl 14:1

Quando utilizado isoladamente, "a letra mata" tem o mesmo efeito e parece querer dizer que devemos fugir de uma interpretação literal da Bíblia. Mas o que diz antes e depois?

"E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo, como não será de maior glória o ministério do espírito?" 2 Co 3:6-8

É evidente que a "letra" à qual o apóstolo está se referindo são os dez mandamentos ou a lei como um todo, que foi dada a Israel com o propósito de provar o homem e revelar ser ele incapaz de seguir a lei. A Lei, portanto, é o sinal de contra-mão e nós aquele enorme caminhão entalado na rua estreita. Assim como faz o sinal, ela nos mostra que estamos na contra-mão e que nada podemos fazer de nós mesmos para sair disso, a não ser por uma obra de Deus. É aí que entra a graça, é aí que entra Cristo morrendo no lugar do pecador.

Portanto, quando o apóstolo diz que "a letra mata", ele está dizendo que a lei tem o papel de condenar apenas, não pode dar vida. A letra da lei é a lente de aumento que revela o quanto sou mau e pecador. Um trecho de Romanos esclarece melhor isso:

"Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado. E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri; e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou. De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo o bom tornou-se morte para mim? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte por meio do bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se manifestasse excessivamente maligno". Rm 7:5-13

Portanto, da próxima vez que você mostrar um versículo para alguém e essa pessoa argumentar que não devemos seguir o que está escrito porque "a letra mata", é bem provável que essa pessoa é mais uma que gosta de selecionar da Bíblia apenas o que lhe apraz, e rejeitar tudo o que não lhe convém.

Quem não ira no arrebatamento?

Mateus 24 trata do remanescente judeu que testemunhará durante a tribulação. O termo "levado" que aparece nos versículos 40 e 41 nada tem a ver com o arrebatamento. Muitos usam estes versículos como sendo o arrebatamento, mas isso é tirá-los de seu contexto. O contexto é o assunto sobre o qual o Senhor vem Se referindo antes, ou seja, o dilúvio (vers. 39) que "LEVOU a todos", ou seja, foi um ato judicial, foi a morte ceifando vidas. Da mesma forma, quando Cristo vier para reinar (no final da grande tribulação), a morte passará ceifando a muitos; levando a muitos. Os vivos entrarão no milênio. Mas não são cristãos como os conhecemos hoje; serão judeus (ou gentios convertidos) que se converterão durante a tribulação e que NUNCA ESCUTARAM O EVANGELHO ANTES.

Devo chamar sua atenção para o fato de que Mateus 24.14 fala do evangelho do Reino e não do evangelho da graça. Há muitos que pensam que o evangelho da graça tem que ser pregado antes a todo o mundo para que Cristo volte. Não é assim. No momento em que o último eleito antes da fundação do mundo para fazer parte da Igreja for salvo, aí Cristo virá buscar os que são Seus; os santos celestiais. Aí cessa a pregação do evangelho da graça, que é pregado desde que Cristo foi rejeitado como Rei. "Crê no Senhor Jesus e serás salvo" é o evangelho da graça que hoje pregamos. "Arrependei?vos que o reino está próximo" é o evangelho do reino pregado por João Batista e que será pregado por um remanescente fiel que se converterá após o arrebatamento e será perseguido ferozmente.

A idéia de que alguns crentes menos espirituais ou menos maduros serão deixados para a tribulação é completamente falsa e cai por terra com apenas uma passagem: "Por isso Deus lhes enviará a operação do erro, PARA QUE CREIAM A MENTIRA; para que sejam julgados TODOS OS QUE NÃO CRERAM A VERDADE, antes tiveram prazer na iniqüidade" (1 Ts 2.11,12). Aqueles que ouviram o evangelho e não creram, não terão uma segunda chance. O próprio Deus fará com que creiam na mentira do diabo. Os que fazem parte da Igreja, tem o Espírito Santo que será tirado da terra quando Cristo vier. Toda a Igreja será arrebatada. Cristo não deixará um "pedaço" da noiva aqui. Hoje, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não é dEle; nunca creu e não está salvo.

Apocalipse 12 não fala da Igreja. Esta só aparece até o final do capítulo 3 e no final do livro, nas bodas do Cordeiro. Nesse meio tempo Deus estará tratando com Israel. A "mulher" é Israel e o "varão" é Cristo, Aquele que há de reger com vara de ferro e que foi arrebatado para Deus, para o Seu trono (veja Ap 12.5).

Os anjos foram os pais dos gigantes da Biblia?

Creio que Gênesis 6.2 nos fala de anjos (veja também "filhos de Deus" com o mesmo sentido em Jó 8.4-7), os quais deixaram sua habitação (Judas 6) e são guardados em prisões até o juízo. Deus não perdoou os anjos que pecaram (2 Pedro 2.4) e como em Judas é feita menção a Sodoma, pode ser que a natureza do seu pecado aponte para Gênesis 6.2, ou seja, a concupiscência e insubordinação (2 Pedro 2.10; Judas 6-8).

Juntando tudo, ao que parece alguns anjos tomaram a forma humana e uniram-se às mulheres, dando estas à luz filhos. Uma nova raça de "super-homens", por assim dizer, surgiu sobre a Terra. Varões valentes (Gênesis 6.4). Satanás sabia que da semente da mulher viria Aquele que lhe esmagaria a cabeça (Gênesis 3.15). Caim logo demonstrou não ser Aquele que era esperado, mas Abel teve aceitação da parte de Deus e certamente Satanás está por detrás do ato de Caim que matou seu irmão. Mas Deus reiniciou a linhagem daqueles que haviam de invocar o nome do Senhor na pessoa de Sete (Gênesis 4.26). A tática de Satanás parece haver mudado então e, ao invés de destruir um ou outro varão nascido de mulher, procurou corromper a linhagem humana, usando as mulheres para gerar uma raça poderosa neste mundo, porém mesclada com a semente de anjos caídos.

É bom que se compreenda que estas linhas são apenas alguns pensamentos e não podemos transformá-los em dogmas ou doutrinas. Há irmãos que não entendem assim e citam Mateus 22.30 para demonstrar que os anjos não se casam. Eu, particularmente, concordo que no estado original eles não possam fazê-lo, mas acredito que poderiam fazê-lo caso tomassem a forma humana. E pode ser que a referência feita em Judas acerca de haverem deixado sua habitação não queira dizer simplesmente o lugar onde habitavam mas também o seu tabernáculo, isto é, a sua forma original (no sentido de corpo). Se foi o que realmente aconteceu, então Deus tinha, no dilúvio, também um propósito de preservar a linhagem humana sem que houvesse uma mescla satânica nas pessoas que viessem a nascer.

A história da humanidade guarda vestígios de algo assim. Entre os egípcios e outros povos há lendas que falam de deuses descendo dos céus para ter relações com mulheres, gerando delas alguns grandes homens, como faraós ou até mesmo os heróis poderosos da literatura grega e de outros povos.

Como um alerta final, gostaria de dizer que, como cristãos, nos regozijamos naquilo que conhecemos, e não devemos nos preocupar com aquilo que não conhecemos. Considerando que aquilo que já conhecemos do Senhor e das bênçãos eternas reservadas para nós nos lugares celestiais podem nos manter ocupados por toda a eternidade, não fica muita coisa com que devamos nos preocupar.

A Bíblia não diz muita coisa dos detalhes dos eventos mostrados em Gênesis. Deus nos diz o que deveríamos conhecer para nos regozijarmos nEle. O que passar daí pode cair na esfera da pura especulação.

Como suportar a morte na familia?

Há muitas coisas difíceis de se aceitar, mas acho que a morte é a pior delas. Deus não pede que "sejamos fortes", que "procuremos esquecer", que "não choremos", pois Ele mesmo sentiu todas essas coisas. Diante do túmulo de Lázaro, Jesus chorou, demonstrando que o sentimento de tristeza é bem apropriado para o ser humano.

Portanto não tente lugar contra seus sentimentos, simplesmente aceite que tudo vem de Deus. Se quiser chorar, chore; se quiser ficar triste, fique triste, não há nada de errado nisso. Mas, como fizeram Marta e Maria por ocasião da doença e morte de Lázaro, recorra ao Senhor. Não recorra a nada e nem a ninguém mais, senão só a Ele.

Muitas pessoas se desesperam quando acham que Deus está muito longe delas e não pode compreender o que estão passando. Isto seria verdade se Deus fosse como muitas religiões ensinam, ou seja, alguma força distante e impessoal, inacessível ao homem e que apenas mantivesse as coisas funcionando. Mas Deus não é assim. Em Cristo pudemos encontrar Deus perfeito e Homem perfeito.

Deus Se fez carne na Pessoa de Jesus e experimentou o que é andar por este chão, comer a comida que comemos, sofrer fome, sede, dor e abandono. E, mais que tudo, Ele sofreu a rejeição por parte de Suas próprias criaturas e, na cruz, Cristo foi abandonado pelo próprio Deus quando Se fez pecado por nós. Existe alguém que tenha sofrido mais do que Ele? Ninguém!

Veja, por exemplo estas passagens: "Naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados". "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém Um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado". "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles". (Hebreus 2.18; 4.15; 7.25).

Tenho absoluta certeza de que o Senhor Jesus pode consolar perfeitamente o seu coração. Ele não apenas pode consolar mas também salvar perfeitamente os que a Ele se chegam. Se você ler o capítulo 3 do livro de Daniel (Antigo Testamento), encontrará a história de três homens de fé, Sadraque, Mesaque e Abednego, que foram lançados em uma fornalha por causa de sua fé em Deus. Eles estavam no fogo, mas não sozinhos. O Senhor estava com eles. Muitas vezes Deus permite que sejamos lançados no fogo das aflições, mas Ele não nos deixa sós. É nessa hora que temos que confiar inteiramente nEle.

Creio que seu coração deve estar cheio acerca da pessoa que partiu. Você mesmo sabe que a Bíblia deixa bem claro que não existe nenhuma oportunidade de salvação após a morte. Não existe um purgatório como ensina o catolicismo, e nem uma reencarnação, como dizem os demônios incorporados nos médiuns espíritas. É nesta vida que fica selado o nosso destino eterno.

Embora alguém possa achar que não está certo que seja assim, Hebreus 9.27 diz que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo. Em Lucas 16.19-31 o Senhor ensinou que, após a morte, os dois homens da história (o rico e Lázaro) já tinham seus lugares assegurados, sem possibilidade de passarem de um lado para o outro. E devemos dar graças a Deus por isso, pois só nos faz ficar mais confiantes por sabermos que, uma vez salvos, salvos eternamente. Leia também 2 Samuel 12.22,23.

É normal que nos preocupemos com a pessoa que partiu, principalmente quando é alguém muito querido. Mas podemos descansar na certeza de que Deus é justo em todos os Seus desígnios. Orações e rezas pelos que já faleceram não têm valor nenhum pois, se tivesse, a obra de Cristo teria sido incompleta; seria necessário nossa ajuda. Todavia às vezes não temos certeza se a pessoa que partiu foi salva; não tivemos oportunidade de vê-la convertida.

A salvação não vem pelo conhecimento de doutrinas ou por algum aprofundamento teológico, ou pelo lugar ou pelo modo como nos reunimos. Não é nada disso. Até uma criança pode crer na Salvação que Deus preparou e vou citar alguns versículos que dizem que Deus QUER que todos os homens se salvem (1 Timóteo 2.4), que Ele pode salvar PERFEITAMENTE os que se chegam a Ele (Hebreus 7.24,25), que basta CRÊR no Senhor para receber a salvação (Atos 16.30,31), e que basta OLHAR para Cristo para ser salvo (Isaías 45.20-22).

A obra que cristo consumou na cruz é complexa e de uma profundidade que nunca vamos conseguir entender plenamente. Porém, a parte que cabe ao pecador é simples. Deus QUER salvar. Basta se achegar a Ele; basta CRÊR nEle; basta OLHAR para Ele. Não há nada de complicado. E o Senhor certamente não abandona ninguém sem que tenha uma chance de ser salvo. Ele vai até o último suspiro de um ser humano, procurando, por meio do Espírito Santo, convencê-lo da sua necessidade de um Salvador.

Porventura a pessoa que partiu não ouviu de Cristo? Não escutou o evangelho da salvação? Certamente que sim, de uma maneira ou de outra.É certo que tenha ouvido de Cristo e, mesmo que tenha entendido de um modo não muito perfeito, ouviu, e ficou ciente de que Deus enviou Seu Filho ao mundo para salvar. Se, então, mesmo que em seu último suspiro, simplesmente olhou para Cristo, ou simplesmente pediu socorro a Ele, Deus operou completa salvação. Não é o grau de nossa compreensão que salva; é a Pessoa de Cristo. Isto não somente tranqüilizará seu coração como também tranqüiliza o coração de todos aqueles que já perderam algum ente querido. Ninguém sabe o que se passa no coração de uma pessoa nos momentos que antecedem a morte.

Obviamente, aquele que escuta estas palavras e diz: "Bom, então vou deixar para me converter na última hora", não poderá ficar surpreso se acordar no inferno. Mas alguém que, mesmo sem entender direito, clamou por salvação nos seus últimos momentos, certamente não teve suas palavras levadas pelo vento. Deus escuta e salva.

Conheço uma pessoa que levou uma vida dissoluta, entregue aos pecados e aos prazeres da carne, e que, depois de dois anos enfermo, acabou falecendo. Antes de falecer, pediu perdão à sua esposa por tudo o que havia feito em sua infidelidade para com ela. E na sua última hora, ficou aflito por não saber para onde iria. A pessoa que estava ao seu lado disse-lhe que chamasse por Jesus, pedindo que o Senhor o salvasse. Aquele homem morreu com seus lábios dizendo: "Jesus, me salva, Jesus, Jesus, Jesus..."

Pergunto: Será que Aquele que sofreu tanto em nosso lugar para nos salvar; Aquele que, na cruz, pediu ao Pai que perdoasse Seus algozes, não escutou as palavras desse homem? Será que não veio em socorro de um pecador moribundo que, arrependido de seus pecados, embora sem nenhum conhecimento (acho que nunca leu uma linha da Bíblia), morreu com o nome de Jesus em seus lábios? Tenho a firme convicção de que o encontrarei no céu.

A religião do homem tem sempre dois extremos: ou ata fardos pesadíssimos no ser humano, lançando-o num lamaçal de incertezas, ou trata o pecado com leviandade. Escutamos alguns que dizem: "Se você não fizer isto, aquilo e mais aquilo outro, não terá nenhuma chance". Esses mesmos que falam assim nunca têm certeza nenhuma, pois nunca conseguem cumprir os preceitos que impõem sobre si e sobre outros. Ou então escutamos outros pregarem: "Deus é bom; imagine se Ele vai condenar alguém!" Sim, Deus é bom; mas Deus é justo.

Portanto, creia nEle e descanse sabendo que o que Ele faz é o melhor. E fuja de todo e qualquer contato com o demônio, no caso, por meio do espiritismo e de seus escritos. São demônios, e não espíritos, que são recebidos nas chamadas sessões espíritas. Sua função é enganar, imitando a voz do falecido, falando coisas que só a família conhece, etc. Demônios são seres espirituais que nos cercam o tempo todo e sabem muito a nosso respeito. Temos Cristo e temos a Sua Palavra. Como iríamos negá-Lo? Como poderíamos ser infiéis a Ele que derramou Seu sangue para nos salvar?

Para discernir o que vem de Deus e o que vem de homens ou do próprio Satanás, é preciso verificar se a doutrina ou ensino endossa a obra completa de Cristo para a salvação: a morte e ressurreição do Filho de Deus. Até mesmo o apóstolo Pedro chegou a ser enganado quando falou com o Senhor Jesus usando palavras que alguém desatento poderia achar que eram piedosas. Veja este trecho e quem estava por detrás das palavras aparentemente singelas de Pedro:

"Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens." Mateus 16:2

Espero que esta lhe traga esclarecimento e conforto. Procure orar pelos que ficaram, para que possam se converter.

O cristão deve orar na direção de Jerusalém?

Não, esse era um costume que os judeus adotaram com base no que Deus disse em relação ao Templo em Jesuralém:

"E na terra, para onde forem levados em cativeiro... a ti suplicarem... e orarem para o lado da sua terra, que deste a seus pais, e para esta cidade que escolheste, e para esta casa que edifiquei ao teu nome..." 2 Crônicas 6:37,38

O profeta Daniel tinha esse costume, já que também costumava orar voltado para Jerusalém:

"Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer". Daniel 6:10

O que Daniel fazia estava bem de acordo com a vontade de Deus, pois era em Jerusalém que estava o Templo, era lá o lugar que Deus havia escolhido para serem dirigidas todas as orações e levados todos os sacrifícios de Seu povo.

Não sei se os judeus fundamentalistas ainda seguem essa prática, mas sei que os muçulmanos fazem isso. Daí a dificuldade do primeiro astronauta muçulmano a viajar para o espaço durante o Ramadã. Por ser religioso, o malasiano Muszaphar Shukor enfrentou alguma dificuldade para adaptar sua fé ao espaço.

Uma delas foi a obrigação de orar cinco vezes por dia voltado para Meca. Mas, afinal, onde está Meca quando você está no espaço olhando para uma Terra em torno da qual a estação espacial gira 16 vezes por dia? Daniel teria tido o mesmo problema se fosse astronauta além da dificuldade de definir como guardar o sábado que começa no por-do-sol da sexta-feira em um lugar onde o sol se põe 16 vezes por dia.

A questão é que tanto judeus como muçulmanos (sem falar em muitos outros povos) têm sua esperança em lugares terrenos, um erro que muitos cristãos também cometem. Existe uma corrente no cristianismo, compartilhada por muitos líderes norte-americanos (talvez até mesmo pelo presidente Bush) que considera obrigação do cristão implantar o Reino de Deus neste mundo. No caso particular dos Estados Unidos, existe até a crença no Destino Manifesto, segundo a qual o povo norte-americano foi escolhido por Deus para dominar o mundo. Sabendo disso fica fácil entender o ímpeto expansionista daquele país.

Não é muito diferente do que pensavam os católicos da idade média ou dos cruzados em seu afã de libertar Jerusalém. A idéia, às vezes chamada de Teologia do Domínio, é que quando o evangelho for pregado em todo o mundo e os cristãos dominarem o mundo, então o Rei voltará para reinar. Os cristão seriam assim como cruzados enviados, não a Jerusalém, mas ao mundo inteiro para literalmente conquistar o mundo e obter o domínio secular das nações para que o Rei possa reinar.

Essa idéia é um absurdo e basta estudar história (ou ler os jornais de hoje) para perceber quantas barbaridades são cometidas por cristãos, judeus e muçulmanos em seu afã de conquistar um pedaço de terra que, de importância de longo prazo, só irá servir de sepultura.

Para o cristão não existe um lugar na Terra para onde deva se dirigir em oração, "porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura". (Hebreus 13:14) O Senhor Jesus orava "levantando seus olhos ao céu" (João 17:1) e é para lá que o cristão também dirige suas orações, hoje contando com um Advogado diante de Deus, Jesus.

Ao contrário de qualquer um que dirija suas orações voltado para uma cidade deste mundo, o cristão tem o privilégio de poder orar de costas para o mundo e de frente para o céu, onde Cristo está. Orar para alguma cidade neste mundo, considerar qualquer lugar aqui santificado ou tentar conquistar um pedaço de terra com o argumento de estar empenhado numa missão divina é não entender o caráter celestial das promessas feitas ao cristão.

Você irá ler por aí coisas do tipo "O Brasil é de Jesus", "Marcha para Jesus", "Bancada Evangélica no Congresso" e até frases como "Deus é fiel" ou "In God we trust" impressas no dinheiro por pressão de cristãos. Isso nada mais é do que tentar fincar uma bandeira em um mundo que está reservado para o fogo; nada mais é do que negar o caráter de estrangeiro e peregrino do cristão e tentar, de alguma forma, alegar que tem direito a um pedacinho de um mundo cujo príncipe hoje é o diabo.

"Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo". Filipenses 3:20

É possível um cristão entrar em depressão?

Sim, qualquer pessoa pode entrar em depressão, tendo ou não conhecimento de Deus. Muitos santos de Deus do Antigo e Novo Testamento são vistos em momentos de profunda depressão e desespero. Jó é um que sabia muito bem o que era sentir-se deprimido:

"Na angústia do meu espírito... na amargura da minha alma... de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos." Jó 7:111-16

Ao contrário do que muitos cristãos pensam, que um cristão só passa por depressão se estiver com algum problema em sua vida ou comunhão com o Senhor, encontramos Paulo também profundamente deprimido em mais de uma ocasião, como ele mesmo conta em 2 Coríntios 7:5:

"Porque, mesmo quando chegamos à Macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro. Mas Deus, que consola os abatidos [deprimidos], nos consolou com a vinda de Tito".

A palavra "abatidos" aparece traduzida em algumas versões como "deprimidos". Portanto, ao referir-se que Deus consola os deprimidos, Paulo estava falando de sua condição naquele momento. A pressão que ele sofria, tanto de seus perseguidores como das responsabilidades que tinha para com o povo de Deus chegavam a limites humanamente intoleráveis em muitas ocasiões:

"Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos". 2 Coríntios 1:8

Em situações assim até o apóstolo Paulo, que geralmente é considerado um exemplo de cristão, precisava ser ajudado por seus irmãos quando o desânimo caía sobre si. Foi o que aconteceu ao chegar à Itália, profundamente desanimado com as coisas que lhe tinham ocorrido nos dias anteriores. Ele, que no navio em meio à tempestade serviu de ânimo aos passageiros e tripulantes (Atos 27:26), agora precisa ser animado por outros:

"E de lá, ouvindo os irmãos novas de nós, nos saíram ao encontro à Praça de Ápio e às Três Vendas, e Paulo, vendo-os, deu graças a Deus e tomou ânimo". Atos 28:15

E se pensarmos no que o Senhor sofreu nas horas que antecederam a cruz e também enquanto estava pregado nela antes de Sua morte, será que encontraremos alguém mais deprimido, mais desesperado da vida e mais desanimado? Diante dos horrores que tinha diante de Si, em Sua oração ele chegou a derramar gotas de suor como de sangue e precisou ser confortado por um anjo. Veja como o salmista descreve os sentimentos do Senhor (muitos salmos são proféticos e revelam os sentimentos do Messias) no Salmo 38:6-17:

"Estou encurvado, estou muito abatido, ando lamentando todo o dia... Estou fraco e mui quebrantado; tenho rugido pela inquietação do meu coração... O meu coração dá voltas, a minha força me falta; quanto à luz dos meus olhos, ela me deixou... Quando escorrega o meu pé... Porque estou prestes a coxear; a minha dor está constantemente perante mim."

Se ao passar por uma depressão você se sente encurvado, abatido, fraco, quebrantado, inquieto, sem forças, em total escuridão, prestes a escorregar e a cair, então saiba que não está sozinho. O próprio Senhor Jesus já experimentou todos esses sentimentos. A única diferença foi que ele não tinha, como nós temos, o pecado agindo em Si ou a possibilidade de pecar como nós temos.

Mas Ele prometeu não nos abandonar quando essas mesmas dificuldades nos sobreviessem.

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". Mateus 11:28

O Senhor deu aos que crêem nEle o Espírito Santo, que o próprio Senhor chamou de "Consolador". Oras, um Consolador só tem alguma utilidade para pessoas que estão desconsoladas, desanimadas e deprimidas. A quem um Consolador iria consolar se os cristãos fossem super-homens e super-mulheres vivendo acima de qualquer depressão, desespero ou tristeza profunda?

A depressão pode ser decorrente de algum problema em nossa vida espiritual, algum pecado não confessado, falta de fé, negligência na oração e até influência de espíritos malignos. Mas, antes que aqueles que gostam de rotular as pessoas com a rapidez com que Davi condenou o homem que tomou a única ovelha do pobre (2 Samuel 12), saiba que também pode não ser nada disso.

A depressão pode ser também circunstancial, por estarmos envolvidos em coisas que nem mesmo nós sabemos quais são, isto é, pode não ser culpa nossa. Foi o que aconteceu com Daniel no período em que passou por uma depressão profunda que durou três semanas:

"Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas". Dn 10:2,3

Daniel vai descobrir depois que a razão daquilo era uma batalha espiritual que ocorria em função de suas orações. Ou seja, a depressão pode ocorrer como consequência do que está no mundo invisível, seja por nossa falha ou por nossa fidelidade.

Há, porém, outras formas de depressão que não têm origem espiritual, mas física. Nosso corpo é controlado por hormônios e substâncias químicas que causam verdadeiros rebuliços em nosso humor. Mulheres que conhecem os efeitos da tensão pré-menstrual sabem o quanto seus corpos e mentes podem ser afetados pelas mudanças que ocorrem no organismo nesse período.

Antes de descobrirem a causa de problemas físicos como a epilepsia, tudo era considerado problema espiritual e muitas pessoas sofreram severos danos por causa da ignorância. Infelizmente ainda hoje muitos, por ignorância ou para defender suas crenças, infligem sofrimentos e danos a pessoas que sofrem de depressão ou problemas mentais que, às vezes, nada mais são do que reações do organismo.

Lembro-me quando, em minha adolescência, minha mãe quase morreu depois de um período de depressão profunda que a levou a emagrecer demais e a passar dias sem querer sair da cama ou comer. Vários médicos foram consultados até um descobrir que seu problema era de uma disfunção em uma glândula. Um tratamento adequado resolveu o problema e ela voltou a ser a pessoa ativa que era antes da doença.

O recurso para todo cristão está em Deus e no Senhor Jesus, que sabe tudo o que passamos. Mas é importante também entendermos que Deus pode querer usar algum instrumento para realizar a Sua obra em nós, do mesmo modo como usou uma vara para abrir o Mar Vermelho, uma pasta de figos para curar Ezequias (2 Rs 20:7) ou um pouco de vinho para a enfermidade que Timóteo tinha no estômago. (1 Tm 5:3).

Por isso é bom entender que Deus pode querer que recorremos a médicos e medicamentos para sermos curados de enfermidades como a depressão, que aflige um número cada vez maior de pessoas. Mas, do mesmo modo como a vara que Moisés usou, ou a pasta de figos de Ezequias, não podia fazer nada por si só, assim o cristão deve estar ciente de que Aquele que às vezes permite que passemos por situações de depressão como Jó e Paulo passaram só permite isso porque tem um propósito.

Esse propósito talvez não esteja muito claro na hora do problema, mas certamente um dia ficará, e então veremos que a Sua vontade foi sempre a melhor para nós. Os santos de Deus da antiguidade recorreram Àquele que podia tirá-los daquela depressão, e foram atendidos. Nós temos o mesmo Senhor a Quem recorrer.

Nao preciso fazer nada para entrar no ceu?

Você disse não concordar com o que escrevi quando falei sobre o espiritismo:

"Oras, se Deus providenciou um Salvador foi porque viu que não éramos capazes de nos salvar a nós mesmos. Por que existiria um Salvador se as pessoas pudessem se salvar a si mesmas?"

Então você argumentou, dizendo:

"Pela sua lógica, eu não preciso fazer nada para entrar no reino dos céus? Até porque é inútil. Deixo que o Salvador faça por mim. Na busca da salvação somos todos inúteis e irresponsáveis, como crianças ingênuas. Que absurdo! Um mundo de irresponsáveis. Prefiro coninuar sendo responsável pelos meus atos. Ora existiu o Salvador pra ensinar o caminho correto, que é o amor, mas quem decide que rumo dar a própria vida é cada um."

E continuou tentando explicar a superioridade do espiritismo por ser "autônomo", ou seja, independente de qualquer dogma ou religião. Sua reação é natural, pois sempre procuramos defender que há em nós algo de bom. Então, quando confrontados com a Palavra de Deus, que diz que não há nada de bom em nós, que precisamos ser salvos, e que isso não vem de nós, obviamente ficamos decepcionados. Se o espiritismo for verdade, a Bíblia inteira, de capa a capa, é o pior engano que já existiu. E isso incluem as palavras de Jesus (muito usadas no espiritismo), já que Ele endossou tudo o que foi escrito no Antigo Testamento:

"Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos". Lucas 16:29

"Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos". Lucas 16:31

"E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras." Lucas 24:27

"Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José." João 1:45

"Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?" João 5:46,47


A questão deixa então de ser de lógica e passa a ser de coerência. Se você acreditar na Bíblia, então o Espiritismo é falso. Se crer no Espíritismo, então a Bíblia não pode ser verdadeira.

Se optar por crer na Bíblia, verá que, logo após o pecado no Eden, Deus fez uma vestimenta de pele de animal para cobrir Adão e Eva (substituindo a vestimenta de folhas de figueiras que eles próprios tinham feito). Era a provisão de Deus cobrindo, por meio da morte de um animal inocente, o pecado do homem, o que este foi incapaz de fazer com a obra de suas mãos e um cinto de folhas.

O que motivou Caim a assassinar Abel foi Deus ter se agradado da oferta de Abel - um animal inocente de seu rebanho morto em sacrifício a Deus - e não ter se agradado da oferta de Caim - o fruto de seu trabalho e da terra que cultivou.

A partir daí você verá uma sucessão de sacrifícios ao longo de toda a história do Antigo Testamento. Sempre que alguém pecava, devia levar um animal (geralmente um cordeiro) para ser morto no lugar do pecador. Era o inocente assumindo o lugar do culpado. Séculos se passaram com esses sacrifícios que apontavam para um sacrifício maior sendo repetidos dia após dia, ano após ano.

Até o dia em que, quando vê Jesus, João Batista declara: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo". João Batista estava se reportando aos sacrifícios continuados de cordeiros do passado e apontava para o sacrifício definitivo, o Cordeiro de Deus que havia de ser morto.

Se perdeu isso na sua leitura da Bíblia, certamente não entendeu seu espírito que vai de Gênesis a Apocalipse. Veja, por exemplo, esta cena do céu, em Apocalipse, que se passa no futuro:

"Nisto vi, entre o trono... um Cordeiro em pé, como havendo sido morto... os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro... E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra. E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória... Ouvi também a toda criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e no mar, e a todas as coisas que neles há, dizerem: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos: e os quatro seres viventes diziam: Amém." Apocalipse 5

Considerando que tudo o que há no céu, na terra e debaixo da terra irá louvar o Cordeiro que foi morto e com Seu sangue os salvou, onde estarão aqueles que considerarão ter sido salvos por seus próprios méritos? Enquanto todos os seres viventes cantarem "Digno és!" dirigindo-se ao Cordeiro, como cantarão aqueles que pretendem chegar lá por seus próprios meios? "Digno sou?".

Pode me dizer qual será a letra da canção que você cantará? "Digno sou" ou "Digno é o Cordeiro"?

Só posso ser batizado se estiver legalmente casado?

Sua dúvida diz respeito à sua condição atual, ou seja, ao fato de estar unido a uma mulher há alguns anos sem poder se casar com ela por ela aparentemente estar ainda legalmente casada com outro. Por isso os irmãos do lugar onde se congrega impedem que vocês sejam batizados e que participem da ceia.

No que diz respeito ao batismo, a ordem é que o convertido seja batizado, independente do estado em que se encontra. Quando Pedro pregou em Atos 2:41 diz que "foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas". Não acredito que tenha sido viável examinar cada pessoa ali para que fosse batizada, já que a única condição era terem recebido o evangelho. "Foram batizados os que receberam a sua palavra".

Quanto à ceia, a questão é diferente. Uma pessoa convertida, para ser recebida à mesa do Senhor e participar da ceia do Senhor não pode estar com coisas pendentes ou para serem resolvidas em sua vida, se estas coisas puderem, de algum modo, aparentar falta de ordem ou pecado. Então, uma pessoa que, por exemplo, tenha se convertido depois de uma vida devassa, certamente será provada ou aguardará até dar indícios de que mudou de vida. Ou alguém que esteja em um relacionamento considerado ilegal ou inconveniente precisará resolver isso antes de participar da ceia.

A razão disto é que a ceia do Senhor é o lugar onde os crentes têm comunhão uns com os outros e expressam a recordação da morte do Senhor. Sentar-se à mesa com alguém é ter comunhão com essa pessoa, e a mesa do Senhor é o lugar de comunhão. Em 1a. Coríntios 5 você encontra Paulo ensinando que pessoas em pecado não podiam participar da comunhão dos santos. Elas deviam ser excluídas, caso já participassem. Porém não era uma exclusão do corpo de Cristo (ninguém pode ser excluído do corpo de Cristo) ou do privilégio da salvação (ninguém pode tirar a salvação de ninguém). A exclusão é da comunhão.

A grande confusão é que as denominações geralmente consideram o batismo como a entrada para a comunhão, o que é errado. Então há denominações que batizam novamente pessoas já batizadas para considerá-las membros daquela denominação específica, não reconhecendo que há um só batismo. Por isso criam uma série de condições para o batismo (algumas exigem que se concorde com o pagamento do dízimo para o candidato a batismo), o que não tem respaldo bíblico.

No seu caso eu não sei exatamente qual seria a pendência legal, mas se ela existe é porque a legislação não o considera legalmente casado, o que faz presumir que seja uma união irregular. Para o batismo isso não é impedimento, mas para a comunhão à mesa do Senhor, para participar da ceia do Senhor, isso é impedimento. Há, obviamente, situações e situações.

Há pessoas que se convertem de uma vida com um passado tão complicado que às vezes considera-se a situação dela a partir do momento da conversão, ou seria impossível ela ter comunhão à mesa do Senhor. Mas isso, é claro, não é o caso quando há pendências legais. Por exemplo, digamos que alguém é fugitivo da polícia e se converte. Ele estará em situação irregular enquanto não se entregar e se submeter à lei. Uma vez estando cumprindo pena, a situação muda, pois, apesar de seu passado, para todos os efeitos ele está cumprindo o que a justiça exige dele.

Soube de situações na África, entre indígenas, onde homens polígamos se convertiam e criava-se um impasse. Como receber alguém com dez mulheres, se a poligamia é condenada pela Bíblia? Mas, por outro lado, como exigir que ele deixasse as mulheres em uma região onde uma mulher rejeitada pelo marido acaba morrendo de fome ou se prostituindo para comer, em razão dos costumes locais? Em casos assim, a notícia que tenho é que esses homens acabavam preservando a primeira esposa como aquela com a qual iriam coabitar exclusivamente a partir de então, porém comprometendo-se a dar sustento às outras e aos filhos que tinha com elas.

Creio que cabe aqui um esclarecimento. Quando falo de "mesa do Senhor" e "ceia do Senhor", não estou me referindo a uma mesa denominacional e nem a uma ceia denominacional. Não pode ser considerada a mesa do Senhor e a ceia do Senhor aquela que é restrita aos membros de uma determinada organização religiosa ou a um grupo de pessoas que trazem sobre si uma denominação que as identifique como distintas de outros cristãos. Há só um nome pelo qual fomos salvos e pelo qual devemos ser identificados: o nome de Jesus.

Sugestão de leitura:
O que significa a Mesa do Senhor?
Como celebrar a Ceia do Senhor?
Onde celebrar a ceia do Senhor?
O que é "comer indignamente" na ceia?
O que significa o Batismo?

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