As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O cristianismo não é baseado nas religiões pagãs?



https://youtu.be/TWn_djFItTI

Sua dúvida surgiu do vídeo que viu sobre "Deus Sol" e elementos do paganismo, no qual o autor afirma ser o cristianismo uma mera cópia desses elementos. Bem, se considerarmos o lado romano do cristianismo, há alguma verdade nisso, pois muitos elementos pagãos foram incorporados à adoração cristã do catolicismo romano como forma de atrair e converter os pagãos.

É o caso do Natal, de algumas datas e celebrações e, principalmente, do panteão de santos católicos que têm, muitos deles, uma contraparte pagã. Lembro-me de ter lido um livro antigo que mostrava essa correlação e talvez você encontre algo pesquisando. Coisas do tipo, Santa Fulana, de roupa azul, com um ramo de tal árvore na mão, protetora de determinada coisa, equivalendo a uma deusa romana de igual aparência e com os mesmos poderes.

Mas na idéia de que o cristianismo tenha se originado no paganismo, os fatos apresentados nesse tipo de explicação podem ser vistos de dois ângulos. Você pode, por exemplo, dizer que o dilúvio foi copiado de antigas lendas pagãs (há muitas sobre o dilúvio), ou acreditar que não eram lendas, mas um conhecimento do dilúvio que acabou misturado com sua cultura. O mesmo sobre o Sol e a mençã que a Bíblia faz dele em relação a Cristo, como o "Sol de Justiça" por exemplo. Será que o cristianismo copiou do paganismo a noção de Jesus/Sol ou esse era um conhecimento real e dado por Deus que acabou se mesclando com sua cultura?

O mesmo você pode dizer da ressurreição, do sacrifício vicário, da santa ceia e de tantos outros aspectos do cristianismo que possuem um correspondente no paganismo. O fato de algo ter um correspondente no paganismo não quer dizer necessariamente que o correspondente pagão tenha sido o que surgiu primeiro. Como no caso do dilúvio, primeiro veio o conhecimento divino dado a Noé, e depois as lendas pagãs. O mesmo se pode dizer do monoteísmo. Há religiões pagãs monoteístas, como uma que dominou o Egito em um determinado tempo, ou outra instituída por um rei Inca em sua época. Teria o judaísmo ou cristianismo monoteísta ido buscar a idéia nesses povos ou seria o contrário?

Vários povos antigos tinham a noção de um salvador que viria do céu, e alguns alegam que os Maias tenham se deixado dominar pelos espanhóis por considerarem aqueles homens enormes (nos primeiros encontros eles não entendiam que o cavalo não fazia parte do homem) como o salvador anunciado. Será que o messianismo judaico-cristão emprestou desses povos antigos a idéia de um Messias ou foi o contrário, isto é, esses povos em algum momento do passado tiveram contato com a revelação divina de um Messias e acabaram incorporando isso em suas culturas?

Um excelente livro sobre o assunto é "O Fator Melquisedeque" ("Eternity in Their Hearts"), de Don Richardson, um missionário que encontrou vários exemplos de paralelos cristãos em povos indígenas de todo o mundo. Sua tese é que Deus preparou os homens para as Suas verdades e que esse preparo acabou incorporado às suas culturas, de forma que não achassem estranho quando alguém lhes falasse de um dilúvio universal, de um Messias, um Salvador, um sacrifício substitutivo etc.

O próprio Don Richardson viveu em uma tribo da Nova Guiné onde a porta para a aceitação do evangelho foi o conceito que tinham do "Filho da Paz", ou seja, quando uma tribo queria ter paz com outra, entregava um de seus filhos, uma criança, que precisava ser criada pela outra tribo. Enquanto a criança vivesse, elas não poderiam guerrear. Quando o missionário disse aos indígenas que Deus entregou o Seu filho para fazer a paz conosco, e como o Filho está hoje ressuscitado e não morre mais é possível ter paz com Deus eternamente, tiveram início as conversões.

Veja um trecho de uma apresentação do livro:

"Deus preparou o mundo para o Evangelho

Uma vez por ano, os artesãos de uma tribo da Indonésia constroem um barco de madeira em miniatura e o levam à beira do rio. O chefe religioso da tribo amarra uma galinha num lado do barquinho e coloca uma lanterna acesa no outro lado. Logo em seguida, cada membro da tribo passa perto do barquinho e coloca um objeto invisível entre a galinha e a lanterna.

Quando se pergunta às pessoas o que deixaram no barquinho, elas respondem: meu pecado. Depois, o chefe deixa o barquinho ser levado pela correnteza do rio, enquanto os expectadores gritam: Estamos salvos! Embora esta cerimônia religiosa não salve ninguém do seu pecado, Don Richardson a vê como exemplo de uma ponte para o conhecimento do Evangelho.

Neste livro, Richadson conta mais 25 histórias fascinantes, que mostram a semente do Evangelho deixada por Deus em cada cultura do mundo. Ele chama este tipo de Revelação Geral de Deus O Fator Melquisede, usando o nome do sacerdote a quem Abraão prestou homenagem no Livro de Gênesis.

Este livro mudará as idéias de muitos cristão sobre os povos pagãos e sobre a soberania de Deus."


Outro coisa para pensar é que, se o cristianismo for apenas uma religião habilmente montada a partir do paganismo e de seus símbolos, então estamos diante de um trabalho como jamais foi visto. Digo isto porque toda a base do cristianismo é encontrada no judaísmo, e a Bíblia é harmônica do Gênesis ao Apocalipse, mostrando figuras de Cristo no Antigo Testamento e sua concretização no Novo Testamento. É um livro coeso, onde as coisas se encaixam e se complementam.

Agora pense no fato de este livro ter sido escrito por mais de 60 pessoas que viveram espalhadas ao longo de um período de uns 2 mil anos, moraram em 3 continentes, escreveram em 3 idiomas diferentes e boa parte delas jamais se encontrou ou leu o que a outra escreveu. Todavia, ainda assim temos um livro coeso, com todos os símbolos que alguns alegam terem sido emprestados do paganismo perfeitamente encaixados em seus devidos lugares e se relacionando harmonicamente sem que existam contradições ou uma falta de continuidade. Se não foi Deus quem orquestrou essa obra toda, então quem foi? O homem certamente não conseguiria.

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