As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como lidar com os altos e baixos da vida cristã?



https://youtu.be/LR5PahAFrlk

Obrigado por seu texto me fazer sentir que não sou o único que também passa por altos e baixos (às vezes mais baixos do que altos). Se Paulo chegou a desesperar da própria vida, por que eu seria diferente? Ou o que você acha que eram os "temores por dentro" que ele sentia? "antes em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro". 2 Coríntios 7:5

A questão é que o Senhor também entende o que fazemos, que temos esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder não seja de nós mesmos. Paulo dizia que quando estava fraco, aí sim é que estava forte, e se existe uma coisa que detesto são esses super-cristãos, para os quais tudo é poder, milagres, visões, sem falar das riquezas e dos dez carros na garagem. Tudo conversa.

O cristão vive em um mundo que não é o seu lugar, habita um corpo que está arrebentado pelo pecado, caminha entre pessoas que ainda estão na condição de inimigas de Deus e, para piorar as coisas, é alvo constante do príncipe que no momento manipula este mundo: Satanás. Você certamente não poderia esperar que sua vida fosse um mar de rosas em um ambiente tão hostil, não é mesmo?

Mas a grande diferença é que o crente tem o Senhor, tem o Espírito Santo habitando em si, e se nem orar ele consegue, o Espírito Santo até nisso nos ajuda com gemidos inexprimíveis. Há alguns cuidados, porém, que devem ser tomados nesta jornada. O primeiro é procurar manter-se separado daquilo que pode nos prejudicar. Outro dia um irmão disse que o perigo não é o barco estar na água, mas a água entrar no barco.

Então todas as coisas que são deste mundo acabam nos atrapalhando, de um jeito ou de outro. Obviamente em nossa jornada pelo deserto, nossos pés acabam se sujando, seja pelas responsabilidades do trabalho, onde às vezes somos obrigados a engolir alguns sapos, seja pelo próprio ambiente cada vez mais degradante no qual estamos inseridos (daí o Senhor dizer que precisávamos, em figura, lavar os pés continuamente).

A separação é necessária, e apesar de existir muita coisa perniciosa neste mundo, nada é mais pernicioso do que as coisas espirituais quando são distorcidas. O Senhor nunca foi condescendente com o pecado, porém tratou com carinho publicanos e prostitutas. Mas na hora de tratar com os religiosos de Seu tempo, não poupou o chicote e frases como "raça de víboras", "sepulcros caiados" etc. A pior forma de pecado é o religioso, pois não apenas causa danos a nós (como acontece com outras formas de pecado, como a prostituição, a mentira ou a avareza), mas desonra a Deus, denigre o que Ele é e diminui a Pessoa de Cristo.

Se eu fosse você, a primeira coisa seria fugir de toda sorte de livros e idéias que são claramente contrárias à Palavra de Deus, como os ensinos dos Testemunhas de Jeová, o Bahagavad-Gita, Corão, ou ainda de agnósticos. Nunca devemos ser tão ingênuos ao ponto de acreditar que as artimanhas de Satanás não sejam capazes de nos envolver. Ele é mais experiente do que nós. "Fugi", "apartai-vos", são palavras fortes encontradas em toda a Bíblia quando o assunto é pecado ou má doutrina.

Acho que um dos problemas de sua angústia está no fato de ser filho de pastor. Quando alguém é colocado numa posição de destaque numa comunidade (o pastor e sua congregação, por exemplo), existe uma espécie de necessidade de corresponder às expectativas que as pessoas têm dessa pessoa e de sua família. Ou seja, todos precisam sempre se mostrar super-santos, super-espirituais, porque estão na berlinda. Não que queiram fazer isso, mas o sistema coloca esse fardo sobre a família toda, e nem todos aguentam fingir o tempo todo.

Então cria-se uma espécie de máscara, de linguagem mansa, de aparência de piedade, uns deliberadamente, outros por pressão das responsabilidades. Mas um dia a casa cai e não são poucos aqueles, sejam pastores ou familiares, que entram em parafuso e começam a enxergar uma dicotomia entre o que são e o que se sentem na obrigação de parecer ser.

Até aqui eu tentei fazer um diagnóstico e dizer qual é a doença, mas a cura você já conhece: o Senhor Jesus. Não há fórmulas mágicas. É nEle que você deve descansar, é a Ele que você deve recorrer, é dEle que deve esperar socorro. E, principalmente, saber que Ele sabe exatamente o que você está passando melhor do que ninguém, e tem um propósito em tudo isso. Eu sei que isso pode parecer cliché, mas não é e você sabe disso.

"Vinde, e ouvi, todos os que temeis a Deus, e eu contarei o que ele tem feito à minha alma. A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua. Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá; Mas, na verdade, Deus me ouviu; atendeu à voz da minha oração." Sl 66

Fique ocupado com a miséria em seu coração e você jamais sairá dessa fossa. E esteja atento, porque nossa tendência é acalentar um estado assim pois isso atrai um certo sentimento de comiseração por parte das pessoas e de nós mesmos. O problema é que a auto-comiseração, o sentimento de "ó dia, ó vida, eu sei que não vai dar certo", ou "ninguém me ama, ninguém me quer" (só para citar duas frases populares) vicia e acabamos tendo um certo prazer nisso. Aí, ao invés de realmente estarmos procurando por uma saída, queremos encontrar outros que estejam na mesma para fundarmos juntos o "Clube dos Miseráveis". Nosso coração é enganoso demais.

Pare de olhar para dentro e olhe para fora, para Jesus. Ocupe-se com Ele (com a Pessoa dEle, não com a igreja, os irmãos, a religião ou seja lá o que for). Passe um repelente no corpo para evitar o mosquito da dengue e um repelente no coração para evitar o mosquito da auto-piedade e da ocupação consigo mesmo. O que não entender, deixe na gaveta de assuntos a resolver e ocupe-se com o que entende (e tenho certeza de que encontrará muita ocupação) a respeito de Cristo, de Sua Pessoa, de Sua obra, de Sua glória... e aproveite para cantar uns hinos de vez em quando.

Você não vai sair do atoleiro revirando-se na lama. Vai afundar cada vez mais. Por isso, meu conselho é que pare de lutar contra a sua carne (nossa luta não é contra a carne e o sangue) e ocupe-se com as coisas do Espírito.

Se eu tenho dúvidas, anseios, angústias, aflições? É claro que tenho, pois estou com uma vida nova, porém contida num corpo velho e uma cidadania celestial, mas vivendo no exílio.

"Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" Cl 3

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