Se a salvacao nao depende de mim posso viver como quiser?

Sua dúvida é a mesma de muitas pessoas quando descobrem que nada do que fazemos ajuda em nossa salvação: boas obras, orações, penitências ou até o simples ato de se arrepender. Quando você entende que até o arrependimento é algo causado pelo Espírito Santo, a primeira dúvida que vem em mente é:

"Bem, se não depende de mim, se não preciso fazer nada para ser salvo e se também não perco a salvação, independente do que faça, será que posso viver fazendo o que quiser?"

A resposta é não. Ou melhor, não que você "não possa" fazer o que bem entender, porque a desobediência a Deus sempre estará ao seu alcance. Mas se você for realmente convertido a Cristo, não irá querer fazer sua própria vontade. E quando a fizer, se sentirá péssimo, porque terá o Espírito Santo de Deus habitando em você. Você já viveu numa mesma casa com uma pessoa descontente? Pois é, quando você anda do jeito que quer, o Espírito fica entristecido e isso vai influenciar o "templo" onde Ele habita, isto é, você.

A coisa funciona assim: se alguém contrata você e manda fazer isso e aquilo, ao terminar de cumprir suas tarefas aquela pessoa deve para você. Você pode exigir o pagamento. Porém, quando alguém faz algum grande favor para você, daqueles que o livra de uma encrenca, você fica para sempre devedor dessa pessoa. Ela pode pedir o que quiser que você se sente constrangido a fazer.

Pois é, se qualquer coisa vinda de nós estivesse envolvida na salvação, seja ela a guarda de mandamentos ou o mero arrependimento, Deus ficaria nosso devedor. Poderíamos exigir dEle a salvação, tipo, "Ei, eu já me arrependi, cadê minha salvação?" ou "Eu já cumpri os mandamentos, pode me dar a salvação agora!". Mas se entendo que nada veio de mim, que o favor foi só dEle, e que se dependesse de mim eu jamais teria olhado para o Seu lado, sou eu quem fica devedor.

Porque sou salvo por graça somente, Ele pode pedir o que quiser de mim que fico constrangido a fazer.

Voce acredita em novas revelacoes?

Visitei o site que indicou, li o texto que enviou e mais alguns lá e cheguei a algumas conclusões. Uma é do ponto de vista de marketing: Vassula Ryden, que diz receber revelações de Deus, é uma mulher, católica (igreja ortodoxa), casada com um ministro protestante, que teve um encontro com um anjo, recebe mensagens de uma "Santa Mãe" e faz uma costura de textos bíblicos com pensamentos motivacionais. Ou seja, como "produto" ela tem um potencial grande de atingir gregos e troianos com esse sincretismo todo.

Agora, será que é verdade? Só podemos saber indo conferir na Palavra de Deus, para deixarmos de lado o achômetro, que nem sempre é confiável (nas questões espirituais geralmente não é). Vamos começar pelo anjo.

Os anjos aparecem bastante ativos no Antigo Testamento, embora em várias situações não se tratavam de anjos, mas do próprio Senhor Jesus. Quando você lê "um anjo do Senhor" é porque é anjo. Quando lê "o anjo do Senhor" é porque é Jesus numa manifestação corpórea. Mas, a partir da criação da igreja (Atos 2), os anjos passam mais para uma posição de despenseiros, ajudando e protegendo os crentes, não de portadores de alguma revelação mais elevada do que aquelas que a própria igreja (os crentes) já têm.

"Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus" Ef 3

"vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar." 1 Pd 1:12

Como pode ver, a situação é inversa: os anjos agora aprendem a sabedoria de Deus por meio da igreja. Os anjos só voltam a ser bastante ativos no livro de Apocalipse, que trata principalmente de Israel (a igreja nesse momento já está no céu, tendo sido arrebatada antes).

Outra coisa que me deixa com a pulga atrás da orelha são estas passagens de alerta da Palavra de Deus:

"Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu [no original "visões"]; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus". Cl 2

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas". 2 Tm 4

Uma caracteística dos últimos dias é o desejo das pessoas seguirem este ou aquele "doutor" ou "mestre", porque cada um irá querer ouvir o que quer ouvir (sua própria concupiscência). Fábulas e gurus (mesmo falando em nome de Cristo) não faltam hoje e se prestar atenção essas pessoas acabam se tornando o centro das atenções, muito diferente do que João Batista disse: "Importa que Ele cresça e eu diminua".

Se eu fosse você ficaria com a Palavra de Deus, sim, aquela que já foi mais que provada e é suficiente para levar alguém a Cristo e para ensiná-lo a andar nos Seus passos. Eu não conhecia e nem li tudo o que diz aquela mulher, mas se espremer sua doutrina tenho quase certeza de que se trata de uma salvação por boas obras e não pelo sacrifício suficiente de Cristo.

Há também a questão de Deus querer fazer uma nova revelação em doze volumes, o que deixa a pergunta: O Novo Testamento não foi suficiente? Fiz algumas pesquisas na Internet e alguns críticos católicos assinalam que suas primeiras "revelações" continham erros doutrinários acerca da Trindade, mas que esses erros acabaram desaparecendo nas "revelações" posteriores às críticas que ela recebeu. Teria Deus se equivocado da primeira vez?

O toque de misticismo envolvido na coisa toda me deixa arrepiado, só de pensar no tanto que fui enganado antes de minha conversão por aqueles que diziam ter uma revelação "fresquinha" de Deus, ou alguma novidade. Um deles, que segui, chamava-se Masaharu Taniguchi e criou uma religião-filosofia chamada Seicho-No-Iê. Ainda me lembro que o primeiro livro que me mandaram ler dizia que o pecado não existe, pois se existisse nem Jesus seria capaz de nos tirar os pecados. E o livro, que se dizia uma revelação de um anjo a Taniguchi, terminava dizendo que depois que o anjo terminou de revelar aquelas palavras pétalas de flores caíram do céu.

Gálatas 1:8: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema."

Você escreveu que, depois de ler os doze livros que você disse terem sido escritos por Deus através dessa mulher, passou a ter uma vida mais tranquila. Entenda que Jesus não é alguém que buscamos para ter tranquilidade, mas para ter o perdão de nossos pecados e a salvação eterna (e geralmente acabamos vivendo o resto da vida até bem atribulados aqui).

Agora, falando sinceramente, você não acha estranho Deus surgir com uma nova revelação dois mil anos depois que Seu Filho esteve aqui e milhões e milhões de pessoas viveram e morreram crendo na suficiência da Palavra de Deus revelada aos apóstolos e profetas do Novo Testamento? Qualquer nova revelação se torna imediatamente espúria quando nos lembramos do que o apóstolo Paulo escreveu aos Efésios:

"Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina". Efésios 2 mostra que os apóstolos e profetas construíram o alicerce da igreja, por seu ministério e pelas revelações que receberam de Deus, sendo que os que vieram depois são pedras acrescentadas à parede desse edifício espiritual. Poderia alguém agora surgir com mais pedras para o alicerce?

A passagem de Colossenses 1 também mostra que Paulo foi o último a receber revelações diretas:

"Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja; Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir (outra tradução: COMPLETAR) a palavra de Deus; O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos"

Religião boa é a que faz a pessoa sentir-se bem?

Você diz que dissemina mensagens que não são suas, mas de Kardec que, por sua vez, diz falar do evangelho que você nunca leu e nem conferiu. Desculpe a sinceridade, mas você está sendo enganada por um homem, como eu fui enganado por muitos homens antes de minha conversão. Até mesmo depois de convertido, quando a ir à missa assiduamente por achar que era onde Jesus devia estar (quem me evangelizou não falou de religião, só de Jesus). Mas comecei a ler a Bíblia e a doutrina católica para conferir e um ano depois eu já estava fora.

Você fala de religião como se fosse chocolate: algo para fazer a pessoa sentir-se bem. Eu, quando trato do assunto, falo da coisa mais importante para o ser humano: seu destino eterno. Se quiser sentir-se bem (por mais algum tempo apenas) fique no espiritismo, porque se realmente crer em Jesus e buscar o que Deus diz em Sua palavra, você só vai arranjar inimigos, como parece que acabo de fazer em relação a você.

Ontem estava conversando com um dos gerentes da empresa que me contratou e ele disse que visitou meu site e seguiu um link até meu site Histórias de Verdade, mas não teve tempo de ver o que era. Quando eu disse a ele que era um site de histórias cristãs, de testemunhos de pessoas que se converteram a Jesus, o gogó do rapaz deu uma engolida e o rosto assumiu uma expressão marmórea. Seu olhar virou gelo.

Assim é: as pessoas são, por naturezas, avessas ao Jesus da Bíblia. Gostam do outro, água com açúcar, diluído por Kardec e por tantos outros censores da Palavra de Deus, que se arvoram sábios o suficiente para escolher o que vale e o que não vale dos evangelhos.

O texto que você me indicou é contraditório. Nele diz que você se revolta com a idéia da morte de quem não tem fé no futuro e na misericórdia de Deus que, "sendo Amor, não pode entregar seus filhos ao tormento eterno da separação irremediável, da dor sem cura, da culpa sem perdão".

Oras, a tônica do que tenho dito é que Deus não quer condenar você e nem ninguém. Ele quer ser misericordioso, quer perdoar, quer salvar. E você diz "NÃO", ou pelo menos não do modo como Deus determinou essa salvação. Ao querer salvar a si mesma, você se arvora redentora (como alguém pode redimir se não pagar um preço?), porém não tem meios para comprar sua liberdade pois a justiça de Deus exige a morte do pecador e "sem sangue não há remissão (retirada) de pecados".

Um "um Deus de Amor, e de Perdão, e de Caridade, Misericórdia, Fraternidade, Tolerância, Infinita Bondade", como você O descreveu, não esperaria que criaturas arruinadas, fracas e perdidas fizessem o impossível para se salvarem, como prega seu espiritismo.

Um Deus amoroso assim certamente providenciaria uma solução surpreendente - entregar-Se ao juízo na Pessoa de Jesus - para cumprir a justiça e proporcionar a forma de escape que, aparentemente, você não deseja porque confia demais em si mesma, tanto que acredita poder salvar-se com suas boas obras e padecimentos ao longo de milhares de supostas reencarnações.

Caim ofereceu a Deus o fruto do seu trabalho; Abel ofereceu um cordeiro morto. Deus se agradou da oferta de Abel porque não era dele, era de Deus. Era um cordeiro inocente e seu sangue havia sido derramado em sacrifício a Deus. Faz lembrar algo?

Deus deu um banquete e você quer chegar lá com seu sanduíche de mortadela. Coloque-se no lugar dEle para entender. A propósito: você está sendo ludibriada por um anjo que tem alguns milhares de anos de experiência em enganar. Experimente conferir na Fonte se a água que deram a você não foi adulterada. Leia os evangelhos segundo Deus, não segundo o espiritismo.

Nao e' errado tentar converter pessoas de outras religioes?

Ao ler a orientação que dei a um rapaz sobre o modo como um cristão deve se comportar uma vez dentro da família de Deus, você considerou que tenho "uma inabilidade impressionante de conviver com as diferenças".

Segundo você, eu deveria respeitar todas as religiões e não querer que as pessoas aceitassem a minha como verdadeira. Como "minha" você estava se referindo, obviamente, a aceitar o que diz a Palavra de Deus e, particularmente, as cartas dos apóstolos para o comportamento do cristão.

Você não percebe que ao se indignar com meu modo de pensar está fazendo exatamente a mesma coisa? Você fica indignada porque minha percepção do que é correto é diferente de sua percepção do que é correto, o que a torna igualmente intransigente e discriminatória em relação os que possuem a minha percepção do que é correto.

Veja assim: A crença de João traça os limites "A" e a crença da Maria os limites "B", aí vem sua crença que diz que ambos estão errados, porque os únicos limites válidos são os seus, que considera que não deveriam existir tais limites.

Existe um problema aí. Ao se colocar na posição de quem está apto a decidir que limites os outros devem estabelecer (ou não estabelecer de modo algum), você já está assumindo uma posição e quer que eu me converta a ela.

Colocando-se numa posição superior (de quem supostamente conhece as crenças de João e Maria), você considera a crença de João e de Maria erradas e acha que eles não deveriam sair por aí tentando converter outros a aceitar suas crenças ou posições, por considerar isso um desrespeito à liberdade individual que cada um tem de acreditar naquilo que quiser.

Você diz acreditar que "somos TODOS uma mesma família - todos são os eleitos, e não poucos... todos somos filhos de Deus, que é amoroso, sabe perdoar, não vai permitir que nenhum de seus filhos padeça no sofrimento eterno".

Viu? Ao fazer isso você diz que "A" e "B" estão errados, porque o correto é a crença "C" (a sua). A partir do momento que você tem uma crença (ainda que seja a mais inclusiva e abrangente de todas) você passa a adotar uma posição, e toda posição é exclusiva por natureza. A partir do momento que você adota uma posição, seja ela qual for, boa ou ruim, exclui todos os que não têm a mesma posição. Isso é inevitável.

O que fazer quando nao sinto a presenca de Deus?

A salvação não está numa igreja, mas numa Pessoa: Jesus. Quanto à sua revolta com Deus, isso faz parte de nossa natureza, pois somos inimigos dEle por natureza. Nascemos assim, e se não existir uma obra do Espírito Santo em nós nos convertendo a Cristo, continuaremos inimigos dEle até sermos chamados para prestar contas de nossos pecados e receber a condenação no lago de fogo.

Mas não é isso que Deus quer. Ele quer que sejamos salvos, pois Seu desejo é ter o céu cheio de pecadores perdoados. Quem tem filhos sabe que quando um filho se revolta contra os pais, a angústia dos pais é grande. Eles tentarão de todas as maneiras ganhar a simpatia daquele filho e sofrerão enquanto não conseguirem.

Eu sei que às vezes nos sentimos decepcionados com Deus, mesmo depois de convertidos. Agora, se nós, com todas as nossas falhas e pecados, ficamos decepcionados com Aquele que é perfeito, quanto mais não está Ele decepcionado conosco? O problema é que geralmente nossa decepção é por não enxergarmos nossa vontade ser realizada e O culpamos disso. Mas qual é o pai que faz tudo o que seu filho deseja? Nem sempre os filhos sabem o que é melhor para eles.

Agora, tudo isso eu estou dizendo de pessoas que se converteram a Cristo, que tiveram seus pecados perdoados e receberam de Deus uma vida nova. Mas como saber se alguém se converteu realmente? Você diz que não se sentia merecedora do perdão de Deus. Oras, e desde quando alguém perdoa quem merece? O simples fato de uma pessoa ofender outra já demonstra que ela não merece coisa alguma, muito menos perdão. Um bandido merece o perdão de um juiz? É claro que não, se o seu crime ficar comprovado.

A questão é que Deus só pode me perdoar porque Jesus merece que Deus assim o faça, porque Ele veio morrer e pagar pelos meus pecados. Não é baseado em minha bondade ou no grau de arrependimento ou qualquer coisa vinda de mim que Deus está apto a me perdoar, mas baseado naquilo que Cristo fez. Se eu aceito que a morte de Jesus na cruz foi suficiente para pagar meus pecados, posso me candidatar ao perdão de Deus, pois foi essa a única condição que Ele colocou.

Você disse que não sente mais a presença de Deus e por isso vive de forma apática, de um lado para o outro como uma folha ao vento. Mas o que faria se sentisse a presença de Deus a cada manhã? Será que aí sim você viveria jubilante e confiante nEle? Os israelitas peregrinaram no deserto por 40 anos após sua libertação da escravidão do Egito. Durante aqueles quarenta anos, todos os dias, exceto nos sábados, caiu maná do céu para alimentá-los. Aquilo era um milagre diário de Deus, sem falar da nuvem que os acompanhava de dia e da coluna de fogo à noite. O poder de Deus era visível diariamente.

Agora pense nisto: 40 anos são aproximadamente 310 dias por ano (excluídos os sábados, quando o maná não caía), o que dá 12.400 dias em que o maná caiu. Por 12.400 vezes aquele povo viu Deus agir de forma milagrosa, e sabe o que aconteceu? Mesmo assim se desviaram de seus caminhos, mesmo assim duvidaram dEle. Se ler a Bíblia verá que ver ou sentir a presença de Deus não tem um efeito duradouro nas pessoas, a menos que elas exerçam fé, e fé é justamente crer naquilo que não vemos ou sentimos. Fé é a certeza das coisas que não se vêem e de fatos que se esperam.

Portanto, tudo o que você precisa é crer no que Deus diz em Sua Palavra. Leia o evangelho de João e veja quantas promessas o Senhor Jesus faz a você.

"Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.... Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens... Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas... As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um..."

Você não precisa sentir essas coisas, basta crer no que Ele disse. Se uma pessoa de sua confiança lhe der um cheque, você tem certeza de que pode contar com aquele dinheiro ou só vai ter certeza quando for ao banco descontá-lo? Vindo de alguém idôneo, o cheque é a promessa segura, e assim deve ser com a Palavra de Deus. Nossa incredulidade, impaciência ou o desconforto que achamos que é ter que ir ao banco é o que nos deixa aflitos.

Volto a lembrá-la. Igreja, lugar ou pessoa alguma podem lhe dar o que você só pode obter falando com Jesus, crendo nEle e recebendo de Deus o que Ele lhe dá por intermédio de Cristo. Você deve se lembrar do que Ele disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."

Como interpretar as sensacoes?

Sua dúvida é sobre certas sensações que sua irmã tem experimentado, ora de prazer, ora de opressão, e se elas têm alguma relação com a expectativa da volta do Senhor Jesus para buscar os Seus no arrebatamento.

O arrebatamento é uma certeza para todo aquele que crê, e devemos viver sempre com esta perspectiva. Porém o apóstolo Paulo, depois de escrever a primeira carta para os cristãos de Tessalônica falando do arrebatamento escreveu a segunda apontando alguns erros resultantes da má compreensão dessa verdade, como era o caso de alguns que aparentemente paravam de trabalhar por achar que o Senhor iria voltar em breve.

A visão do arrebatamento deve ter para nós o efeito que tem aguardar uma pessoa amada que está chegando de viagem (mas que não sabemos quando vem). É uma expectativa, mas também é uma preocupação maior em estar "bem vestido" porque ela pode chegar a qualquer hora. Esse sentimento é excelente.

Agora imagine que você esteja aguardando alguém chegar e começa a ter calafrios, sensações de alegria e tristeza alternadamente, ou outras coisas físicas. Eu diria que está fazendo da vinda daquela pessoa um transtorno para sua vida, e não um prazer. Como estamos falando da volta do Senhor para os Seus (que pode acontecer antes de eu terminar de escrever ou daqui a cem anos), é muito comum as pessoas criarem idéias de mistério e superstição em torno disso.

Ou seja, temos a tendência de mistificar as coisas relacionadas a Deus (isso acontece muito entre cristãos pentecostais). Aí a vida vira um inferno, porque a pessoa fica procurando significado para tudo e, quando não encontra, entra em parafuso. É um perigo achar que cada calafrio, cada sensação de prazer ou tristeza, ou cada sonho e ocorrência do dia-a-dia precise ter algum significado espiritual.

É claro que podemos ser oprimidos espiritualmente por algo, ou Deus pode usar alguém para nos dizer algo, mas não é a regra. Quando estamos ocupados realmente com Cristo, vivemos em paz e tranqüilidade com respeito às coisas que vêm dEle. Quanto às coisas que vêm do mundo ou do inimigo, estas certamente irão nos atribular, mas nenhuma delas chega até nós antes de pegar um carimbo de permissão de Deus.

Portanto diga à sua irmã para analisar primeiro se está ocorrendo algum paralelo entre as coisas que ela sente e outras influências físicas (como sentir algo depois de comer ou antes, depois de dormir demais ou de menos, em determinados períodos do mês etc.). Nosso corpo está sujeito a uma série de influências químicas de alimentos e remédios que afetam nossas sensações. O erro está em querer atribuir cada arrepio a algo espiritual, como fazem os superticiosos.

Aí vamos começar a achar que a sensação de calor na orelha é porque alguém está falando mal da gente, que aquele arrepio na pele é porque um demônio está por perto ou que alque vento nos cabelos foi causado pelas asas de um anjo. Não seremos muito diferentes de pessoas que evitam pasar sob escadas, têm medo de gatos pretos atravessando na frente e não abrem guarda-chuva dentro de casa.

E possivel fazer tudo o que a Biblia diz?

Você mencionou o jornalista norte-americano (que é judeu de nascença, porém cético por opção) que tentou viver um ano seguindo uma lista de 700 regras que encontrou na Bíblia. O resultado é um livro irreverente que, obviamente, irá fazer sucesso entre os céticos.

Tentar seguir tim-tim por tim-tim cada mandamento da Bíblia é a verdadeira "Missão Impossível". Se o autor fosse realmente sincero ele iria perceber logo que o "Não cobiçarás" diz respeito a praticar ou não praticar todas as coisas na esfera dos pensamentos. O Senhor disse que bastava pensar em adulterar ou matar para ser culpado de adultério e de homicídio. Já pensou em quantas barbaridades praticamos só de pensar?

No A.T. Deus deu a Lei como forma de provar o homem e ficou provado que ele é incapaz de seguir a Lei, que é santa. Paulo explica isso em Romanos. Quanto às admoestações do N.T. (ou mesmo do A.T.) de como o cristão deve andar, elas se referem mais à expressão do novo homem do que à tentativa de refrear o velho homem.

O velho homem (velha natureza ou carne) jamais poderá ser aprimorado, melhorado ou ensinado a guardar os mandamentos de Deus. É uma natureza ruim, arruinada e propensa a pecar (em minha carne não habita bem algum). Por outro lado, a nova natureza que recebemos pelo novo nascimento é uma natureza divina. Esta também não pode ser melhorada por ser perfeita. Qualquer admoestação sobre o andar tem a ver com a livre expressão da velha natureza.

Não é lutando contra a carne (nossa luta não é contra a carne) que conseguimos andar do modo que Deus deseja, mas é vivendo no Espírito. Não é se ocupando com o pecado que deixamos de pecar, mas é pensando nas coisas lá do alto, onde Cristo está.

E acho que não preciso explicar que o homem não é salvo pelo seu andar ou por suas obras (e tampouco se mantém salvo por sua obediência e fidelidade), mas tudo provém da graça de Deus. Se fôssemos salvos por 700 ou mais regras cumpridas, depois de cumprirmos todas elas Deus seria nosso devedor, poderíamos cobrar algo dEle.

Mas, ao sermos salvos por graça somente, somos nós os devedores. Deus pode pedir de nós o que quiser, porque Seu favor será sempre impagável. É como quando alguém faz um favor imenso para você e, daí em diante, você fica constrangido a sempre atender o que aquela pessoa pedir.

Investir em ações é jugo desigual?

O versículo que citou é 2 Coríntios 6:14: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?"

A passagem fala de qualquer tipo de sociedade ou associação, incluindo casamento, negócios ou qualquer coisa que coloque um crente e um incrédulo atados por algum compromisso. O jugo é chamado de canga em algumas regiões do Brasil, e é aquele pedaço de pau arqueado que é colocado sobre o pescoço de dois bois que puxam um carro ou arado. O jugo mantém os dois animais unidos e, para que funcione, os animais precisam ter o mesmo passo.

É por isso que no Antigo Testamento não era permitido colocar um boi e um jumento para lavrarem juntos. "Com boi e com jumento não lavrarás juntamente". Dt 22:10 Os animais têm alturas e passos diferentes, e acabam arrebentando os arreios. O crente e o incrédulo não devem entrar em uma sociedade, ou seja, caminhar lado a lado com um objetivo comum. Eles têm diferentes modos de caminhar. O que pode ocorrer, porém, é que o crente acabe adotando o andar do incrédulo, mas nunca o contrário.

Se pensar em dois sócios, o incrédulo provavelmente poderá querer agir de forma desonesta nos negócios, o que causará problemas se o crente quiser obedecer a Deus. O mesmo acontece no casamento, e principalmente quando vêm os filhos e cada um quer levá-los para um lado ou instruí-los de modo diferente em questões de fé.

Há ocasiões em que é preciso depender da graça de Deus e seguir vivendo, como é o caso de alguém se converter depois de casado. Essa pessoa não irá se separar porque se converteu com a alegação de estar em jugo desigual. Seria uma desobediência a Deus separar-se por esta razão. Deus diz o que fazer a respeito em Sua Palavra.

Sua dúvida está mais relacionada às sociedades humanas e de negócios, como investir em ações, por exemplo. Há alguns anos, ao adquirir uma linha telefônica no Brasil você ficava sócio da operadora, ou seja, não comprava uma linha, mas sim ações da empresa. Ao aplicar seu dinheiro numa caderneta de poupança obviamente o Banco irá movimentá-lo em diferentes aplicações, o mesmo acontecendo com seu Fundo de Garantia e Plano de Previdência.

Há, portanto, associações inevitáveis, que eu particularmente não considero jugo desigual no sentido de uma sociedade deliberada, como abrir uma empresa junto com um incrédulo. Ao comprar ações de uma empresa você pode considerar que está associando-se aos resultados, não exatamente ao modo de operação, pois tem a opção de escolher entrar e sair do negócios conforme desejar.

Por exemplo, você pode optar por não investir em empresas cujas atividades ou produtos você considere inadequados para um cristão. Ou pode vender as ações quando perceber que a empresa não está agindo de forma idônea. Ao comprar ações você não assume uma responsabilidade conjunta como acontece quando você constitui uma empresa com um sócio.

Se a empresa da qual você comprar ações for acusada de corrupção ou de más práticas comerciais, você provavelmente perderá seu dinheiro, mas não terá qualquer parte nas decisões que levaram àquela prática. Já se você constituir uma sociedade, você é solidário na alegria e na tristeza.

Obviamente esta é uma opinião pessoal e você deve ter seu exercício com o Senhor a este respeito. Há diferentes opiniões entre diferentes cristãos, e sei de irmãos que não investem em ações, e conheço outros que investem de forma seletiva, escolhendo empresas que consideram idôneas. Outros nem sequer utilizam cartões de crédito, e houve uma época em que muitos cristãos se recusavam a comprar produtos que tivessem códigos de barra, algo impossível de ser feito hoje se quiser sobreviver, porque consideravam o código de barras uma etapa prévia do domínio do anticristo.

Como disse, cada um deve ter bem clara estas questões consigo mesmo e com Deus.

Devo construir uma quadra de esportes para evangelizar?

Você disse ser um pastor de uma pequena congregação em uma comunidade pobre e tem planos de construir uma quadra de esportes para atrair e evangelizar crianças e jovens. Minha opinião?

Sou a pessoa menos indicada para esse tipo de conselho, pois não pertenço a qualquer denominação e não creio que Deus aprove que os cristãos se dividam sob diferentes nomes. Antigamente era "eu sou de Paulo, eu de Apolos", hoje é "eu sou batista, eu presbiteriano" etc. É provável que existam hoje mais denominações do que o número de crentes que existia nos primeiros dias da Igreja em Atos.

Por esta razão tenho minha opinião pessoal sobre a construção de uma infra-estrutura que tenha o objetivo de evangelizar, como templos, quadras de esportes, piscinas, escolas etc. O raciocínio é simples: para construir uma infra-estrutura é preciso dinheiro, e quando o dinheiro entra na história acabamos cedendo em muitas coisas.

É por isso que você encontrará "igrejas" que aceitam contribuições de incrédulos (enquanto Abraão não queria nem o cadarço do sapato do rei de Sodoma), passam a inventar rifas e sorteios para angariar fundos e, o que é pior, fecham os olhos e vão colocando para dentro da comunhão incrédulos que apenas fazem uma "leve" profissão de fé (sem qualquer evidência de vida nova), desde que tenham um dízimo bem gordo.

Afinal, os custos de manutenção da infra-estrutura (que hoje inclui estações de rádio e TV) são grandes, e acabam apelando para César quando faltam pessoas que dêem a Deus o que é de Deus. A tentação é grande. Você certamente se lembra do que aconteceu com Balaão.

Não se iluda: somos homens, falhos e inclinados a errar. Quanto maior a infra-estrutura que se constrói com a melhor das intenções, maior o risco de fazermos acordos com o mundo para mantê-la. Não digo que Deus não possa usar essas estruturas; Ele pode e usa quando quer, mas a responsabilidade de como isso foi feito continua daqueles que se comprometeram para fazê-las. Se quer evangelizar mesmo, tenho certeza de que saberá encontrar soluções criativas.

Todavia, meu último conselho é que não aceite meu conselho. Ore e peça a direção do Senhor, porque eu também sou um homem falho e quem poderia garantir que minha opinião seja a correta? É dEle que deve vir o conselho. Talvez você esteja vendo algo que não estou enxergando, e por isso que precisamos depender dEle para tudo. O homem pode fazer planos, mas a resposta você sabe de quem vem.

Depois de salvo eu perco meu livre arbítrio?

Você não pode perder algo que nunca teve. Todo mundo acha que tem livre arbítrio e muitos cristãos dizem isso, mas não é verdade.

"Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal". Jeremias 13:23

"Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo". Romanos 7:21

Quando o pecado entrou na Criação o homem perdeu a capacidade de escolher o bem, e é por isso dependemos 100% de Deus para sermos salvos. Se um dia você creu em Cristo como seu Salvador, saiba que isso não foi uma escolha sua, foi de Deus. Não adianta discutir ou apelar para a doutrina "A" ou "B", a Palavra de Deus é clara neste sentido. Somos eleitos e predestiados por Deus, não por nossa própria vontade ou escolha.

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado" Ef 1

Quem não conhece a Deus obviamente irá questionar Sua justiça ao fazer isso, mas este é um assunto para outra oportunidade. Você não tinha liberdade de escolha antes de se converter (só podia escolher o mal), mas depois de convertido você pode até querer escolher o mal (porque continua na carne), mas não tem esse direito. Por sermos salvos por graça somente, sem termos feito nada para merecermos isso, é Deus quem tem todos os direitos sobre nós, enquanto nós não temos qualquer direito. Somos devedores, do mesmo modo como você se torna devedor de alguém que lhe faz um grande favor, tão grande que você jamais consiga pagar.

Eu sei que isso soa horrível para pessoas vivendo em uma sociedade onde o discurso padrão é de liberdade, livre arbítrio e direitos do cidadão. Porém a liberdade que o mundo oferece é falsa. Todas as pessoas são escravas de alguma coisa, seja da carreira, do trabalho, da família, do sexo, da comida, da bebida e assim por diante. Existe algo que seja sua meta de vida e razão de viver? Isso é o seu ídolo, se não for Cristo a ocupar essa meta e ocupação principal de todo o seu ser.

2 Pedro 2:19 diz: "Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo".

Portanto, não se iluda. Antes você não tinha liberdade de escolha e estava à mercê do pecado e de Satanás. Depois de comprado por preço altíssimo (o sangue de Cristo) você passou a ter um dono, que é o Senhor. É por isso que você o chama de Senhor, não é mesmo? Senhor é alguém que detém os direitos e o controle sobre você. Não faria sentido agora querer fazer as coisas sem antes perguntar a Ele.

"Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor". Romanos 14:8

Existe fundamento bíblico para a "Marcha para Jesus"?

Nossa única base segura para qualquer coisa é a Bíblia. A Palavra de Deus fala para os cristãos marcharem por algum motivo? Não encontrei. Portanto não há razão para fazê-lo. Além disso, a idéia de marchar normalmente está associada a demonstrações de poder.

Por isso os exércitos fazem aquelas grandes paradas com milhares de soldados e equipamentos. Há grupos que também querem mostrar que são influentes na sociedade, e fazem suas marchas, como ocorre com a Parada Gay. Há também as marchas de protesto e de reivindicação.

E o cristão, vai marchar para quê? Para mostrar poder no mundo cujo príncipe é Satanás e onde sua luta não é contra carne e sangue? Para mostrar que é influente numa sociedade que rejeitou seu Salvador? Para protestar contra perseguições ou reivindicar direitos em um lugar onde ele é estrangeiro? Isso faria tanto sentido quanto um brasileiro querer reivindicar direitos no Afeganistão.

A idéia de reunir muita gente para causar impacto ou influência pode funcionar em outras áreas, mas que resultado tem nas coisas de Deus? Muito bem, vamos imaginar que uma marcha dessas realmente impressione as pessoas e as autoridades e todos venham a achar que o cristianismo é uma coisa para ser levada a sério.

Aí temos um problema, porque o Senhor mesmo disse que no mundo sofreríamos perseguições, mas que não deveríamos temer isso porque não somos do mundo. Teria o Senhor se enganado ou se esquecido de contar que haveria um dia quando os cristãos ganhariam tapinhas nas costas por causa de sua fé?

Se o mundo, como uma instituição, aceitar o cristianismo, é porque há algo de muito errado com o evangelho que esse cristianismo está pregando ou com o próprio mundo. Sim, porque como alguém vai gostar de algo que prega que o homem é pecador, que há uma condenação esperando por ele, que precisa crer nAquele que o próprio mundo rejeitou e que virá um dia quando este mundo e tudo o que nele há, que a humanidade mais preza, será destruído pelo fogo?

"Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve". 1 Jo 4:4

O evangelho é algo para atingir indivíduos, não coletividades. Ainda que muitas pessoas possam se converter em um mesmo dia, não existe algo como uma conversão coletiva. Cada pessoa é alcançada individualmente, tocada individualmente pelo Espírito Santo, convencida individualmente de seu pecado. São pessoas que nascem de novo, não países, instituições, governos ou até mesmo religiões.

Qualquer resultado que uma marcha ou manifestação assim pode conseguir é um resultado político, cultural e exterior. Nada que interesse os propósitos de Deus. O Senhor não nos disse "Ide e marchai", mas "Ide e pregai o evangelho". E é isso que importa fazer. Ou será que os cristãos estão engajados em uma competição para ver se conseguem mobilizar mais gente do que a Parada Gay ou o desfile do 7 de setembro?
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