Como evitar a masturbação?

Creio que o problema com a masturbação e com outras práticas está na nossa falha em entender a diferença de como agir quando somos assediados pelo diabo e quando somos assediados pelas tentações da carne e pelo pecado.

Tiago 4:7 diz: "Sujeitai-vos, pois, a Deus, RESISTI AO DIABO, e ele fugirá de vós". Quando somos atacados pelo diabo, seja por circunstâncias adversas como aconteceu com Jó, seja por insinuações doutrinárias, devemos resistir. Devemos lutar aquela luta que é travada nos lugares celestiais, contra as hostes e potestades do mal. Deus nos dá uma armadura para isso e estamos bem equipados.

Mas quando o assunto é o pecado e as tentações, não existe uma exortação para resistirmos a elas simplesmente porque não conseguimos. Só de pensar em uma tentação fica mais propenso a cair nela, porque ela encontra uma resposta em minha carne. Apesar do crente ter hoje o Espírito Santo de Deus habitando em si, ele ainda tem também sua velha natureza ocupando o mesmo corpo, e não pode ser ingênuo ao ponto de querer controlá-la pela força de vontade. Não podemos.

Então a resposta de Deus para o pecado especificamente da carne é: "1 Coríntios 6:18 "FUGI da prostituição". Quando José, no Egito, foi assediado pela mulher de Potífar (Gn 39), ele não se sentou ao lado dela para discutir o assunto, mas correu, FUGIU. Não há como dialogar ou discutir com a tentação, mas há como evitar em boa medida os seus ataques. No caso da masturbação, é muito claro que situações insinuantes, filmes, novelas, revistas, fotos na Internet e um sem número de apelos podem despertar o desejo, por isso o crente deve fugir dessas coisas.

Mas é importante entender que, embora devamos evitar essas coisas, não é evitando elas que temos melhor comunhão com Deus, mas o caminho é inverso. Se estivermos em boa comunhão com Deus, vamos querer evitá-las. Neste caso o ato de fugir será uma consequência de andar perto de meu Senhor.

Gálatas 5:16 "Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei."

Posso me tatuar para a glória de Deus?

(Resposta aos comentários de alguém que leu "O cristão pode fazer tatuagem?")
Sei que há muitos irmãos fiéis ao Senhor que usam tatuagem, portanto este é um assunto que não gostaria de transformar em polêmica. O cristão certamente não vive segundo uma lista de regras e mandamentos como viviam os israelitas, mas é sempre bom procurar saber o que o Senhor acha dos costumes que adotamos, e isso não se limita a tatuagem, mas a qualquer coisa que possa ser de auxílio ou empecilho para o testemunho de Deus neste mundo.

Sim, você tem razão ao observar que a palavra "tattoo" que aparece na versão King James se refere a marcas infligidas ao próprio corpo nos rituais pagãos, e não às tatuagens da moda. Mas me parece que esse argumento já é suficiente para o cristão não aderir à moda: sua origem. Dei uma olhada na Wikipedia e aprendi que é mesmo essa a origem da tatuagem: rituais das religiões pagãs. Será que devo adotar para a glória de Deus uma prática com uma origem assim e que não encontra qualquer paralelo nas Escrituras?

Você citou um versículo para, talvez, dar um pouco mais de peso ao argumento pró tatuagem:

"E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS, e Senhor dos senhores." Apocalipse 19:16

Considerando que não se faz tatuagem em mantos de tecido, isso está mais para uma declaração do que para uma tatuagem. Além disso, é bom prestar atenção ao contexto:

"E seus olhos eram como chama de fogo... estava vestido de uma veste tingida em sangue... de sua boca saía uma espada aguda... ele as governará com vara de ferro, e pisa o lagar do vinho do furor e ira do Deus Todo-poderoso.... E em sua veste e em sua coxa tinha escrito este nome, Rei dos reis, e Senhor dos senhores."

"Chama de fogo", "tingida de sangue", "de sua boca saía uma espada", "com vara de ferro", "pisa o lagar do vinho"... Certamente não podemos levar tudo isso no sentido literal, e o mesmo deve ser feito com o que traz no manto e na coxa.

Creio que em nenhum momento a intenção de Deus foi mostrar que fica bem escrever na coxa ou endossar a tatuagem. Ocupar-se com o veículo ou meio é perder de vista a mensagem. É como abrir a Bíblia para prestar atenção no papel, na encadernação... Neste caso, pensar em tatuagem é perder de vista o verdadeiro objetivo da passagem, que é deixar claro em tudo aquilo que envolve Cristo e Sua força, que Ele é "Rei dos reis e Senhor dos senhores". Deus não está nos dizendo: "Vejam que tatuagem bonita", mas "Vejam quem é Jesus".

O fato de não estarmos debaixo da Lei e, seguindo o seu raciocínio, não precisarmos mais obedecer a mandamentos como o da proibição de se aparar o cabelo e as extremidades da barba (Lv 19:27), não nos dá o aval para fazermos tudo o que quisermos. O cristão faz bem em buscar saber a origem dos costumes que adota e o quanto eles podem influenciá-lo em sua vida e testemunho.

Você argumenta que há muitos cristãos que fazem tatuagem para a glória de Deus, e eu acredito. Os motivos de cada um Deus conhece, pois Ele conhece o coração. Com base nisso você inclui a tatuagem no "qualquer outra coisa" de 1 Corintios 10:31: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer OUTRA COISA, fazei TUDO para glória de DEUS."

Lembrei-me de outro versículo com "outras coisas": "Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça". Rm 14:21 Será que se eu fizer uma tatuagem isso poderá servir de tropeço ou escândalo aos meus irmãos?

Outra pergunta que deve ser feita, neste caso referindo-se a fazer tudo para a glória de Deus, é esta: será a tatuagem a forma como Deus quer que eu o glorifique? Os discípulos, quando foram celebrar a páscoa, não fizeram de qualquer jeito ou no lugar que acharam melhor. Eles perguntaram ao Senhor "Onde queres que a preparemos?". Taí algo que cada um deve perguntar a Deus, ou seja, se um costume que teve início nos rituais pagãos é a melhor forma de glorificá-Lo. Na minha opinião não temos base bíblica para isso.

É sempre bom ficarmos alertas ao nosso coração, pois ele adora nos enganar. Quando adolescente tive aeromodelos. Depois de casado e com os filhos pequenos tive vontade de voltar ao aeromodelismo, mas tínhamos tantas outras prioridades que gastar dinheiro em um hobby naquela hora certamente não era o que o Senhor queria de mim.

Então comecei a maquinar um jeito de "santificar" a vontade própria e passei tentar convencer minha esposa que eu queria fazer aquilo para a glória de Deus, pois pretendia pintar "Cristo Salva" sob a asa do aeromodelo para evangelizar. Obviamente não comprei meu sonhado aeromodelo, mas hoje dou risada de minha artimanha infantil em querer usar o nome de Deus para justificar aquilo que não passava de minha própria vontade.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer OUTRA COISA, fazei TUDO para glória de DEUS."

Deus destinou os negros para serem escravos?

De modo nenhum. Sei que algumas correntes do cristianismo acreditam nisso, embora hoje não falem abertamente por se tratar de discriminação racial, mas um exame mais acurado dos textos bíblicos revela não existir qualquer discriminação de cor promovida ou aceita por Deus. Mesmo nos tempos bíblicos a idéia de escravidão baseada na cor da pele era algo desconhecido e que só veio a ser adotado muitos séculos mais tarde inicialmente pelo islamismo e depois pelos povos ocidentais.

Há várias teorias sobre a origem das diferentes raças e cores dos seres humanos. Uma das mais conhecidas é a que define os três filhos de Noé, Sem, Cão e Jafé, como a origem dos povos semitas (árabes, israelitas de pele morena), negros e brancos, respectivamente. O problema com essa interpretação é que foi ela serviu de pretexto para a escravidão dos tempos coloniais, pelo fato de acharem que Cão, o filho amaldiçoado por Noé, fosse negro ou que seu filho Canaã fosse ancestral dos povos negros. Vamos ver o trecho:

Gênesis 9:18-27: "E os filhos de Noé, que da arca saíram, foram Sem, Cão e Jafé; e Cão é o pai de Canaã. Estes três foram os filhos de Noé; e destes se povoou toda a terra. E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o SENHOR Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo".

Mas a Palavra de Deus não diz qual era a cor da pele dos filhos de Noé, portanto é pura especulação acreditar que a divisão das cores características das raças tenha se originado nesse episódio da Bíblia. O mais simples e honesto é admitir que diferentes povos originários desses primeiros habitantes do mundo pós-diluviano tenham se isolado em diferentes regiões e, como conseqüência desse isolamento, tenham realçado certas características e debilitado outras.

É muito fácil perceber isso quando vemos que todas as raças de cães vêm basicamente de um mesmo cão selvagem mais parecido com o lobo. Através do isolamento e do cruzamento seletivo foram conseguidas diferentes raças com características marcantes. Por exemplo, se você separar de uma ninhada apenas os cães com uma determinada cor e for cruzando esses e sempre selecionando cães com as mesmas características, no final você chegará a uma raça na qual todos os descendentes são praticamente iguais. Isso é feito com animais, peixe, insetos, vegetais, qualquer coisa viva. O mesmo pode ter acontecido com os seres humanos. Com os estudos atuais de genética muitos cientistas já admitem que não existe mais de uma raça, a humana.

O mais importante é perceber que, na Bíblia, Deus não faz distinção de pessoas pela cor da pele. Ele obviamente escolheu um determinado povo em Abraão, depois escolheu novamente as doze tribos e vez ou outra destacava este ou aquele povo, esta ou aquela nacionalidade, mas não encontro distinções baseadas na cor da pele.

Curiosamente, o primeiro gentio (não judeu) a se converter depois da formação da igreja em Atos foi um etíope, provavelmente negro, que era eunuco (castrado), ou seja, alguém que jamais poderia ser admitido no Templo de Jerusalém, não por ser negro, mas por ser gentio e castrado. Provavelmente as primeiras igrejas na África surgiram através do ministério desse eunuco, que era alguém proeminente na corte de uma rainha africana.

Devemos voltar ao cristianismo primitivo?

Fui ao site que mencionou (em inglês) e corri os olhos em alguma coisa, mas me pareceu que a ênfase é dada à forma, não ao cerne da questão. O importante não é como nos reunimos, mas sobre que base nos reunimos, e aí é que entra a questão. Há muitas reuniões em casas ou sem denominação por aí, mas isso é apenas adotar a forma de reunião. O fundamento é que há um só corpo e que todos os salvos fazem parte deste mesmo corpo, e que nesse corpo não há independência.

Portanto, qualquer reunião, mesmo sem denominação ou que tenha o objetivo de retornar ao cristianismo primitivo, não passará de mais uma forma exterior de se adotar algumas práticas e costumes se não reconhecer a unidade do corpo de Cristo, o Senhorio de Cristo e a unidade. Ou seja, a interdependência do corpo.

Outra coisa que me chamou a atenção no texto que li foi a questão dos apóstolos. Biblicamente falando apóstolos já não existem mais, assim como profetas no sentido da igreja do NT. Se você ler Efésios 2 verá que eles fizeram parte do fundamento, juntamente com Cristo, a Pedra angular. Uma vez construído o fundamento, o que vem depois são os outros dons, mas não mais apóstolos e profetas (os outros são evangelistas, pastores e mestres).

P. Deixa eu lhe perguntar algo sobre a ceia. Todos os domingos vocês praticam este ato. A ceia é somente a ceia, não há uma mistura de reuniões no período em que ela está sendo realizada?

Sim, a ceia é celebrada todo primeiro dia da semana, pois é assim que encontramos na Palavra. Não é uma reunião de ministério ou de oração para pedir algo, mas de adoração. Então passamos o tempo cantando hinos, adorando e dando graças. Aí um irmão vai e dá graças pelo pão, que é partido e passado adiante, para que cada irmão em comunhão pegue um pedaço e coma. Depois o irmão dá graças pelo vinho, que todos bebem. Em seguida é feita uma coleta como vemos em Coríntios, onde cada um coloca secretamente o que tiver proposto em seu coração. Como não há pastores ou obreiros assalariados, aquele dinheiro vai servir para as necessidades dos santos e para despesas da obra do Senhor.

P. E se por exemplo um irmão (como eu) que fico um ou dois finais de semana fora de casa, como farei para participar dela se eu estiver só e não conhecer irmãos naquela localidade?

A ceia é celebrada onde há assembléias reunidas. Eventualmente uma assembléia pode autorizar um irmão, que viaje para visitar outro, que parta o pão com esse irmão lá. Pode ser o caso também de um casal se mudar para outra cidade ou país onde não há irmãos reunidos e seja longe demais para participar regularmente da ceia. Neste caso a assembléia de origem pode autorizá-los a celebrar a ceia, não como uma assembléia, mas como se estivessem em trânsito.

É preciso entender que para existir uma assembléia em uma localidade é preciso que existam dois ou três reunidos. Como a assembléia também irá exercer a autoridade delegada pelo Senhor, é preciso que pelo menos dois desses sejam homens, para poderem falar nas reuniões onde são tomadas decisões, já que 1 Coríntios 14 deixa claro que as mulheres não devem falar nas reuniões da igreja. Duas ou três mulheres podem até se reunir regularmente em um lugar para ler e orar (acho que em Belo Horizonte começou assim), mas não compõem uma assembléia, não se trata de uma reunião da igreja.

P. Em suas reuniões vocês deixam o Espírito Santo dirigir a reunião sem que haja uma escala para pregadores ou um dirigente de reunião?

Sim, é dada liberdade para o Espírito usar quem Ele quiser. Obviamente essa "liberdade" não significa liberar geral, porque muitos irmãos podem não ter o dom de ministrar ou podem ser novos e não conhecer a Palavra. O "falem dois ou três e os outros julguem" de 1 Coríntios 14:29 é pra valer. Se eu disser algo que esteja errado pelas Escrituras, estou sujeito a ser interrompido (se for algo grave) ou algum irmão vir conversar comigo depois para me corrigir, caso não seja algo muito sério.

P. As irmãs permanecem caladas ou há algum tipo de reunião em que elas possas falar? Sem ser escola dominical.

Sim, é isso que a Palavra de Deus ensina. As reuniões da assembléia são as de adoração (Ceia), oração e doutrina dos apóstolos (ministério) (Veja Atos 2:42: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações"). A escola dominical não é uma reunião da assembléia. Há irmãs que ensinam as crianças, mas quando se trata de grupos de jovens ou adultos o correto é que seja um irmão para ensinar.

A pregação do evangelho também não é uma reunião da assembléia, já que é voltada para os de fora, os incrédulos e convidados. Aí é um irmão que vai à frente pregar. Em alguns lugares isso é deixado para o irmão que quiser, em outros é organizada uma escala pelos próprios irmãos que pregam o evangelho (não se trata de uma reunião de assembléia, portanto é uma iniciativa dos que pregam).

P. Suponhamos que eu os visite e o Senhor me direcione a se reunir com os irmãos, como eu faria se não há um grupo de irmãos aqui em minha cidade?

Você iria pedir seu lugar à comunhão e aguardar ser recebido à mesa do Senhor da localidade mais próxima de você, e seria lá que iria partir o pão se fosse possível se deslocar. Em casos quando esse deslocamento fosse impossível, a assembléia à qual você estaria ligado decidiria como fazer. Em alguns casos poderia ser decidido que você partisse o pão com sua esposa, se ela também estivesse em comunhão (essa é uma decisão individual), em outros casos não. Não existe uma regra, é preciso buscar a direção do Senhor caso a caso.

P. Penso que o Senhor tem me orientado a deixar a denominação, mas, como lhe perguntei anteriormente onde me reunir, e você disse para eu não fazer nada sem antes buscar a orientação do Senhor porque Ele tem os seus meios de nos orientar para que tomemos uma direção, penso que o melhor é esperar.

Sim, eu nunca convido pessoas a se reunirem onde me reúno, porque não há base bíblica para um convite assim, do tipo "venha à minha igreja", como se vê por aí. É cada um que deve perguntar ao Senhor aonde deve ir e decidir isso por si mesmo, em comunhão com Ele. Eu prego o evangelho e insisto para que as pessoas creiam no Salvador, porque isso sim é um convite bíblico, mas não há qualquer fundamento em querer "pregar para conseguir membros" para alguma coisa.

Existem erros no texto da Biblia?

Sua dúvida está nas contradições que encontrou nos textos abaixo:

Qual a Idade de Acazias?
II Reis 8:26 "Acazias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar."
ou
II Crônicas 22:2 "Tinha quarenta e dois anos quando começou a reinar [Acazias]."

Quantos Cavalos Tinha Salomão?
I Reis 4:26 "Tinha Salomão quarenta mil cavalos em estrebarias para os seus carros."
ou
II Crônicas 9:25 "Tinha Salomão quatro mil cavalos em estrebarias para os seus carros."

É bem provável que estes sejam erros de transcrição que, obviamente, não comprometem o texto todo. É preciso lembrar que todos os textos que temos hoje são cópias de cópias, ou seja, nenhuma bíblia foi feita com base no manuscrito original. Por exemplo, ninguém tem os manuscritos de Moisés, ou de Davi, ou dos profetas, mas apenas cópias. As coisas se estragavam com o tempo e era preciso fazer novas cópias. Com isso é normal que alguns copistas se distraíssem e pode ser o caso aqui, embora geralmente a Bíblia seja feita com base em mais de uma cópia de manuscrito justamente para comparar e evitar coisas assim.

No caso da idade de Acazias existe um consenso de que o copista de 2 Crônicas errou e escreveu "quarenta" onde devia escrever "vinte". Fazemos isso o tempo todo, quando fazemos um "7" que pode se parecer com "1" ou um "m" que pode ficar parecido com "n". Lembre-se de que era tudo feito à mão.

No caso dos cavalos, os comentários que encontrei são que podem estar tratando de coisas diferentes ou podem ser também erro de cópia, já que "arbaim" (quarenta) e "arbah" (quatro) podem ser confundidos. Ou então em um caso está falando de quantos cavalos havia em todas as estrebarias (40 mil), e no segundo o número de cavalos em cada estrebaria (4 mil).

De qualquer modo estes são detalhes que não colocam em dúvida a totalidade da mensagem das Escrituras e podem ocorrer em qualquer cópia ou transcrição, já que são homens que fazem isso.

Voce jogou fora seus livros quando se converteu?

Você deve ter lido a história de minha conversão, antes, durante e depois. A resposta é sim, aconteceu exatamente como está escrito lá com minha biblioteca de livros esotéricos e afins. Mesmo sem saber na época, aquilo que fiz tinha fundamento bíblico:

Atos dos Apóstolos 19:19: "Também muitos dos que seguiam artes mágicas trouxeram os seus livros, e os queimaram na presença de todos e, feita a conta do seu preço, acharam que montava a cinqüenta mil peças de prata".

Tem muita gente que escreve que também trilhou o caminho esotérico antes de encontrar o Senhor. O engraçado é que quando algum esotérico lê meu testemunho acha que está tudo bem, que tudo faz parte de meu processo "evolutivo". ;D

Quanto aos livros, há livros e livros. Os que joguei fora era livros espiritualistas que tinham o claro objetivo de exaltar o homem e diminuir o Salvador e Sua obra na cruz. É fácil descobrir se um livro é bom ou ruim do ponto de vista de Deus. Basta você perguntar: "exalta a Deus ou ao homem?" Os livros espiritualistas ou esotéricos exaltam o homem, pois dão a ele o mérito por sua "elevação", "evolução espiritual" ou qualquer outro nome que dêem a isso.

Um livro baseado na Bíblia irá exalter a Deus e colocar o homem no seu devido lugar: um pecador perdido incapaz de se salvar e que depende da graça e misericórdia de Deus. O problema é que hoje você encontra muitos livros ditos "evangélicos" que nada mais são do que um espiritualismo com etiqueta protestante. Não passam de livros de auto-ajuda, que incentivam o cristão a fazer obras para obter ou manter sua salvação.

Depois de minha conversão cheguei a abrir uma pequena livraria evangélica numa sala na frente de meu escritório de arquitetura, mas era uma tarefa difícil que me dava prejuízo escolher o que vender, pois era obrigado a comprar e ler o livro antes de colocá-lo à venda, para ter a certeza de estar oferecendo algo de valor. Meu sustento vinha de minha profissão de arquiteto, portanto a livraria era uma espécie de hobby e também uma forma de evangelismo.

Nela continuei me livrando de livros que percebia serem veneno de rato: 99% milho e 1% estriquinina, hábito que tenho até hoje, principalmente com livros que abordam temas espirituais. Acho que isto responde a sua outra pergunta que é do quanto de proveito há em se ler um livro deliberadamente contrário à Bíblia apenas para buscar nele alguma coisa positiva. Não me sinto a vontade em manter ou dar a alguém algum livro no qual encontro doutrinas claramente anticristãs, como negar a suficiência de Cristo ou até mesmo sua divindade, como já vi alguns fazerem. É claro que aqui estou me referindo aos livros descaradamente antibíblicos ou anti Cristo, já que apenas a Bíblia é livre de erros.

Para falar a verdade, devo ter em minha estante uns dois ou três livros "espiritualistas", mas que estão lá só porque me foram presenteados pelos autores e autografados por eles. Seria indelicado se eles descobrissem que me livrei de seus livros, não é mesmo? :)

Quanto aos livros de outras categorias, como científicos, de história, ficção, acadêmicos etc., tenho vários, pois nada mais são do que a cultura normal deste mundo, a qual precisamos adquirir até para poder estudar e trabalhar. O cristão sabe que tudo o que há no mundo (inclusive sua cultura) não provém de Deus, mas do mundo (pois a Palavra assim o diz), bem como toda a tecnologia e tudo mais (até mesmo este computador no qual escrevo). São as coisas que o homem precisou inventar para amenizar o fato de ter decidido viver independente de Deus.

Pode Lúcifer ser a estrela da manhã?

O trecho que gerou sua dúvida está em Isaías 14:12-17:

"Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? Que não abria a casa de seus cativos?"
 O nome "Lúcifer" não aparece em todas as traduções da Bíblia, e significa portador de luz. Quanto à expressão "estrela da manhã", os anjos são identificados como "estrelas da manhã" em Jó 38:7, portanto não há nada errado em se utilizar a expressão para anjos, sejam eles caídos ou não. Você não concorda que no trecho a expressão seja atribuída a Satanás, mas eu teria maior dificuldade em aplicar a um homem uma expressão que aparece ora aplicada a Jesus, ora a anjos, mas não a homens.

O fato de Jesus ser também chamado de Estrela da Manhã em Apocalipse 22:16 não desautoriza a aplicação da expressão aqui a Satanás, mas apenas confirma o papel de imitador do diabo. Repare que em Apocalipse você encontra uma trindade satânica, com o diabo, a besta e o anticristo.

É preciso ainda entender que muitas passagens proféticas são cheias de símbolos e nem sempre fazem sentido se tomadas ao pé da letra. Pegue, por exemplo, os Salmos, que tanto podem expressar os sentimentos dos salmistas (sim, há outros além de Davi), como também os sentimentos de Cristo.

Uma das formas de se encontrar o verdadeiro sentido na Bíblia é perguntar: "Onde posso ver Cristo nesta passagem?" Ao fazer isso as coisas ficam mais claras, já que entendemos que Jesus é o espírito da profecia, e a Bíblia toda foi escrita por causa dele e fala dele. Ele próprio disse isso aos dois discípulos no caminho de Emaús no final do evangelho de Lucas.

Na passagem de Isaías eu vejo Jesus inserido no contexto, pois encontro aqui aquele que é seu antagonista, aquele que deseja ter a preeminência que só pertence a Cristo, e isso não apenas na terra, mas nos céus (repare que a cena toda é transportada do rei de Babilônia na terra para as esferas celestiais). Seria estranho o rei de Babilônia dizer que subiria acima das nuvens e seria semelhante ao Altíssimo. O próprio Jesus faz referência ao episódio de Isaías 14 em Lucas 10:18: "Vi Satanás, como raio, cair do céu".

Portanto, creio que este trecho seja um parêntese, pois parece se referir, não especificamente ao rei da Babilônia, mas àquele que movia o rei de Babilônia, ou seja, Satanás. No episódio em que Pedro nega que Jesus seria traído, julgado e morto, o Senhor repreende a Pedro como se estivesse falando com o diabo que estaria movendo Pedro a dizer aquilo.

Portanto, quer você acredite que o trecho fale literalmente de Satanás, ou ache que a "estrela da manhã" aqui esteja limitada a descrever o rei de Babilônia, creio que ambos concordamos que quem está por trás desses sentimentos é Satanás, a antiga serpente. O Senhor poderia dizer também aqui, ao rei de Babilônia: "Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens."

Mais sobre Satanás e anjos aqui:
Os anjos foram os pais dos gigantes?
Existe vida em outros planetas?
Satanás está no inferno?
Como expulsar demônios?
Quem são os anjos caídos?
Quem são os filhos de Deus?

Jesus foi pregar no inferno?

Não, essa idéia decorre de uma interpretação errônea das passagens em 1 Pedro 3:19 e 4:6. Vou acrescentar comentários [entre chaves] para você entender melhor o significado do texto:

"Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual [Espírito] também foi, e pregou [por intermédio de Noé] aos espíritos [agora] em prisão; Os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é, oito) almas se salvaram pela água... Porque por isto foi pregado o evangelho também aos [que hoje estão] mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito;"

Alguns acham que Jesus tenha descido ao Hades após sua morte para pregar aos condenados, mas não creio que seja assim. Que bem faria tal pregação? Para mim está bem claro quem pregou para aquelas pessoas: Noé.

Não quer dizer que o Senhor tenha ido pregar em algum lugar entre sua morte e ressurreição como acreditam alguns. O versículo diz que, no Espírito, Jesus pregou aos espíritos [agora] em prisão, os quais foram rebeldes à pregação de Noé. Em outras palavras, Noé pregou no Espírito de Cristo às pessoas de seu tempo, mas elas não creram, o que significa dizer que, por meio de Noé, era o próprio Senhor que estava falando a eles.

Digamos que hoje você pregue o evangelho a uma pessoa, ela não aceite, morra e vá para o hades. Pode-se dizer que você pregou a ela no Espírito de Cristo, ou seja, como se fosse Ele mesmo pregando a ela, não depois de morta, mas enquanto ainda vivia.

Não sei se fui claro. De qualquer modo, o Senhor não foi ao inferno ou ao hades pregar, mas as pessoas que estão lá já foram avisadas quando ainda viviam, seja por Noé ou por qualquer outro servo de Deus que tenha pregado no mesmo Espírito do Senhor. Isso tampouco dá qualquer idéia de purgatório, como querem alguns.

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