Quem pode batizar uma pessoa?

Sua dúvida é se apenas um pastor, bispo ou apóstolo pode batizar alguém, ou se isso pode ser feito por qualquer pessoa.

Primeiro vamos esclarecer alguns equívocos, pois acredito que você esteja falando de "pastor", "bispo" e "apóstolo" como geralmente esses títulos são usados dentro das denominações religiosas. Vamos tentar esquecer esses cargos que os homens inventaram e buscar na Palavra de Deus a explicação para esses dons e ofícios.

Apóstolos não existem mais. Leia aqui "Como saber se um apóstolo é genuíno?"

Bispos eram os anciãos responsáveis pelos cristãos em uma cidade, não em uma denominação. Eram sempre mais de um. Leia mais aqui: "Quem pode ser chamado bispo?"

Pastor é um dom, não um dirigente de congregação ou alguém que fez uma faculdade de teologia. Leia aqui: "Devemos obedecer aos pastores?"

Respondendo a sua pergunta, sim, qualquer pessoa pode batizar outra, porque não é quem batiza ou quem é batizado que importa, mas o batismo em si e em nome de quem, com com que autoridade, isso é feito. O Senhor deu essa ordenança aos doze apóstolos e isso incluiu até mesmo Judas, aquele que era falso.

Em Atos 2 diz "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas". Se considerarmos que a igreja estava começando e eram nesse tempo apenas 12 apóstolos (Matias estava agora no lugar de Judas), se os apóstolos conseguissem batizar uma pessoa a cada 5 minutos seriam necessárias 21 horas para batizarem todas essas pessoas. O mais provável é que muitos irmãos tenham feito isso.

A idéia de que apenas alguém que ocupe algum "cargo" ou tenha uma determinada formação é que pode batizar não passa de invenção humana, provavelmente para concentrar o poder nas mãos de poucos líderes.

O argumento de que quem batiza precisa ter um certo preparo para o batismo ser válido também cai por terra se considerarmos que boa parte dos escândalos que vemos hoje na cristandade vem justamente de líderes religiosos. Se considerássemos inválidos os batismos praticados por aqueles que caem em contradição ou escândalos, ou que depois se revelam até mesmo incrédulos ou lobos em pele de ovelhas, seria preciso rebatizar os cristãos o tempo todo. Mas a Palavra de Deus ensina que há um só batismo.

Quando uma pessoa batiza usando a fórmula "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo", ou "em nome de Jesus" no sentido da autoridade recebida daquele que instituiu o batismo, ela está se valendo de uma autoridade delegada, como ocorre com um embaixador durante a vigência de sua embaixada. Se o embaixador depois morre, encerra seu tempo de serviço ou até mesmo nega sua cidadania, os atos que praticou enquanto estava investido daquela autoridade continuam valendo.

Leia mais sobre o batismo aqui: "O que significa o batismo?"

Devemos comer apenas alimentos crus, como Adão e Eva?

Existe um "reverendo" norte-americano que prega a dieta "Hallelujah Diet" alegando que a alimentação que Deus planejou para o homem é vegetariana e crua. Ele se baseia em Gênesis, porém parece ignorar que aquele tipo de alimento foi dado para quem vivia antes da queda, quando o corpo humano foi radicalmente corrompido pelo pecado e a morte entrou em cena.

A verdade é que a solução para a vida eterna não é está em uma dieta, mas em crer em Jesus como Salvador, e no poder purificador de Seu sangue. Quem crê na vida eterna não tem falsas esperanças quanto a este corpo, mas espera a transformação que ocorrerá no arrebatamento ou ressurreição, caso seja pego pela morte antes disso.

Geralmente você encontra dietas vegetarianas e naturistas associadas a alguma filosofia ou doutrina religiosa, e é aí que mora o perigo. Sei disso porque fui vítima de uma dessas dietas doutrinárias. Quando fazia faculdade década de 1970, tinha sempre problemas de estômago, por isso decidi procurar uma alternativa aos pratos comerciais, tipo dobradinha, feijoada e rabada, que comia em bares e restaurantes de Santos, onde estudava. Passei a comer num restaurante macrobiótico e também numa associação macrobiótica que havia na cidade e logo minha saúde melhorou consideravelmente. As dores de estômago e azia passaram e o cabelo parou de gostar mais do pente do que do couro cabeludo.

Porém, na macrobiótica e em outras dietas fundamentadas em uma filosofia, você acaba sendo atraído para os livros que "explicam" a filosofia por trás daquilo e no pacote vem o engano. Virei um macrobiótico fanático que não comia nada que não fosse integral e dentro dos princípios de equilíbrio yin-yang. Queria atingir o equilíbrio com o Universo, e não conseguia perceber o quanto de engano havia nas aulas que eu costumava frequentar em um restaurante macrobiótico que havia no bairro da Liberdade, em São Paulo. Foi na mesma época que a cantora Tuca morreu, além de outro rapaz, ambos de desnutrição.

Numa das aulas nesse restaurante alguém comentou o caso de um rapaz, macrobiótico ferrenho e frequentador do mesmo local, que estava internado por ter sido atropelado em cima da calçada. A dúvida era o que fazer em casos assim, quando um macrobiótico fosse obrigado a receber transfusões de sangue impuro de algum doador não macrobiótico. A resposta do "mestre" foi que o rapaz devia ter comido algum alimento errado, pois se estivesse realmente seguindo à risca a dieta estaria em harmonia com o Universo e não teria sido atropelado. Naquela época eu não acreditava em Papai Noel, mas acreditava nisso.

Agora que sou cachorro mordido de cobra que tem medo de linguiça, mesmo que seja feita com carne de soja, desenvolvi uma espécie de faro para esse tipo de coisa. Outro dia encontrei um site de um ex-vegetariano que assinala os principais elementos que levam você a identificar um adepto de qualquer doutrina-dieta existente por aí. Ele trata da ortorexia nervosa, que define como a obsessão por alimentação saudável. Sim, uma dieta saudável pode virar doença como é a anorexia nervosa. Se quiser ler os vários artigos em inglês, siga este link. Vou traduzir um trecho onde ele fala da dieta crudívora, mas que pode ser aplicado para identificar as afirmações dos gurus de dietas filosófico-religiosas:
  • A alimentação vegetariana crua (raw vegan) é "a mais natural", "ideal", "perfeita" etc.
  • Os seres humanos foram criados ou evoluíram para ter uma dieta crua vegetariana.
  • Alimentos cozidos são venenosos e/ou alimentos proteicos são tóxicos porque os subprodutos do metabolismo da proteína são prejudiciais ao organismo.
  • A alimentação vegetariana crua é capaz de curar qualquer doença ou seu potencial de cura só é limitado pela disciplina do adepto em aplicar seus preceitos.
  • A dieta vegetariana crua irá garantir uma saúde perfeita ou tornará você "perfeito" em qualquer sentido, ou "superior" aos demais que comem outras coisas. (Geralmente essa última afirmação de superioridade é mais implícita do que explícita, evidentemente).
  • A dieta vegetariana crua fará do mundo um lugar melhor; se todos seguissem a dieta vegetariana crua não haveria problemas sociais no mundo, e atingiríamos um mundo de paz e viveríamos em um paraíso natural. Aqui as expectativas têm dois lados: (1) por fazer a conexão entre corpo e mente a dieta é poderosa e um elemento crítico para a paz e saúde mental; e (2) o estilo de vida que acompanha uma dieta vegetariana crua eliminará comportamentos e atos de pessoas orientadas para o dinheiro, os quais são a principal raiz dos problemas sociais.
O artigo traz também uma lista das razões pelas quais a dieta vegetariana crua seduz seus adeptos:
  • É rica em idealismo e nos faz pensar que o mundo é fácil de ser compreendido.
  • É tão boa para ser verdade que o adepto acredita que só pode ser verdade (meu palpite: A doutrina da propaganda de Hitler estava em contar uma mentira tão grande que as pessoas acabariam duvidando que alguém seria capaz de contar tamanha mentira e acreditariam).
  • Cria uma falsa sensação de segurança quando você acredita no dogma de que aquela é a dieta "melhor", "mais natural" e "perfeita".
  • O aspecto social da dieta faz de você uma pessoa singular que acaba conquistando a atenção das pessoas (muito apropriado para pessoas egocêntricas)
  • Ao adicionar uma falsa moral à dieta, você acaba acreditando ser moralmente superior àqueles que comem outros alimentos (bom para o ego).
  • Para aqueles que sofrem de baixa auto-estima a dieta pode proporcionar um movimento com o qual você pode se identificar; pode lhe dar um tipo de identidade própria.
  • Alguns aspectos do vegetarianismo-crudismo podem ser comparados à experiência de se filiar a alguma seita religiosa quando você passa a seguir os gurus da dieta.
Evidentemente muitos desses tópicos se aplicam também a algumas religiões pentecostais que pregam que o cristão não fica doente ou, quando fica, é porque não tem fé, pecou ou não ofereceu algum tipo de sacrifício pessoal, físico ou monetário a Deus (em outras palavras, não seguiu a "dieta"). O desapontamento e desilusão que sofrem as vítimas dessas seitas pentecostais não é diferente da sensação de culpa dos adeptos de dietas quando caem enfermos. O ponto é que, convertidos a Cristo ou não, comendo alimentos vegetarianos e crus ou não, este corpo continuará tão arruinado pelo pecado quanto sempre esteve, e seu destino é a degradação e a morte. Uma dieta equilibrada pode dar uma melhor qualidade de vida, evitar algumas doenças e até prolongar a vida do corpo, mas não evitará a doença e a morte que entraram na criação através do pecado. Animais que vivem em seu habitat natural, comendo alimentos naturais e adequados ao seu organismo, também adoecem e morrem.

Recentemente comprei um livro sobre dieta vegetariana crua escrito por um médico. Por ser escrito por um profissional de saúde eu esperava encontrar nele apenas os aspectos científicos e práticos, nunca filosóficos, para entender tal dieta. Minha decepção foi enorme. Seu autor alega que os fundamentos para sua dieta vêm não apenas de artigos científicos, mas dos antigos essênios, uma das seitas do judaísmo, valendo-se para isso de um dos vários evangelhos apócrifos.

Como acontece com o espiritismo, é comum essas novas filosofias buscarem em Jesus algum tipo de endosso para tornar sua doutrina palatável para uma civilização ocidental cristianizada. Na falta de subsídios bíblicos, apela-se para supostos manuscritos antigos ou revelações feitas por anjos ou espíritos. Basta uma citação do dito livro para você entender o espírito por trás de suas idéias: 


"Novos elos se encontrarão na cadeia evolutiva, no caminho da humanidade em direção à paz, quando deixarmos de aguardar que Jesus nos salve e procurarmos fazer aquilo que Jesus nos trouxe". 

Em outras partes ele explica o que quer dizer com "aquilo que Jesus nos trouxe", usando trechos de um evangelho apócrifo que ensina (acredite se quiser!!!) técnicas de lavagem intestinal como meio de se obter o perdão dos pecados.

É isso que dá não conhecer a Palavra de Deus e nem a Pessoa de Cristo...

O cristão deve ser vegetariano?

Essa dúvida costuma surgir naqueles que entram em contato com religiões como o Adventismo do Sétimo Dia, cuja profetisa-mór disse ter recebido uma revelação nesse sentido. Mas não existe base bíblica para isso. Pelo contrário, quando o Senhor apareceu a Abrão, foi recebido com um churrasco, que foi apreciado pelo Senhor e pelos anjos:

Gen 18:7-8: "Depois correu ao rebanho e escolheu o melhor novilho, e o deu a um servo, que se apressou em prepará-lo. Trouxe então coalhada, leite e o novilho que havia sido preparado, e os serviu. Enquanto comiam, ele ficou perto deles em pé, debaixo da árvore".

Algumas correntes do cristianismo tentam usar a Bíblia para endossar a alimentação vegetariana, mas isso cai por terra quando examinamos o texto. Um dos argumentos é que no princípio Deus deu as plantas e as sementes como alimento para Adão e Eva, mas basta virar algumas páginas da Bíblia para descobrir que, após o dilúvio, Deus deu também os animais como alimento. O texto diz também que Deus colocou medo nos animais para fugirem do homem.

"E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis." Gênesis 9

Embora existissem restrições para determinados tipos de animais na lei dada através de Moisés, hoje entendemos que eram restrições cerimoniais e também figuras das coisas que seiam reveladas. No início da Igreja os apóstolos concluíram, em Atos 15:20, que os que se convertiam deviam se abster de comer carne de animais sufocados (que não foram sangrados) e sangue.

Quanto à dúvida de se comer algum animal que pudesse ter sido oferecido a algum ídolo, Paulo responde em 1 Coríntios 10:27  e também no capítulo 8 que deviam comer de tudo o que fosse servido quando visitassem a casa de algum incrédulo, porém se fossem informados de que se tratava de sacrifício a algum ídolo, então deviam evitar, não por causa de si mesmo, do que estariam comendo, mas por causa de outros que os vissem fazer aquilo e pudessem ser confundidos. As epístolas dos apóstolos trazem várias passagens que tratam de alimentos e, exceto no caso da glutonaria e embriagues, Deus não colocou restrições aos cristãos.

Outro argumento para se evitar carne é relacionado à saúde, e quanto a isso não há muito o que discutir. Ao adotar uma dieta vegetariana, a pessoa acostumada a uma dieta rica em carne e gordura animal percebe uma sensível melhora em sua saúde. Isso porque não somos totalmente carnívoros como o leão e o crocodilo, mas onívoros por natureza, como o porco e o urso, que comem de tudo.

Nossa arcada dentária possui dentes caninos, que não são tão desenvolvidos quanto os dos animais exclusivamente carnívoros, e incisivos e molares que também são menos complexos do os dos animais exclusivamente herbívoros. Os dentes já nos dão uma pista do tipo de alimentação que é adequada aos seres humanos, e em que porcentagem. É mais ou menos como a sabedoria de meu tio, que dizia que se Deus quisesse que o homem fumasse teria feito suas narinas viradas para cima, como chaminé.

Existe perdão para o meu pecado?

Sua aflição parece ser fruto daquilo que acreditam as pessoas com as quais você se congregava, ou seja, que o seu pecado é grave demais para voltar a desfrutar da comunhão com Deus.

A única condição para sermos salvos é reconhecer que somos pecadores, pois "Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores..." E, se continuarmos o versículo, por pior que você se considere, saiba que Paulo era pior "...dos quais eu sou o principal." Ele entregou à morte muitos dos primeiros cristãos, ou consentia com apedrejamentos como o de Estêvão.

Você certamente já leu esta passagem de João 8:

1 Jesus, entretanto, foi para o monte das Oliveiras.
2 De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava.
3 Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,
4 disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.
5 E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?
6 Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.
7 Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.
8 E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.
10 Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.

O curioso é que os fariseus afirmam que aquela mulher havia sido surpreendida em adultério, o que significa que havia também um homem com ela. Cadê o homem? Seria ele um fariseu também que estava sendo poupado por seus amigos? Provavelmente. O fato é que a Lei de Moisés mandava apedrejar os dois que fossem pegos em flagrante adultério, mas apenas a mulher é levada a Jesus.

No final, todos eles se afastam porque suas consciências também eram culpadas. Apenas uma pessoa permanece na presença de Jesus, o único que podia atirar a primeira pedra por ser sem pecado. Mas ele não faz isso. Ao contrário, Jesus não condena a mulher. É quando nos colocamos diante do Senhor, confessando e reconhecendo nosso pecado, que podemos ouvir suas palavras de perdão. O companheiro dela ou os outros fariseus não tiveram o mesmo privilégio que a mulher teve. Apesar de terem sido acusados pela consciência de que não estavam livres de pecado, afastaram-se daquele que era o único capaz de perdoá-los e limpar suas consciências.

Se aquela mulher saísse dali e alguém lhe perguntasse: "Então, como fica essa situação de adúltera?", o que ela poderia dizer? "Não sei não, Jesus disse que não me condena, mas não tenho lá essa certeza..." Ou será que ela podia dizer alegre: "Fui perdoada!".

Todos os nossos pecados foram julgados em Jesus lá na cruz e nenhum ficou para trás ou para ser resolvido depois. O sangue dele nos purifica de todos os nossos pecados. Obviamente isso não é uma permissão para pecarmos (o Senhor diz à mulher "vai e não peques mais"), mas se pecarmos, temos um advogado diante do Pai intercedendo por nós. O perdão é garantido graças à obra na cruz, e não a nós mesmos ou até à intensidade de nosso arrependimento, mesmo porque o verdadeiro arrependimento é o Espírito Santo que opera em nosso coração.

Não sei quando você se converteu a Jesus, se foi antes ou depois do que contou, mas de qualquer modo é bom entender que quando nos convertemos a Jesus todas as nossas iniquidades são perdoadas e recebemos o Espírito Santo que vem habitar em nós. Se pecamos depois de convertidos, não perdemos a salvação ou o Espírito Santo, mas perdemos a comunhão com o Pai, como um filho que é colocado de castigo trancado no quarto. Mas, se a casa pegar fogo, adivinha qual filho o Pai vai correndo salvar?

Portanto, de uma forma ou outra, você pode se considerar liberta pelo sangue de Jesus. Não é por obras que somos salvos, e não é por obras de fidelidade que nos mantemos salvos, e também não é por obras que aplacamos nossa consciência, muito embora tentamos fazer isso. Por isso, a primeira reação nossa quando pecamos é querer fazer alguma coisa para compensar. Nada do que fazemos pode cobrir o pecado e a ocupação com as coisas de Deus também não aplaca a consciência.

A solução? Uma confissão sincera e a confiança de que "...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós." 1 Jo 1:8-10

O Salmo 103 pode trazer grande consolo a esse respeito:
8 O SENHOR é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno.
9 Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira.
10 Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades.
11 Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem.
12 Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.
13 Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem.
14 Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.

Qual a diferenca entre tribulação e grande tribulação?

Nos vídeos "O Evangelho em 3 Minutos" chamei de tribulação o período todo dos 7 anos, porque os primeiros 3 anos e meio também serão difíceis para os que se converterem, e para eles cabe também a admoestação do Senhor "No mundo tereis tribulação". A primeira metade dos 7 anos é chamada de "princípio das dores" Mt 24:8.

A Bíblia chama de "grande tribulação" a segunda metade desses 7 anos (será que podemos chamar de "pequena tribulação" a primeira metade?). Mt 24:21 fala principalmente dos judeus e da situação na Judeia: "porque nesse tempo haverá GRANDE TRIBULAÇÃO, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais". Simultaneamente as coisas estão acontecendo também no resto do mundo, e Ap 7:14 fala dos gentios desse período: "Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da GRANDE TRIBULAÇÃO, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro".

Os títulos que uso para as mensagens são apenas para facilitar a divisão dos assuntos, mas nem todos fazem obrigatoriamente parte da nomenclatura usada na Bíblia. Até mesmo nas traduções que temos da Bíblia, os subtítulos em negrito que dividem as diferentes seções foram adicionados depois, portanto não são inspirados e estão sujeitos a erros (já encontrei alguns). Meus títulos também podem estar sujeitos a erros.

Israel na terra prometida é a figueira com brotos e folhas?

Israel ainda não voltou oficialmente para a terra, digo, no sentido oficial de Deus. Hoje eles estão lá em uma condição de rebeldia e se mantêm graças à sua teimosia e esforço próprio, mas é claro que Deus continua operando e zelando por Seu povo escolhido, mesmo que faça isso dos bastidores. Eu creio que essa manifestação inicial, sem frutos para Deus, seja justamente a figueira com folhas, pois a figueira é símbolo de Israel como nação.

A figueira aparece algumas vezes nas Escrituras. Ela já estava no jardim do Éden em Gn 3:7 e foi de suas folhas que Adão e Eva fizeram aventais inúteis para cobrir sua nudez (já que Deus precisou fazer roupas de peles).

O diálogo de Jesus com Natanael parece ter duplo sentido, obviamente referindo-se a Israel: João 1:47-49 "Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira. Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel."

Oséias compara os patriarcas de Israel como a fruta temporã da figueira em Oséias 9:10: "Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio"

A referência que Jesus faz à figueira, além da ocasião em que ele faz a figueira secar, também é clara: Lucas 13:6 "E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando; E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar."

A vinha também aparece representando Israel, tanto frutífero, como com seus ramos passando por cima dos muros para alcançar o exterior. Is 5:1-10 e Salmos 80. A Palavra de Deus também usa a figura de uma oliveira para representar Israel em seu aspecto espiritual.

Uma referência (em inglês) interessante sobre as árvores na Bíblia como figuras você encontra aqui: http://koti.phnet.fi/petripaavola/Bible_Trees.html

Se quiser se aprofundar no estudo da profecia, sugiro a leitura de "Acontecimentos Proféticos", um livro que traduzi há quase 20 anos, está hoje esgotado, mas cujo texto pode ser encontrado no site de um irmão em Cristo: http://www.geocities.com/lucaclau/profecy.html

O dilúvio da Biblia foi copiado de lendas de outros povos?

Os fatos apresentados nesse tipo de explicação podem ser vistos de dois ângulos. Você pode, por exemplo, dizer que o dilúvio foi copiado de antigas lendas pagãs (há muitas sobre o dilúvio), ou acreditar que não eram lendas, mas um conhecimento do dilúvio que acabou misturado com sua cultura. O mesmo sobre o Sol e a mençã que a Bíblia faz dele em relação a Cristo, como o "Sol de Justiça" por exemplo. Será que o cristianismo copiou do paganismo a noção de Jesus/Sol ou esse era um conhecimento real e dado por Deus que acabou se mesclando com sua cultura?

O mesmo você pode dizer da ressurreição, do sacrifício vicário, da santa ceia e de tantos outros aspectos do cristianismo que possuem um correspondente no paganismo. O fato de algo ter um correspondente no paganismo não quer dizer necessariamente que o correspondente pagão tenha sido o que surgiu primeiro. Como no caso do dilúvio, primeiro veio o conhecimento divino dado a Noé, e depois as lendas pagãs. O mesmo se pode dizer do monoteísmo. Há religiões pagãs monoteístas, como uma que dominou o Egito em um determinado tempo, ou outra instituída por um rei Inca em sua época. Teria o judaísmo ou cristianismo monoteísta ido buscar a idéia nesses povos ou seria o contrário?

Vários povos antigos tinham a noção de um salvador que viria do céu, e alguns alegam que os Maias tenham se deixado dominar pelos espanhóis por considerarem aqueles homens enormes (nos primeiros encontros eles não entendiam que o cavalo não fazia parte do homem) como o salvador anunciado. Será que o messianismo judaico-cristão emprestou desses povos antigos a idéia de um Messias ou foi o contrário, isto é, esses povos em algum momento do passado tiveram contato com a revelação divina de um Messias e acabaram incorporando isso em suas culturas?

Um excelente livro sobre o assunto é "O Fator Melquisedeque" ("Eternity in Their Hearts"), de Don Richardson, um missionário que encontrou vários exemplos de paralelos cristãos em povos indígenas de todo o mundo. Sua tese é que Deus preparou os homens para as Suas verdades e que esse preparo acabou incorporado às suas culturas, de forma que não achassem estranho quando alguém lhes falasse de um dilúvio universal, de um Messias, um Salvador, um sacrifício substitutivo etc.

O próprio Don Richardson viveu em uma tribo da Nova Guiné onde a porta para a aceitação do evangelho foi o conceito que tinham do "Totem da Paz", ou seja, quando uma tribo queria ter paz com outra, entregava um de seus filhos, uma criança, que precisava ser criada pela outra tribo. Enquanto a criança vivesse, elas não poderiam guerrear. Quando o missionário disse aos indígenas que Deus entregou o Seu filho para fazer a paz conosco, e como o Filho está hoje ressuscitado e não morre mais é possível ter paz com Deus eternamente, tiveram início as conversões.

Veja um trecho de uma apresentação do livro "Totem da Paz":

"Deus preparou o mundo para o Evangelho

Uma vez por ano, os artesãos de uma tribo da Indonésia constroem um barco de madeira em miniatura e o levam à beira do rio. O chefe religioso da tribo amarra uma galinha num lado do barquinho e coloca uma lanterna acesa no outro lado. Logo em seguida, cada membro da tribo passa perto do barquinho e coloca um objeto invisível entre a galinha e a lanterna.

Quando se pergunta às pessoas o que deixaram no barquinho, elas respondem: meu pecado. Depois, o chefe deixa o barquinho ser levado pela correnteza do rio, enquanto os expectadores gritam: Estamos salvos! Embora esta cerimônia religiosa não salve ninguém do seu pecado, Don Richardson a vê como exemplo de uma ponte para o conhecimento do Evangelho.

Neste livro, Richadson conta mais 25 histórias fascinantes, que mostram a semente do Evangelho deixada por Deus em cada cultura do mundo. Ele chama este tipo de Revelação Geral de Deus O Fator Melquisede, usando o nome do sacerdote a quem Abraão prestou homenagem no Livro de Gênesis.

Este livro mudará as idéias de muitos cristão sobre os povos pagãos e sobre a soberania de Deus."

O que fazer se meu marido é homossexual?

Desculpe-me pela demora em responder, mas não se trata de um assunto fácil. Depois de pensar conclui que é preciso entender os dois lados da questão de modos distintos. Do lado dele, essa é uma questão que ele deverá tratar com o Senhor. Neste caso vale para ele o que escrevi sobre o homossexualismo.

Mas esse não é um problema seu. O seu problema é que seu marido está tendo relações extra conjugais, independente do tipo de relações. Que ele está pecando pelo tipo de relações que está tendo, a Palavra de Deus não deixa dúvidas quanto a isso, e que está pecando também por traí-la qualquer um irá concordar com isso. Mas no que diz respeito a você, continuar nessa relação torna você impura. O divórcio é algo que não agrada a Deus, e Malaquias 2:16 diz “Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel”, portanto trata-se de uma decisão extrema.

Vamos ver o que a Palavra de Deus diz a respeito disso:

Mateus 5:32 - "Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério."

Mateus 19:9 - "Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério."

Obs. Li um comentário que a palavra original para "prostituição" ou "fornicação" nestas passagens abrange qualquer tipo de imoralidade sexual. Por essas passagens entendo que a infidelidade que envolve imoralidade sexual é motivo suficiente para o divórcio. Há outra situação em Coríntios:

1 Coríntios 7:10-15 "Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher. Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe.... Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz."

Isso mostra que devemos a todo custo evitar qualquer separação, entendendo que não existe aqui fornicação envolvida, mas mesmo assim a separação pode acontecer por algum outro motivo e, se acontecer, não deve ocorrer um novo casamento. Há também o caso do cônjuge descrente que se separa, o que não é uma decisão do cônjuge crente, já que não há como segurar alguém que não quer ficar.

Mas em qualquer caso, seja ele envolvendo imoralidade ou não, devemos entender que nosso Deus é um Deus de reconciliação e, quando existe arrependimento e abandono do pecado, deve existir a possibilidade de reconciliação.

Efésios 4:32 diz: "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo". Isso envolve adultério ou qualquer forma de pecado ou imoralidade, pois não houve pecado grande ou pequeno que Deus não fosse capaz de nos perdoar em Cristo. Todos nós fomos a Cristo com algum tipo de pecado e Ele nos salvou. Todos nós estamos sujeitos a cair, mas Ele está pronto a operar em nós o arrependimento e nos restaurar:

1 Coríntios 6:10-11 "Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus".

Apenas isso já bastaria para você ter uma visão bíblica do caminho a seguir, mas existe também algo mais, que é a questão da contaminação. No Antigo Testamento há várias figuras, em especial sobre a lepra, animais mortos, alimentos impuros etc., que mostram o princípio da contaminação e da separação do mal. Alguém que entrasse em contato com coisas impuras se tornaria impuro, porém um impuro que tivesse contato com coisas santas não ficaria com isso santo. É sempre a degradação que ocorre.

Ageu 2: 11-13 "Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Pergunta agora aos sacerdotes, acerca da lei, dizendo: Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes responderam: Não. E disse Ageu: Se alguém que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam, dizendo: Ficará imunda".

Este é o mesmo princípio do qual Paulo fala em 1 Coríntios, quando é descoberto que havia um irmão em comunhão na igreja de Corinto, o qual praticava imoralidade. A sentença é que ele seja colocado fora da comunhão com os irmãos e com ele evite-se até mesmo comer junto.

1 Coríntios 5 "Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem abuse da mulher de seu pai... Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?... Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem... Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais".

Em 2 Coríntios 7 nos dá a entender que, apesar da dureza do tratamento exigido pela primeira carta, isso foi de bênção para os cristãos daquele lugar. É provável que o homem tenha se arrependido e novamente recebido à comunhão, porque é esse o objetivo de qualquer medida disciplinar: a restauração.

Veja que a associação com alguém que se diz irmão e vive em pecado se torna mais grave, pois de uma situação assim é exigido um cuidado que não é exigido nem mesmo no convívio com incrédulos. Porém, como já disse, Deus abomina o pecado e ama o pecador, e devemos fazer o mesmo. O primeiro passo é evitar qualquer contato físico com a pessoa que está vivendo em imoralidade sexual. Depois é preciso que haja uma separação de convívio ou comunhão, para que você não acabe cúmplice ou conivente com o pecado.

Quando a pessoa que está pecando confessa ser cristão e está em comunhão com outros irmãos, é preciso fazer algo a respeito disso porque aí o testemunho de Deus é denegrido. Um incrédulo que saiba da vida imoral que uma pessoa que se diz crente leva, certamente acreditará que isso é natural entre os cristãos, já que essa pessoa continua sendo bem recebida pelos irmãos.

Finalmente, nada disse se faz sem oração e humilhação na presença do Senhor.

Devo vender tudo e dividir com outros cristãos?

Sua pergunta está relacionada com o que faziam os primeiros cristãos em Atos dos Apóstolos 4:34,35:

"Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha".

Não sei se vendiam tudo, pois diz apenas que os que tinham posses faziam isso, mas não era algo compulsório dar o produto da venda, como Pedro vai explicar no capítulo 5 a Ananias e Safira.

Tentar se relacionar hoje com a cristandade ou aqueles que se dizem cristãos nos mesmos moldes de Atos dos Apóstolos (por isso se chama "atos dos apóstolos" e não "doutrina dos apóstolos") não é mais possível. Aquela era uma época quando o pecado de um cristão era julgado até com a morte (como Ananias e Safira) e com o poder, pelos apóstolos, de entregar alguém a Satanás para a destruição do corpo.

Se tentarmos viver hoje como viviam os primeiros cristãos, especialmente numa sociedade ocidental onde todo mundo se diz cristão, seremos obrigados a fechar os olhos para os alertas da Palavra de Deus sobre a progressão do mal no reino dos céus descrita nos evangelhos (joio x trigo, massa toda levedada, grande árvore com pássaros de todas as espécies em seus galhos etc.). Não é possível julgar as coisas hoje sem levar em conta que estamos nos últimos dias descritos por Paulo em 2 Timóteo que foi também sua última carta antes de morrer.

A cristandade entre a qual vivemos hoje é aquela descrita em 2 Timóteo 3:

1 Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
2 Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
3 Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
4 Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
5 Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
6 Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;
7 Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
8 E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.

Paulo escreve isso em continuidade ao que escreveu no capítulo 2, quando exortou Timóteo a se apartar daqueles que tinham alguma má doutrina ou de vasos de desonra. Em uma época quando há tantos enganadores se dizendo cristãos, não posso ser ingênuo ao ponto de acreditar que estamos vivendo nos dias do princípio da Igreja, ou que tudo continua lindo e maravilhoso como numa época em que os sinais e maravilhas eram abundantes, antes que o fermento do pecado viesse a levedar toda a massa, a cristandade se tornasse numa grande árvore com aves de rapina aninhadas em seus galhos e não faltasse joio plantado no meio do trigo.

Voce lê qualquer livro cristão ou evangélico?

Não, eu procuro selecionar e julgar o que leio, pois hoje existe muito lixo impresso com o nome de "cristão" ou "evangélico", principalmente coisas que exaltam o homem, autoajuda etc. Mesmo quando leio autores cristãos procuro julgar tudo e reter o que é bom. Esse julgar tudo inclui me lembrar de que provavelmente o autor seja alguém ligado a algum sistema religioso com alguma denominação que diferencia seus membros de outros cristãos por um nome que não é o de Jesus. Reconheço que Deus pode usar pessoas conforme a Sua vontade, e Ele usou Elias e Eliseu que estavam, por assim dizer, no lugar errado. Enquanto o único centro estabelecido por Deus para adorar era em Jerusalém, Elias e Eliseu foram profetas de Israel, as dez tribos divididas cujo rei ficava em Samaria.

Portanto, procuro não me esquecer de que, mesmo que se trate de um bom autor cristão, provavelmente seja alguém sob o governo de uma instituição religiosa, que se deixa chamar de "Reverendo" (um título que só cabe a Deus) ou "Doutor em Divindade" (você teria coragem de se achar tal?). Alguns desses autores tratam muito bem das questões da vida do cristão individualmente, porém pisam na bola quando falam do andar coletivo cristão, já que seu pensamento irá contemplar o conceito de "igreja" como uma denominação ou sistema religioso. Ao falar da cristandade como um todo ele provavelmente irá sugerir fazer algo com aquilo que a Palavra de Deus chama de campo de joio e trigo, massa levedada, grande casa onde há vasos de honra e desonra, ou grande árvore onde há aves de toda espécie. Quem está dentro dos sistemas religiosos criados pelo homem dificilmente conseguem enxergar seus erros. Quem está dentro da garrafa não consegue ver o rótulo.

Aconselho que leia atentamente 2 Timóteo e não se esqueça de que a Palavra de Deus nos alerta para os últimos dias, para o tempo quando você encontra de tudo na grande casa da profissão cristã. É preciso ser criterioso, "porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências". Esse tempo de 2 Timóteo 4 é hoje. Se existe uma sã doutrina, em contraste com aqueles que procuram mestres segundo suas concupiscências, é responsabilidade minha descobrir qual é essa sã doutrina e me apegar a ela.

Mulheres podem ser pastoras?

Sua pergunta precisa ser contextualizada antes de ser respondida. Normalmente, quando se pergunta se uma mulher pode ser pastora de uma igreja o que a pessoa está querendo dizer é se uma mulher pode dirigir uma congregação nos moldes daquilo que encontramos no protestantismo, que nada mais é do que uma herança do catolicismo. Neste contexto, nem homem nem mulher poderiam ser pastores, simplesmente porque esse modelo de alguém dirigindo uma congregação não existe na doutrina dada pelos apóstolos.

Porém a pergunta geralmente é uma reação ao que ensina 1 Coríntios 14, quando diz que as mulheres devem ficar caladas nas igrejas, pois não lhes é permitido falar. Então, seguindo o raciocínio do modelo de uma pessoa dirigindo uma congregação, como seria possível uma mulher fazer isso se ela estivesse impedida de falar na igreja? É particularmente difícil explicar tudo isso quando a cristandade se afastou tanto da simplicidade do texto bíblico, adotando a idéia de "igreja" como uma denominação ou instituição religiosa, e "pastor" como uma profissão, cargo ou função de liderança de uma congregação.

Antes de mais nada, entenda que "igreja", biblicamente falando, tem dois significados. Pode significar o corpo de Cristo, composto por todos os salvos, e pode significar também a assembléia dos cristãos quando estão reunidos ao nome de Jesus. O significado de instituição denominacional, de templo ou qualquer outra coisa semelhante é estranho às Escrituras.

Tenho vários textos para sugerir que poderão ajudar na compreensão desses dois assuntos:

"Igreja" e "Pastor":

Por que há tantas denominações?
Em que templo devo adorar?
O que significa a mesa do Senhor?
Como celebrar a ceia do Senhor?
Onde celebrar a ceia do Senhor?
O que significa a palavra igreja?
O que significa reunir-se ao nome do Senhor?
Qual o verdadeiro lugar de adoração?
Quem deve liderar nas reuniões da igreja?
Devemos usar instrumentos musicais na igreja?
Você já pertenceu a alguma denominação?
É possível congregar com desprendimento denominacional?
Qual é a hierarquia na igreja?
Devemos obedecer aos pastores?
O que significa o arraial de Hebreus 13?
Como deve ser o clero na igreja?
Qual é o verdadeiro lugar de adoração?
Como os dons se manifestam na igreja?

Mas, voltando ao seu e-mail, você enviou o texto de um autor que tenta dar respaldo a um cargo de pastor para mulheres, obviamente não apenas pensando nelas como dirigentes de congregação, mas também como pregadoras nas reuniões da igreja (repito, duas idéias inventadas pelo homem). Vou comentar alguns trechos do texto que você enviou e que aparentemente veio deste site. Alguém deve ter copiado parte dele em um e-mail que respondi em outra ocasião e respondi aqui: "Mulheres cristãs não podem falar?".

> [texto de terceiro] É fato que o Apóstolo Paulo em sua epístola, faz algumas restrições às manifestações das mulheres na igreja, mas, antes de generalizarmos estas recomendações Paulinas...

Não é Paulo quem faz restrições, é o Senhor. 1 Co 14:35 "E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja. Porventura saiu dentre vós a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo SÃO MANDAMENTOS DO SENHOR".

Essa prática de jogar para Paulo a responsabilidade das coisas que Deus falou por intermédio dele abre um precedente para aberrações, como considerar que aquilo que Paulo fala do homossexualismo seja apenas opinião dele, portanto não deve ser levado em conta.

> [texto de terceiro] é preciso que façamos uma analise da situação feminina diante da cultura oriental,

Não. Se condicionarmos a Palavra de Deus à cultura, vamos ser obrigados a acatar o homossexualismo, o aborto, o sexo fora do casamento e tantas outras coisas que são hoje culturalmente aceitáveis.

> [texto de terceiro] Na Bíblia encontramos as mulheres exercendo uma série de atividades eclesiais, por exemplo: Servindo na igreja (diaconisas), evangelistas, profetisas, pregadoras, obreiras, etc.

Sim, dentro de determinados contextos, como a família, a casa do pai (as filhas de Filipe), entre mulheres (como as mais velhas que devem ensinar as mais novas) etc. Nunca nas reuniões da igreja.

> [texto de terceiro] Diante de tantos exemplos, é impossível negarmos o chamado e a unção de mulheres ao pastorado.

Só porque a premissa é verdadeira não nos dá a liberdade de chegar a conclusões falsas. Além disso, o autor aqui deve estar tomando a palavra "pastorado" dentro de seu significado denominacional, o qual não é bíblico. Refiro-me a um homem dirigindo uma congregação. Não há tal coisa no Novo Testamento.

> [texto de terceiro] Inclusive, o mover do Senhor é uma realidade em nossos dias, mesmo que não houvesse nenhuma citação na Bíblia endossando o chamado feminino, ainda assim seria aceitável, desde que revelado pelo Espírito Santo de Deus, o verdadeiro edificador da igreja.

Ah, então mesmo que não exista nenhuma citação na Bíblia endossando qualquer coisa, podemos fazer isso desde que chamemos de "mover do Senhor". Para que usar a Bíblia então, se não precisamos mais de referências tiradas dela para nosso modo de agir?

> [texto de terceiro] Exponho a seguir uma série de atividades exercidas pelas mulheres, veja: 1- Serviram ao Senhor e a Sua igreja: LC 1.30-38 “ Então o anjo continuou: —Não tenha medo, Maria! Deus está contente com você. Você ficará grávida, dará à luz um filho e porá nele o nome de Jesus..."

O autor não compreende que a igreja só foi formada em Atos 2. Maria era uma judia que adorava no Templo de Jerusalém e oferecia animais sacrificados a Deus.

> [texto de terceiro] Rm 16.1-6 “Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de Cencréia... Saudai Priscila e Áqüila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça... Saudai Maria, que muito trabalhou por vós.”
Fp 4.3 “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho....

Essas serviram, mas não diz que ministravam a Palavra de Deus nas reuniões da igreja, o que era vedado segundo 1 Coríntios 14.

> [texto de terceiro] 2Rs 4.9,10 “Ela disse ao seu marido: —Tenho a certeza de que esse homem que vem sempre aqui é um santo homem de Deus. Vamos construir um quarto pequeno na parte de cima da casa e vamos pôr ali uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina. E assim, quando ele vier nos visitar, poderá ficar lá.”

Mais uma vez o autor não entende que no Antigo Testamento não existia a igreja e que as epístolas são dirigidas a uma nova ordem de coisas. No Antigo Testamento eles deviam guardar a Lei dada a Moisés.

> [texto de terceiro] Mt 26.12,13 “O que ela fez foi perfumar o meu corpo para o meu sepultamento....

Idem. A igreja não existia nos Evangelhos. Jesus veio primeiramente para os seus, os judeus. Viveu como um judeu, cumpriu os rituais judaicos etc. A igreja ainda era o mistério que seria revelado a Paulo (Efésios) até mesmo depois de seu início em Atos 2.

> [texto de terceiro] Miriã: Ex 15.20 “A profetisa Míriam, que era irmã de Arão...”; Débora: Jz 4.4 “Débora, mulher de Lapidote, era profetisa...”; Hulda: 2Rs 22.14 “Então, os sacerdotes... foram ter com a profetisa Hulda.”; Noadia: Ne 6.14 “... profetisa Noadia e dos mais profetas ...”; Ana: Lc 2.36 “Havia uma profetisa, chamada Ana...”

Outra vez. Profetas e profetizas do Antigo Testamento não tinham nada a ver com a igreja e nem imaginavam o que seria isso. Eles nem mesmo entendiam o que profetizavam. Hb 11:39 "E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados."

> [texto de terceiro] Filhas de Felipe: At 21.9 “Ele tinha quatro filhas solteiras que profetizavam.”

Sim, na casa de Felipe, não nas reuniões da igreja.

> [texto de terceiro] Débora: Jz 4.4 “...Era também juíza dos israelitas naquele tempo.”

Outra vez Antigo Testamento e Israel.

> [texto de terceiro] Priscila: At 18.26 “Ele começou a falar com coragem na sinagoga. Priscila e o seu marido Áquila o ouviram falar; então o levaram para a casa deles e lhe explicaram melhor o Caminho de Deus.” Rm 16.3 “Mando saudações a Priscila e ao seu marido Áquila, meus companheiros no serviço de Cristo Jesus.” ; Febe: Rm 16.1,2 “Eu recomendo a vocês a nossa irmã Febe, que é diaconisa da igreja de Cencréia.”

Sim, as mulheres têm um trabalho grande a fazer para o Senhor e a Sua igreja, e isso não muda em nada a proibição de 1 Coríntios 14 que é específica para o ministério da Palavra nas reuniões da igreja. ("Quando vos reunis...")

> [texto de terceiro] 6- Evangelistas: Jo 4. 27-29 “Naquele momento chegaram os seus discípulos e ficaram admirados, pois ele estava conversando com uma mulher... Em seguida, a mulher deixou ali o seu pote, voltou até a cidade e disse a todas as pessoas: —Venham ver o homem que disse tudo o que eu tenho feito. Será que ele é o Messias?”

Esta não podia ter sido uma evangelista porque o dom de evangelista só foi dado depois que Cristo subiu ao céu ("e deu dons aos homens"). Considerando apenas o papel de falar de Cristo aos outros, isso não invalida 1 Co 14 (embora devemos voltar a lembrar que isso é anterior à igreja, e a ordem dada em 1 Co 14 não é retroativa).

> [texto de terceiro] Fp 4.3 “E a você, meu fiel companheiro de trabalho, peço que ajude essas duas irmãs. Pois elas, junto com Clemente e todos os outros meus companheiros, trabalharam muito para espalhar o evangelho.”

Sim, devem ter falado do evangelho às pessoas que encontravam, não nas reuniões da igreja, mesmo porque as reuniões da igreja não são pregações do evangelho. As reuniões da igreja não são para incrédulos, mas para crentes, e são voltadas ao aprendizado da doutrina dos apóstolos e à comunhão dos santos, ao partir do pão (ceia do Senhor) e orações. Atos 2:42 "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações."

> [texto de terceiro] 7- Pregando aos judeus no templo: Ana: Lc 2.37,38 “e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.”

Outra vez Israel, não igreja.

> [texto de terceiro] 8- Presente na primeira reunião de oração: At 1.14 “Eles sempre se reuniam todos juntos para orar com as mulheres, a mãe de Jesus e os irmãos dele.”

Sim, 1 Co 14 não proíbe as mulheres de estarem presentes nas reuniões de oração.

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