Se não tenho o livre arbítrio como posso ser responsável por rejeitar?

"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!" (Mateus 23:37)

Você pergunta: O que significa a referência acima da parte do Senhor Jesus: "tu não quiseste?" Mero jogo de palavras?

Não. Ela significa exatamente isso: eles não quiseram, a vontade deles era contrária à de Deus. A idéia do livre arbítrio está intimamente ligada à idéia de que não estamos completamente perdidos e arruinados, por isso poderíamos escolher fazer a vontade de Deus. Alguma parte de nós ainda poderia ter permanecido intacta. Essa idéia geralmente ocorre porque confundimos "pecado", no singular, com "pecados", no plural.

Se fizermos uma analogia ao nosso corpo físico, crer que somos pecadores porque temos "pecados", ou pensamentos e ações contrários à vontade divina ou independentes dela, é como olhar para o corpo humano que tem um tumor em algum órgão. Todavia, crer que somos pecadores porque temos em nós o pecado, o princípio ativo que nos faz pecar, é olhar o homem, não apenas com um tumor ou mesmo em um processo de metástase, quando o câncer invade todos os órgãos e já não há o que fazer, mas como já efetivamente morto. Não há o que fazer com um morto assim, nem mesmo aproveitar seus órgãos para transplante. Ele está todo arruinado.

Deus usa de todos os meios para convencer um pecador de seu estado arruinado e para salvá-lo, mas creio que isso seja uma forma de demonstrar sua completa impossibilidade de fazer qualquer coisa ou escolha (e inclua aí o livre arbítrio) que o leve a Deus. Veja que Deus não impede o homem de aceitar a Cristo como Salvador, mas apenas revela que ele não pode fazer isso de si mesmo, que a inclinação natural de sua carne é inimizade contra Deus. Caso contrário poderia haver no homem algo de bom que o fizesse inclinar-se em direção a Deus, mas aí as afirmações abaixo estariam equivocadas:

Rom 3:10-12 "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só".


Rom 8:7 "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser".

Em sua maior parte, a cristandade hoje acredita que exista esperança para o homem, que ele possa ser restaurado à comunhão com Deus, e usa essa palavra "restaurar" não apenas como figura de linguagem, mas crendo efetivamente que a velha natureza possa ser reformada e se tornar aceitável a Deus, ou quem sabe até reformada por Ele para esse fim. Isso é um engano. O que está morto, está morto, é incapaz de desejar até mesmo vida.

Através da obra de Cristo, Deus condenou o pecado na carne, a velha natureza foi definitivamente descartada como algo irrecuperável. O velho homem estava morto, por isso foi necessária a obra de redenção por outro, a saber Cristo, em quem não havia pecado, já que não havia no homem coisa alguma que pudesse ajudá-lo.

Rom 8:3-8 "Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus".

Ao ser oferecida ao homem a escolha de crer, sua consciência irá revelar essa incapacidade, pois não há nele qualquer inclinação ou vontade nesse sentido.

O versículo que citou (João 3:16) efetivamente mostra que o amor de Deus está disponível para todos, e não podia ser diferente, porque Deus amou o mundo, deu o Seu filho, e não tem prazer na morte do ímpio, e ainda quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Cristo é também o Cordeiro que tira o pecado do mundo, e a Palavra diz também que Ele morreu "por todos", quando levou sobre si o pecado de "muitos" (Is 53). Tudo isso para mostrar que a provisão de Deus é toda abrangente e o sacrifício de Cristo é infinito em seu poder de salvar.

Você pergunta: "Se de fato nós seres humanos não temos capacidade de atender ou rejeitar o evangelho, por que recai sobre nós a responsabilidade de o rejeitarmos se isso é tudo o que conseguimos fazer?"

Na Palavra de Deus encontramos as duas coisas: a soberania de Deus em salvar quem Ele quer e a responsabilidade do homem. E aí temos Deus, que quer salvar, e o homem, que não quer ser salvo. Mas por que Deus salva alguns e outros não, se são todos igualmente incapazes? Primeiro, é preciso entender que Deus não seria Deus se não fosse soberano. Quando um pecador questiona a soberania de Deus ele simplesmente revela ser um pecador, incapaz de entender seu estado de perdido e arruinado, já que acredita estar em condições de dizer se o que Deus faz está certo ou errado.

Não entender como pode a mesma Palavra falar de soberania, eleição e predestinação por um lado, e responsabilidade do homem por outro, é uma coisa. Mas deliberadamente questionar Deus é outra. Quando encontramos algo assim é melhor nos colocarmos humildemente na posição de quem não entende os desígnios de Deus, do que de contestá-los ou considerar Deus injusto. Soberania divina e responsabilidade humana andam juntas na Palavra de Deus, ambas estão lá. Podemos não conseguir explicar isso, mas não há como negar. O fato de sermos incapazes de explicar algo não invalida sua existência.

Em Apocalipse 22:17 diz: "e quem QUISER, tome de graça da água da vida."

Como ninguém quer, então Deus decide fazer com que alguns queiram. Você se lembra da história que o Senhor contou?

Lc 14:23 "Então o senhor disse ao servo: ‘Vá pelos caminhos e valados e obrigue-os a entrar, para que a minha casa fique cheia".

Poderíamos dizer que aquele senhor foi injusto por ter obrigado esses a entrarem? Ou que foi injusto por ter permitido que outros não entrassem porque não queriam entrar? Nenhum dos que tinham escolha queriam. Os pobres, aleijados, cegos e mancos estavam suficientemente conscientes de sua incapacidade para serem "obrigados" a entrar ou se deixarem levar. Eu posso até não concordar com o modo de Deus agir (falando como homem), mas não posso negar que seja isso o que encontramos na Sua Palavra. Não cabe a nós tentar reconciliar a soberania de Deus (em eleger e predestinar) com a responsabilidade do homem (incapaz de querer ir a Deus). Nossa obrigação é simplesmente crer nas duas coisas, porque as duas estão bem ali na Bíblia.

Mas, alguém poderia dizer, não se trata apenas de vontade para crer, mas de capacidade para isso. Como responsabilizar um incapaz?

Se alguém deve muito dinheiro a você e é incapaz de pagar, você não é injusto em processá-lo. Alguém poderia dizer: "Oh! Que injustiça! Será que não está vendo que o probrezinho é incapaz de pagar?". Veja que até na justiça dos homens não seria uma injustiça você processá-lo e não será uma injustiça o juiz condenar o devedor à prisão por ser incapaz de pagar. Vemos isso todos os dias nos tribunais.

Como questionar então quando Deus promete condenar aqueles incapazes de fazer a vontade dEle? Pense também na possibilidade de serem dois os devedores e você decidir perdoar um e processar o outro. Não há injustiça alguma em seu modo de proceder, ao contrário, você, que devia processar os dois, foi misericordioso ao perdoar um deles e justo ao condenar o outro.

Veja a própria história de Israel? Não estava tudo bem determinado por Deus, quem ia ser o que e fazer o que em cada aspecto da história?

Mal 1:2 "Eu sempre os amei", diz o Senhor. "Mas vocês perguntam: ‘De que maneira nos amaste? ’ "Não era Esaú irmão de Jacó? ", declara o Senhor. "Todavia eu amei Jacó, mas rejeitei Esaú. Transformei suas montanhas em terra devastada e as terras de sua herança em morada de chacais do deserto. "

Taí, isso é a soberania de Deus. Epa! Mas isso não se encaixa em nenhuma corrente ou pensamento teológico! E daí? A Palavra de Deus não é para se encaixar na teologia que os homens criam, a Palavra de Deus é para ser crida. Antes de me converter, questionava a Deus e Sua forma de agir, até levar um "tabefe" dado pelos últimos capítulos de Jó, quando Deus coloca Jó no muro e passa a perguntar o quanto ele acha que sabe. Se prestar atenção, Jó nunca ficou sabendo a razão de Deus ter permitido tudo aquilo em sua vida (nós sabemos porque temos os dois primeiros capítulos do livro de Jó, mas Jó mesmo não tinha). Mesmo assim ele creu e descansou em Deus.

Não somos chamados a crer naquilo que a teologia consegue explicar; somos chamados a crer na Palavra de Deus pelo que ela é. O Senhor nem sempre nos dará uma resposta às nossas perguntas. Ele responderá, sim, às nossas necessidades, mas há perguntas para as quais não teremos resposta aqui. Por exemplo:

Lucas 13:23-24 "Alguém lhe perguntou: "Senhor, serão poucos os salvos? " Ele lhes disse: Esforcem-se para entrar pela porta estreita, porque eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão".

Percebe como o Senhor, ao mesmo tempo em que não responde diretamente à dúvida pergunta, responde à necessidade? Não somos chamados a entender, somos chamados a crer. Esqueça a teologia, livre-se dela. Deus não criou nenhuma escola de teologia ou corrente teológica. Calvinismo? Arminianismo? qualquer-outro-ismo? Se perguntássemos a algum dos apóstolos se era calvinista ou arminianista, o que será que responderia? Eles tinham o suficiente para crerem e viverem como cristãos naquele tempo, e faziam isso muito bem sem Calvino ou Arminius. Nós também podemos muito bem ser assim.

Artes marciais na igreja abre brecha para o diabo?

Demorei um pouco para entender sua pergunta, que certamente refere-se ao que o mundo se acostumou a chamar "igreja", e não à "igreja" que encontramos no Novo Testamento. Para que não tenha dúvidas, é bom lembrar que a igreja é simplesmente o conjunto dos salvos por Cristo. Em sua expressão local a igreja é formada por dois ou três reunidos ao nome de Jesus.

Neste sentido, porém, qualquer agrupamento informal de cristãos, como dois ou três que se encontram na rua para conversar, não é a igreja reunida.

Também um grupo de cristãos que se reúna de forma excludente, ou seja, que exija que as pessoas sejam algo mais do que apenas crentes em Cristo para estarem ali, não pode expressar a unidade do Corpo de Cristo e, por conseguinte, deixam de ser uma expressão ou representação desse Corpo, mesmo que aquelas pessoas sejam individualmente membros do Corpo de Cristo por terem sido salvas.

Para entender melhor esta segunda afirmação que fiz, imagine que uma empresa chamada "XYZ" coincida de ter em seu quadro apenas pessoas salvas por Jesus. Quando esses funcionários se reúnem, eles não estão reunidos como uma expressão ou representação do Corpo de Cristo que é a Igreja, mas sim como expressão ou representação da empresa "XYZ". Quem passar na rua os vê reunidos não irá dizer: "Ali estão os cristãos reunidos", mas "Ali estão os membros da XYZ reunidos".

A confusão que levou à sua pergunta é que os cristãos deixaram a simplicidade que havia no princípio e passaram a criar suas próprias agremiações, dando a elas o nome de "Igreja Isso" e "Igreja Aquilo". Basta ler o Novo Testamento para ver que isso nunca existiu.

Ao criar uma agremiação ou associação de pessoas, ainda que para fins religiosos, algumas outras coisas vão sendo acrescentadas, como imóveis, equipamentos e funcionários. Ao se afastarem da simplicidade da doutrina dos apóstolos, criam-se cargos como em uma empresa, como presidente, vice-presidente, diretor disso e e diretor daquilo, e alguns desses cargos passam a ser remunerados de forma regular como em qualquer empresa. Tudo isso gera custo, e para cobrir os custos é preciso gerar receita.

Como a receita costuma vir dos membros dessas associações, o jeito é atrair mais membros, o que leva a organização a competir com as associações seculares, como clubes, por exemplo. Então essas chamadas "igrejas" constroem quadras esportivas, promovem campeonatos e até fazem associação com incrédulos na busca de patrocínios.

Promovem também shows e encontros musicais, e o espaço que antes era destinado à pregação do evangelho passa a ser palco de artistas contratados, e os membros da organização são transformados em platéia ou audiência. Aplausos, vaias, gritos, tietagem, fãs, autógrafos, tudo perfeitamente igual ao que é encontrado no mundo. O importante, claro, é gerar receita.

Provavelmente sua pergunta esteja dentro desse contexto, pois você deve ter visto alguma organização que se denomina "igreja" promovendo campeonatos ou exibições de artes marciais para atrair público. Independente de analisar se as artes marciais têm sua origem no paganismo, a questão toda gira em torno do afastamento da cristandade dos princípios básicos do Novo Testamento para criar organizações com o perfil e a competitividade de empresas.

Vamos ver o que está no projeto original: At 2:42 "Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações".

Essas eram as atividades da igreja e isso não mudou. Cada uma dessas atividades - ensino ou doutrina dos apóstolos e comunhão, partir do pão e orações - é detalhada depois nas epístolas ou cartas dos apóstolos. Repare que nem mesmo o evangelismo entra como uma atividade da igreja no sentido coletivo, porque trata-se de uma responsabilidade exercida individualmente. A igreja se congrega para Deus, o evangelista se dedica a buscar os perdidos.

Alguns acham ainda que a igreja seja uma instituição social que deve corrigir as injustiças do mundo, alimentar os famintos, ingerir em questões políticas etc. Nada disso você encontra na doutrina dos apóstolos. É claro que os cristãos devem fazer o bem, principalmente aos da família da fé, e isso pode incluir aqui e ali a criação de instituições cristãs como hospitais, creches, escolas etc., dirigidas por cristãos e com um direcionamento cristão, mas isso não pode ser confundido com a Igreja, o Corpo de Cristo, cuja expressão local se congrega para Deus, para aprender da Sua Palavra, lembrar a morte do Senhor na ceia e orar. O que sair disso pode ser qualquer coisa, menos uma atividade da igreja.

Sem fé estou perdido?

A fé é um dom de Deus, uma dádiva, um presente, não é algo que recebamos por nossos esforços ou preparo. Portanto, não se preocupe em medir se a sua fé está pouca ou muita. Assim como a salvação, que é por graça e dada por Deus, a fé não vem de nós. Lembre-se também de que "a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos". Hb 11:1

Obviamente "sem fé é impossível agradar a Deus porque" (você se esqueceu da parte principal) "pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam". Hb 11:6 Por conseguinte, quem não crê que Deus existe e recompensa aqueles que o buscam não pode agradar a Deus; é impossível que o faça. Aqui não está tratando do tamanho ou qualidade da fé, mas de existir ou não fé. Quem não crê em Deus o faz mentiroso. Pergunto: alguém que chame a Deus de mentiroso irá agradá-lo? De jeito nenhum.

1Jn 5:10 "Quem crê no Filho de Deus tem em si mesmo esse testemunho. Quem não crê em Deus o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca de seu Filho."

Quando você diz que se não tiver fé não estará agradando a Deus e, se não agrada a Deus, será condenado, faz sentido. Porque se você não tiver fé suficiente para crer em Deus e no Seu Filho Jesus, irá duvidar da existência dEle e o considerará mentiroso. Uma pessoa salva jamais iria fazer tal coisa.

Não misture, porém, a fé que salva com a fé que vê resultados (tipo mover montanhas). Quer o Senhor tenha falado da fé que move montanhas de forma simbólica ou literal, em qualquer caso essa fé só pode existir em sujeição a Deus e à Sua vontade. Quero dizer, se eu quiser mover uma montanha (literal ou não) e isso não for da vontade de Deus, então não posso culpar a Deus se a montanha não sair do lugar.

Mat 21:22 "E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão".

Jas 4:3 "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites".

A fé da vida diária, para mover pequenas e grandes montanhas, não funciona sem oração e comunhão com Deus. Se pedirmos qualquer coisa com fé, Ele fará, mas é claro que isso que Ele fará está condicionado a termos pedido aquilo que Ele gostaria que pedíssemos que Ele fizesse. É uma questão de comunhão. Quando andamos em comunhão com Deus passamos a entender melhor Sua vontade e acabaremos orando e pedindo aquilo que Ele deseja, e então Ele realiza o pedido (que afinal era a vontade dEle mesmo).

Devo confessar meu pecado?

Você começa dizendo que, por ter cometido um pecado oculto, está preocupada que um dia tudo o que fizermos será revelado e também iremos conhecer as pessoas no céu. Sim, as pessoas se conhecerão no céu. Você pode entender isso lendo o que escrevi aqui.

Mas vamos entender uma coisa: aquele que crê em Jesus está salvo, não será julgado, seus pecados foram todos pagos na cruz. Portanto, se você realmente crê em Jesus como seu Salvador, se crê que o sacrifício dele na cruz foi suficiente para salvá-la de todos os seus pecados, não há mais o que se preocupar quanto à questão da sua salvação.

Joh 5:24 "Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação [ou juízo], mas passou da morte para a vida".

Há duas ocasiões quando todas as coisas são reveladas. Uma é quando os salvos por Cristo se apresentarem diante dele para receber o galardão ou a recompensa. Nessa ocasião tudo o que fizemos nesta vida será revelado, e é tudo mesmo, tanto o que fizemos antes como depois de convertidos. Esse dia é o que conhecemos como "tibunal de Cristo", mas não é um tribunal no sentido de julgamento, porém está mais para um juri como esses que você vê nos programas de calouros ou em concurso de miss. Veja mais aqui e aqui.

Há, porém, outra ocasião quando tudo será revelado, mas essa será para os incrédulos e acontecerá ao final dos mil anos de reinado de Cristo na Terra. A Bíblia chama isso de "grande trono branco" e está em Apocalipse. Mais aqui:

Qual é a segunda morte?
Haverá mais de uma ressurreição?
A condenação é mesmo eterna?

Quanto à sua principal dúvida relacionada a tudo isso, que é se deve confessar um pecado que cometeu e nunca contou a ninguém, se ler o Salmo 32 verá que um pecado não confessado pode deixar você em uma condição miserável.

Tiago 5:16 diz para confessarmos nossas culpas uns aos outros, porém não creio que esteja falando de cada um e todo pecado que cometemos em oculto, pois se assim fosse não faríamos outra coisa o dia inteiro além de ficar confessando.

É simples perceber que, além dos pecados que podem nos envergonhar, e 1 João 1 diz que não há quem não peque (embora isso não seja um aval para o pecado, mas apenas a realidade), há muitos pecados que cometemos ao longo do dia, como cobiçar, por exemplo.

Já pensou se fossemos dizer a outro todas as vezes que cobiçamos algo ou alguém, que ultrapassamos o limite de velocidade, que colamos na prova, que sentimos raiva de alguém, que não fizemos o bem que estava ao nosso alcance (porque isso também é pecado)?! O mundo seria um imenso confessionário, com 6 bilhões de pessoas para confessar e ninguém para ouvir, pois todos teriam muito para dizer.

Tiago está se referindo a confessar o pecado para a pessoa contra a qual pecamos. Aqueles pecados que cometemos contra Deus seguem a mesma regra, devem ser confessados a Ele (incluindo os contra o próximo, porque também são contra Deus). O mesmo versículo em Tg 5:16 diz para orarmos uns pelos outros e o contexto todo fala de enfermidades, o que é muito pertinente, se pensarmos que um pecado contra alguém pode causar problemas de saúde em ambos. Já ficou um tempo brigado com alguém? Certamente ambos sentiram azia e dor de estômago. A confissão também ajuda neste sentido.

Devemos sempre confessar a Deus os nossos pecados, aos outros aqueles que lhes dizem respeito, e também estarmos prontos a perdoar aqueles que pecam contra nós, porque fomos perdoados de coisa pior por Deus.

Col 3:13 suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

Mas creio que nada do que escrevi até aqui lhe dará tanto conforto quanto a própria Palavra de Deus em 1 João 1:8:

"Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos alimpar de toda maldade. Se dissermos que não havemos pecado, fazemo-lo a ele mentiroso, e sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo."

Sempre que vejo a expressão de amor que o apóstolo usa ao se dirigir a nós como "meus filhinhos", percebo o quanto Deus está ansioso de restabelecer comunhão conosco, pois o pecado atrapalha nossa comunhão com o Pai.

Como lidar com as falhas na Bíblia?

Você tirou seus questionamentos do livro "O Espiritismo e as Igrejas Reformadas", de Jayme Andrade, e eis as respostas para elas:

P. Como pode Deus criar a luz antes do Sol? - (Gen. 1:3 14).

Deus não criou a luz. A luz sempre existiu pois é um atributo de Deus "Deus é luz" 1 Jo 1:5. Em Gênesis Deus disse "HAJA luz, e houve luz".

P. Como afirmar que do Éden saia um rio que se dividia em outros quatro?

Ninguém sabe onde fica o Éden e o mundo mudou apos o dilúvio, portanto é irrelevante qualquer pesquisa neste sentido.

P. Por que a proibição de comer do fruto da 'árvore da ciência do bem e do mal' (Gen. 2:17), se é fato que, dando a razão ao homem, Deus só poderia encorajá-lo a instruir-se? Acaso preferia Ele ser servido por um tolo?

No Éden o homem não precisava de coisa alguma. Portanto, instruir-se de quê e para quê se ele podia conversar com Deus? Veja onde foi parar o homem instruído! Isso é evolução?

P. Por que se atribuiu à serpente o papel de Satã (Apoc. 12:9), se a Bíblia apenas diz que 'a serpente era o mais astuto dos animais' (Gen. 3:1)?

A Bíblia inclui também o livro de Apocalipse, onde diz que "Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás" Ap 20:2

P. Como puderam encerrar 'casais de todos os animais da Terra' (Gen. 6:19) numa arca de 300 côvados (198 m) de comprimento por 50 de largura e 30 de altura (Gen. 6:15)?

Não foram todos os animais da Terra, mas apenas "dois de cada espécie" Gn 6:19. Além disso o maior número de espécies vive na água e continuaram lá durante o dilúvio. Existem hoje cerca de 17 mil espécies de animais, naquele tempo poderiam ser classificados em menor numero de espécies (a espécie dos felinos tem dezenas de animais, mas são da mesma espécie). A capacidade da arca era igual a 522 vagões de trem cargueiro. Podia caber nela 125 mil animais do tamanho de um carneiro. Considerando que a maior parte dos animais do mundo são menores que um carneiro, deixo para você fazer as contas.

P. Como conseguiram apanhar todos esses animais e reunir tantos e tão variados alimentos e de que modo se houve as 8 pessoas a bordo (Gen. 7:13) para alimentar todos eles (e limpar todos os dejetos) durante mais de um ano? Note-se que o dilúvio começou a 17 do 2.o mês (Gen. 7:11) e os que nela haviam entrado sete dias antes (Gen. 7:10) só saíram da Arca a 27 do segundo mês (do ano seguinte é obvio) (Gen. 8:14)

Os animais só passaram a ter medo do homem ao saírem da arca (Gn 9:2), ao mesmo tempo em que Deus deu a carne como alimento (os homens eram vegetarianos). Muitos animais hibernam e não seria difícil que o tivessem feito por um período de tempo. A maioria dos animais é vegetariano, principalmente os maiores. Outros tomam leite... Mas isto é suposição, pois não entendemos muito de um mundo onde não chovia antes do dilúvio (foi a primeira chuva no mundo). A Terra era regada por um vapor (Gn 2:6). Além disso, Ei! Estamos falando de Deus aqui, e será que Ele não teria resolvido esses detalhes?

P. Se Deus é justo e se foi Ele próprio que endureceu o coração do Faraó para que não permitisse a saída dos israelitas (Ex. 11:10), por que teria de matar todos os primogênitos do Egito, inclusive muitos milhares de inocentes crianças e até os primogênitos de todos os animais? (Êxodo 12:29)

Se ler o texto inteiro verá que Ele só endureceu o coração de Faraó depois que este já havia tomado uma decisão. Verá também que Deus colocou uma opção diante de Faraó, tornando-o responsável por todas as consequências de sua decisão. Se numa guerra o adversário avisa que sua cidade será bombardeada, se você ignorar o aviso e permanecer com sua família a responsabilidade será sua. Não poderá dizer que não lhe foi dada uma chance.

P. Como teriam os magos egípcios transformado a água do Nilo em sangue (Êxodo 7:22), se Moises já o fizera antes? (Êxodo 7:20).

Você já ouviu dizer que rio corre? Sabe o que acontece com água corrente depois de transformada em sangue? Ora, todo mundo sabe! Vai voltando a virar água. Os magos, com poder demoníaco, só conseguiram piorar a situação do Egito, prolongando a falta d'agua.

P. Se o mar tragou todo o exercito do Facão, este inclusive (Êxodo 14:28) não é de se estranhar que com a decifração dos hieróglifos, que permite hoje conhecer toda a historia do antigo Egito, não se tenha encontrado uma só referencia a tão espantosa calamidade?

Não precisamos ir longe. Na historia da União Soviética, a cada ano, desapareciam personagens de fotos históricas nos livros escolares. Haviam sido proscritos do partido e sua memória precisava ser apagada. Você acredita na Historia do Brasil? E ela não tem quinhentos anos! O que esperar da historia de um povo como o Egípcio que, no auge de seu poder, foi tão humilhado pelo Deus de seus escravos? Algum historiador egípcio seria louco de escrever isso nos anais de sua historia?

P. Como entender que os autores do Antigo Testamento, tão precisos ao citar pelos nomes dezenas de pequenos reis das cidades vencidas não tenham mencionado o nome do Faraó que reinava ao tempo da fuga dos israelitas, o qual é citado tantas vezes nos primeiros 14 capitulos do livro de Ex.?

"Faraó" era o titulo da época. Assim ele era conhecido. Do mesmo modo como "César" ou "Amaleque", que também era um titulo. Se Deus não achou necessário citar o nome do Faraó é porque queria que prestássemos atenção naquilo que Ele achou que foi necessário citar. Por que insistir em ler o que não está escrito quando temos tanta coisa escrita que está sendo negligenciada? Você pergunta por que Deus não escreveu. Eu pergunto porque você não crê naquilo que Ele escreveu?

P. Como entender que fossem eleitos e protegidos por Deus assassinos como Eude, que apunhalou a traição o rei Eglom (Juizes 3:21), Davi, que fez morrer Urias, para tomar-lhe a mulher (2.a Samuel 11:15) e Salomão, que tendo 700 mulheres e 300 concubinas (1.a Reis 11:3), mandou matar seu irmão Adonias só porque este lhe pedira uma? (1.a Reis 2:21 e 25)

Porque Deus é um Deus de graça, algo que homens que se consideram justos nunca irão entender. Na genealogia do Senhor Jesus você encontra esses homens, e ainda uma moabita, uma prostituta, uma adultera e tantos outros homens pecadores como eu e você. Somente em um Deus de graça podemos encontrar perdão.

Somos tão pecadores quanto Davi ou Caim e enquanto você não reconhecer isto, não poderá ser salvo. Cristo Jesus veio salvar pecadores. Ele não veio buscar os sãos, mas os doentes. Os que se justificam a si mesmos, como os fariseus, batem no peito e dizem: Eu não sou um assassino como Eude, nem como Davi, o adúltero e homicida. Eu não sou como Salomão, com tantas mulheres. Eu não roubo, não bebo, não adultero. Eu sou justo!

Se for este o seu caso, não há salvação para você pois Cristo veio salvar PE-CA-DO-RES!

Devo me preocupar com os documentários sobre o fim do mundo?

A profecia bíblica está relacionada a Israel, e foi dada por Deus através dos autores inspirados. Qualquer coisa que não venha dessa fonte é duvidável. O estudo da profecia pode ser confundido com o estudo da curiosidade humana. Volta e meia o Discovery Channel, History Channel e outros Chanels apresentam algum documentário interessantíssimo sobre profecias, na Bíblia e fora dela. Onde está o problema? São dirigidos à carne e ao intelecto por não apresentarem Cristo como o alvo do documentário. Lembre-se sempre deste versículo:

Rev 19:10 "E eu lancei-me a seus pés para o adorar, mas ele disse-me: Olha, não faças tal; sou teu conservo e de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia".

Isso é dito quando João estava prestes a se ocupar com outro que não era Cristo, a saber, com o anjo que lhe trazia uma revelação. O objetivo da profecia é a ocupação com Cristo e qualquer coisa que nos distraia ou leve para longe dele deve ser vista com desconfiança. Teorias conspiratórias ou profecias escavadas de pirâmides por algum Indiana Jones são coisas extremamente cativantes e não demora para estarmos mais ocupados com a contemplação de eventos, pessoas ou fatos apresentados por essas fontes, do que com Aquele que deve estar no centro de nossas atenções.

O tema "fim do mundo" sempre atraiu as massas, porque causa comoção. O curioso é que o evangelho não exerce a mesma atração, talvez por revelar que somos pecadores necessitados de um Salvador. De nada adianta alguém se preocupar com o fim do mundo se ainda não resolveu a questão de seu destino eterno, pois o mundo, num certo sentido, pode acabar para qualquer um de nós no segundo se nosso coração parar de bater. Aí será o fim do mundo para mim, pois não estarei mais nele.

O que você acha de experiências místicas?

Li seu relato de um só fôlego até o fim e me identifiquei com muitas coisas pelas quais passou. Também sou (fui?) artista, embora sem ter exposto qualquer trabalho. Pintava a óleo e também desenhava retratos a grafite. Meu forte, porém, era o cartoon e durante o tempo da faculdade mantinha uma tira semanal no mural da faculdade que era um sucesso. Minha tese para formatura na faculdade de Arquitetura de Santos foi toda desenhada, quase como um gibi, e deu o que falar. Não só a proposta era revolucionária, como a apresentação.

Como você, mas talvez não tão intensamente, também vivi experiências místicas. Quando criança vi uma cruz se incendiando na parede de meu quarto e mais tarde vi um menino se materializar e sumir na minha frente. Por duas vezes vi OVNIs, e cheguei a praticar (com sucesso) exercícios simples de transmissão de pensamento com outra pessoa quando estava envolvidos com ocultismo. Também pratiquei um ritual onde fazia girar um objeto com a força da mente(?) e outras coisinhas mais.

Portanto não ponho em dúvida quanto as experiências que você diz ter passado, pois não podemos duvidar de experiências. Alguém já quis tentar me convencer de que aquilo que eu vi eu não vi, o que é ridículo. A experiência não pode ser contestada, mas a origem dela sim. Vivemos imersos em um mundo do qual enxergamos apenas uma parte infinitesimal. A grande atividade acontece nos bastidores, no mundo espiritual. Nossa comunicação com essa esfera invisível é pouca e imperfeita, e menor ainda nosso discernimento do que existe do "lado de lá". Portanto seremos navegantes tolos se tentarmos nos aventurar nesse oceano espiritual sem uma bússola, sem um mapa e um farol, ou referências seguras que nos garantam a viagem.

Você tem uma bússola para isso? Esta é a questão. Vem alguém e me diz isto. Outro me diz aquilo. Passo a considerar que qualquer coisa falada sobre o mundo espiritual seja verdade (aquela história, "se fala de Deus é bom"). Mas não posso me esquecer que no mundo espiritual há forças antagônicas e que Satanás é uma realidade, assim como seus ministros (anjos). E não apenas isto, mas tenho que me conscientizar de que ele conta com pelo menos seis mil anos de vantagem em experiência de mentir e enganar o homem. Quem sou eu, então, para ter um juízo seguro e poder discernir o que vem de Deus e o que não vem? De que vale minha pequenina sabedoria numa área assim?

Por isso precisamos de um guia seguro. Refiro-me à Bíblia, o livro que tem a "audácia" de se declarar "a Palavra de Deus". Sim, o livro que transporta você ao tempo de seus ancestrais judeus. Aliás, Benjamim e Judá são as únicas tribos conhecidas hoje; as outras estão dispersas e "perdidas" a uma identificação clara.

Já tentou passar suas experiências pelo filtro da Bíblia? Um dia eu tive que submeter as minhas experiências no campo espiritual à luz da Palavra de Deus e entendi que estava sendo descaradamente enganado por Satanás e seus anjos, usando ainda meus sentidos e forças, que indubitavelmente minha mente possui, mas que não foram disponibilizadas por Deus para serem usadas por um ser imperfeito e arruinado como eu. Em resumo, minhas experiências, ainda que reais e visíveis, as reconheço hoje como enganos que só serviram para me afastar ainda mais de Deus, colocando minha ocupação no que era sensorial, fazendo-me submergir no misticismo e aumentando meu senso de falta de paz e de certeza de coisa alguma. Mas isto foi um exercício pessoal entre mim e Deus, à luz da Sua Palavra. Não quero entrar no âmbito das suas experiências, pois é um julgamento que você mesmo terá que fazer à luz desse guia seguro que é a Bíblia. Não posso lhe passar uma convicção que me foi dada por Deus, pois seria para você convicção de homem, o que de nada serviria.

Somos imperfeitos por natureza, e você sabe disso. Estamos perdidos por natureza, no tempo e no espaço, sem saber de onde viemos nem para onde vamos. Já se sentiu só e perdido em uma cidade grande e estranha, onde as pessoas falam uma outra língua desconhecida a você? Tenho certeza de que já teve esta sensação. De repente aparece alguém que parece conhecer você, saber de seus desejos, suas preferências, fala sua língua... Pronto! Deduzimos imediatamente ser aquilo a providência divina e cegamente seguimos o estranho, que nos parece tão familiar. Muita gente se deu mal fazendo no mundo material. O que pensar então de uma situação semelhante em termos espirituais?

Os anjos nos rodeiam e nos conhecem. Há miríades de anjos que deixaram sua condição original de obediência e se rebelaram contra Deus. Continuam anjos, continuam sábios, continuam poderosos, e nos conhecem nos mínimos detalhes. Devemos sucumbir ao seu "canto de sereia" sem qualquer análise, sem qualquer restrição ou resistência? É aí que mora o perigo e milhares têm sucumbido ao encanto do espiritismo, do ocultismo e de outros "ismos" mais. Volto a insistir que nenhuma viagem é segura sem um bom guia. E Deus providenciou o Guia dos Guias, a Sua Palavra. E como se não bastasse, Ele providenciou uma Pessoa, o Espírito Santo, para nos "guiar nesse Guia". Quando eu sei que o próprio Deus está preocupado comigo, quer falar comigo, por que vou perder tempo com intermediários, sejam eles anjos, espíritos ou mesmo homens?

A conversa de Deus comigo começa diferente daquela do Sedutor, que é Satanás. Ele, no jardim do Éden, iniciou a conversa colocando dúvidas sobre o que Deus havia dito, depois passou a contradizer claramente o que Deus afirmara para finalmente jogar confete em Eva dizendo que, se desobedecessem, seriam "como Deus, conhecedores do bem e do mal". Quer algo mais sedutor do que a oferta de ser como Deus? Eva deve ter pensado: "Uau! Ser dona de meu próprio nariz e não ter que prestar contas a Deus!"

Daí vem também aquela famosa idéia incutida em nós (já senti isso e já disseram para mim também): "Você é médium, precisa desenvolver!" O meu ego se banqueteia quando alguém me diz que sou alguma coisa, um diamante que precisa ser lapidado e outras coisas do gênero. Mas será que sou? Vamos ver o que Deus diz em Sua Palavra:

(RM 3:23) "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;"

Isto inclui eu e você. TODOS pecaram, TODOS destituídos (afastados) da glória de Deus, TODOS igualmente arruinados e caídos. Não é uma coisa muito simpática de se ouvir, não é mesmo? Mas é a verdade. O médico nos conta a verdade e não gostamos, mas se o faz é porque quer que aceitemos o tratamento.

Aí vem o espíritismo ou qualquer ismo sedutor e diz: Você não é tão mau assim, precisa se aprimorar. Então leio em Romanos 3 a descrição do que sou aos olhos de Deus. Em quem devo acreditar? Da decisão que advém desta pergunta dependerá toda a sua vida. Se quer acreditar no que Deus diz, então há um remédio divino esperando, o qual é Cristo Jesus, Deus feito Homem, vindo para salvar você. Se preferir continuar acreditando no que dizem os supostos espíritos ou acalentar sensações, então não estará pronto para escutar a verdade, por dolorida que possa parecer no princípio.

Você quer a verdade, você anseia por ela? Não vou falar de religião, mas de Cristo, aquele judeu que você certamente sabe Quem foi. Em poucas palavras, Ele substituiu você no inevitável juízo que merece como pecador, para que você possa sair livre e ter seu relacionamento vital com Deus restabelecido (lembre-se de que todos pecaram e estão, por natureza, afastados de Deus). Certamente não parecem ser as palavras simpáticas (pecado, juízo, morte) que você costuma escutar partindo do espiritismo, mas quem se importa com palavras doces quando a eternidade - salvo ou perdido - está em jogo? Ao ver meu filho necessitado de cuidados médicos mais sérios estarei sendo culpado de negligência se tentar tratá-lo com band-aid apenas para evitar o incômodo que uma cirurgia possa lhe trazer.

A esta altura dos acontecimentos creio que você já tenha lido minha página e a do Luiz Carlos que indiquei. Se leu, estará mais familiarizado com o assunto que proponho abordar. Você gostaria de embarcar em uma conversa franca sobre seu destino eterno à luz da Bíblia? A empatia que sinto por você é muito grande pois posso me enxergar andando nos seus sapatos há alguns anos, e gostaria que você também tivesse a certeza que hoje Deus me dá pela Sua Palavra. Nada mais de um futuro desconhecido, nada mais da falta de paz e segurança em minha alma, nada mais de uma vida vazia e sem significado, incapaz até de indicar aos meus mais queridos um caminho que seja seguro e inequívoco.

O quanto preciso estar preparado para evangelizar?

A rigor, para evangelizar, tudo o que você precisa saber é o que Paulo diz em sua epístola ao resumir o que é a mensagem do Evangelho:

"Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras." 1 Co 15

As pessoas irão dizer que você precisa estudar, fazer teologia, ou então dirão que a Bíblia é muito difícil de se entender sem o auxílio de um clero e que é melhor você deixar isso para quem entende. Exigir de alguém que conheça mais do que a simples mensagem do evangelho é o mesmo que dizer para não evangelizar, pois quando é que alguém pode dizer que já sabe tudo sobre a Bíblia?

Veja o caso da menina, serva de Naamã. Era uma criança apenas, de outra sociedade, de outra cultura, de outra civilização, escrava da mulher de um general. Se ela achasse ser necessário uma preaparação especial para poder falar a alguém de outro povo, nível social, cultura etc, jamais teria testemunhado à sua senhora que a cura estava com o profeta em Samaria. Mas na simplicidade de sua pessoa, de seu preparo e de seus meios, Deus acabou sendo glorificado ao máximo.

E assim deveria ser sempre. O meu ministério vale tanto quanto uma garrafa de vacuo (sem o vasilhame, é claro) se não for algo recebido de Deus. E se vier de Deus, não tenho nada que tocar trombetas, pois o recebi apenas; não havia em mim nada além de um vaso vazio que Deus quis usar por graça apenas.

Veja que interessante esta passagem: "E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?" (1CO 4:6, 7)

Se temos algum ministério, seja o que for, foi porque recebemos, por graça, não por esforço ou capacidade própria. E se recebemos, por que nos gloriarmos como se não o tivéssemos recebido? (como se tivesse se originado em nós?).

Como então identificar um ministério vindo de Deus? Fazendo o teste de João Batista: Se para nós importa que Ele cresca e eu diminua, então estou querendo dar glória a Deus. Mas se eu quiser ficar com os aplausos, Deus permitirá que eu fique com os aplausos... dos homens. Todavia é a aprovação de Deus que conta. Muito do que hoje é aplaudido como grandes ministérios se mostrará palha inflamável quando chegarmos no céu, diante do Tribunal de Cristo que irá nos recompensar segundo tudo o que fizermos aqui para Ele. Por outro lado, muito do que é feito no segredo da comunhão com Deus brilhará eternamente para a glória de Deus.

Em 2 Samuel 23:8 há uma lista dos valentes de Davi, homens que foram fiéis a ele e não o abandonaram em seu exílio. O primeiro da lista é praticamente desconhecido e não há nada sobre ele além deste e de provavelmente mais um versículo em Crônicas. Pode crer que serão incógnitos assim que ocuparão os primeiros lugares na lista daqueles que foram realmente fiéis a Cristo quando Ele distribuir o galardão ou recompensa a cada um dos Seus.

Como lidar com as maldições, macumbarias, trabalhos etc?

Sua dúvida é sobre uma maldição que alguém teria lançado sobre sua cidade no passado e trabalhos de macumba que teriam sido feitos contra a prefeitura, moradores etc. Segundo você, muitos dos males que acometem as pessoas de sua cidade seriam decorrentes dessa maldições.

Entendo que esteja passando por dúvidas sobre como agir nessa situação, sendo você uma cristã, salva por Cristo. Primeiro é preciso entender duas coisas: Existe algo chamado mundo e existem pessoas que foram compradas do mundo por Cristo, estando agora apenas de passagem por este sistema de coisas e pessoas chamado mundo.

De onde fomos tirados? De um mundo de trevas, dirigido pelo príncipe deste mundo, o demônio. Um mundo que adora ídolos, um mundo que se deleita com a imoralidade, um mundo que se regozija com a injustiça e que expulsou o Senhor da glória. O que esperar para um mundo assim? Só confusão, como a que você está testemunhando no seu trabalho.

Então você vai ver pessoas fazendo "trabalhos" contra outras pessoas, outros (usando o mesmo poder do diabo) tentando "desmanchar" esses trabalhos, etc. E o crente? Bom, o crente não tem nada a ver com isso. O único "trabalho" que o crente deve procurar desfazer são as vidas incrédulas que estão rumando ao inferno. Nada mais. De que vale um cristão estar querendo desmanchar maldições em um lugar onde trabalham inimigos de Deus? Iria isto salvá-los do fogo eterno? Não. A maior maldição sob a qual alguém pode estar é a condição de um pecador sem Cristo. Qualquer maldição satânica só pode fazer mal à carne. A maldição do pecado leva a alma para o fogo eterno.

Portanto o melhor que tem a fazer é orar pela salvação dessas pessoas, pregar o evangelho para elas e até mesmo evitar quando elas quiserem pedir orações para libertá-las de maldições e coisas do tipo. O ser humano quer ser liberto dos problemas e das feitiçarias para poder continuar sua vida de pecados sem Cristo, com um pouco mais de sossego. Mas devemos ir direto no assunto que interessa, que é a salvação. Sem arrependimento não há perdão, sem crer em Cristo, nada de remissão.

Quanto ao crente, nenhuma maldição de Satanás pode nos tocar sem antes receber a permissão de Deus, como aconteceu com Jó. E se Deus permitir, é porque tem uma razão para isso e um final feliz reservado para nós. Portanto nem se preocupe quanto a você.

Por que você não gostou do livro de C. S. Lewis inteiro?

Transcrevendo textualmente sua dúvida: "Fiquei curioso com a afirmação abaixo, que você faz sobre o livro “Cristianismo Puro e Simples”: 'A segunda parte do livro eu não sugiro porque é mesclada de crenças e práticas anglicanas, que foi a religião à qual ele se uniu após sua conversão a Cristo.' Gosto muito de seus pontos de vista. Você poderia dar mais detalhes da razão pela qual discorda da segunda parte do livro?"

Considerando que li o livro em 1985 e já não tenho mais o volume, tentei achar no que tenho em inglês e tive dificuldade. Então procurei na Web e encontrei o livro traduzido e achei o texto ao qual me referi, que é basicamente doutrina anglicana (não muito diferente da católica) que atribui poderes especiais ao batismo e à ceia:

"Há três coisas que infundem a vida de Cristo em nós: o batismo, a fé e essa ação misteriosa que os cristãos chamam por vários nomes — a Santa Ceia, a Eucaristia, a Ceia do Senhor. São esses três, pelo menos, os métodos mais comuns, o que não quer dizer que não haja casos especiais em que essa vida nos possa ser dada na ausência de um ou mais deles." pág. 23

"Gostaria de deixar bem claro que, quando os cristãos dizem que a vida de Cristo está dentro deles, não se referem simplesmente a algo mental ou moral. Quando dizem que "estão em Cristo" ou que o Cristo "está neles", não é uma mera maneira de dizer que estão pensando em Cristo ou tentando imitá-lo. Querem dizer que Cristo opera de fato através deles; que a massa dos cristãos é o organismo físico pelo qual Cristo age — que nós somos seus dedos e músculos, as células de seu corpo. E talvez isso explique algumas coisas. Explica por que essa nova vida nos é infundida não apenas mediante atos puramente mentais, como a fé, mas também mediante atos corporais, como o batismo e a Santa Ceia. Não se trata simplesmente da difusão de uma idéia; antes, é como a evolução — um fato biológico ou superbiológico. Não vale a pena tentar ser mais espiritual do que o próprio Deus, que nunca teve a intenção de que fôssemos criaturas puramente espirituais. Esse é o motivo pelo qual se vale de meios materiais como o pão e o vinho para infundir em nós essa nova vida." pág. 27

Quando me referi à "segunda parte do livro" estava pensando nessas passagens, pois não me lembrava direito como o livro era dividido. Agora vejo que isso está no "Livro II - No que acreditam os cristãos". A parte que realmente gostei foi o "Livro I" (o volume todo é composto de diferentes textos), porque é onde ele destrói o raciocínio ateísta praticamente sem falar de Deus. (há menos de dez menções a "Deus" e mesmo assim só no final do "Livro I". Quanto ao assunto acima, creio que o batismo e a ceia são atos simbólicos, como eram os sacrifícios do Antigo Testamento, que nunca podiam tirar pecados, mas apontavam para o verdadeiro sacrifício que viria depois. A ceia é a recordação ou memorial desse sacrifício, agora passado. O batismo pode ser entendido nestes links:

http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-o-batismo.html
http://www.respondi.com.br/2009/01/quem-pode-batizar-uma-pessoa.html
http://www.respondi.com.br/2007/10/so-posso-ser-batizado-se-estiver.html

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