Como saber o que se aplica à Igreja?

Tudo o que está na Bíblia é para nós, porém nem tudo se aplica hoje na prática, embora possa se aplicar moralmente. Por exemplo, sabemos que o Antigo Testamento eram sombras das coisas que viriam. Tudo no Antigo Testamento aponta para Cristo, portanto quando lemos devemos procurar onde está Cristo ali, seja em profecias diretas ou em sombras ou símbolos. Por isso nunca podemos criar doutrinas baseadas nas sombras do A.T., mas apenas no que está nas epístolas.

Cl 2:16, 17 "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo".


Hb 8:5 "Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais..."


Hb 10:1 "Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas..."


1Co 10:6 "E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram".


Heb 9:24 "Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro..."

Quando vamos para os evangelhos, vemos um tempo de transição, portanto é fácil entender que a prática de muitas coisas ali está relacionada a Israel. O Senhor mandava uma pessoa curada ir sacrificar no Templo, e não fazemos isto hoje. Porém é nos evangelhos que conhecemos o Senhor em sua relação com o Seu povo (seja ele Israel ou Igreja), porque ele continua tratando conosco no mesmo caráter em que veio: o bom Pastor, por exemplo.

Além disso, nos Evangelhos o Senhor trata a Igreja como uma coisa ainda futura, e mais tarde Paulo vai ensinar que ela era um mistério ou segredo que Deus manteve escondido ao longo dos séculos, até mesmo dos profetas do A.T.

Mt 16:18 "...edificarei a minha igreja". ( verbo estava no futuro)


Ef 3:3-6 "Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi; Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas [só lembrando que aqui são profetas da igreja]; A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho".

Atos são os atos dos apóstolos, portanto não são uma doutrina específicamente estabelecida. Ali vamos encontrar coisas erradas praticadas pelos apóstolos, e outras coisas que podem nos servir de exemplo para praticarmos. Mas a doutrina mesmo nós temos nas epístoloas, e é por isso que é chamada de doutrina dos apóstolos.

At 2:42 "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações".

O Apocalipse é o fechamento de tudo, mas em sua maior parte as profecias ali têm Israel como protagonista, e não a Igreja. O caráter do Senhor naquele livro é o de Juiz, um caráter com o qual ele jamais tratará conosco. Por isso João se espanta no capítulo 1 quando vê o Senhor naquela imagem tão amedrontadora. Ele não conhecia esse Senhor Juiz, e felizmente os salvos jamais terão de se encontrar com ele nesse caráter.

Jo 5:24 "Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida".

Não existe exatamente uma chave para entender o que é para a Igreja e o que é para Israel, mas lendo as epístolas podemos eliminar muita coisa do Antigo Testamento e também dos evangelhos. Quando digo "eliminar", talvez seria melhor dizer "reposicionar". Isto é, coisas que no A.T. eram regras de conduta (por exemplo, apedrejar alguém), para nós devem ser aplicadas no sentido moral, porque no N.T. aprendemos a amar até nossos inimigos.

Algo dos Evangelhos, como a oração do Pai Nosso, que coloca o perdão condicionado a perdoarmos antes nosso ofensor, também deixa de fazer sentido prático quando lemos em Colossenses 3. Veja o contraste na ordem das coisas:

Mc 11:25, 26 "...(1) perdoai... para que vosso Pai, que está nos céus, (2) vos perdoe".


Cl 3:13 "...assim como (1) Cristo vos perdoou, assim (2) fazei vós também".

É claro que toda a leitura da Bíblia deve ser em espírito de dependência de Deus, porque não há entendimento da Palavra que não seja através do Espírito Santo de Deus. E devemos ter sempre em mente a pergunta: esta interpretação resulta em glória para Cristo ou para o homem? Cristo é o fim e o objetivo da Bíblia.

Portanto, quando alguém lê, por exemplo, a história de Davi contra Golias e tenta usá-la como exemplo de força de vontade para homem vencer obstáculos, está simplesmente dando sua versão humana da história, e não a versão de Deus, que tem Davi como figura do fraco e improvável vencedor, Jesus, que venceu o gigante Satanás e a morte com Seu sacrifício na cruz.

Estaria errado chamar Jesus de Rei?

Recebi seu e-mail e entendo perfeitamente sua dúvida. Quando escrevi sobre o Sermão da Montanha, não quis dizer que Jesus não seja Rei (como você bem mostrou nas passagens). O ponto é que a relação que ele tem com a Igreja não é de Rei e súditos, por isso nenhum apóstolo se dirige a ele como Rei nas epístolas. Os cristãos reinarão COM ele durante o milênio, e não SOB ele.

Não é correto um cristão dizer "meu Rei Jesus", mas é correto chamá-lo de Senhor, porque é esta a relação que ele tem com os seus neste presente momento. No futuro, quando Israel for restaurado, os judeus convertidos irão chamá-lo de Rei, pois ele é o Rei de Israel. No entanto, para a Igreja, como você bem observou, ele é Senhor.

Portanto meu comentário não é quanto ao título de "Rei", que obviamente se aplica a Jesus, mas quanto à relação que o salvo tem hoje com ele. Um exemplo: Os filhos do presidente de um país não o chamam de "Sr. Presidente", mas de pai. Mesmo sendo presidente, a relação com seus filhos é diferente daquela que o presidente tem com o povo em geral.

Se observar no evangelho de João há uma mudança gradual no relacionamento que Jesus tem com seus discípulos à medida que eles vão se tornando mais íntimos do Senhor.

"Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer... Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Jo 15:14, 15; 20:17

Veja a evolução no relacionamento: de servos para amigos e, finalmente, irmãos.

Heb 2:11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu".

Mas, ainda que o Senhor nos chame de irmãos, nós não temos a mesma liberdade de chamá-lo assim (ao menos não encontro qualquer ocorrência disso nas epístolas), pois para nós ele é Senhor. Veja também que não estaríamos corretos se o chamássemos de Pai, porque é a Deus Pai que nos dirigimos como Pai. O próprio Senhor, em seus dias aqui, chamava o seu Deus de Pai. "...subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus".

Portanto o correto é nos dirigirmos a ele, não como "amigão" como fazem alguns, nem como "Rei" como fazem outros, e nem mesmo como "irmão", mas como Senhor. É assim que devemos chamá-lo quando nos dirigimos a ele.

Estes detalhes podem parecer de pouca importância, mas quando nos acostumamos com as pequenas nuances da Palavra de Deus começamos a compreender melhor o que Deus diz no Salmo: Sl 32:8 "Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos". Pessoas que desfrutam de intimidade, como pai e filho, marido e mulher, irmãos etc. sabem perceber pequenas nuances como uma mudança no olhar.

Outra forma utilizada erroneamente pela cristandade hoje é dirigir-se ao Espírito Santo em oração ou louvor. Você encontra isso até mesmo em hinos com frases do tipo "Espírito, eu te adoro", ou "Vem, Espírito, vivifica".

Assim como você não encontra os apóstolos se dirigindo ao Senhor como "Rei", você não os encontrará se dirigindo ao Espírito Santo, orando ao Espírito, ou louvando o Espírito Santo. Apesar de ser Deus, na atual dispensação o Espírito Santo está na terra no caráter de um Servo, trabalhando nos bastidores, incógnito, e seu papel é dirigir toda a atenção ao Deus Filho: Jo 16:14 "Ele me glorificará...".

Por que Deus permite tanta atrocidade no mundo?

Porque Deus existe essas coisas acontecem. Explico: o que a Bíblia diz? Que Deus criou o homem e quis dar a ele tudo o que havia de bom e de melhor. Pergunto: o homem quis? Não, o ser humano quis ser dono de seu destino, quis ser conhecedor do bem e do mal, quis mandar no próprio nariz.

Tudo o que vemos ao redor nada mais é do que a confirmação de que Deus estava certo e o homem estava errado quando Deus disse "se dela (do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) comerdes, morrereis". Toda a maldade do mundo é prova de que Deus estava certo e o homem errado.

O resto da história você conhece, ou seja, de como Deus providenciou uma saída para aquele que crê poder ser salvo e ter seu lugar garantido no céu. Enquanto isso o mundo continuará jazendo no maligno, sob o domínio de seu príncipe que é o diabo, e toda sorte de atrocidades continuará a ser cometida.

O que se poderia esperar de um mundo que, quando o Filho de Deus desceu aqui na forma humana, o pregou numa cruz?

A pergunta não deve ser "Por que Deus permite tanta atrocidade no mundo?", mas "Por que Deus ainda não desistiu de salvar o ser humano?".

Qual a chave para entender o Sermao da Montanha?

A chave para o Sermão da Montanha está no primeiro versículo: Mt 5:1 "E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos".

É para os discípulos que ele fala, e não para o povo em geral. Portanto não são preceitos para as pessoas obterem a salvação, mas o padrão esperado de quem já era discípulo de Jesus para fazer parte do seu reino. É importante ressaltar que estas palavras foram ditas a judeus antes da formação da igreja, que é o corpo de Cristo formada por judeus e gentios. Elas são, portanto, dirigidas primeiramente aos súditos do Rei Jesus, caso ele não fosse rejeitado como foi.

Com sua rejeição o reino dos céus assume um novo caráter de reino com sua origem no céu, porém como estando na terra enquanto o Rei está ausente. É por isso que neste momento o Senhor fala das qualidades necessárias para se entrar no reino dos céus, mas repare que a partir de um certo ponto ele começa a falar do reino dos céus contendo pessoas que não têm estas qualidades, como nas parábolas do capítulo 13.

Aparentemente a mudança ocorre no capítulo 12, quando os judeus vão ao extremo de dizer que Jesus expulsava demônios por Belzebu: Mt 12:24 "Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios." É no capítulo 12 que ele rompe os vínculos naturais que tinha com seu povo e até mesmo com sua família: "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe". Por isso o capítulo 13, que fala do reino dos céus já como uma mistura de joio e trigo, começa com a significativa frase: "Tendo Jesus saído de casa".

Portanto, o sermão da montanha é primeiramente um sermão que fala do reino. Lembre-se de que em nenhum lugar da doutrina dos apóstolos (dada à igreja), Jesus é chamado de Rei pelos apóstolos. A relação que ele tem com a igreja é diferente da que teve e terá com Israel e com o mundo. Os que fazem parte da igreja reinarão com Cristo sobre a terra. Os que estiverem na terra durante seu reino milenial estarão sob a regência de Jesus. Tudo isso, porém, não exime os que creram em Jesus (a igreja) de obedecerem aos preceitos ensinados por Jesus no Sermão da Montanha. Antes de continuar é importante ler o que escrevi sobre o Reino dos Céus.

Você diz ter lido o Sermão da Montanha e decidido fazer sua parte, pois se todos fizessem o que está ali o mundo seria melhor. Não é este o objetivo do sermão, pois "o mundo jaz no maligno", isto é, nada que os homens façam irá evitar que o juízo venha sobre este mundo. Se o cristão procura se comportar segundo o padrão que o Senhor ensinou é porque está neste mundo para representá-lo (Jesus está no céu por nós e nós estamos na terra por ele neste momento).

No momento presente o sermão da montanha traz preceitos válidos para todos os que professam estar sob a autoridade e senhorio de Jesus, embora o reino seja dos céus em origem, e não da terra, e o Rei esteja ausente, nos céus. Mesmo assim, ao que hoje crê a Palavra exorta a dividir (ou manejar) bem a Palavra da Verdade (2 Tm 2:15), o que implica saber, pela direção do Espírito e o discernimento que vem dele, o que é dito, quando foi dito, para que propósito foi dito, por quem foi dito, para quem foi dito etc.

Um cristão não poderia levar ao pé da letra tudo o que está no Sermão do Monte, pois há detalhes específicos para os judeus ali. Por exemplo, Mt 5:22 que nos fala do sinédrio, uma instituição judaica, Mt 5:23, 24 que nos fala do altar (só havia um altar, no Templo de Jerusalém), 5:35 que nos fala de não jurarmos por Jerusalém (por que alguém no Brasil iria jurar por Jerusalém?!) e Mt 6:14 que condiciona o perdão a perdoarmos primeiro quem nos ofendeu (Em Cl 2:12, 13 é o contrário, o perdão ao próximo vindo como consequência do perdão recebido).

Sua crítica ao que eu disse em um de meus vídeos de "O Evangelho em 3 minutos" foi expressa assim:

"Falando como você falou, você tira o estímulo das pessoas de buscarem a santificação observando os mandamentos de DEUS. Lembre-se que sem santidade ninguém verá a DEUS."

Primeiro, todo estímulo para a santificação vem do Espírito Santo que habita no crente e da gratidão por sua salvação, não como forma de se obter alguma coisa. Na verdade é preciso entender o que é santificação antes de continuarmos. A santidade posicional e absoluta o crente recebe quando crê, e sem ela ninguém verá a Deus. Isso Paulo explica isso em Coríntios. A santidade prática é a expressão dessa santidade que já recebemos. De qualquer modo, não será seguindo os preceitos da Lei ou do Sermão do Monte que você se tornará santo como Deus, mas é justamente este o padrão que Jesus exige no próprio sermão quando diz em 5:48 para sermos perfeitos como o Pai é perfeito. Você consegue isso obedecendo a Lei?

Para esta não ficar muito longa, vou deixar para comentar sobre a relação do cristão com a Lei em outro texto. Por enquanto vá meditando no fato de que nem mesmo o sermão da montanha é uma expressão da lei dada no Antigo Testamento, pois ele vai muito além. A Lei proibia matar. O Senhor proíbe até pensar em matar. A Lei proibia adulterar. O Senhor proíbe até pensar em adulterar.

Qual o papel da Lei de Moises para o cristao?

Você escreveu que "não existe justificativa para que você, ao considerar que ninguém tem condições de cumprir toda a lei para alcançar a estatura do SENHOR JESUS CRISTO, estimule as pessoas a não buscar praticar a lei de DEUS". Sim, existe justificativa e ela é ensinada depois da morte e ressurreição de Jesus na doutrina dos apóstolos.

Além disso é importante saber o que você considera como “estímulo”. Para o israelita, o estímulo para cumprir a Lei estava em evitar a pena, por um lado, e receber a bênção, por outro. Nos dois casos o estímulo apela para o egoísmo humano: seguir a Deus para não ser condenado ou para ser abençoado.

Porém não é isso o que move o cristão a fazer a vontade do Pai, mas sim a gratidão de ter sido salvo. Ele não precisa temer a condenação, pois ela já foi resolvida por Jesus na cruz. Deus seria injusto se condenasse alguém cuja pena Jesus já pagou. E o cristão não precisa obedecer para ganhar bênçãos, pois ele já foi abençoado por todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef 1).

O verdadeiro estímulo de uma pessoa realmente convertida é gratidão, o constrangimento de obedecer a Deus não para evitar o castigo ou ganhar o prêmio, mas pelo que Ele é e pelo que Ele fez.

Vamos considerar alguns aspectos da Lei dada no Antigo Testamento (prepare-se para conferir uma porção de passagens - clique no link para abrir em outra janela a Bíblia Online em http://www.bibliaonline.com.br/ ):

1. A Lei completa não são apenas os 10 mandamentos, mas todos os mandamentos cerimoniais encontrados nos capítulos 20 a 31 de Êxodo, em Levítico e Deuteronômio. Os 10 mandamentos mostram apenas sua essência. Nenhum cristão hoje vai a Jerusalém adorar, e esta era uma exigência da lei, de adorar no lugar que Deus escolheria para o Seu povo depois, ou seja, Jerusalém.

2. A Lei não foi dada como meio de salvação, portanto ninguém pode ser justificado pela prática da Lei. At 13:39; Rm 3:20; Gl 2:16, 21; 3:11.

3. A função da Lei era a de revelar o pecado. Ao se ver pecador e incapaz de cumprir a lei, o homem devia apelar para a graça e misericórdia de Deus. Rm 3:20; 5:20; 7:7; 1 Co 15:56; Gl 3:19.

4. Deus deu a Lei a Israel como uma espécie de “balão de ensaio” para provar que toda a humanidade é pecadora, culpada e incapaz de atingir os padrões exigidos por Deus. Rm 3:19

5. A Lei só condena, e a morte é a condenação. Gl 3:10

6. É impossível ao homem andar segundo a Lei, pois ao transgredir um mandamento ele se torna culpado de todos. Tg 2:10.

7. Aquele que crê em Jesus já não está sob a Lei, mas sob a graça, pois Jesus veio pagar a pena (a morte) no lugar do que nele crê para que este fique livre de pagar. Rm 6:14

8. A Lei serviu apenas de tutor ao homem para conduzi-lo a Cristo, porém quando já tem a Cristo ele não precisa mais desse tutor. Gl 3:24, 25

9. Embora o cristão não esteja sob a Lei do Antigo Testamento, ele está agora sob a lei de Cristo. (lembre-se que a Lei dizia para não matar ou adulterar, enquanto Jesus disse para nem mesmo pensar em matar ou adulterar). 1 Co 9:21

10. Ele se comporta para agradar a Deus não por medo do castigo, mas pela gratidão e pelo desejo de agradar seu Salvador. Seu padrão agora não são os Dez Mandamentos, mas a própria Pessoa de Cristo. Jo 13:15; 15:12; Ef 5:1-2; 1 Jo 2:6; 1 Jo 3:16

11. Você encontra no Novo Testamento nove dos dez mandamentos apresentados como preceitos morais para serem imitados, e não como lei, ou seja, não há uma pena de morte para o seu descumprimento como era o caso na Lei de Moisés. Neste sentido, toda a Escritura é proveitosa para o cristão, para seu ensino, admoestação etc. (2 Tm 3:16), nunca como lei. O único mandamento que não aparece no Novo Testamento é o da guarda do sábado. Na doutrina dos apóstolos o cristão nunca é ensinado a guardar o sábado.

12. A Lei continua valendo na sua finalidade de revelar que o homem é pecador, mas isso para o incrédulo, e não para o crente: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores... mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus”. 1 Tm 1:8, 9; 1 Co 6:11

Rom 8:1-4 “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”.

Que diferenca existe entre a minha igreja e a sua?

Estamos falando de coisas completamente diferentes. Quando eu penso em palavras como "igreja" ou "assembléia", estou pensando no único significado que encontramos na Bíblia para estas palavras. As palavras perdem o significado com o passar do tempo, e não foi diferente com a palavra "igreja".

Veja, por exemplo, a palavra inglesa "gentleman", que hoje é sinônimo de gentil, cavalheiro, educado, honrado, fino, sofisticado etc. Mas na sua origem, "gentleman" era o senhor feudal, aquele dono de uma gleba de terra que tinha poder de vida e morte sobre os seus súditos. Não raro o gentleman exigia que toda virgem que se casasse em seu feudo desse a ele a honra da primeira noite, ao invés do marido. O "gentleman" original nada tinha de gentil.

Hoje a palavra "igreja" tem vários significados que seriam incompreensíveis para um cristão que vivesse no primeiro século. Por exemplo, o apóstolo Pedro jamais entenderia se você apontasse para um edifício de pedras ou tijolos e dissesse a ele que aquilo era uma igreja. Seria tão absurdo quanto você apontar hoje para um estádio vazio e dizer que aquilo é um time de futebol.

A palavra "igreja" que se originou do grego "eclésia" tinha simplesmente o significado de um ajuntamento de pessoas. A tradução mais próxima em nossa língua seria "assembléia", que nos lembra imedidatamente de uma reunião de pessoas. Algumas vezes mesma palavra grega "eclésia = assembléia" é usada indistintamente no Novo Testamento para indicar um ajuntamento ou reunião de pessoas.

Por exemplo, Atos 19:32 no original seria assim: "Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque a assembléia (igreja) era confusa; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado". Veja que aí está usando "eclésia", que em outras passagens é traduzida como "igreja", para uma reunião de incrédulos. O mesmo acontece nos versículos 39 e 41.

Portanto, a menos que queira falar das coisas do mundo e inventadas pelos homens, as quais são estranhas ao que encontramos na doutrina dos apóstolos, esqueça interpretar a palavra "igreja" como um edifício, denominação, religião, organização, partido etc. Nada disso tem o significado bíblico.

Quando se referem aos que tinham sido salvos por Cristo, os apóstolos falam sempre "eclesia" (ou "igreja" ou "assembléia") no sentido do corpo de Cristo, NUNCA no sentido denominacional ou de um edifício. Neste sentido só existe uma igreja no Novo Testamento, e ela é o Corpo de Cristo, da qual fazem parte TODOS os salvos.

Talvez aqui você me pergunte como encontramos então sete igrejas em Apocalipse, ou igrejas como de Corinto, Éfeso, Roma etc. Simples. É sempre a mesma e única igreja que está em diferentes localidades. As cartas são endereçadas, por exemplo, "à igreja que está em Éfeso", "à igreja que está em Corinto" etc. Nunca são diferentes organizações com diferentes nomes.

Pense no exército brasileiro. Só existe um, mas mesmo assim ele está em diversas cidades brasileiras. Quando alguém se alista no exército brasileiro, ele passa a fazer parte do mesmo exército que está em todos os lugares, e não de diferentes exércitos. Se alguém tentar criar seu próprio exército será preso, pois é ilegal. Se alguém se alistar a um exército e depois descobrir que aquele não é a representação local de TODO o exército brasileiro, mas um "exército alternativo", deve sair correndo dali. Aquilo não tem reconhecimento oficial.

Então quando falo "assembléia de Deus", "assembléia dos santos", assembléia dos irmãos" etc., estou falando da assembléia, igreja ou reunião de TODOS os salvos por Deus, "A universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus" . Heb 12:23, nunca de uma denominação ou organização religiosa com um rol de membros aqui na terra.

Quando você diz que "a assembléia de Deus cometeu um erro no começo de sua história, que foi o de não patentear o nome da igreja", isso é um abusurdo dos absurdos se comparado ao que encontramos na doutrina dos apóstolos.

Acaso essa "assembléia de Deus" que você diz que devia patentear o nome é composta por TODOS os salvos por Cristo? Se não for, ela não é a igreja que encontramos no Novo Testamento, mas apenas uma agremiação criada por homens que, além de se arvorar como sendo a "assembléia de Deus", é excludente. Acaso quem não pertence ao seu rol de membros não faz parte da  "universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus"?

Aparentemente você entendeu mal o que eu escrevi por pensar que, quando falei de "assembléia dos irmãos", estava me referindo a mais uma denominação ou "igreja" no sentido jurídico da palavra. Eu estava dizendo apenas que na reunião dos irmãos com os quais me congrego cantamos tal e tal hino. Isto de modo algum se configura em uma denominação, mesmo porque nas assembléias dos irmãos que se congregam na Índia eles cantam outros hinos e, no entanto, estamos em perfeita comunhão.

Para tentar mostrar que tudo não passa da mesma coisa, você fez uma lista de similaridades:

- vocês fizeram uma seleção de hinos para louvar e adorar nas reuniões, a minha igreja também fez (Harpa Cristã)
- voces se reúnem para a ceia do Senhor, a minha igreja também se reúne.
- voces se reunem para a oração, a minha igreja também (é conhecido como circulo de oração)
- vocês se reúnem para o ministério da palavra, a minha igreja também.

Sabe onde está o X da questão? Na expressão "a minha igreja". Não existe tal coisa na Bíblia. Só existe "a igreja de Deus, que ele resgatou com o seu próprio sangue" Atos 20:28 Nem eu, nem você, temos uma igreja. Eu sei que parece difícil entender o que estou dizendo, mas procure pensar como um cristão do primeiro século que de repente viesse parar no século 21.

Assim que chegasse em nossa época você ficaria confuso. Veria tantas diferentes "igrejas", cada uma com um nome diferente e cada uma dizendo-se a certa, que não saberia o que fazer. Como você aprendeu que a única igreja que conhece é aquela que abrange TODOS os salvos, não poderia se congregar em nenhuma dessas porque elas se denominam "a igreja".

Quando você foi salvo lá no primeiro século, você imediatamente foi feito um membro do corpo de Cristo, da igreja, e não se tornou membro de organização alguma. Foi simples assim. Para quê agora você iria querer se fazer membro de alguma coisa além de já ser membro do corpo de Cristo? Onde se reunir então?

É provável que você acabasse encontrando cristão que pensassem o mesmo que você e que estivessem reunidos fora de toda essa confusão de "igrejas"; pessoas que simplesmente se encontrassem periodicamente para orar, louvar a Deus, adorá-lo, aprender da Sua Palavra e celebrar a ceia do Senhor para recordar Sua morte.

Você e esses cristãos não teriam a pretensão de criar mais uma "igreja", mas iriam querer se reunir simplesmente ao nome do Senhor, e não a uma "marca registrada", como você propôs para o termo "assembléia de Deus", nem ao nome de algum homem usado por Deus, como fizeram os Luteranos, ao nome de alguma doutrina específica, como fizeram os Batistas, ao nome de alguma característica organizacional, como fizeram os Presbiterianos, ao nome de algum país ou povo, como fizeram os da Igreja Anglicana etc.

Vocês nem teriam a petulância de adotar a alcunha "Universal", como se englobassem tudo, ou tampouco se denominariam a si mesmos de "Igreja de Cristo", "Igreja de Jesus", "Igreja de Deus", como se os outros salvos não fossem a igreja, o corpo de Cristo, o conjunto de TODOS os salvos por ele em seu sacrifício na cruz. Vocês entenderiam que tudo isso seria a mesma carnalidade da qual o apóstolo Paulo adverte em 1 Coríntios:

"Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?... Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?"

Ao se reunirem em simplicidade, fora de toda essa confusão, vocês se considerariam simplesmente uma reunião (ou assembléia ou igreja) de irmãos reunidos ao nome do Senhor, e não "a igreja". Se vocês estivessem em Limeira (cidade onde moro), não se considerariam "a igreja que está em Limeira", mas apenas uma assembléia ou reunião de irmãos reunidos em Limeira.

Pois entenderiam que a igreja que está em Limeira é formada por todos os salvos que vivem naquela localidade, infelizmente vergonhosamente divididos por diferentes nomes. Vocês entenderiam que se o apóstolo Paulo enviasse hoje uma carta "à igreja que está em Limeira", ele estaria endereçando a TODOS os salvos de Limeira, e não a apenas um grupo de cristãos.

Será que desta vez fui claro? Você não entenderá isto se não passar uma borracha em tudo o que aprendeu sobre igreja dentro do sistema denominacional. Continuaremos falando línguas diferentes se antes não fizer a lição de casa, que é mudar seu "mindset", algo como "programação mental" ou "mentalidade", pois você sempre fala em termos da organização à qual pertence, sem conferir se é isso que a Palavra de Deus ensina.

O que acontecera com as criancas no arrebatamento?

"As crianças com idade insuficiente para serem consideradas responsáveis por seus pecados, cujos pais (ou mesmo um deles) são redimidos, subirão também para encontrar o Senhor nos ares. (1 Co 7.14 'santos'.) Os filhos de pais incrédulos serão deixados com seus pais não salvos para entrarem na tribulação.

"À medida que forem crescendo, durante a tribulação, terão oportunidade de ouvir e crer no Evangelho do Reino. Se algum deles for morto durante os sete anos de tribulação, sua alma estará a salvo com Cristo no céu (Mt 18.10,11). De qualquer modo isto seria um ato de misericórdia, pois se fossem deixados para crescer e atingir a idade adulta separados da operação da graça de Deus, iriam se tornar como seus pais incrédulos, rejeitando o evangelho e sendo levados a juízo.

"Por ocasião do arrebatamento o mundo não ficará esvaziado de suas crianças. 'Deus não assaltará o berço do incrédulo no arrebatamento' (C.H. Brown). Os tipos de juízo lançados sobre o mundo no livro de Gênesis nos dão indícios disto. Por ocasião do dilúvio os incrédulos e suas famílias não foram tirados antes que caísse o juízo, como aconteceu no caso de Noé e sua família. Do mesmo modo, no julgamento de Sodoma e Gomorra as famílias incrédulas daquelas cidades não foram tiradas antes que caísse o fogo e a saraiva, como aconteceu com a família de Ló". [Extraído de "Acontecimentos Proféticos", por Bruce Anstey - Editora Verdades Vivas]

Como entender o Apocalipse?

A chave para entender o Apocalipse é que é um livro de símbolos, portanto é preciso ter cuidado com a interpretação literal desses símbolos. Outra chave é a divisão que acontece logo no início:
Ap 1:19 Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer;

Isto cria três grandes divisões:

1. As coisas que tens visto são aquelas do capítulo 1, ou seja, as que João estava vendo no momento da revelação.

2. As coisas "que são" nos falam do tempo presente, tanto para João quanto para nós, isto é, de coisas que existiam tanto no tempo de João quanto em nosso tempo: a Igreja. As coisas "que são" são as cartas às sete igrejas, ou capítulos 2 e 3.

3. As coisas que "depois destas hão de acontecer" nos fala de um futuro do ponto de vista de quem pertence ao tempo das "coisas que são", que é o tempo atual em que a igreja é o testemunho de Deus no mundo. Se prestar atenção no cap. 4 verá que ele começa com "Depois destas coisas..." e parece haver ali uma figura do arrebatamento, já que João é convidado pelo anjo a subir ao céu e assistir de lá as coisas que acontecerão neste mundo.

Do capítulo 4 em diante é tudo futuro ainda e eu particularmente não creio que estarei aqui para ver acontecer coisas como a grande tribulação, a besta, o anticristo etc. Para entender melhor o Apocalipse sugiro a leitura dos comentários de Norman Berry em http://www.stories.org.br/ap_p.html

Pra que Deus se temos as Regras de Ouro?

Eu ia começar a responder e de repente percebi que minha resposta seria a mesma da outra vez, porque você ainda não percebeu que seu "mindset" é igualzinho ao de uma pessoa crédula em algum tipo de fé, como eu já tinha explicado..

Mudam apenas as referências e, ainda que você inclua palavras como "provou matematicamente" até mesmo essas provas estão condicionadas à interpretação que alguém deu à parcela do espectro de percepção de algum evento.

No caso da experiência que mencionou, trata-se da interpretação dos impulsos gerados por um equipamento eletrônico. Suas conclusões podem ser verdadeiras até descobrirem formas de detectar e interpretar outros impulsos que vão além da realidade capaz de ser detectada até aqui. Portanto, todo o seu raciocínio é construído sobre a capacidade de detecção da realidade que o homem hoje possui, nada mais. Amplie esta capacidade e as conclusões poderão ser outras.

De qualquer modo, não acredito que esta conversa irá levar a algo, já que você está transgredindo as próprias regras que diz serem a solução para todos os males da humanidade e certamente não irá querer admitir isso.

Quer um exemplo? Você diz: "Eu estou aqui porque não me conformo com pessoas como você que se deixam convencer com argumentos falaciosos escritos na Bíblia. Isso gera um atraso para a humanidade." E depois você cita uma de suas regras de ouro:

"1- Não faça com outro ser humano ,aquilo que não gostaria que fizesse por você, independente de qualquer adjetivo que posso estar agregado a este ser humano".

Bem, no meu modo de entender esse “independente de qualquer adjetivo” deveria incluir pessoas crédulas em “argumentos falaciosos escritos na Bíblia”, como você me adjetivou.

Percebe a incoerência de seu pensamento? Você faz comigo a mesma coisa que não gostaria que eu fizesse com você (1a. Regra de Ouro), ou seja, contestar suas crenças (que você diz serem provadas matematicamente etc e tal).

Eu sou a pedrinha no seu sapato ("não me conformo", diz você) e certamente você gostaria que pedrinhas como eu fossem radicalmente eliminadas da face da terra, para não estorvarem o desenvolvimento da humanidade.

O problema é que nesse "clube da humanidade desenvolvida" aparentemente só tem espaço para quem rezar segundo o seu catecismo que, de certa forma, é parecido com o meu, só que às avessas. A Bíblia diz que os incrédulos serão julgados e condenados por sua incredulidade. Será que entendi que é um destino semelhante que você quer para os crédulos?

Vamos à sua outra regra de ouro:

"2- Faça por outro ser humano aquilo que gostaria que fizesse por você, independente de qualquer adjetivo que posso estar agregando a este ser humano."

Ok, então faça a gentileza de crer na Bíblia e em Jesus como seu Salvador, pois é exatamente o que peço a Deus que aconteça com você. Será que pode fazer isto por mim?

"3- Não importa qual erro ou maldade tenha sido cometido contra você ou pessoas que você ama, não se deve violar as duas primeiras regras contra quem provocou este mal, independente de qualquer adjetivo que esteja agregado a este ser humano."

Será que não copiou estas leis das "Leis da Robótica" de Isac Asimov? Lembrei-me delas agora. Muito bem, você violou a primeira e segunda lei, o que o torna também culpado da terceira. Como reparar isso? Só tem um jeito: pedindo perdão à pessoa que foi ofendida ou ferida.

O problema é que, ao violar qualquer uma dessas leis, você se torna culpado, ou seja, é colocado na categoria de "mal" de exceção de sua declaração: "Você pode procurar e não vai encontrar. Não existe nenhum mal na humanidade que não seja uma violação das regras de ouro".

Percebe que você também tem noção de “pecado” ou da transgressão a um padrão adotado? Agora eu pergunto: quantas vezes você já ofendeu um cristão por sua fé? Isso é uma transgressão de suas “Regras de Ouro”, pois está fazendo ao outro o que não gostaria que fizessem com você. Está desrespeitando a crença de outro, colando nele adjetivos etc.

Ao violar suas três regras de ouro, você precisará fazer uma reparação ou continuará no papel de transgressor. Ou será que fica por isso mesmo, isto é, não existem consequências em se transgredir tais regras? Bastaria um sentimento de arrependimento? Bem, então já temos o conceito de pecado traduzido para o seu vocabulário e temos agora o conceito do arrependimento também.

E a reparação? Ou seja, quem vai dar o atestado de que você está perdoado e limpará sua ficha criminal de transgressor das “Regras de Ouro”? Será seu semelhante que foi ofendido? Pode funcionar, mas veja que nos tribunais humanos não basta Hitler dizer ao judeu morto que sente muito. Ele precisaria prestar contas à humanidade, pois seu crime foi contra algo maior do que o próprio indivíduo que ele lesou. Nós homens temos um tribunal superior para coisas assim.

Mas, e se todos os homens, sem exceção, forem achados culpados de transgredir as “Regras de Ouro”? Quem poderia se dizer isento o suficiente para ocupar a tribuna de Juiz? Lembre-se de que se entrar hoje num presídio, a maioria dos que estão ali dirão ser inocentes. Temos este problema, nunca admitimos nossos próprios erros, portanto somos também juízes falhos. Vamos precisar de um Supremo Tribunal muito mais supremo do que os que temos aqui, se todos os homens forem achados culpados. Vamos precisar de Deus.

O problema é que Deus ainda não foi provado, e poderá ser tarde demais para você quando isto acontecer. Então você descobrirá que não foi apenas um transgressor das “Regras de Ouro” em relação a mim e outros seres humanos, mas principalmente em relação a Deus, e nunca se preocupou em pedir desculpas a Ele e nem deu a Ele oportunidade de lhe perdoar.

Eu preciso de Jesus, não apenas porque violo todas essas e outras regras o tempo todo, em relação ao meu próximo (sim, você disse isso a meu respeito e concordo plenamente), mas principalmente por as violar em relação a Deus. E como eu mesmo não seria capaz de reparar meu erro, que se repete dia a dia, minuto a minuto, Deus providenciou um Salvador, Jesus, para sofrer o dano por meu pecado e me substituir na pena que devia ser aplicada a mim.

Ao menos é o que a Bíblia diz, mas você não crê na Bíblia. Mesmo assim admiro todo esse esforço seu em trabalhar arduamente para impor suas idéias. Pena que seu tempo esteja acabando, pois todos nós temos data de vencimento.

João 6:27 “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.”

Como conciliar a Biblia e a teoria da evolucao?

Não vejo como conciliar a Bíblia e a teoria da evolução por vários motivos. Alguns tentam encontrar um solução para isso simplesmente considerando como poéticas ou alegóricas as passagens da Bíblia que entram em conflito com a teoria da evolução. Ao fazer isso será preciso considerar que algumas afirmações dos apóstolos e do próprio Senhor Jesus tenham sido alegóricas.

Primeiro vou dizer em quê acredito. Acredito que Deus criou todas as coisas e que elas não vieram a existir por acidente, mesmo porque um acidente que fizesse o elemento "A" se encontrar com o elemento "B" exigiria que alguém tivesse criado esses elementos antes.

Hebreus 11:3 Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

Perceba que cremos nisso pela fé, não pela experimentação, pela geologia ou arqueologia, que são ciências, estas sim, em algum estágio de sua carreira evolutiva e, portanto, nem sempre aptas a tirar conclusões cabais por ainda faltar a elas elementos a serem descobertos.

Acredito também que essa criação, como diz o versículo acima, foi pela "palavra de Deus" e, considerando que Jesus é chamado de Palavra ou Verbo de Deus, ele é aquele por intermédio de quem todas as coisas foram feitas.

Efésios 3:9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

O primeiro versículo de Gênesis diz que no princípio Deus criou os céus e a terra, o que é confirmado no Novo Testamento em Hb 11:3 acima. Porém o versículo 2 de Gênesis nos fala de trevas, vazio, caos (sem forma) e abismo, coisas que Deus não criou. Isaías 45:18: "Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada".

Creio que exista um intervalo entre os versículos 1 e 2 de Gênesis, que é quando pode ter acontecido a queda dos anjos e a consequente convulsão do Universo existente então. A partir daí Gênesis descreve a criação do cenário que vemos hoje ao nosso redor. Se me perguntar onde se encaixam os dinossauros eu direi que não sei (não saber algo é também uma opção de quem está disposto a aprender).

Mas creio que todos os animais hoje extintos foram igualmente criados por Deus da forma como são conhecidos, pois não há fósseis inacabados. Todos têm todas as suas partes funcionais. Não precisa ser muito inteligente para perceber que um pterodáctilo desses que vemos em "Parque dos Dinossauros" não teria sobrevivido se tivesse arrastado pelo chão por milênios asas inacabadas até sua configuração estar completa para ser capaz de voar.

A própria teoria da evolução considera que um órgão que não tenha função acabará suprimido, como acontece com peixes cegos em rios subterrâneos. Sim, eu acredito na adaptação e na seleção natural, mas um macaco que perca o rabo não se tornará humano por isso. E é aí que vem o maior problema em se conciliar a Bíblia e a teoria da evolução: o ser humano.

Se a Bíblia ensina que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, um evolucionista que quisesse também crer na Bíblia precisaria encontrar em que ponto da história isso aconteceu com o suposto símio evoluído. Terá sido quando ele aprendeu a falar e articular seus pensamentos na forma de mensagens estruturadas?

Alguns cientistas acham que é isso que distingue o humano do animal irracional, mas aí temos um problema: será preciso colocar em dúvida o que Jesus disse: Marcos 10:6 "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea". Jesus diz "desde o princípio" e fala de um casal.

Crer na teoria da evolução significa crer também que o ser humano é apenas mais um animal que teve mais sorte de sobreviver e evoluir até atingir um estágio em que estivesse apto a receber uma comunicação verbal da parte de Deus, mas aí já não faria mais sentido dizer que o ser humano é uma criatura caída, que passou de um estado de perfeição a um estado de imperfeição, o que é justamente o caminho inverso da evolução.

E sem a queda não haveria pecado, e nem a necessidade de Deus se fazer carne, na pessoa de Jesus, para vir aqui morrer no lugar do pecador. Deus, se é que existe um Deus para o evolucionista, simplesmente deixaria o homem continuar evoluindo porque, afinal, ele estaria fazendo isso muito bem e não precisaria de Sua intervenção.

Como você pode ver, é extremamente complicado tentar conciliar a teoria da evolução com a Bíblia, porque você terá de negar a verdade central das Escrituras, que é Deus se fazendo Homem. Se o homem ainda estivesse em processo de evoluir, sempre ficaria a dúvida quanto ao momento em que isso aconteceu. Isto é, por que Deus teria escolhido encarnar justamente neste ponto do processo evolutivo, e não quando o homem ainda era um símio ou, no futuro, quando ele tiver a aparência de um ET super-evoluído e se comunicar telepaticamente. Para quem crê em gibi essas coisas são perfeitamente plausíveis, mas para quem crê na Bíblia não.

Para terminar, supondo que as ideias hoje ensinadas nas universidades sobre a evolução sejam corretas, que segurança tenho eu em acreditar em conclusões produzidas por um cérebro que está em processo (vai saber lá em que estágio!) de evolução? Se estamos realmente evoluindo, em alguns milhares de anos iremos rir da teoria da evolução como um adulto ri das teorias de uma criança de dois anos ou os visitantes de um zoológico riem dos berros e micagens dos macacos enjaulados.

Nunca será possível conciliar a Bíblia toda com a ciência e suas teorias por uma razão muito simples: a ciência se baseia em descobertas, portanto ela está sempre em desenvolvimento e mutação. As Escrituras são a revelação de Deus para o homem. A ciência parte do pressuposto de que o homem é capaz de conhecer, daí seguir observando, medindo e dissecando o que é possível ver ou detectar. As Escrituras partem do pressuposto de que o homem é incapaz de conhecer os pensamentos de Deus, por isso estes precisam ser revelados.

A ciência se baseia na experimentação que, por sua vez, depende de sentidos naturais ou artificiais; as Escrituras se baseiam na verdade absoluta de Deus, a qual não pode sempre ser experimentada, por isso é recebida pela fé e não pelos sentidos naturais do homem ou aqueles que ele criou para ajudá-lo a perceber o que existe além da limitação do espectro detectado por seus sentidos ou invenções.

Posso usar seu video na minha igreja?

É sempre bom conhecer outros irmãos que um dia encontraremos no céu. É bom também saber que está empenhado em pregar o evangelho neste tempo de coisas pequenas (Zc 4:10), quando o Senhor está à porta.

Infelizmente é também um tempo em que nosso estado é o de Laodicéia, a última igreja de Apocalipse, e o Senhor está a ponto de nos vomitar de Sua boca, tamanha a nossa mornidão e indiferença para com a Sua Palavra e a Sua vontade. É também o tempo de 2 Timóteo, quando todos abandonam Paulo, o apóstolo a quem foi dada a revelação da igreja, o corpo de Cristo.

Você me pergunta se pode utilizar o vídeo no site da "Igreja ............", e eu a princípio diria que pode. Mas se você me perguntasse se eu gostaria de ver meu vídeo no site da "Igreja ...........", minha resposta é que não gostaria.

Há algum tempo um irmão escreveu dizendo que estava passando meus vídeos do "Evangelho em 3 Minutos" durante os cultos em sua denominação, e eu o alertei de que isso acabaria trazendo problemas para ele. Não que eu pretendesse impedi-lo, mas que chegaria um momento quando meus vídeos diriam coisas que seriam totalmente contrárias aos interesses do pastor e da organização da qual ele fazia parte. No fim ele acabaria criticado ou até punido por exibir tal material.

Por esta mesma razão não aceito convites para falar em "igrejas" ou organizações religiosas. Posso acabar dizendo coisas que trarão mais ruína do que edificação a muitos membros e principalmente aos seus líderes. Eu sei que há pessoas que são contra a questão denominacional e vivem visitando as denominações para gerar contendas e "pescar" seus membros, mas não é a forma correta de um cristão agir.

A Palavra de Deus nos exorta a não causarmos contendas e divisões, portanto não tenho nada a fazer em um lugar assim. Tenho certeza de que em algum momento acabarei sendo uma pedrinha no sapato de alguém, por isso minha atuação se limita a publicar meus estudos e comentários na Internet, um "território neutro", por assim dizer.

Por esta mesma razão acredito que você também não irá querer integrar minha imagem ao site de uma denominação aonde eu não iria pessoalmente se fosse convidado a frequentar ou a simplesmente dar um testemunho. Se eu não vou, acho coerente pensar que minha imagem também não vá. Por isso coloquei em meu blog http://www.respondi.com.br/ e também no http://www.3minutos.net/ o seguinte texto:

"Podem ser copiados e utilizados livremente em correspondência, escolas, blogs e sites pessoais. Vedada a reprodução por empresas, igrejas e programas de rádio/TV."

Outra razão desta mensagem de proibição, principalmente para programas de rádio e TV, está no número espantoso de mercadores de almas que tem surgido ultimamente nas rádios e canais de televisão, os quais são capazes de se aproveitar de meus textos, áudios e vídeos para ganhar dinheiro para suas organizações.
Evidentemente não é o seu caso e, por favor, não entenda minhas palavras como uma crítica a você ou aos irmãos com os quais se congrega, e nem mesmo à sua denominação em particular. É que simplesmente creio que o conceito todo das denominações, qualquer que sejam elas, é contrário ao que encontro na doutrina dos apóstolos, que nos alertaram a não nos dividirmos por diferentes nomes. 1 Co 1:11; 3:3

Entendo que a salvação é unicamente pela fé em Jesus e no Seu sangue derramado na cruz, portanto o fato de alguém se congregar ou não em uma denominação não irá afetar sua salvação. O ato de congregar uma consequência da salvação, um ato de obediência à vontade do Senhor.

Porém creio firmemente que Deus nos dá indicações precisas de como o crente deve se reunir, e nelas não está incluída a idéia denominacional ou de dividir os membros do corpo de Cristo por diferentes nomes. Ao contrário, Deus nos exorta fazermos tudo para expressar, na prática, essa unidade do corpo de Cristo que é indissolúvel, para que o mundo veja que somos um e creia.

"Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste". Jo 17:21

Isso não se trata, evidentemente, da idéia ecumênica de juntar numa grande colcha de retalhos aquilo que Deus não mandou separar, mas sim de voltar às origens e ao único nome e centro de reunião que é o nome de Jesus. É a Jesus que o cristão deve estar congregado pela ação do Espírito Santo.

Portanto, ficaria feliz se você usasse meu vídeo de todas as outras maneiras possíveis, como enviando a amigos, publicando em seu blog pessoal, exibindo em escolas ou qualquer outro lugar onde aqueles que crêem em Jesus não estejam compartimentados por alguma denominação. A igreja é o corpo de Cristo, e há um só corpo. O único nome que encontro na Palavra de Deus associado a essa igreja e corpo é o nome de Jesus.

Espero que não entenda mal o que escrevi. Tenho certeza de que você também preza pelo nome de Jesus, o nome que está acima de todo nome, como é da vontade de Deus. E se dizemos "seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu", por que iríamos defender a idéia de dividir os cristãos por diferentes nomes aqui na terra, quando sabemos que isto não existirá no céu?

Mario Persona

Em meu blog "O que respondi" tenho vários links falando sobre a questão "denominação", e talvez você queira ler alguns para se inteirar melhor do que estou dizendo.

Com que autoridade bíblica? Perguntas que não querem calar.
O que significa adorar em espírito e em verdade?
A cristandade está decadente?
Se uma denominação prospera, como pode estar errada?
Qual o papel que minha igreja teve em minha conversão?
Como você entende a expressão "casa de Deus"?
Como se reunir sem um templo?
Um ministro é ordenado por um presbitério?
Reunir-se sem denominação não é criar uma denominação sem nome?
Quem pode ser chamado de bispo?
Como saber se um apóstolo é genuíno?
Como saber se uma igreja reconhece o senhorio de Cristo?
A obediência aos pastores é incondicional?
É possível ter fé sem pertencer a uma denominação?
O que é um clérigo
Devemos esperar a igreja voltar ao que era no princípio?
Como deve ser o clero na igreja?
O que significa o arraial de Hebreus 13?
Qual é a hierarquia na igreja?
Devemos obedecer aos pastores?
É errado deixar de congregar?
É possível congregar com desprendimento denominacional?
O que significa a palavra "igreja"?
O que significa reunir-se ao nome do Senhor?
Qual o verdadeiro lugar de adoração?
Quem deve liderar nas reuniões da igreja?
Você já pertenceu a alguma denominação?
O que significa a mesa do Senhor?
Devo divulgar denominação?
Como celebrar a ceia do Senhor
Por que há tantas denominações?
Onde celebrar a ceia do Senhor?

A moral faria sentido sem Deus?

Você escreveu: "esse papo de que a pessoa só pode ser boa se temer a um deus é totalmente sem sentido"

Eu acharia sem sentido viver sem um norte, sem uma definição absoluta de bem e mal dada por alguém acima de mim. Ao dizer "ser boa" você precisa desse referencial e também de uma razão para obedecer ou não esse padrão moral. Talvez você diga que seu motivo ou razão seja sentir-se bem, o que tornaria certo tudo o que nos fizesse sentir bem, inclusive tomar drogas.

Mas aí você poderá argumentar que no longo prazo as consequências não serão boas, e então estaremos falando de consequências no final, que podem ser boas ou ruins conforme as escolhas que fazemos. Se no final tudo se acaba, então não faz qualquer sentido pensar no futuro. Como escreveu Paulo, “se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos que amanhã morreremos”.

"Ser ateu é não acreditar em deus apenas, e não transformar tudo em uma anarquia", diz você, mas o que faz pensar que uma anarquia seja pior ou menos válida do que uma sociedade organizada? Se eliminarmos Deus como um juiz no final para condenar o ímpio, então não haverá mais o que temer e não precisaremos prestar contas de nossos atos. Poderemos sim viver em anarquia e sem qualquer autoridade, se isto nos fizer sentir bem e for conveniente para o momento presente.

Mas você diz que as leis e regras de conduta existem para garantir o bem estar do conjunto humano. Aí eu volto ao ponto de nossa conversa anterior. Sem um padrão superior ao ser humano não há como estabelecer leis e regras, pois a lei que favorece você vai desfavorecer o bandido. Embora alguns considerassem isso justo, o bandido estaria igualmente no seu direito de considerar isso uma injustiça se não existisse uma justiça suprema, acima de todos.

Citar Montesquieu, como você fez, dizendo que "é preciso que o poder limite o poder" é fazer o mesmo que eu faço quando cito a Bíblia. Creio e adoto o padrão "DEUS" como absoluto, e a Bíblia como Sua palavra. E Montesquieu, o que é para você? Sem Alguém maior que Montesquieu até o pensamento dele fica sem sentido. Afinal, baseado em quê alguém pode se arvorar no direito de querer limitar o poder? Só se for alguém com mais poder, o que nos leva ao mesmo desequilíbrio do qual você pensa escapar ao dizer que leis e regras existem para garantir o bem estar do conjunto? Não se iluda, você vai precisar de alguém acima de Montesquieu e se continuar subindo nessa pirâmide vai topar com Deus.

Quando falei das abelhas e seu comportamento tão cruel quanto o das formigas do ponto de vista humano, já que elas não cuidam de seus doentes e velhos e só pensam na própria sobrevivência, você disse que se eu estudasse genética comportamental (nunca estudei) saberia que não existe vantagem evolutiva em matar deliberadamente outros seres vivos. Segundo você, "as abelhas têm esse espírito de união porque a evolução favoreceu as abelhas que se mantinham trabalhando juntas; se existiu um tipo de abelha egoísta que matava seus semelhantes deliberadamente, já foi extinta".

Bem, se o seu raciocínio fosse válido você e eu estamos extintos. No entanto aqui estamos nós, os seres dominantes neste planeta, apesar de descendentes da espécie que mais sangue derramou em toda a história de todos os seres vivos, a maior parte desse sangue sem qualquer objetivo que não fossem o egoísmo e a pura crueldade. Ou será que no andar da carruagem da evolução ainda nos resta a esperança de nos tornarmos abelhas?

"O ponto central do meu argumento foi: Deus não é necessario pra voce ser bom, esse é o ponto", diz você. Muito bem, e o que é ser bom? Quem vai decidir isso? Com base em quê. E se você decidir, por que eu devo aceitar? Quem é você para decidir? E se eu decidir, quem sou eu? Que poder tenho eu para - voltando a Montesquieu - limitar o seu poder de decidir?

Percebe como eu e você precisamos de Deus? Se Deus não existir vai ser preciso inventar um, talvez uma deusa com o nome de Minerva para nos tirar deste impasse. Sugiro pesquisarmos um pouco mais para vermos se não existe algum Deus de fato e direito, que não seja de pedra e nem tenha as imperfeições de Minerva.

Por que não começar com Jesus, que declarou ser Deus em várias ocasiões? Ao menos teremos um Deus que, além de Deus é também homem, ou seja, capaz de nos compreender perfeitamente. Se você quisesse se comunicar com as abelhas do nosso exemplo seria interessante se transformar em abelha para entender como elas vivem e poder falar com elas de abelha para abelha.

Seu argumento de que "se fossemos todos selvagens assassinos já estaríamos mortos" também não tem fundamento. Se estudar história verá que somos sim, todos nós, selvagens assassinos. Como eu disse da outra vez, "traição é uma questão de datas". Eu disse que foi Alexandre Dumas quem escreveu isso, mas na verdade ele citou Talleyrand-Périgord, ministro das relações exteriores de Napoleão. Terrorista é quem perde e vira oposição. Quem ganha, por mais assassinatos que tenha cometido e bombas que tenha explodido, deixa de ser chamado de terrorista para ser chamado de presidente, chanceler, imperador ou algum título de dignidade.

Em Romanos diz que "Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus". Faz sentido ler isto em Romanos, pois está numa Bíblia que se declara a Palavra de Deus e onde existe um código moral para podermos ter um referencial do que seja pecado. É bom lembrar que nela a palavra pecado aparece em dois sentidos: fazer a própria vontade (pecado) e os frutos da vontade própria (pecados).

Já que nos faltam os parâmetros para dizermos "se fossemos todos selvagens assassinos", vamos precisar de um padrão moral que não seja nem meu e nem seu. Então o que diz em Romanos pode ser um bom começo, já que não existe uma afirmação mais democrática do que a de que “todos pecaram”. Ao dizer isso a Bíblia coloca todos no mesmo nível. Não tem melhor nem pior, todos são igualmente incapazes, eu e você inclusive. Então não podemos esperar que algum de nós se arvore no direito de ditar normas para os outros seguirem e vamos precisar de um Deus que faça isso.

Ao que parece você não compreendeu a mensagem da Bíblia, e posso ver isto pelo que escreveu: “você quer colocar todo mundo como malvado, todo mundo como pecador, então as pessoas só ficaram boas depois da chegada dos judaico-cristãos”. Não foi o que eu disse. Eu disse que, apesar de você se dizer ateu, suas conclusões de bem e mal são formadas pela cultura judaico-cristã na qual está inserido.

Mas, ao contrário de seu raciocínio, as pessoas não se tornam melhores quando entram em contato com a Palavra de Deus: elas se tornam infinitamente piores, porque são colocadas diante do padrão de Deus, um padrão impossível de ser alcançado pelo homem pecador. A Palavra de Deus é a medida pela qual você será julgado, a menos que antes disso conheça o perdão de seus pecados que está disponível em Jesus.

Quando sugeri que começasse por Jesus, você perguntou: “Porque Jesus? o que ele tem de tão especial que Maomé não tem? O que que o cristianismo tem de tão especial que o hinduísmo ou as religiões indígenas não tem?”

Muita coisa. Mas eu destacaria a improbabilidade como uma das mais atraentes. Foi isso que chamou a atenção de C. S. Lewis (autor de “As crônicas de Narnia”), um ex-ateu cujo amigo cristão e especialista em lendas (J. R. R. Tolkien autor de “O senhor dos anéis”) convenceu de que os evangelhos não eram uma lenda, mas um relato de fatos. Comece por Mateus e você já encontra uma improbabilidade nos primeiros versículos.

Na genealogia de Jesus você encontra um caso de incesto (Judá e Tamar), uma prostituta (Raab) e um adultério (Davi com a mulher de Urias). Quem escrevesse a genealogia de alguém tido como o Filho de Deus, o equivalente a ser Deus, teria omitido essas coisas, pois são péssimos antecedentes. Por que não falar simplesmente de Davi e de sua mulher Batseba? Por que lembrar o nome de Urias, um dos melhores amigos do Rei Davi, que este mandou abandonar na frente de batalha para ser morto com o inimigo e poder roubar sua mulher?

Continue lendo os evangelhos e você vai se surpreender com o tanto de vezes que os próprios autores evangelistas se colocam na posição de verdadeiros idiotas revelando suas falhas sem qualquer retoque. Você não vê isso nos textos de outras religiões. Eles são cuidadosamente escovados para deixar uma impressão positiva para a posteridade. Os evangelhos realmente formam um texto sui generis, muito semelhante ao Antigo Testamento que revela toda a mesquinhez do povo hebreu também sem retoques.

Você falou que não faz sentido em algo que não pode ser provado e deu o exemplo da gravidade, na qual você acredita porque pode ser provada pela ciência. Sim, pode, mas a ciência ainda não conseguiu explicá-la (as diferentes explicações tentadas pela ciência não funcionam em todos os casos). Deus também pode ser provado, mas não explicado, só que para isso você terá de usar instrumentos diferentes dos usados pelos cientistas. Para se ter uma prova da existência de Deus é preciso colocar os joelhos no chão e pedir a Ele para se revelar a você. Está disposto a fazer o teste? Não, você não está, pois existe o risco de precisar rever sua fé atual. Um dia eu fiz o teste e Ele não me decepcionou. Agora eu sei.

Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” Sl 34:8

Se não existe Deus, tudo está liberado?

Você escreveu:

"Eu fico impressionado com esse tipo de pensamento de vocês crentes: Se não existe Deus então tudo é liberado, podemos matar, roubar, agredir e fazer tudo de errado porque o inferno não existe. Sempre quando ouço isso lembro do que Einstein disse: 'Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa após a morte, então realmente somos um grupo muito desprezível'"

A grande dificuldade do ateísmo tem a ver com a falta de um referencial absoluto. Deus é o referencial absoluto do crente, o seu norte. Considerando que o ateísmo não provê esse referencial, é preciso criar outro, e foi o que você fez aqui. Enquanto eu cito uma passagem da Bíblia para fundamentar um pensamento, você cita Einstein para fundamentar o que acredita. Assim como eu, você precisou lançar mão de um referencial, no caso o "deus" Einstein e seus oráculos. Não percebe que somos iguais quando fazemos isso?

Mas a realidade é que, se não existe Deus, tudo é liberado, pois não existe um referencial, uma lei ou autoridade moral que esteja acima da vontade própria do ser humano. Você, que crê na teoria da evolução, olhe à sua volta. A natureza é extremamente cruel, é uma competição acirrada pelo predomínio do mais forte. Quem comer o outro mais rápido sobrevive.

Se a sobrevivência do mais forte ou mais capaz é a tônica do pensamento evolucionista que exclui Deus de sua equação, então não havia nada de errado com Hitler em exterminar judeus, ciganos e portadores de deficiência. Eles ameaçavam a evolução do povo ariano. Então não há nada de errado com algumas tribos de índios brasileiros que continuam enterrando vivas a crianças deficientes, gêmeas e albinas. Nada de errado com o costume indiano, interrompido por pressão de cristãos, de imolar a viúva ao lado do marido falecido. Ou o costume oriental de afogar a primogênita caso fosse menina.

Quando você fala em "matar, roubar, agredir e fazer tudo de errado", baseado em quê decidiu que matar, roubar e agredir é errado? Gralhas roubam, leões matam e cangurus agridem, mas ninguém questiona seus atos. Por que os humanos não podem também matar, roubar e agredir, se isso ajudar a aumentar suas chances de sobrevivência? Traficantes fazem tudo isso e acreditam não haver nada de errado. Com que autoridade você diria a um traficante que ele está errado? Ele tem tanto direito quanto você de viver do jeito que acredita ser melhor para sua sobrevivência.

O problema é que você não consegue viver sem um referencial, e adotou este, de que matar, roubar etc. sejam coisas erradas, sem conseguir explicar de onde tirou tal ideia ou não querer admitir que ela é fruto da influência judaico-cristã da sociedade ocidental onde você nasceu.

Ao dizer que é errado o traficante matar, você assume a mesma posição que assume ao dizer que é errado eu acreditar que exista um Deus. Mais uma vez estamos no mesmo barco, cada um de nós adotando um referencial próprio e dizendo para o outro que o outro está errado. A diferença é que, quando eu digo que matar etc. é errado estou atribuindo a Deus a origem dessa ideia. Não se engane: sempre nos baseamos em algo ou alguém superior a nós mesmos. No seu caso aqui um oráculo de Einstein lhe serviu bem para isso.

Outra vez em seu email você apelou para uma lei moral que não faz qualquer sentido se não existir uma autoridade superior. Você escreveu: "Você não consegue ser bom apenas por saber que é o certo?" Percebe o que está dizendo? Para mim "certo" é crer em Deus, portanto na minha opinião eu sei o que é certo e você não sabe. Mas é claro que esta é uma posição idêntica à sua, não é mesmo? É idêntica porque você também não é capaz de definir o certo e o errado sem uma autoridade superior.

Quando criança, seus pais definiam o certo e errado. Seus professores faziam o mesmo na esfera do ensino. Na sociedade é a polícia, o juiz, o governo quem determina o que é certo e o que é errado. Se você questiona o direito e autoridade de Deus em julgar, terá de questionar também todas as outras formas de autoridade. Afinal, que direito têm elas de castigar quem não anda segundo o seu catecismo? Talvez você diga que é diferente, pois essas autoridades são democraticamente constituídas. Não seja ingênuo, a maioria dos países e povos do mundo tem governos nem um pouco democráticos.

E mesmo os governos democráticos têm uma história que nem sempre lhes dá legitimidade. Acho que é de Alexandre Dumas a frase "traição é uma questão de datas". Quem ontem era terrorista, hoje é governo em muitos lugares do mundo. Até na história dos Estados Unidos o governo atual nada mais é do que uma consequência de um grupo de terroristas que derrubou o governo legalmente estabelecido pela coroa britânica quando assumiu a colonização da América. E que, por sua vez, derrubou o governo de direito dos índios que viviam na terra antes da chegada dos homens brancos. Adotamos as autoridades por conveniência ou por estarem em vigor no período de nossa existência. "Traição é uma questão de datas".

Mas precisamos de uma autoridade superior, precisamos de um pai, de um professor, de um chefe, de um delegado... Não entendeu que temos "deuses" em vários níveis da hierarquia da definição e imposição do que é certo e errado? Quem foi que inventou isso? E quando a pirâmide atinge o nível da autoridade máxima, quem você coloca lá? Se não existir ninguém lá, então a autoridade que está logo abaixo, seja ela uma autoridade civil ou um filósofo ateu, acaba sendo o pico da pirâmide, o seu deus.

Você continua seu raciocínio que, na verdade, dá voltas:

"Vocês vivem afirmando que nós, seres humanos, somos superiores aos outros animais mas não parece. As abelhas vivem em harmonia entre elas sem precisar ter medo de um Deus punitivo, os peixes de um cardume vivem bem entre si sem precisar ter medo de um grande deus peixe que manda pra grelha eterna os peixes pecadores".

A ideia de abelhas e peixes vivendo em harmonia é uma falácia romântica. Para que qualquer coisa atinja um equilíbrio harmônico é preciso que exista uma equiparação das forças que atuam sobre essa coisa, um equilíbrio de forças. Já criei abelhas e elas não são anjinhos. Existe uma hierarquia e, do ponto de vista humano, abelha não tem coração. Você não encontra enfermarias para abelhas doentes numa colmeia. Elas simplesmente são eliminadas quando adoecem ou envelhecem. É a lei da sobrevivência do mais forte. Além disso, elas vivem num ambiente extremamente competitivo e cruel. Quando criava abelhas perdi 5 colmeias para as formigas, que as atacaram pelo simples motivo de que a cera e as larvas eram apetitosas e boa fonte de proteína para a sobrevivência do formigueiro.

Quanto aos peixes, não existe ambiente mais impiedoso do que o fundo do mar. Diga rápido o nome de uma criatura subaquática vegetariana. Demorou. A quase totalidade dos peixes e outros animais marinhos é carnívora. Na natureza o maior come o menor, e você mesmo vive fazendo isso quando toma uma inocente canja de galinha. É vegetariano? Não adianta. O que o faz pensar que tem mais direito de sobreviver do que um pé de alface? Até mesmo quando usa antibióticos ou derrama desinfetante na privada para matar as bactérias você está agindo em seu próprio interesse de sobrevivência. Se todos os seres têm direitos iguais, por que matar um ser humano seria errado, e usar desinfetantes não? A competição é constante: se você não matar os mais fracos antes, eles acabam matando você. Sem Deus, esta deve ser a forma lógica da sobrevivência.

Você mais uma vez faz a mesma pergunta, só de outra forma: "A gente precisa temer o inferno pra agir corretamente?" A ideia de que uma pessoa se torna cristã por medo do inferno é típica de quem não conhece o evangelho (explico isto aqui). Muito bem, vamos eliminar Deus da equação e eu pergunto: Quem tem o direito de decidir o que é "agir corretamente"? Para um muçulmano radical, agir corretamente é extrair o clítoris das meninas para que não tenham prazer no ato sexual quando crescerem. Existe um movimento hoje contra isso, o que é obviamente resquício da influência judaico-cristã na sociedade ocidental, mas o que dá a esse movimento o direito de dizer aos muçulmanos radicais como devem agir?

Dentro da sociedade deles, extrair o clítoris de uma criança pode ter o mesmo papel cerimonial de cortar o prepúcio de um garotinho judeu. Em ambos os casos, agora raciocinando como faria um antropólogo ateu evolucionista, a manutenção de uma cultura religiosa com todos os seus rituais pode ter sido útil para a sobrevivência da espécie e a harmonia dentro do "cardume", só para usar o seu raciocínio. Eliminar isso poderia ser tão fatal para uma tribo ou sociedade quanto proibir a extração da vesícula ou de um apêndice supurado seria uma ideia absurda para a prática da medicina moderna.

Uma das sociedades mais evoluída e organizada de todos os tempos foi a sociedade romana de há dois mil anos. Os romanos viviam muito bem com sua prática de jogar no lixo bebês do sexo feminino e enxergarem a prostituição como prática salutar como alternativa para a mesmice da vida de um casal. O que hoje chamamos de pedofilia não era mais pecado do que ter um poodle de estimação. Um homem adulto podia comprar um menino para ter em casa como fazemos hoje com um animal de estimação, com a diferença de que o romano usava o menino como escravo sexual. Possuir meninos para práticas sexuais era algo normal, não só na Roma antiga, mas na Grécia e no oriente. Foram os abelhudos cristãos, depois dos judeus, que exerceram influência na sociedade romana contra práticas como aborto, infanticídio, adultério, prostituição e pedofilia. Que direito tinham os cristãos de dizer aos romanos o que era certo ou errado se não existe um Deus e se a Bíblia não passa de um conto de fadas?

Existe um argumento do ateísmo que alega que o pensamento religioso fez parte da evolução do ser humano, tendo sido necessário por milênios até como uma forma de preservação da espécie. O pensamento evolucionista alega que não passamos de uma feliz combinação de átomos e nossos pensamentos e crenças nada mais são do que interações químicas favoráveis à sobrevivência, portanto essas sinapses religiosas teriam sido muito úteis até aqui. Mas, alegam alguns ateus, atingimos um grau de evolução que nos permite abrir mão dessas sinapses religiosas e seguirmos adiante acreditando apenas na razão.

O problema é que, neste caso, as sinapses da razão não serão diferentes das sinapses da religião, pois a construção desse raciocínio fundamenta-se em reações químicas do cérebro tanto quanto a construção do raciocínio religioso. Se assim for, o que garante que amanhã não iremos chegar a uma nova conclusão de que a crença na razão não passou de um período evolutivo quando isso era importante para a sobrevivência de nossa espécie? Mesmo assim, o próximo raciocínio também estará comprometido pela mesma lógica.

Como pode ver, o ateísmo tem muitas coisas não resolvidas e é preciso mais fé para crer nisso do que para crer que exista um Deus criador, mantenedor e juiz. Eu acho que você precisa mesmo é de Deus. Sugiro que comece lendo a respeito de Jesus. Há muito o que aprender com ele. Afinal, se você crê na evolução, não irá querer pensar que a opinião que defende hoje é a derradeira, não é mesmo? Sua crença na evolução deve incluir até mesmo a possibilidade de se tornar um crente em sua próxima etapa evolutiva. A menos que considere isso errado, mas aí voltamos ao início de nossa conversa: quem tem o direito de determinar o que é certo e errado?

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