As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Devemos convidar apenas pobres e aleijados?



https://youtu.be/ObugFem2tAk

Lc 14:12-14 "Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso retribuído. Mas quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos; e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te retribuir; pois retribuído te será na ressurreição dos justos".

Sua dúvida é se Jesus fala aqui por parábolas ou literalmente. Penso que nem uma coisa, nem outra. Jesus falava em parábolas quando fazia um "paralelo" entre uma coisa e outra. Era o caso quando usava uma semente para falar da Palavra de Deus, ou o fermento que a mulher coloca na massa para falar da má doutrina que se introduziu no reino dos céus e o tornou algo grande (como aconteceu com a árvore de mostarda), porém contaminado como uma grande massa fermentada (ou como a grande árvore com seus pássaros malignos aninhados).

Por outro lado também não creio que estivesse falando literalmente, já que isso nos impediria até de comer com a própria família. Veja que ele está dizendo para não chamar nem amigos, nem irmãos, nem parentes ricos. Certamente o Senhor não iria querer que perdêssemos a amizade com as pessoas ou familiares só pelo fato de serem ricas.

Se assim fosse, Nicodemos e José de Arimateia estariam excluídos do convívio dos outros discípulos. E o próprio Senhor estaria impedido de fazer qualquer gentileza ou benefício àquelas mulheres ricas que sustentavam a ele e a seus discípulos com seus bens, porque poderia ser que qualquer coisa que ele fizesse, estaria fazendo por interesse.

Lc 8:1-3 "Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze, bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios. Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens".

O cristianismo revolucionou o relacionamento entre as pessoas por não levar em consideração as diferentes classes sociais. Pessoas extremamente pobres podiam conviver com pessoas extremamente ricas em um mesmo terreno como irmãos em Cristo, sabendo que as coisas que os separavam socialmente aqui neste mundo eram desprezíveis e passageiras. É por isso que Paulo envia saudações aos irmãos de Filipo de ninguém menos do que os parentes do imperador que haviam se convertido a Cristo: Fp 4:22 "Todos os santos vos saúdam, especialmente os que são da casa (família) de César (imperador)".

Então o que temos aqui é o Senhor falando em princípios de conduta e, particularmente, deixando uma mensagem para o fariseu e os outros que o haviam convidado. Tudo indica que Jesus tinha sido convidado ali por mera curiosidade do fariseu, que também deve ter convidado seus amigos nobres para verem se Jesus diria ou faria alguma coisa interessante. Todos acabam tomando um "puxão de orelha".

O princípio aqui, e que se aplica a tudo o que o cristão faz, é no sentido de não fazermos as coisas por interesse, visando a recompensa. Não é uma proibição de convidarmos ricos, e nem uma obrigação para convidarmos pobres, mas de fazermos tudo desinteressadamente. Convidar alguém para comer tinha um sentido muito mais forte nos Evangelhos do que ocorre hoje num almoço de negócios. Trazer uma pessoa para sentar-se à mesa de sua casa era, para um judeu, uma forma de mostrar apreciação pela pessoa e introduzi-la na sua comunhão. Os judeus nunca faziam isso com um gentio, apenas com judeus.

O modo de conduta no Reino, que é o que o Senhor está ensinando aqui, seria diferente de tudo o que as pessoas já tinham visto. Nem mesmo entre os judeus existia o costume de amar os inimigos com um amor incondicional e sem buscar reciprocidade, como o Senhor ensinou. Para aqueles que aprenderam na lei que as coisas deviam ser na base do "olho por olho, dente por dente" (Exo_21:24; Lev_24:20; Deu_19:21), o Senhor introduz algo que ia contra a própria natureza humana da auto-preservação e sobrevivência do mais forte.

Dentro da nova ordem de princípios que Jesus trazia para o seu Reino estava a atitude desinteressada. É sempre bom lembrar que as obras de misericórdia, como escolas e hospitais para pobres e doentes, que temos hoje em todo o mundo, foram uma novidade introduzida pelos cristãos. No mundo pagão o costume era livrar-se de bebês deficientes e deixar que os velhos e doentes morressem (como ainda ocorre hoje entre algumas tribos indígenas no Brasil).

O senso de misericórdia ficou tão profundamente arraigado na população ocidental que é difícil acreditar que só no último século essas práticas se tornaram ilegais mesmo em países não cristãos, por pressão de países cristãos. É o caso das viúvas na Índia, que eram cremadas vivas ao lado do marido defunto, dos primogênitos do sexo feminino, afogados ao nascer na China.

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