As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Por que Deus deixa uma crianca morrer?



https://youtu.be/2HzHUgejUQg

Jesus sabe o que vocês estão sentindo, pois também viu pessoas amadas adoecerem e morrerem enquanto andou aqui. Apenas o tempo poderá amenizar sua dor, mas jamais eliminá-la totalmente.

No último domingo falei da morte de minha mãe na pregação do evangelho (você pode ouvir aqui), e de como era estranha aquela experiência: ver uma pessoa querida viva e, logo depois, ver seu corpo inerte ali. Apesar de seu corpo estar no mesmo lugar onde estava há alguns segundos, quando ainda respirava, ou há algumas horas, quando ainda era possível ouvir sua voz, era impossível fazer qualquer coisa para a morte voltar atrás. Como cristãos, o que podemos ter a certeza é que Deus é justo em TODOS os seus desígnios.

Jesus chorou diante do túmulo de seu bom amigo Lázaro, mesmo sabendo que iria ressuscitá-lo minutos depois. Ele fez isso para mostrar o quanto se importa conosco e o quão terrível é a morte, introduzida na Criação de Deus pelo pecado. Portanto, chore à vontade porque chorar e se indignar com a doença e a morte é algo com que Jesus se identifica conosco.

Jesus quis de tal modo se identificar conosco que até quis ser batizado por João Batista com um batismo que era para o arrependimento. Veja que Jesus não tinha de que se arrepender, por ser sem pecado, mas mesmo assim quis estar lado a lado com o seu povo que estava sendo batizado por João.

É um Senhor assim que temos, portanto a primeira coisa que devemos fazer é reconhecer que ele se importa conosco e se algo acontece que não seja da nossa vontade é porque não estamos vendo a cena toda, como só ele é capaz de ver.

Pode não ser o seu caso, mas muitos cristão se decepcionam com Deus diante da doença e morte por estarem mergulhados em alguma corrente do pentecostalismo que acredita que Deus obrigatoriamente cura toda enfermidade. Se não cura, é porque a pessoa não teve fé suficiente. Trata-se de um triste engano acreditar que o crente não esteja mais sujeito aos efeitos do pecado que arruinou a Criação, como é o caso da doença e da morte. Baseados em versículos tirados do contexto, muitos se entregam a vãs esperanças e acabam desapontados no final.

O cristão deve ser realista e entender que ainda vive em um corpo igual ao do incrédulo, sujeito aos mesmos problemas. Todos os crentes dos quais lemos no Novo Testamento, que foram curados ou ressuscitaram, acabaram envelhecendo, adoecendo e morrendo no final. Nenhum deles está por aí dois mil anos depois, o que mostra que as curas que encontramos nos evangelhos e em Atos tinham um objetivo muito particular para aquele momento e lugar.

Não há como entender a razão de Deus permitir que uma criança adoeça sem esperança de cura, definhando dia a dia diante dos olhos de seus pais e amigos. Só dá para aceitarmos que, no final, a razão estará com Deus.

No final do livro de Jó vemos que Deus não explicou a Jó a razão de seu sofrimento. Mesmo assim no final Jó entendeu que Deus estava com a razão e que não cabia a Jó discutir com Deus ou questionar seus motivos. É sempre bom lembrar que Jó chega no final do livro e continua sem saber a razão do sofrimento, ou como aquilo começou. Nós sabemos de onde vinha o sofrimento de Jó porque lemos os dois primeiros capítulos do livro que leva o seu nome, mas ele próprio não leu aqueles capítulos, portanto até o final ignorou o que aconteceu nos bastidores.

Um grande consolo do próprio livro de Jó para aqueles que perdem seus filhos está na forma como Deus recompensa Jó no final:


Jó 42:12-13 E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois Jó chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. Também teve sete filhos e três filhas.

Compare com a condição inicial de Jó no começo do livro:


Jó 1:1-3 Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó... Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Possuía ele sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas.

Ele recebe tudo em dobro, menos os filhos. Os filhos que recebe são em mesmo número dos filhos que perdeu, porque filhos não são como camelos ou casas.

Deus tinha permitido que os primeiros filhos de Jó morressem, mas isso não significava que Jó os tivesse perdido, quando tudo aquilo fosse enxergado do ponto de vista eterno. No final, Jó terminou mesmo com o dobro de filhos: aqueles que tinha no início e morreram, mais os que ganhou depois. Isso porque os primeiros ele nunca perdeu, apenas separou-se deles pelo breve período de sua vida.

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