Voce segue a doutrina de Juan Carlos Ortiz?

Fico contente por saber de seu desejo de adorar o Senhor livre dos sistemas criados por homens e fora da confusão em que se transformou a cristandade. Infelizmente você não encontrará multidões de irmãos congregados ao nome do Senhor somente, valorizando o nome do Senhor e a verdade de que há um só corpo.

No início do século 19 houve um movimento muito forte neste sentido, mas como acontece com tudo o que se refere ao testemunho do Senhor neste mundo (foi assim com Israel e é assim com a Igreja), logo as divisões e a fraqueza generalizada deixaram sua marca. Hoje há assembléias em praticamente todo o mundo, porém em sua maioria são pequenos grupos de irmãos congregados em salões, casas, garagens etc.

Como expliquei na mensagem anterior, no Brasil há poucas assembléias que se mantêm em comunhão entre si e com outras assembléias espalhadas pelo mundo apenas pela graça de Deus e pela ação do Espírito Santo, já que não existe nenhum poder central humano ou "sede" regendo isso. Por iniciativa própria, os irmãos se visitam e se comunicam regularmente. Tenho filhos morando nos EUA e se congregando em uma assembléia lá.

Quanto ao que perguntou sobre Juan Carlos Ortiz (eu li "O Discípulo" há muitos anos, mas não me lembro mais do conteúdo), e ao grupo que se originou através dele, quero esclarecer que não existe qualquer ligação entre os grupos que seguem os ensinamentos daquele autor e os irmãos com os quais tenho comunhão, exceto pelo fato de também serem crentes em Jesus.

Não sei muito sobre esses grupos, mas acho que têm a ver com a idéia de "igrejas em células", "G-12", "igreja em casa" e outros nomes dados a movimentos assim. Uma vez conheci um irmão de Belo Horizonte que participava de um movimento desse tipo e dizia se reunir em casas. Ele contou que funcionava numa espécie de pirâmide, com cada discípulo ficando sujeita a um discipulador e assim por diante. Ele me contou de algumas coisas que achei absurdas, como o discípulo fazer uma lista de seus pecados e fraquezas e entregar para o discipulador, que passaria a cobrá-lo quanto à erradicação dessas falhas. Quem tem a lista do outro obviamente tem poder sobre ele, para bem e para mal.

De qualquer modo estou apenas especulando, pois não sei as pessoas que você mencionou seguem algum desses grupos (apesar de se reunirem em casas, eles geralmente estão ligados de algum modo a alguma denominação ou líder).

Quando falo sobre estar congregado ao nome do Senhor isso implica em algumas premissas, e a primeira delas é a separação.

Primeiro é preciso reconhecer que o Senhor conhece os Seus, mas que minha responsabilidade é identificar a iniquidade e separar-me dela. Se entendo como iniquidade dividir o testemunho do "um só corpo" e negar a suficiência do nome de Jesus como identificação, adotando diferentes nomes, então minha responsabilidade é separar-me disso.

2Tm 2:19 Todavia, o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.

Em seguida é preciso identificar os vasos (pessoas) de honra e desonra e separar-me da comunhão com aqueles vasos que, dizendo-se irmãos, não agem assim (veja 1 Coríntios 5:11).

2Tm 2:20-21 Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar (separar) destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra.

Finalmente, não devemos nos separar para ficarmos sozinhos, mas para nos congregarmos segundo os ensinamentos da Palavra de Deus e com aqueles que reconhecem a autoridade do Senhor de boa consciência. "Segue... com" significa congregar com aqueles que seguem a justiça, a fé, o amor e a paz com um coração puro (creio que puro aqui é no sentido de simples).

2Tm 2:22 Foge, também, dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, a caridade e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.

Resumindo, a idéia não é de apenas estar congregado pelo Espírito Santo para o nome de Jesus, mas também distinguir o estado arruinado da cristandade e apartar-se do erro.

Vou sugerir algumas leituras que acho importantes (criei o blog Manjar Celestial para publicar textos de autores principalmente do século 19 que estavam congregados ao nome do Senhor):

http://manjarcelestial.blogspot.com/2009/11/igreja-de-deus-nos-dias-de-hoje.html
http://manjarcelestial.blogspot.com/2010/03/saiamos-ele-c-h-mackintosh.html
http://manjarcelestial.blogspot.com/2010/01/fora-do-arraial-longe-do-arraial.html
http://www.stories.org.br/textos/qde.html
http://www.stories.org.br/textos/principios.html
http://www.stories.org.br/gather_p.html
http://www.stories.org.br/textos/vpp.html

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O templo de Jerusalem era a Casa de Deus?

Sim, no Antigo Testamento a expressão "casa de Deus" referia-se ao Templo em Jerusalém. O templo era, ao mesmo tempo, um marco da presença de Deus entre o Seu povo (como foi o tabernáculo no deserto) e um lugar de adoração onde o povo de Deus podia entrar respeitando certos limites.

No Novo Testamento temos uma amplitude maior do que significa a casa de Deus. Primeiro, o Templo de Jerusalém já não existe como casa de Deus. O lugar de habitação de Deus é agora identificado de três formas diferentes: como o próprio corpo do crente, a assembléia ou igreja local, e a igreja como um todo. A casa de Deus também aparece como templo de Deus e os verdadeiros crentes em Cristo como pedras dessa construção que é edificada por Deus. Em nenhuma circunstância na atual ordem de coisas a Bíblia identifica a casa de Deus como um edifício físico como era o templo de Jerusalém.

Creio que o aspecto mais importante que temos hoje da casa de Deus (e a razão de sua dúvida) é o revelado em 1 Timóteo 3:15: "...para que, no caso de eu tardar, saibas como se deve proceder na casa de Deus, a qual é a igreja do Deus vivo, coluna e esteio da verdade".

Aqui a casa de Deus é identificada também como a igreja do Deus vivo em seu aspecto temporal e visível, e não em seu aspecto perfeito e eterno. Não se trata da igreja sem mancha e sem mácula que Cristo veio preparar (e efetivamente preparou por Sua obra), mas do aspecto comportamental e governamental dessa mesma igreja. Um pouco antes, em 1 Tm 3:4-5 vemos uma relação daqueles que cuidam da casa de Deus com pessoas que cuidam da própria casa, o que mostra o aspecto material e temporal do que é mostrado aqui. É responsabilidade dos cristãos manterem essa casa limpa de todo mal. Não se trata, porém, de limpar o pecado das pessoas, mas de evitar a contaminação da comunhão na casa de Deus, a esfera em que nós cristãos atuamos nas coisas de Deus, o que pode ser visto também como a assembléia.

Em 2 Tm 2 essa mesma casa de Deus é vista como uma "grande casa", na qual se introduziram todo tipo de vasos e materiais. À semelhança do templo de Jerusalém, onde era possível (apesar de não permitido) entrarem coisas impuras, na casa de Deus, que é o aspecto exterior da igreja de Deus, é possível também termos impurezas. Daí a necessidade de governo, julgamento e disciplina na assembléia.

Nos evangelhos (um tempo ainda dentro da dispensação da lei e do judaísmo) o Senhor Jesus chamou o templo de "casa de Deus" (Mt 12:4) e rechaçou os mercadores da casa de Deus, que ele chamou de "casa de meu Pai". Em Mt 11 ele expulsou os vendedores do templo e disse que a casa de Deus devia ser chamada de casa de oração. O fato de estarem usando a casa de Deus como lugar de comércio mostra como era possível o mal entrar nela e, ainda assim, continuar sendo a casa de Deus.

Quando lemos 1 Co 5 vemos os procedimentos que tomam lugar na casa de Deus, agora no sentido da assembléia local. Uma pessoa que esteja em pecado deve ser julgada pela assembléia local e colocada fora da comunhão à mesa do Senhor. Trata-se de uma disciplina exercida com a autoridade que o Senhor deu à assembléia (o que ligarem na terra será ligado no céu). Não se trata de tirar de alguém sua salvação, mas simplesmente de limpar a casa de Deus do mal.

Escrevi mais sobre a casa de Deus neste link:
http://www.respondi.com.br/2007/12/como-voce-entende-expressao-casa-de.html

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Você e' convidado para falar em igrejas e programas de TV?

Sou, mas não vou. É comum eu receber pedidos de "orçamento" para pregar em "igrejas" (os que me consultam acham isso normal, pois muitos pregadores por aí cobram cachê). Procuro sempre explicar que não falo em instituições religiosas ou em eventos organizados por elas.

A mesma coisa vale para a mídia religiosa. Não dou entrevistas para sites, jornais, revistas, rádios e TVs de organizações religiosas. Às vezes algum site religioso pega alguma frase minha em meu site e introduz em suas matérias como se tivesse me entrevistado. Uma revista fez isso sobre uma matéria sobre "dança na igreja" e me colocou como "pastor Mario Persona".

Algumas igrejas querem me contratar para dar palestras de carreira profissional a jovens ou de marketing a grupos de empresários, e recuso também. O único caso foi quando uma agência de palestrantes fechou uma palestra sobre um tema profissional com uma organização e só depois vim a saber que a organização (que se apresentou com uma sigla) pertencia a uma denominação religiosa. Aí eu não podia voltar atrás porque a agência já tinha fechado o evento.

Há ainda empresas seculares que querem me contratar para fazer palestras de "espiritualidade na empresa", um tema da moda, mas também recuso. Obviamente eu perco dinheiro em tudo isso, mas dinheiro não é tudo.

Quanto ao programa de TV que você mencionou, eu precisaria orar a respeito caso fosse convidado para falar obre algum tema profissional, mas certamente não iria se fosse para falar de minha fé, porque não é o lugar adequado para isso. Em programas assim o que dá audiência é o inusitado, e particularmente no programa que você mencionou o apresentador costuma explorar o lado cômico de tudo. Eu me sentiria mal se ele desviasse o assunto dos temas profissionais para brincar com as coisas relacionadas à minha fé.

Já participei de programas de TV cujos apresentadores são sérios e um canal esteve na minha casa gravando cenas para uma matéria sobre adoção de portadores de deficiência (infelizmente não foi ao ar porque naquela semana estourou o caso do mensalão e todos os canais só se ocuparam com isso). Também participei de outro programa voltado para mulheres para falar de adoção. Costumo dar regularmente entrevistas de temas relacionados a carreira e negócios em sites, jornais, revistas e emissoras de rádio e TV. Mas em nenhum destes casos o assunto é o evangelho.

Posso dizer que é maior o número de convites de programas de TV que recusei do que os que efetivamente aceitei participar. As razões foram várias: ou o programa era religioso, ou pertencia a uma organização religiosa, ou tinha um cunho sensacionalista ou simplesmente porque precisaria viajar a São Paulo para gravar e o programa não iria trazer qualquer benefício ao meu trabalho.

Participar de programas de rádio ou TV para falar da fé é complicado, pois na maioria das vezes esses programas buscam criar sensacionalismo. Pode acontecer de o convite vir dizendo que você vai participar de uma entrevista e você chega lá e descobre que vai ser um debate entre você, um padre, um parapsicólogo, um pai de santo e um ateu. Dependendo do programa o apresentador pode armar um barraco entre os participantes (sabe aquela do "se não sangrar não dá audiência"?), ou tentar nivelar por baixo para mostrar que é tudo a mesma coisa. Já pensou que furada?

Uma coisa é certa: quando você participa de algo que não está sob o seu controle pode ser um desastre. Então o melhor mesmo é ficar longe disso tudo quando o assunto é fé. Felizmente a Internet permitiu que qualquer um fosse sua própria emissora.

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Que coisas os discipulos nao podiam suportar em Jo 16:12?

Jo 16:12 "Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora".

Creio que é no sentido de Mar 4:33 "E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender". Ou seja, o conhecimento das coisas de Deus não é despejado em nós de uma vez, mas o Senhor vai dando conforme a nossa capacidade e necessidade. Eu não aprendo por aprender ou para ter uma "bagagem espiritual" da qual possa me gabar. Por isso para mim não faz o mínimo sentido alguém carregar títulos como "D.D" ou "Doutor em Divindade". Você teria coragem de dizer que, em termos de divindade, você é doutor?

Lembra-se do maná no Deserto? Quem colhesse pouco ainda assim era suficiente para se alimentar, e quem colhia muito, dava na mesma pois não sobrava. E quem quisesse guardar para o dia seguinte (exceto da sexta para o sábado) o maná estragava.

Êx 16:17-20 "E os filhos de Israel fizeram assim; e colheram, uns, mais, e outros, menos. Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco; cada um colheu tanto quanto podia comer. E disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para amanhã. Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés; antes, alguns deles deixaram dele para o dia seguinte; e aquele criou bichos e cheirava mal; por isso, indignou-se Moisés contra eles".

É bom lembrar que " ciência incha, mas o amor edifica" 1 Co 8:1. O conhecimento apenas por conhecer pode criar bicho, como o maná quando era colhido para guardar e não para usar.

Quando leio ou escuto a Palavra devo entender que é Deus falando comigo. É comum escutarmos ou lermos algo e pensarmos "fulano precisava escutar isso". Porém Deus fala primeiramente com aquele que tem contato com a Sua Palavra.

Você perguntou se as coisas que os discípulos não podiam suportar seriam sobre a igreja, sobre as mudanças na ordem sacerdotal, sobre o sistema religioso judaico ou sobre os gentios que viriam a fazer parte da igreja. Eu creio que eram coisas em geral, que o Senhor iria ainda lhes ensinar.

Muitas coisas que eles aprenderam durante o tempo em que andaram com o Senhor só depois fariam sentido, como foi o caso da ressurreição. Outras coisas só fizeram sentido depois da revelação feita a Paulo do que era a igreja. Muito da verdade do corpo de Cristo era algo que os outros apóstolos não sabiam e precisaram aprender por intermédio de Paulo.

Gál 1:15-17 "Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para estar com os que já antes de mim".

Efs 3:8 "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou, para que agora seja manifestada, por meio da igreja, aos principados e potestades nas regiões celestes, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso em confiança, pela nossa fé nele".

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Voce pertence a "igreja local"?

Muitas pessoas perguntam isso quando digo que estou congregado com irmãos que não têm uma denominação. Do pouco que conheço do grupo que você chama de "igreja local", sei que foi criado por Watchman Nee, continuado sob a liderança de Witness Lee, e e mais recentemente liderado por Dong Yu Lan. Porém sei também que há algumas divisões e ramificações do grupo original.

Esse é o tipo de grupo que eu chamaria de uma "denominação sem nome", pois ele existe no sentido institucional, isto é, seguem a um líder máximo, possuem uma sede central e sedes regionais, e produzem o material que é lido e estudado em todas as reuniões em todo o mundo criando uma espécie de uniformidade. Só não tem o nome de "igreja isso" ou "igreja aquilo".

Acredito ser apenas mais uma organização eclesiástica, um pouco diferente das denominações tradicionais, mas mesmo assim uma organização em muitos sentidos. Em alguns aspectos é até mais limitante do que algumas denominações, considerando a centralização do poder e da doutrina. Alguém me disse que seus adeptos se reúnem para estudar o que é determinado por uma publicação regular.

Portanto, a organização que você mencionou não tem nada a ver com os princípios que costumo expor em meus textos que falam da igreja e de como o crente deve estar congregado somente ao nome de Jesus, fora do sistema denominacional, sem ter uma "sede" na terra e tampouco um líder máximo humano.

Há mais de 30 anos estou congregado somente ao nome do Senhor em comunhão com irmãos em todo o mundo que testemunham que a igreja (corpo de Cristo) é uma e dela fazem parte TODOS os salvos, mesmo os que estão congregados em outros lugares.

As assembléias (ou igrejas) estão em comunhão entre si, embora não exista um líder central, uma sede central ou uma editora central que determine o que vamos ler em cada reunião. Em cada assembléia os irmãos têm a direção do Espírito para lerem aquilo que o Espírito Santo achar que é necessário e proveitoso para aquela assembléia, que tem necessidades diferentes de outras.

Aqueles que sentem no coração visitar outras assembléias ou mesmo se dedicar em tempo integral à obra do Senhor recebem do Senhor essa orientação, e não de alguma junta de homens, e dependem dEle somente, e não de pedirem ajuda aos irmãos ou receberem algum salário. Quando suas necessidades não são supridas por irmãos que voluntariamente ajudam, eles simplesmente entendem que é essa a vontade do Senhor e procuram "trabalhar com as próprias mãos".

Tenho vários textos para sugerir que poderão ajudar na compreensão do assunto "igreja" e como se congregar. Os primeiros são respostas a cartas e e-mails (você pode ver o assunto no próprio link). Os outros são textos de terceiros, alguns escritos no século 19:

http://www.respondi.com.br/2009/07/o-que-significa-adorar-em-espirito-e-em.html
http://www.respondi.com.br/2009/07/cristandade-esta-decadente.html
http://www.respondi.com.br/2009/03/igreja-nao-aparece-no-antigo-testamento.html
http://www.respondi.com.br/2009/02/se-uma-denominacao-prospera-como-pode.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/qual-o-papel-que-minha-igreja-teve-em.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/como-voce-entende-expressao-casa-de.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/como-se-reunir-sem-um-templo.html
http://www.respondi.com.br/2007/02/reunir-se-sem-denominao-no-criar-uma.html
http://www.respondi.com.br/2007/01/como-saber-se-uma-igreja-reconhece-o.html
http://www.respondi.com.br/2005/10/possvel-ter-f-sem-pertencer-uma.html
http://www.respondi.com.br/2005/07/com-que-autoridade-bblica-perguntas.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/devemos-esperar-igreja-voltar-ao-que.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/o-que-significa-o-arraial-de-hebreus.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/errado-deixar-de-congregar.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/possvel-congregar-com-desprendimento.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-palavra-igreja.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-reunir-se-ao-nome-do.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/qual-o-verdadeiro-lugar-de-adorao.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/voc-j-pertenceu-alguma-denominao.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/o-que-significa-mesa-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/devo-divulgar-denominao.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/como-celebrar-ceia-do-senhor.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/por-que-h-tantas-denominaes.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/onde-celebrar-ceia-do-senhor.html

Textos de terceiros:
http://www.stories.org.br/textos/qde.html
http://www.stories.org.br/textos/principios.html
http://www.stories.org.br/gather_p.html
http://www.stories.org.br/textos/vpp.html
http://www.stories.org.br/doze.html

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Barnabe era apostolo?

Depois de ler minha última postagem sobre "apóstolos", sua dúvida foi a respeito de Barnabé: se ele não preenchia os requisitos dos doze apóstolos, como pode ser chamado de apóstolo? E se ele pode ser chamado assim, por que alguém hoje não poderia trazer o mesmo título?

Se considerarmos que Barnabé e Paulo foram comissionados pelos doze apóstolos em Jerusalém para irem aos gentios (Atos 15), e que em Atos 14:14 estavam sendo chamados "apóstolos" no contexto da mesma missão à qual tinham sido enviados pelo Espírito Santo em At 13:2 e em conexão com a designação dada a eles pelos 12 apóstolos, devemos entender que se trata de um caso muito particular. Basta lermos a continuação de Atos para vermos o peso e a importância que teve essa missão dos dois no mundo gentio, cujos frutos colhemos até hoje.

Em Atos 15 nós vemos os apóstolos e anciãos de Jerusalém, em conjunto com toda a assembléia ali, enviando Paulo e Barnabé a Antioquia em uma missão especial aos gentios, juntamente com Judas e Silas. Na carta que os apóstolos enviam eles decrevem Paulo e Barnabé como "homens que já expusaram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo". A respeito disso passagem J. N. Darby comenta em sua "Synopsis":

"Além do mais, Paulo é encomendado pelos irmãos à graça de Deus em seu trabalho. O título dado a Paulo e Barnabé pelos apóstolos mostra a diferença entre a autoridade apostólica, estabelecida por Cristo em pessoa, e aquela que foi assim constituída pelo poder do Espírito Santo - enviados pelo próprio Cristo, sem dúvida alguma, mas neste caso saindo na obra particularmente pela direção do Espírito Santo, sendo essa missão deles garantida pelo Seu poder. Para os apóstolos, Paulo e Barnabé não possuem outra designação além do seu trabalho - 'homens que já expuseram a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo'. Eles são aquilo que o Espírito Santo fez deles. Apóstolos são os doze."

Recapitulando: Dois homens, Barnabé e Paulo, estavam sendo "enviados" aos gentios num caráter semelhante ao dos doze apóstolos enviados a Israel, e ganham por isso o título de "apóstolos", mas em caráter muito particular e associado à sua missão. O que hoje conhecemos por cristianismo é fruto do trabalho desses homens, já que somos gentios vivendo fora da esfera inicial de atuação dos doze.

O peso disso é inegável, e nenhum pregador de televisão hoje poderia apresentar as credenciais que tinham Barnabé e Paulo para serem chamados de apóstolos. Mais uma vez lembro que o título ali estava diretamente conectado àquela missão, não à autoridade apostólica, a qual já comentei em outro texto ter sido delegada por Cristo e ratificada pelo Espírito Santo no texto inspirado no que diz respeito a Matias.

Poderíamos considerar as prerrogativas do apostolado às quais os doze se encaixam como a regra, e o caso de Barnabé e Paulo nesta missão como a excessão. Mesmo assim, uma excessão devidamente autorizada pela Palavra de Deus, algo que nenhum "apóstolo" atual conseguirá demonstrar.

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O que acha da Biblia na Linguagem de Hoje?

Sua dúvida surgiu ao ler a versão da Bíblia na Linguagem de Hoje, por sinal uma péssima versão. Compare 1 Co 11:5:

“E, se uma mulher não cobre a cabeça quando ora ou anuncia a mensagem de Deus nas reuniões de adoração, ela está ofendendo a honra do seu marido. Nesse caso, não há nenhuma diferença entre ela e a mulher que tem a cabeça rapada”. Bíblia na Linguagem de Hoje

"Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada". Almeida Revista e Corrigida

Acredito que você não encontrará em nenhuma outra versão a expressão "nas reuniões de adoração" e muito menos essa quantidade de texto que foi inserida no versículo com a clara intenção, não de traduzir, mas de explicar segundo o entendimento do tradutor.

Não existe discrepância entre 1 Co 11 e 1 Co 14 quando você lê em uma versão confiável. Embora no capítulo 11 fale da mulher orar e profetizar (o versículo original não fala que é na igreja ou assembléia), e no capítulo 14 proíba a mulher de falar ou profetizar nas reuniões da assembléia, o sentido é aquele mesmo que o Bruce Anstey colocou no livro "A Ordem de Deus".

Ou seja, 1 Co 11 fala do geral e 1 Co 14 fala do particular. Por exemplo, a velocidade máxima nas estradas brasileiras é 120 km/h, a menos que existam placas com limites menores. Podemos estacionar em qualquer lugar da cidade, menos nas ruas onde há sinalização proibindo estacionar. Assim é em relação a estas passagens.

Quanto à Bíblia na Linguagem de Hoje (ou Novo Testamento na Linguagem de Hoje), não é uma tradução da Bíblia, mas uma paráfrase para leitores com vocabulário limitado. A idéia por trás desse projeto (que começou em inglês) era publicar uma Bíblia acessível a quem tivesse um vocabulário bem pobre. Então eles limitaram o número de palavras a um determinado número e reduziram o texto. Ou seja, se existir algum termo na Bíblia que seja de difícil compreensão ele acabará sendo traduzido por algum mais popular, ainda que perca seu significado original. É como se você decidisse usar sempre "estrada" para todas as vezes que aparecesse no original as palavras caminho, rota, via, rua, avenida, calçada etc..

Escrevi algo sobre traduções da Bíblia neste link.  Neste outro link encontrei uma lista de omissões e alterações da Bíblia na Linguagem de Hoje comparada com a versão Almeida Corrigida.

Na hora de escolher uma tradução é preciso cuidado. Hoje muitos dos tradutores que trabalham nos projetos de Bíblias nem sequer crêem em Deus, mas são apenas linguistas profissionais. Não creio ser possível uma boa tradução feita por quem não sabe nada sobre o Autor.

Outro dia estava comparando a NVI (Nova Versão Internacional) com as traduções mais tradicionais e deu para ver o quanto o tradutor da NVI não fazia idéia do que estava traduzindo. Compare:

Nova Versão Internacional:

"A cidade era quadrangular, de comprimento e largura iguais. Ele mediu a cidade com a vara; tinha DOIS MIL E DUZENTOS QUILÔMETROS de comprimento; a largura e a altura eram iguais ao comprimento. Ele mediu a muralha, e deu SESSENTA E CINCO METROS de espessura, segundo a medida humana que o anjo estava usando".

Revista e Corrigida - João Ferreira de Almeida:

E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até DOZE MIL estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. E mediu o seu muro, de CENTO E QUARENTA E QUATRO côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo".

Em Apocalipse 21:16, 17 o tradutor da NVI converteu as medidasdas para o sistema métrico, mas no original não são as medidas que importam tanto, e sim os números que elas representam (12 e 144). Estes números devem seguir o padrão de todo o capítulo e de todo o ensino da Bíblia, onde 12 é o número do governo perfeito e bem estabelecido e 144 um múltiplo de 12.

Cada número tem seu significado e importância e não pode ser substituído por equivalentes modernos, sob o risco de se perder o sentido do texto (algumas traduções colocam uma nota no rodapé com a conversão, o que é melhor). Por exemplo, multiplicando-se o 3, que é o número da perfeição de Deus (Trindade), e 4, que é o número da Terra ("quatro cantos da Terra"), se obtém o 12, que é o número do governo estabelecido por Deus sobre a Terra (12 patriarcas, 12 tribos, 12 apóstolos, 12 portões, 12 pérolas, 12 anjos).

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Quantos apostolos existem?

Com tanta gente hoje adotando o título "apóstolo" antes do nome, como se fosse "doutor", não é de admirar que muitos fiquem sem saber se devem ou não acreditar nesses "apóstolos". Já escrevi sobre as credenciais de um apóstolo neste link: Como saber se um apóstolo é genuíno? 

Sua dúvida é sobre Andrônico, Júnias e Barnabé, que também seriam chamados de apóstolos. Quanto aos dois primeiros, a passagem diz: "Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo." Rm 16:7

Júnias pode ser uma forma reduzida de Junianus. Se for o caso, trata-se de nome de homem. Mas, como é mais provável, se for Júnia como nome feminino do jeito que aparece em algumas versões, pode ser esposa ou irmã de Andrônico. Quanto à opinião de alguns de que eram apóstolos, vamos analisar mais de perto.


"Os quais [Júnias e Andrônico] se distinguiram entre os apóstolos". Creio que o sentido seja o mesmo de "os quais ganharam a admiração dos apóstolos". Como provavelmente tenham se convertido antes de Paulo, "que foram antes de mim em Cristo", devem ter sido frutos da obra de Pedro e dos outros nos primeiros dias da igreja, atraindo sobre si mesmos uma estima especial dos apóstolos.

Como a Bíblia não se interpreta com versículos isolados, basta darmos uma olhada nas prerrogativas para ser um apóstolo e qual a posição ocupada pela mulher na igreja para ficar claro que não se tratava de "uma apóstola" como alguns querem crer.

A mesma conclusão acima pode ser aplicada a Andrônico. Quanto aos outros apóstolos que aparecem na Bíblia, segundo as notas de Scofield, a palavra 'apóstolo', com o significado de 'enviado', é usada sempre para os doze que foram chamados para aquele ofício pelo Senhor durante Seu ministério terreno, exceto em Hb 3:1, onde é usada para o próprio Senhor.

"Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus".

Em outros sentidos ela é usada para Paulo, chamado para o apostolado pelo próprio Senhor ressuscitado e ascendido ao céu; para Barnabé (Atos 14:14) especialmente designado pelo Espírito Santo (At 13:2); para Matias, escolhido por sorte pelos onze para tomar o lugar de Judas Iscariotes (At 1:16-26), do qual é dito que "foi ele contado com os onze apóstolos". At 1:26

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Moises inventou Deus?

Você argumenta que os judeus eram selvagens e, por este motivo, acreditavam que havia um Deus que controlava os trovões, chuvas etc. Esse Deus, que você diz ter sido inventado por um povo atrasado e selvagem, é o mesmo no qual os cristãos, judeus e muitos outros hoje acreditam.

Você segue dizendo que Moisés errou ao escrever o capítulo 1 de Gênesis, que diz:

Gn 1:16-18 "Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas. E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom".

Segundo você o que Moisés ensinou estava errado, pois "hoje sabemos, conforme os ensinamentos da astronomia, que é a própria Terra com seus movimentos rotatórios que nos dá as noites".

Não sei onde você mora, mas acredito que aí também o sol se põe no horizonte quando chega a noite, encerrando assim seu "governo" do dia. Acredito também que no calendário na parede de sua cozinha existam pequenos desenhos da Lua em suas diferentes fases, pois elas têm uma grande importância e utilidade para nós, influenciando as marés, o plantio, a colheita e até o dia em que nascem mais bebês. No gibi que você lia quando criança, você sabia se era dia ou noite na historinha porque havia um Sol ou uma Lua no quadrinho.

Pois bem, se você é capaz de ver o Sol nascer e ir subindo no horizonte, ou a Lua aparecer à noite, não será preciso muito esforço para entender o que Moisés quis dizer. A astronomia descreve as coisas usando um referencial. As pessoas há milênios usam o referencial de quem está na Terra. Por isso dizem que o Sol nasce, sobe, desce, se põe etc. porque adotam o referencial visual de quem está na Terra.

Se você estudou física saberá que tudo é relativo. A mosca pousada em meu braço durante uma viagem de avião está voando a 900 km por hora, mas ela não sabe disso porque seu referencial é o interior do avião.

Mas vamos ao seu primeiro comentário, dos "selvagens" judeus que inventaram um Deus que, segundo você, não existe. Você escreveu: "A verdade é que o Deus dos judeus não existe. O que existe é a inteligência universal que é tudo e está em tudo. Está em nós. Somos parte da inteligência universal. Por isso somos inteligentes".

Seguindo seu raciocínio, Moisés era menos inteligente do que você (você o chamou de "selvagem"), por isso entendeu tudo errado e inventou um Deus que, segundo você, não existe. Mas você, por ser mais evoluído e inteligente do que Moisés, já superou essa fase de acreditar num Deus que controla "os trovões, relâmpagos, chuvas etc.). Posso saber em que estágio dessa "inteligência" você se encontra?

Pergunto isso porque geralmente os ateus se consideram a última bolacha do pacote, pois se situam no tempo como se ninguém mais viesse depois deles e não existisse nada mais para descobrir. Mas o que seus descendentes pensarão de suas idéias daqui a alguns milhares de anos? Será que não dirão que você era um selvagem que viveu no século 21 e acreditava numa certa "inteligência universal"?

Geralmente os ateus acreditam na evolução, não só dos seres vivos, mas também da inteligência humana. O ponto é que aí está justamente o calcanhar de Aquiles de sua crença: se você acredita que a inteligência é algo em processo de evolução, você jamais poderá chegar a conclusão alguma, pois sua conclusão estará sendo tirada com uma inteligência incompleta e baseada apenas numa gama de fatos que seus parcos cinco sentidos foram capazes de perceber.

O conhecimento bíblico não é fruto da inteligência humana, mas provém da revelação divina. Deus revelou porque nós seríamos incapazes de "inventar" ou concluir as coisas que estão além de nossa percepção sensorial. Deus dá, não apenas a revelação, mas o Seu Espírito para que o homem que crê entenda as coisas que não são do homem, mas de Deus.

Somos seres tridimensionais vivendo em uma esfera que inclui o tempo como quarta dimensão. Porém Deus, que "habita na luz inacessível" (1 Tm 6:16), ou seja, numa faixa do espectro à qual não temos acesso, quer nos falar de uma outra dimensão. Isso só pode ser dado por revelação e recebido pela fé, duas coisas que você aparentemente não conhece.

Sem revelação você fica num beco escuro de sua existência. Sem fé é impossível você entender as coisas reveladas, pois elas estão além da dimensão que seus meros sentidos e neurônios são capazes de detectar e entender. Para quem nunca comeu omelete, um ovo não passa de um pedregulho oval.

Deixo você com Paulo e as palavras que Deus lhe inspirou para mostrar que "o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente".


"A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu; porque se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória.


"Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam. Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus. Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.


"Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente". 1Co 2:4-14

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A igreja nao evangeliza?

Sua dúvida tem a ver com a comissão dada aos apóstolos em Marcos 16:15-16: "E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado".

Esta ordem foi primeiramente dada aos apóstolos ainda em seu caráter de judeus pregando as boas novas do Reino e deve ser lida no contexto de Mateus 24:14 "E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim."

O evangelho do Reino tinha o caráter do anúncio feito por João Batista: "Arrependei-vos que é chegado o reino de Deus" e voltará a ser pregado após o arrebatamento da igreja, quando um remanescente judeu fiel se converter nos sete anos que precederão a volta de Cristo para reinar.

Neste sentido, os apóstolos tiveram pouco tempo para obedecer àquele "Ide por todo o mundo", considerando que após a morte e ressurreição de Jesus eles passaram a pregar o evangelho da graça, cuja mensagem é: "Crê no Senhor Jesus e serás salvo". O remanescente judeu fiel, este sim, irá pregar o evangelho do reino por todo o mundo para todas as nações antes do fim.

O evangelho da graça, por sua vez, não será pregado em todo o mundo como é o caso da ordem dada quanto ao evangelho do Reino. A igreja será arrebatada antes que o mundo todo escute o "crê no Senhor Jesus e serás salvo", ficando a cargo dos judeus convertidos dar continuidade ao trabalho de anunciarem a Jesus a todo o mundo, porém num caráter muito mais associado ao trabalho dos apóstolos judeus de antes da fundação da igreja em Atos 2.

Você pode ler mais sobre essa distinção aqui:
http://www.respondi.com.br/2005/07/o-evangelho-ser-pregado-em-todo-o.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/o-que-o-evangelho-do-reino.html

Tudo isso leva ao cerne de sua dúvida: Qual é o papel da Igreja no evangelismo? Na verdade estamos tão acostumados a ver as denominações como "obras evangelísticas" que nem nos damos conta de que os primeiros cristãos, quando se reuniam como assembléia ou igreja, não se reuniam para pregar o evangelho aos incrédulos, mas "perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações". Outra tradução diz: "E perseveravam no ensino e comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações" (J.N.D.) At 2:42

Portanto, a atividade de pregar o evangelho não é da assembléia ou igreja, mas do evangelista, muito embora todas as coisas estejam conectadas. Não haveria igreja se não existissem aqueles que saem para pregar aos incrédulos. E estes não sairiam se o próprio Jesus não tivesse distribuído os dons visando a edificação da igreja:

Ef 4:11 "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo".

Primeiro vêm os apóstolos e profetas (do Novo Testamento) que tiveram a missão de lançar os alicerces ou fundamentos da Igreja, sendo Cristo a pedra angular. Estes já não existem em nossos dias, pois o alicerce já foi lançado. Falo sobre este assunto aqui: http://www.respondi.com.br/2007/01/como-saber-se-um-apstolo-genuno.html

Então vemos os outros três dons, dentre eles o de evangelista. Deu para perceber que o evangelismo não é um trabalho corporativo, ou seja, da igreja ou assembléia como se fosse uma organização evangelística? O evangelismo é uma tarefa do dom de evangelista, algo que Cristo dá a indivíduos, não a uma coletividade ou corporação. Veja a ordem das coisas e o exercício desses dons nesta passagem:

At 11:19-21 "Aqueles, pois, que foram dispersos pela tribulação suscitada por causa de Estêvão, passaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Havia, porém, entre eles alguns cíprios e cirenenses, os quais, entrando em Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles, e grande número creu e se converteu ao Senhor".

Aqui você vê o trabalho dos evangelistas, que é ir anunciar o evangelho para as pessoas se converterem ao Senhor, não a alguma religião, denominação ou mesmo a um grupo de irmãos. A área de atuação do evangelista é o mundo, não os irmãos em Cristo.

At 11:22-24 "Chegou a notícia destas coisas aos ouvidos da igreja em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia; o qual, quando chegou e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortava a todos a perseverarem no Senhor com firmeza de coração; porque era homem de bem, e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor".

Agora é a vez do pastor. Cabe a ele cuidar e pastorear as ovelhas, alimentá-las de leite, exortá-las a perseverar no Senhor, ajudá-las a se unirem ao Senhor. O pastor ajuda a manter as ovelhas juntas em torno de Cristo, o verdadeiro Pastor. Agora sim vemos uma assembléia se formando em Antioquia.

At 11:25-26 "Partiu, pois, Barnabé para Tarso, em busca de Saulo; e tendo-o achado, o levou para Antioquia. E durante um ano inteiro reuniram-se naquela igreja e instruíram muita gente; e em Antioquia os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos".

Vem agora o trabalho do mestre ou doutor, exercido aqui por Paulo, que é o de ensinar e edificar os irmãos. Barnabé reconhece a limitação de seu dom (pastor) e sai em busca da ajuda de outro dom (Paulo, mestre ou doutor), embora o plural indique que Barnabé também participa do ensino naquela assembléia.

Lembre-se de que quando falo pastor aqui não estou me referindo ao cargo ou profissão que a cristandade inventou com esse nome, geralmente um homem colocado à frente de uma congregação para pregar o evangelho, pastorear e cuidar das ovelhas, e ensinar doutrina, como se tivesse ele próprio todos os dons de evangelista, pastor e mestre.

No trecho acima de Atos 11 vimos uma iniciativa individual dos evangelistas em levar as boas novas, o reconhecimento de uma assembléia (Jerusalém) de que havia irmãos necessitados de um pastor em Antioquia (daí Barnabé é enviado com esta missão) e finalmente os próprios irmãos em Antioquia revelando sua necessidade de conhecer mais e outro irmão, Paulo, indo em seu socorro.

É assim que as coisas funcionam. Aqueles que pregam o evangelho saem pregando sem consultarem ou serem enviados por alguma junta de homens, organização ou "igreja". Muito embora eles possam receber o apoio, encorajamento e até auxílio material dos irmãos, é do próprio Senhor, que lhes deu o dom de evangelista, que recebem sua comissão. Na volta eles trazem as alegres novas dos que se converteram e que agora serão congregados pelo Espírito ao nome de Jesus. Veja o que escreveu J. N. Darby a respeito:

"Um evangelista é servo de Cristo, não da assembléia; mas onde quer que ele esteja, ele pertence à igreja. Se não existir uma assembléia reunida onde ele está, então ele está ali só, mas se existir uma assembléia ele faz parte dela. E a primeira coisa que ele deve considerar é estar congregado para Cristo. Digamos que eu vá para a Galácia e o Senhor converta cinquenta pessoas. Eles estão congregados a Cristo, não à assembléia da qual eu vim. Um evangelista serve para a edificação do corpo de Cristo, no sentido de que ele traz as almas e as adiciona. Como você poderia formar uma igreja sem pessoas, sem tijolos (ou, devo dizer no sentido das escrituras, sem "pedras"?). Todavia, a este respeito devo tomar o máximo cuidado com duas coisas: de uma pessoa se separar em espírito dos santos, ou de uma assembléia pensar que a obra dessa pessoa é da assembléia. Creio ser de grande importância que o obreiro deva ser claramente servo de Cristo; mas se o seu trabalho for feito no espírito de separação dos santos, não posso estar de acordo. Um evangelista não necessariamente congrega pessoas a alguma coisa além de Cristo; pessoas com um pleno conhecimento de sua redenção. Se não tiverem a Cristo e um pleno conhecimento da redenção, elas não poderiam progredir de outra maneira". J. N. D.

Outro comentário que encontrei é de outro irmão também do século 19 congregado ao nome do Senhor (só encontrei suas as iniciais H. P. B.), dando sua opinião sobre uma assembléia que estava querendo promover uma reunião regular com um dos que pregava o evangelho para que ele apresentasse de antemão seus planos e depois os resultados de seu trabalho:

"Isso deixaria de considerar muito daquilo que o evangelista é chamado a fazer. Será que Filipe, por exemplo, teria informado de antemão os irmãos de Samaria de que iria fazer sua jornada em um lugar deserto? Todavia, uma objeção ainda mais séria a uma idéia assim está no fato de que, se um evangelista criar o hábito de apresentar de antemão sua obra aos seus irmãos, é certo que haverá diversidade de opiniões e um zelo vindo de uma variedade de sugestões. Acaso, quando isto acontece, não são justamente aqueles com a menor experiência no trabalho de ganhar almas os que mais impõem o modo como eles acham que as coisas devem ser feitas? Dificilmente o evangelista deixaria de ser influenciado e talvez até mesmo limitado por essas opiniões e conselhos, e não é difícil enxergar os tristes resultados de um plano como esse" H. P. B. - 1898

Dentro das denominações a obra do evangelho é vista como uma atividade da "igreja" como um todo, não apenas do evangelista, e daí a confusão. Então surgem aqueles apelos de que a igreja precisa ganhar almas para Cristo, no qual está subentendido que não é apenas um trabalho da denominação, como também tem o objetivo de angariar mais membros para a denominação.

Na verdade, a grande maioria dos chamados "cultos" cristãos (tirando os mercadores da fé e fazedores de milagres da TV) são na realidade pregações do evangelho. Dia após dia os que frequentam aquela "igreja" são convidados a virem à frente aceitar a Cristo. Depois são enviados relatórios à sede dando conta de quantos novos "membros" foram acrescentados.

Eu mesmo já vi um evangelista fazer um convite para uma população carente com as palavras: "Quem quiser aceitar a Cristo venha a frente para sair na fotografia". Obviamente todo mundo queria sair na foto e o relatório que o "evangelista" enviou à sede teve números bastante expressivos de "conversões". Como em algumas denominações esses obreiros ganham pontos ou prestígio pelo número de novos membros que conquistam, não é difícil imaginar que alguém vá inventar conversões para obter benefícios.

Eu me lembro de quando me congregava com os irmãos de uma pequena congregação denominacional no início de minha vida de convertido. Éramos menos de dez pessoas e não havia um "pastor" da denominação, mas as pregações eram feitas por um irmão "leigo". Quando cheguei passei a ajudá-lo. Nosso objetivo era sempre o de trazer pessoas para os "cultos" e a mensagem era sempre evangelística.

Lembro-me de uma noite quando não apareceu nenhum incrédulo e ficamos sem saber o que fazer. Não tínhamos idéia de que o evangelismo não é uma atividade da igreja como um todo, mas dos evangelistas, e muito menos de que os cristãos se congregam para Cristo, não para os incrédulos. A atividade normal da assembléia é a adoração na ceia do Senhor, a oração e a ocupação com a doutrina dos apóstolos, conforme vimos em Atos 2.

Creio que sua dificuldade está nas idéias que você trouxe das denominações e que criam essa confusão toda. Portanto, se você sente de Deus o chamado para pregar o evangelho, vá em frente e pregue. As pessoas que se converterem serão exortadas a se congregarem para o Senhor e ao Seu nome somente, e farão isso na assembléia mais próxima.

Mas tenha sempre em mente que a pregação do evangelho não é o anúncio de um lugar para as pessoas se reunirem; não é uma pregação de uma comunidade de irmãos, ou de um grupo no qual elas se sentirão incluídas. Pregar o evangelho é anunciar a Cristo e Sua obra na cruz. Não é anunciar a cura do corpo ou a libertação das dívidas, mas é mostrar o poder do sangue derramado na cruz para nos purificar de todos os nossos pecados. Um evangelho sem sangue não é o puro evangelho da graça de Deus, pois "sem derramamento de sangue não há remissão" Hb 9:22. No momento em que uma pessoa crê no Salvador ela já passa a fazer parte do Corpo de Cristo que é a igreja, independente se irá se congregar ou não em algum lugar.

Ela não precisará ser batizada por um determinado grupo para fazer parte do corpo de Cristo. Ela também não precisará ser "rebatizada" se já tiver sido batizada em nome de Jesus (isto é, com a delegação que veio dele ou "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"), e nem precisará começar a se congregar ou a participar da ceia do Senhor para ser um membro do corpo. É por ser membro do corpo de Cristo que ela pode desfrutar desse privilégio.

Lembre-se: cada pessoa salva por Cristo é acrescentada por Ele à Igreja, que é o Seu corpo, não por um "pastor", um ritual ou uma carterinha de membro. E ela não é acrescentada a "uma igreja" ou à "igreja do pastor fulano", mas à "igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue" At 20:28. "E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos", ou em outra tradução, "e todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar".

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