O cristao pode louvar com instrumentos musicais?

Existe uma diferença entre o que o cristão faz quando está só, com incrédulos, ou com os irmãos, e seu modo de proceder quando congregado em nome do Senhor. Os instrumentos musicais e a música são coisas presentes em todas as culturas e não existe na Bíblia qualquer proibição quanto ao uso disso em nossa vida diária. Eu mesmo arranho um violão em casa e às vezes canto e toco com os irmãos quando almoçamos juntos ou participamos de algum encontro informal. Aí é comum haver violão, guitarra, piano, teclado etc.

Quando os irmãos estão congregados em nome do Senhor, a coisa toda muda, pois precisamos fazer as coisas conforme encontramos na Palavra de Deus. A reunião da assembléia para o nome de JESUS é um momento solene no qual, em espírito, tiramos as sandálias dos pés por estarmos em terreno santo. É Jesus o centro de todas as atenções. Fica um pouco difícil entender isso se você não tiver uma idéia clara da distinção que é uma reunião informal de irmãos e uma reunião da igreja ou assembléia. Quando congregados ao nome do Senhor, para adorar, louvar, orar ou aprender dEle, aí nós somos os instrumentos que Deus gosta de ouvir.

Vamos à Palavra:

1Co 14:15 Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.

1Co 14:26 Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo [cântico], tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.

Efs 5:19 falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração,

Col 3:16 A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração.

Se a sua Bíblia for igual à minha, você não conseguirá ver o verbo tocar nas passagens. Ali não diz "tocarei com o espírito, mas também tocarei com o entendimento...", "cada um de vós tem melodia...", "tocando e salmodiando...", "tocando ao Senhor...". A ação é sempre de cantar, e isso com palavras poéticas (salmos e hinos).

Alguém poderia considerar muito "pobre" um cântico de louvor entoado apenas com a voz, quando comparado à riqueza de sons dos instrumentos usados no louvor do Antigo Testamento. Porém basta entender a diferença entre as duas dispensações e o relacionamento de Deus com os adoradores para ver que estamos em um patamar muito mais elevado.

O israelita não tinha o Espírito Santo habitando em si, precisava de um templo de pedras para adorar, não tinha uma obra redentora já consumada para lhe dar a certeza da vida eterna, precisava de homens (sacerdotes) para aproximar-se de Deus indiretamente (porque o véu do Santo dos Santos não tinha sido rasgado). Toda a sua adoração era exterior.

O salvo por Cristo tem o Espírito Santo de Deus habitando em si, ele próprio é templo do Senhor, tem a certeza da obra consumada em seu favor e de seu lugar já reservado na casa do Pai e é ele próprio sacerdote com livre acesso a Deus. A melhor resposta seria: Alguém com um acesso tão pronto e direto a Deus precisa de instrumentos musicais para quê?

Se resumirmos o que as passagens dizem, aprendemos que hoje temos o privilégio de cantar com o espírito, com o entendimento, com graça e com o coração. Além disso, podemos cantar um louvor ao Pai e ao Filho, o Cordeiro de Deus (na Bíblia, nunca se canta, ora ou fala ao Espírito). Os israelitas não conheciam a Deus como Pai e não podiam ter essa familiaridade de acesso. O fato de Jesus chamar a Deus de Pai os escandalizava.

Tenho em casa um CD que gravei a partir de fitas K7 que meus filhos gravaram quando eram bem pequenos. A gravação é apenas de suas vozes infantis, desafinadas, sem acompanhamento, e talvez sejam terríveis se apresentadas a outros ouvidos. Mas para os meus ouvidos não há música mais bela e emocionante. O que você acha que Deus leva em conta quando os Seus filhos cantam louvores a Ele? Os instrumentos que acompanham ou os corações que cantam.

Há também um detalhe importante: nosso cântico de louvor, quando estamos congregados para o nome de Jesus, tem também um diferencial que o disntingue de qualquer outro louvor que entoamos quando estamos sozinhos, em família ou mesmo com os irmãos em uma reunião informal. Para entender isso leia o que diz o Senhor no Salmo 22, falando de algo que ainda era futuro (lembre-se de que é Jesus quem fala neste salmo):

Slm 22:22 Então, declararei o teu nome aos meus irmãos; louvar-te-ei no meio da congregação.

Quando estamos congregados para o Senhor Jesus, em Seu nome, ele não só cumpre a promessa de estar no meio dos dois ou três assim reunidos, mas também participa do louvor. Alguém ousaria pensar que pode melhorar isso acrescentando uma guitarra ou bateria?

Você encontrará mais sobre o assunto nos links a seguir:

http://www.respondi.com.br/2009/07/qual-musica-certa-para-o-louvor.html
http://www.respondi.com.br/2009/03/que-hinos-voce-e-os-irmaos-cantam-nas.html
http://www.respondi.com.br/2009/07/voce-nao-acredita-em-danca-profetica.html
http://www.respondi.com.br/2009/07/devemos-rasgar-o-antigo-testamento.html
http://www.respondi.com.br/2009/05/artes-marciais-na-igreja-abre-brecha.html
http://manjarcelestial.blogspot.com/2009/03/musica-instrumental-nas-reunioes.html


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Existia morte antes da queda do homem?

P: Como esclarecer a entrada da morte no mundo pelo pecado original visto que os
dinossauros morreram antes do homem?

Obs. Este texto é uma continuação de O que a Biblia diz dos dinossauros?

Até receber seu email eu nunca tinha me preocupado muito com a questão dos dinossauros ou da morte antes da queda do homem. Eu simplesmente afirmava, baseado em Romanos 5:12, que "por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram". Eu também associava Romanos 8 à morte dos animais:

Rom 8:20-22 "Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora".

O problema é que Rm 5:12 não fala que a morte passou a toda a criação, mas "a todos os homens" por causa do pecado, e Rm 8:20-22 não fala de morte relacionada à Criação, mas de vaidade, servidão, corrupção e sofrimento (gemido, dores). Além disso, nenhum crente iria imaginar que, uma vez completada a obra da redenção dos humanos, os animais viriam a ressuscitar. Creio que a "liberdade da glória dos filhos de Deus" venha a trazer alívio par ao sofrimento animal, não o fim de sua morte. Mesmo durante o reino milenial de Cristo continuará existindo a morte de animais que serão sacrificados.

Com sua pergunta decidi pesquisar e pensar mais sobre o assunto, e minhas conclusões sobre os dinossauros estão em http://www.respondi.com.br/2010/04/o-que-biblia-diz-dos-dinossauros.html

Entenda que muito do que escrevo ali é apenas especulação, já que Deus não nos revelou os detalhes destes assuntos. Quando não temos algo revelado na Palavra de Deus é porque isso não é importante para nós, e devemos descansar no fato de que Deus quis revelar apenas aquilo que seria útil para nossa salvação e para o conhecimento de Jesus, o Salvador.

Não temos também uma revelação clara da morte de animais e humanos existir ou não antes da queda do homem. O que temos é:

. Animais podem ter morrido antes, se os fósseis e plantas forem mesmo de uma criação original referida no versículo 1 de Gênesis, antes do cataclismo que transformou a Terra em sem forma, vazia e coberta de trevas no versículo 2. Carvão mineral e petróleo são formados a partir de plantas mortas.

. Nada é dito sobre a alimentação da vida marinha que Deus criou em Gn 1:21. Como a quase totalidade da vida marinha hoje é carnívora, e essa vida não tinha acesso à terra cujas plantas foram dadas como alimento aos animais terrestres, é provável que os animais marinhos já fossem carnívoros em sua criação.

. As plantas morriam quando eram comidas pelos animais terrestres. Estes podiam ou não ser carnívoros e nada é dito sobre serem imortais, portanto eles também deviam ter um ciclo de vida como tinham as plantas. Crescer, reproduzir-se e morrer é o ciclo da vida no planeta.

. Somente depois do dilúvio Deus deu os animais aos homens como alimento, mas nada é dito que então isso tenha sido feito também com os animais. Portanto eles podiam já se alimentar de outros animais antes. A passagem em Is 65:25, na qual o leão comerá palha como o cordeiro, não é conclusiva para as condições primordiais da Criação, pois fala de um acontecimento futuro.

. A ameaça de Deus feita a Adão, ao dizer que ele morreria se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, não faria sentido se "morte" fosse uma palavra que não existisse no vocabulário de Adão (eu mesmo devo ter dito em algum lugar que Adão não entendeu quando Deus lhe falou de morte, o que pode ter sido um equívoco meu).

Portanto, é bem provável que a morte já existisse para plantas e animais mesmo antes da queda do homem. A morte poderia até existir no ciclo de existência do homem original, já que Deus colocou no Éden uma árvore da vida, cujo acesso é vedado ao homem depois da queda, para ele não comer e viver eternamente na condição de pecador. Gn 3:22

Aparentemente Deus colocou a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal, proibindo esta, mas não aquela, para que o homem escolhesse a vida. Adão escolheu a desobediência e morte. Creio que até mesmo o intercurso sexual com Eva, que foi abençoado por Deus para que o casal procriasse, não foi algo que Adão e Eva buscassem de início. Tudo indica que a prioridade para eles foi desejarem ser como Deus comendo do fruto proibido.

Em Provérbios 3:18 diz que os caminhos de Deus são arvore da vida para aqueles que retêm a sabedoria de Deus. Isto indica que essa vida relacionada àquela árvore original não se limitava à vida animal do corpo. A árvore da vida volta a aparecer com frequência em Apocalipse como promessa de vida.

Deduzo disso tudo que temos tipos distintos de "vida" na Palavra de Deus. Uma é a vida das plantas, que nascem, crescem, se multiplicam e morrem. Outra é a vida dos animais ou "almas viventes", que além de nascerem, crescerem, se multiplicarem e morrerem, também têm inteligência e sentimentos, pois têm alma além de corpo.

Finalmente há a vida humana, que teria dois aspectos. Além de ser alma vivente como os animais, ou seja, com um corpo que nasce, cresce, se multiplica e morre, e uma alma com inteligência e sentimentos, o ser humano foi o único que recebeu o sopro de Deus, uma ligação com o Criador que nenhum outro ser vivo possui. Se assim for, a morte para o ser humano possui um significado muito mais amplo do que a morte do vegetal ou animal.

O homem tem algo que nenhum animal ou planta tem: o homem tem o espírito imortal que foi dado a ele por Deus. Plantas e animais são finitos, isto é, sua existência cessa na morte. O homem não. O rico e Lázaro estão ambos vivos e conscientes após a morte do corpo, embora em condições extremamente diferentes. O espírito humano é imortal, a alma humana (sentimentos, emoções, inteligência) é imortal, e o corpo humano é imortal em certo sentido, já que tanto salvos como perdidos irão ressuscitar no final, uns para o céu, outros para o lago de fogo.

A distinção no final é que alguns terão vida eterna, uma vida que vem de Deus e que nem mesmo Adão possuía. Veja que, com tudo isso, não é tão simples distinguir a que "morte" e "vida a Bíblia está se referindo em algumas passagens.

Joã 3:16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Quando vemos tudo isso neste contexto, até mesmo João 3:16 ganha um sentido novo: aquele que crê ganha um "tipo" de vida que não é apenas infinita, mas eterna, por ter vindo do próprio Deus, mesmo que seu corpo venha a morrer no processo natural da vida animal. Aquele que não crê morre (perece), mas não apenas no sentido de morte do corpo, e sim de um juízo eterno. Portanto a noção de vida e morte têm um aspecto muito mais amplo do que as limitações que temos no vocabulário.

Então se você me perguntar se existia morte antes da queda do homem eu posso dizer que não existia, se estivermos falando de uma vida que é distinta da vida de plantas, animais e da que foi dada inicialmente ao homem. Mas estaria igualmente correto responder que existia morte antes da queda, tanto dos dinossauros em tempos imemoráveis, como de outros seres vivos (plantas e animais) na Terra feita para habitação do homem.

Se quiser ampliar ainda mais essas elocubrações, pense no fato de Deus ter criado um jardim, o Éden, para colocar o homem. Nada é dito de como eram as condições fora do jardim, o que amplia ainda mais o leque das possibilidades.

Felizmente Deus não revelou nenhum detalhe acerca dessas coisas por achar que não traria qualquer proveito a nós, e devemos deixar assim. Ficamos, portanto, no campo das suposições e jamais devemos usar estas coisas como forma de estabelecer crenças ou doutrinas que dividam os cristãos. O maior número de divisões ocorre com base naquilo que Deus não disse em Sua Palavra, e não no que ele efetivamente disse.

Você irá encontrar textos e pregações que fiz afirmando coisas diferentes do que acaba de ler aqui porque na ocasião eu não tinha pensado no assunto como tenho feito agora. Mas, repito, espero que isto não venha a tirar seus olhos do assunto principal da Bíblia, que é CRISTO, e não dinossauros, animais, vida vegetal e coisas do tipo.

Para aquele que confia que Deus é justo em todos os Seus caminhos e propósitos, existir ou não a morte animal antes da queda do homem não vai fazer qualquer diferença. Apegar-se a pontos obscuros só serve para dar munição aos ímpios, ateus e incrédulos, portanto espero que tenha lido isto dentro do propósito com o qual eu mesmo escrevi, que é o de dar uma mera opinião pessoal, evitando de todas as formas que isto se torne em pedra de tropeço para a sua fé ou de qualquer outro que creia em Jesus.

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O que a Biblia diz dos dinossauros?

O manual de meu celular não diz como ele funciona, mas apenas ensina o que eu posso fazer com ele. Os processos eletrônicos, o modo como se comunica com as torres ou até o número de componentes e sua composição química são coisas que não estão no manual, pois são coisas não me trariam qualquer proveito.

A Bíblia é o manual de Deus para o homem. Tudo o que precisamos saber está ali, e seu tema principal é Deus e Jesus, nosso Senhor. Nela temos "tudo o que diz respeito à vida e piedade". Por ela aprendemos quem é aquele "que nos chamou por sua glória e virtude", e em suas páginas descobrimos as "grandíssimas e preciosas promessas" que Deus nos deu "para que fiqueis participantes da natureza divina".

A "ciência" ou conhecimento que ela nos traz tem uma função: escapar da "corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo", acrescentar "à vossa fé, a virtude, e à virtude, a ciência, e à ciência, a temperança, e à temperança, a ciência, e à paciência, a piedade, e à piedade, o amor fraternal, e ao amor fraternal, a caridade". Finalmente, ela nos mostra que, tendo tudo isso, não ficaremos "ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo". 2 Pedro 1:2-8

Já deu para ver que não vamos encontrar tudo nas páginas da Bíblia, e inclua aí os dinossauros ou como funciona um celular. Vamos aos fatos: as várias camadas geológicas revelam que este mundo foi habitado por criaturas estranhas e também por imensas florestas que se transformaram no petróleo e carvão, que hoje são queimados e devolvem à atmosfera o dióxido de carbono coletado e armazenado ao longo de incontáveis eras.

Embora Deus pudesse ter criado o petróleo, o carvão e os fósseis de animai do jeito como os encontramos hoje, não faria sentido Deus fazer algo que viesse a nos confundir.

Agora vamos aos fatos que encontramos na Palavra de Deus. Primeiro, existiu um princípio, quando tudo o que existe foi criado por Deus, que sempre existiu. O tempo depende de matéria e movimento para existir, portanto o tempo existe desde o princípio da criação e deve terminar na nova criação.

Gn 1:1 "No princípio, criou Deus os céus e a terra."

Jo 1:1-3 "No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez".

Esse "Deus" de Gn 1:1 é "Elohim" no original, um nome plural. No Novo Testamento aprendemos que todas as coisas foram criadas pela vontade do Pai por intermédio de Jesus, o Verbo de Deus e também o Filho Eterno de Deus, sendo o Espírito Santo o princípio ativo da Criação. O Elohim de Gn 1:1 é o Deus triuno que conhecemos.

Gên 1:1 "No princípio, criou Deus os céus e a terra" é, ao mesmo tempo, um dos menores versículos da Bíblia, mas um dos maiores em conteúdo. Ele não fala das intenções que Deus tinha aí, mas do que ele fez. Ele não fala da criação dos anjos, mas pelo livro de Jó sabemos que os anjos já existiam quando a Terra, na sua atual configuração, foi formada.

Jó 38:4-7 "Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva [anjos] juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?"

O objetivo de Gênesis não é revelar os conselhos de Deus e nem a existência de Deus. Estas coisas são reveladas em detalhes no Novo Testamento. A Criação é uma das coisas que só podem ser entendidas pela fé, não pela razão. Hb 11:3 diz que "pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra [pelo verbo] de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente".

Outro detalhe importante de Gênesis são as palavras originais usadas para o verbo "criar" de nossas traduções. Em alguns lugares diz que Deus "criou" (Gn 1:1), em outros diz que Deus "fez" Gn 1:16, e em outros Deus apenas ordena que certas coisas apareçam, como em "haja luz" Gn 1:3. A Bíblia afirma que "Deus é luz, e não há nele treva nenhuma" 1 Jo 1:5, e que "que tem, ele só, a imortalidade e habita na luz inacessível". Portanto o mais provável é que a luz já existisse independente da criação, por ser uma qualidade de Deus.

Quando Gênesis diz "criar", é no sentido de trazer à existência a partir do nada. Quando diz "fazer" é preparar algo a partir do que já existe. No princípio Deus criou todas as coisas. Então Deus prepara a Terra para o homem e "faz" muitas coisas ali. O verbo "criar", no mesmo sentido do versículo 1, só torna a aparecer no versículo 21, quando fala dos grandes animais marinhos. Nos versículos 20 e 21 esse "criar" parece estar relacionado à vida autônoma, que possui pensamento e movimento. Ao contrário das plantas, esse tipo de vida nestes versículos é chamada de "alma vivente".

Esta distinção é importante, pois mais tarde vemos que os animais terrestres não são "criados", mas "feitos", uma vez que a forma primordial de vida autônoma ("alma vivente") já havia sido criada nas águas. O verbo "criar", do versículo 1 e 21, vai aparecer pela terceira vez no versículo 27 relacionado ao homem. Portanto temos 3 coisas distintas: A criação da matéria, a criação das almas viventes que irão habitar a Terra em sua relação com o homem, e a criação do homem, o único que recebe o sopro divino. Por isso o homem é espírito, é alma vivente e tem um corpo de matéria terrena.

O homem tem uma posição distinta em tudo isso. Ele também foi criado para dominar sobre a Criação, uma responsabilidade e privilégio que nem mesmo os anjos receberam. Os anjos foram criados para servir. Obviamente com a queda, embora o homem ainda tenha o domínio, ele perdeu a capacidade de fazer isso de acordo com o plano e a vontade de Deus e passou a destruir a Criação ao invés de apenas exercer o domínio sobre ela. O Homem perfeito, o Segundo Homem, que terá todo o domínio dentro das expectativas de Deus, é Jesus. Veja o Salmo 8.

Em outros casos vemos Deus apenas colocando as coisas em ordem, como separando terra firme e água., luz e trevas etc. Por exemplo, o Sol, a Lua e as estrelas já existiam quando em Gn 1:16 Deus os "fez" para governar o dia e a noite. Mesmo assim não diz explicitamente "Sol" e "Lua" como corpos celestes, porque não é o assunto que importa ali. O assunto da passagem é mostrar que as coisas na Terra seriam governadas a partir do céu.

Considerando que "o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada" (Is 45:18), tem alguma coisa entre o versículo 1 e o 2 de Gênesis que não faz sentido. O versículo 2 diz que "a terra era [estava] sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas", algo que não condiz com uma terra que não foi criada vazia e sem forma. Algo deve ter acontecido que deixou a Terra nessa condição, mesmo porque "trevas" é algo estranho a Deus.

Se eu fosse colocar as coisas em ordem cronológica, diria que primeiro foram criados os anjos e em seguida as coisas materiais (o universo, incluindo a Terra, o Sol, a Lua e as estrelas). Nessa Terra habitaram animais e cresceram plantas, cujos fósseis encontramos hoje. Tudo isso morreu porque Deus criou assim, o que não é de estranhar quando lemos que só Ele tem em si mesmo a imortalidade. Todo o resto é mortal ou destrutível, seja a matéria ou a vida animal.

Então deve ter ocorrido um cataclismo universal (a rebelião dos anjos talvez) que deixou toda a criação em um estado de caos e destruição. É nessa condição que encontramos o planeta Terra no versículo 2, o qual precisará ser "equipado" para ser a morada do homem, a coroa da Criação. A luz, que por alguma razão judicial estava ausente da Terra nesse período, entra em cena. Ela deve ter banhado a Terra antes, já que os fósseis que encontramos tinham olhos e as plantas deviam fazer a fotossíntese.

Creio que nisso tudo se encaixam muito bem os dinossauros. O assunto de Gênesis não são os dinossauros, mas a criação do homem responsável. Aqui é o homem, e não os animais, o personagem principal. Todo o resto é cenário e figuração. Como acontece nos filmes, o resto só existe para dar sustentação à história e aos seus personagens.

Mas isto só é compreendido por aqueles que conhecem a verdade e são capazes de valorizar ainda mais a Cristo. Mais tarde na Bíblia vamos encontrar Cristo na cruz feito pecado por nós, o que nos faz entender o fracasso do primeiro homem, Adão, e o que significa o último Adão, pois Cristo lança as bases para o segundo Homem.

Se o homem (e o segundo Homem) é o tema da Criação descrita em Gênesis, não era de se esperar que encontrássemos ali a resposta para a existência dos anjos ou dos dinossauros. Os anjos só aparecem na Bíblia quando têm alguma coisa a ver com o homem. Os dinossauros nunca aparecem, pois nada têm a ver com o homem, com este mundo ou o mundo vindouro. O conhecimento deles seria inútil no que diz respeito "à vida e piedade", que é o propósito de Deus em Sua Palavra.

Na sua totalidade, o tema principal que temos diante de nós na Bíblia é Deus tomando o homem na criação, revelando o quanto ele despencou, por causa do pecado, ao ponto de ficar até mesmo abaixo de qualquer outra criatura, para depois Deus o exaltar, em Jesus, acima de todas as criaturas e criar nele alto totalmente novo. É possível até traçar um paralelo entre o Gênesis e Romanos para entender a velha e a nova Criação. A Bíblia continuará desvendando os planos e propósitos que têm sua origem no céu, enquanto cientistas e estudiosos continuarão tentando desvendar o que acontece na Terra.

Jo 3:31 "Aquele que vem de cima é sobre todos, aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. E aquilo que ele viu e ouviu, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro. Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida. O Pai ama o Filho e todas as coisas entregou nas suas mãos. Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece".

Quando aceitamos o testemunho de Deus, ou seja, de que Ele não deixou de nos revelar coisa alguma que não fosse importante para nós, descansamos mesmo quando não encontramos os detalhes que gostaríamos de ver em Gênesis sobre dinossauros e outros assuntos. "Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro".

Se desconfiarmos de Deus, achando que Ele escondeu de nós alguma informação importante, estaremos adotando a mesma posição de Eva, ao ir na conversa de Satanás, de que Deus estaria privando ela e seu marido de se tornarem como Deus, conhecedores do bem e do mal.

Obs. A resposta a este leitor continua no título: Existia morte antes da queda do homem?

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A Biblia fala algo sobre psicopatas?

Não sei se a Bíblia fala alguma coisa específica para o caso. Provavelmente não, porque não existe esse detalhamento. Algumas enfermidades específicas são citadas, mas você não encontrará nada sobre a gripe, o câncer ou o derrame cerebral, por exemplo.

É preciso sempre ter em mente que tudo o que a Bíblia fala tem alguma relação com Jesus, que é seu foco, e sua relação com o ser humano. É por isso que não encontramos muitas coisas na Bíblia, como detalhes científicos, artísticos ou culturais. As enfermidades citadas têm algo a ver com o contexto e, mesmo assim, não são necessariamente o foco do contexto.

Você encontra na Bíblia enfermidades do corpo de uma maneira geral, às vezes identificadas, enfermidades da mente, e também enfermidades ou quadros causados disfunções espirituais como possessões demoníacas que causam a perda do controle do próprio corpo pelo possesso.

Eu não entendo o suficiente para poder afirmar se um psicopata é ou não consciente de seus atos, mas se em algum lugar de sua consciência existe a noção de razão e responsabilidade, então ele é responsável e não poderá alegar, diante de Deus, que cometeu seus atos por causa de sua enfermidade.

Há pessoas que têm, por natureza, um temperamento mais violento do que outras, e há homens cujo corpo produz uma quantidade tal de hormônios que o faz enlouquecer de desejo. Nem um, nem outro, poderá alegar diante de Deus que não é culpado de matar ou estuprar. Se existe a consciência, existe a responsabilidade.

De qualquer modo, toda e qualquer enfermidade, seja ela física ou mental, é consequência da queda do ser humano e continuará a nos afligir neste mundo. Mesmo que uma pessoa se converta, isso não é garantia de que será curada de todas as suas enfermidades físicas. Este corpo foi arruinado pelo pecado e continuará assim até o final, caso contrário não precisaríamos de ressurreição, não é mesmo?

Particularmente entendo que um louco de nascença, alguém que realmente não tenha consciência de seus atos, seja o equivalente ao "pobre de espírito" que Jesus mencionou, categoria que pode incluir também muitas formas de demência ou retardo mental.

Porém, alguém que teve um período de sanidade antes de se tornar insano, teve tempo suficiente para crer no evangelho e não o fez. Se mais tarde ele passar a sofrer de alguma forma de doença mental que o impeça de ser responsável por seus atos ou de entender o evangelho o suficiente para crer, acredito que ele teve a mesma chance de qualquer outra pessoa. A diferença é que para qualquer outra pessoa a morte seria o fim do "prazo" para crer, enquanto para ele esse prazo terminou quando se tornou insano.

Sobre problemas relacionados a enfermidades mentais, escrevi algo sobre epilepsia e também depressão nos links abaixo::

http://www.respondi.com.br/2005/06/epilepsia-possesso-demonaca.html
http://www.respondi.com.br/2007/10/e-possivel-um-cristao-entrar-em.html

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Tendencia suicida e' maldicao familiar?

Você diz que sofre de um mal desde a infância e que alguns dizem que isso é decorrente de uma maldição de família. Esqueça essa história de maldição de família. É mais uma invenção para encher os bolsos de alguns pregadores. Você escreve também que seu sofrimento o leva a pensar constantemente em suicidar-se.

Se leu o testemunho de minha conversão em em www.stories.org.br/angels.html terá visto que essas idéias também já passaram por minha cabeça um dia. A questão é: Se você já tivesse morrido, onde estaria agora? A vida não termina quando seu corpo morre. A Bíblia diz que o homem morre uma vez, mas então vem o juízo, o que não é uma perspectiva agradável.

Mas a mesma Palavra de Deus diz que se você crer no Senhor como seu Salvador, estará livre de qualquer julgamento. Isto porque seus pecados foram pagos na cruz, deixando você sem um pecado sequer para pagar. Mas a fé nEle é o passo que vacilamos tanto dar, e você sabe disto.

O Senhor Jesus é a Pessoa mais fácil de ser encontrada. Ele é Deus e Ele é homem. Lembre-se de que Ele veio a este mundo como um Homem e compreende muito bem o que você sente. Veja que naquilo em que Ele sofreu pode socorrer os que são tentados (Hebreus 2:18). Em outra passagem diz que não temos um sumo sacerdote que não possa se compadecer de nossas fraquezas, mas um que em tudo foi tentado como somos, porém sem pecado. Diz que devemos ir ao trono da graça para obtermos graça e misericórdia em tempo oportuno. Hebreus 4:15,16.

Não é maravilhoso? Ele deixou a porta aberta para os pecadores como eu e você nos aproximarmos dEle e encontrarmos ajuda sempre que precisamos! E Ele chama você de uma maneira que ninguém mais poderia fazer: Vinde a Mim (diz Ele) todos vós (inclusive você) que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Mateus 11:28-30.

Então, o que fazer? O que você ganhou depois de todos estes anos que viveu aqui nesta vida - sozinho e sem Aquele a Quem pudesse correr na hora da dificuldade? E mais do que isto, o que ganhará se terminar sua jornada aqui? Veja que Deus oferece, através do Senhor Jesus, tudo o que só Deus pode oferecer!

Procure ser a Bíblia. É melhor começar pelo evangelho de João, no Novo Testamento. Dê a Deus uma chance de falar com você, em seu coração. Ele o fará, como fez comigo há muitos anos e continua fazendo com qualquer um que for a Jesus e se render em Seus bondosos braços.

Existe um vazio no coração do homem que só Deus pode preencher, mas Ele não preenche até que você dê a Ele esta chance. Não há nada que Ele queira pedir de você além de seu coração. E Ele irá curar seu coração de uma forma que ninguém mais poderia. Deus quer dar; Ele não quer tirar nada de você além de seus pecados e sua tristeza. Render-se a Ele é a palavra exata aqui. Pare de lutar contra Aquele que ama você de tal modo que entregou Seu Filho amado para morrer por você na cruz.

O que mais posso dizer? A vida é muito curta para gastá-la vivendo na dúvida e no medo. Principalmente quando você sabe que existe uma alternativa e que esta é aceitar a Cristo como seu Salvador. Não, não, não, o coração não O deseja, seu coração O odeia por natureza. Por isso usei a palavra "render-se". Que alívio você encontraria quando, depois de lutar contra Alguém que achou ser seu inimigo, você se rendesse a Ele e descobrisse que se enganou em lutar. Ele nunca teve o desejo de amaldiçoar ou machucar você, mas sempre quis lhe abençoar.

Pense nisto como se você estivesse tentando dar um doce a uma criança. Você vai atrás dela, mas ela está sempre fugindo de você. Você tenta segui-la, mas ela escapa. Não há como ajudar a menos que a criança pare e diga, "Está bem, vou escutar o que você está querendo me dizer, vou aceitar o que quer me dar".

É exatamente isto que você deve fazer agora com o Senhor. Fale com Ele, conte a Ele todos os seus temores, toda a sua dor, todas as suas tristezas. Ele irá escutar. Diga a Ele que você não pode continuar sozinho. Diga a Ele que você quer recebê-Lo em seu coração; peça a Ele que salve você de seus pecados, da vida miserável que está vivendo.

Eu sei o que é desanimador o que você está sentindo, porque também já passei por isso. Não passei por tudo o que você está passando, pois nunca sofri de uma enfermidade ou tive dores constantes como você diz que tem. Mas Jesus sabe o que é passar por sofrimento e dor, e Ele é o seu recurso. Mas você não descobrirá isso até que se renda e deixe que Seus braços de amor envolvam você e que Sua mão carinhosa o guie.

Mais uma palavrinha sobre o suicídio. Acredito que não exista alguém que tenha sofrido tanto quanto Jó, tanto é que o próprio nome de Jó acabou virando um sinônimo de sofrimento. Ele diz:

Jó 7:14 "Então, me espantas com sonhos e com visões me assombras; pelo que a minha alma escolheria, antes, a estrangulação; e, antes, a morte do que estes meus ossos. A minha vida abomino, pois não viverei para sempre; retira-te de mim, pois vaidade são os meus dias".

O profeta Jeremias também foi um que não via qualquer graça na vida:

Jer 20:14-18 "Maldito o dia em que nasci; o dia em que minha mãe me deu à luz não seja bendito. Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: Nasceu-te um filho; alegrando-o com isso grandemente. E seja esse homem como as cidades que o SENHOR destruiu sem que se arrependesse; e ouça ele clamor pela manhã e, ao tempo do meio-dia, um alarido. Por que não me matou desde a madre? Ou minha mãe não foi minha sepultura? Ou não ficou grávida perpetuamente? Por que saí da madre para ver trabalho e tristeza e para que se consumam os meus dias na confusão?"

Mesmo assim, apesar de todo o sofrimento, decepção e angústia desses homens, eles não tentaram tirar a própria vida, pois sabiam que suas vidas não pertencia a eles, mas a Deus. Veja o que acontece quando a própria mulher de Jó sugere que a melhor saída para ele seria suicidar-se:

Jó 2:8 "E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza. Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios".

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O cristao deve ser sem igreja?

A idéia de um "cristão sem igreja" é absurda e não tem fundamento nas Escrituras. Atos 2:47 diz que "todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar". Se o próprio Senhor acrescenta à Igreja todos os dias os que "haviam de se salvar" ou, como diz em outra tradução, "os que iam sendo salvos", como pode existir um salvo "sem igreja"? A igreja é o corpo de Cristo, ao qual cada salvo é adicionado como membro, e desse corpo ele jamais será subtraído, e nem conseguirá se desligar por si próprio, pois esse corpo é controlado pela cabeça, que é Cristo.

Resumindo: é impossível a qualquer ser humano se tornar membro da igreja por decisão sua, e é impossível também que ele se desligue ou seja desligado da igreja que é o corpo de Cristo. E quando cristãos estão congregados sobre o fundamento bíblico do "um só corpo" não estão considerando "seu grupo" a igreja, mas apenas o testemunho ou expressão local desta. Um exemplo prático e interessante foi o diálogo de um irmão congregado ao nome do Senhor somente, com outro irmão em Cristo membro de uma denominação, quando se encontraram no ponto de ônibus:

O primeiro: "Vi você hoje lá na reunião quando celebramos a ceia do Senhor"
O segundo: "Impossível, eu não vou lá e nunca fui"
O primeiro: "Mas eu vi você sim. Você estava lá no pão".

1 Co 10:16 "Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão".

A grande confusão é que a maioria dos cristãos considera "igreja" como uma organização ou o conjunto de organizações religiosas existentes no mundo. E aí alguns saem proclamando os cristãos a se tornarem "sem igreja".

Ontem recebi uma mensagem de uma irmã que criou o "Movimento dos Sem-Igreja", seja lá o que isso signifique. Obviamente as razões para o seu movimento é a decepção com o sistema tradicional. O problema é que para embasar o seu "movimento" ela começa a ensinar (contrariando o que diz em 1 Tm 2:12 sobre a mulher ensinar) que a ceia do Senhor a que Paulo se refere não é com pão e vinho tangíveis, mas espirituais. Ou seja, diante da questão de onde iriam participar da ceia os que seguissem seu movimento "sem igreja", ela resolveu o problema eliminando a própria ceia, isto porque continua considerando "igreja" uma instituição organizada.

Pode esperar que essa decepção com a cristandade institucional só levará a mais erros, pois a discussão toda perde de vista o ponto principal. O que está errado não é só a maneira como os cristãos estão congregados ou organizados, mas o fundamento de tudo isso. A grande maioria dos livros e movimentos conclamando as pessoas a saírem de suas denominações e buscarem alternativas no modo de congregar-se simplesmente se propõem a buscar uma melhoria do sistema, e não abandonar de vez os fundamentos do mesmo sistema, e tampouco voltar aos fundamentos da Palavra, em especial à Pedra fundamental.

Um texto muito bom para ler é Hebreus 13. Havia todo um sistema de coisas do judaísmo às quais os cristãos-hebreus teimavam permanecer apegados. Mas o Espírito Santo diz simplesmente que Cristo não estava nesse sistema de coisas, por mais pessoas piedosas e verdades que ele pudesse incluir. Jesus tinha sido excluído dali e estava agora "fora do arraial" (o sistema organizado judaico). Hb 13:13 ordena: "Saiamos, pois, a ELE fora do arraial, levando o seu vitupério".

A questão não está em reformar o arraial, e também não se limita a sair do arraial. O ponto focal da mensagem de Hebreus está na expressão "a ELE". Trata-se de sair a Cristo. Não se trata nem de reformar, e nem de apenas sair, mas de sair a Cristo, de ter a Ele como o centro como era no princípio, quando dois ou três estavam congregados em Seu nome, para Ele, e reconhecendo a Ele somente como centro das atenções.

No monte da transfiguração os discípulos ainda tinham sua atenção dividida entre Jesus, Moisés e Elias, tanto é que se propõem a construir três tendas, uma para cada um deles. Eles colocam Jesus no mesmo plano daqueles homens e Deus precisa intervir para tirar de vez o foco deles de outros e concentrá-lo em Jesus.

Mc 9:7-8 "E desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e saiu da nuvem uma voz, que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi. E, tendo olhado ao redor, ninguém mais viram, senão Jesus com eles".

Não se trata de "sair da igreja" porque isso que existe por aí não é igreja. Igreja foi, é, e continuará sendo o Corpo de Cristo, o conjunto indivisível e indenominado de TODOS os salvos por Cristo. E a expressão local e visível dessa igreja (é um equívoco pensar numa "igreja invisível", mesmo porque os salvos são perfeitamente visíveis neste mundo) são dois ou três reunidos em nome de Jesus, nos moldes que Ele determinou em Mateus 18. Qualquer leitor atento verá que o texto ali não está tratando de dois ou três cristãos batendo papo durante o cafezinho, mas de algo solene que até mesmo envolve a ação de ligar e desligar, ou seja, inclui responsabilidades, governo e juízo.

Resumindo, existe hoje um sistema, que se denomina "igreja" e não é, e um movimento de repúdio a essa "igreja" visando reformar tudo isso para criar algo alternativo e melhor que também não será "igreja". Eu estou fora de um e de outro, porque nada disso é o que encontro em Hebreus: sair a Jesus.

Qualquer denominacional protestante se sente ofendido quando dizemos que sua igreja não é a igreja da Bíblia, como também fica ofendido o católico se negarmos à igreja católica o status de "igreja". O que não percebem é que, ainda que seus respectivos sistemas e organizações não sejam a igreja e nem a representem, eles próprios, os indivíduos que crerem, são membros da Igreja. Negar às organizações o status de igreja não é negar aos seus membros o status de membros do corpo de Cristo. Se todas as organizações humanas chamadas igrejas desaparecessem neste exato momento, a Igreja continuaria existindo de forma visível no conjunto de membros do corpo de Cristo e onde dois ou três estivessem congregados em nome de (e para) Jesus.

De um lado temos homens historicamente organizados, e de outro temos homens tentando se reorganizar. Mas a pergunta é: Onde está Jesus para eu sair a ele? O cristão sincero encontrará a resposta se fizer a pergunta ao próprio Senhor, como os discípulos fizeram, e depois seguir "o homem carregando um cântaro de água" até o cenáculo. Ver http://www.respondi.com.br/2005/05/onde-celebrar-ceia-do-senhor.html

Respondendo a um irmão que perguntou sobre os recentes escândalos envolvendo o catolicismo e a pedofilia, escrevi um texto que fala do governo que deve existir na Igreja. Nele eu também abordo a questão de igrejas que não são igrejas no sentido bíblico. http://www.respondi.com.br/2010/04/pedofilia-deve-ser-julgada-na-igreja.htm

Leia também estes pontos levantados por um irmão que passou para a presença do Senhor há alguns dias: http://manjarcelestial.blogspot.com/2010/04/verdades-resgatadas-h-brinkmann.html

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Pedofilia deve ser julgada na igreja?

Sua dúvida é se a igreja católica estaria procedendo corretamente ao decidir julgar os casos de pedofilia envolvendo sacerdotes dentro da própria igreja, evitando expô-los ao público ou entregá-los à justiça comum. A dúvida, segundo você, surgiu depois de ler a passagem abaixo:

1Co 6:1-6 "Ousa algum de vós, tendo uma queixa contra outro, ir a juízo perante os injustos, e não perante os santos? Ou não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo há de ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida? Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, constituís como juízes deles os que são de menos estima na igreja? Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos? Mas vai um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos?"

A resposta vai ser um pouco mais longa do que deveria, em razão da grande confusão que armaram com termos tirados da Bíblia, como "igreja" e "sacerdote". Primeiro é preciso entender qual o significado bíblico destes termos, para depois entendermos a que julgamento o apóstolo Paulo se refere.

A palavra "igreja" nas epístolas tem dois significados. Ou é o corpo de Cristo, formado por todos os salvos, do qual o próprio Cristo é a cabeça, ou é a expressão local desse corpo, geralmente identificada nas epístolas com o nome de uma cidade ou região. Esta mesma carta do apóstolo é endereçada "à igreja de Deus que está em Corinto" 1 Co 1:2. Em Cl 1:24 o corpo de Cristo é chamado de igreja.

A igreja católica não é a igreja em nenhum desses dois sentidos, pois se trata de uma organização com sede em Roma que pretende ser universal. Além de não ser universal por não incluir todos os salvos, ela também não é a igreja que romana, ou seja, local, por também deixar de incluir todos os salvos que estão em Roma.

"Igreja Católica", "Igreja Batista", "Igreja Presbiteriana", "Igreja Assembléia de Deus" etc. são diferentes "corpos" ou corporações criadas e dirigidas por homens, que fazem o desfavor de dividir os cristãos por diferentes denominações, impedindo que sejam reconhecidos no mundo como membros do "um só corpo" de Cristo.

Rm 12:5 "assim nós, que somos muitos, somos UM SÓ CORPO em Cristo".

1 Co 10:17 "Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e UM SÓ CORPO; porque todos participamos do mesmo pão".

1 Co 12:12-13 "Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são UM SÓ CORPO, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando UM CORPO, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito".

Ef 4:3-5 "...procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há UM SÓ CORPO e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; UM SÓ SENHOR, UMA SÓ FÉ, UM SÓ BATISMO".

Além do termo "igreja" ter sido adulterado, ao ponto de significar corporações humanas, a palavra acabou também transformada em edifício de pedras ou tijolos. Daí ouvirmos expressões como "a igreja antiga foi demolida para ser construída uma nova". Algo assim jamais teria passado pela cabeça dos primeiros cristãos, tampouco pela mente do Senhor, que prometeu: "sobre esta pedra edificarei a MINHA IGREJA, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". A verdadeira igreja foi Jesus quem edificou, a igreja é dele (não do pastor fulano ou padre sicrano) e nada a pode demolir.

Outro termo que também foi adulterado é "sacerdote". Embora no judaísmo Antigo Testamento existissem sacerdotes que exerciam seus ofícios em um templo de pedras (que jamais foi chamado de igreja ou confundido com a congregação de Israel), intermediando o acesso do povo a Deus, isso não tem lugar no cristianismo.

Uma pessoa paramentada com vestes em estilo greco-romano (que é a origem do estilo das vestes litúrgicas dos sacerdotes católicos) e arvorando-se "sacerdote" é tanto uma caricatura como uma usurpação. Caricatura, por tentar imitar algo que sequer existe mais, que era o sacerdócio levítico do Antigo Testamento, usando vestes greco-romanas mais apropriadas ao culto dos deuses pagãos dos povos que as desenharam.

Na atual dispensação aprendemos que TODOS os crentes são sacerdotes e que não existe uma classe de homens mediadores entre Deus e os homens, como eram os sacerdotes hebreus. Hoje há um só homem mediador. Alguns versículos bastam para confirmar isto:

1 Tm 2:5 "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem". (Paulo diz isso eliminando qualquer outra mediação).

At 4:11 "Ele [JESUS] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos". (Pedro esclarece quem é a pedra angular sobre a qual Jesus prometeu edificar sua igreja)

1 Pd 2:5 "vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo". (Além da pedra angular, Jesus, todos os outros crentes são igualmente pedras e formam um sacerdócio santo, diz Pedro aqui).

1 Pd 2:9 "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". (Mais uma vez Pedro explica que todos são um "sacerdócio real").

Ap 1:5-6 "Àquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados, e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos". (O apóstolo João chama a todos os salvos de sacerdotes).

Ap 5:9-10 "Porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes". (Mais uma vez os redimidos pelo sangue de Jesus são chamados de sacerdotes pelo apóstolo João).

Tendo esclarecido que a igreja católica não é a igreja da Bíblia, e nem tem sua amplitude e universalidade ao ponto de incluir TODOS os membros do Corpo de Cristo, e também que os sacerdotes católicos não são sacerdotes (exceto aqueles que individualmente tenham sido salvos pela fé em Jesus), resta esclarecer sua pergunta sobre os casos de pedofilia.

Não é preciso ser muito observador para concluir que esse aspecto endêmico que a pedofilia possui entre os membros do clero católico é uma consequência da proibição do matrimônio. Paulo era celibatário por vontade própria, mas ele mesmo sabia que era melhor casar-se do que abrasar-se (1 Co 7:9), o que ele teria feito se assim desejasse. Não haveria impedimento algum para continuar exercendo seu trabalho missionário. Afinal, o próprio apóstolo Pedro era casado e nos evangelhos vemos sua sogra sendo curada por Jesus.

Uma das características dos apóstatas descritos por Paulo em 1 Timóteo é a proibição do casamento: "Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento". 1Tm 4:1

Voltando à sua dúvida, a passagem que fala de julgar as questões internamente entre os irmãos em uma assembléia local se refere a demandas entre irmãos, não a crimes. Veja que o texto fala de "uma queixa contra outro", não de um crime previsto pelas leis do país. Por isso refere-se a "julgar as coisas mínimas... as coisas pertencentes a esta vida... negócios..." etc.

Embora na época a pedofilia não fosse crime, pois era aceitável na sociedade greco-romana que homens casados mantivessem crianças como escravas sexuais, qualquer imoralidade era abominável entre os cristãos. Aqueles que estudaram história sabem que as leis que existem hoje condenando a pedofilia são uma consequência direta da influência cristã no mundo, inclusive entre os povos de religiões orientais ou mesmo no mundo islâmico, onde a pedofilia era tolerada até o início do século 20.

Ao contrário dos povos do passado no ocidente e oriente, em nossa sociedade moderna pedofilia é crime, portanto seus praticantes devem ser julgados pela justiça comum, e a doutrina dos apóstolos dada à igreja é clara também neste sentido.

A primeira providência de uma igreja ou assembléia local que descobrisse algum pecado grave entre os que estavam em comunhão seria excluí-lo da comunhão (excomungá-lo). Isso é tratado em 1 Coríntios 5 para um caso de imoralidade envolvendo relações sexuais entre um homem e sua madrasta. Esse julgamento, que visa a exclusão de assembléia local, não tem valor legal.

Uma vez expulso o culpado, ele nada mais tem a ver com a assembléia ou igreja em seu aspecto governamental de "casa de Deus" (ele é expulso da comunhão, não do corpo de Cristo, pois ninguém tem poder seja para fazer alguém membro da Igreja ou excluí-lo dela). Daí em diante ele não tem mais qualquer ligação com os irmãos e nem os irmãos com ele. Se ler o texto verá que ele fica numa situação pior do que um mero incrédulo, pois o apóstolo exorta os irmãos a nem se sentarem à mesa de refeições com tal pessoa. Com incrédulos a restrição não existe.

Se Deus manda tratar com tal rigor um caso de imoralidade entre adultos responsáveis e concordes, imagine com que rigor deveria ser tratada a imoralidade envolvendo um adulto e uma criança inocente, indefesa e coagida.

1Co 5:9-13 "Já por carta vos tenho escrito que não vos associeis com os que se prostituem; isso não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas, agora, escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais. Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julgais vós os que estão dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. TIRAI, POIS, DENTRE VÓS A ESSE INÍQUO".

Se a igreja católica fosse realmente uma igreja no sentido bíblico, não só expulsaria o pedófilo, como o entregaria às autoridades. Mas, como já demonstrei pela própria Bíblia, ela não é. (Veja esta notícia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u718684.shtml )

Sugiro a leitura deste link para um artigo de Olavo de Carvalho sobre a pedofilia. Embora eu não concorde com a inocentação do sistema católico que ele parece insinuar, sua análise da pedofilia na história e na sociedade atual é bastante pertinente.


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Com que frequencia voces se reunem?

Isso varia muito de assembléia para assembléia. Onde estou congregado temos às quartas feiras à noite uma reunião que começa com uma leitura de um capítulo do Antigo Testamento que é depois comentado pelos irmãos que ministram. Poderíamos classificá-la como uma reunião de ministério da Palavra. Em seguida fazemos uma reunião de oração, que começa com os irmãos trazendo motivos de oração (algum irmão doente, alguma necessidade de alguém, alguma viagem na obra etc.). Não se trata de trazermos orações muito pessoais, mas aqueles motivos que envolvam a assembléia e a obra do Senhor. Eu não preciso, por exemplo, pedir orações para meu filho ir bem na prova da escola, ou para decidir que carro comprar, porque este tipo de oração eu devo fazer em casa com minha família.

Aos sábados à noite temos uma reunião de ministério da Palavra, que pode ser aberta a qualquer irmão que tenha um tema específico para ministrar, ou pode ser um estudo como o que fazemos na quarta feira, neste caso do Novo Testamento. Mesmo o "modelo" de reunião aberta de ministério pode variar de um lugar para outro. Quando é o caso de um irmão trazer um tema para ministrar, ele poderá ministrar sobre o tema boa parte do tempo da reunião, mas é conveniente sempre que ele deixe espaço para "falem dois ou três" como vemos em 1 Coríntios, e não monopolize o tempo (aqui uma reunião costuma durar de uma hora a uma hora e meia, embora em outros lugares esse tempo também varie bastante).

Geralmente aqui quando um irmão termina de falar sobre o tema que trouxe, outro poderá dar continuidade falando do mesmo tema ou capítulo, mas já estive em uma assembléia nos EUA onde vi três irmãos falarem uns quinze minutos cada um de temas e passagens completamente diferentes, cada dando o começo, meio e fim de sua mensagem. Já estive em assembléias onde as reuniões de ministério parecem mais um pingue-pongue, com um irmão fazendo um comentário rápido de uma passagem, outro continuando logo a seguir, outro concatenando o seu comentário etc. E também já vi lugares onde há um longo período de silêncio entre um e outro. Isso deve variar também em outros lugares, como na Índia, Japão, Nigéria, Malawi etc. Basta pensar na diversidade de costumes e de povos que temos no mundo para entendermos que poderão existir diferenças também em alguns detalhes das reuniões.

Geralmente começamos com irmãos sugerindo um ou mais hinos, algum irmão abrindo a reunião dando graças e pedindo a direção do Senhor e, no final também terminando com hinos e oração. Como devemos nos colocar sob a direção do Espírito, não podemos estabelecer regras, embora tudo deva ser feito com decência e ordem, como ensina 1 Co 14:40.

Aos domingos na parte da manhã temos uma escola dominical para crianças (em uma sala) e jovens e adultos (em outra). Não se trata de uma reunião da assembléia e nem tem tal carátar. São cantados hinos infantis, as crianças repetem o versículo que decoraram durante a semana. Enquanto um irmão traz algum assunto para os jovens e adultos, um irmão ou irmã cuida das crianças pequenas em outra sala ensinando a elas o evangelho e dando alguma atividade lúdica. São iniciativas dos que fazem tal trabalho, portanto é bem no estilo de um que ensina e os outros aprendem, podendo ocorrer perguntas, comentários etc.

Em seguida temos uma reunião em caráter de assembléia, que é a Ceia do Senhor. Essa não é uma reunião para orarmos por necessidades, e também não é para se ministrar a Palavra. É uma reunião de louvor e adoração, portanto as orações ao longo da reunião tem esse caráter de gratidão e louvor. Também cantamos muitos hinos, geralmente aqueles que falam da morte do Senhor. É importante também ter sabedoria na escolha de hinos, pois há hinos que se adequam mais ao louvor e adoração, outros que falam de nossas dificuldades no mundo, melhores para oração, e há também hinos evangelísticos. Não caberia ver uma assembléia de salvos reunidos para adorar o Senhor cantando "Pecador vem a Cristo Jesus..."

Na ceia do Senhor, depois de um tempo de louvor um irmão vai até a mesa onde estão os símbolos (o pão e o vinho), dá graças pelo pão, o parte e passa para os irmãos. Aqui onde estou congregado a travessa ou cesta com o pão passa de mão em mão com cada um pegando um pedaço e comendo. O mesmo é feito com o cálice de vinho. Embora possam ter visitantes numa reunião da ceia do Senhor, é importante lembrar que só participam do pão e do vinho aqueles que foram regularmente recebidos à mesa do Senhor. Os demais (e também as crianças) podem assistir, porém não participam do pão e do vinho. Em seguida é passada uma sacola também apenas aos que estão em comunhão para que coloquem nela suas ofertas que serão posteriormente utilizadas em despesas (salão, energia elétrica etc.), necessidades de irmãos enfermos ou desempregados, viagens de irmãos na obra do Senhor etc.

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O cristão deve permanecer no anonimato?

O anonimato em si não é necessariamente uma coisa boa. Pessoas escrevem cartas anônimas para não serem responsabilizados por suas palavras ou suas consequências. Quando encontramos o anonimato na Palavra de Deus, o objetivo é evitar que o cristão sucumba à vanglória.

Como a própria palavra parece dizer, vanglória pode ser entendida como vã-glória, ou a glória que não serve para nada, que não passa de vaidade. Em Romanos 3:23 vemos que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus". Ao ser separado de Deus pelo pecado, o ser humano ficou também destituído da glória daquele que o criou.

Restou ao homem sua própria glória, mas que glória é essa e de quê serve tal glória? A glória do homem é tudo aquilo que buscamos para preencher esse vazio de glória que existe em nós. Procuramos nos gloriar em nossos feitos, em nossa saúde, em nosso carro, em nossa casa, em nossa aparência etc. Porém 1 Pe 1:24 diz que "toda a glória do homem é como a flor da erva" que se seca e cai. Tg 4:16 diz que o homem se gloria em suas presunções e "toda glória tal como esta é maligna".

Portanto, quando vemos a orientação para fazermos as coisas anonimamente como cristãos é no sentido de evitarmos a vanglória, ou nos gloriarmos em nós mesmos, e não em Deus. É evidente que somente com a ajuda de Deus somos capazes de não nos gloriarmos naquilo que fazemos, ou de não nos sentirmos orgulhosos. Isso está de tal forma entretecido em nossa natureza que se qualquer um de nós disser que não se gloria em si mesmo está mentindo.

Neste sentido não temos um exemplo mais perfeito do que Jesus, que nunca quis atrair a atenção para si, que nunca quis ocupar lugares elevados e queria que apenas o Pai fosse glorificado em tudo o que fazia aqui. Ele não se gloriava em si mesmo, mas em Deus. Este deve ser também o "gloriar-se" do cristão também:


1 Co 1:30 "Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção; para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor".

O apóstolo Paulo repete a mesma exortação ao falar da obra do evangelho em 2 Co 10:16. Ele não pretendia se gloriar no trabalho que outros tinham feito antes dele, e conclui que "não é aprovado aquele que se recomenda a si mesmo, mas sim aquele a quem o Senhor recomenda. Mas, agora, vos gloriais em vossas presunções; toda glória tal como esta é maligna".

O Senhor Jesus criticou os fariseus em Mt 23:5 por fazerem "todas as obras a fim de serem vistos pelos homens... e o serem chamados pelos homens: — Rabi, Rabi. Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos".

Nesta passagem ele mostra também o erro de um cristão adotar títulos que o distingua de seus irmãos, como "Rabi", "Mestre", "Doutor", "Reverendo", "Pastor", "Padre", "Missionário" etc. Dons como pastores, evangelistas e mestres, ou ofícios como anciãos e diáconos, jamais deveriam ser usados como títulos honoríficos, como os homens costumam fazer com "Doutor Fulano" ou "Presidente Sicrano".

Nas coisas do homem está bem chamar alguém de "Doutor", "Presidente", "Mestre", porque são títulos humanos que distinguem os homens por suas posições na sociedade, mas na "sociedade" de Deus não há posições humanas.

Ainda falando dos fariseus o Senhor Jesus ensinou em Mat 6:5 que "quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa".

O erro não estava em orar publicamente, já que existem orações públicas, como as que fazemos quando reunidos ou mesmo à mesa antes das refeições. O problema estava no objetivo da oração, que era a auto-promoção. O Senhor conclui que, por ser esse o objetivo deles, já tinham sido atendidos. Se eu orar com o objetivo de ser visto, e não de me dirigir a Deus para expor minhas necessidades, terei sido atendido no objetivo (ser visto), mas não o serei nas necessidades, pois não foram elas o motivo de minha oração.

Quando ele fala da ajuda ao próximo, também exorta ao anonimato: Mat 6:3 "quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará". Creio que aqui vale também o mesmo raciocínio: se ajudo alguém com o objetivo de receber glória dos homens, é só isso que vou receber em troca.

No caso da coleta que é feita na reunião da assembléia, em 1 Co 16:2 diz que "no primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar" e em 2 Co 9:7 que "cada um contribua segundo propôs no seu coração". Embora a expressão "segundo propôs no seu coração" possa indicar um ato feito no anonimato, não se trata de uma lei ou regra. Mas faremos bem se seguirmos o princípio do evangelho: "para que fique em secreto".

Em qualquer situação, seja ao contribuir ou fazer o bem a alguém, o que o Senhor abomina é a vanglória, e não o ato em si. O melhor é fazermos essas coisas no anonimato, pois "muitos há que proclamam a sua própria bondade; mas o homem fiel, quem o achará?" Pv 20:6. Em Provérbios 16:5 diz que o Senhor detesta os orgulhosos de coração e em Tiago 4:6 Deus se opõe a eles.

Mas o que fazer quando se trata de escrever um comentário bíblico ou pregar o evangelho? Devo fazer isso no anonimato para evitar a vanglória? Evidentemente é difícil pregar publicamente mantendo-se no anonimato. Não consigo imaginar um pregador atrás de uma cortina ou falando pelo sistema de som ambiente para não se identificar.

No meu entendimento anonimato na pregação do evangelho e principalmente no ensino e comentário das Escrituras traz um sério perigo. Pessoas que falam ou escrevem anonimamente geralmente não querem ser responsabilizadas pelo que estão fazendo. Se leio um texto anônimo que contém erros graves contra a Pessoa de Jesus, a quem devo responsabilizar por isso?

Existe também o perigo da falsa humildade escondida na decisão não assinar um livro ou um texto. O argumento mais frequente é que o autor não deseja ser louvado pelo que fez, mas quer que todo louvor seja dado a Deus.

Pode parecer uma decisão muito bonita, mas eu pergunto: Quem foi que disse que aquilo seria digno de alguma admiração ou louvor? Não seria presunção do autor achar que seu trabalho viria a merecer algum louvor ao decidir que ele deveria ser dirigido a Deus?

2 Tm 3:2 "Porque haverá homens amantes de si mesmos, presunçosos..."

Tg 4:16 "Mas, agora, vos gloriais em vossas presunções; toda glória tal como esta é maligna".

O melhor mesmo é também nisto buscar a direção do Senhor, pois nem todos os que assinam seu trabalho podem estar buscando sua própria glória, e nem todos os que não assinam seu trabalho fazem isso para fugir de serem responsabilizados por algum erro. Digno de nota é o caso de Fanny Crosby, que escreveu mais de 9 mil letras hinos, muitos deles cantados regularmente por muitos cristãos, como é o caso de "A Deus demos glória", "Junto a Ti", "Quero estar ao pé da cruz" e outros.

Sua produção de hinos era tão grande, que para evitar que alguns hinários ficassem só com o seu nome em todos os hinos os editores sugeriam que ela usasse pseudônimos. Assim muitos de seus hinos foram publicados com pseudônimos com Ella Dale; Jenny V., Mrs. Jenie Glenn, Mrs. Kate Grinley, Viola, Grace J. Francis, Mrs. C. M. Wilson, Lizzie Edwards, Henrietta E. Blair, Rose Atherton, Maud Marion, Leah Carlton e outros.

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Um crente pode perder sua salvacao?

Pergunta: Lendo Romanos 9,10 e 11 onde Paulo trata tambem esse assunto da eleiçao, Romanos 11:22 fala que podemos ser cortados.

O contexto de Rm 11:22 é o contraste entre Israel e gentios como testemunho na terra. Israel foi "cortado" dos privilégios que tinha (ao menos por algum tempo) e os gentios não devem achar que isso não possa acontecer também com eles. Veja que o assunto é o testemunho coletivo, não a salvação individual. Em um certo sentido, o arrebatamento da Igreja, apesar de representar uma bênção para cada crente individualmente, é também um "corte" no sentido que o testemunho como um todo falhou. Basta vermos o estado da última igreja (Laodicéia) em Apocalipse para entendermos isso. Depois de falar de Laodicéia o apóstolo João ouve um chamado "sobe até aqui" (cap. 4)

Você escreveu que "Jesus também falou em João 15 que quem nao da fruto è cortado".  João 15 fala de dar fruto, não de salvação eterna (primeiramente a aplicação deve ser para Israel, já que ele disse isso inicialmente aos seus discípulos judeus antes da formação da Igreja). Logicamente não damos fruto a não ser quando estamos "ligados" à fonte, que é Cristo. O próprio "fogo" de que fala a passagem não é o juízo de Deus, mas circunstancial: "tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas".

Veja que 1 Coríntios também fala em fogo e mesmo assim refere-se a pessoas salvas: 1Co 3:15 "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo". Nos dois casos o que está sendo tratado são as obras ou o fruto do crente, não sua salvação. Caso contrário, no caso da figura das varas acabaríamos concluindo que a salvação é por esforço humano (permanecer em Cristo) e não por obra de Deus.

Você escreveu: "Tem muitas pessoas que aceitaram Jesus e agora vivem totalmente no pecado. Eu não acredito que eles são salvos! A bíblia fala que nem adúlteros, nem efeminados etc. herdarão o Reino de Deus".

É correta a idéia de achar que alguém não pode estar salvo porque suas obras negam a realidade de sua fé. A carta de Tiago fala disso pois está tratando das evidências da fé, e não do coração. A única forma de sabermos se alguém é salvo ou não é observando seu andar, mas mesmo assim isso não nos dá certeza absoluta. Você encontra muitos ateus e pessoas que adoram demônios vivendo vidas exemplares. Como saber?

Não dá para saber, pois não somos Deus, o único que sonda os corações. Você diria que um homem que adulterou e mandou matar o marido da adúltera para encobrir seu pecado seria salvo? E alguém que tivesse negado Jesus para salvar a pele? Davi e Pedro foram esses homens e foram salvos, portanto nunca é prudente tirarmos conclusões sobre as outras pessoas.

Além do mais, quando entendemos realmente o quanto somos pecadores e a profundidade do mal interior que existe em nosso coração, não olhamos mais com um sentimento superioridade para aqueles que exteriorizam isso em suas práticas. O Senhor ensinou que não é apenas o adultério exterior que conta, mas também o dos pensamentos. E a violência contra o próximo que é colocada em prática nada mais é do que a violência que maquinamos em nossos corações. Quem pode dizer que não peca? E, se pecamos, como podemos considerar que nosso pecado em oculto é menos grave do que o pecado de outro que é feito às claras?

Pode ter certeza de uma coisa: se não for por graça, ninguém é salvo. E se não for por graça, ninguém será capaz de permanecer salvo. Dependemos da graça e da misericórdia de Deus para nos salvar e para nos manter até que Cristo venha nos buscar.

Rom 3:9-10 "Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem sequer um".

Entenda que esse "não há um justo, nem sequer um" continua valendo para nós mesmo depois de salvos, pois não temos justiça própria que garanta nossa idoneidade diante de Deus. Dependemos da Cristo para Deus poder olhar para nós com outros olhos e nos considerar idôneos, não pelo que somos ou fazemos, mas por aquilo que Cristo é e fez para Deus.

Em suma, se tivéssemos apenas um vislumbre de como Deus vê o pecado, aí sim desistiríamos de qualquer tentativa de nos salvarmos a nós mesmos ou de nos mantermos salvos por nossos próprios esforços. Se dissermos que não pecamos, enquanto acusamos outros de serem mais pecadores do que nós, estamos incorrendo no pecado da mentira. O versículo a seguir não foi escrito para incrédulos, mas para crentes:

1 Jo 1:8 "Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós".

Quanto ao que você disse, de pessoas que aceitaram a Jesus e agora vivem totalmente no pecado, sempre cabe perguntar: Aceitaram mesmo ou apenas levantaram a mão em um culto evangélico ou se filiaram a uma religião?

Sugiro a leitura deste texto:

http://www.stories.org.br/textos/nunca.html


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O cristao deve dar dizimo ou ofertas?

No Antigo Testamento os israelitas faziam ofertas e davam o dízimo (em dinheiro ou em bens). Os recursos eram utilizados para os serviços do Templo de Jerusalém, manutenção da classe sacerdotal e também para socorrer os pobres. Na atual dispensação não encontramos o dízimo, mas encontramos as ofertas, e o destino não mudou muito: os recursos continuam sendo usados para a manutenção da obra de Deus e para socorrer os irmãos necessitados.

Escrevi algo nestes links:
http://www.respondi.com.br/2007/01/devo-dar-o-dzimo.html
http://www.respondi.com.br/2006/12/voc-dizimista.html

O que muda na atual dispensação (modo como Deus se relaciona com Seu povo) é que não temos um Templo de Jerusalém para manter, e nem uma classe sacerdotal. Mas temos necessidades na obra do evangelho, nas reuniões, no auxílio àqueles que saem para a obra e também, obviamente, nas necessidades pessoais dos irmãos mais pobres. A maneira como isso é feito está descrita aqui:

1Co 16:1-3 "Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que, por cartas, aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém".

Obviamente naquela época só existia um testemunho da Igreja ou corpo de Cristo no mundo, representado pela presença de igrejas ou assembléias locais onde essa coleta era feita entre os que estavam em comunhão. Porém, considerando a confusão em que se transformou a cristandade hoje, principalmente porque no mundo ocidental qualquer pessoa para quem você perguntar dirá que é cristã, no lugar onde estou congregado a coleta é feita apenas entre aqueles que estão reconhecidamente reunidos. Isto é, se algum visitante quiser contribuir sua oferta não será aceita por não sabermos ainda quem é aquela pessoa.

Existe um princípio bíblico para não aceitar aquilo que tenha uma origem questionável, que foi o caso de Abraão, quando o rei de Sodoma ofereceu a ele os bens resultantes da batalha e Abraão negou-se a receber qualquer coisa vinda do rei de Sodoma:

Gên 14:21 "Então o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas; e os bens toma-os para ti. Abrão, porém, respondeu ao rei de Sodoma: Levanto minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Criador dos céus e da terra, jurando que não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu, nem um fio, nem uma correia de sapato, para que não digas: Eu enriqueci a Abrão".

O contrário disso foi quando Saul venceu Agague e, ao invés de matá-lo como Deus tinha ordenado, preservou sua vida e tomou para si todos os bens e rebanhos. Foi aí que começou a ruína de Saul:


1Sm 15:9 "Mas Saul e o povo pouparam a Agague, como também ao melhor das ovelhas, dos bois, e dos animais engordados, e aos cordeiros, e a tudo o que era bom, e não os quiseram destruir totalmente; porém a tudo o que era vil e desprezível destruíram totalmente".

No entanto, um belo exemplo de obediência vemos no povo judeu no livro de Ester. Quando o rei Assuero deu liberdade ao povo judeu de revidar contra seus atacantes e também tomar todos os seus bens, inclusive os de Hamã, o agagita (descendente de Agague) em Ester 8:11 "Nestas cartas o rei concedia aos judeus que havia em cada cidade que se reunissem e se dispusessem para defenderem as suas vidas, e para destruírem, matarem e esterminarem todas as forças do povo e da província que os quisessem assaltar, juntamente com os seus pequeninos e as suas mulheres, e que saqueassem os seus bens".

Todavia os judeus apenas atacam seus inimigos, mas não tomam nada de seus bens, obecendo ao mesmo princípio que Saul havia desobedecido:

"...porém ao despojo não estederam a mão". Et 9:10, 15, 16

A coleta entre os cristãos não deve ser a única maneira de alguém contribuir com seus bens para a obra de Deus e necessidade dos santos. Existe também o exercício individual, por exemplo, ao colaborar com algum trabalho evangelístico que consideramos idôneo, ao colaborar com as necessidades de um irmão ou irmã que tenha deixado seu trabalho regular para dedicar-se exclusivamente à obra do Senhor, ou mesmo ao colaborar com algum irmão ou irmã que esteja passando por necessidades. Portanto, a coleta feita no primeiro dia da semana não é a única forma de expressarmos nossa preocupação com as necessidades do povo de Deus.

Vamos colocar as coisas de forma prática: quando vocês estiverem em comunhão à mesa do Senhor poderão ofertar durante a coleta nos lugares onde participarem da ceia do Senhor. Mas, enquanto não participam da ceia, creio que o Senhor dará a vocês discernimento de como devem agir nas muitas outras maneiras que podem ofertar. Espero que entendam que esse cuidado todo é para ficar bem longe do que a cristandade faz hoje, não só aceitando contribuições de quem quer que seja, mas principalmente pedindo por elas. Quando Abraão se encontrou com o Rei de Sodoma, disse que não queria nem mesmo uma correia de sandália vinda dele. Muitas "igrejas" hoje seriam capazes de pedir, não só a correia, mas Sodoma inteira.

Tem um artigo interessante escrito por um irmão do passado, porém está em inglês. É possível usar uma tradução capenga feita pelo Google indo neste link http://translate.google.com/ e colando o link http://www.stempublishing.com/authors/hole/Art/Liberality.html no espaço. Lembre-se de selecionar para traduzir do inglês para o português. Não fica perfeito, mas dá para entender o sentido.


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O que voce diz ser? Cristao? Protestante? Evangelico?

Sua dúvida às vezes também é a minha: O que dizer às pessoas quando perguntam qual é "minha religião"? Obviamente não posso dizer que sou batista, presbiteriano ou católico, já que não pertenço a qualquer denominação. Também não tem nada a ver eu me identificar como "calvinista" ou "arminianista", pois não sou nem de Calvino, nem de Armínio, nem "...de Paulo... de Apolo... de Cefas". Então o que eu digo que sou quando alguém me pergunta?

Isso depende muito. Um irmão que viajava visitando algumas assembléias de irmãos, distribuindo literatura e pregando o evangelho teve um problemão ao atravessar a fronteira do Canadá para entrar nos EUA (ele é naturalizado Canadense). Quando perguntado o que iria fazer nos EUA, ele ficou tentando explicar para o guarda que iria fazer uma espécie de trabalho missionário, mas não era missionário no sentido profissional da coisa e nem tinha um visto profissional, mas de turista, e que reunia numa igreja que não era igreja no sentido que o guarda entendia...

Ora, se até cristãos dificilmente conseguem enxergar além dos costumes que a cristandade impôs durante 2 mil anos, o que dizer de um desconfiado guarda de fronteira? Por pouco ele não foi preso (um irmão brasileiro estava com ele e me contou) porque parecia mais que estava tentando enrolar o guarda e escondendo o real objetivo de sua viagem.

Então o jeito é sermos simples como as pombas e astutos como a serpente. Se estou no elevador domingo de manhã e alguém me pergunta aonde vou, eu respondo que vou à igreja. Não tenho a pretensão de achar que uma viagem de elevador seja tempo suficiente para explicar que vou a uma reunião de irmãos congregados ao nome do Senhor, que é uma assembléia ou igreja, em um salão que não é uma igreja e nem um templo, mas cujas pessoas estão ali congregadas ao nome de Jesus expressando a verdade de que há um só corpo etc etc... Se tentar fazer isso as pessoas dos outros andares vão começar a bater na porta do elevador.

Se vou preencher algum formulário, posso tanto assinalar "evangélico" como "outros" no item "religião". Em algumas situações é melhor se identificar como "evangélico" ou "protestante" para se distinguir de "católico", embora tecnicamente eu não me considere evangélico ou protestante, pois evangélico pressupõe pertencer a uma denominação protestante. Além disso, dependendo da situação, quando você diz ser "evangélico" o outro imediatamente o associa àqueles vendedores de cura e prosperidade da TV.

Na maioria das vezes, quando a pessoa pergunta o que sou, digo que sou cristão convertido a Jesus em 1978 ou há trinta e poucos anos. Isso mostra que, seja lá o que o outro vai pensar, é Jesus meu foco. Levar a conversa para o nome de Jesus pode ajudar também a pegar o gancho do evangelho ou de outras verdades relacionadas à Pessoa do Salvador.

Em alguns momentos posso dizer que sou convertido a Jesus de uma maneira que deixe bem claro que não tenho quase nada a ver com meu interlocutor e suas idéias, em outros momentos posso até fazer o contrário, se o que desejo é encontrar algo em comum para podermos entabular uma conversa.

Neste sentido eu me lembro do Senhor à beira do poço em João 4, quando traz o assunto "água" à tona, pois era essa a preocupação da mulher. Ou do apóstolo Paulo em Atos 17:23, quando dentre dezenas de ídolos gregos consegue encontrar algo de positivo (o "Deus desconhecido") e a partir daí começar a pregar.

Por exemplo, se encontro um católico que se apresenta com um brilho no olhar como alguém que verdadeiramente crê em Jesus, posso dizer que "eu também me converti a Cristo há uns 30 anos". Isso permite que eu continue a conversa e tenha a oportunidade de trazer alguma informação nova a ele sobre a segurança da salvação, por exemplo. A grande maioria dos católicos e também dos protestantes acredita que pode perder a salvação. Quando não acham que o recebimento seja por mérito, ao menos consideram que o mérito seja a causa de sua conservação.

Daí ser importante detectar o que realmente quero com aquela conversa. Se vejo uma alma aflita em busca de salvação, não vou ficar falando do corpo de Cristo, de como se congregar etc. Se vejo que a pessoa já é convertida, porém não tem a certeza ou a segurança de sua salvação eterna, também não há por quê falar de outra coisa que não seja a eficácia eterna do sangue de Jesus.

Devo sempre perguntar a mim mesmo como posso ajudar aquela pessoa naquele momento, seja ela incrédula ou irmã na fé, e não adotar uma posição de fariseu que olha para todo mundo como se fossem publicanos. Devo sempre lembrar que não é o quanto uma pessoa conhece da Bíblia que importa, mas o quanto de comunhão ela tem com o Senhor. Pode ter certeza de que encontro muita gente que conhece menos da Bíblia e mais do Autor do que eu.

Existe uma linha tênue nisso tudo, pois, ao mesmo tempo que devemos estar solícitos e abertos às pessoas para atraí-las a Cristo ou ajudá-las a entender melhor a Palavra de Deus, por outro, pode ser preciso levantar um muro alto para ela perceber que estamos em terrenos completamente diferentes, ou a pessoa pode achar que estamos falando da mesma coisa.

Lembro-me de ter visto um irmão em Cristo conversando com um rapaz desconhecido sobre a igreja, o lugar de adoração etc e tal. Os dois pareciam estar concordes e conversando em terreno comum, pois o outro também dizia concordar com tudo aquilo.

Alguma coisa fez soar um alarme em mim e me intrometi na conversa. Interrompi os dois e perguntei à queima-roupa: "Você crê que Jesus é Deus vindo em carne?". Sua resposta foi não. O irmão que conversava com ele estava perdendo tempo falando de um assunto que não tinha qualquer significado ou importância para alguém que negava uma verdade fundamental: a divindade de Cristo (não me lembro se o rapaz era Mórmom ou Testemunha de Jeová).

Para resumir: Não existe uma regra de como o cristão deve se identificar. O importante é estar aberto à direção do Senhor em cada caso e principalmente evitar qualquer tipo de identificação que o coloque em posição de vanglória ou soberba em relação ao outro.

Lembre-se de que vivemos tempos difíceis e não falta muito para o próprio Deus chamar de "meretriz" aquela que deveria ter sido conhecida neste mundo como "noiva". O modo como me apresento e as pessoas com as quais me associam poderá criar a impressão nos outros, se eu sou realmente alguém que crê em Jesus como Salvador, ou apenas mais um levado pela corrente da religião cristã institucionalizada que se prostitui com os reis deste mundo.

"... a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu" Ap 18.

Para entender melhor a referência do versículo a "refúgio de toda ave imunda e aborrecível", leia em conjunto com Mateus 13:32 e Mateus 13:4, 19 para saber que refúgio é esse e que ave é essa. Veja mais também aqui:

http://www.3minutos.net/2008/10/50-semente-de-mostarda.html
http://www.respondi.com.br/2009/06/quem-e-quem-nas-parabolas.html


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Jesus morreu na cruz ou na estaca?

A técnica das Testemunhas de Jeová é a técnica dos mágicos. O mágico faz seus truques de modo a chamar a atenção do público para os movimentos da mão cujo movimento não tem qualquer importância, enquanto ele trabalha com a outra mão. Os TJ fazem isso com questões como a da cruz (que interpretam como estaca) e de alimentar-se com sangue (que interpretam como transfusão).

Na verdade até meados da década de 30, a própria logomarca das TJ era uma cruz dentro de uma coroa, como aparece na capa de sua revista "Torre de Vigia" de 1931 (veja no canto superior esquerdo da imagem abaixo).


Outras publicações também traziam figuras de Jesus numa cruz. Joseph Franklin Rutherford (o líder dessa religião na época e sucessor do fundador Charles Taze Russell) decidiu mudar a logomarca por consider errado que alguns cristãos transformassem a figura da cruz em objeto de culto. Muitos erros e heresias da cristandade têm sua origem em uma verdade, neste caso a idolatria de um objeto, Mas isso acaba se transformando num erro maior ainda e a religião precisa então inventar um modo de dar a isso uma sustentação bíblica ou histórica.

No caso da cruz é importante lembrar duas coisas. Primeiro, que a crucificação não era uma pena capital dos judeus, que apedrejavam os condenados, mas dos romanos. Há muitas referências históricas e arqueológicas que comprovam isso, inclusive ossos de condenados com escoriações ou perfurações de pregos e pernas quebradas.

Por levar alguns dias para um crucificado morrer, pois nenhum órgão vital era atingido, a condenação à morte por crucificação era, tecnicamente falando, uma condenação à morte por asfixia. As pernas do condenado eram  quebradas para ele perder o apoio e ficar pendurado. Devido à exaustão, o diafragma era incapaz de funcionar para executar o movimento da respiração.

O que pode não ser exato é a idéia que temos de Jesus carregando a cruz inteira nos ombros pelas ruas da cidade de Jerusalém o tempo todo. Embora João 19:17 fale que ele carregou sua própria cruz, os outros evangelhos complementam a cena com Simão, um homem de Cirene e pai de Alexandre e Rufus, como sendo a pessoa que os romanos obrigaram a carregar o madeiro.

Embora os céticos queiram enxergar aqui uma discordância entre os evangelhos, é comum vermos um evangelho complementar o outro, acrescentando fatos para termos uma imagem mais completa. Além disso, a fidedignidade do relato está na menção feita por Marcos do nome do homem que carregou a cruz, sua cidade de origem e quem eram seus filhos.

O moderno jornalismo exige que se mencione os nomes das pessoas relacionadas ao fato para comprovar sua veracidade. Como o evangelho foi escrito no tempo de vida das pessoas que testemunharam a cena, quem lesse na ocasião não poderia contestar por saber que os personagens citados podiam muito bem confirmar a história.

De qualquer modo, Cireneu e Jesus não devem ter carregado a cruz inteira, mas apenas a travessa superior. O condenado tinha suas mãos ou os pulsos pregados nessa travessa que era depois içada e presa a uma estaca fincada no solo. Dizer que alguém morreu "levantado", "na cruz", "no madeiro" ou "na estaca" pode estar igualmente correto neste sentido.

A questão se os pregos foram cravados nos pulsos, para o corpo poder ser sustentado pelos ossos carpais, ou se foram cravados nas mãos, cujos tecidos são incapazes de sustentar um corpo, não é importante. Os romanos podiam sim cravar as mãos e amarrar os braços, resolvendo o problema da sustentação.

A mão de mágico dos Testemunhas de Jeová tenta esconder o fato principal, que é a cruz, não a de madeira, mas o significado do sacrifício de Jesus para nos purificar de todos os nossos pecados. É essa a verdadeira "cruz" que os Testemunhas de Jeová negam quando pregam uma salvação baseada em obras e na filiação à sua sociedade e observância de suas regras.

Todavia, a cruz de Cristo, à qual Paulo e os outros apóstolos iriam se referir depois em Atos e nas epístolas era a obra de Jesus, mesmo porque o pedaço de madeira não teria em si mesmo qualquer poder mágico e nem deveria ser cultuado.

No link abaixo você encontra algo mais que escrevi sobre as Testemunhas de Jeová e suas doutrinas. A "mão de mágico" daquela organização procura esconder, não só o valor eterno e suficiente do sacrifício de Cristo para o pecador, mas esconde também o fato de Jesus ser Deus, o mesmo único Salvador do qual Jeová fala em Isaías 45:18-23.

Aqui vai, portanto, o que "a mão de mágico das Testemunhas de Jeová" quer realmente esconder quando chama a atenção dos incautos para questões como a da estaca X cruz. Compare o que o Antigo Testamento diz de Jeová com o que o Novo Testamento diz acerca de Jesus:

Is 45:18 "Porque assim diz o SENHOR (JEOVÁ) que tem criado os céus, O DEUS QUE FORMOU A TERRA, E A FEZ; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR (JEOVÁ) E NÃO HÁ OUTRO.

Jo 1:1-3 "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e O VERBO ERA DEUS. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e SEM ELE NADA DO QUE FOI FEITO SE FEZ".

Is 45:21 "Quem desde então o anunciou? Porventura não sou eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus senão eu; Deus justo e SALVADOR NÃO HÁ ALÉM DE MIM""

Lc 2:11 "Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje O SALVADOR, QUE É CRISTO, O SENHOR".

Is 45:22 "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; PORQUE EU SOU DEUS, E NÃO HÁ OUTRO".

1Jo 5:20 "E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. ESTE É O VEDADEIRO DEUS e a vida eterna".

Is 45:23 "Por mim mesmo tenho jurado, já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás; que DIANTE DE MIM SE DOBRARÁ TODO O JOELHO, E POR MIM JURARÁ TODA A LÍNGUA".

Rm 14:10-11 "Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que TODO JOELHO SE DOBRARÁ A MIM, E TODA A LÍNGUA CONFESSARÁ A DEUS". (Paulo falando de Jesus e citando Isaías)

Fp 2:10 "Para que ao nome de Jesus SE DOBRE TODO O JOELHO DOS QUE ESTÃO NOS CÉUS, E NA TERRA, E DEBAIXO DA TERRA, E TODA A LÍNGUA CONFESSE QUE JESUS CRISTO É SENHOR, para glória de Deus Pai".

Veja mais sobre as Testemunhas de Jeová aqui:
http://www.respondi.com.br/2005/06/o-que-so-as-testemunhas-de-jeov.html

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