As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como devemos nos congregar? Parte 2



https://youtu.be/WnzlPUo5PNo

Voltando ao nosso tema da mensagem anterior, que é como devemos nos congregar, é sempre bom lembrar que já não estamos nos dias de Atos, portanto não espere grandes coisas, como o chão tremer quando se reunirem para orar. E nem acredite ser hoje possível dividir suas posses com os irmãos como faziam os primeiros cristãos, pois hoje você precisaria dividi-las com todos os irmãos da igreja que está em sua cidade, e a igreja que está em sua cidade é, biblicamente falando, composta por todos os crentes que vivem aí.

Quando você lê os livros de Esdras e Neemias percebe que as coisas são muito pequenas em relação ao que tinham sido no passado. Até mesmo o templo reconstruído era uma triste maquete, se comparado ao original. Por isso, enquanto os jovens se alegravam, os velhos choravam (tinham conhecido o anterior). Não espere grandes coisas neste tempo igualmente de ruína.

Às vezes você percebe longos períodos de silêncio dos irmãos durante uma reunião, mas creio que existe no silêncio uma expressão de dependência, de esperar que o Senhor indique quem deve falar e o que falar, ou quem deve orar ou sugerir um hino. Mas não espere alguém afirmar que escutou Deus trovejando do céu ou o Espírito Santo sussurrando em seu ouvido para escolher o hino tal ou ler a passagem tal. Quando falamos de direção do Espírito na reunião da assembleia não estamos falando de alguma espécie de experiência mística.

Quando buscamos na Palavra encontramos que os discípulos do Senhor também cantavam hinos (os próprios Salmos eram hinos) e na época deviam ler do Antigo Testamento ou falar passagens de memória, além de lerem as cartas dos apóstolos (como vemos o próprio Paulo estimular tal prática em Cl 4:16). Havia também profetas no início, pois não tinham ainda o Novo Testamento, e estes falavam da parte de Deus. Hoje não temos esse mesmo tipo de revelação espontânea, por isso dependemos da Palavra escrita de Deus, e mesmo quando a lemos ou comentamos é bom que isso seja feito em reverência. Se minha forma de expressar reverência for esperar alguns minutos antes de abrir a boca, não creio que seja algo ruim.

O fato de se usar um hinário específico é uma decisão da assembleia local. Nos países de língua inglesa os irmãos com os quais estamos em comunhão usam um hinário chamado Little Flock; nos de língua espanhola "Mensajes del amor de Dios" e em outro países outros hinários ou compilações próprias de hinos selecionados como apropriados. Não existe uma "sede central", "ministério" ou "casa publicadora oficial" que publique o hinário que todos devem usar. Se os irmãos de uma assembleia em uma localidade decidirem cantar outros hinos, é uma decisão deles, embora isso possa dificultar para visitantes de outras assembleias.

No Brasil, depois de procurar por um hinário apropriado, os irmãos decidiram criar um com uma seleção de hinos traduzidos do inglês e do espanhol, além de outros que já existiam em antigos hinários em português. A razão disso é que muitos hinários em português usados nas denominações têm erros doutrinários nas letras dos hinos. Além disso, boa parte deles mistura indistintamente hinos evangelísticos com hinos de adoração, e alguns ainda trazem o Hino Nacional, Hino à Bandeira, e coisas do tipo. Como não há um "pastor" à frente das reuniões e os irmãos é que sugerem os hinos, sempre poderia acontecer de um irmão menos informado sugerir para a assembleia cantar um hino de evangelismo (tipo "pecador vem a Cristo Jesus") quando estivessem reunidos para adorar o Senhor na ceia, ou quem sabe até, numa situação extrema, alguém sugerir que cantassem o Hino Nacional!

No que diz respeito ao ministério da Palavra, mais uma vez lembre-se de que estamos em tempos de ruína. Há muitos dons em cada cidade onde há cristãos, mas o problema é que estão espalhados nas diferentes denominações. Por isso em qualquer assembleia reunida somente ao nome do Senhor você encontrará essa carência, porque Deus não distribui os dons de acordo com cada grupo de cristãos, mas a todos sem distinção. Às vezes somos obrigados a fazer o trabalho de um dom que nem é o nosso, em razão dessa deficiência, como parece ser o caso quando Paulo diz a Timóteo para fazer o trabalho de um evangelista. Mesmo assim é prudente ter a direção do Espírito em tudo.

Na última carta de Paulo, que é a que escreve a Timóteo e é também aquela em que diz que todos o abandonaram (e onde fala também da grande casa onde há vasos de honra e desonra), ele diz a Timóteo: 2Tm 4:5 "Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério". Provavelmente Timóteo não tivesse o dom de evangelista, daí Paulo precisar admoestá-lo a fazer a obra de um evangelista.

Veja que o reconhecimento dessa fraqueza na cristandade como um todo é também característico daqueles congregados ao nome do Senhor. O contrário seria acreditar que estamos falando de um grupo que é suficiente em si mesmo, com todos os dons necessários etc. Acaso não é esse o espírito das denominações com seus próprios pastores, evangelistas e mestres? Todavia o Senhor distribuiu esses dons à igreja como um todo, e não a uma organização ou reunião local.

Por mais que nos alegremos de poder estar congregados somente ao nome do Senhor, dando testemunho do "um só corpo" na prática, mesmo assim devemos nos humilhar sabendo que estamos na mesma condição de Laodicéia (Ap 3): nos achamos ricos e abastados e sem necessidade de coisa alguma.

Continuarei com este assunto na próxima mensagem. Clique aqui para continuar...

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