As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Efeso, Corinto ou Tiatira nao eram denominacoes?



https://youtu.be/PJld2OPbKac

Os nomes das igrejas no Novo Testamento, que você chamou de "denominações", não eram denominações como são as organizações eclesiásticas de hoje. Os nomes que encontra na Bíblia são apenas identificações geográficas das regiões, cidades ou lugares específicos onde a igreja (o corpo de Cristo) estava reunida. Em algumas situações é a casa de alguém que é usada para identificar a igreja:

Rom_16:5 Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acáia em Cristo.

1Co_16:19 As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Áquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa.

Col_4:15 Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa.

Obviamente isso já elimina a ideia de que os cristãos usavam os nomes das cidades como diferentes denominações eclesiásticas. As igrejas que encontramos no Novo Testamento NUNCA ERAM INDEPENDENTES umas das outras, mas eram interdependentes. Um irmão que estivesse em comunhão em Éfeso podia viajar a Corinto levando uma carta de recomendação e era recebido à comunhão ali.

Não existia uma igreja que não estivesse dentro dessa esfera de comunhão, e quando vemos um embrião de divisões acontecer em Corinto, isso é logo chamado de "carnalidade" por Paulo. Em Corinto eram pessoas se colocando de vontade própria sob a direção de homens conforme suas preferências, e em 3 João era um homem se colocando como líder máximo para aceitar ou recusar pessoas à comunhão.

1Co 1:11-13 Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?

1Co 3:3-4 Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?

3Jo 1:9-10 Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja.

O mundo religioso cauterizou de tal maneira a mente das pessoas que é difícil alguém enxergar cristianismo hoje sem pensar logo em diferentes denominações, com seus papas, presidentes, bispos, padres, pastores (no sentido de cargo), missionários etc. como organizações estanques. No entanto isso NUNCA é encontrado nas Escrituras.

Para entender a igreja, pense no exército brasileiro. Quantos exércitos há no país? Um apenas. Mas e aquele quartel ou Tiro de Guerra que há em sua cidade? Ele não é um outro exército, mas apenas a expressão local do único exército. Aquele quartel está sob a mesma direção geral, seus soldados compartilham da mesma doutrina militar de todos os outros quartéis do país e ninguém jamais ousaria dar àquele quartel o status de um exército independente, ou seria preso por isso.

As questões culturais que você mencionou obviamente existem, mas não são motivo para divisões. Estou em comunhão com irmãos em todo o mundo que estão congregados somente em nome de Jesus, sem denominação, sem templo, sem clero, sem dízimos, sem "pastores" (no sentido de um líder local), e mesmo assim falamos as mesmas coisas.

As diferenças culturais ficam por conta de detalhes, como de irmãs no Brasil que cobrem a cabeça com um véu ou um lenço, e irmãs em aldeias nas montanhas da Bolívia que usam chapéu coco, segundo a tradição indígena. Mas para o olho simples, isso são costumes locais e não diferenças doutrinárias. Os irmãos no Japão tiram os sapatos ao entrarem na reunião, e em Butão eles são obrigados a cruzar a fronteira com a Índia para poderem se reunir sem serem presos. Os indianos têm seu próprio modo de vestir, assim como os do continente africano. Mas todas as assembleias estão em comunhão.

Fico contente que esteja gostando do livro "A ordem de Deus" de Bruce Anstey, mas saiba que a grande maioria dos irmãos congregados em nome do Senhor no mundo provavelmente nunca ouviu falar desse livro ou de seu autor. Ele é apenas um irmão do Canadá que trabalha como representante comercial e nas hora vagas se propõe a ensinar, usando o dom que o Senhor lhe deu.Como eu disse, a influência da cristandade denominacional é tão grande que você logo achou que o autor do livro fosse algum tipo de guru ou líder seguido pelos irmãos que congregam da forma como ele descreve em seu livro.

Sugiro que passe uma borracha em tudo o que aprende ou vê nos sistemas que os homens inventaram e volte a ler o Novo Testamento em oração, em especial a doutrina dos apóstolos que encontra nas epístolas. Depois compare com o que vê ao seu redor e verá o quanto de invenções os homens introduziram na cristandade, afastando-se mais e mais do propósito da igreja na terra. Não deixe de comparar com a Bíblia também o livro que citou, pois como todo escrito de homens pode ter seus erros. Seja como os irmãos de Bereia, que queriam conferir se as coisas que lhes falavam eram de fato assim. Onde conferiam? Nas Escrituras.

Finalmente, vou comentar apenas uma frase de seu email: "Se ficarmos a nos ater a esses detalhes, não haverá assim um desvio do foco que é a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo?"

Primeiro, nunca considere um mero "detalhe" alguma doutrina dada à igreja. Não temos autoridade para decidir o que devemos seguir e o que não devemos seguir dos ensinamentos que o Senhor nos deu por intermédio dos apóstolos. Foi por considerarem esses ensinos  meros "detalhes" que a cristandade adotou suas próprias maneiras que em muitos casos contrariam completamente o ensino da Palavra.

Além disso, o foco dos crentes quando congregados como igreja ou assembleia não é a salvação, pois isso eles já receberam de graça quando creram em Cristo. O propósito da igreja não é pregar o evangelho, mas adorar a Deus. Deus busca adoradores, mas evangelistas é o Senhor quem os dá. São os evangelistas que têm o propósito e a responsabilidade de saírem pelo mundo buscando pecadores perdidos e eles não precisam ser enviados por homens para cumprirem essa missão. O autor da "grande comissão" é o próprio Senhor da seara, e não uma "junta de missões", "pastor" ou "igreja". Quando os pecadores se convertem eles passam a fazer parte da igreja, que é o corpo de Cristo, e aí cumprem o que Deus queria que eles fossem: adoradores.

Joã 4:23-24 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

Efs_4:11 E ele mesmo deu uns para... evangelistas,

Este é um outro erro no qual a cristandade caiu. Na maioria das denominações cristãs raramente você encontra uma reunião para adoração. Geralmente são pregações do evangelho invariavelmente terminando com um convite para que os pecadores se arrependam e creiam no Senhor. Obviamente isso é muito bom, pois o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, mas e os adoradores que Deus busca? Quando eles se reúnem para adorar? Alguém poderá dizer que é quando a denominação contrata a cantora fulana ou a banda sicrana para o "culto de louvor e adoração", mas neste caso nem vale a pena comentar...

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