As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Se Jesus nao podia ser apedrejado por que apedrejaram Estevao?



https://youtu.be/TlVIzRvPB40

Sua dúvida também já foi a minha: Por que os judeus não podiam aplicar uma sentença de morte por apedrejamento em Jesus, por estarem sob o domínio romano, sendo que apedrejaram Estêvão? É fato que os judeus não tinham autonomia para aplicar a pena de morte, por estarem sujeitos à autoridade romana, mas também é fato que mesmo em nossos dias o linchamento ilegal é praticado em todo o mundo. Acredito que podemos chamar o caso de Estêvão, não de pena de morte, mas de linchamento.

Jesus também escapou de ser linchado, se é que podemos chamar assim a pena de morte por apedrejamento aplicada (ilegalmente na época) pelos judeus. Houve pelo menos uma ocasião quando tentaram apedrejar Jesus, porém ele desapareceu de diante deles. A sua hora de morrer ainda não havia chegado, e quando chegasse tudo se cumpriria exatamente conforme as profecias do Antigo Testamento.

Joã 8:59 Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

Joã_8:20  Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora

Considerando a notoriedade do Senhor, obviamente os religiosos tinham medo de lhe fazer qualquer mal.

Mar 12:12 E buscavam prendê-lo, mas temiam a multidão; porque entendiam que contra eles dizia esta parábola; e, deixando-o, foram-se.

Estêvão, ao contrário, não tinha a notoriedade de Jesus. Além disso, na ocasião da sua morte o povo já tinha mudado de opinião a respeito de Cristo e do cristianismo. Lembre-se de que não só os religiosos, mas todo o povo pediu a Pilatos a crucificação de Jesus apenas 5 dias depois de ele ter sido recebido triunfalmente em sua entrada em Jerusalém. Tudo isso obviamente era Deus permitindo que a rejeição do Messias se concretizasse.

Vemos também que Paulo foi apedrejado e só não morreu porque pensaram que já estivesse morto. Apesar de estar em uma cidade da Grécia, ali também era território do Império Romano, portanto sujeito às leis de Roma. Podemos considerar o caso de Paulo como um linchamento popular incitado pelos judeus dali, e não uma condenação formal e legal:

Ats_14:19  Sobrevieram, porém, uns judeus de Antioquia e de Icônio que, tendo convencido a multidão, apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto

Portanto, resumindo a resposta à sua pergunta, uma condenação formal só poderia ser executada pela autoridade romana, e no caso a morte seria ao modo romano, por crucificação. Quando alguém morria por apedrejamento, isso não tinha sido uma condenação legal e formal, mas um ato de linchamento, portanto ilegal.

Tiago, irmão de João, deve ter sido morto também de forma ilegal, à espada (At 12:2), apesar da ordem ter partido do rei Herodes (os reis da época eram marionetes de Roma). Se isso foi feito às claras ou não, obviamente Herodes, sendo uma autoridade, podia argumentar que Tiago resistiu à prisão. Lembre-se de que angariar falsas testemunhas sempre foi uma prática comum em todas as épocas.

O próprio Paulo, que de caçador virou caça, provavelmente mandava prender os cristãos e mandá-los à morte usando de subterfúgios legais, como discípulos daquele que dizia-se rei dos judeus, portanto um disseminador de uma oposição a César.

Ats 26:9-11 Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; O que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui

Que os cristãos presos pelos guardas judeus por razões religiosas eram depois "legalmente" mortos pelos romanos nós vemos pelo fato de eles terem sido transformados em entretenimento nas arenas romanas, quer como escravos gladiadores, quer como meras vítimas para serem despedaçadas pelos animais selvagens.

A popularidade dos "reality shows" e o incremento da brutalidade em esportes como as lutas marciais mistas (UFC), podem muito bem ser o embrião do que será a perseguição do remanescente judeu durante a tribulação. Um cenário assim pode ser visto em várias obras de ficção, como no filme "A Noite dos Desesperados" ("They shoot horses, don't they?") e no livro "Jogos vorazes" ("The hunger games"). O homem tem sede de sangue pois é homicida desde o princípio, como o príncipe deste mundo.

Joã_8:44 Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele.

Mas voltando à sua pergunta, eu diria que é significativo vermos que, apesar de todas as tentativas dos judeus de matarem o Senhor Jesus à maneira deles, nada lhe aconteceu até que a sua hora tivesse chegado e ele fosse morto exatamente do modo como havia sido previsto pelos profetas (Sl 22, Is 53 e outros).

Ats 4:24-28 E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs?  Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer

A incapacidade dos judeus de atentarem contra a vida de Jesus, a não ser sob a permissão de Deus, mostra que nem eles, e nem Pilatos, podiam fazer qualquer coisa se isso não estivesse determinado por Deus. Quando Pilatos soube disso, ele até tenta driblar o poder e autoridade de Deus querendo soltar Jesus, mas não consegue.

Joã 19:10-12 Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem. Desde então Pilatos procurava soltá-lo.
por Mario Persona

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