As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O assunto da epistola e' a evangelizacao?



https://youtu.be/9M1GhkWoEUc

Recebi seu email e percebi sua preocupação em tentar interpretar 1 Coríntios sempre do ponto de vista da evangelização. Não é este o assunto ali. Entenda que a atividade maior do crente não é pregar o evangelho, mas adorar a Deus. Deus busca adoradores; evangelistas ele dá (Jo 4:23; Ef 4:11). Portanto, a carta aos Coríntios é uma carta a crentes, à igreja, dizendo como devemos nos comportar principalmente para a edificação uns dos outros. Em algumas partes Paulo menciona o testemunho aos incrédulos, ou mesmo como os próprios Coríntios foram evangelizados no princípio (1 Co 15), mas não é o assunto principal da carta.

Quando você está numa denominação, é dada uma ênfase enorme na pregação do evangelho porque as pessoas simplesmente não sabem o que fazer se não estiverem pregando o evangelho. Há lugares em que o pregador se sente frustrado quando não vê incrédulos na audiência. Nesses lugares todos são o tempo todo exortados a saírem pregando, são feitas campanhas missionárias (não que essas coisas não sejam boas) e até mesmo quando estão reunidos, dependendo do dom daquele que ministra, tudo o que ouvem é o evangelho. Em muitos lugares onde o que prega tem o dom de evangelista, as pessoas padecem de desnutrição ou não saem nunca do leite para o alimento sólido (1 Co 3:2).

Mas veja que quando celebramos a ceia do Senhor, não estamos pregando o evangelho a incrédulos, mas adorando a Deus e recordando a morte de Cristo. Se podemos chamar assim, trata-se de uma atividade vertical, de baixo para cima, dos homens para Deus, pois é adoração e louvor (aqui alguns terão dificuldade de entender a que estou me referindo porque as palavras "adoração" e "louvor" ganharam o significado de shows de bandas evangélicas).

Quando estamos orando em assembleia, não estamos pregando o evangelho, mas falando com Deus e colocando diante dele nossas necessidades. Mais uma vez temos uma atividade com sentido vertical, de nós para Deus quando nossas orações sobem à presença do Pai.

Quando estamos pregando ou ouvindo o ministério da doutrina dos apóstolos, não estamos pregando o evangelho porque nossos irmãos já são convertidos, e quem está ministrando não está pregando a incrédulos, mas a crentes. Trata-se de uma atividade também vertical, pois é a Palavra que o Espírito Santo de Deus traz através dos irmãos que ministram que será distribuída entre os santos, como os pães que o Senhor multiplicou e depois deu aos discípulos para que distribuíssem entre a multidão. Numa reunião assim não existe o apelo para que o pecador se converta, pois a Palavra é dirigida a crentes.

Obviamente em todas essas atividades a obra de Cristo é colocada sob os holofotes, porque tudo começa ali, e a Palavra de Deus continuará sendo o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Se um incrédulo escutá-la poderá ser convencido pelo Espírito Santo e se converter. Mas não é o incrédulo a ocupação dos crentes que ministram na assembleia, e sim Deus, na adoração, e nossos irmãos, pelos quais intercedemos em oração, e no ministério da Palavra para edificação exortação e consolação dos crentes.

Repare que os primeiros cristãos não se reuniam em assembleia ou igreja para pregar o evangelho; eles se reuniam para adorar a Deus, ter comunhão, orar e aprender da Palavra. A evangelização não é uma atividade da igreja ou assembleia, mas da pessoa que evangeliza. Até mesmo o batismo é uma responsabilidade e atividade de quem prega o evangelho, e não da igreja ou assembleia, como se fosse uma responsabilidade institucional.

Ats 2:42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. (percebe que o evangelismo não aparece aqui?)

Ats 8:38 E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.

Veja mais aqui: http://www.respondi.com.br/2010/03/igreja-nao-evangeliza.html

por Mario Persona

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