As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O batismo por aspersao e' valido?



http://youtu.be/PYRC8H5C4ss

Não vejo qualquer problema. A ênfase do batismo está no que significa, e não propriamente no modo como é feito. Paulo batizou o carcereiro e sua família sem indicar como foi feito tal batismo. Muitos cristãos do primeiro século devem ter sido batizados nas prisões usando dos meios e condições disponíveis. Se perguntasse a um muçulmano se ele não veria problema em eu batizar seu filho em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo tenho certeza de que ele iria se opor, independente se o batismo fosse por imersão ou aspersão. No entendimento de um muçulmano uma pessoa batizada se torna cristã, um entendimento que infelizmente muitos cristãos não têm.

Batizar é uma ordem que foi dada a quem batiza, portanto fica a critério deste como proceder, desde que seja com água, muita ou pouca. Quando meu avô estava morrendo de câncer os membros de uma determinada igreja evangélica, levados à sua casa por uma empregada que pertencia àquela denominação, queriam transportar meu avô até uma piscina e imergi-lo nas águas. Obviamente a família não permitiu, pois seu ventre estava aberto e cheio de tubos. Para aqueles "crentes" ele não seria salvo a menos que passasse pelo batismo da "igreja" deles.

Outro exemplo: a ceia do Senhor biblicamente falando é realizada com pão e vinho, porém em uma conferência nos EUA que participei os irmãos precisaram usar pão e suco de uva, por terem alugado o salão de uma escola e lá ser proibido entrar com bebida alcoólica. Então, excepcionalmente, a ceia foi realizada daquele modo, mas não deixou de ter o mesmo significado. Vou traduzir abaixo alguns textos escritos por irmãos do século 19 e início do século 20 que poderão ajudar na compreensão do assunto:

"Quanto à imersão, por causa de 1 Coríntios 10 eu fico um pouco em dúvida se o batismo seria exclusivamente por imersão, mas não creio que originalmente ele tenha sido praticado por aspersão. No sistema (religioso) inglês, no início, a aspersão era permitida em caso de comprovada fragilidade da criança. No sistema grego a aspersão não é permitida de modo nenhum. Sepultado e morto é a ideia que traz a imersão, ao menos no sentido de se entrar na água e então ser coberto ou tê-la derramada sobre a cabeça, como aconteceu no mar e pela nuvem. Mas eu não repetiria um batismo feito com a intenção correta, só em função da quantidade de água utilizada ter sido muita ou pouca" J. N. Darby - Letters Vol. 1, number 253.

"A força do termo 'batismo' no Novo Testamento não depende nem um pouco da maneira como é realizado. Quando, no caso de Israel, 'todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar' (1 Co 1:10) eles não foram imersos nem numa ocasião, nem na outra, e tentar fazer a passagem significar que tivessem sido (imersos) seria absoluta tolice. Daquela maneira maravilhosa eles foram retirados de seu passado no Egito e introduzidos na escola de Moisés, tendo sido tal admissão acompanhada de uma maravilhosa lição do poder e majestade de um Deus Salvador...

"Quanto à maneira do batismo, alega-se que deve ser por imersão por causa do significado original da palavra que traz a ideia de sepultamento que sempre demos à mesma. Todavia, o fato de as cerimônias [judaicas] de aspersão mencionadas em Hebreus 6:2 serem chamadas de batismos destrói o argumento geralmente feito de que apenas a imersão pode ser chamada de batismo. Também fica evidente que a palavra é usada em outras ocasiões onde não ocorreu imersão, como no caso do Mar Vermelho, e que a ênfase é colocada não sobre a maneira, mas sobre seus efeitos. Eu creio que seria impossível provar de vez que o modo bíblico seria a imersão, e muito menos que é disso que tudo depende.

"Não existe um mandamento para todos serem batizados, como se fosse imperativo que cada crente por si mesmo tivesse a iniciativa de se batizar. O mandamento universal é dado apenas ao que batiza, deixando margem para ser aplicado de maneiras diferentes em diferentes casos. 'Quem crer e for batizado' é acrescentado à ordem de pregar o evangelho, que é o assunto; mas alguém que tenha sido batizado na infância e depois venha a crer já possui estes dois requisitos (crer e ser batizado). Que a ênfase está em crer no evangelho fica claro pela conclusão da passagem, 'quem não crer será condenado'. Ninguém aplicaria isto às crianças.

"O fato de o batismo não ser para se entrar na igreja demonstra que não tem a ver com a casa de Deus, que é a igreja. Também demonstra a razão porquê uma diferença de interpretação acerca disso não poder excluir alguém da mesa do Senhor, a qual é o sinal de membresia no 'um só corpo' de Cristo (1 Co 10:17). O batismo é algo individual; a ceia do Senhor é uma comunhão coletiva". - F. W. Grant, "Reasons for My Faith as to Baptism".

"Fica evidente que a imersão era o procedimento bíblico, porém a aspersão se tornou comum e a profissão cristã é assim reconhecida. A água (muita ou pouca) significa associação com a morte de Cristo. O batismo não se refere ao estado subjetivo de espírito da pessoa no momento. O batismo não confere qualquer virtude ao batizado, é algo totalmente objetivo." T. Oliver - "Scripture Quarterly"

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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