As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como responder a um ateu?

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Devemos sempre buscar a direção do Senhor quando confrontados por ateus, “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3:15). Talvez você encontre algumas ideias no texto abaixo, extraído de uma correspondência em inglês que tive na Internet com um ateu que sentiu-se ofendido com algo que leu em meu site  www.stories.org.br. Seu nome era Adam e transcrevo aqui porções de nossa correspondência traduzidas para o português.

Prezado Adam,

Não compreendo a razão de seu medo. Não existem ateus. Todo homem nasce com o conhecimento de Deus em seu coração. Ele pode até se tornar ateu pela razão e argumentação, mas não nasce assim. Você sabe que existe um Deus, mas você o odeia. Não posso provar a você que Deus seja real, mas sei que existe. Eu era cego, mas agora vejo. Foi Deus quem fez isso comigo, não minha razão. Durante um bom tempo procurei por Deus e não conseguia encontrá-lo até o dia em que desisti. Então ele me encontrou, e ele irá encontrar você também, se você permitir.

Se eu estiver errado não tenho nada a perder. Mas se você estiver errado você perdeu tudo. Peça sinceramente a Deus que se revele a você. Se o fizer com sinceridade de coração (você tem medo?) ele irá se manifestar a você. Você sabe disso, mas você tem medo. Não sou seu inimigo. Se você quiser ter uma conversa franca sobre o assunto estarei aqui. Respeito sua posição, mas você está equivocado. Se você for corajoso o suficiente para mergulhar em uma busca real e sincera, me escreva.

(...)

Desculpe-me por ter demorado tanto para responder. Não quis fazê-lo com pressa, mas preferi ponderar cuidadosamente sobre o que escreveu. Mesmo que eu não concorde com você respeito sua posição pois, ao menos, ela parece mais consistente do que a que tenho encontrado nos sites de ateus na Web. A maioria dos textos que vi parecem terem sido escritos por crianças iradas que não têm outro objetivo senão chocar. Elas parecem ser o mesmo tipo de pessoas que escrevem em portas de banheiros públicos. Neste sentido você já deve ter reparado que a Internet não só oferece muitas “páginas escritas”, mas também muitas “portas pichadas”. Tentarei acompanhar seus argumentos. Sou brasileiro e por isso você talvez repare que meu inglês não é perfeito.

[Adão: Não tenho medo de coisa alguma porque não acredito em um juiz supremo que irá me mandar para o inferno por causa de minhas ações. Por falar em medo, por que você não saí por aí e mata alguém? Por que você não rouba? Eu não faço essas coisas por que eu as considero moralmente erradas.]

Você possui um padrão moral. Todas as pessoas têm um. Os seres humanos possuem um padrão moral e ele sempre está acima de suas possibilidades. Você já reparou que até mesmo os nativos considerados primitivos pelas modernas sociedades (apesar de não serem) também têm um padrão moral? Chame a isso de vontade de Deus, moral ou como quiser, mas é algo que todos possuem. O ponto para o qual quero chamar sua atenção é que esse padrão moral é sempre mais elevado do que o homem possa alcançar. Os hipócritas o rebaixam para atender a seus próprios interesses, mas isto é outra história. Os padrões estão ali e eles são sempre mais do que os homens conseguem alcançar, independente do tipo de padrão moral ou de sociedade onde ele é adotado.

Desculpe por eu precisar citar a Bíblia, na qual sei que não acredita, mas ela é a Palavra de Deus, portanto o padrão de Deus. Ela diz que os homens sabem que Deus é, não somente pelo que veem na Criação (Rm 1:19), mas também por possuírem um sentimento interior a este respeito (Rm 1:21) que o próprio Deus colocou em seus corações. “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.” (Ec 3:11). É por isso que você não mata alguém (talvez sinta o desejo de fazê-lo, começando comigo...) ou não rouba. É porque você sabe que é errado. Mas onde está o seu padrão? Bem, ele não está na Bíblia mas em algo dentro de você. Quem o colocou ali?

[Adam: Mas os cristãos se abstêm dessas coisas por terem medo do juízo de Deus.]

Bem, existe cristianismo e cristianismo. Talvez o você aprendeu na escola dominical não seja exatamente o que a Bíblia diz. Cristãos nominais talvez se abstenham de praticar essas coisas por terem medo de algum juízo, mas não é o caso com aqueles que conhecem a Deus como Pai. Deixe-me explicar. Apesar de ter em mim esse padrão moral que me foi dado pelo próprio Deus, pois ele me criou à sua imagem, sou uma criatura caída. Não, eu não comi uma maçã no jardim do Éden, e nem sequer existe uma maçã na história contada no livro de Gênesis sobre Adão e Eva. Mas eu sou descendente deles e herdei o pecado deles. Quando Adão e Eva eram livres para decidir, eles decidiram ser iguais a Deus. “Sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3:5), foi o que a serpente disse a eles. Eles viram naquilo uma carta branca para viverem do modo como quisessem sem precisarem prestar contas de seus atos a ninguém. Como costumamos dizer no Brasil, quiseram ser donos de seus próprios narizes.

Bem, aquilo foi a queda, e o resultado é que todo ser humano nasce egoísta e em rebelião contra Deus. Não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores. É esta nossa natureza. Pecar é uma consequência natural de sermos pecadores. É por esta razão que todos nascem endereçados ao lago de fogo, um lugar preparado originalmente para o diabo e seus anjos rebeldes, não para seres humanos.

Assim que Adão e Eva caíram em transgressão, Deus matou um animal inocente para cobri-los com sua pele. Você pode enxergar uma figura aí? Um ser inocente precisou morrer para cobrir o pecado do homem. Bem, aquilo que era apenas uma figura seria mais tarde uma realidade, quando o próprio Filho de Deus se fez homem e recebeu sobre si o juízo que era devido ao pecado. Não estou esperando que você aceite isto, pois não aceitará a menos que venha de cima.

O que é o evangelho que agora é anunciado? Seja bom? Seja religioso? Frequente uma igreja? Dê o seu dinheiro ao pregador? Não! O evangelho é a boa notícia de que Deus está oferecendo, de graça, a salvação a todo aquele que crer no Senhor Jesus como Salvador. É grátis, e se é graça não depende do que você faça. Deus sabe que eu e você somos pecadores e não somos capazes de fazer o bem. Então ele decidiu dar de graça a salvação, desde que eu a queira receber.

Tão logo você recebe o dom gratuito de Deus ele faz de você uma nova criatura, pronta para o céu. Talvez você agora consiga entender o que é o verdadeiro cristianismo. Os cristãos não vão para o céu por fazerem o bem, mas por causa do que Deus deu a eles por graça. Você merecia morrer e ser condenado para sempre, mas Cristo morreu em seu lugar para que, pela fé, você pudesse ser liberto do juízo de Deus.

Aqui surge outro ponto que é a segurança eterna daquele que crê. O que Deus dá ele não toma de volta. Portanto eu hoje estou salvo, não pelo que faço, mas pelo que Cristo fez. Só por isso eu tenho a salvação eterna. Ela não seria eterna se eu pudesse perdê-la, não é mesmo? Portanto, não importa o que eu faça, eu não vou perdê-la! Bem, muitos cristãos não sabem disso, por isso levam uma vida terrível de medo e incerteza. Eu não tenho medo de ir para o inferno porque agora isso é impossível de acontecer com que foi salvo por Jesus. Então, por que eu iria querer fazer a vontade de Deus (refiro-me, por exemplo, a não matar ou fazer qualquer coisa contrária à vontade dele)? Porque quero agradá-lo, e isto faz parte da nova natureza que ele me deu. Este é o verdadeiro cristianismo que você encontra na Bíblia.

[Adam: Acho que você entendeu tudo errado. Veja que toda criança é ateia. Tão logo começam a falar elas já querem saber coisas como quem fez Deus, e seus pais não conseguem responder. Eles ensinam essa ‘bobagem’ que você acredita por serem incapazes de responder uma simples questão. Então quando aquela criança deveria estar aprendo lógica e como tomar decisões imparciais e de mente aberta elas são confundidas pelo que seus pais ensinam sobre o paradoxo do que chamam de ‘fé’. Eu mesmo não consigo entender a razão de alguém entender em algo que não faz qualquer sentido... simplesmente porque seus pais e amigos dizem que você precisa ter ‘fé’. E se um adulto não entende isso, quanto mais uma criança! Os pais simplesmente confundem seus filhos, portanto se eles ficam confusos é por causa de seus pais.]

Acho que você está partindo de sua própria experiência para criar uma regra. É claro que os pais fazem isso, independente do grupo de pessoas. Não são apenas os cristãos que fazem isso, mas é um comportamento universal. Este é o ponto para o qual quero chamar sua atenção. Existe um conhecimento universal de Deus, independente do modo como é expresso. Você pode lutar contra o cristianismo, mas você não pode negar que todos os povos têm a noção de um Criador. Você fala de lógica. Não seria lógico os pais deixarem de passar para os filhos esse conhecimento que eles naturalmente têm, uma vez que ele está tão intrinsecamente ligado à própria natureza humana. Afinal, Deus “pôs a eternidade no coração do homem” (Ec. 3:11).

Sim, meus pais me ensinaram isso dentro do contexto da religião católica. Mesmo assim eu abandonei aquela religião quando tinha uns dezoito anos de idade. Não vi lógica nenhuma nela, como você poderia dizer. Então comecei minha busca que acabou me levando a desafiar a Deus para que ele se revelasse a mim caso existisse. Foi um processo doloroso. Não pense que os cristãos que você vê por aí nasceram assim porque seus pais injetaram cristianismo em suas mentes. O cristianismo precisa ser pessoal para ser real. Ninguém pode decidir pela salvação de outra pessoa. Cada um deve ter um encontro pessoal com Cristo, com o próprio Deus, caso contrário seu cristianismo será tão real quanto o de um papagaio que aprende a repetir versículos da Bíblia.

Eu estava na faculdade de arquitetura quando precisei me curvar à evidência de que existia um Deus e ele estava muito interessado em mim. Cristo havia morrido para me salvar, o que provavelmente não faz qualquer sentido para você por não conhecer a ele pessoalmente. Naquela ocasião eu havia comprado dois livros, um tentando provar que Deus não existe e outro sobre profecia bíblica. O primeiro apresentava lógica e razão, mas mesmo assim você precisa ter uma boa dose de fé para acreditar nos argumentos humanos. O outro (Agonia do Grande Planeta Terra - Hal Lindsay) trazia fatos como o acerto de 100% das profecias bíblicas que já se cumpriram e mostrando das chances de 100% das demais profecias também se cumprirem. Eu fui convencido por estes fatos — você não acha fatos razoáveis? — e não por uma decisão cega.

Antes que me pergunte, não sou mais católico e nem sequer pertenço a qualquer religião tradicional organizada. Eu simplesmente me reúno regularmente com um grupo de cristãos para ler a Bíblia, orar e adorar a Deus. Sem clérigos, denominação ou uma organização eclesiástica.

[Adam: É triste que o mundo, ou a maioria como os cristão, budistas, muçulmanos etc., não sejam capazes de ir além de sua fé e encontrar a razão. De qualquer modo é um consolo saber que as religiões dos romanos, dos incas, dos índios e tantas outras desapareceram, e o cristianismo segue ladeira abaixo. Talvez sempre existirão pessoas tolas o suficiente para seguirem uma religião, ou azaradas o suficiente para terem sido condicionadas por seus pais e serem incapazes de alcançar um patamar acima desse condicionamento, como eu e outros conseguimos.]

Você quer meu aplauso? :)

[Adam: Você escreveu  que eu sei que existe um Deus, mas sinto ódio dele. Sua afirmação é tanto falsa quanto verdadeira. Não, eu não acredito nele, mas vamos por um momento, e para o bem da argumentação, imaginar que Deus exista. Então, sim, eu odeio um ser que vê sua própria criação sofrer de AIDS, câncer, miséria, guerras e solidão apenas para provar aos homens que eles não são dignos dele segundo sua própria opinião. Deus matou crianças. Você se lembra do dilúvio de 40 dias e noites? De Sodoma e Gomorra? Em ambos os casos todas as pessoas que morreram eram ‘ímpias’. Permita-me discordar. Em toda a minha vida eu jamais encontrei um bebê ou uma criança ‘ímpia’. E mais: eu nunca encontrei um animal ‘ímpio’ na floresta. Mesmo assim Deus os matou a todos nesses episódios. Sim, se Deus existisse eu o odiaria, pois se você ler a Bíblia com uma mente sem preconceitos verá que Deus é mau.]

Existem coisas que acontecem em sua família que você nem perderia tempo explicando para mim pois eu não entenderia. São assuntos pessoais e somente um membro da família seria capaz de entender. Não que sejam coisas que exijam um diferente grau de inteligência, mas é preciso ser membro da família, conhecer sua personalidade, para entender algumas coisas que são apenas para quem faz parte dela. O mesmo acontece com as coisas relacionadas a Deus. Há coisas sobre Deus que você não conseguirá entender a menos que se torne membro da família de Deus. Eu perderia um tempo imenso tentando explicar estas coisas a você e de nada adiantaria. Tudo o que você mencionou aconteceu porque o homem decidiu ser independente de Deus. Um ato de rebelião sempre traz consequências. O que mais você poderia esperar? Só para falar dos animais, sabia que eles sofrem por causa do homem? Eu sei que você tem uma Bíblia, leia Romanos 8:20-23. Não posso provar a você que Deus é real, isto é algo que você deverá descobrir de si mesmo.

[Adam: Sim, você está certo, e eu tampouco posso provar que Deus não exista. É por isso que precisamos de provas para dar suporte a qualquer uma destas opiniões. O ateísmo diz que não existe nada ali, portanto assume a hipótese nula, que não depende de prova. O deísmo afirma que existe algo ali, o que exige uma prova. Até onde sei não há provas nem de um lado nem do outro. E mesmo você terá de admitir que para uma ou outra coisa dependemos da razão.]

Talvez eu não tenha usado as palavras corretamente. Eu não posso provar aquilo que você precisa descobrir por si mesmo. Mas eu posso mostrar a você fatos, se estiver interessado. O que dizer das evidências na própria profecia bíblica? Mas não irei fazê-lo, a menos que você tenha interesse em ouvir. Eu era cego e agora vejo.

[Adam: Sem querer ofender, acho que podemos seguir conversando sem você citar hinos, ok?]

Não citei um hino, mas João 9:25. Porém você mencionou um hino e provavelmente foi “Amazing Grace” (“Graça Sublime”), escrito por John Newton que morreu no início do século 19. Antes de se converter ele foi capitão de um navio negreiro e você talvez fique surpreso ao ler o que diz sua biografia: “Ele se lembrava do que sua mãe lhe ensinava, que se fizesse o que era correto Deus o amaria e cuidaria dele. Porém sua mãe morrera e já que seu pai havia se casado com outra mulher John sentiu que já não era bem vindo por seu pai, e muito menos por Deus. Ele então decidiu que Deus não existia” (“Slave Ship Captain - The Story of John Newton”, por Carolyn Scott, Lutterworth Press). Respeito sua posição, mas você está equivocado.

[Adam: Ah... você soa como um verdadeiro fundamentalista. Você tenta dar a impressão que conhece seu interlocutor, mas não conhece, pois você tem uma mente estreita.]

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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