As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Devo protestar contra videos de humor?

Mp3 http://files.3minutos.net/Respondi/respondi-0001.mp3

De vez em quando recebo o convite de algum cristão bem intencionado para protestar contra algo ou alguém que esteja desrespeitando Cristo, o cristianismo e os cristãos. Nos últimos dias recebi pelo menos dois emails me convidando a participar de um protesto contra uma produtora de vídeos de humor. Em que pese a boa intenção de quem promove tais campanhas, vejo isso como total falta de entendimento de que é o mundo e da posição do cristão nele.

“Este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo. Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” (1 Jo 4:3-6).

O cristão tem cidadania celestial, não terrena, portanto seus interesses não estão aqui, mas no céu. A teologia do pacto, encontrada tanto no catolicismo como no protestantismo, leva as pessoas a terem uma visão equivocada do lugar do cristão e de sua relação com o mundo. Basicamente essa teologia enxerga a igreja como herdeira das promessas feitas por Deus a Israel no Antigo Testamento, que eram no sentido de dar àquele povo um lugar neste mundo e ser respeitado por todas as nações.

Sempre que essa teologia foi levada ao extremo os cristãos pegaram em armas para conquistar territórios com a desculpa de fazê-lo para Cristo, como aconteceu nas Cruzadas e em outras ações colonialistas. Mas existem iniciativas mais brandas, como exigir do governo que no dinheiro seja impressa a frase “Cremos em Deus” ou que em repartições públicas sejam colocados crucifixos ou ainda lutar por “direitos cristãos”. Tudo isso nada mais é que os cristãos desejarem deixar uma marca na política e na sociedade. Ao invés de buscarem resgatar almas para Cristo procuram transformar o mundo em um espaço cristão.

O erro está em não entender que Deus não deu à Igreja sequer o espaço de terra de um pé neste mundo, o que foi tipificado na vida de Abraão, o peregrino que não tinha lugar nesta terra. “E não lhe deu nela herança, nem ainda o espaço de um pé” (At 7:5).

"Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma; Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem" (1 Pe 2:11-12). "Quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder,  Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que creem" (2 Ts 1:7-10).

Quando lemos da vida de Abraão é proveitoso enxergá-lo como figura do cristão que não tem lugar no mundo, em contraste com seu sobrinho Ló, que representa o cristão que busca por uma posição no mundo entre os incrédulos. Em seu desejo de se estabelecer aqui ele foi armando suas tendas até ir morar em Sodoma e acabar assumindo uma posição entre os juízes daquela cidade iníqua.

“E levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma. Ora, eram maus os homens de Sodoma, e grandes pecadores contra o Senhor” (Gn 13:10-13).

O testemunho de Abraão em meio aos incrédulos era: “Estrangeiro e peregrino sou entre vós” (Gn 23:4). O testemunho que a vida de Ló dava era visto assim pelos incrédulos habitantes de Sodoma: “Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo?” (Gn 19:9). Portanto, sempre que um cristão quer interferir no mundo os seus habitantes incrédulos têm toda a razão de dizerem: “Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo?”.

Os habitantes de Sodoma suportaram Ló enquanto ele lhes era útil, e nesse período até mesmo tentaram conquistar Abraão. Em um episódio em que Abraão libertou seu sobrinho Ló das mãos de reis inimigos, e por tabela salvou também os habitantes de Sodoma, o rei de Sodoma ofereceu a Abraão vantagens financeiras e Abraão recusou. Quão diferente é isso do que fazem hoje os líderes religiosos que comem na mão de governantes de olho nos votos que irão obter através deles em seus "rebanhos"!

“Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4).

O mundo é inimigo de Deus, sempre foi e sempre será até Cristo vir estabelecer o seu Reino em poder e glória. Mas aí será ele, e não os cristãos, quem fará a faxina. Tentar mudar isso é querer maquiar o diabo para deixá-lo parecido com anjo, e os cristãos não precisam se dar ao trabalho porque o próprio diabo já faz isso muito bem consigo mesmo. Se vemos Satanás querendo parecer bom, e seus ministros querendo parecer ministros de justiça, será que agora alguns cristãos ainda vão querer que o mundo vista a fantasia de amigo de Deus? Fala sério!

“E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça(2 Co 11:14-15).

Se você estranha quando comediantes fazem pouco da fé dos cristãos é bom considerar que boa parte do combustível que usam para suas piadas é fornecido pelos próprios cristãos. Graças a muitas “igrejas” e “pastores” que estão por aí o cristianismo hoje é piada pronta nas mãos dos humoristas. Também não adianta querer consertar isso, pois o próprio Espírito Santo, em Apocalipse, dá à cristandade apóstata um nome que não é nenhum elogio: “A Grande Meretriz”.

E o que pensar quando os próprios cristãos também têm seu repertório de piadas sobre a Bíblia, Deus e Jesus? Ou você nunca ouviu algum irmão contá-las? Nos Estados Unidos existem até “clubes cristãos” onde humoristas no estilo “stand up” fazem graça usando o nome de Deus e as coisas santas. É claro que ali não se conta “piadas sujas”, como costumamos chamar as de sexo, mas só piadas que profanam as coisas de Deus e usam o seu nome em vão.

Enquanto isso o mundo continuará a zombar de Cristo e da fé cristã, e o que se poderia esperar de um mundo que declarou “Não queremos que este reine sobre nós” (Lc 19:14)? Ou que gargalhou quando soube que o Filho de Deus estava morto? “Vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará” (Jo 16:20)? O espírito que prevaleceu no mundo quando Cristo morreu é o mesmo que prevalece hoje e será o mesmo no futuro, quando em Apocalipse vemos a reação do povo incrédulo diante da notícia da morte das testemunhas fiéis:

“E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros. E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra” (Ap 11:9-10).

Você já viu uma festa de natal bem animada, com todos trocando presentes, se beijando e soltando fogos de artifício? Pois é este o sentimento real do mundo quando vê o testemunho de Deus na terra se dar mal. Se você ainda se surpreende por humoristas fazerem piada de Cristo ou por cristãos serem perseguidos você não conhece as Escrituras ou é muito ingênuo em pensar que um dia este mundo será um lugar maravilhoso com todos alegremente dando tapinhas nas costas dos cristãos.

Os versículos abaixo podem ajudar a refrescar a memória de quem se ilude pensando existir no mundo algum respeito por Cristo e pelos cristãos:

“Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia (1 Jo 3:13).

“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim(Jo 15:18).

“Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia (Jo 15:19).

“Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno (1 Jo 5:19).

Mas o que fazer quando humoristas ímpios fazem gozação com a Pessoa de Cristo? Como agir quando cristãos são humilhados e perseguidos? Bem, existe a maneira humana e a maneira divina de reagir a isso. A humana é bem conhecida. Protestar, fazer abaixo assinados, entrar com petições públicas, exigir direito de resposta e coisas do tipo. Muitos cristãos irão argumentar que como a Constituição faculta estas coisas a todo cidadão não há nada de errado em utilizá-las para garantir o respeito a Cristo e aos cristãos.

A maneira divina de reagir nós temos claramente demonstrada pelo modo de agir do próprio Senhor Jesus quando era humilhado e perseguido:

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus (Fp 2:5).

“Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas... O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (1 Pe 2:19-23).

“Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos” (1 Ts 5:15).

Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12:19-21).

Portanto fica muito clara a reação que cabe ao cristão quando seu Senhor é ofendido ou quando o próprio cristão é humilhado e perseguido: entregar tudo ao Senhor. Assim foi também o exemplo deixado pelos apóstolos do Senhor, como explica Paulo:

“Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos” (1 co 4:11-13).

Talvez você argumente aqui que Cristo, quando viu o Templo ser invadido por mercenários, pegou um chicote e os expulsou dali. Pois é exatamente o que estou dizendo para você fazer: deixar Cristo cuidar do assunto. Quanto às perseguições que cairiam sobre seus discípulos o Senhor lhes disse, falando profeticamente como eles estando no caráter do remanescente de judeus fiéis que se converterão na grande tribulação:

“Tenho-vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim (Jo 16:1-3).

“Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21:28).

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5:11-12).

O que o Senhor diz ali? Quando vos injuriarem e perseguirem e disserem o mal contra vós por minha causa, protestem, procurem seus direitos, façam abaixo assinados? Não! Ele diz: “Exultai!... Levantai as vossas cabeças!”.

Agora que você sabe qual é a vontade do Senhor quanto a como deve agir, caso você ainda assim insistir em “procurar seus direitos” ou “fazer cumprir a lei” ou protestar de algum modo, saiba que então você estará agindo exatamente como os incrédulos comediantes. A diferença será que eles estarão desobedecendo a Deus por atacarem e você estará desobedecendo a Deus por se defender.

"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.  Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; Mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte" (1 Pe 4:12).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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