As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Por que Jesus nao foi onibenevolente?



https://youtu.be/UuTWVsnMqPQ

Você escreveu contando da conversa que teve com um ateu, e o assunto coincide com a matéria de capa da Revista Veja que vi trazendo a seguinte questão: “Deus, sendo bom, fez todas as coisas boas. De onde, então, vem o mal?” Não li a matéria, portanto não sei a resposta que a revista deu à questão. Mas em seu e-mail você conta de como seu amigo ateu teria acusado Jesus de intolerante para com os fariseus.

Usando Mateus 13:13, onde o Senhor diz que falava por parábolas para que os incrédulos, vendo, não vissem, e ouvindo, não ouvissem e nem compreendessem, o ateu argumentou que, ao fazer isso, Jesus condenava logo de cara os fariseus. Mas você refutou corretamente o raciocínio dele, apontando que aquele modo de proceder era consequência de os fariseus não terem recebido o Senhor como seu Messias e Rei, passando assim à categoria daqueles que não queriam saber de Deus.

Mas o ateu não parou aí. Disse que, se Jesus andava com pecadores como publicanos e prostitutas, deveria andar também com os fariseus, igualmente pecadores. A pergunta dele foi: "Se Jesus é Deus e Deus é onibenevolente, por que condenava os fariseus? Por que não andava com eles independentemente do modo como o tratavam? Se ele é onibenevolente deveria perdoar os fariseus, e não condená-los. A conclusão é que Deus não pode ser bom, pois se fosse bom não condenaria os incrédulos no lago de fogo, mas salvaria a todos, inclusive os que não creem nele".

Ao dizer que Jesus não deveria ter julgado e repreendido os fariseus, e sim continuado andando com eles apesar de todo o ódio que destilavam contra o Senhor, seu amigo ateu está assumindo que ele próprio (seu amigo) pode julgar as pessoas (no caso ele está julgando Deus), mas Deus não podia julgar os fariseus. Então vemos um verme humano, como eu e você, achando-se grande coisa e levantando seu dedo contra o Criador. Veja você, um réu dizendo como o Juiz deveria ter agido! Seria cômico se não fosse trágico. Como esse ateu, que obviamente não é onibenevolente e onisciente poderia julgar aquele que tem tais qualidades e muitas outras? O ateu já começa se achando algo que não tem capacidade de ser: Juiz de Deus.

Não costumo perder muito tempo com ateus, uma porque a Bíblia diz que Deus “pôs no coração do homem o anseio pela eternidade” (Ec 3:11 NVI), outra porque “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19:1), e também porque “o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.  Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Rm 1:19-22). Ou seja, o Deus que é onibenevolente providenciou para que até mesmo os ateus tivessem conhecimento dele, e sendo onisciente, sabe que cada ateu tem esse conhecimento, ainda que reconheça isso apenas quando põe a cabeça no travesseiro.

Portanto, o problema com ateus é que eles NÃO QUEREM crer. O problema deles não é por não terem evidências para crer. O problema deles é de vontade. Ao julgar Jesus como mau por não ter feito vista grossa para a rejeição de seus opositores, o incrédulo ateu aponta o dedo acusador para o próprio peito. Tenho certeza de que seu amigo ateu não gostaria de morar num país onde as autoridades fizessem vista grossa para o crime e as pessoas pudessem fazer o que bem entendessem, sem sofrerem qualquer tipo de penalidade. Nesse país imaginário de seu amigo ateu as pessoas deveriam simplesmente fazer de conta que estava tudo bem e abraçar forte o assaltante quando este apontasse a faca para o peito de sua vítima. Não, nem mesmo um ateu iria querer viver em um país assim onde o mal fosse chamado de bem. Ele chamaria a polícia se alguém invadisse sua casa, sem saber que foi Deus quem delegou autoridade à polícia para agir e até matar um bandido que ameaçasse a vida das pessoas.

Seu amigo ateu não percebe que aquele Jesus, que andou aqui tão humilde, e ao mesmo tempo tinha o poder de estancar uma tempestade, multiplicar os pães e ler o pensamento das pessoas, além de curá-las de toda enfermidade, também poderia ter transformado aqueles fariseus em cinzas com uma só palavra. Sim, a mesma palavra que teve o poder de trazer os mundos à existência a partir do nada é a que um dia reduzirá a nada os céus e a terra que agora existem. Mas não era nesse caráter que Jesus veio. Ele não veio para condenar, mas para salvar, e não levou em conta os pecados daqueles seus opositores enquanto andou aqui. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós [os crentes] a palavra da reconciliação” (2 Co 5:19).  Mas Jesus voltará, aí sim sem misericórdia, e naquela aparência terrível em que ele aparece no livro de Apocalipse. Ele virá para julgar os incrédulos, seu amigo ateu, inclusive.

Quanto a Jesus ser onibenevolente, por ser Deus, ele próprio afirmou que só Deus é bom, o que obviamente incluía a ele próprio na afirmação. Portanto creio sim na onibenevolência de Deus e de Jesus, que é o Filho de Deus e ele próprio uma das três Pessoas divinas da Trindade. Os seres humanos podem até praticar alguma bondade, mas não são essencialmente bons porque a onibenevolência é uma qualidade exclusiva de Deus, como é a onipotência, onisciência, onipresença etc. Perceba que todas essas características são elevadas à perfeição, quando falamos de Deus. Elas não são relativas ou condicionadas às circunstâncias, como acontece com algum tipo de bondade vinda de nós.

Aí entra a questão do mal: Se Deus é onibenevolente, de onde vem o mal? Se Deus é onisciente, por que não previu que o mal entraria na Criação? E se Deus é onipotente, por que não cortou o mal pela raiz e ainda permite que ele prevaleça no mundo? Por que um Deus onibenevolente teria deixado morrer afogado um menino como Aylan Kurdi, de 3 anos, que se transformou em símbolo da catástrofe humanitária gerada pela violência dos radicais islâmicos e pela relutância dos países europeus em receber os refugiados. Para mim a questão é facilmente resolvida para quem crê na absoluta onibelevolência, onisciência e onipotência de Deus, e também na soberania da sua vontade e perfeição dos seus desígnios, e também na absoluta incapacidade do homem pecador em entender os desígnios de Deus. Ou seja, a criatura que se coloca no seu devido lugar não irá questionar o modo de Deus agir porque entende que as razões de Deus estão muito acima de nossa vã compreensão.

Seria algo como uma criança de dois anos de idade perguntar: "Se meus pais são bons, por que não me deixam virar a noite brincando? Por que me obrigam a comer vegetais e me privam de refrigerante e doces? Por que me largam numa creche o dia inteiro enquanto vão se divertir nisso que eles chamam de 'emprego'? Só posso concluir que meus pais não são bons; meus pais não me amam como eles dizem". Nem preciso dizer que seria inútil explicar as razões para uma criança assim, pois ela não iria entender. Sua visão é ainda muito estreita e sua mente muito limitada para entender razões elevadas demais para ela.

Deus não criou o mal na sua essência, porque ele é onibenevolente. O mal foi inaugurado por Satanás, um querubim que se encheu de orgulho e quis ser igual a Deus. À sua semelhança, os primeiros seres humanos também quiseram ser iguais a Deus, motivados por Satanás, a serpente do Jardim, para assim se verem livres de Deus como seu amigo gosta de pensar que está. Mas como Deus teria criado seres com essa possibilidade de pecar? Por uma razão muito simples: Você fabricaria um carro cuja direção só pudesse virar para a direita?

Então Deus criou os seres livres e perfeitos dentro de seus devidos contextos, e isso incluía a capacidade de decidir. Deus não criou robôs pré-programados para apenas adorarem a Deus. Por isso hoje ele procura aqueles que espontaneamente queiram adorá-lo, como ele mostrou à mulher samaritana em João 4.

O seu amigo ateu nunca entenderá a bondade de Deus sem experimentá-la, mas para isso é preciso primeiro crer na Palavra de Deus. O incrédulo é inescusável nessa condição, assim como eu e você já fomos, porque acaba se condenando naquilo mesmo em que julga os outros. Ao julgar a Deus das razões de Cristo ter deixado de lado os fariseus não convencidos de seu pecado, para cuidar de pecadores convictos, o incrédulo acaba apontando o dedo da acusação contra o próprio peito, porque ele também chamaria a polícia se bandidos entrassem em sua casa para estuprarem sua esposa e filha. Ele não iria dar as boas-vindas a eles e servir uísque para os bandidos se sentirem à vontade em sua farra.

O problema é que, ao julgar o comportamento de Jesus, seu amigo não percebe que seu julgamento é tão imperfeito quanto ele próprio, um pecador arruinado e em constante inimizade contra Deus. Juridicamente ele não poderia julgar a Deus (sem falar da loucura que é cogitar tal coisa) porque estaria sendo um juiz que traz elementos que podem interferir na sua imparcialidade. Quais? Oras, ele nem mesmo acredita na existência de Deus! Como julgar Alguém que nem espera encontrar?

Mas agora vem um ponto interessante. Ao considerar Jesus injusto em suas atitudes por ter deixado de lado os fariseus impenitentes para se ocupar com outros tipos de pecadores, o incrédulo acaba desprezando justamente aquilo que ele diz que Deus não tem: "as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus" é o que o conduz ao arrependimento. Então, segundo a sua dureza e seu coração impenitente, o incrédulo entesoura ou acumula ira para si mesmo no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, "que recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz ao mal... glória e honra e paz a qualquer que pratica o bem... porque para com Deus não há acepção de pessoas" (Rm 2:1-11).

Ao seu amigo incrédulo cabe também a própria passagem que ele citou e que fará parte de seu processo de condenação, caso ele não se arrependa e creia no Senhor Jesus como seu Salvador e Senhor. Jesus disse, a respeito dos incrédulos: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.” (Mt 13:13). Ele disse isso apenas aos que creram nele, que é a condição inicial para aceitarmos pela fé as razões de Deus, mesmo as que não compreendemos.

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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