As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Podemos usar novas tecnologias para evangelizar?



https://youtu.be/SeAxmOA4cbk

Uma frase que chega nos e-mails com frequência cada vez maior é esta: "Se puder me responder com um vídeo ficarei grato". Definitivamente esta é uma geração criada diante de uma tela de TV, e não da página de um livro. Alguns resistem à ideia de se pregar o evangelho ou comunicar verdades bíblicas usando novas tecnologias, como gravações de áudio e vídeo, mas basta considerar como o povo de Deus do Antigo e Novo Testamento se comportaram para perceber que existe essa possibilidade.

Desde os primeiros textos bíblicos as mídias evoluíram constantemente. Você encontra textos em tabletes de argila, peles de animais, folhas finas de metal, tecidos e papiro, que era o papel que os egípcios faziam a partir dos caules esmagados das plantas de mesmo nome, abundante nas beiras dos pântanos e lagos. As viagens dos que levavam a Palavra também foram incrementadas com tecnologias que iam de carroças a navios, e nos tempos do Novo Testamento as estradas romanas foram constantemente usadas pelos apóstolos e discípulos.

Os meios ou mídias continuaram evoluindo e hoje temos tabletes, não de argila, mas eletrônicos, e também a capacidade de gravar voz e imagem e transmiti-las, não por cavalos, carroças ou veleiros, mas via satélite. Todavia não é por existir tecnologia moderna que ela deve ser sempre utilizada e o cristão deve ter discernimento para isso. Mas quando ela existe e simplifica o trabalho daquele que leva a Palavra, além de ser mais acessível aos ouvintes, não existe razão para simplesmente repudiá-la por ser nova. Hoje eu uso Bíblia e hinário em meu smartphone e isso ajuda muito na hora de fazer pesquisas por passagens ou aprender a melodia de um hino.

Existe uma seita anabatista nos Estados Unidos — os Amish — cujos membros no tempo e repudia todo tipo de tecnologia moderna. Eles moram em comunidades em fazendas, só andam de carroça, não usam telefone, computador ou Internet. Mas na banca onde vendem seus hortifrúti num mercado em Filadélfia vi uma garota vestida da cabeça aos tornozelos com roupas do século 19. Disse aos tornozelos porque nos pés ela trazia o último modelo de tênis Nike.

Quando Davi selecionou aqueles que fariam parte dos ministérios de seu governo, vemos que "dos filhos de Issacar" ele escolheu "conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes e todos os seus irmãos sob suas ordens" (1 Cr 12:32). Outra versão diz "destros na ciência dos tempos" e outra "que tinham senso de oportunidade".

Assim é hoje com a mensagem do evangelho: Existem novas mídias e devemos saber como utilizá-las entendendo os tempos em que vivemos. Mas tenha em mente que não estou falando aqui de pirotecnia em shows de rock evangélico, e sim da transmissão da Palavra de Deus. Deus diz, em sua Palavra, que a fé vem pelo ouvir, não pelo ver, seja uma tela ou uma página. "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10:17). Por isso tire da cabeça que serão as imagens do filme épico, ou as danças e encenações teatrais em algumas igrejas, que irão convencer o pecador. É a Palavra de Deus aplicada pelo Espírito Santo que faz a obra, não o cenário, o figurino ou a linguagem corporal. Repare também que não diz "...e o ouvir a palavra de Deus", mas "...e o ouvir pela palavra de Deus". Ou seja, a capacidade de alguém ouvir é gerada pela própria Palavra de Deus com seu efeito milagroso na alma, e não pela tecnologia utilizada.

Quando lemos uma página das sagradas letras, que nos fazem sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo, seja ela num tablete de argila ou em mídia eletrônica, o que ocorre de fato é que estamos decodificando o texto e transformando-o numa vocalização mental. Ou seja, estamos ouvindo em nosso cérebro nossa voz mental. O sentido da visão só serve para ver o código (as letras), mas o que retemos é o que ouvimos dessa "voz" gerada em nosso cérebro que decifra os códigos visuais. Já reparou que algumas pessoas até balbuciam quando leem? Quando assistimos um vídeo, na verdade é a voz do locutor que estamos ouvindo que fará toda diferença. A tela e a imagem não passam de um equivalente animado da página de um livro de papel.

Mas, seja em texto, seja em áudio ou em vídeo, é importante que a mensagem transmitida traga o que foi dito por Deus, isto é, aquilo que vem de sua Palavra inspirada aos apóstolos e profetas, a Bíblia. Essa Palavra pode ser dita tanto de forma literal, lendo-se um versículo e citando sua origem, como de modo informal, inserindo seu texto numa frase. Lembre-se de que a divisão do texto em subtítulos, capítulos e versículos foi introduzida pelos editores séculos depois dos apóstolos.

Um exemplo do primeiro caso seria dizer: "No evangelho de João, capítulo 3, versículo dezesseis, está escrito que 'Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna'". A mesma Palavra de Deus, falada informalmente, seria algo como "...imagine você, meu amigo, que Deus amou tanto a humanidade, ao ponto de entregar o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna, para que, pela fé, seus pecados sejam perdoados... etc.".

O fato de não ter citado livro, capítulo e versículo não faz disso menos Palavra de Deus do que na verdade é. Outro dia alguém que assistiu um vídeo meu criticou que eu não seia digno de confiança. Ele escreveu: "Você não tinha uma Bíblia aberta na mão e nem começou com uma oração". Certamente disse isso por estar habituado aos costumes religiosos dos pastores da TV, que fazem pose de Bíblia aberta e até mudam o tom da voz quando pregam, para fazer parecer que é uma voz vinda do além. Mal sabia aquele espectador de meu vídeo que no primeiro século os cristãos nem tinham uma Bíblia para abrir, porque o formato livro encadernado surgiu depois. Eles simplesmente citavam de memória passagens do Antigo Testamento ou aquilo que aprendiam da revelação dada aos apóstolos e profetas nas cartas e reuniões da Igreja.

Mas por que é importante citar, literal ou informalmente, a Palavra de Deus? Porque é ela que tem poder, que é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada de dois gumes, ao ponto de discernir os pensamentos e intenções do coração. Ela é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê, de modo que a fé é pelo ouvir, e a capacidade de ouvir é gerada pela Palavra de Deus. Agora, como lição de casa, tente descobrir quantos versículos foram citados apenas neste pequeno parágrafo.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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