As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Cristao deve votar em cristao?



https://youtu.be/WIvqdVZL9CY

Em épocas de eleição — aqui e no exterior — aumenta a discussão envolvendo cristãos e incrédulos, e logo aparecem candidatos cristãos que se arvoram paladinos dos bons costumes. Estes constroem uma plataforma prometendo combater o casamento gay, impedir que as escolas ensinem isso, obrigar a TV a limpar sua programação e coisas do tipo. O que pouca gente percebe é que os que governaram o mundo durante os tempos das inquisições católica e protestante foram cristãos de carteirinha — papas, sacerdotes, bispos, pastores e clérigos em geral. Em nome de Cristo promoveram perseguições, enforcamentos, decapitações e queimadas de fazer inveja a Nero.

Hitler professava ser cristão, era filho de católicos, e começou sua carreira de ativismo político apoiando o "Movimento Cristão Alemão" e logo estaria liderando o "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemãs". Como chefe das forças armadas Hitler determinou que todas as fivelas dos uniformes militares trouxessem a frase  "Gott mit uns" ("Deus está conosco"). Lembra o dólar e o real, influenciados pelas "bancadas evangélicas" de seus respectivos países, não lembra? Bem, se você tivesse vivido na Alemanha de então com essa ideia de que "cristão vota em cristão" é bem provável que tivesse saído às ruas distribuindo "santinhos" de Hitler. E se tivesse vivido alguns séculos antes teria soprado as brasas sob os pés dos mártires amarrados às estacas, achando aquilo correto, como o próprio Jesus previu: "Vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim." (Jo 16:2-3).

Agora responda rápido: Em que Jesus interferiu na política de seu tempo? O que foi que ele mudou nos costumes de sua época? Lembre-se de que a terra de Israel estava sob domínio romano, e se você pesquisar os costumes romanos verá que os libertinos de hoje são amadores comparados ao que aquele povo considerava normal. Apesar de tudo, Jesus deixou este mundo do jeito que o encontrou, sem mover uma palha no plano político, sem interferir nos governos, mas deixando claro que estava aqui resgatando um povo para si. O cristianismo nunca deveria ser uma missão de reforma e melhoria da sociedade, mas uma missão de resgate. Infelizmente a grande maioria dos cristãos não entende isso, especialmente os das religiões fundamentalistas católicas e protestantes que acham que cabe ao cristão deixar o mundo arrumadinho para Cristo poder voltar e reinar.

Em um trecho de um vídeo, John Piper, um pregador norte-americano, faz uma declaração que vai na contra-mão do cristianismo naquele país, que costuma considerar os EUA uma espécie de 'Terra Prometida' dos cristãos. Por isso existe tanto debate lá (e agora começou aqui) quando o governo aprova leis que vão contra o que a Bíblia ensina, e aí cristãos fazem manifestações, tomam partido contra o governo, tentam eleger candidatos cristãos para mudar as coisas etc. Mal sabem eles que estão fazendo o mesmo que muitos cristãos do primeiro século fizeram, quando perderam deixaram "o primeiro amor" (Ap 2:4) e poucos séculos mais tarde aplaudiram o Imperador Constantino por obrigar os pagãos a se 'converterem' e serem batizados como cristãos. Foi quando a cristandade passou a habitar "onde está o trono de Satanás" (Ap 2:13), passou a seguir "Jezabel, mulher que se diz profetisa" (Ap 2:20) e, apesar de conquistar influência global e fazer grandes obras para a melhoria social e dos costumes, recebeu do Senhor esta avaliação: "Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto" (Ap 3:1). O terreno mais minado e traiçoeiro para o cristão é um mundo cristianizado.

Transcrevi e traduzi um trecho do vídeo de John Piper que pode ser de auxílio, principalmente para os que acham que devem mudar o Brasil ou costumam colar aqueles adesivos no vidro do carro dizendo "Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor", sem entender que aquilo foi dito de Israel, não do Brasil, ou "O Brasil é de Jesus", querendo que o Senhor se comprometa como dono de um país que nem sequer existia quando a Bíblia foi escrita. Mas vamos ao trecho:

"Aí você sai mancando pela vida e lamentando 'Oh, pobres de nós cristãos, o que está acontecendo com nossa nação?! Este costumava ser nosso país...' Ora, este nunca foi nosso país! Nosso país está nos céus! Os Estados Unidos vêm e vão, a Rússia surge e desaparece, a China teve começo e terá um fim! E nós ficamos lamentando, 'Oh, nós, pobres cristãos... Não somos tratados com respeito...' Ora, nós não deveríamos ser tratados com respeito, nós deveríamos ser mortos! Estamos sendo mortos em todo o mundo, somos como ovelhas levadas ao matadouro e em todas essas coisas somos mais que vencedores! Se você tiver a certeza de que aqueles que foram justificados serão glorificados, você irá caminhar de cabeça erguida. Quebrantado pelo seu pecado, sim, mas não ficando aí pela mídia dizendo que 'este é nosso país', porque não é! Vamos ser diferentes, radicalmente diferentes, ousadamente diferentes." - John Piper

Um irmão perguntou o que eu faria se, durante uma palestra minha em algum evento empresarial, um casal do mesmo sexo começasse a se beijar. Sua preocupação era por existirem hoje leis que podem considerar discriminação qualquer reprimenda por um comportamento assim e eu ser processado por isso. Bem, a menos que decidissem tirar a roupa e partir para as vias de fato, eu continuaria minha palestra fazendo de conta que estava na Rússia (onde homens se beijam na boca). Quem beija quem é problema dos beijantes e beijados, não meu. No máximo, se eu percebesse que aquilo estivesse causando distúrbio (e nem precisariam ser do mesmo sexo para causar isso) eu faria como já fiz em algumas palestras com grupinhos malcomportados. Olharia fixamente para eles em silêncio e com um sorriso maroto nos lábios. Num momento assim a plateia costuma olhar para onde estou olhando e o silêncio é fatal para qualquer um se tocar e parar o que está fazendo.

Não cabe a mim decidir quem deve namorar quem, e não é papel do cristão obrigar o mundo a fingir obediência à Bíblia. Acaso estaria certo um cidadão da Arábia Saudita vir ao Brasil e querer obrigar as motoristas a usarem véu em público e deixarem de dirigir? Não, porque tal lei vale na Arábia, aqui não. Então, se os beijos entre gays são válidos no mundo que pertence a eles — e estou falando da sociedade como um todo —, eu, que sou cristão e estrangeiro neste mundo, não tenho que dar palpite na vida deles. Cada um dará conta de si a Deus.

Outra pergunta foi o que eu faria se descobrisse que a escola estivesse ensinando coisas que induzissem crianças a considerarem normais relações entre pessoas do mesmo sexo. Não deveria eu protestar, processar a escola, eleger um candidato que prometesse acabar com isso? Não, porque mais uma vez eu estaria tentando me intrometer no mundo que não é meu, e indo contra as determinações governamentais neste sentido, já que o material teria vindo da Secretaria da Educação com a chancela das autoridades que devo respeitar por eu ser cristão. Se possível, eu procuraria colocar meus filhos em outra escola, ou "vaciná-los" com a leitura diária da Palavra em família, para que ficassem imunizados a esse ensino. Aliás, sempre vacinei meus filhos contra estes e outros ensinos que são até bem mais perniciosos para a fé cristã, como a Teoria da Evolução e o Humanismo, que hoje impregnam não apenas o ensino secular, mas também o religioso.

Mas e quanto à promiscuidade na programação da TV, não deveria eu protestar para o governo colocar um basta nisso, ou eleger candidatos que o façam? Talvez isso fizesse mais sentido há meio século, quando o único acesso de uma criança à pornografia era pelos "catecismos", aquelas revistinhas em quadrinhos de traço simples que circulavam nos banheiros das escolas. Hoje, com a Internet e um smartphone na mão de cada criança, é no mínimo ingenuidade achar que elas não verão essas coisas quando e onde quiserem, mesmo que o governo obrigue os canais de TV a passarem só programas de missas, rezas e cultos protestantes. Ah, sim, existem aplicativos de bloqueio de sites e vídeos que estão na rede. Sério? Então deixe-me perguntar: Para quem você pede ajuda quando não consegue desatar os nós do mundo digital? Para seu filho, não é? Pode ter certeza de que quando ele quiser vai descobrir um jeito de quebrar qualquer bloqueio desses e o Tio Google irá ajudá-lo. Então o jeito é educar os filhos para eles crescerem conscientes daquilo que agrada ou não o Senhor.

Outra pergunta foi o que eu faria se descobrisse que minha filha entrou em um banheiro público e encontrou lá um travesti de dois metros de altura que agora se acha no direito de usar o banheiro feminino tendo a lei ao seu lado. Bem, eu diria para minha filha evitar esses banheiros ou entrar olhando para o chão e sair olhando para o teto.

Por tudo isso eu dou razão aos sodomitas (estou falando agora dos habitantes de Sodoma) quando reclamaram com Ló, e o mesmo vale para os cristãos que querem legislar sobre os costumes dos incrédulos num mundo que pertence a eles. Deixe-me explicar melhor. Enquanto Abraão escolheu viver como estrangeiro errante habitando em tendas. "Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa. Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus." (Hb 11:9-10). Ló, por sua vez, tinha o que costumamos chamar de "olho maior que a barriga" e "levantou Ló os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra... Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Ló para o oriente, e apartaram-se um do outro. Habitou Abrão na terra de Canaã (em tendas) e Ló habitou nas cidades da campina, e armou as suas tendas até Sodoma" (Gn 13:10-12).

Ló era o que costumamos chamar de "crente carnal", um convertido, porém vivendo da maneira errada no lugar errado. Por isso Deus fala dele na Palavra como "o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis. Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, vendo e ouvindo sobre as suas obras injustas" (2 Pe 2:7-8). Talvez seja este também o seu sentimento sincero e a razão de se envolver em política ou votar em políticos cristãos querendo uma mudança. Bem, foi também o que Ló sentiu enquanto morava em Sodoma. O que ele fez para mudar? Passou a sentar-se à porta da cidade, o lugar onde os juízes se sentavam para julgar, uma espécie de tribunal público nas cidades da antiguidade. "E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma" (Gn 19:1). O que ele fazia ali? Bem pelos desdobramentos dos acontecimentos é possível entender suas intenções. Quando a coisa apertou e os habitantes quiseram abusar dos anjos que Ló hospedava em sua casa, recusando até mesmo as filhas virgens que Ló vergonhosamente ofereceu, os sodomitas com toda razão mostraram a Ló o seu devido lugar: "Esse indivíduo, como estrangeiro veio aqui habitar, e quer se arvorar em juiz!" (Gn 19:9). É por isso que digo que, assim como os sodomitas de então, os incrédulos de hoje têm razão quando retrucam para cristãos intrometidos que eles não têm nada a ver com o estilo de vida que escolheram.

O cristão é estrangeiro neste mundo, cidadão do céu, não da terra por onde está apenas passando. Se alguém ameaçar meus filhos com um leão que pode destruir seus bons costumes, o melhor é pegá-los pelas mãos e levá-los para longe da fera, e não tentar domesticar o animal. Esta selva pertence ao leão — o príncipe deste mundo — não aos filhos de Deus. Quando vejo incrédulos fazendo barbaridades, um pensamento me consola: "Esta é a única vida que eles têm, portanto é de se entender que precisam aproveitá-la ao máximo enquanto viverem aqui, pois logo a diversão irá terminar." A única interferência que posso ter em seus usos e costumes é sendo sal e luz. O sal dá sabor e conserva os alimentos e a luz afugenta as trevas. Mas você já reparou que tanto o sal quanto a luz fazem isso sem esforço? Você não vê o saleiro invadir sua salada, ou a luz acender sozinha quando você quer dormir. Essas coisas não precisam fazer alguma ação, agitar bandeiras, berrar nas praças, basta serem o que são para salgar e iluminar.

No primeiro século meninos e meninas de famílias cristãs presas pelo crime de professarem fé em Cristo eram vendidos como escravos sexuais. Muitas mulheres nos bordéis de Roma e províncias eram cristãs. Muitos meninos comprados por famílias romanas ricas para satisfazer os desejos pedófilos do patrão eram cristãos. Ter um menino assim em casa não era considerado crime entre os pagãos romanos, mas algo aceito pela sociedade como normal, desde que o escravo não tivesse cidadania romana. Esse mundo de então não mudou, continua por aí em diferentes cores e lugares.

Não faz muito tempo o marido de uma jovem que se converteu a Cristo na Índia matou a esposa por ela se recusar a queimar incenso aos deuses. Pelo mesmo motivo, o irmão de outro não apenas matou o próprio irmão, como também incendiou sua casa com o cadáver. Isso é coisa de nossos dias. No Butão os irmãos atravessam a fronteira com a Índia para se reunirem porque naquele país budista extremista os cristãos são perseguidos. No Egito apenas os templos antigos, católicos e protestantes, construídos antes das recentes leis islâmicas podem ser usados para reuniões cristãs, e ainda assim com guardas à porta para evitar invasões de muçulmanos radicais. Os irmãos com os quais tenho comunhão costumavam alugar o porão de um templo católico para poderem se reunir, e quando fazem reuniões em casas precisam chegar em horários alternados para não despertarem suspeitas de radicais muçulmanos que podem invadir a casa e espancá-los.

Na Síria todos os dias vemos notícias de cristãos sendo mortos pelo Estado Islâmico. Na Nigéria e outros países da África dezenas são dizimados em igrejas, como acontecia no Peru nos tempos do "Sendero Luminoso" o grupo que queria implantar um comunismo maoista no país. Conheci um irmão que foi metralhado dentro de uma igreja evangélica e sobreviveu. Quando ele levantou sua camisa vi as cicatrizes de balas em sua barriga. Sobreviveu porque quando a jovem terrorista entrou na pequena igreja evangélica e começou a metralhar os fieis sentados ele ficou em pé e as balas não acertaram sua cabeça, como aconteceu com todos os outros.

Acho que você já percebeu que se um casal gay ficar se beijando durante uma palestra, se a escola ensinar costumes assim para meus filhos, ou se minha filha entrar num banheiro público e encontrar lá um homem passando-se de mulher, esses serão os menores dos problemas que um cristão irá enfrentar. Repetindo o que disse John Piper, "Ora, nós não deveríamos ser tratados com respeito, nós deveríamos ser mortos! Estamos sendo mortos em todo o mundo, somos como ovelhas levadas ao matadouro e em todas essas coisas somos mais que vencedores!"

Para mais sobre o cristão e a política, visite estes links:

O cristão deve se envolver em política?
O que você acha de políticos cristãos?
Devo participar de manifestações contra o governo?
Devemos nos preocupar com o que as escolas ensinam?
Os cristãos devem combater o casamento gay?
A igreja deve celebrar o casamento de pessoas do mesmo sexo?

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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