As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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O que voce pensa da hipnose?



https://youtu.be/UcglvKHSeqc

Alguém perguntou o que penso da hipnose, e acredito que isso possa valer também para qualquer sistema de manipulação da mente. Hipnose, segundo a atual definição pela Associação Americana de Psicologia, "é um estado de consciência que envolve atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão." Talvez você argumente que um sedativo para dor ou anestesia para procedimento cirúrgico também nos coloca em um estado de letargia suficiente para perdermos o controle próprio, mas aí temos um objetivo muito claro envolvendo a saúde do corpo ou a eliminação de uma dor crônica, sem contudo manipular a mente do paciente.

O uso de anestésicos, sedativos e analgésicos para dor ou para se executar procedimentos médicos ou cirúrgicos não são usados para induzir um estado ou disposição mental visando obter informações sobre o passado da pessoa ou seus traumas ocultos. Eles apenas servem para tirar a consciência, enquanto a hipnose mantém a pessoa em um estado de semiconsciência para que o hipnotizador faça perguntas ou até mesmo crie sugestionamentos que poderão manipular o hipnotizado e levá-lo a uma mudança de comportamento.

Seria possível o hipnotizador criar "memórias" falsas pela indução ou sugestionamento? Eu acredito que sim, porque nossa memória não é como o HD de um computador. Nós não armazenamos coisas exatamente como aconteceram, mas a memória é reconstruída sempre que nós a invocamos.

Dou um exemplo: Você vai atravessar a rua e um carro quase o atropela. Você gravou na memória um quase atropelamento, mas foi tudo tão rápido que nem teve tempo de perceber a cor do carro, sua marca, se o motorista era homem ou mulher, loiro ou moreno e muito menos a roupa que vestia. Amanhã um amigo lhe diz que viu o que aconteceu, quando aquele Volkswagen Gol quase pegou você. Depois de amanhã outro amigo conta que estava na outra calçada quando viu aquele homem de cabelo preto e camisa vermelha quase passar por cima de você. Num outro dia alguém acrescenta mais uma informação e dez anos depois, quando alguém lhe pergunta se alguma vez foi atropelado, você conta:

"Nem me diga! Eu quase fui atropelado na Avenida Principal, em frente ao número 1234 onde tem uma loja de ferramentas. Eu ia atravessar quando um Volkswagen Gol de cor branca perolizada, com rodas de liga e o som ligado bem alto tocando samba, veio em alta velocidade, dirigido por um homem alto e moreno, de camisa vermelha, ultrapassou uma perua Kombi azul com uma propaganda das Casas Dias na lateral, dirigida por uma mulher loira, veio para cima de mim. Se na hora um senhor calvo, de meia idade e vestindo camisa xadrez, não tivesse gritado eu teria sido atropelado."

Considerando que a hipnose e também aqueles programas de "mudança de mente" que ficam cada vez mais populares, têm por objetivo o controle da pessoa e de sua mente, por melhores que sejam as intenções de quem hipnotiza ou se deixa hipnotizar, não acredito que seja algo a que um cristão deva se submeter. Devemos ser controlados apenas pelo Espírito Santo, e se já é uma luta diária termos em nós uma carne ou velho homem que insiste em voltar ao controle de nosso ser, quanto mais permitir que alguém de fora consiga acesso à nossa mente para extrair de nós alguma memória ou fabricar outras segundo sua própria agenda.

A Palavra de Deus diz: "Sede sóbrios e vigilantes." (1 Pe 5:8). Você não está sóbrio quando é hipnotizado ou se coloca sob o efeito de alucinógenos. Ao contrário, você perde o controle de si mesmo e no caso de hipnotismo isso fica ainda mais grave porque você passa o controle para outra pessoa. Agora veja a continuação do mesmo versículo para entender as implicações do que o apóstolo estava escrevendo: "Sede sóbrios e vigilantes porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar". A palavra grega traduzida como "tragar" pode ser traduzida também como beber ou engolir algo até o fim. Ou seja, ter a posse completa daquilo que é engolido.

Nem Satanás, e nem algum de seus espíritos malignos, jamais poderá se apossar de alguém que foi verdadeiramente salvo por Cristo e tem agora o Espírito Santo habitando em si. Mas ele pode influenciar a mente dessa pessoa. Pense de onde eu e você fomos tirados quando nos convertemos a Cristo e o Espírito Santo passou a habitar em nós. Andávamos antes "segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência... nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (Ef 2:2-3).

É claro que todo crente em Cristo continua tendo desejos da carne e pensamentos carnais, mas agora ele possui um recurso para fazer frente a esses pensamentos, que é o Espírito Santo e a nova vida que tem em si. Ele não anda mais como antes, comandado pelo príncipe dos poderes do ar, e nem opera em si o espírito que opera nos filhos da desobediência. Em si agora opera o Espírito Santo. Por que razão ele se deixaria fragilizar mentalmente ao ponto de se colocar debaixo da operação de outra pessoa que terá acesso à sua mente, seus segredos, desejos e até a memórias que nem mesmo são reais, uma vez que são reconstruídas sempre que forem invocadas?

No versículo "Sede sóbrios e vigilantes." (1 Pe 5:8) a  palavra sóbrio indica total controle próprio (ao contrário de um bêbado ou drogado que perdeu o autocontrole). A palavra vigilante indica alguém que está percebendo tudo ao redor, ao contrário de uma pessoa que dorme. Acho que isso já mostra como o cristão deve agir em relação a hipnotismo. Obviamente não inclui o sono que é um mecanismo natural e não coloca você sob o comando de outra pessoa.

Outra passagem diz: Gl 5:22 "Mas o fruto do Espírito é... domínio próprio." Alguém sob o domínio da hipnose perde o domínio próprio, embora o hipnotizador possa alegar que nunca conseguirá fazer o hipnotizado agir de modo contrário às suas convicções morais.

Normalmente o hipnotismo é usado como meio para a pessoa encontrar respostas para seus problemas dentro de si mesma, o que também é outro problema para um cristão. Afinal, o que temos de nós mesmos, de nossa natureza original, que não tenha sido corrompido pelo pecado? Se "eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7:18), por que razão eu iria querer buscar em mim mesmo, isto é, em minha natureza herdada de Adão, algo que possa me auxiliar? Acaso não seria em outra direção que eu deveria olhar em busca de socorro, "olhando para Jesus, autor e consumador da fé"? (Hb 12:2).

Romanos 6:16-23 mostra que não devemos nos deixar controlar por nada e nem ninguém, além do Espírito Santo: "Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça?". Um processo externo de indução, seja ele por métodos hipnóticos ou drogas, pode criar dependência física e psíquica, e no caso da hipnose criar um vínculo de dependência do hipnotizado por seu hipnotizador.

Agora vem um questão importante: Quem foi o pai das modernas técnicas de hipnotismo? Apesar do termo "hipnose" ter sido usado por um médico britânico, James Braid (1795-1860), que alegava tratar-se de uma espécie de sono induzido, foi Franz Anton Mesmer (1734-1815) quem parece ter criado o conceito moderno de algo que sempre foi largamente utilizado nas religiões pagãs por seus sacerdotes, pajés e feiticeiros. Estes sempre usaram de movimentos das mãos, plantas alucinógenas e muito ritmo para tirar seus seguidores do estado de consciência e induzi-los a um transe, um estado geralmente aproveitado por espíritos imundos para se apossarem de suas vítimas. Os livros de Franz Anton Mesmer, de quem vem o verbo "mesmerizar", encontram-se entre os clássicos de religiões ocultistas e espiritualistas como espiritismo, rosa-cruz e magia em suas diferentes vertentes,

Mas existem outras formas de se induzir as pessoas a pensarem e agirem de uma maneira pré-programada, e às vezes não são utilizadas técnicas de hipnose clássica para isso, mas outras que envolvem persuasão e condicionamento. Quando você pesquisa sobre hipnose descobre que até mesmo a psicologia científica do comportamento desenvolvida por Pavlov traz algumas técnicas de sugestionamento pela aplicação de estímulos com o fim determinado de se treinar a mente ou o físico de uma pessoa ou animal.

Ideologias políticas usam técnicas assim todos os dias e, no Brasil vermos uma forma até branda dessa forma de persuasão que transforma militantes, principalmente estudantes e pessoas de baixa renda, em marionetes políticos. Ensine um adolescente sem muita perspectiva a repetir um mantra ideológico qualquer e sentir-se gratificado ao participar do poder momentâneo de uma boiada em loja de cristais e você terá um pequeno exército pronto para agir ao seu comando. A expansão do islamismo radical mostra até onde é possível chegar unindo militância política e fanatismo religioso no mesmo caldeirão. Jovens revoltados e sem horizonte político ou religioso são vítimas fáceis se forem seduzidos com o poder de mudar o mundo, algo que ele geralmente nem tentou começando por arrumar a própria cama. Um jovem assim pode se tornar num soldadinho pronto a vestir um colete de explosivos, sejam estes reais ou apenas de ações que causem um impacto na sociedade.

Antes de minha conversão passei tanto por militância eco-política quanto filosófico-religiosa, que ensinava a repetir "Obrigado! Obrigado! Obrigado...", e é impossível passar por isso sem perceber as técnicas utilizadas. Numa pseudo-filosofia de origem japonesa que frequentei por três anos percebi que as palestras tinham um crescendo de comando-recompensa-controle. O preletor iniciava ordenando que o público fizesse coisas simples, como aplaudir, abraçar a pessoa ao lado ou levantar as mãos. Aos poucos ele ia aumentando a dificuldade dessas ordens que podiam passar de subir na cadeira, dar gritos e gargalhadas forjadas a pulinhos e rodopios. Como tudo era feito de maneira muito divertida, todos se sentiam gratificados, sem perceberem que não teriam sido capazes de obedecer aos últimos e mais constrangedores comandos sem terem passado antes pelos mais simples e banais. Mas como a recompensa vinha sempre na forma de alegria, ao final da pequena sessão de condicionamento psicológico do tipo causa-efeito todos alegremente passavam a ouvir com atenção e sem questionamento ao bloco doutrinário e ideológico que se seguia. Suas guardas haviam sido baixadas e a vontade-própria quebrada com as técnicas usadas no início.

Nos anos 70, década de minha conversão, era comum encontrar também os "Meninos de Deus", uma seita religiosa que usava do sexo das meninas como forma de atração, principalmente de homens com dinheiro. Mais tarde, com a morte de seu guru e proibição da organização em vários países, aquela seita passaria a se denominar "A Família" em razão dos escândalos e casos de suicídios, prostituição e pedofilia de que eram acusados em vários países. Havia também os alegres jovens do Hare-Krishna, aliciados entre jovens insatisfeitos principalmente de classes média-alta, condicionados a acreditar no que seus gurus ensinavam por meio da privação do sono e de proteína animal. Na época eram comuns nos Estados Unidos os "desprogramadores" profissionais, contratados pela família para sequestrar, aprisionar e reprogramar jovens vítimas dessas seitas. Um dos mais famosos e que inaugurou a ideia foi Ted Patrick, que ajudaria a desprogramar centenas de jovens iludidos pelas seitas religiosas. Todavia, seus métodos radicais de sequestro do paciente e uso de força física lhe renderam dezenas de processos na justiça americana.

Mais recentemente as técnicas de hipnose e persuasão chegaram também ao meio evangélico, e se você fizer uma busca por "hipnose" + "pastores" encontrará dezenas de artigos revelando como a hipnose é usada principalmente por pastores neo-pentecostais para criar estados de falsa possessão demoníaca e também induzir pessoas a contribuírem para a religião. Líderes religiosos também estudam métodos e palavras usadas por agências de espionagem em torturas psicológicas. O objetivo disso no meio neo-pentecostal é seduzir os fiéis e quebrar sua vontade própria e resistência, levando-os a aceitar como verdade tudo o que vem após a aplicação da técnica de persuasão. Nesse contexto são também utilizadas as técnicas que descrevi antes de comando-recompensa-controle. Quão diferente é isso do que o apóstolo Paulo ensinou ao descrever sua abordagem para com os Coríntios:

"E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." (1 Co 2:1-5).

Embora a passagem a seguir tenha sido escrita originalmente para descrever a mulher adúltera e sedutora, acredito que possa ser aplicada como princípio para alertar contra o risco que corre qualquer vítima de hipnose e técnicas de sedução:

"Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida." (Pv 7:21-23).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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