As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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A Policia Federal desrespeitou a Biblia?



https://youtu.be/3Ed8Su_dP3M

Não vejo que o uso de um versículo da Bíblia para dar nome a uma operação da Polícia Federal — no caso a “Operação Timóteo” — seja um desrespeito à Palavra de Deus. Ao contrário, isso só expõe a vergonha em que se tornou o testemunho cristão no mundo, que está hoje em seu estágio de Laodiceia, quando o Senhor diz “estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” (Ap 3:16). Quando a degradação da cristandade provoca ânsias de vômito no próprio Senhor é porque as coisas foram longe demais e tudo indica que ainda irão. A Polícia Federal tão somente trouxe à tona a vergonhosa atitude de muitos cristãos que buscam prosperidade a todo custo em uma clara desobediência à admoestação do versículo de 1 Timóteo 6:9 usado para dar nome à operação.


O contexto da passagem é mais amplo do que o versículo 9 usado pela Polícia Federal e fala justamente daqueles que querem fazer da piedade fonte de lucro, algo que está visível e patente a qualquer hora do dia ou da noite em templos, rádios e TVs que transmitem programas neo pentecostais. Tudo gira em torno de se adquirir dinheiro e poder nesta vida. Vamos ao trecho:

“...homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Tm 6:5-10).

Sabemos que Paulo escreve a Timóteo em sua primeira epístola indicando “como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade. E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória.” (1 Tm 3:15-16). É dessa piedade que ele fala em 1 Timóteo 6, que homens corruptos achavam “que a piedade é fonte de lucro” (1 Tm 6:5 ARA). O tema da segunda carta a Timóteo é a degeneração dessa casa de Deus e sua ruína, que de uma casa que devia ser “a coluna e firmeza da verdade” se transformou “numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra” (2 Tm 2:20). Numa situação assim o apóstolo alerta para que “o Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade” (2 Tm 2:19).

Tudo isso tem uma ligação direta com o capítulo 18 de Apocalipse, que descreve o último estágio da Babilônia, chamada de “a grande” tal qual a “grande casa”, que é a cristandade professa que irá permanecer aqui na terra após a igreja, os verdadeiros salvos, serem arrebatados. Essa cristandade oca, vazia de cristo após o arrebatamento dos verdadeiros cristãos. A profissão cristã continuará com todos os seus sistemas, seus templos, seus cultos caminhando da maneira como sempre caminhou, em ganância e na busca por cada vez mais poder e influência secular.

O que vemos em Babilônia nos capítulos 17 e 18 de Apocalipse é a cristandade que quis ser rica; a cristandade que quis ser grande. Ali ela é chamada várias vezes de “grande cidade”, porque sempre foi isso que a cristandade quis ser no mundo. Quando lemos em Apocalipse 18:2 que “caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável”, isso nos leva ao capítulo 13 do Evangelho de Mateus. Ali o Senhor fala as parábolas do reino dos céus e começa com a parábola do Semeador.

O Semeador semeia a semente e esta cai em diferentes solos, e em um deles o maligno arrebata a semente. Na parábola do joio e do trigo Jesus mostra que existe mistura no reino dos céus, onde aquilo que é falso convive lado a lado com aquilo que é verdadeiro. Trigo e joio crescem juntos no mesmo campo que é o mundo. Quando o Senhor chega à parábola do grão de mostarda, ele fala de uma pequena semente que se transforma numa grande árvore e as aves dos céus se aninham em seus ramos. Um pé de mostarda que se transforma em árvore é uma aberração. Eu nunca vi uma criança amarrando seu balanço no galho de um pé de mostarda para balançar, ou dizendo que caiu de um pé de mostarda.

A mostarda é uma hortaliça que não deveria atingir a estatura de uma árvore, com tronco e galhos, e nesta árvore da parábola vemos aninhadas toda sorte de aves do céu. Que aves são essas? O Senhor Jesus explica na parábola do Semeador: “e, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na” (Mt 13:4). Quando ele explica no versículo 19 que, “ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho”, podemos associar as aves como emissários de Satanás, os mesmos que aparecem aninhados nos galhos da árvore de mostarda.

Embora a cristandade interprete as parábolas do grão de mostarda e da massa levedada de uma ótica benigna, como se fosse a expansão do evangelho no mundo, o cristão “que é espiritual discerne bem tudo” saberá que os apóstolos e profetas da Igreja — e isso inclui os que escreveram os Evangelhos — não ensinavam com “palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais.” (1 Co 2:13-16). Comparando “coisas espirituais com espirituais” você irá encontrar na Bíblia exemplos de aves usadas no sentido maligno e fermento sempre como figura do pecado e contaminação. Nada de positivo, portanto, no crescimento daquela massa da parábola do fermento que uma mulher introduziu. A massa cresceu como consequência do alerta dado pelo Senhor à igreja de Tiatira em Apocalipse 2:20: “Tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria”. Uma das doutrinas cardeais do catolicismo romano é que a igreja, que é um termo feminino, é quem ensina, quando na doutrina dos apóstolos sabemos que a igreja, ou a mulher que a simboliza, nunca ensina. A igreja aprende.

Juntando tudo, esta é a condição agora da grande Babilônia de Apocalipse 17 e 18, o grande sistema em que se tornou o testemunho cristão no mundo ao ponto de se tornar “morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável” (Ap 18:2). À medida que a cristandade cresceu como a grande árvore de mostarda, ela não apenas se desviou da verdade mas também deixou-se contaminar pelo fermento do pecado e corrupção, passando a abrigar demônios e homens energizados pelo próprio diabo, como o apóstolo Paulo alertou em sua carta aos Coríntios: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (2 Co 11:13-15).

Essa é a cristandade que temos já em nossos dias, e quando vemos a Polícia Federal investigando lavagem de dinheiro e usando um versículo da Bíblia para dar nome à sua operação, por essa lavagem de dinheiro estar supostamente sendo feita com a utilização de igrejas, vemos a que ponto chegou a cristandade. Alguém postou em meu Twitter o vídeo de um líder religioso vociferando indignado contra as autoridades por sua reputação ter sido maculada ao ter seu nome envolvido nessa operação da Polícia Federal. Achei graça. Afinal, que reputação tem o crente que possa ser manchada? A única reputação de um crente é a de um pecador perdido salvo por cristo, que não tem que defender-se a si mesmo, mas testemunhar de Cristo. Quanto à sua reputação segundo os valores da carne e deste mundo, ele deve deixá-la no mesmo chão da cocheira onde o apóstolo Paulo deixou a dele, após considerá-la estrume. Ele escreveu:

“Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu... Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé” (Fp 3:4-9).

Nosso exemplo deve ser o que foi dado pelo próprio Senhor Jesus. Quando sua reputação era manchada, a reação dele não era de revanche ou defesa acalorada. “Quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente” (1 Pe 2:23). Na verdade ao nos tornarmos cristãos devemos estar prontos a receber toda a ignomínia e vergonha que ele recebeu neste mundo até ao ponto de ter sido pregado numa cruz como um criminoso qualquer. A passagem toda de 1 Pedro é tão instrutiva que vale a pena transcrever aqui todo o contexto, o qual inclui a sujeição passiva às autoridades constituídas:

“Sujeitai-vos, pois, a toda a ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos; como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus. Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai ao rei. Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.” (1 Pe 2:13-21).

Na descrição da grande Babilônia de Apocalipse, a expressão final da cristandade corrompida, vemos que o que a motivou desde o princípio foi o mesmo desejo do homem carnal de ser grande. Babilônia é chamada de grande cidade, mas a primeira cidade da história surgiu em Gênesis, construída por Caim em seu caminho de rebelião. “E conheceu Caim sua mulher e ela concebeu e teve a Enoque, e ele edificou uma cidade e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoque” (Gn 4:17). Ali surgiram muitas primeiras coisas, todas elas numa tentativa de Caim tornar o mundo arruinado mais confortável para sua habitação, e permitir ao homem deixar de ser um peregrino errante e ficar sua bandeira na terra.

O caminho e Caim nos ensina que o homem afastado de Deus irá querer ser grande no mundo, e Caim seguiu à risca o provérbio brasileiro chamado de “Lei de Gerson”, e conseguiu ser o primeiro em muitas coisas. Tendo sido o primeiro filho do primeiro casal, cometeu o primeiro assassinato ao matar seu irmão Abel. Construiu a primeira cidade, foi o primeiro a praticar o costume de dar nomes de homens a cidades, ruas e praças, um seu descendente, Lameque, foi o primeiro polígamo, outro descendente, Jabal, “foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado. E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão. E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro”. Essa sociedade, da qual costumamos nos orgulhar e desfrutar, com suas cidades, produção, comércio, arte e ciência, foi em grande parte iniciada pela linhagem de Caim.

Lameque, descendente de Caim e o primeiro polígamo, confessa às “suas mulheres Ada e Zilá: ‘Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete’” (Gn 4:23-24). Apesar de estarmos acostumados a passar rapidamente por esta passagem e entendê-la como se fosse um desejo dele de ser considerado muito mais culpado que Caim, a intenção dessa confissão era outra. Uma melhor tradução aí é “Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque setenta vezes sete.”. Lameque está se referindo à proteção e vingança prometidas por Deus ao homicida Caim um pouco antes: “Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado.” (Gn 4:15).

Lameque é o protótipo do corrupto, libertino e prepotente. Ele se acha menos culpado que Caim, pois no seu caso matou dois homens por ter sido ferido por eles, portanto merece setenta vezes sete atos de vingança contra quem quiser prejudicá-lo. Acaso não é esse o mesmo sentimento de impunidade que prevalece nos corruptos? Não é esta a arrogância típica de todo aquele que se acha cheio de direitos apesar de seus crimes e sempre encontra alguém mais criminoso para culpar? Quando você lê a epístola de Judas descobre lá o tripé da religião descrito como “caminho de Caim... engano de Balaão e... contradição de Coré”, três homens ímpios que são mostrados ali para tipificar os falsos mestres e falsos profetas em sua volúpia por prosperidade, libertinagem e poder.

Mas essa iniciativa de Caim irá se agravar no capítulo 11 de Gênesis quando os homens, que ainda eram de um mesmo idioma, se reúnem num vale na terra de Sinar e começam a construir uma torre. “E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.” (Gn 11:1-4).

Ninguém de sã consciência escorreria um vale para construir uma torre alta, pois o mais lógico seria construir num planalto ou topo de uma montanha. Mas o que eles queriam mesmo era fazer um nome, desafiar a Deus, afirmar: “Nós somos os senhores da terra”. Essa intenção de atingir os céus eles realmente conseguem, depois de terem atingido seu intento de chamar a atenção de Deus que veio e confundiu suas línguas dispersando-os em diferentes povos e nações. O nome Babel, do qual vem Babilônia, significa “confusão” e foi isso o que aconteceu. Mas quando digo que a torre que construíram realmente atingiu os céus, estou pensando também em Apocalipse 18:5, e na Babilônia moderna que representa a cristandade apóstata e corrompida. Ali diz: “os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.”.

Babel chegou realmente até o céu na forma da Babilônia em sua ânsia de prosperidade e poder, e ela acaba sendo destruída em Apocalipse 18 porque a única torre que conseguiram construir para atingir o céu não foi uma torre de tijolos, mas de pecados. No capítulo 17 de Apocalipse nós a vemos derrubada pela besta do poder civil, na qual ela esteve montada até ser jogada ao chão. Em Apocalipse 18:17 a Palavra de Deus nos mostra bem o espírito dessa Babilônia, uma cristandade vazia de Cristo: “porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto.”.

A cada domingo nós somos congregados como igreja ou assembleia ao nome do Senhor para, na ceia, recordarmos o Senhor e anunciarmos sua morte. Sentimos falta dele, porque é este o sentimento apropriado a uma viúva. A Igreja, a Noiva de Cristo, sente falta daquele que morreu para salvá-la. Sabemos que o Senhor ressuscitou e está vivo no céu, mas ele nos deixou na ceia uma celebração que fala de morte, a morte daquele que é o Noivo da Igreja. Então o sentimento apropriado à Igreja, a Noiva de Cristo, é o de uma viúva sim, e não de uma rainha entronizada neste mundo que crucificou o Senhor e prostituindo-se com os mercadores da terra. O sentimento que compete à Igreja é o de quem sofre pela saudade do esposo e aguarda ansiosamente por sua volta. Mas para a falsa noiva, a Babilônia, a grande e promíscua meretriz, o sentimento é justamente o oposto. A última coisa que ela deseja é que o Noivo volte, pois isso estragaria a festa e o reinado dessa falsa rainha que vive em luxúria.

A volúpia vivida por Babilônia é descrita no final do capítulo 18 de Apocalipse por meio das coisas que ela desfrutava antes de ser destruída. Ali os mercadores lamentam sua destruição e fazem isso porque ganhavam tanto dinheiro com Babilônia que nem mesmo tinham se dado conta disso até ela ter desaparecido da terra. Quando a besta do poder civil destrói Babilônia no capítulo 17 ainda não faz ideia da influência que ela tinha na riqueza das nações. Hoje nós igualmente não fazemos ideia do quanto de dinheiro circula graças às religiões cristãs e a importância que isso tem no comércio mundial. Se as religiões cristãs desaparecessem (e chamo de religiões cristãs aqui os sistemas religiosos que os homens criaram), o impacto econômico no mundo seria enorme. Basta ver a descrição de tudo o que é comercializado na mística Babilônia no final do capítulo:

“E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais; e luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.” (Ap 18:22-23).

Música, entretenimento, artes, produção industrial, comércio etc. Digno de nota é ver que na Babilônia existe feitiçaria, que ela usa para enganar os homens e isso com a ajuda do poder de demônios. Mas o que Babilônia pensa dos homens, essa que quis ser grande no mundo? Ela coloca os homens no final de sua lista, reputando-os como mercadoria de de menor valor. Cristo Jesus veio ao mundo dar sua vida para salvar seres humanos, por causa do amor que ele nutria pelo homem como coroa da Criação. Mas na lista de mercadorias das quais os mercadores irão chorar por não estarem mais sendo comercializadas com o fim da Babilônia a ordem de valor é invertida e começa com o ouro.

“Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore; e canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens.” (Ap 18:12-13).

Em primeiríssimo lugar vem o ouro, e isso tem a ver com o fato de a Polícia Federal estar investigando igrejas por suposta lavagem de dinheiro, porque o ouro ocupa o topo da lista de valor das religiões que só fazem de conta que estão ocupadas com Cristo. Lembre-se daquele versículo que fala dos que pensam que piedade seja fonte de lucro. Segue-se uma relação de itens que vai decrescendo no valor normalmente dado a eles até chegar ao ser humano: “corpos e almas de homens”. É em último lugar que a cristandade representada por Babilônia coloca os homens em sua lista de prioridades. Ser grande, rica e abastada é sua prioridade, a mesma de Laodiceia do capítulo 3 de Apocalipse.

No versículo 4 de Apocalipse 18 o Espírito Santo dá uma ordem que é de importância para nós já em nossos dias, quando vivemos nessa grande casa em que se tornou a profissão cristã: “E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas”. Não é de surpreender que é a mesma ordem dada em 2 Timóteo 2, quando aquela casa de Deus que deveria ter sido coluna e firmeza da verdade se transformou numa grande casa onde existe de tudo um pouco:

“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade. Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra.” (2 Tm 2:19-21).

Se você continuar lendo o capítulo 3 de 2 Timóteo verá que ali são descritos os homens que compõem a cristandade professa, porém são joio no meio do trigo. A descrição tem tudo a ver com o que almeja a Babilônia de Apocalipse: “homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela.” (2 Tm 3:2-5).

Ficar associado a qualquer coisa que use o cristianismo como fonte de lucro, é ser participante dos pecados de Babilônia; é iniquidade, é corrupção. Ou pode até mesmo se configurar crime, quando vemos nos jornais as igrejas e seus líderes sendo investigados por lavagem de dinheiro. A ânsia por riqueza e prosperidade material foge ao propósito de Cristo para a Igreja, que deveria viver neste mundo em humildade, em pequenez, não querendo ser grande, não tendo uma reputação para defender, porém aguardando a vinda de seu Noivo amado.

Cabe aqui um parêntese para a expressão “grande Babilônia” e “grande cidade” que aparece muitas vezes relacionada à essa cristandade corrupta. Digo isto porque alguns poderiam alegar que em Apocalipse 21:10 a Jerusalém que desce do céu também é chamada de “grande cidade”, mas se você comparar diferentes versões da Bíblia verá que as melhores traduções trazem “santa cidade” ao invés de “grande cidade”. A verdadeira Igreja não é tratada na Bíblia como grande, mas como santa, e isso revela o contraste de tudo o que é do mundo e o que é de Cristo na terra. Não era para a Igreja ser algo grande no mundo que crucificou seu Noivo, e tampouco ter influência política e econômica aqui associando-se aos que mandam neste mundo.

Na descrição de Babilônia existem muitas evidências que a identificam com a igreja católica romana, que sempre arvorou ser a verdadeira igreja de Cristo. Os papas, cardeais e bispos de Roma sempre tiveram grande influência neste mundo, ao ponto de coroarem reis e assim literalmente estarem montados na besta do poder civil. Grandes conquistas da humanidade, como as da era das navegações e descobertas, foram patrocinadas pela igreja católica, que é sabido manter um pé bem estabelecido no mundo financeiro e de negócios. Se você mora na cidade do Rio de Janeiro deve saber que até hoje esse território pertence à sé romana, e por isso é que todo imóvel negociado paga um imposto para lembrar que está apenas ocupando um espaço que pertence a Roma, como acontece também com imóveis na faixa litorânea do Brasil que é considerada propriedade da Marinha.

Em Apocalipse 2, quando lemos das sete cartas em seu sentido profético, encontramos na quarta carta de Tiatira, a partir do versículo 18, a descrição da igreja católica romana, que se estende até os dias atuais, e contra a qual foi dito que se não se arrependesse de sua prostituição seria castigada: “Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.” (Ap 2:21-22).

Mas o que conhecemos como protestantismo, que é descrito no capítulo 3 de Apocalipse pela igreja de Sardo ou Sardis, já aparece no capítulo 2 na descrição de Tiatira: “Matarei os seus filhos” (Ap 2:23). O protestantismo com sua profusão de igrejas pode estar aqui representado por esses “filhos”, que no original tem o sentido de descendência. Todas as igrejas protestantes se incluem nessa condição de “filhos” do catolicismo romano, pois foi daí que se originaram. A Reforma, que foi uma tentativa de reformar a igreja católica, acabou se pulverizando nessa profusão de igrejas como filhas do sistema de onde saíram. Hoje quando olhamos para aquilo em que se tornou o protestantismo vemos que em nada difere do catolicismo em sua busca por poder, riquezas e glória no mundo. Não é à toa que todas acabarão se alinhando com a igreja romana formando esse sistema gigantesco identificado em Apocalipse como a “a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.” (Ap 17:5).

O versículo 23 de Apocalipse 18 diz: “porque os teus mercadores eram os grandes da terra”. Está falando dos mercadores de Babilônia como os mais importantes do mundo, e isso já denuncia o caráter mercantilista da religião cristã naquilo em que os homens a transformaram. Estes são homens com poder e dinheiro suficientes para influenciar a política, o comércio, a mudança de governos, a declaração de guerras com fins comerciais etc. Onde estão hoje esses homens da grande Babilônia? Estão na grande cristandade, e todo cristão faz parte dela hoje. Não estamos imunes a essa corrupção que se abateu sobre a cristandade, mas a raiz e veneno disso está no desejo de ser grande. Basta entrar numa denominação cristã para perceber o quanto a grandeza humana é acalentada ali. Existem títulos, prêmios, medalhas, diplomas, tudo para elevar o status das pessoas que participam daquele sistema. Nessas organização o homem é exaltado e recebe títulos pomposos, alguns, como Reverendo, que na Bíblia são exclusividade de Deus, indo na contramão daquilo que João Batista declarou de si mesmo e de Cristo: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3:30).

Não é, pois, de se espantar que alguns recebam a visita da Polícia Federal que mais sabiamente até do que aqueles que professam crer em Jesus e seguir seus mandamentos, batiza uma operação contra a lavagem de dinheiro como “Operação Timóteo”, para lembrar os seguidores da teologia da prosperidade que “os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Tm 6:9-10).

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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