As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Cristaos devem celebrar festas judaicas?



https://youtu.be/4FCI5xUAssk

Você conhece cristãos que insistem em celebrar as festas judaicas em conformidade com Levítico 23 e queria saber se essas coisas são para a Igreja na atual dispensação da graça de Deus. Segundo eles, o fato de Deus repetir no capítulo a expressão "estatuto perpétuo" significa que essas festas nunca deveriam deixar de ser celebradas. Então eles as celebram do jeito que Deus ordenou. Será que celebram? Não, eles apenas fingem celebrar.

Para entender a Bíblia é preciso sempre perguntar quando uma determinada passagem foi escrita, em que contexto, com qual objetivo, e primeiro de tudo a quem ela foi dirigida. Moro em um condomínio e quando o porteiro entrega a correspondência eu confiro se todas as cartas são para mim. Ele pode se enganar e eu abrir a carta que chegou para meu vizinho. Como sou distraído, corro o risco de pagar um boleto que não é meu! Aplique o mesmo critério ao capítulo 23 de Levítico, que sua amiga diz obedecer à risca, e você descobre os destinatários daquelas instruções.

"Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades..." (Lv 23:2)

Essas pessoas que insistem em celebrar as festas judaicas são israelitas? Guardam o sábado? Celebram a Páscoa com um cordeiro sacrificado e queimado ao fogo? Comem pães sem fermento? Têm um sacerdote da linhagem de Aarão para dirigi-las nas comemorações? Fazem ofertas de alimentos com flor de farinha amassada com azeite e ofertas queimadas com libação de vinho? Matam sete cordeiros de um ano, um novilho e dois carneiros? Sacrificam também um bode e dois cordeiros de um ano? Habitam sete dias em tendas?

Provavelmente não fazem nada disso, mas inventaram alguma festinha à fantasia só para dar um ar de judaísmo às suas reuniões. Alguns se fantasiam de israelitas, enfeitam o lugar com panos pintados de motivos judaicos, acendem candelabros e tocam um berrante de chifre, só que menor que aquele tocado pelos peões nos rodeios. Os homens costumam deixar a barba crescer para ficarem parecidos com judeus, como faziam os simpatizantes de partidos de esquerda no Brasil para ficarem parecidos com Fidel Castro. Tudo artificial, puro fingimento seletivo. Como alguém que rouba a correspondência da caixa de correio do vizinho e quer ficar só com as cartas românticas, devolvendo as contas a pagar.

O capítulo 23 de Levítico termina mais uma vez deixando claro quem são os destinatários dessa ordem que foi dada para ser cumprida de forma perpétua: "Assim pronunciou Moisés as solenidades do SENHOR aos filhos de Israel." (Lv 23:44).

Mas por que tantos cristãos insistem em roubar a correspondência dirigida a Israel? Porque a carne religiosa gosta de pompa, rituais e fantasias. As religiões cristãs católicas e protestantes sempre fizeram isso em alguma medida, construindo templos com altares, queimando incenso, criando uma ordem sacerdotal paramentada, acendendo velas em candelabros e introduzindo outros elementos alienígenas à adoração cristã ensinada pela doutrina dos apóstolos, que deveria ser simples e despojada. Quando não existe fé o homem procura elementos para andar por vista. Todavia, "andamos por fé, e não por vista" (2 Co 5:7).

A esses que querem parecer judeus vale a repreensão feita por Paulo a Pedro: "E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação." (Gl 2:11-12). Dissimular significa se disfarçar para parecer que você é alguém que na verdade não é.

Um bom antídoto para essa "juidaidice" que tem invadido a cristandade é o capítulo 2 da carta aos Colossenses. Aquela assembleia estava enfrentando a invasão de pessoas trazendo ideias emprestadas da filosofia, do legalismo judaico, do misticismo e do asceticismo orientais. As religiões cristãs da atualidade também trazem essas coisas em um grau maior ou menor, e se Paulo falava que "grande combate tenho por vós e pelos que estão em Laodiceia" (Cl 2:1) é porque essas coisas estavam realmente causando danos ao testemunho cristão. Então ele vai direto naquilo que deveria ocupar os corações deles: Cristo! "Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência." (Cl 2:2-3).

Os sacrifícios e festas dados a Israel na dispensação da Lei têm para nós hoje um aspecto simbólico, pois como sabemos eram "sombras das coisas futuras" (Cl 2:17). Assim é consolador lermos o Antigo Testamento e descobrirmos quantas coisas ali prefiguravam Cristo e sua obra em diferentes aspectos. Hoje não nos ocupamos com as sombras, mas com a realidade. Quando uma pessoa querida vem visitar você, a sombra dela pode chegar um segundo antes e aparecer na parede da entrada de sua casa. Você se alegra ao vir a sombra. Mas no momento em que essa pessoa entra no aposento você não irá nem pensar em convidar a sombra para tomar café. É com a pessoa real que irá querer se ocupar. Quando vejo cristãos hoje ocupados com judaísmo e celebrando festas judaicas logo penso na criança pequena que ganha um brinquedo caro e prefere brincar com a caixa.

A Lei dada a Moisés não se limitava aos dez mandamentos, porém incluía centenas de ordenanças registradas no Pentateuco. Cada oferenda ali nos fala de Cristo e cada sacrifício aponta para o sangue que seria derramado na cruz para a glória de Deus e a salvação do pecador. O Tabernáculo, a grande tenda que Deus ordenou como o lugar de adoração dos hebreus, era uma figura de Cristo, bem como seus utensílios e até mesmo o véu, a grande cortina que impedia o acesso ao Santo dos Santos, figura da presença de Deus. É disto que fala a carta aos Hebreus, ao mencionar o véu do Templo rasgado no momento da morte de Jesus: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb 10:19-20).

Aarão, irmão de Moisés, era uma figura do sacerdócio de Cristo, intercedendo por nós junto a Deus. Cada detalhe de suas vestes e de seu ministério apontava para o caráter e ministério de Jesus como nosso Sumo Sacerdote. Porém, por mais preciosas que sejam as figuras do Antigo Testamento, a carta aos Hebreus nos exorta a não nos ocuparmos com tabernáculos, templos, sacerdotes humanos e rituais copiados do judaísmo, mas com a realidade que agora é Cristo. Aos Coríntios paulo escreveu que “estas coisas foram-nos feitas em figura (1 Co 10:6), e Hebreus diz que “servem de exemplo e sombra das coisas celestiais” e devem ser vistas como “figura do verdadeiro” (Hb 8:5; 9:24).

"Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção...  temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem." (Hb 9:11-12; 8:1-2). Depois de saber disto, como um cristão poderia, de sã consciência, adorar a Deus em um templo feito de tijolos, com um sacerdote humano, vestido numa fantasia judaica, num altar de mentirinha e com tantos utensílios piratas, cópias baratas das figuras do Antigo Testamento?

Em Colossenses Paulo segue enfatizando "a firmeza da vossa fé em Cristo" (Cl 2:5) e o andar em Cristo, arraigados nele, edificados nele etc. (Cl 2:6-7). Então vem o alerta contra as filosofias e tradições dos homens, que não são "segundo Cristo" (Cl 2:8), seguida de uma das passagens mais belas das Escrituras: "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade" (Cl 2:9-10). Tendo tamanha realidade com que nos ocuparmos você teria coragem de participar dessas festinhas a fantasia para se ocupar com sombras? Até a circuncisão, que fazia parte dos ritos judaicos, é aqui deixada para trás em troca de uma "circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne", mas pela "circuncisão de Cristo" (Cl 2:11). A seguir vem a menção ao batismo, que fala de morte, e da ressurreição, que fala de vida, lembrando da condição perdida em que estávamos nos versículos seguintes. Então ele conclui, dizendo:

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl 2:16-23).

Fico imaginando que Bíblia é essa que esses judaizantes leem na qual veio faltando esta passagem! Digo isto porque aqui Paulo está falando claramente do problema que ocorria nas assembleias de Colosso e Laodiceia, onde os judaizantes estavam julgando os convertidos dentre os gentios por comerem alimentos impuros segundo a Lei de Moisés, não celebrarem os dias das festas judaicas e nem guardarem o sábado. Os adeptos da filosofia e do misticismo os importunavam com "culto dos anjos" e "coisas que não viu", ou seja, as supostas visões que hoje são tão comuns nos meios pentecostais. Se já viu algum cristão se gabando de suas visões, sonhos, revelações sabe o que é uma carne orgulhosa de seus feitos. Depois o recado é para os judaizante e ascetas que traziam uma lista de proibições do tipo "não toques, não proves, não manuseies", o que Paulo chama de "doutrinas dos homens" e "aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo".

Então vem o golpe final que desvenda o objetivo de tudo isso: "Não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Cl 2:23). A carne adora essas coisas porque por meio delas tem de que se gloriar; pode contar suas visões, pode dizer que não come isso ou aquilo, que se veste dessa ou daquela maneira. Já viu nas redes sociais quanta gente gosta de falar da dieta que está fazendo, dos exercícios da academia, da roupa que comprou etc.? Não que estas coisas sejam erradas, mas todas elas pertencem ao homem natural e às coisas desta vida, e jamais deveriam se misturar à ocupação do cristão em sua adoração a Deus.

Se você entrar num frigorífico verá grandes peças de carne carimbadas com um carimbo azul do Ministério da Agricultura com os dizeres "Inspecionado". Agora quando você vir cristãos celebrando festas judaicas fantasiados de judeus, soprando chifre de carneiro, comendo alimentos judaicos e até falando hebraico, tente enxergar nisso tudo um carimbo azul escrito "CARNE". Se prestar atenção vai perceber que está lá. Como ele se manifesta? Por meio do orgulho espiritual de dizer: "Nós seguimos a lei, celebramos as festas, você não".

"O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." (Lc 18:11-12).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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