As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
ATENÇÃO: POR FALTA DE TEMPO SÓ RESPONDEREI PERGUNTAS INÉDITAS. NÃO RESPONDO NO WHATSAPP.
PESQUISE "assunto"+"mario persona" NO GOOGLE PARA VER SE JÁ EXISTE RESPOSTA.

Pesquisar este blog

Por que aquela casta de demonios nao podia sair sem jejum e oracao?



https://youtu.be/ExLavEqaTMk

Em Marcos 9:29, falando sobre o menino possesso do qual os discípulos não puderam expulsar o espírito maligno. Quando eles perguntam a razão de não terem conseguido libertar o jovem, Jesus diz aos discípulos que "esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum". Sua dúvida é o que isso significaria.

Jejum e oração nos falam de abstinência das necessidades da carne e das coisas do mundo. Oração nos fala de conexão, comunhão e comunicação constantes com Deus. Os discípulos não estavam vivendo assim, daí estarem tão desprovidos de poder espiritual. Para saber a condição em que estavam é só ler um pouco adiante e você verá que orgulho e soberba eram as coisas que ocupavam seus corações. Nos versículos 33 e 34 do mesmo capítulo de Marcos 9 você lê: "E [Jesus] chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se; porque pelo caminho tinham disputado entre si qual era o maior.".

Pense assim: Se você é alguém que um dia creu em Jesus como seu Salvador e passou a fazer parte da família de Deus, você foi escolhido para andar com um Homem capaz de caminhar sobre as águas, curar enfermos e até dar ordens às tempestades. Mesmo depois de ter se convertido a Cristo, você continua tendo seu velho homem em si, apesar de possuir agora uma vida nova que tem sua origem em Deus. É disso que trata o novo nascimento.

Existem em você dois inquilinos: o homem carnal, que nunca irá melhorar porque está totalmente arruinado, e o homem espiritual, originário do céu, que também não pode melhorar, mas por outra razão: ele é perfeito porque vem de Deus. Sua ações serão determinadas por quem você permitir que assuma a direção. Se for a carne que tomar o controle, você acabará se gabando de conhecer a Jesus e ser filho de Deus, olhando com desdém para os incrédulos. Passará a andar de salto alto até Deus fazer você cair de joelhos com seu salto quebrado e você precisar se humilhar.

Os discípulos estavam assim, se achando o máximo por andarem lado a lado com um Homem capaz dos mais incríveis milagres e que atraía multidões. Não é difícil imaginar que na cabeça dos discípulos eles tenham começado a pensar que eram importantes e que estavam começando a ter fãs em todo lugar por onde passavam. Afinal, sempre sobrava uma certa dose de admiração por aqueles que eram assessores daquele Homem, Jesus.

O que eles não percebiam era que agindo assim acabavam muito semelhantes ao espírito imundo que assumiu o controle da vida daquele menino. Energizado por um demônio, o garoto estava longe de ser alguém vivendo em submissão ao seu pai ou a quem quer que fosse. O espírito era "mudo e surdo", ou seja, a figura perfeita de um crente em Jesus sem comunhão: ele é incapaz de testemunhar de Cristo e também de identificar a voz de seu Pastor, pois seus sentidos estão embotados e distraídos com muitas coisas e não tem uma conexão direta com o Pai em oração.

Esse espírito fazia o menino definhar, espumar, ranger os dentes, enfim, viver sem qualquer controle. Também o levava a extremos — ora jogando-o no fogo, ora na água. Acaso não é assim a vida de quem não tem comunhão com Deus, a quem falta a moderação tão ensinada na sã doutrina? Perca a comunhão e você também não terá fé para crer no impossível. Mas repare que quando Jesus dá a bronca ele não se dirige apenas aos discípulos, mas a todo aquele povo judeu que havia perdido seus privilégios porque, além do orgulho religioso que havia tomado conta da nação, andava por vista, não por fé: "E ele, respondendo-lhes, disse: O geração incrédula! até quando estarei convosco? até quando vos sofrerei ainda?" (Mc 9:19).

Ocupados com o próprio ego, aqueles discípulos não tinham poder para serem usados por Deus. John Nelson Darby coloca assim: "O poder se conecta com a fé; a dificuldade não está no poder de Cristo, mas na incredulidade do homem; todas as coisas seriam possíveis se eles pudessem crer. Ora, a fé, que pode faltar em nós para podermos ser beneficiados por ela, é um princípio importante do poder de Cristo que nunca falha em cumprir tudo o que for bom para o homem.".

A fé mostra que existe confiança em Deus, e não em si mesmo. A oração mostra dependência e o jejum a separação, e aqui vai um detalhe importante: Os judeus provavelmente eram o povo mais separado, pois sua religião trazia centenas de leis e preceitos que impediam que fizessem muitas coisas que eram normais na vida dos pagãos. Mas no caso deles a separação e abstinência das coisas proibidas pela Lei mosaica criava autômatos orgulhosos de acharem que seguir uma lista de "pode e não pode" era suficiente para garantir a comunhão com Deus. O apóstolo Paulo fala um pouco sobre esse espírito legalista e como deve ser enxergado pelo cristão:

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies?  As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl 2:20-23).

O cumprimento de regras faz você sentir-se superior aos que não cumprem as mesmas regras. A oração também tem o mesmo efeito, quando feita no espírito do fariseu que, no Templo, orava apresentando o que achava serem grandes feitos e comparando-se com o pobre e contrito publicano: "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." (Lc 18:12). O próprio Jesus disse que ele estava perdendo seu tempo orando, dizimando e jejuando, porque o contrito publicano era justificado por se considerar indigno, ele não. Além disso, em nenhum lugar a Lei de Moisés mandava jejuar. Isso você encontra na Bíblia como ações espontâneas de pessoas em momentos de grande estresse.

Então de que tipo de oração e jejum Jesus estava falando aos discípulos para terem poder espiritual? De coisas feitas em um espírito de confiança em Deus, com a oração demonstrando dependência — e não como forma de listar as coisas que fazemos para Deus —, e o jejum no sentido da abstinência, não por obrigação, mas como consequência da ocupação com as coisas de Deus, que nos faz deixar de lado as outras coisas. Sabe aquela criança que ganha uma bicicleta nova e agora já nem quer comer, beber ou dormir? Só quer andar de bicicleta. Assim é o jejum: a ocupação com Deus passa a ser tamanha que nem há vontade de se ocupar com outras coisas.

Talvez olhando para o oposto de tudo isso fique mais fácil de entender, então aqui vai a receita para a fraqueza e fracasso espiritual: incredulidade, confiança própria e condescendência (ceder à vontade própria).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

Mais acessadas da semana