As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Midia impressa ou eletronica? Qual a melhor?



https://youtu.be/UXO4XARf7mI

A discussão sobre qual a melhor mídia para se evangelizar vai perdendo sentido quando vemos tudo e todos cada vez mais conectados. Tenho alguma experiência nas duas áreas, pois já distribui milhares de folhetos durante muitos anos, porém tenho visto melhores resultados com as mídias eletrônicas.

Em 1979, logo após minha conversão, produzi meus primeiros folhetos. Como já fui desenhista, os folhetos eram em quadrinhos, em um estilo dark tipo os quadrinhos do Batman, e me lembro vagamente das mensagens. Só consegui imprimir uma pequena quantidade e ainda em papel jornal, por causa do custo. Dez anos mais tarde eu estaria trabalhando numa ONG literária — a Editora Verdades Vivas — que produzia milhões de folhetos e outras literaturas, a maior parte enviada gratuitamente a solicitantes de todo o país.

Então veio o computador e experimentei criar mensagens em formato digital no computador de meu filho em casa. O problema era que precisaria distribuir em disquetes e só quem tivesse um computador padrão MSX poderia ver. Por razões óbvias o projeto não foi adiante. Depois, com a ajuda de meu filho Lucas Persona, surgiu o folheto "Escolinha Dominical", produzido no MSX, impresso em uma impressora jato de tinta de 200 dpi, multiplicado em cópias xerox e distribuído para crianças.



Comprei um PC 486 e o folheto virou "Histórias de Verdade", inicialmente ainda em cópias xerox, depois publicado em gráfica, primeiro como um folheto grande e depois em formato revista que era distribuída trimestralmente por correio a cerca de mil e quinhentas pessoas, o que tinha um custo muito superior ao de hoje com evangelização por meios eletrônicos. O trabalho todo era uma iniciativa pessoal, então era importante sempre encontrar maneiras de otimizar meus recursos, como fazia ao experimentar diferentes formatos e tamanhos de revista.



A versão impressa foi publicada até 1999. Antes disso, em 1996, já tinha lançado a versão digital de "Histórias de Verdade" como site bilíngue. O site com mais de mil páginas e visitas de mais de 70 países foi duas vezes contemplado com matéria no Caderno de Informática da Folha de São Paulo. Foi considerado uma inovação na época. Quem evangeliza deve estar antenado com seu tempo como estavam os homens que Davi escolheu para ajudá-lo a reinar: "...dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer, duzentos chefes e todos os seus irmãos sob suas ordens" (1 Cr 12:32).


A ideia foi criar o site sem qualquer conotação ou decoração religiosa e as pessoas só descobriam que era um site evangelístico quando liam alguma das histórias. Aprendi com um britânico, Tony Whitaker, um dos primeiros evangelistas na Web que havia criado uma revista online chamada Soon para ajudar pessoas com informações de como morar e trabalhar na Inglaterra. Havia muita informação útil naquela revista, mas também muitas histórias evangelísticas, e ele me ensinou que pessoas estão interessadas em coisas que são relevantes para elas, como histórias reais que são excelentes ganchos para se evangelizar. Afinal, o próprio Senhor usava parábolas e histórias, não usava? Na época o site era feito em html e fui ajudado na tarefa por Cristóvão Pereira de Barros.

Por isso o "True Stories" ou "Histórias de Verdade" foi criado como um site para ajudar estudantes a aprender inglês, com histórias de textos bilíngues em duas colunas. Essa "fachada para inglês ver" também abria portas para matérias em jornais e revistas sobre Internet que não publicariam material religioso. Mas no fundo o site é evangelístico, com histórias de conversão ou mensagens evangelísticas aproveitando notícias de interesse na mídia. A história "Morte no trem de alta velocidade", sobre um acidente de trem na Alemanha, virou um caso à parte, pois alguém nos Estados Unidos viu e pediu minha ajuda para localizar uma amiga, a única norte-americana entre as vítimas. Nem mesmo a família sabia para onde ela teria sido levada e a gravidade. Descobri hospitais na região, fiz contatos, e finalmente um médico entrou no circuito para ajudar, encontrou a mulher ferida e até foi visitá-la no hospital.

Obviamente os religiosos de carteirinha não podiam admitir uma iniciativa de evangelização tão fora dos padrões "cristãos". Fui criticado por uma leitora de língua inglesa que escreveu dizendo que meu site nem parecia ser um site cristão. É claro que não, porque para alcançar pagãos você precisa estar disposto a subir à Colina de Marte e ao Areópago para falar aos idólatras atenienses sobre aquele "Deus Desconhecido" (At 17) para o qual eles construíram um pedestal. Outra leitora, também de língua inglesa, me esconjurou por ter publicado duas histórias nos dias seguintes à morte de duas celebridades: uma sobre Madre Teresa e outra sobre a Princesa Diana. Segundo essa leitora "cristã" aquelas mulheres não eram exemplo para os "crentes". Obviamente ela não entendeu que a celebridade servia apenas de gancho para levar o incrédulo a ouvir de Jesus.

Em 1998 comecei a traduzir um breve comentário bíblico do canadense Norman Berry, o "Chapter-a-Day", que era publicado no site e enviado de segunda a sexta por e-mail a mais de seis mil assinantes do boletim eletrônico. E quando eu digo de segunda a sexta estou falando de uma época quando ainda não havia ferramentas como as disponíveis hoje para você já subir um grande número de mensagens e o sistema fazer a distribuição cada uma em sua data. Eu enviava mesmo um e-mail por dia, e quando viajava a algum lugar onde não havia conexão, meus filhos cuidavam da tarefa. Mais tarde uma irmã canadense traduziu o "Chapter-a-Day" para o francês e essa área do site virou trilíngue. Norman Berry partiu para estar com o Senhor em 2001 e meu boletim deixou de ser enviado em 2002, permanecendo a versão online.

Uma iniciativa que foi também inovadora para a época era que as histórias eram publicadas também em áudio. A pessoa podia clicar e ouvi-las narradas em português ou inglês, esta ultima gravada por dois irmãos da América do Norte, Peter Rule e Gordon Whitaker. Como armazenar áudio exigia servidores caros, armazenei os meus em um servidor grátis de Hong Kong. Quando a China tomou de volta Hong Kong meus arquivos de áudio sumiram, talvez por receio dos donos do servidor de lidar com material cristão. Detalhe: eu tinha formatado meu computador e me esqueci de fazer backup. Perdi os áudios.

Depois vieram outros sites e blogs, à medida que eu traduzia ou produzia material. Em 2005 criei o site "O que respondi", publicando todas as cartas e e-mails que eu tinha guardado em arquivo de papel e disquetes desde 1988. Em 2008 foi a vez de iniciar os vídeos de "O Evangelho em 3 Minutos", curiosamente inspirados no trabalho de uma pessoa espírita de quem recebi um link da página onde ela publicava leituras que fazia de Allan Kardec. Pensei comigo: "Se ela se dedica tanto para divulgar o espiritismo, por que não posso fazer o mesmo para divulgar a Verdade do Evangelho da Graça de Deus?".

Eu já tinha algum know-how adquirido com minha "TV Barbante", um canal criado em 2006 e voltado à comunicação e ao empreendedorismo. Aquele canal me rendeu uma matéria no jornal "O Estado de São Paulo" e um convite para encontrar pessoalmente Chad Hurley, um dos fundadores do Youtube, em sua primeira viagem ao Brasil numa reunião dos primeiros youtubers na sede da Google em São Paulo. O único constrangimento era que a soma das idades dos participantes não chegava à minha idade...

Apesar de "O Evangelho em 3 Minutos" ser desde o princípio em formato texto, áudio e vídeo, foi só a partir de 2014 que comecei a transformar os textos do "O que respondi" em áudio e vídeo. Hoje é comum eu receber pedidos do tipo: "Pode fazer um vídeo para responder minha dúvida?". A geração TV já não lê, mas mesmo assim cuidei de transformar todos os textos de "O Evangelho em 3 Minutos" e "O que respondi" em livros que são distribuídos gratuitamente em formato e-book e vendidos em formato impresso sem ganhos com direitos autorais. (e-books grátis aqui e livros impressos aqui)

Hoje o canal "O que respondi" ultrapassa em muito o número de acessos do canal "O Evangelho em 3 Minutos", embora este seja evangelístico e aquele supostamente para responder a dúvidas de crentes em Jesus. Eu digo supostamente porque descobri que a grande maioria dos cristãos nominais não faz ideia do que seja o evangelho da graça de Deus por seguirem algum tipo de religião baseada em boas obras, leis e regras. Acredite, é raro encontrar um cristão hoje que possa dizer com certeza: "Tenho a salvação e a certeza de jamais irei perdê-la". A maioria acha que pode perder sua salvação se pecar, se deixar a igreja, não pagar o dízimo, não guardar a Lei de Moisés e coisas assim.

Talvez você me pergunte se nunca me preocupei que este trabalho na Internet pudesse criar empecilhos em meu trabalho de palestrante empresarial. Sim, desde o começo me preocupei com isso até aprender a entregar tudo nas mãos do Senhor. Afinal, meus clientes são apenas instrumentos que Deus usa para suprir minhas necessidades materiais contratando meus serviços. Mas pelo menos por duas vezes eu soube de empresas que não quiseram me contratar porque um gerente ou diretor achou que eu fosse algum tipo de "padre" ou "pastor" que poderia querer usar o tempo da palestra para evangelizar, o que não costumo fazer. Mas hoje fico feliz quando depois de uma palestras alguns vêm dizer que acompanham meus vídeos do Evangelho.

Como tenho aprendido na prática, apesar de apenas metade da população ter acesso à Internet, acredito que a mídia impressa não é páreo para a mídia digital. As estatísticas costumam considerar "famílias sem Internet" como se fossem imóveis, mas deixam de levar em conta a mobilidade dos diferentes membros de uma mesma família que podem estar conectados na escola, no trabalho, em lan houses, pelo próprio celular em algum ambiente público com WiFi ou por meio de amigos, parentes e vizinhos.

E mesmo quando isso não acontece, sempre tem alguém disposto a transformar aquilo que está na Web em uma mídia eletrônica viável, pois hoje TVs e outros aparelhos eletrônicos têm entrada para USB ou tocam DVD e CD. Também sei de muitos que imprimem meus textos evangelísticos ou adquirem os livros impressos de "O Evangelho em 3 Minutos" e "O que respondi" para presentear (os livros em formato e-book são gratuitos). Até o momento são 14 livros publicados. Veja o que as pessoas me escrevem:

"Gravei todos os vídeos seus no YouTube, coloquei no pendrive, coloco o mesmo na televisão para mostrar a todas as pessoas que me visitam, a maioria gosta e gravo para elas assistirem em casa. Mais da metade não tem internet em casa". "Envio ao menos uma vez por semana o Evangelho em 3 Minutos aos meus contatos via WhatsApp". "Criei um grupo e mando sempre no WhatsApp, tem dado muito certo". "Gravo o evangelho em 3 minutos no pendrive e empresto a amigos, principalmente quem dirige muito ou viaja". "Meu esposo faz isso. Eu gravo e ele dá para as pessoas no serviço dele. E quando viajamos levamos e vamos dando em cada cabine do pedágio".

É impossível comparar alcance de mídia impressa com mídia eletrônica considerando apenas a porcentagem de pessoas conectadas. O potencial da eletrônica está na viralização exponencial. Já distribui milhares de folhetos em ruas, praças, etc., mas muita gente joga fora sem ler, enquanto outros leem antes de jogar. Nas grandes cidades a panfletagem nas vias públicas hoje é ilegal, e quando trabalhava na editora Verdades Vivas fomos intimados a pagar uma multa por terem encontrado muitos de nossos folhetos pelas ruas da cidade. Felizmente conseguimos recorrer demonstrando que a editora não fazia a distribuição, apenas fornecia os folhetos.

A mensagem impressa alcança no máximo um leitor, e quem distribui folhetos sabe que a taxa de rejeição é proporcional ao nível social das pessoas. As classes mais altas são as que mais rejeitam, e às vezes ao invés de um "Muito obrigado" a pessoa diz outra coisa para você ou, como já aconteceu comigo, amassa ou pica o folheto na sua frente para demonstrar sua insatisfação.

Quando a mensagem é eletrônica ela não apenas alcança quem não pegaria um folheto na rua, mas um que acabará lendo no isolamento de seu quarto quando não tem ninguém olhando. Enquanto o que leu e gostou do folheto impresso dificilmente passa a mensagem adiante, mídia eletrônica é fácil de compartilhar. Talvez você seja um dos que não aguentam mais receber cartões, vídeos, mensagens, piadas etc. no WhatsApp e Facebook. Pois é, já deu para perceber que no meio eletrônico é fácil uma mensagem viralizar. E aí até os opositores ajudam. Tenho recebido contatos que ouviram falar de meu trabalho por causa de Testemunhas de Jeová que fazem vídeos para me criticar.

Mas, e quem não tem Internet, como receberá uma mensagem eletrônica? Por rádio e TV. O "Evangelho em 3 Minutos" já está nessas mídias sendo transmitidos por terceiros. Sei por mensagens que recebo, como a da esposa de um presidiário que escreveu para dizer que seu marido ouve as mensagens no rádio de pilhas que tem na cela. Já recebi notícia de conversão de ouvinte do "Evangelho em 3 Minutos" num programa de rádio comunitária, e também de um que comprou um DVD num camelô em São Paulo.

Um outro ponto a favor da evangelização usando meios eletrônicos é a facilidade e rapidez de resposta. Você dá um folheto na rua, a pessoa lê e fica interessada em saber mais. Mas ela terá de se lembrar disso quando chegar em casa, escrever uma carta, comprar envelope, pegar a fila dos Correios, selar e enviar. Se ela recebeu uma mensagem por meio eletrônico pode fazer contato imediatamente enquanto seu interesse ainda está quente. E aí entra um fator que é comum tanto à mídia impressa como digital, que é a resposta e o contato formal ou pessoal.

Quando trabalhava numa empresa em São Paulo costumava ficar sem almoçar ou comer apenas um salgado uma vez por semana. Era quando eu usava o tempo do almoço para correr à Santa Casa e visitar quarto por quarto entregando folhetos evangelísticos. Nunca fui barrado e nem obrigado a entrar apenas em horários de visitas, talvez por nesse dia eu ir sempre de camisa branca, calça cor creme bem clarinha e uma pasta de couro marrom. Não, eu nunca usei estetoscópio no pescoço.

Minhas visitas tinham de ser rápidas para voltar rapidamente à empresa, por isso entregava rápido os folhetos e seguia para o quarto seguinte. Mas um dia aprendi o quanto o contato pessoal é importante. Entrei num quarto onde havia só um jovenzinho magrinho numa cama, e seu corpo despido revelava dezenas de cicatrizes de cirurgias. Os membros atrofiados mostravam que ele já não podia se locomover. Pelo que entendi sofria de alguma doença degenerativa óssea que exigia cirurgias periódicas. Dei o folheto dizendo "Esta é uma mensagem para você", virei-me rapidamente para sair e ele perguntou: "Você não vai dizer nada? Não vai contar uma história de Jesus?". Parei, voltei e gastei o resto de meu tempo contando histórias de Jesus. Quando me encontrar com ele no céu vou perguntar se gostou das histórias.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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