As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que fui proibido de cear?



https://youtu.be/nrEn_fdtgas

Fico feliz por ter ido a uma reunião, mas ao mesmo tempo triste por se dizer incomodado pelo fato de não ter sido convidado a participar da ceia do Senhor. Você pergunta: "Como pode o mesmo Espírito Santo, que habita em mim, que me faz professar Jesus Cristo como meu Senhor, ser o mesmo Espírito Santo que por um dos irmãos não me chamou à mesa? Ou seja, o Espírito Santo nos proibiu de cumprir uma ordem do Senhor Jesus?".

Então você continua argumentando que "na Palavra é muito claro que quem deve nos examinar somos nós mesmos e até Judas não foi proibido de cear com nosso Senhor, mesmo o Cristo sabendo que ele o trairia". Primeiro creio existir um equívoco em sua afirmação, pois Judas não participou da ceia que Cristo instituiu na noite em que foi traído. Judas saiu antes de Cristo entregar o pão e o vinho. Respondi a esta dúvida no artigo "Judas participou da ceia do Senhor?".

Mas voltando ao assunto da ceia à qual você assistiu como visitante e teve a impressão de ter sido proibido de participar, minha pergunta a você é: Como os irmãos ali deveriam agir biblicamente com um visitante que, ainda sem ser bem conhecido de todos, afirmasse ser cristão? Deveria ser ele convidado a participar apenas com a condição de examinar-se a si mesmo?

Se você respondeu que sim, pode ter acabado de se sentar em comunhão lado a lado com um Testemunha de Jeová. Ou com um Mórmon, espírita, ou adepto da cientologia, do candomblé etc. Mesmo porque todos esses afirmam ser cristãos, apesar de não confessarem que Jesus é Deus e Homem, o Filho de Deus vindo em carne.

Obviamente a ordem "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice." (1 Co 11:28) não foi dirigida a incrédulos, pagãos ou pessoas que negam a divindade de Cristo. A ordem é para os que são verdadeiramente irmãos, salvos por Cristo. Talvez você tenha achado estranho eu ter colocado um adepto do candomblé como cristão, mas ele irá jurar que é, pois naquela religião Jesus é Oxalá, portanto aos olhos de seus adeptos uma religião cujo sincretismo envolve elementos cristãos.

Como pode ver, hoje não podemos simplesmente receber qualquer um que se diga cristão, pois em dois mil anos de cristandade as coisas ficaram bastante confusas e misturadas. Nos tempos de Atos dos Apóstolos, ou a pessoa era pagã, ou era cristã. Dificilmente alguém assumia a posição de cristão sabendo que poderia virar comida de leões.

Até aí eu só falei de pessoas incrédulas ou adoradoras de outros deuses, mas o que dizer de alguém que seja realmente um cristão, salvo por Cristo, como é o seu caso. Então pergunto mais uma vez: Deveria alguém que confessa realmente sua fé em Cristo ser convidado a participar apenas com a condição de examinar-se a si mesmo?

Se você respondeu que sim pode ter acabado de trazer para a comunhão o homem de 1 Coríntios 5 que dormia com a mulher de seu pai. Basta ler o capítulo para saber que uma pessoa assim não deveria ter seu lugar na comunhão, e Paulo está repreendendo os irmãos de Corinto por terem feito vista grossa para um pecado que nem entre os pagãos era tolerado. Repare que ali não era a salvação daquele homem que estava sendo contestada, mas sua condição moral. O próprio Paulo não ousa duvidar de sua fé, pois ao dizer que ele devia ser entregue a Satanás para destruição da carne (morte física), justifica essa medida para que seu espírito fosse salvo no dia do Senhor.

Aparentemente em 2 Coríntios 2 o homem mostrou-se arrependido e Paulo aconselha os irmãos a restaurá-lo à comunhão para não ser consumido de demasiada tristeza, incluindo também algo sobre perdão administrativo que a assembleia pode e deve exercitar com a autoridade do Senhor que lhe foi delegada.

"Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem abuse da mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus. Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?" (1 Co 5:1-6).

"Porque, se alguém me contristou, não me contristou a mim senão em parte, para vos não sobrecarregar a vós todos. Basta-lhe ao tal esta repreensão feita por muitos.  De maneira que pelo contrário deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja de modo algum devorado de demasiada tristeza. Por isso vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor. E para isso vos escrevi também, para por esta prova saber se sois obedientes em tudo. E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; porque, o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás;  Porque não ignoramos os seus ardis." (2 Co 2:5-11).

Repare que a razão desse cuidado era para que os outros não fossem contaminados pelo pecado moral daquele, ainda que sua salvação não estivesse sendo ali contestada. Você não iria querer comer a ceia ao lado de um fornicário, adúltero, pedófilo, traficante etc. A assembleia precisa ter o cuidado de antes conhecer a pessoa para saber se ela não está envolvida com algum pecado moral grave que possa desonrar publicamente o nome do Senhor e contaminar os irmãos. E também, como já disse, não poderá aceitar qualquer um que simplesmente diga ser cristão, porque o termo hoje é usado até por religiões que no passado teriam sido classificadas como pagãs.

Então se você deseja estar em comunhão à mesa do Senhor basta comunicar aos irmãos seu desejo e eles conversarão com você procurando conhecer melhor seu andar e em que você crê. Entenda que foi o próprio Senhor quem deu à assembleia congregada ao seu nome a autoridade para exercer juízo administrativo, ligar e desligar, visando a santidade da mesa do Senhor, e recebendo à comunhão os que chegam com uma fé exteriormente sã e excluindo os que estão em pecado. Digo "exteriormente" porque a assembleia não pode julgar o que não vê.

O versículo de 1 Coríntios 11:28 não é restritivo, mas é a segunda etapa de um processo que começa com o pedido de comunhão, o exame feito pela assembleia e a recepção. Uma vez recebida, aí sim cabe à pessoa examinar-se a si mesma, não para deixar de comer, e sim para comer. A ordem ali é imperativa: "...e assim [examinado] coma do pão e beba do cálice". Quem chega a esse ponto não irá deixar de comer e beber, porque se estiver em algum pecado que restrinja sua participação na ceia nem deveria ter chegado ali, mas confessado aos irmãos responsáveis para que a assembleia tomasse medidas disciplinares.

Mais um ponto importante: Em Romanos vemos menção à recomendação de irmãos de outros lugares para que fossem recebidos à comunhão da igreja. Como uma assembleia poderia recomendar alguém que não conhece? E para que recomendar se qualquer um pudesse chegar do jeito que estivesse ficando responsável pelo seu próprio julgamento? Depois do que eu disse aqui espero que as palavras de Paulo na passagem a seguir venham a fazer mais sentido a você, pois dentro daquela ideia de que cada um deveria examinar-se a si mesmo, sem interferência da assembleia, o que Paulo diz não faria qualquer sentido.

"Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; COM O TAL NEM AINDA COMAIS." (1 Co 5:9-11).

Estes links podem ajudar:

http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/disciplina-na-igreja.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/recepcao-uma-responsabilidade-da.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/quem-decide-quem-deveria-estar-em.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/seria-suficiente-o-testemunho-pessoal.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/colocando-profissao-de-fe-da-pessoa.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/exclusivo-demais.html
http://aordemdedeus.blogspot.com/2011/07/responsabilidade-individual.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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