As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que significa "rudimentos da doutrina de Cristo"?



https://youtu.be/_nH17rIYEQk

Sua dúvida está no início do capítulo 6 da carta aos Hebreus, em especial na frase "rudimentos da doutrina de Cristo" ou, em outra versão, "princípios elementares da doutrina de Cristo". Para entender a carta aos Hebreus, como o próprio nome diz, ela foi escrita a judeus que haviam abraçado o cristianismo, uns verdadeiramente convertidos a Cristo, outros que apenas passaram a professar uma crença como se fosse um aditivo ao judaísmo que praticavam.

A carta tem muito a ver com nossos dias, quando a cristandade acabou criando uma mescla de judaísmo e cristianismo e adotando rituais, costumes e práticas que só faziam sentido para Israel e nada têm a ver com a Igreja. O convite em toda a carta é para que aqueles hebreus deixem de lado o judaísmo que o próprio deus havia deixado de lado, ao permitir a destruição do Templo de Jerusalém e a cessação dos sacrifícios, e abraçassem "as coisas melhores" que tinham a ver com a nova dispensação. É por isso que a carta termina com uma exortação para que eles saíssem do arraial ou acampamento ou sistema judaico, mas saíssem a Cristo. A exortação vale também para a cristandade hoje ainda apegada às sombras do antigo sistema de adoração:

"Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram." (Hb 13:9). O autor está se referindo ao problema que os judeus cristianizados estavam causando, e isso é notório nos capítulos finais da carta aos Romanos, por desejarem manter as ordenanças da Lei que faziam distinção entre alimentos puros e impuros. Como o próprio Senhor ensinou a Pedro, no episódio do lençol baixado do céu contendo animais impuros, aquilo tudo servia de sombras de coisas futuras. Foi só assim que Pedro entendeu que os animais impuros falavam dos gentios, que agora Deus ordenava que fossem recebidos sem discriminação.

"E no dia seguinte, indo eles seu caminho, e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta. E tendo fome, quis comer; e, enquanto lho preparavam, sobreveio-lhe um arrebatamento de sentidos, e viu o céu aberto, e que descia um vaso, como se fosse um grande lençol atado pelas quatro pontas, e vindo para a terra, no qual havia de todos os animais quadrúpedes e répteis da terra, e aves do céu. E foi-lhe dirigida uma voz: Levanta-te, Pedro, mata e come. Mas Pedro disse: De modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma comum e imunda. E segunda vez lhe disse a voz: Não faças tu comum ao que Deus purificou.  E aconteceu isto por três vezes; e o vaso tornou a recolher-se ao céu. E estando Pedro duvidando entre si acerca do que seria aquela visão que tinha visto, eis que os homens que foram enviados por Cornélio pararam à porta, perguntando pela casa de Simão. E, chamando, perguntaram se Simão, que tinha por sobrenome Pedro, morava ali. E, pensando Pedro naquela visão, disse-lhe o Espírito: Eis que três homens te buscam. Levanta-te pois, desce, e vai com eles, não duvidando; porque eu os enviei." (At 10:9-20).

Na sequência Pedro iria explicar: "Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo." (At 10:28).

A continuação da passagem no último capítulo de Hebreus diz: "Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." (Hb 13:10-14).

Na dispensação da Lei só havia um lugar na face da terra onde os judeus podiam adorar: em Jerusalém e especificamente no Templo que havia ali. Existiam sinagogas espalhadas por diferentes cidades e países, mas não eram lugares de adoração, mas escolas de judaísmo. Adoração e sacrifícios só mesmo em Jerusalém e é neste sentido que o autor de Hebreus menciona o fato de o cristão não ter aqui cidade permanente e também mostrar que este possui um altar que nada tem a ver com aquele dos sacerdotes que serviam no ritual judaico. Então vem a exortação para que aqueles hebreus saíssem do sistema religioso judaico, ou arraial, porque só iriam encontrar a Cristo fora da porta de Jerusalém, de onde ele foi expulso. Entendendo isso você também entenderá o que Jesus disse à mulher samaritana:

"Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (Jo 4:19-24).

Voltando agora à passagem de sua dúvida, entenda que os "rudimentos de Cristo" eram as coisas que Deus revelou no Antigo Testamento e que formariam a base do que qualquer judeu precisava saber quando o Cristo viesse ao mundo. "Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir." (Hb 6:1-3).

O sentido do que o autor de Hebreus está dizendo a esses hebreus (judeus, alguns convertidos a Cristo, outros convertidos meramente a costumes cristãos) era este:

"Vocês se lembram daquelas disciplinas elementares e rudimentares que tivemos no ensino fundamental do judaísmo? Tipo arrependimento de obras mortas, fé em Deus, batismos, imposição das mãos, ressurreição dos mortos e juízo eterno? (ves. 1 e 2). Pois é, este ano não vamos mais ter aulas dessas matérias que são rudimentos da fé cristã e qualquer judeu já deveria ter aprendido. Se der tempo podemos rever aquela matéria, tá? O importante é passarmos agora a nos ocupar agora com 'as coisas que são melhores e pertencentes à salvação' (vers. 3)".

Então o autor continua falando de pessoas entre os primeiros cristãos que apenas tiveram contato com a fé cristã sem terem realmente crido em Jesus. "É impossível que aqueles que uma vez foram ILUMINADOS (porque estiveram em contato com a Luz do mundo), e PROVARAM (ou experimentaram os benefícios) o dom celestial, e se tornaram PARTICIPANTES do Espírito Santo (como Judas que desfrutou desses benefícios sem contudo nunca ter crido), e PROVARAM a boa palavra de Deus (porque andaram lado a lado com o Verbo) e OS PODERES DO MUNDO VINDOURO (porque viram acontecer os milagres que eram um prenúncio de como será o Reino milenial) e CAÍRAM (apostataram, isto é, abandonaram todos os privilégios que tiveram pelo contato com Jesus), sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento." (Hb 6:4-6).

Percebe que isto poderia ser dito de qualquer judeu que tivesse vivido nos tempos de Jesus? Para uma pessoa que foi iluminada (Jesus, a luz do mundo estava andando aqui), provou o dom celestial (Jesus era a dádiva de Deus entregue aos homens), se tornou participante do Espírito Santo (não diz que recebeu, mas desfrutou dele), provou a palavra de Deus e as virtudes (poderes) do século futuro (isto é, os milagres que Jesus fazia) e recaíram, ou seja, apostataram de tudo isso, a salvação seria impossível.

Em nenhum momento diz que creram, mas apenas que foram privilegiados por todas essas coisas. Foram curados de enfermidades, comeram pães e peixes multiplicados milagrosamente, viram poderes que só serão vistos no futuro quando Cristo vier para reinar etc. Realmente é impossível que alguém tão privilegiado assim seja salvo se simplesmente renegar tudo isso e não crer ou exercer uma fé genuína no Salvador.

O mais triste é encontrarmos hoje pessoas que nem judias são adotando costumes judaicos e se declarando cristãs. Isso é voltar as costas às coisas melhores que Deus trouxe para se ocupar com aquilo que o próprio autor de Hebreus chamou de "rudimentos" ou "princípios elementares". Depois de terem aprendido a fazer equação do terceiro grau, preferem ficar fazendo continha de dois mais dois. Ao invés de se ocuparem com a Pessoa que agora está disponível a cada um que crê, preferem se ocupar com as sombras dessa pessoa que eram projetadas no Antigo Testamento na forma de mandamentos, cerimônias, sacrifícios, utensílios, costumes etc.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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