As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que significam o vento, terremoto e fogo de 1 Reis 19?



https://youtu.be/b2bytJOKkPo

Em 1 Reis 19 Deus envia vento, terremoto e fogo antes de falar com Elias. Será que esses elementos teriam algum significado? A passagem é esta: "E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor. E eis que passava o Senhor, como também um grande e forte vento que fendia os montes e quebrava as penhas diante do Senhor; porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto; também o Senhor não estava no terremoto; E depois do terremoto um fogo; porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada.".

Se ler o que veio antes disso verá que Elias estava muito irado e sentindo-se abandonado e injustiçado por causa de toda a perseguição e sofrimento que tinha passado por ser um profeta de Deus. Ele se queixa: "Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais." (1 Rs 19:4). A intrepidez e energia com que ele devia profetizar contra a idolatria parecia ter se incorporado nele de tal maneira que produziu nele um espírito combativo e sem nada de graça e misericórdia. Não é difícil um cristão também ficar assim e sair por aí batendo com a Bíblia na cabeça dos outros, querendo mais castigá-los por não crerem em Cristo do que atraí-los com graça.

Então Deus precisa passar diante dos olhos de Elias os elementos raivosos da natureza, muitas vezes usados por Deus para juízo mas não para salvação: "Um grande vento forte que fendia os montes e quebrava as penhas... um terremoto... um fogo" e o Senhor não estava nessas coisas. Então veio um som como de uma voz mansa e delicada e era o Senhor a falar com ele, mostrando o contraste dessa suavidade com aquele espírito revoltado e rancoroso que tinha se instalado no coração de Elias. John Kulp comenta:

Elias fez grandes e terríveis sinais pelo poder de Deus, orando para que não chovesse por três anos, invocando fogo do céu sobre o sacrifício e o altar no Monte Carmelo, e até mesmo invocando fogo para consumir os emissários do rei Acabe (1 Reis 17 - 2 Reis 1). Sem dúvida, tudo isso tinha vindo do Senhor em seus desígnios de juízo entre seu povo, até ao ponto de suas consciências serem machucadas para poder levá-los ao arrependimento. No entanto "Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós" (Tg 5:17) e deixou de ter a mente de Deus em alguns pontos importantes, o que acredito possa servir para exercitar os corações de alguns que porventura se sintam como Elias.

Muitos leitores se lembrarão de que o fracasso de Elias ao criticar o povo de Deus é o único fracasso de um santo do Antigo Testamento encontrado no Novo Testamento (Romanos 11:2-5). Isso é instrutivo para nós, além do contexto imediato que é o da eleição de Deus de um remanescente pela graça soberana. Acredito que podemos dizer que houve uma falha séria no caráter de Elijah, que em outros aspectos era piedoso, para fazer o seu orgulhoso desprezo para com os outros israelitas tão dignos de nota e motivo da repreensão e censura do Senhor.

Foi essa raiz de importância-própria que o levou a fugir de Jezabel para o deserto e lá se queixar: "Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais" (1 Reis 19:4). Uma pessoa só fala assim quando se considera realmente melhor que seus pais. Foi uma lamentável admiração de seu orgulho próprio. Logo depois disso, ao chegar a Horeb, o monte de Deus, ele manifesta novamente esse orgulho pelo seu discurso a Jeová: "Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei" (1 Rs 19:10). Depois que Elias repete mais uma vez essa defesa de si mesmo, Jeová, em graça lhe dá uma suave, porém clara repreensão: "Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou." (1 Rs 19:18).
[John Kulp em "I only am left" - www.greaterriches.com]

Deus pode usar grandes catástrofes produzidas pelos elementos como ventanias, terremotos e incêndios, mas essa é a maneira judicial de Deus tratar com o homem a fim de julgá-lo ou alertá-lo. Porém não há nessas coisas uma comunicação clara da graça de Deus para com o homem, a qual só pode ser entendida mediante a Palavra de Deus, e essa não vem para destruir o homem, mas para salvá-lo.

Faz lembrar dos muitos cristãos que tentam se justificar pela Lei dada a Moisés sem perceber que a Lei foi dada para que avultasse o pecado a fim de mostrar ao homem sua incapacidade de viver segundo o padrão de Deus. A própria cena de entrega da Lei foi algo aterrador, nem um pouco gracioso para com o pecador perdido em seus pecados:

"E Moisés levou o povo fora do arraial ao encontro de Deus; e puseram-se ao pé do monte. Todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente. E o clangor da trombeta ia aumentando cada vez mais; Moisés falava, e Deus lhe respondia no trovão." (Êx 19:17-19).

A carta aos cristãos Hebreus mostra bem o contraste de uma coisa com outra:

"Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, e ao sonido da trombeta, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais; porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte será apedrejado ou passado com um dardo. E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo. Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos; a universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel." (Hb 12:18-24).

A maneira de o cristão aproximar-se de Deus — ou, melhor dizendo, ter sido aproximado por Deus — nada teve a ver com a maneira legalista e judicial que encontramos no Antigo Testamento. O próprio apóstolo João deixou isso muito claro: "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo." (Jo 1:17). A Lei, com seus trovões e juízos, era uma coisa, mas a graça e a verdade que vieram por Jesus é algo totalmente diferente.

Querer agir para com os outros no poder de uma religião de "vento forte... terremoto... e fogo" nada mais é do que incorporar o comportamento judicial de Elias, esquecendo-se de que hoje estamos na "dispensação da graça de Deus" (Ef 3:2). E também é deixar de lembrar que toda conversão acontece, não por pressão, mas pela ação do Espírito Santo de Deus que aplica na alma a sua Palavra de maneira irresistível.

"Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre." (1 Pe 1:23).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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