As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O sabor do mana' mudou?



https://youtu.be/mQwcu6AxS-k

Não, o sabor do maná que Deus deu para alimentar os israelitas no deserto não mudou, o que mudou foi o paladar deles. No começo o maná era doce como bolo de mel, mas no final tinha gosto de azeite fresco, um sabor intragável que amarra a boca.

A rede de restaurantes Outback percebeu o quanto a mudança no paladar pode influenciar nos negócios, quando sua clientela começou a desaparecer. Na época de sua fundação em 1988 a rede atraía principalmente clientes jovens, mas com o tempo outras opções apareceram para atrair clientes jovens e os clientes originais, que já não eram jovens, tinham mudado o paladar. Isso porque à medida que envelhecemos nossas papilas gustativas perdem sua capacidade original, o que faz com que velhos gostem mais de pimenta do que jovens. Para os velhos ela não é tão ardida.

A solução encontrada pela rede de restaurantes foi aumentar o tempero de seus pratos para agradar a clientela original que agora tinha um paladar mais exigente para sabores fortes, e assim conseguiu recuperar o movimento. O que aconteceu com o maná foi algo semelhante, mas a mudança de paladar da parte dos israelitas não foi por envelhecimento, mas por influência de ímpios e também por passarem a preferir outros sabores.

Em Êxodo 16:31 o maná "era como semente de coentro branco, e o seu sabor como bolos de mel." Isso nos fala de como nos sentimos quando recém libertados da escravidão do Egito que é o mundo e de Faraó que é uma figura de Satanás. Começamos nossa senda de salvos desejosos pelo sabor do Pão que vem do céu, que é Cristo e da água que sai da Rocha, que é Cristo. Nesse período de descobertas do "primeiro amor" (Ap 2:4) comunhão com Deus é o mais importante e sentimos todo o seu real sabor.

Nesse período nossa vida tem tudo a ver com a primeira parte do Salmo 1: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Sl 1:1-3).

Mas então o mundo e as más influências exercidas pela companhia dos ímpios ou pela mídia e a moda que nos influencia de todos os lados, acabamos perdendo a capacidade de desfrutar do sabor das coisas simples de Deus, e passamos a imitar os ímpios e dar ouvidos à sua opinião sobre o sabor das coisas de Deus.

"E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos. E era o maná como semente de coentro, e a sua cor como a cor de bdélio. Espalhava-se o povo e o colhia, e em moinhos o moia, ou num gral o pisava, e em panelas o cozia, e dele fazia bolos; e o seu sabor era como o sabor de azeite fresco." (Nm 11:4-8).

O "vulgo que estava no meio deles" eram egípcios e povos de outras nacionalidades que haviam saído junto com os israelitas, ou por amizade, por algum relacionamento afetivo, ou até por superstição, acreditando que estariam mais seguros longe da terra que o Deus dos hebreus havia amaldiçoado. Eles representam os incrédulos ou joio que está hoje misturado aos crentes, não por serem realmente convertidos, mas por serem apenas supersticiosos. Em Êxodo 12:38, quando fala da saída dos israelitas do Egito, diz que "subiu também com eles muita mistura de gente", indicando que não eram israelitas genuínos, mas vindos de outros povos.

Um número considerável dos que se dizem cristãos nunca creram realmente em Cristo como Salvador, mas adotaram práticas e costumes cristãos por superstição, achando que assim ficarão longe de problemas e doenças, além da possibilidade de prosperarem com o falso evangelho da prosperidade pregado na maioria das igrejas. Esse "vulgo" fantasiado de cristão acaba influenciando os verdadeiros crentes, pois você os encontra até mesmo nas escolas de teologia e nos púlpitos das igrejas, e aqueles que lhes dão ouvidos acabam tendo maior prazer no entretenimento chamado cristão, do que no Senhor.

Portanto, o sabor do maná foi sempre o mesmo, porém a diferença ao descrevê-lo estava na mudança de paladar do povo, que no início apreciava seu sabor e depois enjoou dele, principalmente pela influência do "vulgo que estava entre eles". Como acontece conosco no começo da conversão, quando gostamos de ouvir a Palavra, mas com o tempo vamos perdendo o interesse e escolhendo outras atividades mais doces ao paladar da carne. Veja a opinião que eles chegaram a ter no final do maná, aquele que Jesus chamou de "pão vindo do céu" e o salmista de "pão dos anjos", e acabaram chamando de "pão vil". "E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil." (Nm 21:5).

O Salmo 78 nos fala da ingratidão e de tudo o que os israelitas deixaram de valorizar dentre as bênçãos de Deus até chegarem àquele estado de torpor e indiferença, que os acabaria levando ao ápice da iniquidade que seria rejeitar seu próprio Messias, pregando-o numa cruz. O maná do céu era a provisão divina para suas necessidades, mas a carne das codornizes era a resposta de Deus ao desejo do coração do homem, para ensinar que nada de bom existe em nossa própria vontade quando esta entra em rota de colisão com a vontade de Deus.

"Portanto o Senhor os ouviu, e se indignou; e acendeu um fogo contra Jacó, e furor também subiu contra Israel; porquanto não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação; ainda que mandara às altas nuvens, e abriu as portas dos céus, e chovera sobre eles o maná para comerem, e lhes dera do trigo do céu. O homem comeu o pão dos anjos; ele lhes mandou comida a fartar.  Fez soprar o vento do oriente nos céus, e o trouxe do sul com a sua força. E choveu sobre eles carne como pó, e aves de asas como a areia do mar. E as fez cair no meio do seu arraial, ao redor de suas habitações. Então comeram e se fartaram bem; pois lhes cumpriu o seu desejo. Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca, quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais robustos deles, e feriu os escolhidos de Israel. Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas. Por isso consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia." (Sl 78:21-33).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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