As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Seria correto divulgar as reunioes nas redes sociais?



https://youtu.be/tHoSlJAzI2A

Você pergunta se seria correto divulgarmos nas redes sociais as reuniões da assembleia e convidarmos pessoas? Tipo "Hoje teremos reunião de ministério da Palavra às 19:00hs na casa do irmão Fulano, à rua Tal, número Tal. Todos estão convidados".  Não acho correto porque as reuniões da assembleia dos irmãos congregados ao nome do Senhor são para os irmãos, não para pessoas estranhas.

É claro que sempre nos alegramos quando alguém nos visita, mas é preciso entender que na confusão reinante na cristandade precisamos fazer como faziam os judeus nos tempos de Neemias: Colocavam guardas no portão de Jerusalém e só permitiam a entrada de forasteiros quando o sol estivesse a pino, ou seja, sem causar sombra de dúvida.

"Sucedeu que, depois que o muro foi edificado, eu levantei as portas; e foram estabelecidos os porteiros, os cantores e os levitas. Eu nomeei a Hanani, meu irmão, e a Hananias, líder da fortaleza, em Jerusalém; porque ele era homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos. E disse-lhes: Não se abram as portas de Jerusalém até que o sol aqueça, e enquanto os que assistirem ali permanecerem, fechem as portas, e vós trancai-as; e ponham-se guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda, e cada um diante da sua casa." (Ne 7:1-3)

Uma pregação do evangelho tem um caráter diferente, por isso não seria problema convidar pessoas em geral para comparecer, principalmente se for um local público. Mas as reuniões de assembleia, em especial as feitas na casa de algum irmão, não são reuniões públicas e fazer um convite geral poderá trazer lobos, falsos profetas, e até assaltantes.

Um bom princípio estabelecido pelo Senhor, para o qual deveríamos atentar, é o do "cenáculo", palavra que indica um andar elevado de uma casa. Ainda antes da formação da Igreja, por ocasião da última Páscoa e instituição da Ceia do Senhor, Jesus instruiu seus discípulos: "Jesus, pois, enviou Pedro e João, dizendo: Ide preparar-nos a Páscoa para que a comamos. Eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? Então, lhes explicou Jesus: Ao entrardes na cidade, encontrareis um homem com um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar e dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde é o aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado; ali fazei os preparativos." (Lc 22:8-12).

Embora não exista para a igreja qualquer mandamento de que seja preciso um segundo ou terceiro andar de um prédio para nos congregarmos, o princípio é válido, pois seu sentido é de separação do nível do chão, do nível das coisas do mundo. Em Atos vemos que os discípulos continuavam reunidos em um cenáculo: "Quando ali entraram, subiram para o cenáculo onde se reuniam" (At 1:13), de deveria ser o mesmo de quando o Espírito Santo desceu para formar a Igreja: "Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar" (At 2:1). Em outra passagem vemos os irmãos também reunidos em um andar elevado, separados do rés do chão. "Havia muitas lâmpadas no cenáculo onde estávamos reunidos. Um jovem, chamado Êutico, que estava sentado numa janela, adormecendo profundamente durante o prolongado discurso de Paulo, vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo e foi levantado morto." (At 20:8-9).

Um bom exemplo do cuidado de manter a assembleia reunida de maneira não pública é o episódio em que Pedro foi preso. Sabemos que ele pregava o evangelho publicamente nas ruas, praças e sinagogas (escolas de judaísmo) dos judeus, razão pela qual foi preso. Mas enquanto esse ministério pessoal e evangelístico era feito em público, a igreja orava de portas trancadas. Então ao se dar conta de que havia sido liberto da prisão, Pedro foi em busca dos irmãos que estavam reunidos em assembleia orando por ele.

"Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele... Considerando ele a sua situação, resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, cognominado Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. Quando ele bateu ao postigo do portão, veio uma criada, chamada Rode, ver quem era; reconhecendo a voz de Pedro, tão alegre ficou, que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que Pedro estava junto do portão. Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, persistia em afirmar que assim era. Então, disseram: É o seu anjo. Entretanto, Pedro continuava batendo; então, eles abriram, viram-no e ficaram atônitos.  Ele, porém, fazendo-lhes sinal com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão e acrescentou: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, retirou-se para outro lugar." (At 12:5, 13-17).

Sempre que alguém mostra interesse em congregar em alguma cidade eu envio o contato aos irmãos dali e muitos já tem um procedimento de primeiro se encontrar com a pessoa para conhecê-la, às vezes em um lugar público, como um shopping, antes de convidá-la para a reunião. Uma vez descuidei e passei o endereço do salão onde está congregada uma assembleia e apareceu lá um desequilibrado que "sequestrou" a reunião. Abriu a Bíblia e começou a pregar a Lei e ainda dava bronca nos irmãos que não prestavam atenção no que dizia.

Em casos assim os irmãos poderão chamar o visitante para conversar lá fora e trancar a porta com ele do lado de fora. Desagradável? Demais, porém é um risco maior ter do lado de dentro alguém que poderá causar danos tanto doutrinários quanto físicos aos irmãos. O ataque de um louco a uma igreja nos EUA, matando mais de duas dezenas de irmãos, mostra como os cristãos são vulneráveis. No Brasil já ocorreram vários ataques com armas dentro de igrejas católicas e evangélicas, por isso todo cuidado é pouco.

Um cristão denominacional tem mais dificuldade para entender isso porque no sistema religioso acredita-se que a "igreja" seja uma espécie de agência evangelizadora. Mas quem conhece melhor a Palavra pode perceber que a igreja não evangeliza, quem evangeliza é o evangelista. A igreja é congregada para Deus, para adoração, louvor, aprendizado recebido dos dons de ministério, ceia do Senhor e orações. Qualquer uma dessas atividades não faz sentido para quem ainda não tem a nova vida em Cristo.

Considerando que a maioria das assembleias de irmãos congregados ao nome do Senhor somente está congregada na casa de algum irmão, isso fica ainda mais complicado. Convidar um estranho pode ser equivalente a introduzir no lar daquele irmão um desconhecido que poderia estar ali com a intenção de fazer mal aos irmãos ou para conhecer o local para um assalto posterior. As redes sociais hoje nos dão a falsa impressão de conhecermos as pessoas com as quais interagimos no espaço virtual, até ouvirmos a notícia de alguém que foi assaltado e morto em um encontro marcado numa rede social.

Já tivemos experiências com pessoas que chegaram dizendo-se irmãos, mas que só estavam atrás de ajuda material ou às vezes até de morar por um tempo na casa do irmão que o recebeu. O Senhor nos alerta: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas." (Mt 10:16).

Resumindo, nunca devemos confundir a assembleia (coletivo de irmãos em comunhão) congregada para o nome do Senhor, com o evangelismo que é o exercício de seu dom perante o mundo. O evangelista está no mundo levando o evangelho, mas o mundo não pode ser introduzido na assembleia porque ali não há nada para ele.

Veja também: http://www.respondi.com.br/2017/05/as-reunioes-devem-ser-publicas-ou.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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