As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Voce nao cre na justica de Cristo imputada ao crente?



https://youtu.be/0gH-J5PYGFk

Você leu na Wikipedia textos de dois teólogos criticando John Nelson Darby e os ensinos dos irmãos congregados ao nome do Senhor no século 19. Segundo esses teólogos eles teriam negado o sofrimento vicário de Cristo, quando na verdade o que eles negavam era a doutrina da justiça imputada, que é corrente na maioria dos círculos protestantes. O texto na Wikipedia diz:

Charles Haddon Spurgeon, pastor do Metropolitan Tabernacle e contemporâneo de Darby, publicou uma crítica a ele e ao movimento do Irmãos. Sua crítica principal foi que Darby e os Irmãos de Plymouth rejeitaram o propósito vicário da obediência de Cristo, assim como a sua justiça imputada ao crente. Spurgeon acreditava que tais noções eram tão importantes e centrais para o evangelho que o levou a adotar uma postura crítica em relação a todas as crenças dos Irmãos.

James Grant escreveu: 'Por causa das heresias mortais mantidas e ensinadas pelos Irmãos de Plymouth em relação a algumas das mais importantes doutrinas do evangelho, contra as quais já tenho advertido com alguma intensidade, e por mais antibíblicos e perniciosos que possam ser, estou certo de que meus leitores não ficarão surpresos com nenhum outro ponto de vista, dos quais os Darbistas têm adotado e zelosamente tentado propagar'. [extraído de Wikipedia].

A mesma Wikipedia explica em sua página em inglês que "justiça imputada é um conceito da teologia cristã que propõe que a justiça de Cristo seja imputada aos crentes, isto é, que são vistos como se a tivessem recebido pela fé. Assim seria com base em uma justiça de outro que Deus aceitaria os seres humanos. Isso é também chamado de justificação e, portanto, essa doutrina é praticamente um sinônimo da justificação pela fé. O ensino da justiça imputada é uma doutrina característica das tradições luterana e reformada do cristianismo".

Muitos comentem esse erro por não conseguirem diferenciar o que é a justiça de Deus e o que é a justiça de Cristo. Charles Stanley explica:

O que é então a justiça de Deus? E o que é a justiça de Cristo? Justiça é a perfeita consistência de caráter e ação, de acordo com a relação de um ser com os outros, ou consigo mesmo. Assim, a justiça de Deus é a perfeita harmonia de seus atributos em suas tratativas para com todos os seres criados — é a perfeita coerência para consigo mesmo, e isso ao justificar o pecador ímpio. Como poderia o seu amor perfeito para comigo, um pecador, e seu ódio infinito contra meus pecados estarem em absoluta harmonia? O trabalho de redenção e a infinita propiciação por meus pecados, e a substituição na cruz, é a única resposta possível de Deus a essa horrível questão. Bendito seja Deus, que é justo e meu Justificador! 

O homem deve se colocar em sinceridade diante de Deus como um pecador culpado, para então encontrar no Evangelho a única revelação possível da justiça de Deus para justificá-lo. Ora, o modo como Deus é justo para justificar o pecador é "mediante a redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3:24). As Escrituras não dizem que seja pela justiça de Cristo imputada ao pecador para restaurá-lo diante de Deus, como se o pecador tivesse cumprido a lei e nunca tivesse deixado de cumpri-la. Trata-se de um evangelho bastante diferente esse que tenta reintegrar assim o homem, um filho caído do primeiro Adão.

Portanto, tendo em mente que a justiça de Deus é todo o propósito de Deus de salvação para o homem culpado, desde o primeiro até o último, e que esse propósito foi realizado por Cristo na redenção, então, pergunto: Qual é a justiça de Cristo? E também, qual é a redenção de que ele consumou? O leitor pode não estar ciente de que não existe exatamente tal expressão, "justiça de Cristo" nas Escrituras. Uma passagem em 2 Pedro 1:1 é o que mais se aproxima disso: "Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo". Mas o assunto ali é sua divindade.

Podemos dizer, no entanto, que os Evangelhos apresentam o único Homem justo e perfeito que já pisou nesta terra: perfeito e em absoluta harmonia com a mente e a vontade de Deus, coerente em todas as relações em que ele se encontrava. Mas essa obediência devia ir até à morte na cruz, pois ele precisava morrer ou permaneceria sozinho. Aquela obediência devia satisfazer todas as necessidades do pecador, para que os muitos fossem feitos justos (Romanos 5:18, 19). Para isso Jesus precisava ser uma vítima imaculada, sem pecado, como está escrito: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.". (2 Co 5:21).

Portanto, "o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê" (Rm 10:4). Todo tipo e sombra, todo sacrifício, a maior demanda e maldição da Lei sobre os culpados (e é o que certamente somos) encontrou seu fim em Cristo. Deus é glorificado acima dos céus, em justiça absoluta ao justificar o culpado. Sim, a justiça de Deus é exaltada acima dos mais altos céus, diante de todo o universo. Louvado seja o Senhor!

Mas essa guarda da Lei por Cristo sido depositada na conta do homem para restaurá-lo, a fim de que sua posição diante de Deus fosse a de alguém que guarda de lei? Acaso é pela guarda da Lei que vem a justiça? Se assim for, não há qualquer significado na redenção. O incrível é que onde quer que esse outro evangelho seja pregado — e ele não é nada mais que um outro evangelho — a redenção não é entendida e raramente citada. O que é a redenção? Antes de ler outra linha, pegue uma folha de papel e anote o que você entende por redenção, especialmente se você achar que a guarda da Lei por Cristo seja metade de nossa salvação, e que sua morte expiatória seja a outra metade. — extraído de "The Righteousness of God", Charles Stanley.

O autor continua explicando o que é redenção e para isso usa do episódio de Êxodo, quando os hebreus eram escravos e obrigado a fabricar tijolos. A libertação deles não se deu porque Moisés fabricou tijolos para depositar na conta deles, mas porque o sangue do cordeiro foi derramado. Eles não teriam sido "melhorados" por uma capacidade maior de fazer tijolos, mas tiveram de passar pela morte, representada pelo Mar Vermelho, para saírem do outro lado completamente livres do que eram e faziam no Egito.

Se você ainda não entendeu o que é essa doutrina da "justiça imputada ao crente", talvez tenha visto um vídeo que se popularizou na web, mostrando uma fila de pessoas, supostamente no céu, que estão sendo pesadas numa balança para saber se irão ou não entrar. Todas elas são reprovadas por suas obras más serem mais pesadas que suas obras boas, até se aproximar um homem que parece ter apenas obras más em seu arquivo, mas que é identificado como sendo crente em Jesus. Porém, antes de pisar na balança um homem com uma camiseta com o nome "JESUS" se adianta e é pesado no lugar dele, garantindo assim o peso ideal para sua entrada no céu.

Além de trazer uma mensagem subliminar para incentivar a obesidade, o vídeo é cheio de erros. Primeiro, o crente salvo por Cristo nunca passará pelo julgamento juntamente com os perdidos, e a salvação já se dá aqui nesta vida, no momento em em que ele creu, e não no além. Em João 5:24 o Senhor assegurou que aquele que crê não entrará em juízo, mas já passou da morte para a vida aqui mesmo nesta terra. O que falta é apenas a redenção de seu corpo, que será ressuscitado ou transformado.

Apenas as obras do crente serão julgadas depois que partirmos da terra, mas não no Grande Trono Branco do juízo final, e sim no Tribunal de Cristo, que é uma avaliação da qualidade, e não do peso ou quantidade, das obras que praticou em vida para que ele receba ou não uma recompensa ou galardão. Mas essa recompensa não é a vida eterna, a qual o crente já possui a partir do momento em que creu, conforme a promessa de Jesus (atente para os tempos dos verbos): "Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida." (Jo 5:24).

Outro erro do vídeo está em ensinar essa tal de "justiça imputada", que seria uma justificação por substituição, ou seja, se a minha conta bancária está no vermelho por causa de minhas injustiça, Cristo depositaria as suas justiças e a sua santidade em minha conta para eu ter saldo positivo e ser salvo. Nada poderia ser mais errado, apesar de ser pensamento corrente na cristandade, em especial no calvinismo. Não é pela vida santa e justa de Cristo que somos salvos, pois aquela sua vida aqui na terra nada podia fazer além de nos condenar. Foi por seu sacrifício substitutivo e seu sangue derramado que fomos resgatados para Deus, e se existir de nossa parte quaisquer boas obras, serão somente "as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Ef 2:10).

Dizer que somos justificados pela justiça de Cristo é o mesmo que dizer que somos justificados pela guarda da Lei, pois a justiça de Cristo estava no fato de ter sido o único Homem capaz de guardar toda a Lei. Mas o problema é que "o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada" (Gl 2:16) e "é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé" (Gl 6:11).

É certo dizer que somos justificados pela fé, mas a Bíblia nunca diz que somos justificados pela justiça de Cristo. J. N. Darby comenta: "A Palavra diz simplesmente que justiça é imputada, ou que a fé é imputada por justiça, mas não diz que seja a justiça de Cristo" (J. N. Darby : Letters : Volume 2, number 99).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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