As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como conviver com colegas incredulos?



https://youtu.be/Wi2pY1j4utU

Você pergunta como deve agir no convívio e relacionamento com colegas de trabalho incrédulos, quando você é convidado para ir a bares e eventos que não acha adequados ao testemunho cristão, e que também não tem nenhum prazer em frequentar. Como acontece com muitos cristãos, você se sente um peixe fora d'água em happy hours, confraternizações e outros eventos ligados externos, porém associados ao trabalho.

Eu diria que ser convidado e participar ou não de atividades extra-empresa irá depender de você traçar sua linha divisória e seus limites, deixando clara sua posição desde o início, mas fazendo isso de forma sutil. É preciso, no entanto, não se isolar de seus colegas porque isso pode criar em você um sentimento de santidade e superioridade espiritual muito ao estilo dos fariseus do tempo de Jesus. O Senhor decidiu estabelecer seu "quartel general", se podemos chamar assim, em Cafarnaum, uma importante cidade comercial de sua época localizada estrategicamente onde passava a Rota da Seda, o caminho que ligava o Oriente ao Ocidente e por onde passavam mercadores de todas as partes do mundo.

O cristão não está no mundo para ser um ermitão vivendo numa caverna. O problema não é você estar no mundo, mas o mundo estar em você. Então seja como Moisés, lançado sua mãe ainda bebê no rio da morte, mas dentro de um cesto bem impermeabilizado para as águas não entrarem nele. Eventualmente é necessário que você participe de eventos corporativos até como forma de conquistar a confiança e simpatia de seus chefes e colegas, mas eles precisam logo saber com quem estão lidando. Se você fizer um trabalho acima da média será respeitado, mesmo que pareça meio excêntrico por causa de sua fé e dos limites que impõe nos convites que recebe.

Nas empresas onde trabalhei, no primeiro dia eu tirava de minha pasta objetos pessoais, como escova de dentes, agenda etc. e também uma Bíblia, que colocava sobre a mesa à vista de todos, e só mais tarde guardava na gaveta. Minha intenção era mandar um recado subliminar dizendo: "Pessoal, fiquem sabendo que sou crente", mesmo sabendo que a noção que eles tinham de um crente seria bastante distorcida pelos costumes das religiões. Às vezes quando voltava do almoço e ainda tinha tempo, aproveitava para ler algumas passagens. Isso era suficiente para que a notícia de que um "crente" agora trabalhava ali corresse pela "rádio peão".

Pode ter certeza de que as pessoas, quando têm um cristão declarado no ambiente de trabalho, irão observá-lo com um misto de curiosidade, repulsa e vigilância para pegá-lo em alguma falta. Se em público os incrédulos criticam e zombam, em particular podem até recorrer a você para aconselhamento quando tiverem algum problema.

Uma vez um colega que engravidou a namorada veio me procurar desesperado com a ideia de precisarem cometer um aborto. Meu conselho foi que deixassem o bebê nascer e, se não gostassem, matassem a criança. Aquilo — e mais o que falei do valor da vida, do Senhor Jesus e de seu amor — deve ter causado uma impressão forte nele, pois alguns meses depois eu e e minha esposa éramos convidados para uma cerimônia de casamento reservada à família, com uma noiva orgulhosa de sua barriga.

Em outra empresa, uma secretária que era "mãe de santo" e dona de loja de produtos para religiões de matriz africana um dia veio desesperada querendo saber como lidar com um amigo que queria se suicidar. Não sei se ela disse a ele tudo que eu disse para ela dizer, mas teria sido interessante ter visto aquela "mãe de santo" dizendo ao amigo que Deus o amava tanto ao ponto de ter entregue seu próprio Filho para morrer numa cruz por ele, e que precisava crer em Jesus para ter seus pecados perdoados e ser salvo eternamente.

Sempre que eu não podia evitar eu participava de eventos que tivessem algo ver com o trabalho ou a equipe, ou que fossem comemorativos de toda a empresa. Mas quando me convidavam para ir a algo extra-oficial, como a um bar no final do expediente, eu escapava e dizia que tinha um compromisso com a família (e quem é que não tem compromissos quando se tem uma família esperando em casa?).

Mas nunca evitei, por exemplo, tomar uma cerveja em um almoço com colegas, ser sociável nas viagens a trabalho, ou comparecer à festa de aniversário de algum colega, embora eu seja avesso a festas. Você não precisa ser baladeiro, mas pode e deve ser um cristão sociável, caso contrário, como poderão eles ter um testemunho seu, não só de palavras, mas também de vida e comportamento?

O importante é você mesmo discernir as diferentes situações e vigiar para não andar com o ímpio por sentir prazer nisso, e nem se deter nos lugares onde ele pára, e sentar-se em comunhão nas coisas que ele faz que você sabe serem contrárias à vontade de Deus expressa em sua Palavra. O perigo é quando você passa a encontrar maior prazer em amigos incrédulos do que amigos irmãos.

"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará." (Sl 1:1-3).

Então acredito que caberá a você traçar seus próprios limites, tendo consciência de que não quer ser um eremita, porque os outros precisam saber que você existe e estarão observando como é seu modo de falar e agir como cristão. Também não precisa entrar na onda de seus colegas em coisas que achar que não estão de acordo com sua fé e com o ambiente no qual o Senhor gostaria de encontrar você.

Quando você trabalha numa empresa, ou mesmo como autônomo, pode também se ver envolvido em situações embaraçosas. Uma vez fui fazer uma palestra em Brasília e depois da palestra os promotores do evento me convidaram, juntamente com um seleto grupo que incluía alguns prefeitos e políticos de outras cidades, para irmos a um restaurante.

Até aí tudo bem, mas depois nos levaram para o hotel onde todos ficariam hospedados. No check-in eu era o último da fila e reparei que alguém (do evento ou do hotel, não me lembro) estava passando uma espécie de álbum de um para outro e cada um folheava, apontava e dizia: "Esta aqui". Quando o álbum chegou nas minhas mãos vi que era um book de garotas e programa. Agradeci e disse que preferia dormir só. Obviamente todos me olharam com aquele olhar de censura, porque numa hora dessas a consciência de cada um fica inquieta.

Numa outra ocasião eu viajava como funcionário de uma empresa junto com mais três colegas de diferentes áreas. No restaurante da cidade onde ficamos cada um pagava sua refeição com a verba de viagem. No primeiro dia, na hora de pagar todos pediram uma nota fiscal num valor muito mais alto que o da refeição, para serem depois reembolsados pela empresa. Eu pedi minha nota fiscal no valor da refeição, isso foi suficiente para ser atacado com todo tipo de críticas. Eles ficaram irados porque na prestação de contas a empresa iria querer saber como é que eu tinha conseguido jantar tão mais barato que os colegas. Nos outros dias que ficamos naquela cidade eles já não faziam questão de almoçar ou jantar comigo.

O importante é você não esquentar a cabeça com as gozações, os olhares atravessados, as críticas, as fofocas, porque tudo isso estava previsto que um cristão seria obrigado a suportar.

"Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias; e acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós.Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos." (1 Pe 4:1-5).

Se, por um lado, o cristão deve se manter separado do mundo e de suas concupiscência, por outro não deve querer obrigar os incrédulos a fazerem o mesmo. Falo daqueles cristãos carolas que vivem procurando pecados e falhas nos colegas para poderem criticar. O cristão deve procurar pecadores para evangelizá-los e levá-los a conhecer o Salvador, e não para baterem com suas Bíblias na cabeça deles tentando fazer com que vivam como cristãos. Isso é como querer que um porco aprenda a cantar. Existe até um ditado: "Não tente ensinar um porco a cantar; você irá perder seu tempo e aborrecer o porco".

O incrédulo precisa de Cristo, não de igreja, regras, leis etc. O mundo já tem cristãos só da boca para fora em um número grande demais para você querer criar novos religiosos. Se você não se sente à vontade para falar do evangelho, então dê um folheto, sugira um link para alguma mensagem, ou presenteie com um livro evangelístico ou uma Bíblia. Nas empresas onde trabalhei costumava comprar Bíblias com desconto para dar de presente na época do Natal.

Ah, tá, você é desses que ficam martelando no ouvido de seus colegas que Natal é festa pagã, que eles precisam ir à igreja, que as mulheres não devem ter a saia acima do joelho, que não podem beber, dançar etc.? Se você for assim ainda não entendeu o que é pregar o evangelho da graça de Deus a pecadores e vai continuar querendo ensinar o porco a cantar até conseguir formar um coral de incrédulos cantando gospel. E nem vai aproveitar oportunidades — como eu aproveitava o Natal e Paulo aproveitava o pedestal ao "Deus Desconhecido" dos gregos — como um gancho para evangelizar.

http://www.respondi.com.br/2009/02/devo-me-opor-idolatria-em-meu-trabalho.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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