As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Estou errado por nao socializar?



https://youtu.be/hMBqcsgf5gs

Você diz que sua esposa reclama por você não querer acompanhá-la a festas e restaurantes em encontros com a família e amigos, e você alega que não vai porque eles bebem bebidas alcoólicas e conversam de assuntos mundanos. Ainda, segundo você, apesar de serem ambientes agradáveis e sofisticados, ali as pessoas vão para fumar, beber e arranjar namorada. Você ainda se queixa de sua esposa não querer lhe acompanhar quando você vai a alguma confraternização com irmãos na fé.

Agora eu pergunto: Será que você não está sendo demasiadamente legalista? Os fariseus acusavam Jesus de comer com publicanos e pecadores, mas ele fazia isso porque queria salvá-los. "E Chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles." (Lc 15:1-2). O Senhor era sociável quando andou neste mundo, e não precisava ser conivente com o pecado para atrair para junto de si a marginalidade de sua época.

A ideia de que cristãos devam viver isolados foi importada dos costumes monásticos das religiões pagãs do Oriente, mas não é isso que vemos na vida do Senhor Jesus na terra. Ao contrário, ele escolheu habitar em Cafarnaum, que era justamente uma cidade de grande tráfego de pessoas de diversas nações, pois ficava na rota conhecida como "Rota da Seda", que ligava o Oriente ao Ocidente.

Como você pretende levar pessoas a Cristo se ficar isolado? Pelo que entendi sua esposa não está convidando você a ir a bordéis ou bocas de fumo, mas a eventos sociais e familiares em lugares públicos. Não se trata de deixar de atender ao Salmo 1, que diz "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." (Sl 1:1), pois aí está falando de alguém que faz da companhia dos ímpios o seu estilo de vida. Então não vejo problema algum você ser mais sociável.

Por acaso na empresa onde você trabalha todos os dias só tem crente? No refeitório, antes de se sentar a uma mesa com colegas, você pede a eles que façam uma confissão de fé? Será que também analisa o teor alcoólico do xarope que o médico receitou para ver se pode tomar? Que bebida você acha que era aquele vinho que o Senhor tomava com seus discípulos? Você não acredita mesmo nesses pregadores que insistem que era vinho sem álcool, acredita?

O Senhor Jesus quando esteve no mundo nunca deixou de ser amável e sociável com ladrões e prostitutas, embora não participasse de seus roubos e prostituições. Mas ele pegava pesado mesmo com os fariseus, que chamava de "sepulcros caiados" (Mt 23:27), porque adoravam exibir sua religiosidade exterior, e "sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam não o sabem", porque odiavam que alguém visse como estavam mortos por dentro. Então aqui vai um alerta: Verifique se não está congregando com fariseus, porque a esses Jesus chamava de "raça de víboras" (Mt 3:7).

Sabe quem eram as 99 ovelhas da parábola de Jesus, que ele diz que um homem deixa no deserto para buscar a desgarrada? Eram os próprios fariseus para os quais ele estava contando a parábola.

"E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles. E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso.." (Lc 15:2-5).

Em outra ocasião "os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento." (Lc 5:30-31). 

Por não se acharem doentes e acreditarem não precisar de médico, e nem perdidos para necessitarem de alguém que os resgatasse, Jesus conta esta parábola para mostrar que os deixaria no deserto da religião vazia, na sequidão e sem alimento, para sair em busca da ovelha perdida. Na parábola, quando o homem a encontra, ele não a toca de volta para casa, mas a carrega nos ombros, como faz Jesus ao encontrar um pecador perdido. E a história termina em alegria:

"E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lc 15:6-7).

Em seguida Jesus conta a parábola de uma mulher que, tendo perdido uma de suas dez moedas, "acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar" (Lc 15:8). A mulher é uma figura do Espírito Santo, que está varrendo o mundo todo em busca do pecador perdido para salvá-lo e se alegrar com suas vizinhas, como diz a parábola: "E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende." (Lc 15:9-10).

A terceira parábola deste capítulo tem o mesmo tema: o perdido que é achado, algo que aqueles fariseus na plateia nunca admitiriam. "E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se." (Lc 15:21-24).

Muita gente acha que a parábola do filho pródigo seja dirigida a perdulários e mundanos, mas como você vê no início do capítulo, ela foi contada a religioso, pois nesta parábola qualquer um identificaria o perdido como sendo o filho pródigo, mas poucos enxergariam que o filho mais velho estava igualmente perdido.

Embora pudesse parecer a olhos pouco atentos que ele era um filho que tinha prazer em ficar na companhia de seu pai, não é isso que ele diz quando fica indignado pelo pai ter matado o bezerro cevado. Sua queixa é: "Nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos." (Lc 15:29). Este sim é o típico homem do Salmo 1, que tem prazer em andar com os ímpios, e não com o Pai, apesar de toda a sua aparência exterior de filho obediente.

"E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.  Mas ele se indignou, e não queria entrar.  E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se." (Lc 15:25-32).

No final, o filho mais velho nem sequer se digna entrar na casa do pai, porque não quer participar da festa, da alegria, do churrasco do bezerro cevado, das músicas e das danças. Oops! Você reparou que tinha música e danças ali?! Como é que o Senhor Jesus poderia associar alegria a música e dança?! E repare que eles"começaram a alegrar-se" e nunca diz que um dia essa festa teria terminado.

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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