As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Existia dor de parto antes da queda?



https://youtu.be/P4gtqAYalIY

Entendo que a dor, assim como qualquer sensação táctil e de pressão, seja uma parte do corpo humano que funciona como um mecanismo de captação de informações do ambiente e também de defesa e proteção do corpo. Quando pisamos numa pedra pontiaguda a sensação de dor faz com que não coloquemos nosso peso sobre aquele pé, evitando um ferimento. Uma bebida quente irá causar dor nos lábios, nos impedindo de tomá-la. Até um cisco no olho irá disparar uma reação das glândulas lacrimais para lubrificá-lo e evitar que se fira.

Por isso também creio que a mulher tivesse algum tipo de dor de parto, mesmo porque um trabalho de parto começa com contrações que servem de aviso de que o bebê está para nascer. Não consigo conceber que a sensação de Eva, caso ela tivesse um filho no Jardim do Éden, fosse algo quase imperceptível, como urinar ou defecar. A saída de um bebê é bem mais traumática do que esses hábitos naturais ao ser humano.

Quando você compara a palavra hebraica original traduzida como "dor" em Gênesis 3:16, percebe que ela tem mais o sentido de sofrimento e angústia. Portanto, nesta passagem que fala de um juízo de Deus por Eva ter pecado, se estivesse apenas se referindo à dor física, tal juízo não teria mais efeito em nossos dias com os anestésicos. O homem poderia se gabar de ter se livrado do juízo de Deus e também do domínio que o marido teria sobre a mulher, que é o assunto da continuação do versículo, graças ao movimento feminista.

"E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor ['itstsâbôn'], e a tua conceição; com dor ['etseb'] darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará." (Gn 3:16)

Fica mais fácil perceber que não é exatamente de dor física que a passagem está falando, e sim de angústia e sofrimento, porque no versículo seguinte diz que também o homem comeria do fruto da terra não apenas com "o suor do teu rosto", mas também "com dor". A menos que o lavrador sofra de algum problema nas costas, até onde eu saiba não dói plantar, por mais dolorido que um corpo não habituado possa ficar. Mas, ainda assim, é um sofrimento e trabalho árduo produzir alimentos, além da constante luta contra as pragas que foram introduzidas no versículo seguinte.

"E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão." (Gn 3:17-19).

Uma mulher ou homem que não tivessem qualquer sensibilidade à dor — seja decorrente do parto ou do trabalho — seria o que conhecemos hoje como alguém que sofre de hanseníase. A lepra faz com que o corpo humano perca sua sensibilidade à dor, e é por isso que um leproso acaba perdendo dedos, orelhas, braços e pernas. Sem perceber que se feriu ou se queimou, a área afetada acaba infeccionando até chegar à gangrena e amputação. Para um leproso seria ótimo voltar a sentir dor.

Um outro argumento contra a ideia de que o Senhor estaria falando ali de dor física, tanto no parto quanto no trabalho do homem, está na próxima passagem da Bíblia onde aparece a palavra "dor" em português, porém usando no original outra palavra hebraica. Ali o contexto é claramente de dor física, ao falar da estratégia dos filhos de Jacó para se vingarem por sua irmã Diná ter sido violentada por Siquém. O argumento de que, para Siquém se casar com Diná, ele e os homens de sua cidade precisariam ser circuncidados para se aparentarem com o clã de Jacó, deixou a todos incapacitados para se defenderem. Na passagem a seguir a palavra hebraica para dor é "kâ'ab".

"E deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e foi circuncidado todo o homem, de todos os que saíam pela porta da sua cidade. E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dor, os dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, e mataram todos os homens." (Gn 34:24).

Mas de que sofrimento a Bíblia estaria falado quando Deus condenou a Eva e a todas as mães que vieram depois dela, mesmo as que tomam anestesia antes do parto? Davi explica: "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe." (Sl 51:5).

Por mais feliz que seja o nascimento de um filho, uma mãe que conhece as Escrituras sabe também que está colocando no mundo mais um pecador, o que por si só já é uma angústia. Por toda a vida ela se empenhará em orações e súplicas a Deus para que seu filho seja salvo. Por isso creio que seja dessa angústia que Deus estivesse falando, algo que Eva não conheceria se tivesse dado à luz no Éden, mas que toda mulher depois dela iria experimentar. Ou você nunca ouviu falar em "depressão pós-parto" e "psicose pós-parto"?

http://www.respondi.com.br/2017/07/devo-evitar-anestesia-contra-dor-de.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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