As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Os perdidos terão penas proporcionais ao tempo que pecaram?



https://youtu.be/wmAPpzQS-CQ

Você pergunta o porquê de as penas dos condenados ao lago de fogo serem eternas. No seu entendimento, se a pessoa viveu 70 anos em pecado, ela deveria pagar pelo equivalente a 70 anos no lago de fogo. Acredito que você tenha uma ideia errada do que é o juízo eterno. Ninguém estará lá pagando por uma conta que vai diminuindo à medida que o tempo passa. Para começar, nem existirá tempo na eternidade (por isso se chama eternidade) e qualquer correlação com o tempo de vida ou de pecado da pessoa na terra não faria qualquer sentido.

O pecador já nasce nesta vida condenado por ser pecador. Ainda que fosse possível não praticar qualquer pecado, sua natureza já o condena, independente de seu tempo de vida. "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus... Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece." (Jo 3:18, 36). Entendo que os pecados que a pessoa comete ao longo de sua vida sejam agravantes da pena. O sistema judiciário e penal humano não é muito diferente daquilo que Deus fará, embora o primeiro seja imperfeito e o segundo seja perfeito.

Embora encontremos na Bíblia evidências de que haverá diferentes penas ou graus de condenação, nada indica que sejam condenações temporárias, mas sim definitivas. Jesus deu uma pista dos diferentes graus de gravidade de pecados quando disse a Pilatos: "Aquele que me entregou a ti maior pecado tem." (Jo 19:11). Em Apocalipse 20:13 diz que "... os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." (Ap 20:12) o que indica penas diferenciadas segundo a gravidade do que cada um praticou em vida. Lucas 12:42-48 que mostra que Deus faz distinção entre diferentes modos de agir e tanto a recompensa quanto a punição são também proporcionais.

"E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pós sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá. Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separa-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis. E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá."

O grau de responsabilidade também está associado ao grau de conhecimento ou desconhecimento do erro cometido, como nas passagens a seguir. Outras passagens também demonstram este princípio: "Disse-lhes Jesus: Se fósseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece... Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado... Se eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai." (Jo 9:41; 15:22, 24).

Em Mateus 11:20-24 vemos também diferentes graus de condenação para as populações de determinadas cidades, dependendo do grau de conhecimento ou de privilégios que haviam recebido:

"Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti." 

Mas nada disso implica em TEMPO de condenação, e sim em severidade da pena, pois que a condenação eterna é isso mesmo, eterna como a Palavra de Deus mostra em diversas passagens, à semelhança da vida que o crente recebe, que é também eterna:

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida ETERNA, e NUNCA hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai". (Jo 10:27-29).

"E, se a tua mão te escandalizar, corta-a: melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que NUNCA se apaga." (Mc 9:43-48).

"Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o FOGO ETERNO, preparado para o diabo e seus anjos... o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados PARA TODO O SEMPRE." (Mt 25:41; Ap 20:10).

Mas, apenas para especular um pouco neste assunto, vamos supor que a pena dos perdidos tivesse uma duração equivalente ao seu tempo de vida ou algo assim. Para onde Deus enviaria essa pessoa depois de cumprida sua pena? No final haverá o lago de fogo para o diabo e seus anjos, e também para os seres humanos impenitentes, e os novos céus e a nova terra, onde ficarão todos os salvos. Faltaria um lugar neutro, que não fosse nem a presença de Deus, nem a total ausência de Deus como é o lago de fogo. Para onde então?

Entenda que a pessoa que em vida decidiu não querer a companhia de Deus na eternidade recebeu aquilo que desejou. Se ela fosse liberta do lago de fogo, não poderia ser enviada nem para os novos céus, nem para a nova terra, porque ali ela nunca quis estar. Quando você compra um bilhete para Curitiba não vai querer que a companhia aérea leve você para Florianópolis.

Mas apenas para exercitarmos nosso raciocínio no exame das possibilidades, imagine se Deus fosse usar do mesmo raciocínio seu — de uma condenação equivalente ao tempo que a pessoa pecou em vida — no caso de sua salvação. Quantos anos você viveu na terra como convertido a Cristo antes de partir? Dez anos? Então Deus seria justo em lhe dar apenas dez anos de céu, ficando o restante para viver no lago de fogo ou naquele lugar indeterminado que nem eu nem você imaginamos existir, tanto para o perdido que tivesse cumprido sua pena no lago de fogo, como para o salvo que já tivesse desfrutado de seu tempo de benefício e precisasse ser transferido para algum lugar que não fosse o céu.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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