As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Teria Jesus dado dons so' uma vez?



https://youtu.be/UPqpRA79o9o

Você escreveu se Efésios 4:8-11, onde os tempos verbais no passado, não significaria que Jesus só teria dado dons naquele momento em que subiu ao céu, não existindo mais nos dias que se seguiram essa possibilidade de ele dar dons aos homens. A passagem diz: "Subindo ao céu... deu dons...". No seu modo de entender os dons de Cristo teriam sido conferidos aos homens apenas por ocasião de sua acensão ao céu, indicando, portanto, uma ação exclusiva já realizada e não passível de continuidade, visto que posteriormente o Espirito Santo ficaria encarregado de atribuir dons apenas temporários aos homens, quando o corpo, a igreja, os necessitasse.

Sua pergunta é realmente intrigante, mas se esses dons de Efésios 4 tivessem sido dados apenas naquele momento da ascensão de Jesus, que ocorreu em Atos 1, então nenhum dom teria sido dado aos que fazem parte da Igreja, já que ela só foi fundada em Atos 2. Paulo também não teria recebido um dom, uma vez que veio a se converter muito depois da partida de Cristo da terra, e tampouco Timóteo, que era "filho" de Paulo na fé, não poderia exercer o dom que recebeu e que Paulo exortou que ele não desprezasse. "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério... Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos." (1 Tm 4:14; 2 Tm 1:6).

É preciso entender que estes dons dados em Efésios 4 são dons de Cristo, e na verdade os dons são os homens, e não meramente um poder do qual tenham sido revestidos: Por isso diz que "ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores" (Ef 4:11). Podemos dizer até que neste caso os homens estão intrinsecamente associados aos dons, diferentemente dos "dons espirituais" ou manifestações do Espírito descritos em 1 Coríntios 12.

No meu entender, o que os tempos dos verbos da passagem de Efésios 4 querem frisar é que essas coisas não poderiam ter acontecido antes de Cristo morrer, ressuscitar e subir ao céu. É no mesmo sentido desta passagem de João 7:39, que fala do que Jesus falou aos discípulos: "E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.".

Exceto apóstolos e profetas, que foram dons fundamentais ou de alicerce, como ensina Efésios 2:20 "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina", os dons de evangelistas, pastores e mestres ou doutores são aqueles que seriam necessários à edificação do "templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef 2:21-22). Não temos autoridade bíblica para dizer hoje que alguém seja um apóstolo ou um profeta no sentido de Efésios 4, mas podemos sim reconhecer ao nosso redor evangelistas, pastores e doutores ou mestres em plena atividade na edificação da casa de Deus.

Se os dons de apóstolo e profeta fazem parte do alicerce, e por isso não se repetem nas paredes, os demais são necessários na edificação. Evangelistas servem para buscar e trazer pedras para essa construção; cabe aos pastores assentá-las com a argamassa do amor e aos mestres ou doutores fica o acabamento fino de alisar as imperfeições das paredes, pintar e colocar uma cobertura na casa para não ser corroída pelas chuvas de má doutrina. São dons de operação, enquanto os de apóstolo e profeta foram de fundamentação.

Os apóstolos eram revestidos de autoridade divina para dizer o que era ou não de Deus, e os profetas serviram para transmitir a voz de Deus para as pessoas quando ainda não existiam as escrituras do Novo Testamento. Apóstolos tinham até autoridade para sentenciar à morte aquele que pecasse, como ocorreu com Ananias e Safira em Atos 5, ou quando Paulo entregava a Satanás um blasfemo ou um pecador contumaz, diretamente, como fez com Himeneu e Alexandre em 1 Timóteo 1:20, ou remotamente e delegando a responsabilidade a uma assembleia, como fez para com os de Corinto no capítulo 5 da primeira epístola aos Coríntios.

Uma vez completado este volume da revelação de Deus para a Igreja, que é o Novo Testamento e em especial as epístolas, os apóstolos e profetas já não seriam mais necessários. Por isso Paulo, em sua despedida aos anciãos de Éfeso, os encomenda, não a algum apóstolo e profeta de uma suposta linhagem apostólica sucessória, mas a Deus e sua Palavra sob a direção e autoridade do Espírito.

"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida... encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados." (At 20:28-29, 32).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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